A revelação: Porque é que o diabo não chegou em Setembro?

O Aventar está, finalmente, em condições de explicar porque é que o diabo não veio em Setembro. Segundo se apurou, Mefistófeles tinha quase ultimada a compra do seu modesto T-666 ali para os lados da Boca do Inferno, com uma  fabulosa vista de mar e pleno de sol, sendo uma questão de dias até se instalar neste el dorado do imobiliário. Era um demónio feliz, que havia encontrado o paraíso na terra, na qual já antevia as delícias que teria ao seu dispor graças ao caldo condimentado com austeridade, propaganda e crescente miséria.

Certa manhã dirigia-se para o Ministério dos Vistos Dourados, para tratar da sua futura casinha, quando sentiu as veias gelarem. A Mariana Mortágua estava na televisão a falar de alterações à tributação do património e das regras do IMI e ele, um pobre diabo, começou a ver para onde caminhava a situação. “Dão-me um visto, olha, compra uma casita, mas querem é os meus tostões.” Foi com este estado de espírito que se dirigiu ao ministro, dizendo-lhe que assim não vinha e de nada lhe valeu o PowerPoint do Comissário das Interpretações Correctas, explicando-lhe que o Imposto Mortágua era, na verdade, o Imposto Passos. O mal estava feito e para ele, fonte de infortúnios para a humanidade, maldade não era coisa para o próprio sentir na pele.

Foi por isto que o Diabo não veio em Setembro. Fruto de impostos demonizados pela Direita, aquele que lhes poderia trazer a passadeira do poder ficou no quentinho.

Lettres de Paris #13

La sociologie? Ça c’est génial. La sociologie rurale… c’est encore plus génial!…

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… disse a rapariga do Café-Brasserie Saint-André. Lembro que é o meu café oficial. O mesmo do empregado que fala português com sotaque brasileiro, apesar de ser, como a rapariga, francês de gema. Mais exatamente, a rapariga é da Bourgogne, de ‘un village en Bourgogne. Sei isto porque fui jantar ao Saint-André. A comida é ótima. Não sei porquê hoje não havia menu a preço fixo. De maneira que tendo-se esgotado o ‘plat du jour’ que era precisamente ‘boeuf bourguignon’, lá me decidi por um ‘magret de canard’ que – mesmo que não me tenham perguntado – estava divinal, bem tostadinho, cozinhado no ponto e com as suas batatinhas salteadas ‘aux fines herbes’. Comi tudo o que me puseram no prato e era imenso, bebi uma Leffe e a seguir, não satisfeita, comi uma mousse de chocolate que estava perfeita (Alda, era igualzinha à tua!). Comi como um abade e paguei como uma rainha. De vez em quando, ora, de vez em quando. Disse à menina que ia beber o café na esplanada. E que queria também um ‘verre d’eau’. Ela riu-se. Outro dia eu tinha-lhe pedido um ‘verre de l’eau’ (seria um copo com a água) e ela ensinou-me que era apenas ‘d’eau’ (um copo de água).
 
Quando me trouxe o café e a conta principesca à esplanada, perguntou-me de onde eu era, se era inglesa. Não, disse-lhe eu, sou portuguesa. Ela disse que a minha pronúncia lhe parecia inglesa, não portuguesa. Depois perguntou-me se estava de férias em Paris. ‘Non, je suis lá pour travailler pour quelques mois’, respondi que, com o meu aparente sotaque de inglesa. Claro que ela a seguir me perguntou em que é que eu trabalhava. Comecei a dizer ‘je suis sociologue…’ e ela abriu um grande sorriso e disse, entusiasmadissima: ‘ah, la sociologie? Ça c’est génial!’ e continuou a dizer que era o que gostaria de ser, mas que não estudou para além do liceu. Eu aproveitei uma aberta no entusiasmo dela, para acrescentar que era ‘sociologue rurale’, esperando que se espantasse por estar em Paris, assim sendo. Qual quê?! Ainda ficou mais entusiasmada e disse ‘la sociologie rurale? Mais ça c’est encore plus génial!’.

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Nuno Crato ao SOL: “Houve quase uma fatwa da Fenprof contra mim”

Se calhar, a incompetência própria ajudou. E o falhanço no arranque do ano lectivo 2014/2015 também.

