Da Reescrita Concubina e Doentia

Impressiona o volume de disparates e ficções ou narrativas inverosímeis a que o anónimo concubino Val-de-Broches se dá, sendo dos poucos blogues ultrassocratistas a ressuscitar sistematicamente o nome de Sócrates, Messias-da-Falência Forçoso no Poder, Rei Deposto da Esquerda ‘Moderada’ e Mártir Rapace às mãos «da Direita», enfim, Totem imprescindível ao País, quando toda a gente ou o quer esquecer amargamente ou o quer duramente processado nas matérias e questões que o incriminam, dada a pesada aura suspeitosa, desde a Falsificação da Licenciatura até às PPP ruinosas, cuja negociação dolosa só pode ter dado origem a comissões chorudas revertendo em proventos para os bolsos desta gentalha.  [Read more…]

Energia e pontes, a diferença vai do pagar

Quem paga duas vezes fica. Mas, quem quer pagar menos sai!

Decididamente é um problema pessoal- MEU! Que tenho de aturar esta gente!

Aquela proposta do Aborto ter efeitos RETRO (trocadilho fácil!) passivos continua de pé?

Somente Braudel

Fernand Braudel nasceu em França em Agosto de 1902. Ele é na minha modesta e insignificante opinião, o melhor historiador do século XX. O que quer dizer que ele é o melhor Historiador da História, se tivermos em consideração o que hoje em dia entendemos por História. É de sublinhar, contudo, que este tipo de classificações valem o que vale, o que é “melhor” ou não é muito relativo quando falamos de Ciências Sociais, ou cientistas sociais. Mas se tivesse que haver um melhor seria Braudel. Ele queria ser médico mas o seu pai não concordou e então ele tornou-se professor depois de estudar História. Depois de ensinar em algumas escolas de Paris e depois de conhecer Lucien Febrvre, um dos fundadores dos Analles, foi para o Brasil onde ajudou a fundar a Universidade de São Paulo.

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Um bocado de ilusionismo

Dia após dia, a comunicação social martela-nos a ideia que o problema europeu são as dívidas soberanas. Não são. O problema são as dívidas privadas, resultado de mercados financeiros absolutamente desregulados e de entidades de supervisão criminosamente incompetentes:

A paz dos anestesiados

 Santana Castilho *

À paz dos cemitérios que reina na Educação serve bem a paz dos anestesiados que domina os professores. Dois acontecimentos permitem glosar o tema e extrapolá-lo para a situação do país. Refiro-me à alteração do normativo que regula o concurso dos professores e à situação da Parque Escolar. Comecemos pelo primeiro caso. Nuno Crato exultou com o acordo a que chegou com seis sindicatos. Os sindicalistas orgulharam-se com as alterações que conseguiram entre a primeira proposta do ministério e o texto final. De comum têm serem parceiros de uma comédia de disfarces e de um jogo de ilusões. Ouvi-los reconduz-nos às longas noites eleitorais, em que todos ganham. Crato não resolveu um único problema dos que se arrastam há décadas. Dirigentes de sindicatos, onde há mais chefes que índios, esqueceram-se que o exercício não era comparar a primeira proposta do ministério com o texto final. Era comparar a lei vigente com a que vai ser aprovada. Se o tivessem feito, não assinariam. Pela simples razão que, salvo um ou outro detalhe menor, os professores perdem em todos os pontos do acordo. Particularizo com os dois exemplos mais relevantes, que uma análise total não cabe no espaço exíguo desta crónica: [Read more…]

A Freguesia Mais Conhecida de Portugal

Não sabemos como aconteceu?!  A verdade é que a freguesia de Fátima está a ser atacada e destruída por pedreiras. Conforme notícia do Jornal de Leiria de 19-1-2012, já conseguiram aqui instalar 31 pedreiras.  A fome do dinheiro é tanta que a população está a ser ignorada e a natureza vandalizada.

Nós habitantes de Boleiros, aldeia de Fátima a 5km da Rotunda Sul dos Pastorinhos, estamos a ser destituídos dos direitos a uma vida normal e saudável. Começando com a Junta de Freguesia e a Câmara de Ourém a ignorar-nos, também temos Santarém (CCDR) e o Ministério do Ambiente a sugar-nos.

