Na Forbes.
Prender banqueiros criminosos? Sim, é possível
24/10/2015 by
Nesse estranho país chamado Islândia, a justiça já condenou 26 banqueiros a penas de prisão efectiva por crimes financeiros que tiveram impacto directo na crise financeira que em 2008 deixou o país de rastos. Gente grande e poderosa. Como se consegue este feito? Parece que, por aqueles lados, existe um sistema de justiça que funciona. E esse funcionamento abrange banqueiros, ao contrário daquilo que acontece por outras paragens.
Por cá, na pátria dos brandos costumes, nada disto acontece. Em contrapartida, vão-se arranjando umas prisões domiciliárias de conveniência e quem paga a factura desta lucrativa forma de criminalidade somos nós. E como se isso não fosse suficiente, ainda temos que ver/ouvir um primeiro-ministro tecer rasgados elogios a uma dessas personagens. O que na Islândia é considerado um criminoso, é por cá tido como uma referência. Pelo menos para Pedro Passos Coelho.
Miguel Relvas “analisou” as motivações das esquerdas
24/10/2015 by
e concluiu que as suas (das esquerdas) convicções são afinal fracotas e que «a bem de Portugal e dos portugueses» o “PS histórico” (designação muito oportuna) tem a obrigação de fazer prevalecer «a força da razão sobre a razão da força». Enunciado por quem teve responsabilidades no episódio de repressão policial indistinta sobre velhos e novos ocorrido em Novembro de 2012 em frente ao parlamento – momento decisivo que afirmou a determinação do Governo de que Relvas era membro em governar pela força se necessário – o argumento não será também ele especialmente fracote (para além de escandalosamente demagógico)?

[Público]
Renzi desafia Schäuble
24/10/2015 by
e anunciou que caso a UE rejeite o orçamento italiano, ele será novamente submetido sem alterações. Dirigida na prática pela Alemanha, a economia italiana está em deterioração acelerada. França não fica atrás em descontentamento. Uma nova fase da crise europeia está lançada. A mais perigosa de sempre, segundo Varoufakis.
E eleição de Ferro Rodrigues e a direita transformada numa barata tonta
24/10/2015 by
O período pós-eleitoral começa a ganhar contornos de anedota nacional. Depois de vários dias a vociferar aos sete ventos que Passos Coelho deveria ser indigitado primeiro-ministro – o que de resto aconteceu, legitimamente – porque lidera a coligação que obteve mais votos nas Legislativas, as hostes da coligação PSD/CDS-PP lançaram a rebelião absoluta nas redes sociais porque, imaginem, o candidato à presidência da Assembleia da República mais votado foi eleito para o cargo. Portanto ganha quem tem mais votos mas apenas quando tal serve os interesses da coligação. Notável. [Read more…]
Números: 2085465<2744576
23/10/2015 by
Estão inscritos para votar 9684922 portugueses. Só 5408092 decidiram expressar a sua opinião. Houve 4276830 que poderia ter ido apoiar a maioria e ficou em casa.
Dos que saíram de casa, 578051 escolheram os partidos “mais pequenos”, ou ficaram pelos votos nulos e em branco. Mais de meio milhão que foi votar e não apoiou a maioria.
Assim, já vamos em quase cinco milhões de portugueses que podiam ter apoiado a maioria e não o fizeram.
Os partidos PaF tiveram 2085465 (um pouco mais de dois milhões, para simplificar a linguagem) e os partidos de esquerda tiveram 2744576 – são 659111 de diferença.
Feitas as contas, houve 7599457 portugueses (mais de sete milhões e meio) que poderiam ter escolhido a Paf mas não o fizeram.
Cavaco Silva até pode ser Presidente. Pode até ter um governo. Mas, para completar a coisa, ao tentar criar uma imensa maioria, acabou por ficar com uma pequena minoria nas mãos – só 21,5% dos portugueses decidiu escolher a PaF o que, para um Presidente eleito com mais de metade dos votos, significa perder mais de metade da sua base de apoio. Ao contrário do mito da direita, a maioria do povo não escolheu a PaF e, como se viu hoje no parlamento, Portugal tem uma nova maioria.
