Passos Coelho seguramente agradece estas palavras de António Costa. No PS ainda irão suspirar por Seguro…
Grécia, Europa, vamos ao que interessa…
Não entrei no circo mediático em torno da Grécia. Percebo o interesse, fui lendo aqui e ali diferentes argumentos técnicos e ideológicos, mas nunca tive grandes dúvidas que a Grécia iria continuar no Euro, pelo menos para já, desde logo por razões internas, apesar da vitória eleitoral do Syriza, a saída da moeda única não constava do programa de governo, muito provavelmente por saberem que a maioria dos eleitores gregos não querem ouvir falar no assunto. Por outro lado a U.E., por muita influência que a Alemanha possa ter, é mais que que a mera vontade de Berlim, não poderia expulsar um país, porque isso não está escrito em qualquer tratado e nem mesmo Angela Merkel queria ficar com o odioso para si. Todos cederam politicamente um pouco, permitindo agora continuar a discussão se Bruxelas obrigou o governo grego a recuar no seu programa ou pelo contrário, Tsipras e Varoufakis abriram um precedente na U.E., posição esta muito oportuna para fins eleitorais em Portugal e Espanha. [Read more…]
Carta aberta a Wolfgang Schäuble, ministro das finanças alemão
De um jornalista “com tomates”. Bravo!
Carta aberta a Wolfgang Schäuble, ministro das finanças alemão.
via Carta aberta a Wolfgang Schäuble, ministro das finanças alemão.
Os crimes da troika
«Há centenas de pessoas que morrem todos os meses porque não têm acesso a cuidados de saúde, mas essas mortes não aparecem em lado nenhum. Mas nós, os médicos, nós sabemos.» – Um médico grego entrevistado pelo jornalista alemão Harald Schumann (doc estreado há horas aqui).
Santos da Casa
Pedi ao Fausto Silva para me enviar uma gravação do Santos da Casa com este simples argumento: apetece-me explicar ao país que na RUC existe, faz para a semana 29 anos, um programa dedicado apenas e só à musica portuguesa. A toda. [Read more…]
Que a Alemanha reembolse a Grécia já!
Kai Littmann

© Bundesarchiv via Wikimedia Commons
[Nos anos 1980, o alemão Kai Littmann passou um ano na ilha grega de Creta, numa aldeia recôndita onde não havia electricidade. Um dia, um velhote grego mostrou-lhe um cemitério onde haviam sido enterrados 150 resistentes gregos, fuzilados pelos nazis durante a Segunda Grande Guerra, e explicou-lhe alguns factos da História. As gerações alemãs (mas nem só) nascidas depois da Grande Guerra ignoram muita coisa que aconteceu, incluíndo os crimes de guerra perpetrados pelos nazis na Grécia, que não figuram nos manuais escolares de História. Não admira por isso que ninguém perceba muito bem do que falam os gregos quando agora, pela mão do Governo recentemente eleito, reclamam o pagamento de uma dívida que os alemães têm para com eles. Uma dívida que, ao contrário do que tem sido sugerido pelos media que chegam a Portugal, não corresponde a reparações de guerra. S.A.]
Para perceber de que dívida se trata (essa mesma cuja urgente liquidação o actual Governo grego reclama) é preciso saber que em 1942 os nazis obrigaram o Banco da Grécia a acordar-lhes um “crédito” de valor equivalente a 476 milhões de marcos da época, o que hoje, acrescido de juros de mora, soma algo que pode ascender aos 70 mil milhões de euros. Uma dívida que a Alemanha afirma ter honrado em 1960, quando transferiu para os cofres do Tesouro grego a quantia de 115 milhões de marcos. Sucede que esse valor foi na verdade pago a título de indemnizações às vítimas do nazismo na Grécia, que foram muitas, e não tem nenhuma relação com a dívida de que aqui é questão. [Read more…]
O Expresso e os “erros de alemão”
Cavaco nacional da educação
Que a um outro Conselho Nacional da Educação, com uma maioria mais para os lados do PS/BE e parte do PC, representando a esquerda eduquesa, que acredita nas ditas ciências da educação como se aquilo fosse uma ciência, troca o aprender com o saber fazer umas cenas giras e confunde ensino com arbitragens à benfica, lhe desse para propor o fim da avaliação, não estranhava.
