Imposturices

Sobre o eventual novo imposto, Assunção Cristas afirmou, ontem, no debate quinzenal na Assembleia da República, que “já muita gente deixou de comprar casa, já muita gente deixou de vir para aqui”. Baseou-se em quê para fazer semelhante afirmação? Só ela sabe.

Fez-me lembrar um velho conhecido que juntava uma percentagem a todas as suas opiniões. Dizia: “Cerca de 70% das pessoas gostam de bacalhau.” Ou: “Há aí uns 10% que vão à praia no Inverno”.
No início ainda pensei que ele trabalhava no INE, depois descobri que as estatísticas só o representavam a ele.
Questões ideológicas à parte, um líder partidário com este tipo de discurso não pode ser sério.

Não deixa de ser curioso, por isso, que a Juventude Popular tenha hoje lançado um cartaz com as fotos de Catarina Martins, António Costa e Mariana Mortágua, encimadas pelo título “As Impostoras”. Graçola à parte (a ideia é ridicularizar o primeiro-ministro referindo-se a ele no feminino?), percebe-se onde foi a JP buscar inspiração para o adjectivo. Basta olhar para quem preside o partido.

Motoristas da Uber

Sotero

Todo motorista de UBER que eu pego faço uma entrevista em off. Percebo que há muita mentira sobre o trabalho para o aplicativo. Minha opinião sobre o aplicativo segue a mesma; os usuários pagam barato e estão felizes, muitos motoristas UBER estão deslumbrados e ainda não sentiram o impacto das contas. No final é mais uma forma de exploração pois quem enriquece mesmo são os acionistas. As relações de trabalho do Uber não dão garantias aos motoristas. E olha que vejo até Sindicalistas defendendo UBER! Mas isso está mudando.
Em Belo Horizonte um motorista do Uber está processando a empresa. Fazia 20 corridas chegava a trabalhar mais de 16 horas. Gastou mais de 50 mil para ter o carro novo e então foi desligado do aplicativo pois é necessário ter uma média alta de avaliação. Já rolou o primeiro julgamento e vai para o segundo.
Nos EUA mais de 300 mil motoristas processaram o UBER. A justiça americana deu ganho de causa aos motoristas e o Uber teve que negociar com eles. E olha que lá nos EUA os sindicatos são mais fracos! Todos alegaram que eram funcionários do UBER sim! E a justiça americana entendeu isso pois viram que não há vantagens de fato em trabalhar para uma empresa nesse esquema. Enfim.
Aguardemos os próximos capítulos.
O caso de BH pode abrir um precedente nacional.

Fezes de Coelho não chegam ao céu

besouro

Todos recorremos a mecanismos de negação para lidar com situações especialmente perturbadoras, é uma forma de defesa e pode preparar a consciência para o rebate. Eu uso a desvalorização para não soçobrar à realidade. Morreram 200 mas salvaram-se 500. E há dezenas de reconfortantes maneiras de chupar um seixo… Agora, insistir nas virtualidades da austeridade para a recuperação económica de um país e na eficácia dos seus resultados tendo à frente o resumo do estudo coordenado por Carlos Farinha Rodrigues, intitulado “Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal – As Consequências Sociais do Programa de Ajustamento”, já não pode ser negação, é perversão sexual. Saborear o produto defecado e insistir em servi-lo aos outros como uma iguaria não é senão uma forma de sado-masoquismo coprofágico.

São conhecidas as primeiras conclusões do documento: o “processo de ajustamento” teve profundas consequências na distribuição de rendimentos em Portugal. Entre 2009 e 2014, os 10% mais ricos sofreram uma quebra de 13% no seu rendimento enquanto os 10% mais pobres tiveram uma quebra de 25%, o que agravou o fosso entre ambos os extremos, ou seja, a desigualdade social.

É que, na verdade, como se refere no dito estudo, a forma como os custos do “processo de ajustamento” foram repartidos entre a população portuguesa constitui um elemento essencial para a caracterização das políticas seguidas neste período. O desemprego delas resultante tornou irrelevantes os paliativos fiscais para os rendimentos do trabalho mais baixos. E, citando, o recuo das políticas sociais (no Rendimento Social de Inserção, no Complemento Solidário para Idosos e no Abono de Família), tanto na sua abrangência como nos montantes atribuídos, alterou significativa e decisivamente as condições de vida das famílias mais pobres.

