A verdadeira Irlanda descrita pelo Guardian, segundo esta tradução da PRESSEUROP, é bastante diferente daquela que o Comissário Europeu, Olli Rhen, caracterizou há dias em Lisboa.
O mundo está perdido
Esta música de intervenção, intitulada Correntes em Mim, faz parte de uma série, Phineas e Ferb, do Canal Disney. Aguardam-se veementes protestos da Helena Matos.
O fim de um ciclo
Sempre achei que devíamos morrer no mesmo dia em que nascemos. Seria uma espécie de fim de ciclo. Estaria concretizada plenamente a ligação entre o Homem e o Deus (ou lá quem foi) que nos criou e nos governa. No final de vários ciclos de 365 dias, finalmente o retorno. Assim, a nossa morte teria dia marcado, só não se sabendo de que ano.
No meu caso, isso explicaria muita coisa.
Em nome da honra…
Bertolt Brecht, esse homem que marcou toda a história do Teatro, escreveu que “uma testa sem rugas é sinal de indiferença”.
A cada dia que passa, nasce-nos uma e não é da idade… Vamos ficando velhos antes do tempo, à custa de tanta injustiça e indignação.
Uma semana após o Dia da Mullher verifico, mais uma vez, que esta comemoração não tem o mesmo significado em todos os lugares, que a mulher ainda sofre imenso, que há países em que é ainda a desgraçada, a «culpada» e a «pecadora». Ainda somos o elo mais fraco. Dois dias depois do habitual «Jantar da Mulher» e das tradicionais mensagens e lembranças trocadas em todo o mundo, uma jovem marroquina suicida-se, desesperada com os maus tratos de que era alvo por parte do marido que a havia violado antes do casamento. Um casamento forçado pela tradição, por um juíz e pelos próprios pais! Depois de meses a sofrer nas mãos sujas desse que lhe deram como «marido», e após ver recusado o seu pedido ao pai para voltar a casa, a menina de 16 anos, Amina El Falili – mata-se com remédio dos ratos. [Read more…]
Uma bacalhoada salazarista.
Estive na última edição da FITUR – feira internacional de turismo de Madrid -, onde Portugal, mais uma vez foi vencedor entre os expositores. Pelo desenho do pavilhão e creio que pelos “produtos” apresentados. Pode parecer que tudo está bem, mas não. Olhando com atenção para cada um desses produtos em promoção e em particular para uma conhecida rota de património, reparei que a mesma integrava um conjunto europeu de itinerários culturais. O folheto publicitário era atractivo: da Saxónia à Sérvia, de Itália a Espanha, cada uma das instituições destes países e regiões promoviam actividades paralelas ao âmbito cultural da visita: termalismo, pedestrianismo, rafting, escalada, passeios a cavalo, esqui e ciclismo, entre outras. Portugal, promovia o folclore e um prato de bacalhau assado com batatas.
E depois ficam eriçados com a marca Salazar de Santa Comba Dão? Promover ditadores, ou facínoras (que de resto a maioria dos países já faz) é bem mais original que tentar vender o tradicional ranchinho folclórico ou uma bacalhoada.
Além disso, se há coisa com que os autarcas deste país podiam fazer dinheiro é com o ar decadente e demodé das suas vilas e cidades cheias de rotundas, chafarizes e obras por acabar. Lembro-me que nos anos 80 os estrangeiros vinham a Portugal à procura de pobreza e de todos os estigmas associados. Visitar um país em ruínas, cheio de torres eólicas com estradões em terra mal amanhados, lojas fechadas, desemprego e mendicidade parece-me uma boa aposta turística.
E deixemo-nos de coisas, há mais salazares em nós que numa garrafa de vinho – caso contrário não passaríamos o tempo a bebê-lo acompanhando um dos mil pratos de bacalhau com que atraímos os turistas.
És de Direita ou de Esquerda?
Responde ao Questionário que se segue e descobre:
1 – Bens essenciais e universais, como a Água ou a Electricidade, nunca deviam ser privatizados. Pertencem a todos.