Como é que foi possivel cozinhar Declarações de Impacte Ambientais a favor de pedreiras sem o conhecimento da população e contra a opinião da Quercus?

O pó que temos que respirar, o barulho da extracção e o tráfego dos camiões estão a pôr-nos doentes. Temos amas a tomar conta de crianças, uma escola primária, e um lar de 3ª idade quase dentro duma pedreira.

Os nossos recursos naturais estão a ser destruídos precisamente onde não foi autorizada a construção por ser zona ecológica e agora  está  a transformar-se numa cratera horrível dando-nos a sensação de vivermos dentro dum cenário do filme “A Guerra Das Estrelas”. Já agora Boleiros podia ser incluído no roteiro turístico de Fátima com visita obrigatória às quatro pedreiras aqui instaladas, das quais três nem licença ainda têm e que estão a paredes meias com as casas de habitação. [Read more…]

O saber das crianças. Ensaio de antropologia da educação.

Crianças

.Crianças estudam baixo as árvores de Kongolote.

Kongolothe é um bairro da cidade e município moçambicano de Matola

Fonte: Monitoria e Avaliação da Estratégia de Redução da Pobreza (PARPA) de Moçambique 2006-2008, fotografado em 26 de Agosto de 2009

 O SABER DAS CRIANÇAS. ENSAIO DE ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Texto baseado na minha investigação, na obra de Boris Cyrulnik [1]e outros atores. Dados retirados de trabalho de campo ou etnografia, do convívio com as pessoas, para os subsumir depois a teoria dos antropólogos ou etnologia, comparando factos com hipóteses a teoria Etologia Humana, como a entende Cyrulnik

Hoje dá na net: Nosferatu (1922) de Murnau

Clássico do expressionismo alemão.

Ficha IMDB Legendado em português

A propósito de deslealdades

Confesso a incómoda náusea causada por essa espécie de epístola cavaquista, endereçada aos portugueses no prefácio do livro “Roteiros VI”. Ao estilo de carpideira, que chora o que não sente, o mais oco dos presidentes da actual república lamenta-se agora ter sido alvo de infame deslealdade por parte de José Sócrates. Invoca a violação do Art.º 201.º pelo ex-PM, ao omitir-lhe  a negociação e existência do PEC IV.

Sei desde longa data o que foi Sócrates, que Cavaco não demitiu. Tive o privilégio de nunca ter sido  seu apoiante ou votante. Ao contrário, fui crítico, aqui por exemplo.

Sinto-me livre de poder dizer que este enredo ao jeito de novela mexicana, a que ainda ultimamente o PR voltou a dar vida na visita ao navio-escola “Sagres”, é, como muitas outras novelas, um passatempo de mau gosto  e uma desforra política inoportuna e ofensiva para os portugueses.

Imagino Sócrates instalado em qualquer “bistrot” de luxo do Boulevard Saint-Michel, a saborear o revivalismo das tropelias passadas, em divertida tele-conversa com Silva Pereira. Como outros anteriores, incluindo o próprio Cavaco Silva, goza do estatuto de inimputável. Não é, de facto, o único.

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Mexia acredita que Elvis está vivo e garante que tem um unicórnio na cavalariça

Mexia recusa que o preço da electricidade seja um problema para as famílias e empresas

A partir de uma certa idade, as pessoas ficam muito teimosas.

Autarca proíbe pessoas de morrer

ACTUA

A EDP já comprou todos os deputados lá em Lisboa?

Acordo Ortográfico: Juiz condena leviandade

aqui tinha feito referência a uma decisão de um juiz de Viana do Castelo que encontrei aqui. O mesmo juiz aparece agora identificado nesta notícia.

A clarividência e a frontalidade do juiz Rui Estrela Oliveira são evidentes e é fácil perceber cada um dos três motivos que apresenta para ter emitido uma ordem de serviço a impedir a aplicação do Acordo Ortográfico no segundo Juízo Civil do tribunal de Viana do Castelo.