Ou seja, o discurso oficial da justiça distributiva da penalização dos rendimentos revela-se uma treta absoluta em todo o seu esplendor.

A pobreza disparou, mais cerca de 143.500 pobres – eram, em 2014, números corrigidos, 2,5 milhões de pobres, quase ¼ da população -, como cresceu a intensidade da pobreza e em números que rondam os 30%, atingindo este indicador o valor mais alto desde que há registos desta natureza (2002). O estudo não leva sequer em conta a situação dos 500.000 portugueses que tiveram de fugir de toda esta carnificina programada.

Foi assim, enojado e enjoado, que ouvi ontem o debate parlamentar. Que a política se pode tornar num alucinado exercício de retórica… Mas isto, em bom inglês, já é tomates.

 

 

Portugal tem dos partidos mais ricos da Europa

Notícia do Diário de Notícias.

2015-10-04 Eleições - 230_deputados

Composição do parlamento resultante das últimas eleições

O combate político deveria ser o combate de ideias, não deveria ser o combate de orçamentos de propaganda. E se houvesse uma reforma do financiamento partidário que colocasse em primeiro lugar as ideias?

Proponho o seguinte:

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Viva a Chéquia!

Morreu a República Checa, nasceu a Chéquia!

Manuais Escolares

debater-escola-publica-e1467571337416Há, no nosso país um conjunto de pessoas com uma capacidade fantástica de saberem tudo, sobre tudo. Aliás, há quem diga que a TVI conseguiu colocar um desses a Presidente, mas eu não acredito.

Por maioria de razão, até a Ferreira Leite, por ter sido um dia mãe, achou que podia ser uma excelente Ministra da Educação.

E, trago até si, caro leitor (e cara leitora, para o politicamente correcto, tão em moda) esta reflexão introdutória porque há coisas sobre as quais sou um perfeito ignorante. Não sei falar Castelhano como o Jorge Jesus e estou longe de conseguir miúdas giras como o Pinto da Costa, isto só para citar dois exemplos.

Sobre Manuais Escolares também. É uma daquelas áreas que abordo com algum receio porque me parece que os lugares comuns existentes nas Praças da República deste país não têm permitido uma reflexão séria sobre o modelo. Entendam este texto como um contributo para um debate que poderá e deverá continuar até na caixa de comentários.

Começo por vos deixar a ligação para o site oficial do Ministério da Educação onde podem consultar toda a informação disponível e perceber como está tudo mais que regulamentado. Na prática e para abreviar a prosa, existe um calendário de adopções definido pelo Ministério da Educação, as editoras apresentam aos Professores as suas propostas e depois, em cada escola (ou agrupamento) o grupo de docentes responsável por leccionar cada uma das disciplinas escolhe o manual que entende ser mais adequado. A fase seguinte passa pela aquisição dos respectivos. Agora, no primeiro ano com oferta do Ministério da Educação, com a presença de inúmeras câmaras municipais na oferta de manuais no 1º ciclo, havendo ainda casos em que a colaboração das autarquias com os pais se alarga até ao 3º ciclo. Este envolvimento do governo e do poder municipal na aquisição dos manuais é uma demonstração da dificuldade que esta factura representa para as famílias, a quem compete uma parte demasiado importante desta despesa.

E, a pergunta que quase todos fazem é: não é possível ter uma política de manuais escolares que permita uma despesa menor às famílias? [Read more…]

Tortura nos Comandos?

comandos

Uma investigação do programa Sexta às 9, da RTP, que cita testemunhas e familiares de Hugo Abreu, um dos militares recentemente falecido durante o curso dos Comandos, refere que o jovem terá sido forçado a comer terra quando se encontrava já em convulsões.

