Valise à Néoprène…

Esta maleta de neoprene enviara-ma agora, Nabais.

Declaração de repúdio pelas declarações de Pedro Passos Coelho

O Grupo de Protesto de Professores contratados e desempregados acaba de lançar a seguinte declaração de repúdio sobre as declarações últimas de Pedro Passos Coelho:

Caro/a amigo/a

 

“Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”.
Pedro Passos Coelho, 18.12.2011

 

O primeiro-ministro aconselhou os professores desempregados a emigrar. Somos cidadãs e cidadãos portugueses. Entre nós estão professores, alunos, encarregados de educação. E não só. Exigimos respeito.

Ao contrário do que afirma Passos Coelho, o despedimento de professores não é resultado da demografia. É uma opção política. A escola pública tem hoje um corpo docente aquém do necessário e turmas sobrelotadas. Os professores desempregados fazem falta ao sistema de ensino.

As declarações do primeiro-ministro demonstram que dias piores esperam a escola pública. Toda a demagogia vale para mascarar uma política irresponsável. Passos Coelho está disposto a desperdiçar todo o investimento feito, ao longo de anos, pela sociedade portuguesa na formação de professores.

Ridicularizando os tiques do poder autoritário, Bertold Brecht perguntou um dia: “Não seria mais fácil o governo dissolver o povo e eleger um outro?”. Hoje, a retórica da austeridade fala a sério: o governo quer expulsar os que considera a mais.

 

Os interessados em formalizar o repúdio daquilo que é repulsivo façam o favor de seguir esta ligação. Os que defendem o esvaziamento físico e intelectual do país não se incomodem.

Coelho, o agente de viagens, Relvas, o épico, e Amorim, o guia-intérprete

Vídeo encontrado aqui.

Passos Coelho aconselha os professores desempregados a emigrar. Miguel Relvas chama epicamente “missão universalista” à necessidade de emigrar decorrente da endémica incompetência governativa de cuja história também ele já faz parte. Carlos Abreu Amorim faz de conta que explica as palavras de Passos Coelho, limitando-se a dizer que foram mal percebidas, o que é do mais pedagógico que pode haver, para além de usar o velho truque – o que é sempre bom em políticos novos – de dizer que o importante é o conteúdo da cerimónia em que está a participar. [Read more…]

Vende-se a História

© automotora – o comboio a vapor da linha do Corgo (Régua-Vila Real) quando ainda tinha carris para percorrer os 25 km que uniam as duas cidades durienses. A linha foi encerrada “por razões de segurança” em 2009, aos 103 anos de vida. As obras de renovação da linha foram entretanto suspensas e todos os materiais foram já retirados.

Por MARIA DO CÉU MOTA

Acaba-se com feriados históricos e se se puder, também se vende o património histórico.
A CP tentou vender o comboio histórico estacionado na Régua. Foi a Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro Turísticos que boicotou essa tentativa. O comboio, ainda operacional (!), é composto por uma locomotiva a vapor de 1923, uma composição de 1908 e outra construída no Porto em 1913, só para mencionar algumas das suas componentes. É, segundo o vice-presidente daquela Federação, ” um acervo único em Portugal e raro na Europa que deve ser preservado”.
Não se percebe que se queira fazer determinadas candidaturas à Unesco quando não se tem carinho por tudo o que diz respeito à nossa História.
É lamentável que seja uma entidade estrangeira a boicotar a tentativa de venda de património português!
Este caso fez-me lembrar o caso do nosso comboio real do final séc. XIX que transportou a rainha D. Maria II, D. Carlos e o rei D. Luis e que esteve em exposição na Holanda em Abril de 2010. Um êxito! Não pensem em vendê-lo!!
Deixo este alerta…

Hoje dá na net: O Sonho Americano

Um filme educativo e divertido sobre o império dos banqueiros internacionais. Escrito e dirigido por Tad Lumpkin e Harold Uhl. Veja o esta animação cinematográfica completa clicando aqui. Legendado em português.

Que merda de país é este?

A almofada da desculpa é o ‘memorando da troika’, negociado e firmado pelo governo de Sócrates e ainda ratificado – e zelosamente excedido – pelo duo PSD+CDS, detentores do poder que nos (des)governa.

