Os portugueses não comem rankings

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas

Portugal estar como primeiro classificado do ranking da The Economist é melhor que estar em segundo, ou em último. E é giro porque rebenta com a narrativa de que este país está muito mal porque nos aconteceu o “socialismo”.

Mas fica por aí.

Porque feitas as contas, sobressai uma verdade.

Uma não: várias.

É que os portugueses não comem rankings.

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O Governo escolheu um lado. Agora tu escolhes o teu.

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

Tu.

Tu que trabalhas.

Tu que trabalhas num sítio que talvez não escolhesses, ou onde sentes que não és valorizado.

Tu que talvez tenhas dois empregos só para conseguir sobreviver.

Tu que procuras um trabalho onde possas sentir-te feliz e realizado.

Há um ataque em curso aos direitos que te protegem. Chama-se “anteprojecto de revisão da lei laboral” e é proposto pelo Governo de Luís Montenegro.

Em Julho, o Governo apresentou a intenção de alterar mais de cem artigos do Código do Trabalho. E, sem surpresa, o “espírito reformista” desta proposta empurra ainda mais para o lado patronal uma relação que já é, por natureza, desequilibrada.

O próprio texto do anteprojecto começa por dizer que procura um país “mais justo e mais solidário, que combate as desigualdades sociais (…), que protege os mais vulneráveis (…), que promove a coesão social”.

Mas, logo a seguir, propõe exactamente o contrário:

  • Aumento da duração dos contratos a termo de 2 para 3 anos e, nos contratos a termo incerto, de 4 para 5 anos;
  • Reinvenção da precariedade, permitindo justificar contratos a termo pelo simples facto de o trabalhador nunca ter sido efectivo;
  • Limitação do direito à greve através do alargamento abusivo dos serviços essenciais;
  • Fim da proibição do outsourcing após despedimento colectivo ou extinção de posto de trabalho;
  • Regresso do banco de horas individual até 50 horas, permitindo mais 2 horas de trabalho por dia;
  • Fim da reintegração obrigatória em caso de despedimento ilícito;
  • Simplificação do despedimento por justa causa.

Ao mesmo tempo, o Governo dedica-se a moldar e manipular a opinião pública contra a greve geral de amanhã.

Manipula quando Luís Montenegro acena com salários mínimos de 1600€ e médios de 3000€ precisamente na semana da greve, numa promessa tão exagerada que até os patrões lhe pediram moderação.

Manipula quando Hugo Soares afirma que estas medidas já estavam no programa eleitoral ou que as greves gerais só acontecem com governos de direita. É mentira.

Tudo isto revela o nervosismo de um Governo que sabe que está a atacar os trabalhadores e teme o fim de uma paz social sintética, construída sobretudo à custa de bónus com sabor a táctica eleitoral.

A aprovação deste anteprojecto seria um precedente grave e um mau presságio para o futuro do direito do trabalho e para outros direitos que poderão seguir o mesmo caminho. O direito do trabalho não existe para proteger empresas nem para “estimular a economia”. Existe para proteger trabalhadores. Sem essa protecção, a deriva para formas modernas de escravidão seria apenas uma consequência lógica.

Por isso, este é um momento decisivo. É a altura de os trabalhadores saírem à rua e mostrarem o que pensam deste saque aos seus direitos fundamentais. A greve não é um capricho, não é um dia de férias, não é uma folga conveniente. É uma acção de protesto com consequências, numa altura em que o custo de vida é sufocante.

É um acto de defesa colectiva.

É um alerta.

É uma linha vermelha.

É a forma mais eficaz de escolher o lado certo desta luta.

Códigos Deontológico-Higiénicos

Créditos: Marie Hanrahan

O mundo corre a uma velocidade estonteante. Facilmente recuo quase dez anos, a 2016, ano da primeira eleição de Donald Trump, e recordo uma vida menos frenética. Não idílica, já que os sinais já lá estavam todos, mas a um nível bem diferente do que vemos hoje. Ou talvez se disfarçasse melhor.

