Cartoline d’Italia (1) (da Firenze) – Un luogo troppo strano*

Elisabete Figueiredo

Cartolina 1A

gostava de dizer que não é estranho. na verdade, talvez não seja. mas parece. vens a um lugar onde estiveste já tantas vezes. onde repetes algumas fotos ou, mesmo, todas. onde falas uma língua que amas tanto (talvez mais) que a tua própria. vens a um lugar que é, fora do teu país, aquele onde estiveste mais vezes. com um calor abrasador. com um frio cortante. com demasiada chuva. com neve como raramente viste. um lugar que te é demasiado familiar. onde já tiveste a ‘tua’ lavandaria, a ‘tua’ trattoria, o ‘teu’ café, as ‘tuas’ casas e, até, o ‘teu’ coração. vens a este lugar e gostavas de dizer que não é estranho… (se leste Vila-Matas, sei que me compreendes bem). [Read more…]

Novo anúncio da Benfica TV

Adepto atira Jesus ao Tejo e diz: “Pensei que ele andava sobre as águas!”

O Jornalismo e o sensacionalismo

O Nuno Ramos de Almeida, no i, escreveu um artigo sobre o jornalismo que muito agradou a dois velhos amigos meus. Foram eles os culpados por eu ter ido ler e, indirectamente, causadores de eu ter de escrever a discordar (nas conclusões) com o Nuno Ramos de Almeida – o que me custa, confesso.

Vou começar pelo fim. O Nuno Ramos de Almeida (NRA) recorda a tiragem do “Diário de Notícias” e de “O Século” nos inícios do século XX (100 mil exemplares/dia cada um) e compara com a realidade actual afirmando que não foram eles, os leitores, que desapareceram mas, “os jornais, a comunicação social e os jornalistas que não estão a cumprir devidamente o seu papel de informar com qualidade. O que fazem não serve“. O NRA aqui ignorou, olimpicamente, a realidade. Ou seja, os jornais no início do século XX não concorriam com a internet, as redes sociais, a televisão, etc.

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Em defesa do spam tradicional

CNE  só aceita propaganda pelo carteiro.

Comunidade Portuguesa de WordPress organiza 3º WordCamp no Porto

O Porto vai receber, a 9 e 10 de Novembro, o terceiro WordCamp que se realiza em Portugal. É uma iniciativa da Comunidade Portuguesa de WordPress, agendada para o Instituto Superior de Engenharia do Porto.

As duas anteriores edições foram em Lisboa, em 2011 e 2012, e esta é a primeira vez que o Porto é cenário do evento, sendo esperadas cerca de duas centenas de participantes, não só da região mas de todo o país e, eventualmente, alguns estrangeiros.

WordCampPorto_logo

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Aconteceu há 45 anos

Em memória das vítimas…

Menos alunos e menos professores

O Público dá algum destaque à redução do número de alunos no ensino básico. Segundo o jornal há menos 13 mil alunos nas nossas escolas.

Fui ler os números e reparei num detalhe – no 1º ciclo há menos 9554 alunos, mas houve uma redução de 2136 professores.

Vejamos: se os quase dez mil alunos a menos fossem distribuídos por turmas com 25 alunos, teríamos 382, 2 turmas. Isto é, a redução de alunos (a famosa demografia!) teria como consequência uma redução de quase 400 professores (um por cada turma).

Ora, a redução foi 5 vezes superior.

Contas semelhantes poderiam ser feitas para os outros sectores. Repare, caro leitor, neste detalhe – no segundo ciclo Nuno Crato extinguiu o Estudo Acompanhado (6 horas), a Formação Cívica (um tempo) e o par pedagógico de EVT (4 tempos). Uma vez que o horário lectivo “normal” é de 22 horas, este corte realizado por Nuno Crato traduziu-se no corte de um Professor por cada turma. Não foram os alunos a menos que despediram – foi Nuno Crato!

Podem as agências de Comunicação do MEC vir por aqui ou até por ali. Podem os paineleiros de ocasião apontar a demografia como a causa de todos os problemas. Mas, os números não mentem – os milhares de professores despedidos são uma opção de Nuno Crato e do PSD. Não são uma consequência.

E é curioso que tenha saído no Público de há um ano um artigo precisamente sobre esta questão – foi a 20 de agosto de 2012.

Bad Ass Badie

Mohammed BadieRepare-se no padrão: quanto mais islamizante e islamizada uma sociedade, mais incompatível com a tolerância e a democracia. Se o Egipto quiser parecer-se mais com a Turquia e menos com o Afeganistão ou o Irão, terá de purgar-se da histeria exclusivista da Irmandade, um presente envenenado a tender para a teocracia. De resto, não creio que o exército seja insensível ou indiferente às forças seculares e moderadas, a maioria da população. São, têm sido, o último recurso contra os riscos de terror e morticínio que a Irmandade, liderada pelo bad ass Badie, vende por atacado.