Almofada, do ponto de vista etimológico, é uma palavra de origem árabe. Nós, portugueses, e fiéis às origens do ‘al-gharb’, conservámos o vocábulo. Usamos a definição linguística e naturalmente do objecto de repouso sobre o qual descansamos e dormimos. Com menor ou menor comodidade. Tudo depende do recheio. Suma-a-uma, espuma ou outros materiais sintéticos que nos amparam ou massacram o atlas, sim o atlas, ligado ao osso hioide – fonte de inspiração, quem sabe, do conhecido “Hirudoid’.

Todavia, passou a haver outro conceito aplicado a almofada; o conceito político-financeiro, ora usado por Seguro – há almofada – ora recusado por Passos e Coelho – não há almofada.

Mais do que a oposição reclama, o importante é que o governo diz:

Não há folgas, nem almofadas

para acomodar, deduzo eu e milhões de outros cidadãos, a anulação do corte, mesmo parcial, dos subsídios de Natal e de férias nos rendimentos de funcionários e reformados da função pública, bem como de pensionistas privados em 2012 e 2013.

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Sodadi bô Cize!

Quem era Cesária Évora? Quem vai ao Google ou ao wikipedia ganha logo uma colectânea de informações básicas sobre a  “Diva dos pés descalços” em textinhos com ar de retalho…mas fica definitivamente sem saber quem é Cesária Évora.

Para se saber quem é Cesária Évora teremos de ter ouvido pelo menos uma vez na vida a Morna Mar Azul e sentir aquele arrepio triste na espinha, para se saber quem é Cesária Évora tem-se de ter tido pelo menos uma vez na vida a vontade de abrir um mapa ou o Google e pesquisar duas palavras: “Cabo Verde”. Para se saber quem é Cesária Évora é obrigatório ter-se andado, pelo menos mentalmente, pelas ruas da cidade do Mindelo e sentir-se em casa. Para se conhecer Cesária Évora é fundamental entender a filosofia atrás da palavra simplicidade, a matemática da expressão ALMA, a secreta química cerebral que qualquer cabo-verdiano sente ao cantar/escutar a morna Sodade. Para se gostar de Cesária não é preciso nem se ser cabo-verdiano nem entender crioulo. Cesária resume a palavra tempo e estende até ao limite do infinito a dimensão irónica de dez pequenas ilhas no atlântico. Hoje muitos pedem que o seu nome seja dado ao aeroporto internacional da ilha de S. Vicente. Para mim isso seria o serviço mínimo, pois o nome: “Cabo Verde”, já há muito tempo foi traduzido para: “Cesária Évora”. Há quem nunca tenha vindo a Cabo Verde, mas já esteve na terra da Cesária Évora. O que farão as memórias por nós, o que significam os teus pés descalços? Se calhar que os nossos reinos são imaginários e somos todos meros reizinhos patéticos andando nus pela Disneylândia. Ou nada. Podem não significar absolutamente nada…se calhar apenas que sabias sentir a terra por debaixo dos teus pés.

Cada um sente a dor que mais lhe dói e este país a que eu pertenço, esta geração que não conhece Cabo Verde sem Cesária Évora, hoje sente a dor que mais lhe dói. Seu legado serve-nos ao menos para desmascarar uma mentira: os grandes nunca partem, só morre quem nada partilhou com o mundo.

O estradismo: uma crónica sobre as últimas três décadas de asfalto.

Na foto um dos efeitos do estradismo: a proliferação de lixo. Estrada municipal em Cinfães.
Nos últimos 30 anos (e mesmo durante a longa noite do Estado Novo) os senhores governantes do concelho de onde sou natural debitaram um extenso relambório eleitoralista cujo tópico principal era a estrada. Segundo eles, eram necessárias estradas. Estradas em todos os sentidos, a ligar todos os pontos: A a B, B a C, BB a CC, etc etc. Com a chegada dos fundos comunitários construiu-se, então, um número ilimitado de estradas, estradinhas e estradões para todo o lado, mesmo antes de existir uma rede de saneamento, da própria electricidade e de água potável para todos. Onde havia uma casa, podia o seu proprietário contar com uma estrada à porta, apesar de não ter esgotos nem água canalizada. Entre asfalto e paralelípedos de granito, o investimento em vias suplantou o da educação, da cultura e do apoio ao comércio e à indústria locais. A grande justificação era a de que as estradas trariam progresso, aproximavam pessoas, tornavam as distâncias longas em percurso reduzidos e, portanto, geravam progresso. Tempo é dinheiro e, como tal, as estradas iriam supostamente constituir autênticas caixas multibanco do interior. Ao mesmo tempo que as câmaras municipais e os seus feudos distribuíam empreitadas a construtores “da sua confiança”, o Estado central gizava auto estradas para transformar Portugal num reticulado de asfalto e cimento. Foi o “estradismo”. [Read more…]