“O lugar onde eu fiquei”

“O lugar onde eu fiquei”, uma grande reportagem de Catarina Canelas, com imagem de João Franco e edição de imagem de Miguel Freitas – TVI.

Clique para ver: O lugar onde eu fiquei (parte 1)

Bilhete do Canadá – No tempo em que os animais falavam

Ilustração: Arthur Rackham, 1912 (fonte: Wikipedia)

Naquele tempo, por andarem à frente, como os bois da guia, até chamavam PAF ao fenómeno, aconteciam coisas engraçadas.  Foi, por exemplo, o caso dum burro criado nas Necessidades que se estabeleceu com um negócio de raparigas da vida airada num país africano.  Aconteceu o que é costume: primeiro, foi a rebaldaria e o pilim a cair na carteira; depois, foi a chatice do inquérito. No fim, o silêncio e o esquecimento.  Mas parece que o burro deixou asno que lhe sucedeu, um que lhe guardou o apelido e o vezo de ver negócios em tudo sem se lembrar que quem tem telhados de vidro não deve andar à pedrada. Ou mais claramente: compreende-se que esteja muito ufano por pertencer à Loja, mas será bom não esquecer que muito boa gente não tem medo de lojas.  Até se ri delas.   Grande vassourada isto anda a pedir.

O dom profano e a História de um canalha

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Lado a lado, numa prateleira da FNAC, O dom profano de José Sócrates convive, com a harmonia e a serenidade que caracterizam os livros, com a História de um canalha, de Julia Navarro. Coincidência ou não, que as coincidências, para mim, são como as bruxas do provérbio espanhol, a escolha da FNAC não deixa de ser curiosa. Atente, caro leitor, na sinopse da obra de Julia Navarro:

«Sou um canalha e não me arrependo de o ser. Menti, enganei e manipulei à vontade, sem me importar com as consequências.Destruí sonhos e reputações, traí os que me foram leais, causei dor àqueles que me quiseram ajudar. Brinquei com as esperanças dos que pensaram que poderiam mudar quem eu sou.» Thomas Spencer sabe como conseguir tudo o que quer. A saúde delicada é o preço que teve de pagar pelo seu estilo de vida, embora não se arrependa. No entanto, desde o seu último episódio cardíaco apoderou-se dele um sentimento estranho e, na solidão do seu luxuoso apartamento em Brooklyn, sucedem-se as noites em que não pode deixar de se perguntar como seria a vida que conscientemente optou por não viver. A memória dos momentos que o levaram a ter sucesso como consultor de relações-públicas e imagem, entre Londres e Nova Iorque nos anos oitenta e noventa, revela os mecanismos dúbios que os centros de poder por vezes empregam para alcançar os seus fins. Um mundo hostil governado por homens, onde as mulheres resistem a ter um papel secundário.

Para quando uma secção dedicada à canalhice?

O jornal A Bola faz história

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Sometimes laws are intolerable, and need to be changed by organized legal protest if possible—but otherwise by actual resistance and civil disobedience.

Geoffrey K. Pullum, “The Great Eskimo Vocabulary Hoax and Other Irreverent Essays on the Study of Language” (foreword by James D. MacCawley)

***

Ontem, dia em que a Irlanda derrotou os All Blacks, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade (efectivamente, A Bola) deu-nos mais um exemplo quer da diferença entre crer e perceber, quer do espectáculo extremamente triste dado pelos desistentes que têm o distinto descaramento de optar pela resistência silenciosa, em tempos e lugares de liberdade de expressão. Cuidado. Muito cuidado.

Desejo-vos um óptimo domingo e votos de glorioso espectáculo, daqui a pouco, no Estádio do Dragão. Viva o Benfica. Viva!

Quando é que o Ministro das Finanças se demite?

António Costa e o seu entediante Ministro das Finanças têm todo o direito de olhar para António Domingues como a última Coca-Cola do deserto.
O que não podem, por causa dessas suas convicções pessoais, é fazer leis à medida de uma pessoa em particular, abrir precedentes perigosos e tratar de maneira diferente situações que são iguais. A partir de agora, que legitimidade moral tem o sensaborão Mário Centeno para exigir a entrega de Declarações de Rendimento e Património a outros gestores públicos?
A forma como esta questão termina – os gestores da Caixa NÃO vão entregar a declaração porque não lhes apetece – é simplesmente humilhante. É que estamos a falar do Ministro das Finanças da República de Portugal, que não tem de baixar as calças a um banqueirozeco qualquer. Que ainda não se percebeu muito bem de que tem medo.