Os últimos dez anos foram um esboroar completo de tudo o que eram linhas vermelhas da convivência em sociedade. Se há dez anos estávamos longe de um paraíso social, a verdade é que no tempo entretanto passado olhamos para a distância que nos separava da utopia inalcançável e decidimos andar em sentido contrário.

Vozes há que se rasgam a apontar o dedo a um suposto raciocínio hipócrita, considerando que, quem não se revê no estado actual de coisas, prestava vassalagem ao anterior. São vozes enfermas do maniqueísmo dos tempos. Depois de tanto chorarmos pelo aborrecimento cinzentão de uma classe política e social cristalizada, eis-nos hoje a fazer o luto da escala de cinzentos. [Read more…]

A economia do ano

O portuguesinho pela-se pelo elogio estrangeiro, vem à tona do orgulho pátrio respirar se lhe elogiam o pastel de nata ou uma das dez praias mais belas do mundo.

A The Economist considerou Portugal «a economia do ano», um título entre muitos outros que resultam de uma espécie de erotismo dos campeonatos. Pelo que vou lendo e ouvindo, fico com a impressão de que se mantém o hábito da masturbação enquanto se olha para revistas, tal tem sido o entusiasmo provocado pela distinção de que a nossa economia foi alvo.

Luís Montenegro, também a olhar para a revista, exultou, claro, em nome do governo, talvez da nação, reclamando méritos.

Entretanto, os ordenados continuam baixos, as casas, caríssimas, a legislação laboral a caminho da valorização da precariedade. O que vale é que Portugal é a economia do ano. Como diria o mesmo Montenegro, os portugueses não estão melhores, embora o país esteja muito melhor.

Prémio Nobel da Paz da Wish 2026

Com muita pena minha, não fiquei minimamente surpreendido com o prémio da “paz” criado pela FIFA com o objectivo bajular Donald Trump e cair nas suas boas graças.

Tem sido prática recorrente. Quem deseja o favor do presidente americano sabe como obtê-lo.

Outros ofereceram-lhe estátuas douradas, aviões de 400 milhões e generosos investimentos nos muitos negócios da família Trump, agora elevados à categoria de assunto de Estado.

Em troca receberam investimentos, perdões, reduções nas tarifas e deu-se até o caso insólito de Trump permitir a construção de uma base militar do Qatar em solo americano. Sim, uma base militar do Qatar em Idaho. Desse mesmo Qatar que serviu de porto seguro à liderança do Hamas e que comprou o favor de Trump com um avião.

Bajulação, suborno, corrupção.

Waste, fraud and abuse.

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Jornalixo Nacional

Julgo que descobri, finalmente, um bom uso para um dos termos favoritos dos novos fascistas, dos populistas, dos nacionalistas que veneram alemães, dos adolescentes que odeiam mulheres, porque nenhuma está para os aturar, e dos extremistas de direita em geral.

Falo-vos, claro, do termo “jornalixo”.

E se há caso em que o termo faz realmente sentido, esse caso é esta capa do jornalixo do CH, que dá pelo nome de Folha Nacional.

Todos conhecemos vários casos de mentiras descaradas, manipulação de dados e estatísticas ou sondagens marteladas – mais um dia no escritório lá do sítio – mas fico-me por esta capa que, em boa verdade, resume muito bem o que é a propaganda do CH: um contínuo de aldrabices e de insultos à inteligência de qualquer ser humano. [Read more…]

Estamos todos um bocadinho cansados

A ministra do Trabalho, na sua qualidade de representante dos exploradores contumazes, declarou que «estamos todos um bocadinho cansados de greves por razões políticas».

A dita criatura faz parte de um grupo alargado de pessoas que usa a expressão somos-a-favor-do-direito-à-greve-mas, porque, na realidade, detestam o direito à greve e nem sequer apreciam verdadeiramente os direitos.

Nesse grupo alargado inclui-se aquele partido que é de esquerda quando não governa, metendo imediatamente a esquerda na gaveta quando chega ao governo. O PS não é, portanto, um partido de centro-esquerda, é, na verdade, um partido de esquerda-direita, de esquerda, em teoria, de direita, na prática, amigos dos trabalhadores, nas conversas com amigos, exploradores da classe operária, nos gabinetes ministeriais. Imagino as dores que isso deve causar nos adutores ditos socialistas.