Agora sim. Não temos Presidente. Não temos Governo. Mas, temos uma maioria – a do povo que votou e escolheu recusar a PaF: 7599457! É esta a maioria que tem de nos Governar.
Um presidente zangado
23/10/2015 by
Ainda não tinha ouvido Cavaco a dizer o que disse. Já conhecia o tom azedo da escrita, mas agora vi-lhe a zanga que lhe vai nas palavras. Cavaco ralhou. Só não espumou porque a declaração não foi longa o suficiente.
Eis, em 18 palavras, o discurso que criou a primeira crise política da presente legislatura.

Tanta boca cheia de consensos e estabilidade, para agora ser um catalisador desta enorme divisão na sociedade.
Parabéns Cavaco, conseguiste!
23/10/2015 by
A Comissão Política do PS deliberou, com apenas duas abstenções, dar indicações ao grupo parlamentar para apresentar uma moção de rejeição do programa do Governo Passos Coelho. E renovou o mandato para António Costa prosseguir negociações com BE, PCP e PEV. [Expresso]
Pensavas que não sobrava um sapo para ti Aníbal?
Gente zangada com a realidade
23/10/2015 by
O Presidente da República fez um discurso de exclusão e a direita aplaudiu. O
Presidente da Assembleia da República fez um discurso de inclusão e a direita assobiou.
Tudo pela nação, nada contra a nação
23/10/2015 by
O Presidente da República tem toda a legitimidade para interpretar os resultados das eleições e tomar as decisões que lhe competem em conformidade com essa interpretação e com a lei. Não me choca, por isso, que Cavaco Silva tenha indigitado Pedro Passos Coelho. Até porque, sejamos sérios, por maior que seja a vontade de PS, BE e CDU de chegar a um entendimento, a verdade é que esse entendimento não foi ainda oficializado e na prática não existe. [Read more…]
Escândalo no Parlamento
23/10/2015 by
É um facto: a malta da esquerda não se entende
23/10/2015 by
Anti-europeísta em que aspecto?
23/10/2015 by
Tenho um amigo que responde frequentemente aos interlocutores com um desconcertante “Em que aspecto?” Resulta sempre. Imagine-se uma ameaça de agressão física:
– Vê lá se queres levar na tromba!
– Sim, mas em que aspecto?
Também serve para responder a comunicações inócuas:
– Vou à casa de banho.
– Em que aspecto?
Como vêem, o absurdo pode ser simples e está ao alcance de todos. Fiquem à vontade para usar, porque, no mínimo, será fonte de descontracção.
O absurdo, no entanto, tem um problema: por vezes, faz sentido. Ontem, quando Cavaco Silva, espumando, acusou certos e determinados partidos de serem anti-europeístas, saiu-me um “Mas anti-europeístas em que aspecto?” E a pergunta fez sentido.
Já se sabe que a expressão faz parte de um conjunto de chavões utilizados por pessoas perigosamente destituídas, mas não é má ideia pensar um pouco mais sobre o assunto. [Read more…]
Quantos de nós estaríamos dispostos a morrer por uma causa?
23/10/2015 by
Uma pergunta de Patrícia Fonseca, na Visão, num belo resumo sobre o que se passa em Angola.

(c) Luaty Beirão fotografado por João Pacheco
O presidente de alguns portugueses
23/10/2015 by

A decisão de Cavaco é aceitável. Encarregar de formar Governo o líder do Partido mais votado, mesmo que não se concorde, é uma solução normal.
O discurso, esse, é completamente inaceitável. O presidente da República de todos os portugueses faria este discurso. Mas Cavaco nunca foi o presidente de todos os portugueses e, como tal, entendeu que seria o momento mais adequado para atacar selvaticamente uma parte do eleitorado que, apesar de tudo, representa 20% dos portugueses que votaram. Não lhe bastava dizer que dava posse a Passos Coelho porque a Coligação teve mais votos, era-lhe necessário demonizar o Bloco de Esquerda e o PCP e entrar num registo de «líder de facção» que chega a apelar à rebelião de deputados eleitos. Esquecendo-se que aqueles que não votaram nele são tão portugueses como os seus portugueses.