Isto é que é!

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Na sequência do escândalo provocado pelo salto de Durão Barroso para a Goldman Sachs, Juncker quer mudar o código de ética da UE: em vez de 18 meses, um presidente da comissão europeia deverá passar a ter de esperar três anos até poder accionar a porta giratória de entrada no mundo do negócio; para os outros comissários o prolongamento deverá passar de 18 para 24 meses.

Ah grande Barroso! mesmo depois de sair da UE continua a deixar marcas indeléveis!

Lettres de Paris #12

Moi, j’aime bien la propreté*

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Hoje acordei com uns senhores a baterem-me à porta do estúdio, já não era muito cedo. Vinham medir a alcatifa, para meu espanto. Parece que a vão substituir. Disse-lhes que a alcatifa, embora não seja nova, não me chateava nada. O que me chateava era a falta de candeeiro perto da cama – como vou ler? – e a falta de aquecimento na casa de banho. Ainda lhe falei no exaustor, mas afinal parece que é mesmo assim, fraquinho, e não está estragado.
 
Seja como for, mediram a alcatifa. Quando cheguei a casa à noite também já me tinham substituído o candeeiro estragado. O aquecimento ‘dans la salle de bain’ é que nada. Estão neste momento 4º em Paris. E ainda estamos só no início de novembro. Espero bem que me arranjem o aquecimento ou arrisco-me a morrer congelada cada vez que precisar de ir à casa de banho. Já morro gelada cada vez que vou à janela fumar um cigarro. Como hoje de manhã, depois do episódio da medição da alcatifa. Assisti a uma belíssima discussão, digna dos bairros mais populares de Lisboa, na Rue Suger. Um homem veio trazer uma encomenda de várias caixas, muito pesadas, aparentemente. Estacionou o camião grande, que bloqueava a rua, porque é bastante estreita. Tirou as caixas e deixou-as no chão, no meio da estrada atrás do camião. Uma das senhoras da limpeza da Maison Suger (para onde as caixas vinham) foi lá fora e disse ao homem que ele tinha de carregar as caixas para dentro. Começou a confusão! Que não tinha nada, que ele era só o homem das ‘livraisons’ e que portanto ela ou alguém que metesse as pesadíssimas caixas para dentro.
 

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Um arraial de porrada

“E que tal uma manifestação contra os feriados repostos?” António Filipe, debate do Orçamento de Estado 2017

Seis minutos a bater no saco deve dar KO.

O estado do desespero

Rui Naldinho

A PAF está zangada, irada, e em estado de desespero.

O debate deste OE 2017 teve momentos hilariantes, protagonizados por vários deputados da PAF, muito mais preocupados com as posições do BE, PCP e Verdes, do que com o documento OE2017 em si.

  1. Abreu Amorim acusa BE de “estar à venda” por “um naco de poder”
  2. João Almeida acusa partidos da esquerda de serem “idiotas úteis” ao PS
  3. CDS acusa PCP e BE de incoerência ao aprovarem o Orçamento

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Donald Trump e o Acordo Ortográfico de 1990

trashiest

© F.M.Valada (Washington Square Park, 4/11/2016)

Hablo de estructura como podríamos decir la estructura de esta mesa o de esta taza; es una palabra que me parece un poco más rica y más amplia que la palabra forma porque estructura tiene además algo de intencional: la forma puede ser algo dado por la naturaleza y una estructura supone una inteligencia y una voluntad que organizan algo para articularlo y darle una estructura.
— Julio Cortázar, “Clases de literatura – Berkeley, 1980

[P]sychological laws for Husserl express causally determined, exceptionless, connections in successions of events, stated with respect to an idealization similar to Chomsky’s ideal speaker.
— Jerrold J. Katz, “Language & Other Abstract Objects

Have you read Tom Wolfe’s book?
It’s so uninformed and distorted that it hardly rises to the level of meeting a laugh test.
Noam Chomsky