Montenegro e companhia, na esteira do cavaquismo-passismo-portismo, tem menos problemas musculares, porque faz menos esforço ao percorrer o caminho de regresso ao mundo em que os trabalhadores são apenas proletários. [Read more…]

É assim que se dá votos ao Ventura

Os vários venturólogos têm explicado de que maneira é que se alimenta André Ventura, o que quer dizer que todos sabem como é que Ventura teria sido impedido de ter alcançado o sucesso que alcançou até agora.

Há, parece-me, um aspecto comum a todas as facções da venturologia: o sucesso de Ventura deve-se sobretudo ou exclusivamente aos erros dos adversários, porque mandam calar, porque mandam falar, porque falam, porque calam, porque provocam, porque não perguntam.

Recentemente, Miguel Morgado, um dos mais conhecidos venturólogos, declarou que José Alberto Carvalho provocou André Ventura, quando, no início do debate com Catarina Martins, lhe pediu que comentasse a notícia do possível envolvimento de agentes da autoridade na exploração de migrantes, acrescentando que isso favorece André Ventura.

Parece-me, no entanto, que Ventura está sempre favorecido, devido a um fascínio generalizado por forcados amadores que gritam por touros imaginários, os mesmos que, aliás, apagam fogos imaginários. O sucesso dos populistas está nos populares.

Coroado e Azevedo jamais serão vencidos

N’ O Jogo de hoje:

25 de Novembro — 50 anos

Era uma vez uma consulta que se atrasou num hospital privado

Fui hoje com o meu filho a uma consulta num hospital privado. Não interessa qual, porque o que vou agora relatar já me aconteceu no Trofa Saúde, na CUF e nos Lusíadas. Várias vezes. E só não aconteceu na Luz Saúde porque nunca lá fui.

Tínhamos a consulta marcada para 09:45h. Chegamos a tempo e horas, só para descobrir que o médico ainda não tinha chegado. Fomos recebidos às 11:30h. E, com isto, o meu filho perdeu toda a manhã de aulas, eu e a minha mulher perdemos uma manhã de trabalho.

Não me entendam mal: não descarto a possibilidade de ter acontecido algo inesperado e fora do controlo daquele médico que tenha conduzido a este desfecho. O alvo deste texto não é o médico, que foi impecável na consulta, como não é o estabelecimento privado de saúde que escolhemos para este acto médico.

O meu alvo são os oligarcas e os plutocratas que financiam a propaganda anti-SNS.

Aqueles que, por quererem colher os benefícios de uma privatização feita à medida dos seus interesses mesquinhos, apostam todas as suas fichas em descredibilizar o funcionamento e a importância nuclear que o SNS tem na vida da maioria dos portugueses, sobretudo daqueles que não podem pagar para serem atendidos no privado.

Para essas pessoas, o lucro sobrepõe-se à vida do desgraçado que não pode pagar.

O que não deixa de ser curioso, por serem, regra geral, as mesmas pessoas que financiam os movimentos “pró-vida”, eufemismo comum para o fundamentalismo ultraconservadorismo que quer impedir abortos para salvar vidas, mas que sonha com um sistema em que quem não paga pode ir morrer longe. Uma das muitas hipocrisias da extrema-direita e dos idiotas úteis que a servem ou se tentam servir dela.

Os atrasos existem no público e no privado. Mas é estranho vê-los acontecer no privado, que, alegadamente, representa a excelência da gestão eficiente. A verdade é que nem o SNS é tão mau como os avençados dos privatizadores nos vendem, nem a gestão privada é tão excelente assim.

Mas há algo que não depende da minha ou da tua opinião. É que, sem dinheiro, não há privado para ninguém. E o SNS, com ou sem atrasos, não deixa ninguém por tratar. E é por isso que o devemos defender com unhas e dentes. Sempre.

Viva o SNS!