Sons de aventador #1

Túnel da Ribeira

Foto: José Magalhães

O túnel da Ribeira é curto, uns duzentos metros, se tanto, mas caótico, à maneira latina.

É um túnel de outro tempo, trânsito nos dois sentidos e corredores para os peões, por onde se caminha depressa para fugir aos tubos de escape, ao calor e às buzinadelas amplificadas. É por causa dos peões, e não pela vaga infracção de trânsito, que eu nem sempre buzino no túnel e se o faço não é mais que uma vez, mas buzinar no túnel da Ribeira é uma tradição da cidade, toda a gente sabe.

Na segunda passada – era 12 de Agosto e foi um dia aziago – entrei no túnel vinda da ponte, encandeada pelo sol baixo do fim da tarde, demasiado ocupada em não atropelar os magotes de turistas que desciam a cada instante o passeio e pousavam imprudentemente as pernas escaldadas na faixa de rodagem, alterada pelo caos da cidade e pelo meu, e foi como se entrasse por uma passagem desconhecida, para um outro mundo (paralelo? perpendicular?) onde as regras só podem ser outras. [Read more…]

O Futebol Perfumado de Quintero

quinteroCada vez que vejo Quintero em acção, penso em Deco, no melhor Deco que já vi e acho que só o vi no meu FC Porto, o Deco que se aprimorou e acrisolou no e pelo sofrimento, na dura e adequada domesticação do temperamento, domação do génio só possíveis naquela casa, onde a componente afectiva consolida e motiva máximo rendimento na parte profissional. Depois de se ver um Quintero com uma esquiva transcendente, à Maradona, a uma rasteira sadina e logo um remate repentista, impensável, para golo, depois de se ver um jovem jogador a mudar as agulhas de todo um jogo emperrado, não percebo ao que vem um José Mota, amargo e ressentido. Para quê falar de si, do treinador adversário e de um Capela de baixo rendimento?! E o futebol?! Quem é que quer saber da falta de brilho de um Capela, da longa e sofredora carreira de um José Mota, das queixas pela irreverência de um jovem profissional como Paulo Fonseca, quem é que quer saber de tudo isso, perante o perfume de puro futebol exalado por um Quintero?!

Nunca mais acaba a pré-época

Benfica perde com o Marítimo

A presidenta e a ombudsman (sim, a ombudsman)

dilma

Segundo  a Folha de S. Paulo, Suzana Singer “é a ombudsman [?????] da Folha desde 24 de abril [sic] de 2010″.  Confesso que me incomodei com o assunto “presidenta” (exactamente: presidenta), mas admito que uma Suzana poder ser ombudsman é tema que me deixa sprachlos. Sim, porque há alternativas, já que na Folha, aparentemente, não gostam da palavra portuguesa. Também há outros exemplos, pois há. Por falar em sprachlos, peço imensa desculpa por esta publicação: a interrupção segue dentro de momentos.

Um Clássico

Mas, é mesmo assim: este ano é que é!

Fossem as coisas importantes da vida tão simples e estaria tudo resolvido. Ainda bem que temos a bolinha

Daiquiri, outra bebida cubana

daiquiri

Já aqui publiquei a receita de mojito, juntamente com outras receitas de bebidas para refrescar o Verão.

Hoje vou preparar uma outra bebida cubana, na sua versão original, um daiquiri.

Hemingway, que amava mojitos, também gostava de daiquiris mas, por ser diabético, tomava uma variação que veio a chamar-se Hemingway Special substituindo o açúcar por marrasquino e sumo de toranja.

Nada melhor para iniciar esta segunda quinzena de Agosto.

Por que é que o Pais do Amaral não ajuda quem lhe pede ajuda?

Eis a pergunta que a Judite de Sousa pode fazer numa das suas próximas entrevistas.
A Pais do Amaral. Ou a Belmiro de Azevedo. Ou a Américo Amorim. Ou a Ricardo Salgado.
Há tantos a quem pode perguntar isso. Não acredito é que tenha coragem.

Só estou a perguntar…

Regressado de mini-férias: quem é o Lorenzo? Joga em que clube? E que problema existiu com o contrato dele para ter ido à judite?

Não pode ser!

Letizia pinta as unhas dos pés de vermelho

Festa no Pontal, miséria em Portugal

pobrezaNo Pontal, reuniram-se aqueles que amam o solo e pisam o povo, como gritava Jô Soares. Com a desfaçatez de quem não se pode dar ao luxo de ter vergonha, houve discursos com veneno suficiente para matar um país.

