Após uma bem sucedida carreira futebolística, Mário Jardel começa forte na política. E não está sozinho…
Ativadas? I’ve smelled a rat

© Brian Cliff Olguin for The New York Times (http://nyti.ms/1pGZbGN)
Como aconteceu ao James Bond, no final de Os Diamantes São Eternos, “I’ve smelled a rat”. De facto, quando se lê ‘ativar’ em vez de ‘activar’ ou ‘ativo’ em vez de ‘activo’, num texto aparentemente escrito em português europeu, devemos desconfiar. Sendo verdade que o Mouton Rothschild é um clarete, também não podemos esquecer que ‘ativar’ e respectivas formas flexionadas são características do português do Brasil.
Para que não haja dúvidas, consultemos a Folha de S. Paulo:
Cada conjunto de neurônios de localização só se ativa em um local específico.
Mais de 30 anos depois, em 2005, o casal Moser descobriu outro tipo de neurônios que se ativam no córtex entorrinal quando os animais estavam em uma região, formando um mapa.
Efectivamente: ‘neurônios’ e ‘ativa’ (como “em uma região” ou “em um local”, mas essa é outra conversa) indicam-nos que estamos a ler um texto escrito em português do Brasil.
Por isso, ao contrário daquilo que se lê no Expresso, as células nervosas identificadas por John O’Keefe não são *ativadas. Aliás, basta ler-se o texto de Ana Gerschenfeld, no Público de hoje, para rapidamente se perceber que “certas células se activavam”. Exactamente: activavam.
O Comité Nobel é claro
In 1971, John O´Keefe discovered the first component of this positioning system. He found that a type of nerve cell in an area of the brain called the hippocampus that was always activated when a rat was at a certain place in a room.
Por esse motivo, é incompreensível esta adaptação do Expresso:
John O’Keefe identificou, em 1971, o primeiro componente deste sistema de localização ao perceber que um determinado tipo de células nervosas de um ratinho, localizadas numa região do cérebro – o hipocampo -, eram ativadas quando este estava num determinado local de uma sala.
Dito isto, parabéns a John O’Keefe, May-Britt Moser e Edvard Ingjald Moser.
Hammerfest, 1945
Ecos de um discurso vácuo e a memória de uma eleição extraordinária – a ler.
Regresso ao tempo dos coronéis?
Parece que a extrema-direita brasileira acordou hoje com hipóteses de regressar ao Planalto.
Da salgalhada que é o sistema político brasileiro, onde ainda domina a Globo embora os televangélicos tenham conquistado algum terreno, resulta também a anedota de para os nossos jornalista Aécio ser o candidato socialista e social-democrata, que deve ser a área política de Passos Coelho, Dilma será trabalhadora e eu sou a Josefa de Óbidos.
É um risco que em termos internacionais, em particular para a América latina, pode ser um retrocesso grave. Mas que terá as suas vantagens: quero ver o “neoliberais” saudosos da ditadura a esfrangalharem a economia brasileira, a levarem com o povo nas ruas (povo pobre mesmo pobre, que os outros já lá andaram), e pode ser que a esquerda ganhe juízo. Desde que não acabe em ditadura militar (o que é sempre uma ameaça e vontade não lhes falta), às vezes a social-democracia aprende quando perde. E Dilma tem muito a aprender nas suas cedências aos oligarcas.
Subserviência linguística:
não bastava já o desonesto Acordo Ortográfico, o ingresso da Guiné Equatorial na CPLP e vai agora um filme português com legendas para o Brasil? Por acaso, houve já alguma novela brasileira com legendas em Portugal?
25 de Abril sem chaimites, sempre
José Xavier Ezequiel
Marinho e Pinto, nada à vontade com a utilização pouco católica da célebre barriga de aluguer, que agora o obriga a assumir a paternidade da criança e a ganhar um vergonhoso ordenado no Parlamento Europeu, fundou hoje o seu próprio partido.
Foi em Coimbra. Chamou-lhe Partido Democrático Republicano, uma ideia praticamente genial. Não só é democrático, como é mesmo republicano, o clássico dois-pelo-preço-de-um do Minipreço. Melhor ainda, fez a sua activação (como agora se diz no mundo da publicidade) no dia da República. É muito bem visto. Assim, à primeira vista.