2 – A defesa dos mais necessitados deve ser uma das tarefas prioritárias de qualquer Estado.
3 – Os ensinamentos de Jesus Cristo devem ser seguidos e fazem todo o sentido nos dias de hoje.
4 – Apesar disso, a Igreja Católica deve ser questionada por muitas das suas práticas.
5 – Certos acontecimentos do dia-a-dia fazem-nos questionar a existência de Deus.
6 – Sendo o casamento um contrato entre duas pessoas, os homossexuais têm todo o direito de casar.
7 – O aborto não é um tema tão simples assim. Temos de tentar perceber, antes de criticar, as razões de quem o pratica.
8 – Há determinado software imformático que deveria ser pura e simplesmente livre e acessível para todos, não se aplicando aqui as regras do marcado.
9 – O vandalismo contra o património é uma forma legítima de fazer vincar uma determinada ideologia.
10 – Monarquia ou República são formas de organização de uma sociedade, não representando por si só ideologias de Esquerda ou de Direita.
Resultados: [Read more…]
É absolutamente normal (II)
A atribuição de apoio judiciário britânico a João Vale e Azevedo para contestar o pedido de extradição para Portugal surpreendeu uma organização de contribuintes, um credor e um advogado britânico.
Por estar falido desde 2009, o ex-presidente do Benfica foi considerado não possuir meios para pagar a defesa jurídica em tribunal. Porém mantém a morada num complexo residencial de luxo em Knightsbridge, um dos bairros mais caros de Londres.
O-tolices que dão Tejeradas

Quer um golpe de Estado e está-se como sempre nas tintas para as eleições, mas ainda não percebeu qual a real situação interna nas forças armadas. Aparentemente nem sequer deu conta do que se passa pelo mundo, neste longo processo de mais de trinta anos que tem feito cair as mais seguras cadeiras do poder. Fala da perda da “alta” soberania – só ele saberá o que isto quer dizer -, como se esta mitigação da nossa autonomia fosse absolutamente voluntária e consciente. Não, o problema reside no facto da perfeita inconsciência e irrealismo por gente que como este cavalheiro, se vê sempre sobre um palco declamando “pás e gajos” diante de um espelho. Enquanto isso, lá fora Roma arde. É sempre assim.
Tenha Otelo em boa nota a seguríssima hipótese de a haver qualquer “golpe de Estado”, o seu anúncio não nos chegar através de cantorias ou militares woodstock. Teremos provavelmente alguém em grande uniforme e de óculos escuros. Ele que pense no caso.
Letra O – Ônibus
O Acordo Brasileiro da Língua Portuguesa já entrou em força nas escolas primárias…
E como explica um pai a um filho que “ônibus” não existe, é uma palavra de outro país?
Pelo Rio Tinto, marchar, marchar
Não sou novo, nem velho, antes pelo contrário.
A caminho da escola lembro-me de ver o rio de todas as cores – até havia apostas sobre a cor do dia, que ia variando em função das descargas da fábrica. Vi, ali na casa do vizinho, uma mó de um moínho que em tempos esteve ali junto à Ponte, onde hoje temos um restaurante muito frequentado, mas com uma péssima relação preço / qualidade. Ouvi falar dos peixes que por lá existiram.
Andei de bicicleta e caí ao rio. Joguei à bola e ela também caiu ao rio. Fiz, fizemos, jangadas com madeira e garrafões de plástico – era a inspiração do Tom Sawyer.
Vivi sempre a 100 metros do Rio. Até que a modernidade trouxe uma ETAR: estação de tratamento de águas residuais. E tudo piorou. Além da qualidade da água não ter melhorado, ainda trouxe maus cheiros para toda a vizinhança.
Anos mais tarde apareceu o pior Autarca da nossa Democracia – esse mesmo, o Major. O Rio passou a ser um esgoto dentro de tubos que existem envergonhados por baixo de ruas e caminhos.