Se eu fosse deputado socialista e estivesse tentado a deixar passar o Programa do Governo PSD, ontem tinha mudado de opinião.
Nos últimos anos, Cavaco andou a encher a boca de bolo-rei e de estabilidade. Engoliu um e outro com a mesma convicção. Vê-se agora, ao preferir dar posse a um Governo minoritário e ao humilhar uma franja importante do eleitorado, o que ele pensa da estabilidade. Pensa, obviamente, aquilo que der mais jeito aos seus portugueses.
Seja como for, os dados estão lançados e, agora, chegou a hora da Esquerda. PS, Bloco e PCP devem votar contra o Programa de Governo sem qualquer hesitação. Mais: devem apresentar uma alternativa maioritária sólida que garanta a estabilidade parlamentar e um Programa de Governo que diga, preto no branco, que Portugal não vai sair da NATO nem da Zona Euro, que reconhece o Tratado de Lisboa, o Tratado Orçamental, a União Bancária e o Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Só para ver quais os argumentos que Cavaco vai utilizar a seguir para manter Passos Coelho no poder.
Conversas sem gravata
23/10/2015 by
Ouvi com interesse a emissão diferida do último debate da série Conversas sem gravata, uma audaz iniciativa do Sindicato de Jornalistas. Falava-se sobre os negócios passíveis de assegurar a sobrevivência do jornalismo – sendo certo que, ao menos nesse plano, há soluções, umas tentadas e outras ainda não. João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, disse coisas interessantes, que denotam um conhecimento profundo do tema e pensamento estruturado e prospectivo sobre as estratégias vindouras de financiamento do jornalismo.
No que respeita à maneira de encarar o mundo dos mercados da informação (deve ser assim que se chamam) pelos jornalistas portugueses, as coisas parecem-me ainda turvas. A Agência Lusa anda aos papéis – embora eu não perceba porquê. David Diniz está contente com o Observador – e também neste caso não percebo porquê, atendendo ao fraco jornalismo que por lá se faz.
Já Pedro Santos Guerreiro, deixou o Jornal de Negócios (onde se faz actualmente um jornalismo “analógico” no pior dos sentidos, aplicando à plataforma web os princípios obsoletos do papel) para ir fazer o Expresso Diário – online bem feito, cuja cadeia de valor assentará porventura e justamente no facto de não ser o resultado de uma transposição do papel para o online, dessa forma não transportando as lógicas e os procedimentos que vêm do papel.
A Manuela, os velhos e os novos
23/10/2015 by
Manuela Ferreira Leite discorre sobre as eventuais alterações nas estratégias do PCP atribuindo-as à juventude, renovação – como se a idade fosse condição necessária e suficiente para explicar estas coisas – e ao facto destes jovens não saberem o que é o Tarrafal e coisas que tais. Olhe que sabem, dona Manuela. E aos que não sabem, permita-me que lhes chame a atenção para o facto do Campo da Morte Lenta do Tarrafal ter sido reaberto por aquele senhor que esteve, há dias, quase uma hora a verberar a “natureza” dos comunistas e a pregar-nos princípios morais e santidade cristã. O senhor chama-se Adriano Moreira, era ministro de Salazar e a ele se deve uma das fases mais ferozes deste Campo. Como a democracia portuguesa é generosa e tolerante, este facto tem sido esquecido e o dito senhor até foi – et pour cause – presidente do CDS.
Não queremos reabrir feridas, mas também não estamos dispostos ao regresso da arrogância autocrática que fez esses feridas. Os velhos sabem, porque viveram. Os novos, porque aprenderam e não querem viver o mesmo.
O dia em que Cavaco Silva uniu a esquerda portuguesa
23/10/2015 by
O Presidente da República pediu aos portugueses um governo estável e duradouro. Em poucas palavras, pediu aos portugueses uma maioria absoluta, fosse ela oferecida à Coligação ou ao Partido Socialista. Um pedido veementemente repetido na sua mensagem antes das eleições legislativas. Os portugueses, esses teimosos, não lhe fizeram a vontade.