Honestamente, não quero acreditar que isto possa ser verdade. Não quero mesmo. Porque se for, é preciso encarcerar, imediatamente, o troglodita responsável. Uma brutalidade destas não é treino, não prepara ninguém para melhor defender a pátria nem honra o exército ou a nação. É apenas cruel e perverso. É tortura. Estamos em Portugal, não em Abu Ghraib. E estamos a treinar Homens, não carrascos.

Foto@DN

Ano lectivo abriu

E não ia ser uma trapalhada por causa dos alunos que tinham saído dos colégios?

A memória na política

Muitos políticos comportam-se como se os eleitores não tivessem memória – e por vezes esse parece ser o caso.

A Persistência da Memória - Salvador Dalí

A Persistência da Memória – Salvador Dalí


 
No tempo do online, repleto de registos de áudio e vídeo e de artigos publicados e republicados, é trivial confrontar as posições do presente com as de há pouco tempo, por vezes com meses apenas, constatando-se que umas e outras estão nos antípodas. Mesmo assim, a facilidade com que se demonstra a posse de um carácter tão sólido quanto o de um junco mole não impede a reviravolta de posição desses políticos, capazes de serem, simultaneamente, um Dr. Jekyll e um Mr. Hyde, sem, no entanto, manifestarem conflito algum.

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“PSD recua e quer manter cortes nas subvenções” *

Rui Naldinho

“É uma reviravolta na posição do PSD, já que o comunicado enviado esta tarde, assinado pelo secretário-geral José Matos Rosa, contraria as declarações feitas pelo próprio no dia anterior à imprensa” – Observador

Começa a perceber-se que este PSD está a tornar-se numa organização disfuncional, sem um rumo e uma ideia que não seja austeridade. Não quer ser Oposição como seria sua obrigação, porque isso obriga a vir a jogo e dar a cara. Caso contrário apresentaria propostas de alterações ao Orçamento e a um conjunto de leis indispensáveis para o funcionamento da República.

Apostou na tragédia Grega, mas parece que falhou. Depois acreditou no inferno, e, esperando que Lúcifer fizesse o seu trabalho, este tarda em dar notícias.
Por fim, com a rentrée política do novo ano legislativo, só vemos gente do PSD desorientada a dar tiros nos pés. Do livro de mexeriquices sórdidas do Saraiva, que era para ser mas já não é, ao dito por não dito às subvenções dos partidos, qual delas a mais desastrada.

Porra! Mas já não há partidos da oposição?

*TSF

Parece que há (mais) um relatório do FMI

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Imagem: PÚBLICO

Este tem a particularidade de, pela amostra, só apontar aspectos desagradáveis para os portugueses e, em particular, de seguir a corrente, à qual a direita se cola, de mais austeridade.

Já tivemos outros documentos do FMI a dizerem o oposto. A questão é porque é que não mereceram o mesmo destaque do relatório hoje divulgado.

Leituras:

Olh’ó resgate

A estagiária da CBS estava orgulhosa. Tinha sido destacada para entrevistar o ministro das finanças de Portugal! A primeira tarefa que se impôs foi a de investigar onde era esse país – porque se tratava de um país, assegurou-lhe o chefe. Levou algum tempo e precisou da ajuda do Google Earth, já no mapa que percorreu detalhadamente não encontrara tal lugar. Também, pensou, era tão pequeno. Mas agora, com o apoio da Wikipédia, estava pronta. Já sabia que o país tinha sofrido um resgate financeiro – embora não atinasse lá muito bem o que isso significava. O chefe até disse que isso era coisa de peso. Importante. Logo, mal enfrentou o sorridente ministro português, disparou: “Portugal vai ter um segundo resgate?” O senhor, perplexo – mas sempre sorridente – lá construiu uma resposta em que nunca mencionou resgate nenhum e manifestou a sua disposição e empenho em que tudo corresse bem. E pronto.

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Ó Passos, tira os óculos laranja

O presidente do PSD acrescenta: “foi justamente porque tive a oportunidade de ler o livro e de perceber que havia um filtro que não tinha sido aplicado devidamente, pelo menos na minha concepção”. Por isso, Passos Coelho pediu a José António Saraiva que o dispensasse de fazer a apresentação do livro, prevista para a próxima segunda-feira, dia 26 [TSF]

Deve ser o mesmo filtro que mostra uma desgraça a cada esquina.