Por isso, não sei se o Rio Tinto é um Rio. Mas quero MUITO que volte a ser. A nossa história exige um Rio. Ou então mude-se o nome de Rio Tinto para Tubo Tinto, ou Esgoto Tinto…
É absolutamente normal
Sócrates gasta 15 mil euros/mês em Paris. O ex-primeiro-ministro que anunciou aos portugueses as medidas de austeridade que afectam hoje tanto as famílias como todos os sectores económicos nacionais, vive na capital francesa, num apartamento de luxo com renda mensal de sete mil euros.
Acordo Ortográfico: a opinião de Maria José Abranches
Aqui, é possível ler-se um currículo resumido de Maria José Abranches, para além de um texto em que explica a sua oposição ao Acordo Ortográfico. Mais recentemente, enviou esta mensagem de correio electrónico a uma rádio francesa em que o AO foi tema: o programa intitulava-se “La réforme de l’ortographe passe mal”. O texto de Maria José Abranches está carregado de informação rigorosa e merece ser lido por quem queira, verdadeiramente, informar-se sobre o tema. Deixo aqui uma citação lapidar acerca da supressão das chamadas consoantes mudas: “L’adoption de ce changement défigure notre langue, lui retire de l’intelligibilité, nous éloigne des autres langues européennes et, surtout, entraînera des changements phonétiques inévitables.”
Hoje dá na net: Bobby McFerrin and guests

As verdadeiras cores da Goldman Sachs
Não é nada de surpreendente, a Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, explora os seus próprios clientes, referindo-se a eles como marretas. O que é absolutamente original é ouvir estas verdades da boca de um histórico do banco. (Em Portugal passam-se coisas parecidas.)
Leia as razões da demissão de Greg Smith, pelo próprio no NYT, em inglês.
Uma Santa Casa para o CDS
Como os leitores do Aventar sabem, do PPD/PSD e do PS tudo é de esperar. Dividem o Estado entre si e com os amigos. O CDS aprendeu rápido e já entrou no esquema, esta recebi por mail:
1. Em Dezembro de 2011, FERNANDO PAES AFONSO (CDS), Vice Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa nomeado em Setembro de 2011, contratou SUZANA FERREIRA para Directora-geral do Departamento de Jogos da Santa Casa, cargo que foi propositadamente criado porque nunca existiu.
2. Esta senhora trabalhava como Directora de Comunicação e Marca da Caixa Geral de Depósitos onde auferia um vencimento de cerca de 8.500 euros.
3. O contrato então oferecido na SCML incluía uma proposta de vencimento superior ao que recebia na CGD contra a genuína vontade de Pedro Santana Lopes.
4. Os valores em causa originaram estranheza e indignação no governo que contactou o próprio Provedor para indagar da veracidade dos rumores.
5. Confirmados os valores, foram dadas ordens para baixar o salário para montantes menos disparatados.
6. Apesar da redução de salário “oficial”, Suzana Ferreira aceitou o cargo.
7. Na verdade, não teve qualquer diminuição nos valores que aufere mensalmente, já que o diferencial entre os montantes inicialmente propostos e os que oficialmente recebe como salário são compensados através do pagamento de despesas diversas e da concessão de regalias e benefícios.
Sr. Alexandre do Santa Cruz, volte sempre
Pelos finais da década de 1970 era rotina nos cafés de Coimbra sermos tratados como hoje se lida com qualquer sem abrigo. As mesadas eram curtas, a cerveja mesmo assim muita e sobretudo a cidade ainda não tinha descoberto o seu caminho para capital dos putos bêbados.
Um dia entrei no vizinho Café S. Cruz, lugar com famas várias não me sendo nenhuma simpática muito por todos os contrários e ocorreu um fenómeno: vindos de outro planeta os finos chegavam pela mão de um empregado que me tratava por você e quando lhe paguei ainda disse obrigado. Avisei os amigos e fizemos uma expedição. Seria um trabalhador solicitando seu próprio despedimento?