Contudo, em Portugal, onde (excepto o hilariante PPM) todos os partidos são republicanos e, até por razões constitucionais, são também democráticos, chamar a um novo partido — Democrático Republicano — é o mesmo que chamar vinho tinto ao vinho tinto e vinho branco ao vinho branco. Ficamos a saber o mesmo. É um PRD sem general, aquele perfume revolucionário na frase, “Tal como as nacionalizações não foram irreversíveis, as privatizações também não o serão”, a incessante busca de um novo e verdejante “25 de Abril sem chaimites”.
No mundo empresarial, este expediente seria liminarmente proibido: não se pode registar um cabeleireiro chamado Cabeleireiro, uma tasca chamada Tasca ou um bordel chamado Bordel. Porém, no subportugal partidário, tudo é possível. Para usar a sonora adjectivação do arrependido do MPT, um autêntico “regabofe”.
A verdade é que ainda existe um Partido Popular Monárquico (tudo junto, no mesmo partido) e até um Partido dos Animais e da Natureza. Por isso, já nem consigo ficar espantado por ver o fundador de um novo partido afirmar, no exacto dia da sua fundação — “Queremos pôr termo ao monopólio dos partidos.”
Dia Mundial do Professor
No Dia Mundial do Professor, é importante lembrar que o Ministério da Educação, que teve vários meses, para não dizer anos, para preparar um concurso de professores, conseguiu a proeza de falhar redondamente.
Em consequência disso, houve professores mal colocados. Nuno Crato pediu desculpa e prometeu que ninguém, incluindo professores, seria prejudicado.
Tendo em conta o que sabemos sobre o chefe do governo, seria surpreendente que uma promessa fosse mantida por algum dos seus subordinados. Assim, há centenas de professores que, ao fim de três semanas de aulas, serão obrigados a mudar de escola e/ou de terra, o que, para muitos, acontecerá pela segunda vez este ano lectivo. Para além disso, há milhares de alunos que serão afectados por mais uma mudança.
Hoje, é o Dia Mundial do Professor. Em Portugal, os professores estão a ser maltratados desde 2005.
Neste Dia Mundial do Professor, leia-se a história da professora Céu Bastos que, sendo de Bragança, foi colocada em Constância, para, pouco tempo depois, ser obrigada a ir para o Algarve. Mesmo que esta fosse a única vítima de um erro ministerial, haveria sempre demasiadas vítimas.
Nuno Crato, tal como as suas duas antecessoras, não merece perdão e desejo-lhe um resto de vida muito feliz longe da Educação. No entanto, cada vez mais dou por mim a perguntar-me se uma classe tão agredida e tão passiva terá menos culpas que ministros destes?
É preciso ter lata
Sois vós a falar, Senhor Presidente? “Últimas décadas”, sabendo que ainda não completamos quatro após o 25 de Abril? Isto significa que admirais, senhor, as décadas anteriores a estas ou tentais excluir a década que governastes – mal, para mal de (quase) todos nós – na condição de primeiro ministro, no tempo em que ereis vivo?Tereis vós tido o topete de afirmar:
“os agentes políticos devem assumir, de uma vez por todas, uma cultura de responsabilidade e uma cultura de verdade”, em vez da “prática constante, sobretudo nas últimas décadas, [de] fazerem-se promessas e anunciarem-se medidas irrealistas com vista a conquistar o apoio dos cidadãos e o voto do eleitorado”.
Tendes uma distintíssima lata, concedo-vos. E uma absoluta falta de vergonha na cara.
To a god unknown
Joana Espadinha, do álbum Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come In The Form You’re Expecting (Sintoma Records, 2013)
Outras opiniões
Coloquei 3 questões ao professor José Manuel Faria, ex-militante do B.E. e actualmente próximo do Livre, blogger que costumo ler no Ruptura Vizela. As respostas são da sua inteira responsabilidade.
-Saiu do Bloco de Esquerda e aproximou-se no Livre de Rui Tavares. Muitas pessoas olham para Rui Tavares como alguém que à semelhança de Marinho e Pinto, usou um partido, neste caso o BE, onde o caro José Manuel militava, como barriga de aluguer, servindo como trampolim para voos mais altos, aparecendo agora como líder partidário. Isso não o incomoda?