Já este CNE, com tanta direita tradicionalista, à antiga, e a mesma ignorância académica quanto ao ensino, mesmo invocando o pilim que se pouparia com a medida, se tenha virado para esse lado, não entranhei e muito me admirei.
Demorei um bocado até entender a tolice, mas a lógica é simples: David Justino, que preside à CNE, é muito próximo da Cavaco Silva. Cavaco Silva, como é sabido, reprovou no que hoje seria ensino básico. Cavaco tem um trauma, e antes de perder o que lhe resta de influência, deve ter metido uma cunha ao amigo para que não mais uma criancinha portuguesa passe pelo horror do chumbo, a vergonha da raposa, a humilhação de uma nega. Está tudo explicado.
Claro que podia fazer umas contas e demonstrar como acabar com as retenções sendo possível e ideal ficava muito mais caro (turmas reduzidas, professores de apoio, psicólogos, CPCJotas a funcionar, etc. etc.), mas as dificuldades com os números também são um traço do cavaquismo.
Preocupação adicional para a época de cheias
Arquivo dos processos BPN, Operação Furacão e Operação Marquês armazenados numa garagem do piso -4 do DCIAP.
António Costa:
A memória e a cultura
Há uma “corrente de opinião”, especialmente na capital e nos meios “culturais”, ou ditos culturais, de que a esquerda é que é capaz de tratar a cultura e o património como deve ser.
Relembro a promessa de António Costa, recente, de, se fôr 1º Ministro, dotar o seu governo de Ministério da Cultura como se isso fosse a solução para tudo e mais alguma coisa (erradamente, os ilustres órgãos da comunicação social continuam a referir-se a esta área da governação como Secretaria de Estado da Cultura, que não existe na orgânica deste governo).
Por outro lado, a maior parte das pessoas ligadas ao PSD aceita essa narrativa (como se diz agora), com muita dose de vergonha. São uns nabos. Nem sequer conhecem o que o seu próprio partido fez nos últimos trinta anos (claro que exemplos como os de Rui Rio e Francisco José Viegas, por exemplo, não ajudam). Isto a propósito da foto que publico, e que diz respeito à inauguração de Serralves em 1987.
Sim, a Casa de Serralves (o conjunto todo) foi comprada pelo Estado. Era governo o PSD (a Secretária de Estado da Cultura era Teresa Patrício Gouveia e o 1º Ministro era Cavaco Silva).
É fodido.
Os fanáticos da austeridade e os danos colaterais (nós)
Quando achava que já tinha ouvido as maiores barbaridades possíveis no que toca ao elogio do terrorismo financeiro que vai destruindo a economia e o tecido social dos países do sul da Europa, dou por mim a ver o Prós & Contras, onde me deparo com um personagem que desconhecia, de seu nome Pedro Sampaio Nunes, que vim a descobrir ser um distinto português que ocupou inúmeros cargos de relevo, incluindo o de Secretário de Estado da Ciência e Inovação do governo hereditariamente indigitado de Pedro Santana Lopes. Deixo-vos com algumas pérolas que, confesso, me causaram alguma estupefacção:
Portugiesisch für Anfänger

via Catarina Martins @catarina_mar http://bit.ly/1Aoy4ZH
Um cartaz do Bloco de Esquerda com “erros de alemão“, und dann brach die Hölle los.
É verdade que falta uma vírgula antes do pronome relativo. É verdade que os adjectivos não são grafados com maiúscula inicial. É verdade que só comete erros destes quem não sabe alemão e se esquece de pedir a alguém que saiba para escrever (ou rever) a frase. Tudo isto é verdade.
A ironia é “erros de alemão” serem notícia num jornal português que escreve “temos de enfrentar o fato“, “contatado pelo Expresso”, “o Expresso tentou contatar“, “Seguro desdobra-se em contatos“.
A ironia é “erros de alemão” serem notícia num jornal português que escreve *eletric (sim, é inglês).
Como dizia o meu amigo Rainer Euler, wer im Glashaus sitzt soll nicht mit Steinen werfen.