O saque

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Habitam em Portugal cerca de 10 milhões de portugueses, dos quais perto de 44 mil, 0,44% da população portanto, serão abrangidos pelo perigoso e totalitário imposto da comandante-ministra-das-finanças-sombra-fetiche-da-direita-radical-trotskista-leninista-chavista Mariana Mortágua, que segundo uma série de fanáticos da seita neoliberal, coadjuvados por um pequeno exército de indivíduos que, nas redes sociais, espalha o pânico e a indignação com histórias emocionantes que parecem retiradas da revista Maria, manipulando, sabe-se lá a mando de quem, alguns milhares de portugueses, será o fim do rectângulo à beira-mar plantado. Porquê? Ninguém sabe. Deve ser pelo mesmo motivo que os juros da dívida não parariam de subir, que o desemprego não pararia de aumentar, que a UE aplicaria sanções a Portugal, que o défice haveria de subir para os 6 ou 7% ou que as agências de rating não perdoariam as heresias da Geringonça. Não há seitas sem profecias da desgraça. O suicídio colectivo, já terá data marcada? Já se faz tarde. [Read more…]

Há que proteger os monstros

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A compra da Monsanto pela Bayer representa mais um ponto alto neste absurdo sistema insustentável que tão bem serve os interesses dos grandes e no qual os pequenos engolem tudo por mor do existencial argumento do emprego.

Nunca uma empresa alemã pagou um valor tão elevado (66 mil milhões de euros) por uma empresa estrangeira e, mesmo sob o ponto de vista empresarial, ainda está para se ver se o espectacular negócio irá dar certo. Não raro, a fusão de duas culturas empresariais diferentes acaba em pesadelo, como aconteceu com a Daimler, que pagou 40 mil milhões de dólares pela americana Chrysler. Mas isso é um problema deles. O nosso problema é que este tubarão da indústria química adquire um bombástico “valor sistémico” e catapulta-se para posição ainda mais confortável no que concerne à manipulação de governos e coacção de cidadãos. A Monsanto – conhecida pelas suas obscuras práticas, como a proibição de utilização de sementes provenientes de colheitas das suas sementes transgénicas e pelas funestas consequências do pesticida glifosato – passa agora para as mãos de uma empresa farmacêutica que já tem que se lhe diga. [Read more…]

Bonecos


Os vários canais de televisão, entre outras patologias, obedecem, de há uns meses para cá, ao princípio ” os telespectadores são, em geral, nabos”. Logo, querem sempre ver bonecos a mexer, mesmo que só longinquamente tenham a ver com a notícia que se está a ler. Os noticiaristas televisivos devem ter, por estes tempos, assistido a inúmeros workshops – como se diz agora em português – onde “formadores” lhes explicam que a malta é básica, sofre de distúrbio de défice de atenção e sem imagens não vai lá. Assim, toca a pôr no ar seja o que for que haja lá pelas prateleiras, qualquer coisa que ilustre o que o pivô está a debitar. O jogo de futebol que acompanha a notícia do ocorrido ontem já foi há um ano? Ninguém vai notar. É preciso noticiar um naufrágio e não há reportagem? Avança um parecido, de há quatro anos. E um incêndio é sempre semelhante com outro incêndio, logo, enquanto não há repórter no local a fazer perguntas tolas, vai-se ao arquivo. Aquele partido reuniu a sua direcção e não mandamos lá ninguém? Usam-se imagens antigas de um reunião semelhante, ocorrida anos antes, mesmo que em grandes planos apareçam pessoas já falecidas.
E assim, com a falta de profissionalismo dos indigentes, a irresponsabilidade dos idiotas, a crueldade dos sociopatas, eles vão-nos “informando”. Verdade e decência, não têm. Mas bonecada nunca falta.

O Diabo do Passos (2)

Portugal lidera descida dos juros da dívida. Querem ver que isto não piora?