ARKIVOS KINO-POP 03 – GNR 1985 (CINE-DYÁRIOS D’EDGAR PÊRA)

À atenção de Rui Costa

Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

A CASA DE DINAMITE: BREVE ANÁLISE DO CENÁRIO PROPOSTO

Em “Casa de Dinamite” é representada a resposta de um ataque aos EUA por um míssil disparado algures no Pacífico Norte, sem ter sido possível identificar o local, o autor do disparo ou se teria sido um mero acidente. Nos anos 60 e 70 ocorreram falsos alarmes de ataques de larga escala. Num caso a origem foi numa resposta errada de um sistema de radares ao nascer da Lua sobre a Noruega. Noutro, foi um exercício não comunicado às autoridades responsáveis pelos alertas.
Questões que merecem uma análise mais cuidada:
1- O ponto mais irrealista do filme é a pressão de decisão imediata ao ataque colocada sobre o Presidente dos EUA. Num cenário real, a resposta só deverá ocorrer quando houver clareza suficiente sobre quem ataca e por que motivo ataca. E a resposta pode ser dada muito depois de a deflagração de um ataque causado por um único míssil. O risco de erro pode ter as consequências mais graves que se possa imaginar: a destruição do mundo;
2- A comunicação entre os EUA e a Rússia é representada de uma forma pouco eficaz e confusa. Apesar das relações entre as duas potências terem esfriado muito entre Putin e Biden, a ligação direta entre os dois presidentes continua operacional e a ser testada. Entre EUA e China já existe um sistema quase ao mesmo nível. Com a Coreia do Norte não há protocolo estabelecido;

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Efectivamente, de facção

Não é a primeira vez que a excelente facção surge no jornal que, irresponsavelmente, há uns anos, anunciou a poupança de letras. Os meus agradecimentos a Marques Mendes e a António Filipe por terem estimulado estas facções.

Cristiano Ronaldo e os seus amigos tiranos

Sim, eu sei que não se pode criticar Cristiano Ronaldo. Ronaldo, para muitas pessoas, é um semi-deus acima da crítica e do comum mortal. E quem o critica só o pode fazer por inveja, azia ou qualquer uma das justificações patéticas que quem não tem argumentos válidos costuma usar. Uma das melhores ilustrações, parece-me, do atraso do nosso país.

Não me recordo, confesso, de criticar Ronaldo. Nunca pedi a cabeça dele, nunca pedi o afastamento da selecção e sempre elogiei os seus feitos futebolísticos. Mesmo depois de se ter transformado numa espécie de embaixador de um dos regimes mais totalitários e assassinos do mundo, o saudita. Um regime que mata por apedrejamento e manda esquartejar opositores. Se quisesse, Ronaldo poderia trabalhar para Vladimir Putin, e elogiá-lo publicamente como faz com o assassino e financiador de terroristas, Mohammed bin Salman, e a maioria assobiaria para o lado. E, convenhamos, pouco distingue o carniceiro russo do “boss” de Cristiano Ronaldo.

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No momento em que ouvi Seguro chamar “deputado” a Ventura, lembrei-me do

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.

Os 28 debates para as presidenciais começam às 21 horas de Portugal Continental e da Madeira