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Há cerca de dois dias, algures no Rockefeller Center, assisti a uma entrevista concedida por Anthony Scaramucci e fiquei a saber que  vários economistas, entre os quais oito vencedores do Nobel [Read more…]

Era uma vez em São Pedro da Cova

cova

A reportagem da TVI, de visualização obrigatória, é de Julho de 2015. Apesar das evidências, gritantes, até ao momento nada aconteceu. Ou então a justiça tem sido tão eficazmente recatada, conduzindo investigações tão cuidadosas quanto discretas, que um dia destes acordamos e damos de caras com meia-dúzia de figuras políticas de topo no banco dos réus, para um julgamento que, apesar do estrondo que causará, tenderá a surtir poucos efeitos práticos. Se surtir algum. Afinal de contas, estamos em Portugal.

A história tem duas décadas, atravessou vários governos, e tem ministros, secretários de Estado, dirigentes públicos e partidários, autarcas e empresários com estreitas ligações ao poder como protagonistas. Está associada a financiamento europeu, obtido de forma fraudulenta, pela mão dos mais altos representantes da República. Tem tráfico de influências, fraude fiscal, branqueamento de capitais, crimes ambientais e corrupção. Representou e ainda representa um atentado contra a saúde pública, tendo diferentes estudos e pareceres técnicos apontado para a perigosidade de níveis de toxicidade altamente nocivos para qualquer forma de vida. E tem muito, muito dinheiro envolvido. [Read more…]

A imagem assimétrica de José Sócrates?

Rui Naldinho

Acredito que a obra Dom Profano seja um bom trabalho na área da Liderança e do Carisma. Tudo temas que devem deixar Sócrates com a libido em alta.
Não deixa de ser irónico, para alguém que começou a vida como licenciado em Engenharia fazendo projetos de duvidosa qualidade urbanística, passando por quase todos os lugares da política, ele ter acabado após uma derrota eleitoral, a estudar filosofia em Paris.

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A deriva esquerdalha do CDS

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Quando Portas se demitiu, o PSD ficou refém do CDS-PP. Quando Costa se alinhou com Cataria e Jerónimo, o PS ficou refém do BE, do PCP. No segundo caso, contudo, há dias em que o cativeiro se inverte, reverte e torna a inverter. Tem dias. E por estes dias, que foram dias de orçamento, assistimos a um novo sequestro. Pela voz de João Almeida, motivo pelo qual convém ter alguma cautela, o CDS-PP apanhou a esquerda desprevenida e encarcerou, de uma assentada só, o Bloco e o PCP. [Read more…]

Lettres de Paris #11

Petits jours, trés longues rues

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Com a mudança da hora, já se sabe, os dias ficaram mais pequenos. Quero dizer, continuam a ter 24 horas, naturalmente, mas anoitece bastante mais cedo. Em Paris às cinco e meia da tarde anoitece. Isso entristece-me, mesmo gostando muito do outono e do inverno não gosto nada que os dias comecem a encurtar-se. O outono em Paris é francamente bonito. As árvores que há em quase toda a parte tomam cores perfeitamente deslumbrantes. Sou capaz de ficar um longo tempo a olhar para as cores das árvores e para as folhas a cair, amarelas, castanhas, vermelhas, até formarem grandes tapetes desalinhados.

Tal como supus ontem à noite, quando me mudei do 3º andar para o 1º da Maison Suger, o meu novo estúdio, além de ter algumas coisas que não funcionam, apanha muito pouca luz do sol. De maneira que hoje, embora o despertador tenha tocado, supus que era ainda madrugada e, sendo feriado, deixei-me ficar na cama – agora grande – a preguiçar. Levantei-me passado um grande bocado e abri a janela. A Rue Suger estava calmíssima e estreita, como de costume. Olhando para cima via-se o céu azul, como uma risca larga no meio dos edifícios. Depois do pequeno almoço, enquanto fumava um cigarro debruçada no varandim, com a cabeça apoiada nos braços, olhei a janela em frente e a rapariga – que agora mesmo, há bocadinho, percebi que estava grávida – que mora nas janelas em frente, viu-me e sorriu-me. Sorri-lhe também, naturalmente. A casa em frente não tem cortinas, parece-me que se mudaram há pouco tempo. Reparei há bocadinho, enquanto fumava outro cigarro debruçada na janela, que estão a arranjar o quarto do bebé. Há um armário verde claro, de portas abertas mesmo em frente à janela e o rapaz andou um bocado de volta dele, de certeza cheio de cuidados e amor. A barriga da rapariga é bonita e está já grande.