Embora o próprio qualifique esta situação como “uma questão eminentemente jurídica”, não posso deixar de realçar um dos pormenores contidos nesta crítica: “Se há campo onde há mais mudanças, na intensidade de utilização de certas palavras, é no Direito. Pode provocar, com o mesmo texto, um sentido totalmente diferente. Isto nunca foi pensado nem acautelado de nenhum modo. Juridicamente é muito importante o que se diz e o modo como se diz.” Eu diria que este problema se estende a muitos outros campos. Para além disso, mesmo sem ser essa a sua intenção, Rui Estrela Oliveira põe o dedo numa ferida que continua em carne viva: o AO foi imposto com a habitual leviandade portuguesa que prescinde de verdadeiros estudos.

Este é o país em que o estudo e a argumentação, aliás, estão extintos há muito: reformas curriculares são inventadas porque sim, alteram-se PDMs porque é fundamental, constrói-se uma barragem em cima de património histórico porque está decidido,  esmagam-se os cidadãos com austeridade porque é inevitável e impõe-se um acordo ortográfico porque certamente.

Página de Diário

 

Este ano, o meu Dia da Mulher foi especial. Inscreveram-me (a minha sogra) para um jantar (de mulheres) e eu adorei.

Mesmo ali ao lado de casa há um pequenino restaurante (tipo tasca) e, não sei como, sentaram-se 95 mulheres em longos bancos ao longo de compridas mesas. Conhecia a maioria: vizinhas, mães e avós dos colegas do meu filho que ainda anda na pré.

Enquanto esperávamos para nos sentarmos, prestei toda a atenção às conversas, a quem entrava e reparei como elas estavam maravilhosas. Mulheres da minha idade, outras mais novas e, a maioria, na casa dos sessenta. 

O dia havia-lhes sido igual em tudo menos a noite. Levaram os filhos à escola, fizeram-lhes o almoço, foram trabalhar, puseram a roupa a lavar, a secar, foram às compras e ainda arranjaram tempo para ir ao cabeleireiro. [Read more…]

Escola Pública e serviço público de educação – livre escolha é uma mentira

Portugal tem tido ao longo dos anos uma política algo errante em relação à Escola Pública. Errante porque a cada nova (velha!) equipa no Ministério da Educação, temos velhas mudanças.

Governos do PS e do PSD, aparentemente com mais semelhanças do que diferenças, em muitos momentos, actuam como se não houvesse uma Lei de Bases do Sistema Educativo.

No entanto, nem tudo é assim tão igual, na desgraça partidária que tem governado a Educação e nem sequer equaciono as pessoas que nos lideraram sob pena de perder o apetite.

Com todas as malfeitoria que José Sócrates e Maria de Lurdes trouxeram aos professores, culpando-os por todas as desgraças, inclusive pelo terramoto de 1755, houve algumas apostas na Escola Pública que mostram uma diferença significativa entre um partido que entende a Escola Pública como algo bem diferente do serviço público de educação. Quais? [Read more…]

O exemplo de Marco Martins, Presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto (ou como nem todos os políticos são iguais)


Há 2 ou 3 dias, uma pessoa da minha família mais próxima sentiu-se mal e teve de chamar o INEM para ir ao Hospital. Minutos depois, chegava um veículo dos Bombeiros Voluntários da Areosa. A conduzi-lo, o Presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, Marco Martins, voluntário naquela corporação.
Não é de hoje que Marco Martins, eleito pelo PS nos últimos 2 mandatos e apontado como o próximo candidato do Partido à Câmara de Gondomar, dá extraordinários exemplos de cidadania e de nobreza na actuação política. Muitos dos seus actos passarão despercebidos na espuma das notícias, mas a política de proximidade que exerce em relação àqueles que o elegeram faz de si um exemplo notável. Não me esquecerei – não sendo por isso que o elogio – da forma célere como resolveu o problema do estacionamento selvagem em cima dos passeios na rua em que habito.
Mesmo não sendo essa uma das suas atribuições. As Juntas de Freguesia podem muito pouco no actual xadrez autárquico nacional. E num momento em que o Ministro da Propaganda se prepara para extinguir centenas de freguesias, [Read more…]

La Palice

Será que é familiar do sr. Jacques? Jacques de La Palice?

