
Maria Luís Albuquerque de Pilatos e Arrow
Mesmo sem o Banif, que ela meteu debaixo do tapete, o défice teria ficado em 3% do PIB. Um bocadito acima dos 2.7 previstos no OE2015, sendo que em Setembro de 2015 o défice estava nos 3.7. Detalhes. Vamos falar de metas falhadas, xô deputado Passos Coelho?
Já agora, lembram-se dos famosos cofres cheios da Maria Luís? A senhora Arrow gastou dois terços dessa almofada em 2015. Coisas normais quando tudo corria como previsto, claro.

A coisa é séria e já dava bem uma rechonchuda tese de pós-doc. Falo na importância das metáforas vacuns no discurso político nacional. Ele são as vacas que sorriem, as que voam e, até, as vacas que falam de vacas. Não ignoro, claro, a presença das metáforas e versos de temas animais, digo mais, veterinários. Tudo isto tem raízes antigas, que remontam à esmerada educação de que os mais velhos de nós bem se lembram. Quem pode esquecer a anualmente repetida redacção subordinada ao título “A Vaca”? Obedecia, até, a um modelo, uma matriz. “A vaca é um animal doméstico.Quadrúpede, porque caminha sobre quatro patas. Mamífero, porque se alimenta de leite nos primeiros tempos da sua existência. A vaca é muito nossa amiga e muito útil. Dá-nos o leite, tão importante para a alimentação. A pele, com que se fazem sapatos e vestuário.Os chifres – jamais cornos, atenção! – utilizados em cabos de talheres, botões, etc. E os ossos, com os quais se faz a refinação do açúcar (nunca percebi esta parte, mas era obrigatória). Eu gosto muito da vaca.” Ora, estes eram os atributos que, obrigatoriamente deviam ser mencionados em tal redacção. Jamais se mencionou a capacidade das vacas sorrirem, voarem ou, muito menos, falarem no Parlamento. Claro é, bem o sabemos, que, apesar da sua recente popularidade, a vaca não está só na metáfora política ou na criatividade poética popular. Mesmo formulações genéricas como “V.Exa. é uma besta!” nunca faltaram no Parlamento, ensina-nos Eça. E não faltam as referências desprestigiantes que metem porcos e gamelas, galinhas, seu cacarejo e pequeno cérebro, ovelhas e a sua tendência para ir no rebanho, gatos que devêm timoratos depois de escaldados, leões que se tornam sendeiros à saída, ou dos burros e a sua alegada falta de inteligência – que, na minha opinião, é usada em injustas e desfavoráveis comparações. Desfavoráveis para o jerico, entenda-se. Já nem falo no frequente recurso retórico a bicharada menos doméstica como papagaios, catatuas, vampiros, sanguessugas, lacraus, abutres, vermes em geral e mesmo parasitas intestinais.



As ditaduras que até agora existiram tinham como resultado a repressão de um estado sobre os seus cidadãos. O objectivo destes regimes era manter o poder, dele tirando os devidos benefícios, e as armas para tal usadas foram a censura, a propaganda, o medo e a força física, formas de domar os indivíduos que pudessem constituir uma ameaça à ditadura.

















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