Manteiga em nariz de cão

A antiga comissária europeia da Concorrência Neelie Kroes foi directora de uma companhia offshore sediada nas Bahamas durante parte dos mandatos que exerceu em Bruxelas. [Público]

Concorrência, Comissão Europeia, Offshore, como manteiga em nariz de cão. É a escola Junker, do capital sem pátria, feito pela política que aumenta o fosso entre os que têm menos e os mais abastados.

Os números indicam que de 2009 a 2014 os rendimentos dos portugueses tiveram uma quebra de 12% (116 euros por mês), mas mostram também que os 10% mais pobres perderam 25% por cento do rendimento enquanto os 10% mais ricos apenas perderam 13%. [Público]

Kroes é apenas uma das envolvidas em mais um caso de fugas de informação sobre lavagem de dinheiro, o Bahamas LeaksA roda já rola por Inglaterra, Espanha e Portugal. Percebemos que o status quo não mudará tão cedo quando os próprios que têm o poder de o mudar fazem parte do esquema.

Documentos confidenciais das secretas portuguesas aparecem em África

Os nossos “serviços de informações” são uma perigosa anedota.

Erros e falta de rigor

Santana Castilho *

Não será difícil admitir que a Educação é um instrumento ímpar, que não único, para promover o progresso social, sobretudo quando se calcula que 228 milhões de crianças continuam, em todo o mundo, sem escola e que 400 milhões a abandonarão sem qualificação primária, seja porque tiveram o azar de nascer num sítio e não noutro, seja porque nasceram mulheres em vez de homens, seja ainda porque a guerra lhes caiu em cima. Os conhecimentos, as competências que por eles se adquirem e, mais que tudo, o carácter que a escolarização formal ajuda a moldar em cada ser humano contribuem, definitivamente, para o sucesso dos indivíduos e das nações. Neste quadro, os instrumentos de avaliação educacional e de estudo comparado dos resultados da Educação, independentemente das críticas que podemos aduzir à forma como demasiadas vezes são usados para impor políticas e à tendência para tudo medir e expressar em números, constituem referências importantes para compreender o passado e programar o futuro, desde que os interpretemos com rigor. Ora interpretar com rigor começa, elementarmente, por conhecer, antes de usar parangonas que enchem os olhos, as metodologias dos processos e as unidades em que os conceitos se exprimem.

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Não precisas de agradecer, Passos. Ficaste mal na mesma

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Pedro Passos Coelho cedeu à pressão e já não vai apresentar a compilação de mexericos de José António Saraiva. Depois de ter dito “Não sou de voltar com a palavra atrás nem de dar o dito por não dito. Estarei a fazer a apresentação dessa obra”, o líder do PSD foi igual a si próprio e, tal como em tantas outras ocasiões, a palavra dada não foi palavra honrada. Nada que surpreenda, vindo de quem vem[Read more…]

O Embuste no Vale do Tua

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O destino do AMOR” é certamente um slogan que enche de orgulho José Cascarejo, ex-autarca de Alijó, cúmplice da pornográfica barragem do Tua e elevado, claro, à categoria de director da coisa. Aliás, é um slogan que enche de orgulho todos os autarcas do vale do Tua.

E ao prezado leitor do Aventar apresenta-se-lhe a questão: “como se promove um pretenso “parque natural regional” instituído depois de perpetrado o crime que inutiliza metade do vale do Tua? A resposta é fácil: criam-se frases fantásticas, polidas e reluzentes, a puxar à emoção do espaço aberto e livre. A natureza a pulsar quer oferecer-nos o que tem de melhor:

“É a natureza que grita!” (de facto, grita…)
“São os vales, as sombras das frondosas árvores” (serão os milhares de sobreiros e oliveiras cortados por causa da subida das águas?)
“São as águas cristalinas que refrescam o amor” (as águas eutrofizadas, é isso?)

E porque um parque natural, estimará o prezado leitor do Aventar, é algo visual (para lá de sonoro, olfactivo, táctil e emotivo?), qual a melhor imagem possível para promover o vale do Tua?
A resposta tipicamente cascarejana não podia ser outra: uma estrada de terra batida, remotamente africana ou na América selvagem e… um carro.
Um carro vermelho que é para ser ainda mais bonito.
Se o parolismo tinha limites, os mesmos acabam de ser ultrapassados por um carro vermelho.