Levanta-te e anda, Portugal

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Para os pais das crianças que hoje vivem a nova História de Portugal.

É A FRASE QUE REFERE O EVANGELISTA MATEUS, CONHECIDO ENTRE MEMBROS DA CULTURA CRISTÃ, NO SEU TEXTO DO SÉC. I, CAPÍTULO IX, VERSÍCULO 5. ERA UM PARALÍTICO, CUSTAVA-LHE A ANDAR E O SEU SENHOR JESUS, MANDA-O ANDAR.

E o paralítico da História, andou. Ou, como diz esse outro Evangelista, João, no seu texto do mesmo Século, Capítulo XI, versículos 33 a 44, manda a Lázaro sair do seu sepulcro, levantar-se e andar. Metáforas, senhor leitor, que nós, agnósticos, precisamos acudir, quando um povo, definido pelo seu saber e práticas como cristão apesar de a Constituição definir no seu Artigo 1, de versão de 2001: [Read more…]

A Ponte Sobre o Rio Ave

Em finais do séc. XIX, um comboio de via larga e raríssimas carruagens de dois pisos em madeira atravessa o rio Ave; esta ponte seria substituida por uma outra, mais robusta e ainda em serviço, em 1932.

Pergunta o CDS

O CDS-PP quer saber quanto custaram ao país as greves realizadas no sector dos transportes nos últimos 10 anos e, para isso, enviou ao Parlamento um conjunto de perguntas que pretende ver respondidas pelo ministro da tutela. CM

É para descontar no estrago dos submarinos? é capaz de ser poucochinho. E se lhe somarmos uns sobreiros, quanto BES fica?

Hoje dá na net: Moebius Redux

Moebius Redux: A Life in Pictures de André Oliveira.

Documentário sobre Gir-Giraud-Moebius, falecido anteontem. Para os amantes da banda desenhada, será possível, para além de rever o autor e a obra, assistir a declarações de monstros como Stan Lee ou Philippe Druillet, entre outros. Com legendas em inglês, sempre que o entrevistado se exprima em francês.
2ª e 3ª partes depois do corte

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Lobby das renováveis: 1 – consumidores: 0

Henrique Gomes, que será substituído por Artur Trindade, director do serviço de custos e proveitos da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), encontrava-se há vários meses sob fogo cerrado, com a promessa de revisão dos subsídios pagos à indústria eléctrica, nomeadamente às empresas de energia eólica e à cogeração e com a EDP no alvo.

Leia mais no Público para perceber porque tem aumentado a sua factura da EDP

Alargamento é o ovo de colombo

Ufa! Estou mais tranquilo agora. Afinal Portugal e a Grécia se descerem de divisão… Ufa… Está resolvido!

A doce vertigem do eufemismo agressivo

A linguagem dos políticos (e a de Cavaco Silva) é feita de pormenores saborosos para o hermeneuta cínico em que me tornei. Na esteira da “abstenção violenta” enunciada pelo jovem idoso António José Seguro, venho propor a noção de “eufemismo agressivo”, em que se enquadram os ataques que os políticos portugueses (e Cavaco Silva) fazem uns aos outros. No fundo, não chegam a ser ataques, são pequenos empurrões carregados de um mal disfarçado erotismo.

Cavaco Silva, talvez por não ser um político, é bastante desajeitado no uso do eufemismo agressivo. Na verdade, ao querer pôr fim à situação que criou, aconselhando as pessoas a ler o prefácio do seu último livro na íntegra, acusa-as implicitamente, de serem estúpidas. Depreende-se que, uma vez lido o prefácio, deixará de haver razões para a polémica existente. Se é assim, prefiro não ler.

Nas declarações de Cavaco surge, ainda, um eufemismo agressivo que um político não desdenharia utilizar: “falta de lealdade institucional”. O eufemismo – neste caso, o supérfluo – está no adjectivo: o que interessa, evidentemente, é a deslealdade, atitude feia, seja institucional ou não. Estão criadas as condições para que um político mais arrebatado chame a “cabrão institucional” a um adversário político, sem que isso possa ser considerado sequer polémico.