Não faças ondas

HDR de Hugo Colares Pinto

Braga 2012 CEJ:

Em apenas 72 horas, um grupo de jovens foi para as ruas de Braga. Aqui fica o resultado:

Com os meus sentidos pêsames à família enlutada

E falando de Kim Jong-il não esquecer esse eterno memorial onde se registou o homem olhando as coisas.

 

 

Sobre aquilo que começou com Vasco da Gama e acabou faz agora 50 anos

Contêm partes eventualmente chocantes e uma das razões porque ao passar na Ponte Vasco da Gama tenho vergonha de ser português.

Então [Vasco da Gama] mandou aos batéis que fossem roubar os pageres que eram dezasseis e as duas naus, em que todos acharam arroz e muitas jarras de manteiga e muitos fardos de roupa. Então tudo isto recolheram aos navios e a gente toda das naus grandes, e mandou que recolhessem o arros que quisessem, que tomaram quatro pageres, que vazaram, que não quiseram mais. Então o capitão-mor mandou a toda a gente cortar as mãos e orelhas e narizes e tudo isto meter em um pager, em o qual mandou meter o frade [o brâmane que, ao chegar a frota a Calecute, entrou a bordo] também sem orelhas, nem nariz, nem mãos, que lhas mandou atar ao pescoço com uma ola para ele-rei, em que lhe dizia que mandasse fazer caril do que lhe levava o seu frade.

E a todos os negros assim justiçados mandou atar os pés, porque não tinham mãos para se desatarem, e porque se não desatassem com os dentes com paus lhes mandou dar neles que nas bocas lhos meteram por dentro, e foram assim carregados uns sobre os outros, embrulhados no sangue que deles corria, e mandou sobre eles deitar esteiras e ola seca e lhes mandou dar as velas para terra com o fogo posto, que eram mais de 800 mouros, e o pager do frade com todas as mãos e orelhas também à vela para terra sem fogo, com que foram logo ter a terra, onde acudiu muita gente a apagar o fogo e tirar os que acharam vivos, com que fizeram seus grandes prantos.

Gaspar Correia, Lendas da Índia

A nossa decadência nestas partes é inteiramente devida ao facto de tratarmos os nativos como se fossem escravos e pior do que se fôssemos mouros

António de Melo e Castro, Vice-Rei da Índia, 1664

Retirado da compilação Ministros da Noite, Livro Negro da Expansão Portuguesa, de Ana Barradas, Antígona, 1991

O Sonho

 

 

 

adão cruz

 

O sonho

O sonho

acesso do silêncio ao dilatado vento da palavra o direito da sombra na luz de todas as cores.

O sonho

doce caminho dos lábios perfumados de alheias maçãs a voz que há-de voar quando se calarem as asas.

O sonho

canção intemporal que dá razão à loucura a sede de todas as fontes a água de toda a secura.

O sonho

vento leve e sensual tocado de algas e maresia adormecido o pensamento na doce cama da fantasia.

O sonho

uma flor a sorrir no outro lado do rio onde as quebras do silêncio dão voz ao melro vadio.

O sonho

os barcos que chegam tarde carregados de vinho amargo a esperança de todo o tempo sem outro tempo de esperar.

O sonho

mar derramado na areia fina beijando o corpo feito casa a paz da tarde adormecida sem corpo para morar.

O sonho

mão apertada ao escudo da liberdade ameaçada o sonho tempo perdido tempo de sonho e de nada.

O sonho

flor de orvalho colhida no seio efémero da madrugada o silêncio da canção perdida no beijo da noite atraiçoada.

Americanos retiram do Iraque, sem honra nem glória

Claro que na guerra nunca há honra ou glória é, afinal de contas, um negócio porco.