-O Rui Tavares foi convidado pelo BE para integrar como independente a lista às europeias na posição 3. Nos lugares cimeiros, o Miguel e a Marisa, bons candidatos e, com forte possibilidade de eleição ( o BE estava em crescendo) eram as previsíveis apostas . A posição do Rui é daquelas que se oferecem a quem pode captar imensos votos (mais/valia) à espera de um “milagre” e foi o que aconteceu. Participou por convite do BE: atitude cívica sem filmes. [Read more…]
O Pedro Manuel:
«a encarnação do “último homem” de Nietzsche (…), um homem pós-histórico (…), homem anónimo (…) sem substância (…), representante perfeito da pequena burguesia planetária que herdou o Mundo» para levar a Humanidade «ao encontro da sua destruição». António Guerreiro, genial como sempre, no Ípsilon/Público de anteontem.
Negócios da China
Numa altura em que ocidente democrático se insurge contra barbaridades variadas perpetradas por russos e árabes (só alguns claro, a Arábia Saudita, por exemplo, continua a ser uma excepção e um exemplo de respeito pelos direitos humanos), Portugal continua de portas escancaradas para o investimento dessa nação plural que é a República Popular da China. E se dúvidas restassem quanto ao grau de abertura e respeito pelos valores ocidentais que supostamente defendemos, a vice-ministra chinesa Xu Lin esclareceu-as por completo na sua recente visita a Portugal para integrar um painel da uma conferência organizada pela Associação Europeia de Estudos Chineses na Universidade do Minho. Foi um belo momento de convivência democrática.
Liberdade e Capitalismo…
Nos tempos do maior criminoso da História da humanidade, capaz de suplantar em número de troféus vítimas, carniceiros como Joseph Stalin ou Adolf Hitler juntos, nasceu em Hangzhou, China, quando a revolução cultural estava no auge sob a liderança do pérfido Mao Tsé-Tung, um rapaz pobre, que actualmente conhecemos por Jack Ma.
A visita de Nixon à sua cidade natal levou hordas de turistas, atraídos pela rara beleza natural do lugar, com os quais o pequeno Jack (alcunha que um turista incapaz de pronunciar o seu nome, lhe atribuiu e que haveria de acompanhar Ma Yun até ao presente) conviveu, levando-o a aprender inglês o que mudaria a sua vida para sempre.
Vítima da política isolacionista, algo comum às ditaduras, não importa a ideologia, é manter o povo na ignorância, Jack Ma influenciado pela cultura ocidental, começou por fundar algo parecido com as páginas amarelas, com o apoio de colegas da faculdade, à qual apenas conseguiu entrar à 3ª tentativa, não é filho de dirigentes do Partido ou tem origem em famílias ricas tradicionais, fundou algo parecido com a Amazon, ou e-bay. Entrou recentemente na bolsa em Wall Street, com uma cotação inicial próxima do Facebook.
Pesquisem o que entenderem sobre a Alibaba, que não irão encontrar funcionários a trabalhar e dormir em turnos parecidos com submarinos em cenário de guerra, ou algo do género. Ao invés, irão encontrar instalações que nos habituámos a ver em Silicon Valley, com funcionários motivados. Para Jack Ma, os clientes estão em 1º lugar, os funcionários vêm em seguida e depois os accionistas, todos eles de grande importância, pois a falha em qualquer destes 3 vórtices implica o colapso.
A Alibaba também não é capitalizada pelo governo chinês, embora esteja obrigada a respeitar Leis e regulamentos, não muito diferentes de outros países no mundo, basta estar atento ao dossier Wikileaks, para perceber o envolvimento das agências governamentais na Google e outras empresa tecnológicas…
Aos detractores do capitalismo, crentes em economias planificadas, este exemplo mostra como é possível criar valor, melhorando a vida das pessoas, quando existe Liberdade. Empreendedores, pessoas visionárias, nascem em qualquer lugar, uns serão bem sucedidos, outros nem tanto. O que jamais terá sucesso será um burocrata financiado, obrigado a cumprir um qualquer obscuro caderno de encargos, apenas porque algures alguém decidiu que sim.