  1. Hoje, 17 de Novembro, segunda-feira, TVI: André Ventura vs. António José Seguro  
  2. 18 de Novembro, terça-feira, SIC: Luís Marques Mendes vs. António Filipe
  3. 20 de Novembro, quinta-feira, RTP: Henrique Gouveia e Melo vs.  João Cotrim de Figueiredo 
  4. 23 de Novembro, domingo, SIC: Catarina Martins vs. Henrique Gouveia e Melo
  5. 24 de Novembro, segunda-feira, RTP: João Cotrim de Figueiredo vs. Jorge Pinto 
  6. 25 de Novembro, terça-feira, SIC: Luís Marques Mendes vs. André Ventura
  7. 26 de Novembro, quarta-feira, TVI: Jorge Pinto vs. Henrique Gouveia e Melo  
  8. 27 de Novembro, quinta-feira, RTP: António José Seguro vs. João Cotrim de Figueiredo
  9. 28 de Novembro, sexta-feira, TVI: André Ventura vs. Catarina Martins
  10. 29 de Novembro, sábado, RTP: Luís Marques Mendes vs. Jorge Pinto
  11. 30 de Novembro, domingo, SIC: João Cotrim de Figueiredo vs. António Filipe 
  12. 1 de Dezembro, segunda-feira, RTP: António José Seguro vs. Jorge Pinto
  13. 2 de Dezembro, terça-feira, TVI: António Filipe vs. Henrique Gouveia e Melo
  14. 3 de Dezembro, quarta-feira, RTP: António José Seguro vs. Luís Marques Mendes
  15. 4 de Dezembro, quinta-feira, TVI: Catarina Martins vs. João Cotrim de Figueiredo
  16. 6 de Dezembro, sábado, SIC: António José Seguro vs. Catarina Martins  
  17. 7 de Dezembro, domingo, TVI: João Cotrim de Figueiredo vs. Luís Marques Mendes  
  18. 8 de Dezembro, segunda-feira, RTP: António Filipe vs. Jorge Pinto  
  19. 9 de Dezembro, terça-feira, SIC: Henrique Gouveia e Melo vs. António José Seguro
  20. 10 de Dezembro, quarta-feira, RTP: Catarina Martins vs. António Filipe
  21. 11 de Dezembro, quinta-feira, SIC: André Ventura vs. Jorge Pinto  
  22. 12 de Dezembro, sexta-feira, RTP: Luís Marques Mendes vs. Catarina Martins  
  23. 13 de Dezembro, sábado, RTP: André Ventura vs. António Filipe
  24. 15 de Dezembro, segunda-feira, RTP: Henrique Gouveia e Melo vs. André Ventura  
  25. 19 de Dezembro, sexta-feira, SIC: João Cotrim de Figueiredo vs. André Ventura  
  26. 20 de Dezembro, sábado, TVI: António José Seguro vs. António Filipe  
  27. 21 de Dezembro, domingo, RTP: Catarina Martins vs. Jorge Pinto
  28. 22 de Dezembro, segunda-feira, TVI: Henrique Gouveia e Melo vs. Luís Marques Mendes  

ARKIVOS KINO-POP 04 – MANUEL JOÃO VIEIRA (CINE-DYÁRIOS D’EDGAR PÊRA)

Os homens que odeiam as mulheres

As mulheres no geral não são muito racionais, nem sequer têm a capacidade de compreender o bem comum, o bem da nação.

Mas isso não é necessariamente mau, eu não estou a fazer um ataque às mulheres, é importante perceber isto. Isto é da natureza da mulher.

Não há problema em a mulher ser assim. Eu não quero dar a decisão do futuro do meu país às mulheres. Eu acho que elas não têm essa responsabilidade. Porque estão biologicamente desenhadas para ter um filho, para agarrar num filho, para cuidar de um filho, não é para tomar decisões importantes para o futuro de um país.

É bastante consensual que os homens são geralmente mais inteligentes que as mulheres, por isso é que eu acho que só os homens mais inteligentes é que devia votar, como acontecia na Grécia Antiga.

 

Já estiveste em alguma sala com 15 mulheres para ver se acabavam as guerras? Elas fazem guerras entre elas naturalmente. Se eu tiver aqui com 15 homens não há guerra nenhuma nem conflito nenhum. Se tiverem aqui 15 mulheres sozinhas, uma é porque tem o cabelo de uma cor, a outra pintou as unhas, a outra passou à frente na fila, a outra anda com um namorado qualquer. Elas criam conflitos por tudo, as mulheres. Para se entreterem.

 

O voto universal não faz sentido. Eu acho que só deviam votar homens portugueses com propriedades. E mulheres não. Eu acho que mulheres não faz sentido que votem. Desde que demos o voto às mulheres, foi a pior coisa que fizemos nos últimos 100 anos na civilização ocidental. Eu não tenho problema nenhum e dizer isto, julguem-me à vontade, eu sei que estou certo.

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Reflexão para o fim-de-semana

Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.

Efectivamente, o Acordo Ortográfico de 1990 não é adoptado

Efectivamente.

Recordando:

Exactamente.