Também delicioso, pelo seu treino na diplomacia, é Luís Amado, que usa a habitual argumentação em defesa da paz podre, sempre em nome da “coesão nacional” e desejando “amplos consensos”, mas nada disso se compara à doçura de qualificar a acusação de Cavaco como “relativamente injusta”, apertando o lóbulo da orelha presidencial e atingindo, ao mesmo tempo, as partes baixas de Sócrates, o que demonstra conhecimentos de artes marciais.

Já Vital Moreira, que não pode sentir o filósofo parisiense em perigo, é um impotente do eufemismo e, puxando dos seus galões de constitucionalista, dispara, sanguíneo, que o primeiro-ministro pode informar o Presidente quando quiser e que não pode estar sempre a dar conta de tudo o que se passa na governação, igualando a compra de agrafos à imposição de um PEC.

Em conclusão, e diante desta opereta, poderei dizer, à maneira de Cavaco Silva (ou de um político), que a política portuguesa é uma merda institucional.

Um desenho escolar, sem parque de estacionamento

Parece que Nuno Crato mentiu, inflacionando, os desvios financeiros da Parque Escolar. Irrelevante: depois de Maria de Lurdes Rodrigues e sucessora um ministro da educação que não minta até podia ser demitido do cargo. Não se tornou tradição: faz parte da função.

Quanto ao essencial da coisa parque escolar a essência nem são os desvios e a forma esquisita como foram distribuídas as empreitadas e escolhidos os arquitectos, mais trafulhice menos trafulhice isso é rotina. Quando se passa a propriedade das escolas portuguesas para uma empresa pública há um único é óbvio objectivo: privatizar, tal como se pretendia com as estradas.

O plano de Maria de Lurdes Rodrigues sempre foi esse: um modelo de gestão empresarial, uma classe profissional domesticada e barata, uma primeira experiência de municipalização e seguia-se a progressiva privatização pura e dura, ou pensam que as câmaras tinham dinheiro para pagar as rendas à PE?

Prova dos nove: o que faz hoje Maria de Lurdes Rodrigues, depois de meio-perdida a batalha? Alguma vez presidirá à FLAD alguém que não veja na empresa e no mercado a religião de todos os dias? [Read more…]

Regras para a escrita e adeus

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Se bem me lembro, são 61 anos que ando no jogo da escrita. Aprendi a escrever bem antes de ir a escola. Devo confessar, no entanto, que a escola nunca fui, foi a escola que apareceu em casa na pessoa de uma professora primária, que ganhava tostões extras por me ensinar. Devo confessar também, que o trabalho não era pesado para ela: aprendi as primeiras letras com os meus progenitores, como narro no meu livro mais recente Memorias de un extranjero extravagante, que escrevi en castelhano chileno. Língua muito semelhante ao luso europeu, onde não há palavras consonantes. A leitura, no colo do meu pai, a escrita, no da mãe, enquanto espreitava os livros que eles liam. Era filho único, até os cinco anos, data na que nasceu a minha irmã que adoro e, a seguir, outros quatro, que pareciam lutar por ser quem aparecia primeiro neste mundo. A distância entre todos eles variava entre 11 meses ou 12.

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Primadonna 2012

Depois de ter visto o vídeo que está a fazer furor mundo fora, Kony 2012, é difícil não pensar em Portugal, onde, à parte a fantástica e fecunda mobilização por Timor, ninguém parece capaz de mobilização para coisa nenhuma que nos sirva, nos ajude e justifique. Cala-se. Come-se. Emigra-se. Morre-se. Mas não deveria ser assim. Qualquer de nós, contribuintes e cidadãos esmagados de Fisco e em dificuldades para viver com o mínimo, gente normal, gente que não seja doente dos cornos passionais, como esse abjecto robot socratista Val-de-Broches, deveria sentir-se literalmente assassinado e rigorosamente envilecido. Porquê? Porque o crime compensa largamente os reles, os sujos, os que estão indiciados por inúmeras irregularidades, no seu curto currículo de responsabilidade política e manobras obscenas. O crime é protegido ao mais alto nível e nada acontece a quem possui um rasto espesso de corrupção, mas se mantém no seu reduto de invulnerabilidade e ainda se dá ao luxo de conspirar à distância contra os interesses nacionais.  [Read more…]