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As pieguices de Luís Montenegro

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O artista, já dizia Diácono Remédios, é um bom artista. E Luís Montenegro, gostemos ou não do personagem, é, efectivamente, um bom artista. Mas a desfaçatez da sua intervenção de ontem no Parlamento é de bradar aos céus. Quem ouviu o líder parlamentar do PSD, fica com a sensação de que os anos em que o seu partido governou não terão realmente existido. Que trabalhadores e pensionistas não foram espremidos até ao tutano. Que o estado-providência não foi profundamente afectado. Que os portugueses não foram alvo de um brutal aumento de impostos. Que não se vendeu património do Estado ao desbarato. [Read more…]

Lettres de Paris #10

‘Faites de chaque sortie une aventure’…

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está escrito num anúncio de uma das lojas Au Vieux Campeur, do Boulevard Saint Germain. Eu esforço-me, mesmo porque e fácil fazer de cada saída uma aventura, nesta cidade cheia de coisas para ver. Não é que hoje sea tenha passado grande coisa, além de ter ido trabalhar, de o Ladyss estar vazio, como tem sido hábito e de ter voltado para casa, para mudar de estúdio.
Mas de manhã em vez de ir pelo boulevard Saint Germain, resolvi ir pela Rue de l’École de Médecine e ainda bem que o fiz. Dei com a Université René Descartes, bem bonita e com a Université de Paris III – Sorbonne Nouvelle. Muitas universidades e ‘ramos’ há nesta cidade. Sobretudo no ‘meu’ bairro. O bairro latino ou Quartier Latin. Universidades, cinemas, bares, livrarias, restaurantezinhos simpáticos como aquele em que jantei ontem, La Fourmi Ailée, que é como quem diz, a Formiga Alada, ou com asas, como quiserem,

O Diário da República está em baixo

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Merece a nossa compreensão. Não podemos esperar que algo que apenas tenha custado 600 mil euros esteja sempre operacional.

Eis o que há a dizer sobre o deputado da “Peste Grisalha”

A heteronormatividade do virgem ofendido
Luís Aguiar-Conraria
Os tribunais são useiros e vezeiros em sentenças que limitam a liberdade de expressão e são repetidamente contrariados pelo TEDH. Se precisar, recorra a crowdfunding. Muitos, como eu, contribuirão.

Os deputados deviam sempre primar pela instrução e nortear-se pelo princípio da elevação. Não espanta que ao insulto digam não: sim à liberdade de expressão, mas sempre com educação. Não precisam de acreditar em mim, basta verem este vídeo até ao fim:

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Poucas declarações de apoio fazem tanto sentido como esta

Ku Klux Klan declara o seu apoio a Donald Trump. Ele diz que não quer, enquanto pisca o olho e se prepara para mais um grabbing

O Grito do Ipiranga social-democrata em Vila Nova de Gaia

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Sou social-democrata, não sou um neo-liberal

Foi assim que o vereador do PSD na CM de Gaia, Elísio Pinto, reagiu às críticas de Cancela de Moura, presidente do PSD Gaia, a propósito de ter votado favoravelmente ao orçamento para 2017 da câmara presidida pelo socialista Eduardo Vítor Rodrigues. Independentemente do orçamento ser bom ou mau – desconheço-o por completo – crucificar alguém que alega votar em consciência e no interesse daquilo que entende ser melhor para a população  que o elegeu, é sempre muito triste em democracia. Mais triste ainda é notar que, em pleno século XXI, a esmagadora maioria dos políticos eleitos continua a servir o partido, subalternizando os eleitores. [Read more…]