De boas intenções está o CNE cheio
De acordo com a notícia do Público, o Conselho Nacional de Educação defende o fim das retenções, argumentando que os alunos sujeitos a essa medida têm mais dificuldades em recuperar e que, para cúmulo, é uma medida dispendiosa para o Estado. Para além disso, o CNE faz referência a uma alegada “cultura de retenção”, reduzindo, no fundo e de modo simplista, as causas do problema, como é costume, aos maus hábitos dos professores.
Já começa a ser cansativo repetir que as causas do insucesso escolar são várias e que muitas delas têm origem no exterior das escolas. É igualmente cansativo relembrar que as escolas, apesar do folclore da autonomia, têm falta de recursos humanos, docentes e não docentes, o que dificulta a detecção e resolução de muitos problemas. Relembre-se, ainda, e muito a propósito, que a municipalização da educação em curso corresponde a uma diminuição da autonomia das escolas.
Tirando isso, há recomendações que me parecem razoáveis, mesmo que estejam muito longe de ser originais, nomeadamente as que se referem à necessidade de detectar o mais cedo possível os problemas que poderão dificultar aprendizagens e à realização de exames apenas no final do ano lectivo (ao contrário do que acontece para os 4º e 6º anos). De qualquer modo, e voltando a meter o rabo na boca da pescada, a primeira recomendação implica autonomia das escolas e, muito provavelmente, contratação de recursos humanos.
Com o PSD e o CDS nunca nos veremos livres da austeridade
Com o PS não sei o que aí virá, apesar de achar que a política será de continuação do programa PSD/CDS, como de resto tem acontecido na alternância deste bloco central. Mas, quanto a estes dois, é claro como água:
Logo na sexta-feira, dia do acordo com o Eurogrupo, jornais gregos, mas também outras publicações, como o britânico The Guardian, noticiaram que a maior oposição ao entendimento entre os parceiros do euro e a Grécia veio dos ministros ibéricos. O jornal alemão Die Welt escreveu depois que a governante portuguesa pediu “pessoalmente” firmeza ao homólogo de Berlim, Wolfgang Schäuble. [PÚBLICO]
Repetindo-me, a vitória de uma alternativa, qualquer que ela seja, é a derrota da base ideológica deste governo: a política do “não há alternativa”. Por isto, não esperemos destes protagonistas uma inversão de política, nem agora, nem no futuro. Agora, porque isso seria a negação do que têm feito e tal inversão conduziria à aniquilação eleitoral destes dois partidos. E nem no futuro, já que reformar, para PSD/CDS, consiste em baixar salários, aumentar impostos, baixar pensões e desmantelar serviços públicos.
Ana de Amsterdam
Leitores da Ana Cássia Rebelo, exultemos: acaba de ser publicada em livro uma antologia de textos do blogue.
Comer e gostar

Muito elogiou Bruxelas as políticas de austeridade portuguesas! E também numerosos ministros do grande Norte se desfizeram em elogios. O governo português, por seu lado, aplicava com prazer tais medidas – com umas lagrimitas de crocodilo à mistura – e dizia que eram boas as suas políticas. E melhores ainda as obrigações que, a cada dia, os “parceiros europeus” acrescentavam a essa austeridade. Mais sacrifícios, mais pobreza logo, para o governo, mais deleite. Mais humilhação, mais gozo.
A propósito: chama-se coprofagia ao hábito, que certos animais apresentam, de ingerir excrementos. Já quando se trata de humanos, este hábito, neste caso designado coprofilia, sendo categorizado como patologia, traduz-se no prazer em ingerir fezes ou, no caso de práticas sexuais de dominação, impor ao submisso a deglutição de matéria fecal. No melhor dos mundos coprofílicos, dominante e dominado encontram, cada um a seu modo, prazer.
(a imagem não é simpática, mas há dias em que a paciência se esgota)
Quando não se consegue imaginar a possibilidade de dizer não, não se está a negociar
Varoufakis explica o acordo e como se escreve a palavra negociar, legendado em português.