Escolhas

Nova Iorque já é uma cidade em ruínas, cadáver putrefacto do seu passado faustoso, cujo esplendor era cantado por Sinatra e representava o El Dorado do sonho americano. Encontra-se agora eivada de crime, agitação social e um custo absurdo e insuportável de vida.

O principal carrasco foi o ditador-governador Andrew Cuomo, o oponente de Mamdani nestas eleições – e que obliterou o lifestyle novaiorquino com a distópica repressão sanitária durante os anos da Grande Vergonha e por tal, claro está, foi aclamado como herói pelos media sadistas. O verme do irmão, Chris Cuomo – que entretanto percebeu a maré e é agora anti-woke, yo, que cool – era comentador na CNN e entrevistava o irmão com frequência, em plangentes exibições de pornografia emocional. Juntos protagonizaram um dos mais buslescos e paradigmáticos episódios do teatro de marionetes que foi o simulacro pandémico, ao encenarem um emocionante reencontro familiar com Chris a sair de uma suposta quarentena numa suposta cave – quando, na verdade, nunca cumpriram quarentena alguma, que como sabemos nunca se aplicou à nobreza, imune ao vírus que propalaram. [Read more…]

O protagonismo dos mandatários

Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.

Isto não é Portugal

Imagina seres um emigrante português em Genebra, na Suíça.
Nem precisas de ser um daqueles imigrantes que fugiu à ditadura. Imagina que foste um dos que emigrou para lá durante a crise financeira da década passada.
Mas não és assim tão diferente dos emigrantes dos anos 60 e 70.
Também tu foste para lá com uma mão à frente e outra atrás, fazer o trabalho que os suíços já não queriam fazer. E continuam a não querer. Na agricultura, na construção, a limpar hotéis ou a descarregar contentores. Sempre de forma honesta e empenhada.
Apesar de trabalhares no duro, de pagares os teus impostos e de teres uma postura irrepreensível, levaste com propaganda da extrema-direita suíça, que te retrata como uma ovelha negra e quer que “voltes para a tua terra”.
(Soa-te familiar?)

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A Luz viaja de comboio

Em Novembro de 1887, o comboio Sud Express começava a ligar Lisboa a Paris via Madrid. Era, por excelência,a nossa mais franca ligação a novas culturas, mentalidades e formas de lidar com o mundo.
Os lentes, as revistas e os livros viajavam de comboio. A luz viajava de comboio também. Ontem como hoje, o Esclarecimento viaja de comboio.
Contra as trevas, pugnar, pugnar.

As bolotas e os porcos

Falava uma deputada do Partido Socialista. Falava e enquanto falava acusava o partido Chega de ser racista e xenófobo. Indignados, os deputados da agremiação tasqueira, pediram a palavra: para dizer que é uma ofensa serem chamados de racistas é xenófobos.

A deputada do Partido Socialista que falava é, só por acaso, negra. Como o é, o deputado Filipe Melo, do Chega, mais conhecido como Bidão Galo, por ser largo e transpirar azeite, decide mostrar que não é nem racista nem xenófobo, atirando um “vai para a tua terra” à deputada socialista.

Eva Cruzeiro, deputada do Partido Socialista.
Imagem: Expresso

Ora, a deputada Eva Cruzeiro nasceu em Portugal, tem origens angolanas e cresceu no Seixal. A menos que o ‘deputedo’ chegano queira que Eva Cruzeiro volte ao Seixal, não estou a ver o que mais pode confirmar o racismo e a xenofobia da seita aventurada transformada em bancada ‘para-lamentar’.

Isto ainda vai piorar: para já, a violência é só verbal. Mas tem vindo a escalar, porque o que interessa é ser notícia, aparecer e “mal ou bem, falem de mim”. Filipe Melo, o deputado que deve mais de quinze mil euros ao fisco, já fez as figuras todas da extrema-direita: já foi machista, já foi homofóbico, já foi racista e já foi xenófobo. Agora, só lhe falta ser anti-semita… mas desconfio que quem arrisca o seu dinheiro no Chega não lhe dê autorização para tal. Durante a troca de palavras, Melo levantou-se e estacionou a sua figura de Barrosão na escadaria entre a bancada da seita que representa e a bancada do partido que representa o quase-governo; a estratégia de intimidação é óbvia e não é nova: levantar a voz, primeiro; levantar-se do lugar, a seguir; aproximar-se do inter-locutor, pressionando-o… e já só falta o próximo passo, o qual todos sabemos qual será.