Não seria de prever, prezado leitor do Aventar, que um parque natural se promovesse com imagens do mesmo parque natural?
Ou tem esta gente bem almoçada medo e pavor de mostrar que o “parque natural regional do vale do Tua” é o que sobra depois do conluio que tem levado a barragem do Tua avante?

E o que dizer do vídeo promocional que consegue a proeza de não ter uma única imagem natural do parque? Porque um vídeo promocional de um parque natural… em animação digital?
Tenham vergonha…

Ouvintes gajos

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© John Frost and daughter listening to radio in their home.

Marco Faria

Hoje, ouvi na rádio três vezes a palavra “gajo”. Em rigor, numa das situações foi proferido o plural – “gajos” – o que acentua ainda mais a minha preocupação. É verdade que a estação em causa dirige-se a um público muito jovem, estilo Porta 65 Jovem. Não quero divulgar o nome da emissora, mas vou dar uma pista enigmática: começa com um “V” e termina em “fone” (podendo sublinhar que na parte inicial está o termo de uma bebida muito apreciada pelos eslavos, vod(k)a). Como todas, é .FM, porque em AM só a Renascença, a Antena 1 e os “Mujahidin” escondidos no Monte Atlas no norte de África.
O calão é sim sinal, e eu não vou de forma alguma armar-me em moralista dos bons costumes e ler os códigos do tempo.
No dia-a-dia, todos recorremos às mesmas expressões. Com excepções. Em Cascais, por exemplo, não se diz “gaja”, mas, deixem-me pensar cinco segundos… pindérica. “Ó sua pindérica, não te vi no Tamariz. O teu namorado estava lá com a Cacá”.
Pindérica é mais poético que “lady”, menos valorizado que outras variantes de tocar piano e falar francês. Por sua vez, no Porto, no mercado do Bolhão, qualquer conversa resvala para: “- Ó jeitosa, eu sei que ontem foste à Badalhoca comer uma sandes de presunto?” “- Estás por acaso a chamar-me nomes? Sabes, vi uma saia de folhos igual à tua na feira de Custóias?” [Read more…]

Dá-lhe, Cristas!

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Na sequência da polémica em torno das declarações de Mariana Mortágua sobre algo que o BE defende desde que me lembro, Assunção Cristas afirmou que “O primeiro-ministro veio pôr ordem na casa mandando o Bloco de Esquerda estar calado“, um daqueles delírios que tão bem caracteriza a líder do CDS-PP, ainda que longe do elevadíssimo nível daquela célebre anedota, capaz de ombrear com um índio que faz a dança da chuva na esperança que os deuses salvem as colheitas. [Read more…]

Ao cuidado dos camaradas do PSD

psd

Faz ou não faz sentido, perante os valores da social-democracia, que aqueles que têm rendimentos mais elevados, tenham de ter, em cima de todos os impostos que já pagam, nomeadamente do IRS, uma taxa de solidariedade adicional? Eu acho que faz sentido. Como faz sentido aqueles, que tinham activos imobiliários acima e um milhão de euros, que têm uma tributação agravada por causa disso. É ou não é um bom princípio social-democrata, de dizer a todos os portugueses, que podemos isentar, ou podemos aliviar, o esforço que poderia ser pedido àqueles que têm menos, pedindo um contributo adicional àqueles que têm mais? Eu orgulho-me disso.

Pedro Passos Coelho, num longínquo comício em 2014.

Imagem e video confiscados à Geringonça

Partir a esquerda

Esta súbita enxurrada de “notícias” e posts sobre Mariana Mortágua comandar o PS não é acidental. É a óbvia tentativa de provocar fricções no PS e no PCP, como tábua de salvação face ao Diabo que teima em não chegar – e o fim do mês está à porta.

Há de facto um pequeno partido que mandou no partido maior. Foi o CDS do Portas, com a sua demissão irrevogável, que condicionou todo o plano político do PSD em 2013. Talvez seja por isso que Cristas e companhia, tendo-se olhando ao espelho, procuram nos outros os sinais que viram em si mesmos faz pouco tempo.