Rio de Janeiro tomado de assalto por um entertainer do fanatismo religioso

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Já foi apoiado por Lula da Silva, ministro de Dilma Rousseff e agora assume-se alinhado com Michel Temer. Sobrinho do líder espiritual da IURD, Marcelo Crivella é o mais recente prefeito do Rio de Janeiro. Criacionista, Crivella é bispo da IURD e um crítico feroz da homossexualidade, que no passado classificou de “conduta maligna“, tendo posteriormente aconselhado o seu rebanho a perdoar os homossexuais por serem “fruto de um aborto malsucedido“. Existe também o Crivella da esquerda-evangélica, que no passado, a propósito de um elogio ao Partido Comunista Brasileiro, afirmou que “não há cartilha mais comunista que o Evangelho“, e ainda a versão cantor gospel, com 14 álbuns gravados, 3 milhões de cópias vendidas e um invejado Disco de Diamante com Mensageiro da Solidariedade, que pelos vistos é um prémio. O verdadeiro entertainer do fanatismo religioso. A Cidade Maravilhosa é dele.

 

Foto@Veja

Um dia, a vida será propriedade de uma multinacional

Pimento passa a ser propriedade privada da multinacional suíça Syngenta

Aguarda-se o oportuno comentário de Schäuble e da respectiva delegação nacional Passos-Albuquerque

Segundo os relatos, as promessas à União Europeia de manter o défice abaixo dos 3% do PIB, tal como é exigido pelas instituições europeias, foi “uma mentira pura e simples, aceite por todas as partes”, afirmou Hollande citado no livro.image

Segundo os autores, este acordo foi estabelecido em 2012, ano em que Hollande foi eleito, e seria válido até 2017. Ou seja, abrangeu a presidência de Durão Barroso e de Jean-Claude Juncker. (P)

Europa, austeridade e compromissos? Tretas. Depois da regra dos 3%, uma invenção francesa para encher chouriços, eis que em causa não está um qualquer enchido, mas apenas chouriço de PIGS. E também se compreende a vantagem de ter um português, este português, num alto cargo. Mantendo o garrote apertado, assim se assegura a ordem natural das coisas, onde uns mandam e outros obedecem.

E o Sérgio Monteiro, pá?

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (E), acompanhado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, durante a visita à Associação Empresarial do Baixo Ave na Trofa, 31 Janeiro 2015. ESTELA SILVA / LUSA

Os media, António Domingues e Sérgio Monteiro, por Daniel Oliveira

António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por um novo governo para dirigir o maior banco português. Não há suspeitas de favorecimento político, tem uma longa experiência de gestão bancária e ninguém, dos que criticam o seu salário, põe em causa a sua competência técnica e profissional. Vai receber por funções muitíssimo claras 30 mil euros mensais. Sérgio Monteiro foi nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa. Está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Não é possível fazer estas contas nos canais de televisão, mas arrisco uma proporção ainda mais favorável a Domingues. Criticar esta parcialidade não é assumir que a polémica é inadequada. O que se critica é a desproporção. Sobretudo quando o caso menos tratado é objetivamente mais difícil de justificar do que aquele que alimentou maior polémica mediática. Estas coisas não acontecem naturalmente. É a agenda política de quem marca a agenda mediática.

Foto: Estela Silva/Lusa@Esquerda.net

Não admira que Trump goste tanto de Putin

Rússia fecha escritório da Amnistia Internacional em Moscovo [Expresso]

A sério que há quem acredite nisto?

loucura

À beira de cavalheiros como aqueles que seguram esta bizarra faixa, os profetas da desgraça que por cá temos são autênticos meninos de coro. Existirem pessoas mentalmente sãs que acreditam que Vladimir Putin e Donald Trump podem fazer do mundo um lugar melhor, é extraordinariamente mais assustador do que a possibilidade de Trump chegar à Casa Branca, considerando que Putin ficará no Kremlin enquanto lhe apetecer e lhe for possível manter o poder. Não quero imaginar o que será viver num mundo em que as duas maiores potências militares são governadas por estes tipos. Não é que Hillary Clinton me inspire grande confiança. Mas entre uma potencial má presidente e um lunático, a escolha torna-se fácil. Resta saber se o mundo está a salvo de pessoas que acreditam em barbaridades como esta. Para maluquinhos já nos chegam os fanáticos religiosos.

Foto: Vittorio Zunino Celotto@Expresso

Juridicamente não chega, Marcelo

A CPLP não pode pactuar com mais ditaduras. O regime Dos Santos chega e sobra.