Filipe Melo, deputado chegano. Imagem: Chega.

Quando a nulidade que temos como presidente da Assembleia da República disse que se pode dizer o que se quer e o que bem nos apeteça na casa da Democracia, não antevendo que quem é tolerante com intolerantes acaba comido pelos segundos, a estória já estava escrita: se a carta é branca e a deputada é negra, “vai para a tua terra” é tão legítimo como qualquer outro argumento, até porque o Aguiar é Branco.

O Chega clama por Salazares. Chora por estados novos. Vocifera contra a indisciplina. E fá-lo porque sabe que toda a autoridade está incumbida de branquear as práticas anti-democráticas, inconstitucionais, criminosas e cleptomaníacas do partido de Um Homem Só, qual União Nacional modernizada.

Quando a autoridade é uma bolota, acaba a ser comida pelos porcos.

Aguiar, o Branco. Imagem: SIC Notícias.

A iniciativa iliberal de Cotrim de Figueiredo

Cotrim de Figueiredo podia ter escolhido qualquer um para seu mandatário.

Podia ter escolhido um liberal.
Podia ter escolhido um moderado.

Escolheu José Miguel Júdice, um radical ligado ao MDLP, a organização de extrema-direita que deu respaldo a assassinatos políticos e atentados terroristas na década de 70.

É uma opção legítima, esta de Cotrim e da IL. Só não é lá muito liberal. Algo que, infelizmente, surpreende cada vez menos.

Burcas e outros adereços performativos

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e a lenço para a cabeça

Acho que já podemos parar de fingir que esta decisão de proibir as burcas tem alguma coisa a ver com o bem-estar das mulheres muçulmanas.

Porque isto partiu dos mesmos que querem a mulher recatada, obediente e do lar.

Dos que enchem a boca para falar de segurança e a seguir assobiam para o lado quando são confrontados com os números da violência doméstica.

E foi parida no mesmo partido onde há quem defenda a remoção dos ovários das mulheres que decidam abortar, a ponto de levar a proposta a congresso e receber o apoio de 15% dos delegados.

O mesmo partido que construiu um altar ao abusador e possivelmente pedófilo Donald J. Trump, cujo regime autoritário em construção acelerada abafou o caso Epstein.

E porque, se estas mulheres forem casadas com fanáticos, deixarão simplesmente de sair de casa.

Podemos parar a encenação, não acham?

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Salazar é o maior bandido da História de Portugal

O populista-mor da actual república e entrevistado semanal das televisões portuguesas afirmou que são precisos, não um, mas três Salazares para combater a «corrupção», a «impunidade» e a «bandidagem» do país.

Faz parte do manual do populista propagar a ideia de que há caos, as papas e os bolos com que se deixam enganar os tolos.

O Salazar elogiado pelo autoproclamado combatente da corrupção e da bandidagem governou Portugal durante 36 anos e 82 dias, entre 1932 e 1968, até bater tardiamente com a cabeça.

Durante o seu governo, distribuiu cunhas e favores, criou e alimentou uma polícia política, contribuiu para a miséria geral de um país descalço, colaborou com pedófilos, atirou o país para uma guerra colonial que tirou vidas mesmo a quem não morreu nela, falsificou eleições, alguém que foi, enfim, um mafioso que mandou num país (governar um país é outra coisa). Portugal foi roubado e torturado durante quase trinta anos por um bandido chamado Salazar – não há nenhum bandido que tenha actuado durante tanto tempo, com a vantagem de mandar na polícia.

Quando alguém vê nesta figura sinistra virtudes de governante não merece consideração, como não merece consideração quem vota nele. É gente que gosta de bandidos no poder, mesmo que não tenha consciência disso. É realmente importante combater esta bandidagem.