Não estou lá, nos partidos da Geringonça, para saber se a Mariana manda. Do que vejo, não encontro sinais disso. Mas que importa isso, se se acabou de construir um spin tão bom?

Victor Habchy

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Participação do fotógrafo Victor Habchy na exposição anual Burning Man, no deserto de Black Rock, no Nevada. Fotografias surreais de cenas que parecem saídas de sonhos, graças a tempestades de poeira, a obras de arte incomuns e ao olho talentoso de Habchy. (via)

Quatro dias em Saturno


(c) NASA Jet Propulsion Laboratory
A sonda Cassini da NASA olhou para Saturno durante quase 44 horas em Abril de 2016 para obter este filme que mostra quatro dias Saturno.

Bilhete do Canadá – Dupond & Dupont, Secos e Molhados

dupont e dupond

Às ordens de Vocências, era a legenda apropriada para a imagem transmitida pela televisão: Jorginho Bilderberg Moreira da Silva e Nuno Magalhães, lado a lado, muito anchos, com todo o ar de quem se julga necessário.  Como as mercearias de bairro.  Jorginho, agora de barbas para ver se a malta o leva a sério.  Nuno, a roncar grosso para ver se assusta a malta.  Ambos para comunicarem ao país esta coisa transcendente e urgente: nunca pensaram que a Mariana Mortágua fosse a verdadeira Ministra das Finanças.   E estão passados com a descoberta, logo trombeteada  por aquela televisão onde palra o Orelhas, aquele escritor que cresce um palmo a dar notícias más.   Ora, sendo o Nuno daquele partido que até mandou o Aguiar de Vizeu à festa do MPLA, porque os extremos encontram-se sempre, e sendo Jorginho Bilderberg o mesmíssimo que, enquanto Ministro do Ambiente, foi uma nódoa, e não apenas no caso da Legionela que matou várias pessoas, sendo assim, é de caras que todos queremos que fechem a loja e vão dar uma curva.  Vendem  bolachas a cheirar a bafio.  E a televisão que tome tento e dê notícias de facto importantes, porque quem paga o pato somos nós todos.  É que já não há pachorra para tanto despautério.  E a Mariana que leve com paciência, porque lidar com jericos foi sempre uma chatice.

Precisa-se de blogger da área do PSD

Para relação séria.

socrates

Tempos houve em que a laranja surfava a onda das trapalhadas socráticas, de forma pujante e suportada por uma poderosa máquina que mexia em tudo o que era corner. Cheirava a poder e por todo o lado apareciam apoiantes – alguns até iam a manifestações de professores, esses Mários Nogueiras da desgraça Lusa. Mas conseguiram. Levaram carta a Garcia (como eu gosto destas frases feitas!). E, no Aventar tivemos que ir à luta com um anúncio que ainda hoje é singular.

Conquistaram o poder com os resultados que se conhecem – atingiram todos os seus objectivos, deixando o país muito pior do que aquele que receberam.

Hoje felizmente, Portugal e os portugueses respiram melhor. A Geringonça continua o seu caminho e havendo uma candidatura para uma relação séria com ela, não primarei pela ausência.

Só que, nem tudo são rosas e eu não gosto de ver o sr. Pedro a cair pelo cano e vinha pedir que nos ajudem nesta tarefa nacional. Portugal precisa de alguém que defenda o Pedro e subscreva as tuas propostas para o país. Sim, aquelas que nem ele sabe quais são, mas o Marques Mendes tratará do resto, logo que consiga descer da estrado.

E, se naquele tempo, o anúncio não deu resultado, pensei que estaria na hora de seguir a mesma estratégia, esperando conseguir precisamente o mesmo resultado.

Não é claro o conteúdo funcional da tarefa, mas  pode sempre começar por eleger o Aventar como blogue do ano. Assim, na entrevista a realizar, poderá sempre dizer que ajudou o patrão a subir na vida. Poderia, por exemplo (a ter acontecido) trazer o mail da empresa que serviu para receber as inscrições na Universidade de Verão. Mas, se calhar o seu mail já foi apanhado pelo Carlos Teixeira. [Read more…]