Soldados Americanos violam uma iraquiana de 14 anos - identificada como jovem mulher nos relatórios oficiais - clique na foto para ler a história dela e outras, em inglês

A guerra no Iraque foi um negócio especialmente porco porque se tratou de uma guerra de agressão. Guerra que o agressor nem teve coragem de declarar. Nos julgamentos de Nuremberg, as guerras de agressão, foram consideradas o crime internacional supremo.

 
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Não conheço a Esotérica de lado nenhum

O que é interessante é que estas autarquias estão todas no mesmo servidor, alojadas pela empresa Esotérica e o site foi criado sempre pela mesma pessoa: Fábio Poli.
Chega a ser mais bizarro que alguns sites se tornam autênticas cópias e até os títulos saem “alterados”, como este exemplo mostra:

Se conhecesse só teria a dizer bem do serviço prestado.

Hoje dá na net: O Poder dos Pesadelos

O Poder dos Pesadelos – a ascensão da política do medo, excelente mini-série da BBC onde se retrata o percurso de dois movimentos que têm muitas similaridades: os neo-conservadores nos Estados Unidos e os fundamentalistas islâmicos. Este é um documentário essencial para compreender a política internacional da primeira década do século que está prestes a terminar. Página IMDB. Depois do corte pode encontrar os links para os três episódios, legendados em português.

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Mensagem de Boas Festas


Prefiro, de longe, a versão de 2010.

Vai tu que se faz tarde

Ainda bem que não somos a Grécia

Parece que os Gregos aldrabaram as contas públicas. Nós não. Nos últimos 10 anos apenas pegámos em quatro fundos de pensões e usámos esse dinheiro para compor o défice.

  • Ferreira Leite, 2003: fundo de pensões dos CTT
  • Bagão Félix, 2004: fundo de pensões da CGD
  • Teixeira dos Santos, 2008: fundo de pensões da PT
  • Vítor Gaspar, 2011: fundo de pensões de quatro principais bancos nacionais

Só uma dúvida. Quando as pessoas destas empresas se reformarem, adivinhem de onde é que vai sair o dinheiro destas reformas…. da Segurança Social, claro. Cheira-me que alguém vai ter uma surpresita.

Combate aos Blogues

Uma coisa chamada “Combate de Blogs” que passa num canal de televisão qualquer publica isto no seu blogue alojado numa das mais chungas plataformas disponíveis em Portugal:

Estão escolhidos os melhores blogs 2011. Agora, abre-se a votação online para atribuir os prémios Combate de Blogs.

Este ano introduzimos algumas alterações, desde logo nas categorias, mas também no método. Os melhores nas categorias «Blog de Esquerda», «Blog de Direita», «Blog Colectivo», «Blog Individual» e «Blog revelação» surgem em resultado da votação de um juri alargado. Cada um dos elementos deste juri fez as suas escolhas e os mais nomeados surgem nesta lista final.

O juri foi composto por Filipe Caetano, Nuno Ramos de Almeida, Tomás Vasques, Duarte Lino, Rodrigo Moita de Deus, João Távora, Rui Bebiano, Samuel Paiva Pires, José Manuel Fernandes, André Abrantes Amaral, Miguel Cardina, Ana Matos Pires, Nuno Teles, Pedro Pita Barros, Ricardo Alves, Mariana Mortágua, Pedro Lains, Marta Rebelo, Paulo Coimbra e João Gonçalves.

Já o ano passado tinham feito uma brincadeira em forma de assim, mas este ano não ficam sem resposta. [Read more…]

Não me parece bem

Isto quer dizer exactamente o quê? Não seria mais avisado aumentar o nível de exigência, reprovar os prevaricadores por falta de assiduidade ou aproveitamento? E terminar com a gratuidade de quem não quer de facto aprender.

 

Como chegamos aqui? Mais pontos a considerar

O que sobra - Sorrisos de Vacas

O Jorge escreveu um excelente post sobre a forma como a dívida contraída pelos governos consumiu os recursos do país não nos deixando recursos que permitissem o desenvolvimento real e sustentado.

Quero aqui acrescentar o seguinte: temos tendência em culpar de todos os males o nosso endividamento (público e também privado, este último de muito maiores proporções). Mas convém não esquecer as outras asneiras enormes que os vários governos fizeram.