Memória vigilante
Não, não sou anti-alemão nem nada que se pareça. Mas procuro também não ser ingénuo. Estamos e queremos continuar em paz, mas convém não ter memória curta. Esta citação não é uma provocação nem se ignora a diferença de contexto. Mas talvez seja bom para todos (todos!) lembrar tempos não muito antigos, uma certa maneira de ver:
Fazemos unicamente o que convém ao nosso povo e, neste caso, o interesse do povo germânico consiste no estabelecimento de uma rigorosa ordem alemã nestes países, sem prestar a menor atenção às reclamações, mais ou menos justificadas, das pequenas nacionalidades” ( Joseph Goebbels)
A excelência na gestão da saúde… de algumas empresas
«Os “médicos a dias” custam ao Serviço Nacional de Saúde mais de 70 milhões de euros por ano. Saiba quem anda a ganhar dinheiro com a contratação de tarefeiros» [VISÃO]
Que agora comer é um luxo, é um luxo

Não se percebe, ou será apenas uma dificuldade minha, como pode ser que, apesar da crise, continuem a multiplicar-se os restaurantes. Nem sequer aqueles capazes de agradar a um público heterogéneo, mas cada vez mais especializados em coisinhas pequenas, maniazinhas, tiques refinados. Depois da moda das hamburguerias, agora é ver abrir as casas que só têm chás, as que só têm torradas, o restaurante que serve comida em pratos para cão (por Tutatis!), a casa que se especializou em cereais com leite, a que só confecciona refeições com conservas. No meu nada turístico bairro, cheio de casas em ruína e velhotes a sobreviver com reformas miseráveis, abriu um restaurante gourmet, com cozinha de fusão, ementas em inglês, citações refinadas na parede. Durou exactamente cinco semanas, das quais passou quatro às moscas. Era uma espécie de extraterrestre que nos aterrou ali e que olhávamos com a mesma estupefacção com que espreitaríamos uma manada de unicórnios a atravessar a rua. Um dia desapareceu para dar lugar ao velho cartaz “Aluga-se” que já conhecíamos bem. [Read more…]
Os pompeus
Quando eu andava na escola primária, na primeira parte do século passado e em África, havia sempre em cada turma um Pompeu (ou uma Pompeia). Que vinha a ser um ser sisudo, penteadinho, que não se misturava nas brincadeiras do recreio, que mirava com olhos de detective todos e cada um, que denunciava e fazia queixinhas, e que sobre isto mal o professor perguntava quem sabe? se levantava logo de mão no ar. Oferecia-se para ir ao quadro, lambia os pés dos professores. Tinham estas qualidades todas, ninguém os suportava e, sempre que podíamos, enfiávamos uns bofetões naquelas caras estanhadas Ninguém os convidava para nada, nem na escola nem fora da escola. Eram tão excepcionais que nos ficaram na memória, como exemplo de lástima. Estou em crer que todos rezávamos para nunca termos um irmão Pompeu.
Pela vida fora ainda fui encontrando uns quantos Pompeus, incluindo na minha profissão. Sempre que tinha de lidar com eles, lá me vinha aquele desejo nascido na remota infância de lhes ir à fuça. Fiquei-me sempre pelo sensato conselho das terras ribatejanas: trela no lombo e campos da Golegã com eles. [Read more…]
Governo de ressabiados
Os spin doctors da direita acharam que era boa ideia trazer algo que se passou há 30 anos para justificar a posição do governo português contra a Grécia. Na melhor linha dos ressabiados, que cá se fazem, cá se pagam. Seguindo o mesmo raciocínio, nem quero saber o que nos acontecerá devido aos bloqueios negociais que Portugal fez ao longo dos anos para obter melhores “envelopes” financeiros nos quadros comunitários.
Mas não é por vingança que o governo português assim age mas apenas porque a vitória de uma alternativa é a derrota da política “não há alternativa”, a base ideológica deste governo.
As prioridades de Pedro Passos Coelho
Montagem@Finalmente Sou Um Gajo Desempregado
Entre ir além das imposições da troika e garantir a todos os portugueses o Direito à Vida, consagrado nesse documento aborrecido que dá pelo nome de Constituição da República Portuguesa, o primeiro-ministro não parece ter dúvidas. Salvar vidas sim senhor mas com juizinho.
Não deixa de ser caricato ver um primeiro-ministro ter esta postura face a problemas reais da dimensão da Hepatite C quando a sua esposa enfrenta uma doença tão abominável como o cancro. Teria Passos Coelho a audácia de usar o mesmo argumento quando em 2011, obcecado com o poder, debitava falsas promessas à velocidade da luz? Yeah right…
















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