1 – “Qualquer decisão constitucional não afectará simplesmente o Governo. Afectará o país. Esses riscos existem, eu tenho que ser transparente. Se esse risco se concretizar [o TC declarar a requalificação inconstitucional] alguns dos objectivos terão que andar para trás”

Sabendo-se que o desconhecimento da lei não aproveita a ninguém, o que dizer de alguém que reincide no incumprimento de uma lei que conhece? O que dizer de um primeiro-ministro que reincide no incumprimento da lei fundamental do país?

A habilidade chico-esperta de chamar requalificação a despedimentos é própria de gente que não é séria.

Também não fica bem a um primeiro-ministro maltratar a língua materna: o que são objectivos que andam para trás? [Read more…]

Wikileaks publica novo seguro de vida

Em 2010 a Wikileaks pediu para copiarmos um misterioso ficheiro, encriptado, com cerca de 1.4GB de tamanho. Chamou a esse ficheiro um seguro na medida em que a chave necessária para o desencriptar seria divulgada caso alguma coisa acontecesse a Julian Assange ou à própria organização. Mais tarde a chave criptográfica acabou por ser divulgada, altura em que se obteve acesso integral ao conteúdo do arquivo.

A Wikileaks voltou a divulgar 3 ficheiros seguro de vida. Com um tamanho total de mais de 400GB. Sobre o conteúdo nem uma palavra. Se tiver o mesmo impacto que o Cablegate teve, estamos perante o inicio de uma história muito importante.

[Correcção depois do corte]

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Sinais de retoma

Número de casais desempregados aumenta 45% em Junho

Passos Coelho vai aumentar as mamas

9524901_eqECpSoubemos que Passos Coelho irá proceder a uma operação para aumento das mamas e passará a usar vestidos curtos que lhe favoreçam as coxas, procurando, deste modo, criar uma imagem ainda mais aproximada da taróloga Maya.

As parecenças entre Passos Coelho e Maya acentuaram-se em 2010, quando o então candidato a primeiro-ministro fez referências a um futuro que não se confirmaria. Para além disso, tal como a astróloga/apresentadora, Passos Coelho tem feito previsões que falharam de modo quase sistemático.

O chefe do governo escolheu o dia de hoje para fazer este anúncio, uma vez que é na Festa do Pontal que costuma fazer as previsões mais disparatadas.

Alguns membros do governo já comentaram, em tom jocoso, a decisão do líder: “Afinal, a mama ainda não está para acabar!”

Do arbítrio

Podemos avaliar a estabilidade e maturidade de um sistema pela previsibilidade dos resultados produzidos.  Um sistema fiável que seja alimentado por iguais entradas conduzirá a resultados, senão iguais, pelo menos aproximados. E eventuais desvios são monitorizados e sujeitos a um processo de mudança por parte de um agente externo para tal mandatado.

O nosso sistema judicial não é nada disto. As recentes decisões sobre a legalidade/ilegalidade da candidatura dos dinossauros políticos têm evidenciado que as sentenças são arbitrárias,  fruto de interpretações individuais. Isto significa que quem recorrer à justiça não tem garantias de a obter, podendo um juiz decidir uma coisa e outro juiz decidir o oposto. O próprio processo de recurso, mesmo sendo uma forma de introduzir equilíbrio que devia ser, como o próprio nome indica, uma forma de excepção, em vez de ser visto como o passo seguinte, está ele mesmo sujeito à imprevisibilidade, possivelmente menor por se tratar de decisões colectivas.

Atendendo aos resultados díspares, é lícito afirmar que temos um sistema judicial de baixa maturidade. Mas olhando para a matéria prima usada, isto é, para as leis que a justiça deve procurar aplicar, percebermos que não cabe apenas ao executor a falta de qualidade. Com efeito, o legislador produz leis frequentemente pouco claras, incompletas e em contradição com outras leis. Sem querer desculpar a máquina judicial, o facto é que a matéria prima usada é de qualidade rasca.

Ainda neste caso dos candidatos autárquicos em modo gafanhoto, o legislador não quis clarificar as dúvidas. E querer é o verbo exacto, já que teria bastado um deputado ter apresentado uma proposta de alteração para que este circo das candidaturas autárquicas não estivesse a acontecer. Mas nenhum o fez. Preferiram colocar os interesses do partido à frente dos do país, seja para possibilitar a reutilização de candidatos requentados, seja para ganharem trunfos para os derrubar.

Tudo sinais de um sistema imaturo e pouco fiável, bem nos antípodas da imagem passada pelos próprios protagonistas. Deputados bem pagos mas incompetentes, juízes bem pagos mas com cada cabeça sua sentença.