Por exemplo, o processo de privatizações foi de uma forma geral mal conduzido, dando preferência à “devolução” aos antigos grupos económicos dos activos que entretanto tinham perdido, em vez de se usarem as regras de mercado para o efeito. Havia na altura a sensação de que as indemnizações dadas a quando das nacionalizações não teriam sido justas face ao valor dos activos. Assim estabeleceram-se muitas negociações entre o governo e os antigos grupos económicos tendo em vista estes últimos voltarem a tomar posse das empresas.
 
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‘Musseque’, ‘Favela’ ou ‘Tabanca’

Não resisto à tentação de abordar o tema, a que o João José Cardoso se referiu, e bem, anteriormente. Há tempos, este Mestre, Secretário de Estado da Juventude, proclamou:

Os jovens portugueses que não encontrem colocação no mercado trabalho não se devem acomodar à situação, ‘zona de conforto’, EMIGREM!

Pensava eu, e naturalmente muitos dos portugueses, ter-se tratado de uma declaração política individual, infeliz, desfocada dos fundamentos e orientação política do governo de Passos Coelho e de Paulo Portas. Afinal eu e os outros, todos alinhados pela ideia de ser disparate de um ‘deus menor’, equivocámo-nos.

Com efeito, trata-se de um objectivo programático perene do governo, antes proclamado em relação a jovens ex-estudantes, agora reafirmado por Passos Coelho relativamente a 15 mil professores desempregados:

[Aconselharia] “os professores excedentários que temos a abandonar a sua zona de conforto e a procurarem emprego noutro sítio. Em Angola e não só. O Brasil…” Jornal “i”

Na lógica da reciprocidade da convivência democrática, entre governantes e governados, e uma vez tão saturado deste como do anterior – os meus votos não favoreceram nem um e nem outro – como cidadão posso também propor ao Senhor Primeiro-Ministro que emigre, com três destinos opcionais: um musseque luandense, uma favela do Rio ou uma tabanca entre Bissau e o Chacheu.

Publico imagens de um musseque, para ilustrar uma das ‘zonas de conforto’ de acolhimento possíveis e merecidas por quem diz lutar pelo melhor para os outros:

Um olhar genuino

Os CTT distribuíram 6000 máquinas descartáveis entre todos os carteiros efectivos da empresa para que estes registassem o seu dia a dia e, assim, mostrassem o Portugal real.O resultado é interessantíssimo e poderá ser visto em exposições por todo o país e também em livro.
Das poucas fotos que vi , pode pensar-se que os seus autores mais parecem fotógrafos profissionais e não amadores: o seu olhar é sensível e até artístico! Mas, sobretudo, muito humano. Sempre pensei no carteiro como alguém que tem uma profissão muito especial  ( talvez influenciada pelo carteiro de Pablo Neruda…) .
Os carteiros com a sua máquina descartável captaram “um Portugal mais rural e mais envelhecido do que imaginávamos ser. A pobreza e a solidão estão lá, mas estão também o humor, a capacidade crítica e o orgulho num trabalho que tenta se reinventar para poder continuar a existir”.
O seu dia a dia não lhes passa despercebido e é tudo menos banal e feio: o bacalhau madeirense a secar ao sol; um barbeiro que é também o bibliotecário e contador de histórias; as lavadeiras na ribeira como se fosse há cem anos; os edifícios antigos com as paredes rasgadas a negro; as misturas surrealistas de alguns jardins; o maior amigo do homem (arqui-inimigo do carteiro); as dificuldades de alguns, dado adquirido de outros; o velhinho que espera a reforma; as caixas de correio improvisadas; o carteiro que já é um “filho”; etc.
Um olhar tão simples, verdadeiro e genuíno. Tão português! Fazem-nos falta estes olhares…sobre a vida e o nosso país. Uma bela iniciativa dos CTT que poderá servir de exemplo… a cada um de nós: olhar com atenção à nossa volta e concluir que, ainda assim, há muita beleza em cada canto por onde passamos distraídos e sem tempo.
Valerá a pena conhecer as duas centenas de fotografias escolhidas! Parabéns aos carteiros-fotógrafos!
Céu Mota

Uma cantiga para Pedro Passos Coelho

Questionado sobre se aconselharia os “professores excedentários que temos” a “abandonarem a sua zona de conforto e a “procurarem emprego noutro sítio”, Passos Coelho respondeu: “Em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário”, disse durante uma entrevista com o Correio da Manhã, que foi publicada hoje. In Público