Soltem as guitarras, rasguem os tambores, o José Braga foi ouvir música para o inferno

Um dos homens mais cultos com quem me cruzei na vida. Da Cultura Clássica à música dos territórios mais inóspitos, o José Braga espalhava a sua biblioteca e sobretudo uma discoteca que ninguém mais tem pelos encontros por mais fugazes que fossem. Estivesse estacionado na velha discoteca Almedina, ou no meio da rua, se há gajo com quem sempre aprendi alguma coisa porque incapaz de se ficar por um olá e segurando-nos sempre na cereja das palavras, nunca se conseguia ter pressa quando se encontrava o Dr. No da Rádio Livre Internacional, ou o homem que na RUC bateu todos os recordes sem ir para o Guiness, o melhor de todos nós. Em Lisboa terias sido outra coisa, em Coimbra foste sempre nosso. Até já Zé, fica esta dos Auktion, o último grupo que me deste a saborear quando ainda andavas com paciência para o facebook. Guarda uma garrafa de Jack Daniels aí em baixo, hei-de ir virá-la contigo, mas foda-se, tu que sempre foste um homem sem pressas podias ter esperado um bocadinho.

Actualização: há coisas do homem-rádio aqui: Ruínas Circulares

Parque Escolar: tanto por saber

A revolução levada a cabo pela Parque Escolar teve intuitos meramente eleitoralistas, uma vez que a Educação nunca foi uma prioridade de José Sócrates. Reconstruir escolas constituiu, para o actual exilado parisiense, uma ocasião de inaugurar, mostrando obra.

A avaliação completa do impacte de toda essa revolução continua por fazer e deverá incluir referências ao aumento brutal dos gastos energéticos graças a opções delirantes, como as de criar salas sem luz natural, para além do recurso a materiais importados mais caros do que outros de qualidade similar produzidos em Portugal ou a aquisição de equipamentos cuja manutenção poderá estar além dor orçamentos depauperados das escolas.

A reflexão sobre todo este processo não pode, evidentemente, descurar a importância do investimento público e, sobretudo, a necessidade de que os edifícios escolares estejam em condições, no mínimo, dignas, o que não é o mesmo que dizer que era fundamental transformar tantas e tantas escolas em estaleiros, que serviram, muitas vezes, para que arquitectos ignorantes impusessem projectos irrealistas, ao arrepio dos pareceres de quem conhece o terreno, prática habitual.

No entanto, se o processo da Parque Escolar, tal como foi conduzido por Sócrates, constituiu um disparate, a iminente extinção da empresa não deveria significar o fim das obras nas muitas escolas em que elas são necessárias.

Portugal, no entanto, é um caso de bipolaridade governativa, em que, por ausência de planeamento ou por opções ideológicas, se faz a mais ou a menos, fugindo-se, sempre, à medida justa.

Daniel Oliveira, advogado da Parque Escolar, contraria aqui os números apresentados por Nuno Crato, a propósito da auditoria da Inspecção Geral de Finanças. A ser verdade o que diz o primeiro, por tendencioso que seja, continuamos perante um derrapagem orçamental, o que é grave, e é igualmente grave que o Ministro da Educação se possa ter enganado tanto nos valores dessa derrapagem.

Os interessados em ler as conclusões da auditoria podem fazê-lo aqui.

Há um ano, voltou a fazer-se História na Praça da Batalha


Completa-se hoje um ano sobre o histórico 12 de Março da Geração à Rasca.
No Porto, se bem se lembram, o 12 de Março foi celebrado na Praça da Batalha, palco histórico de outras lutas e outros protagonistas. Ali, há 121 anos, no dia 31 de Janeiro de 1891, os revoltosos republicanos tentaram ocupar os Correios e o Telégrafo, que ali se encontravam, para informar o país da vitória da República. Barrados na actual rua 31 de Janeiro pelas tropas fiéis ao rei, foram dizimados. 120 anos depois, voltou a fazer-se história na Praça da Batalha.
Um ano depois, o que ficou dessa luta? Infelizmente, prefiro não responder.