Egipto: Irmãos muçulmanos e militares disputam o poder a qualquer preço

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© Bruno Charoy

«Eis o que se pensa no Ocidente sobre a situação egípcia: uma experiência democrática estava em curso, o exército quis por-lhe termo, instrumentalizou o descontentamento popular para fazer um golpe de Estado. E lamenta a ingenuidade do povo egípcio, que preferiria submeter-se aos militares a confiar no presidente islamista que ele próprio elegeu. Incapaz de se vergar à longa aprendizagem da democracia, o povo egípcio teria esquecido todos os males que o exército lhe infligiu…

Não, o povo egípcio não esqueceu. Não esqueceu o que sofreu durante os dezasseis meses em que o exército governou de forma directa o país. A iniciativa que entretanto tomou não é, de forma alguma, uma escolha entre os militares e os Irmãos Muçulmanos. Ela representa uma nova etapa na marcha que empreendeu para afirmar a sua autonomia cidadã. Pois o povo egípcio deixou de ser um comparsa no teatro de operações do palco político. Adquiriu, desde Janeiro de 2011, um estatuto de actor autónomo e decisivo. E adquiriu esse estatuto, qualitativamente novo, não porque tenha derrubado o autocrata Mubarak, mas porque recusou a legitimidade do seu poder. Até então, no país dos faraós e dos sultões, esse poder não era apenas exercido sem limites e sem controlo. Era, ainda por cima, legitimado pelo conjunto da população.  Por que razão aceitava, com a naturalidade de uma evidência indiscutível, um poder em relação ao qual não tinha qualquer ascendente? Porque esse poder, parecia-lhe, emanava de uma instância superior, transcendente. Porque representava, aos seus olhos, o reflexo na terra de um destino celeste. [Read more…]

Arredas Folk

arredas-folk-fest-2Edição 2013.

Bradley Manning: Percebo que tenho de pagar o preço

But it was all right, everything was all right, the struggle was finished. He had won the victory over himself. He loved Big Brother.

Continuo a não escupir no prato em que como

Mourinho? Não me pronuncio sobre essa pessoa.

Desabafo contra o acordo

Omar Dammous*

A língua é um fenômeno vivo, mutante, dinâmico, que interage com as mudanças dos tempos, dos costumes. Influencia e é influenciada por movimentos migratórios, assimilações culturais, fusões e cisões históricas. Não se pode engessá-la ou congelá-la por força de lei.

A diferença pontual na pronúncia ou mesmo em pequeno percentual da grafia (que sempre foi inferior a 2% de todo o vocábulo) pode e deve ser considerada como um fator de autenticidade regional que não diminui em nada a beleza e a unidade do idioma. As diferenças fonéticas importantíssimas (e também gráficas) entre a forma de falar de australianos, ingleses, canadenses e outros povos de origem britânica jamais lhes deu a impressão de que não falasse simplesmente o INGLÊS. Idêntico fenômeno se dá entre os mais de vinte países de fala árabe, cada qual com a riqueza de seus regionalismos.

A unidade não se obtém à força, tampouco é ela a única forma de aproximação. Creio que as diferenças podem servir até como ponte para que cada qual admire e se delicie com a forma de falar e escrever do outro. Saramago talvez não fosse tão interessante se escrevesse como Machado. Cada qual com a riqueza de seu tempo e de seu lugar.

Afora a impossibilidade de imposição cultural “ex lege”, a tentativa (por enquanto mal sucedida) de unificação prestou-se a condenar à cesta de lixo milhões de títulos já impressos pelas editoras, obrigando entes públicos a promoverem milhares de licitações para renovação dos acervos das escolas e bibliotecas públicas. Dinheiro e história ralo abaixo… [Read more…]

Egipto:

“Uma sociedade extremamente dividida, a precisar urgentemente de um entendimento político de compromisso entre os militares e os islamistas.” Uma análise de Hugh Miles. no dia em que se prevê que a situação se torne incontrolável por excesso de radicalismo de parte a parte.

Egipto: o longo caminho para a democracia

Ismail Serageldin

Ismail Serageldin, o director da nova Biblioteca de Alexandria, esteve recentemente em Portugal para receber o Prémio Calouste Gulbenkian 2013. Entrevistado para o jornal Público, falou daquilo em que acredita: no poder das ideias, e no pluralismo. No seu país vivem-se por estes dias momentos de confronto entre os partidários das velhas e das novas ideias, entre islamistas (que pretendem impor no Egipto a vontade da Irmandade Muçulmana) e todos os outros, que representam cerca de metade dos cidadãos eleitores. Islamistas que não costumam aparecer nos debates promovidos pela Biblioteca Alexandrina, “encontros de teor tendencialmente liberal [e não falamos de economia]”, diz Serageldin, de que compreensivelmente não participam, imaginando talvez que dessa forma essas outras ideias perderão relevância na sociedade. [Read more…]