E para o “jornalista” que faz perguntas com “zona de conforto” e “professores excedentários” no meio. Há gente excedentária, há sim senhor, na política e nos jornais, sois dois exemplos. Para vocês vai esta, com dedicatória:

Sobre a Auditoria Cidadã à Dívida pública portuguesa

«No caso de Portugal, o principal problema não era a dívida pública. Ainda que desde 2000 se tenha vindo a observar o aumento do rácio da dívida pública no PIB, até 2005 este rácio esteve sempre abaixo de 60%, o mínimo requerido pelos critérios de Maastricht, estando o seu crescimento relativamente contido até 2008.» [citado do Projecto de Resolução da Convenção da Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública; destaque meu]

Dívida em percentagem do PIBEsta iniciativa propõe-se fazer um trabalho sério sobre a dívida pública portuguesa mas começa logo, no seu manifesto inicial, com imprecisões que me levam a questionar se o trabalho final será de igual (baixo) rigor. A citação supra, para ser exacta, deveria dizer que, de 2000 a 2008 o crescimento da dívida pública foi linear e que, se a crise internacional não nos tivesse batido à porta, seria uma questão de tempo (mais 7 anos) até atingirmos o mesmo valor que se registou em 2010 (caso a tendência se mantivesse, claro).

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Hoje dá na net: Inside Job – A Verdade da Crise

“Inside Job – A Verdade da Crise”  expõe a verdade acerca da crise económica de 2008. Esta catástrofe, que custou mais de $20 triliões, fez com que milhões de pessoas tenham perdido as suas casas e empregos. Através de uma pesquisa extensiva e entrevistas com economistas, políticos e jornalistas, o filme mostra-nos as relações corruptas existentes entre as várias partes da sociedade. Oscar para o melhor documentário 2011.

Os Carteiros São a Alma de Portugal

© Maria Amália Cidália Marques

Os Carteiros – que perifrasticamente a burocracia chama de “agentes de distribuição postal” – são os portugueses que melhor conhecem Portugal. Mais do que qualquer sociólogo ou turista acidental, muito mais do que qualquer político em campanha eleitoral. Os carteiros portugueses percorrem a pé, de bicicleta, de mota, de metro* ou de carro todos as avenidas, ruas, vielas, estradas, ladeiras e caminhos de Portugal, 260 dias por ano. Em todos esses muitos dias, os carteiros portugueses vão à procura e ao encontro de milhões de portugueses. Os carteiros estão em toda a parte, os carteiros são nossos amigos. Os portugueses confiam mais nos carteiros que nos advogados e nos juízes. 

Os Correios de Portugal organizaram um concurso de fotografia para carteiros. Chegaram (no correio?) de todo o país fotografias de todo o país. As mais bonitas estão em exibição em Lisboa. Espero que a exposição seja levada aos outros portugueses. Ficou claro que Portugal não é só Lisboa.

* noutros tempos, os carteiros viajavam de “ambulância“.

A Biblioteca Joanina é a mais bela do mundo

A Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra foi distinguida com o primeiro lugar no ranking da Flavorwire, das 25 mais belas bibliotecas universitárias do mundo.

via UCV

Como chegámos aqui?

Desde que Cavaco abriu a torneira do crédito fácil que passaram a ele recorrer, de forma abundante, tanto os particulares como  empresas, instituições e governos. E porque houve recurso ao crédito para crescer? Naturalmente porque não há crescimento infinito e porque a produção de riqueza no ocidente baixou de facto graças à globalização.

Todos se queixam da bofetada que agora estão a levar mas o facto é que poucos, que até levaram com a alcunha de velhos do restelo, se indignaram com o facto do Estado, durante três décadas, ter sustentado a economia à conta de obras públicas.

Encargos dos Estado com as concessões SCUT

Vale o que vale, e vale pouco, mas o meu primeiro post no Aventar foi precisamente sobre as SCUT e sobre os seus encargos financeiros. E no Fliscorno já  há que tempos andava nesse assunto. E o Tribunal de contas já em 2003 tinha alertado para o caos financeiro que as SCUT trariam. Só não viu quem não quis. E os eleitores não quiseram ver. Queixam-se de quê? Aguentem-se, que o livre arbítrio tem destas coisas.

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