No fundamental, será isto que nos divide. E dividirá para sempre. Mesmo que algumas inovações estejam destinadas a fracassar, ou que o sucesso imediato de alguns não se confirme, serão sempre a busca do lucro e sucesso os motores do génio e criativiadade humanos…
Cratenstein
Nuno Crato, qual Victor Frankenstein em versão imbecil, não consegue enfrentar o monstro que criou. Mas também não quer. Em vez de ficar horrorizado com o resultado da sua obra, como aconteceu com o original, justifica-a, desculpa-a e, no cúmulo da estupidez, insiste em elogiá-la.
Mas ele que se cuide, não vá a “Criatura” virar-se contra o criador e, como acontece na história de Mary Shelley, atacar-lhe a amada que, no caso de Crato, é a sua posição, o seu cargo, a sua glória efémera junto dos patetas. E, finalmente, exterminar o seu próprio “pai”.
Enquanto alguns são detidos na Alemanha
Em Portugal não existem sequer indícios de ilegalidades. Como é bom viver num país onde a justiça funciona…
Mentir é feio
Lula da Silva costuma dizer que governar bem é fazer o óbvio e o processo de colocação de professores é um daqueles que é tão simples que não é fácil entender de onde vem tanta confusão.
Como já antes escrevi, enquanto o concurso é nacional, corre tudo bem. Quando o Governo resolve introduzir outras variáveis no concurso, então está o caldo entornado.
A explicação é simples: para os concursos dos professores dos quadros, nas escolas “normais” o MEC faz uma lista (de graduação) em que entram apenas dois factores – nota de curso e o tempo de serviço. Simples e eficaz. Completamente aceite por toda a classe como o mecanismo mais eficaz de criar uma lista ordenada.
Quando chega à fase de escolher os professores contratados, Passos Coelho resolve inventar e introduz outras variáveis, nomeadamente nas candidaturas às escolas TEIP (“mais complicadas”) e às escolas com Autonomia (uma coisa que não existe).
E a prova de que o erro está no concurso “especial” resulta deste facto – o concurso dos professores dos quadros não deu erro e o concurso que colocou docentes a contrato nas escolas “normais” está fechado também sem erros.
Só há erros onde Passos Coelho resolveu inventar.
Perante o erro, há duas semanas atrás no Parlamento, um personagem de quem me recuso a dizer o nome, pediu desculpas e acrescentou duas afirmações mais: vamos corrigir o erro e nenhum professor será prejudicado.
Pois, está visto como são sentidas e honestas as palavras dos homens de confiança de Passos Coelho.
E, se me permitem, esta reflexão vai direitinha para Pedro Passos Coelho uma vez que não há Ministro da Educação:
– a Joana é uma mulher com 30 anos. Tem um filho com 5 e vive em Espinho. Foi colocada na Amadora. Tirou o filho do Jardim de Infância aqui no Norte e rumou a sul, montou uma casa nova e começou a dar aulas na sua nova escola. O filhote teve que se adaptar a uma nova realidade. Hoje, a mãe do Pedro, a Joana, foi chamada à Direção: és o elo mais fraco. Estás despedida.
Sabe, senhor Primeiro Ministro, o que eu estimo é o que lhe desejo. Espero que os seus filhos ou os seus netos possam sentir o mesmo que está a sentir o Pedro. E, já agora, aos seus desejo o mesmo que o senhor desejou à Joana.
Educação em estado de Citius
A justiça entrou no PC e não saiu?
Não há crise, suspende-se.
No caso dos Profs, saiu quem não devia?
Não há crise, anule-se!
A incompetência que ministra este governo

Houve uma altura em que pensei que este governo fosse maquiavélico ao ponto de nos querer lixar, fazendo-o com uma estratégia de aparente incompetência. Hoje tenho a certeza que nos quer lixar mas que, simultaneamente, é incompetente. Vejamos apenas três exemplos. [Read more…]
Estranha forma de afrontação do poder
Pedro Passos Coelho, líder dos ministros coitadinhos que pedem desculpa e mais recente Calimero da política portuguesa, tem apostado no discurso do homem vertical que está debaixo de fogo porque afrontou interesses poderosos. À parte do banqueiro Salgado, e apenas após este ter caído em desgraça, não se conhecem ainda esses poderosos interesses que o rapaz da Tecnoforma afrontou. A menos que queiramos assumir como real o discurso de alguns radicais de direita que catalogam os sindicatos como interesses poderosos da sociedade portuguesa. Terão o seu poder mas, tanto quanto se sabe, ainda não chamam boys do PSD ou do PS para os seus conselhos de administração, não influenciam a legislação nem beneficiam de prescrições milionárias em regime de total impunidade.