Depois de apurados os resultados, o Presidente da República, transformou o pedido em exigência aos partidos com assento parlamentar. A Coligação tentou mas não conseguiu. O Partido Socialista tentou e, aparentemente, conseguiu. Perante este cenário ao PR só restava um de dois caminhos: ou entender que o acordo apresentado pelo PS não era suficientemente cumpridor dos seus requisitos e nomear para Primeiro-ministro o líder do partido mais votado, no caso, Passos Coelho ou então, entender que o PS tinha conseguido a tal maioria absoluta (com o apoio do BE e CDU) e dar posse a António Costa. Até aqui, tudo muito bem. Cavaco Silva optou pela primeira hipótese e, sobretudo, em devolver à Assembleia da República a decisão soberana. Mas….
«O golpe de Cavaco não foi palaciano
23/10/2015 by
[mas] profundamente provinciano. (…)» [Pedro Lains]
“Anti-europeísta”
23/10/2015 by
A expressão “anti-europeísta” é de tal modo imbecil e vazia de sentido que só é usada por idiotas ou por quem quer manipular o outros e fazer deles idiotas. Cavaco Silva usou-a ontem. Mais uma vez.
O momento do nosso embaixador João da Câmara
23/10/2015 by
João Pacheco, jornalista
Já deve ter passado ao lado do grande momento. Já deve ter passado ao lado daquele momento em que poderia ter feito a diferença, o nosso embaixador português em Luanda. Ao embaixador João da Câmara exigia-se coragem na representação da república portuguesa. Nada disso se viu até agora, mas o nosso embaixador ainda vai a tempo de tomar uma última atitude digna em Luanda, uma última atitude que o salve como homem e como diplomata.
O nosso embaixador João da Câmara visitou Luaty Beirão passados mais de trinta dias de greve de fome deste preso político luso-angolano. Consta que cá fora não quis falar. E já mais tarde, o respectivo ministério contou ao mundo o que o nosso embaixador português em Luanda teria a dizer de útil.
Parece que Luaty Beirão está a ter um bom acompanhamento médico, acha o nosso embaixador em Luanda.
E acompanhamento político? [Read more…]
Ai, é assim que queres brincar?
23/10/2015 by
Então, vamos a isso: à Esquerda, entendam-se e escolham um só candidato a Belém! Começaremos a mudança por aí.
Luaty, meu herói
23/10/2015 by
Rafael Marques de Morais, Maka Angola
O Luaty Beirão corre perigo de vida, por se encontrar em greve de fome há 18 dias [à data em que o texto foi escrito. A greve de fome teve início a 20 de Setembro]. É a sua forma de protesto por estar há mais de 100 dias detidos abusivamente, uma medida de coacção implementada pela procuradoria-geral do presidente José Eduardo dos Santos.
Compreendo totalmente a luta solitária do Luaty, nesta hora de enlouquecimento dos decisores do regime.
E compreendo tanto melhor porque passei por uma experiência semelhante em 1999, quando fui detido por ter chamado «corrupto» e «ditador» a este mesmo presidente. Passei 14 dias em greve de fome. Porquê? Porque às vezes é preciso relembrar casos passados para aferir a conduta daqueles que lutam pela liberdade e o comportamento daqueles que nos oprimem. No caso, os homens do presidente. [Read more…]
Cavaco irá manter governo PCSD/CDS em gestão
23/10/2015 by
O governo saído da PAF é um nado-morto. Depois do inenarrável discurso, duvido que Cavaco alguma vez emposse uma maioria de esquerda.
Se a tradição serve como argumento político…
23/10/2015 by
… então há que dizer que Cavaco Silva a seguir as tradições é algo que já vem de longe.

«Cavaco disse à PIDE que estava “integrado” no salazarismo», revista SÁBADO, 29/11/2010 (detalhes).

















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