Não era. O próprio patrão tinha esse modo alienígena de lidar connosco como se fôssemos clientes, isto é, pessoas. Atrás do balcão, o sr. Alexandre, patronato do Inácio Cidade, o tal empregado e um dos grandes homens que também me ensinou a sê-lo, do Hugo, do Pinto e do Costa, na pior das hipóteses sugeria educada e discretamente que estávamos a incomodar os vizinhos da mesa ao lado, nos dias em que a coisa nos estava a correr biericamente melhor.
O Café Santa Cruz ganhou clientes para o resto das nossas vidas e nem havia necessidade: não há café mais belo no mundo do que este onde agora escrevo, num pc emprestado pela casa, depois de saber que Alexandre Silva Marques, o homem que vindo de Moçambique em 74 tomou conta desta casa na altura mais que queimada (era entre outros descalabros comerciais o poiso dos pides, dos homossexuais e dos unionistas, concorrendo enquanto café com brasileiras e arcádias de outras clientelas, estabelecimentos no entretanto extintos) deixou de respirar o ar da terra onde habitamos. Poucas vezes e tão discretamente me dei tão bem com um homem tão distante de mim em tanta coisa, como me continuo a dar com os seus familiares. Obrigado por tudo e volte sempre, hoje sr. Alexandre, sou eu a dizer.
Onde andará Duarte Lima?
O DN anuncia que Duarte Lima é dos homens mais procurados no mundo, por iniciativa da justiça brasileira junto da Interpol. Que intrigante! Segundo julgo saber, o homem está detido pelas autoridades portugueses, por deliberação reiterada pelo Tribunal da Relação no passado dia 27 de Fevereiro, devido à suspeita de crimes de burla qualificada.
Menos de um mês depois, a Interpol lança este apelo, “wanted”, para localizar o Lima:

Fonte: http://www.interpol.int/Wanted-Persons/(wanted_id)/2012-13800
O sistema de justiça do Brasil, sem peias e os artificiais obstáculos usados na justiça à portuguesa, considera haver suspeitas sobre o ex-deputado no suicídio de Rosalina Ribeiro, incluindo-se no processo actos de crime organizado e outros referidos pelo DN.
BESPhoto 2012, a confirmação da internacionalização do prémio
Foto de Mauro Pinto
A afirmação de Rosangela Rennó
“Não é preciso fotografar mais, já há muitas imagens no mundo.”
é, como todas as afirmações hiperbólicas e generalistas, simultâneamente redutora e excessiva, mas constitui um bom ponto de partida para uma aproximação à(s) atitude(s) de alguns fotógrafos contemporâneos.
O BESPhoto deixou o ano passado de ser o maior prémio de fotografia português para fotógrafos portugueses, passando a ser o maior prémio de fotografia atribuído em Portugal a fotógrafos de língua portuguesa. Veja uma curta panorâmica sobre a edição deste ano.
Querem Obrigar-nos a Não Trabalhar!
Os Verdes, gente trabalhadora e virada para o bem comum, quer ajudar o povo Português a viver bem. Dessa forma, entendem estes senhores que devemos ser obrigados a não trabalhar no dia de Carnaval.
Página de Diário II
Hoje ouvi – na boa companhia dos meus alunos estudantes de Teatro – um poema de Bertolt Brecht. Fizemos o exercício de apontar o verso ou as palavras mais marcantes para cada um de nós:
“uma testa sem rugas é sinal de indiferença (…)
que tempos são esses onde falar de flores é quase um crime (…)
nada do que faço me dá direito de comer quando tenho fome (…)
deitei-me entre os assassinos (…)
fiz amor sem muita atenção (…) [a que melhor gravaram na memória!]
assim se passou o tempo que me foi dado viver (…)
não pudemos ser bons amigos (…)”
Ficam aqui alguns dos versos. Vale a pena ouvir tudo: «Aos que virão depois de nós».
Hoje dá na net: Louis Armstrong, The King of Jazz















Recent Comments