Posto isto é interessante ver a postura dos partidos da maioria na aparente recta final do mediático e polémico caso dos submarinos. Há duas semanas, os deputados da maioria, na habitual defesa dos seus interesses pessoais e partidários, decidiram chumbar a vinda de Paulo Portas à comissão de inquérito por considerarem a sua presença “desnecessária”. Já na Quarta-feira ficamos a saber que, no entender de PSD e CDS, os trabalhos da comissão de inquérito que investiga a aquisição de equipamentos militares como os submarinos ou os blindados Pandur estão terminados. Isto apesar de, segundo revelou o jornal Público, se estar mais perto do que nunca de descobrir o destino final dos 30 milhões pagos pelos alemães à ESCOM. Sabemos pelos jornais que uma parte acabou dividida entre os pobrezinhos da Comporta. Mas diz-se por ai que houve mais alguém a receber uns milhões. Terá sido o irrevogável? [Read more…]
Solidário com António Costa
Estarei sempre, numa parte: contra os ataques racistas de que vai ser alvo. O professor Vítor Cunha dá o mote.
Sem sistema
Do famigerado Citius nem vale a pena falar (sobretudo depois da compilação de asneiras que o A. F. Nabais aqui deixou há dias), mas na última semana também encontrei um centro de saúde sem sistema informático e agora mesmo um arquivo de identificação civil que substituiu o sofisticado sistema de distribuição de senhas por uma artesanal folha A4 com um conselho de outros tempos: “Pergunte quem é o último.”
Antigamente os sinais do apocalipse poderiam ser pragas de insectos, água que se convertia em sangue, estranhos sinais nos céus. Hoje em dia é ouvir repetidamente, nos sítios mais insuspeitos, a resposta “não posso fazer nada, estou sem sistema”.
Lembram-se de quando se dizia (também) aos informáticos para saírem da sua zona de conforto? Pois é.
Rescrever a História? – II
-O assunto nem merece toda esta polémica que se levantou à volta dos bustos. Mas estão porque não retirar os quadros de todos os Presidentes da República que estão expostos no Palácio de Belém. Durante 40 anos ninguém levantou a questão. Nestes 40 anos em sucessivas audiencias aos diversos P.R. terão passado extremistas e radicais durante o PREC, enquanto líderes de oposição Álvaro Cunhal, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã entre outros. Quando este programa foi para o ar na RTP, ocupava o Palácio de Belém como chefe de Estado, Mário Soares. Será ele também um perigoso revisionista que pretende branquear o passado? Os quadros podem ficar expostos em Belém, mas os bustos em S.Bento já são intoleráveis? Porquê agora, passados 40 anos? Ou tem apenas a ver com o momento político e querem à força arranjar mais uma disputa ideológica?
Peninsulares
Onde, na Europa, um parlamento expõe bustos dos seus ditadores do séc. XX? na Alemanha ou em França, países com legislação anti-revisionista, que têm metido na cadeia os que tentam branquear a História?
Imaginam vária imprensa e imensos blogues a glorificarem um criminoso de guerra e terrorista confesso por altura do seu falecimento nesses dois países, ou numa Bélgica ou Holanda?
Estão a ver os partidos de um governo na defesa da “memória” de um Hitler (que até foi eleito), das estátuas de Estaline ou pregando por Petain?
Neste canto da Europa, o ibérico, também a desgraça nos une. O governo espanhol e o português juntam-se na mesma mistificação, são governos sabonete, lavam e ainda perfumam. Somos o canto das ditaduras que não soubemos extirpar, uns trocaram a democracia pela desonra dos seus milhares de heróis assassinados pelo bárbaro Franco, nós deixámos que lentamente o Estado Novo seja visto com a brandura habitual proclamada pelos seus herdeiros.
Somos a vergonha da Europa.












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