… ups, isso já ele fez.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
… ups, isso já ele fez.
Manuel António Pina, que por acaso é um dos maiores portugueses vivos, acusou o Bastonário da Ordem dos Advogados , na sua habitual coluna de opinião do JN, de ter sede de protagonismo, ainda a propósito da «greve» às eleições de 5 de Junho.
Marinho e Pinto, respondendo ao nível a que nos habituou, chamou-lhe cretino (8 vezes), medíocre, megalómano, desonesto, canino (mais as variantes caniche e mastim), ocioso, parolo, frustrado, desesperado, senil, rancoroso, complexado e cobarde. Termina por dizer que ele precisa é de uma boa dose de iodo, recorrendo a um trocadilho especialmente inspirado: «Vá para uma boa praia e… ioda-se!». Calcula-se que o imperativo do verbo ioder.
Com a sua habitual fleuma, Manuel António Pina lá teve de responder à caricata personagem que «tenho um princípio de sobrevivência na estrada que consiste em dar sempre prioridade a um camião destravado (ainda por cima, este vê-se bem que faltou a alguma inspecção). Meto, pois, travões e ele que passe. É certo que, na sua fúria em contramão, o camionista atropelou repetidamente, provocando-lhe traumatismos vários, a pobre gramática da língua portuguesa. Mas gramática e ele que se entendam. Eu não me queixo. Podia ser pior, sei lá se o homem tem tomado a medicação.»
Li algures que Marinho e Pinto desta vez ultrapassou todos os limites. Não, não concordo. O decoro e a educação de Marinho e Pinto não conhecem limites. Digo eu, que sou um cretino…
Mas como a crónica de Marinho Pinto no JN, «Um cretino é um cretino», é absolutamente imperdível, aqui fica na sua totalidade:
«Comecemos por onde estas coisas devem começar: o escriba que diariamente bolça sentenças nesta página e que dá pelo nome de Manuel António Pina é um refinado cretino. Posto isto, assim, que é a forma honesta de pôr este tipo de coisas, nada mais haveria a dizer. Citando um treinador de futebol dado a elucubrações epistemológicas, «um vintém é um vintém e um cretino é um cretino». E… Pronto! Estaria tudo dito. Além disso, só se MAP não fosse tão cretino é que valeria a pena mostrar-lhe por que é que ele é tão cretino.
Não costumo responder a cretinos. Mas, correndo o risco de este, como todos os outros, se tornar ainda mais agressivo, vou abrir uma excepção e descer ao seu terreno para lhe responder com as mesmas armas que ele tem usado contra mim, até porque este é um cretino especial, do tipo intelectual de esquerda. [Read more…]
Será do clima, da água ou de alguma coisa que por cá se põe na sopa, mas os símbolos da pontualidade e da eficiência adquiriram rapidamente características de nativos, tal e qual os emigrantes portugueses no Luxemburgo.
Então não é que a troika anda atrasada e desentendida, desconversando da raiz à ponta dos cabelos, sem acordo interno -entre si mesmos- que possibilite o tal acordo externo? Ora, para ficarem assim, bem podiam ter permanecido em casa, isso fazemos nós melhor do que eles sem a ajuda de ninguém. Em matéria de atrasos, desacordos e desconversas nós somos os mestres e os rapazinhos estagiários.
Não tarda vêmo-los aterrar na Portela com fatos de astronauta, a beber Perrier e com rações de comida liofilizada nas pastas de executivo. Ou, então, começamos a exportar clima, água e sopa para todos, da Grécia à Finlândia. Uma europa ao nosso ritmo é melhor do que uma a várias velocidades e sempre diminuímos, por essa via, o raio da dívida externa.
Não João Miranda, desconhecia a história do cavalo inglês. Obrigado.
Em troca da gentileza tenho a história do burro (do) espanhol: o animal a quem o dono deixou de dar de comer para que aprendesse a não ter fome. Foi emagrecendo, emagrecendo, até que se finou. Tal e qual o estado que não cobrou impostos com medo que os grandes contribuintes fossem a trote para a Suiça.
São parecidas? São. Mas o burro tinha sido criado não com palha, mas com pão-de-ló.
Claro que as boas parábolas dão para os dois lados, tal como os bissexuais. Albarde-se pois a parábola o burro à vontade do dono…

A Viúva Alegre, de Franz Léhar
Narra a ópera A Viúva-alegre, a história de uma mulher que, para não sentir pena pelas tristezas da vida, se diverte: pinta-se, as suas roupas são coloridas, ama sem parar nem dar por isso ou propositadamente. Como as suas roupas, os seus amores são de sentimentos trepidantes e usa a artimanha do barulho para chamar a atenção. Conforme a sociedade manda devia estar vestida de preto, a cor do martírio do luto, a quem falece um marido amado. A ópera tem um autor, Franz Lehár (Komárno, 30 de Abril de 1870 — Bad Ischl, 24 de Outubro de 1948) foi um compositor austríaco de ascendência húngara, conhecido principalmente por suas operetas. Ele foi um dos maiores compositores da Áustria.
O João Miranda acha que os bens móveis, se forem taxados, fogem para a Suiça. Quando se fala em cobrar ao capital, puxam logo da Suiça. Assim de repente:
“Uma tristeza”. Foi assim que Bagão Félix qualificou a proposta do PS de divulgação dos rendimentos brutos dos contribuintes na internet, alertando ainda para o “sério risco da fuga de capitais”. 3. 02.10
ou mais ameaçador:
Uma intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do fundo de estabilização europeu em Portugal iria provocar a fuga de capitais para o exterior, alertou ontem Ricardo Salgado. 01.02.11
Donde ainda haver bens mobiliários em Portugal é um fenómeno surpreendente: pelas ameaças costumeiras, os ditos já deviam ter fugido todos. Ou então no meio disto tudo temos um banqueiro lúcido, e um já é fenómeno:
O presidente do Banco BPI garante que a tributação das mais-valias bolsistas não irá levar à fuga de investidores. “Não é a tributação das mais-valias a 20% que vai afastar investidores do mercado de capitais. O que pode afastar investidores é termos um défice da balança de transacções correntes de 10%, é termos a dívida pública e a dívida externa nos valores que temos”, frisou Fernando Ulrich. “Se os investidores acreditarem que podem ganhar não é por pagarem 20% que vão deixar de investir“, acrescentou. 24.04.10
40 minutos nem dá um episódio do 24 Horas. No 24 Horas não espreitavam assim, da porta, mas tirando isso está parecido. É uma excelente foto do fotógrafo oficial da Casa Branca, com um Obama pequenino mas iluminado ao fundo, a mãozinha na boca da secretária de estado a dar o toquezinho de ansiedade, uma moldura de homens de braços cruzados, e ficamos a querer ver o que eles estavam a ver.
Estamos todos à espera da estreia. A execução de Bin Laden. Sem o Jack Bauer, suponho. Num Youtube perto de si.
Ir ao concerto do Toni Carreira é melhor que ir à missa.
Louçã apresentou o que ele afirma ser uma solução para os problemas do país. Sendo economista, os erros grosseiros não poderão ter sido desconhecimento, logo terá sido demagogia. Surpresa! E de que erros falo?
Claro que estes argumentos não resultam tão bem na campanha como dizer “nós vamos fazer os ricos pagarem impostos”, mas não se pode ter tudo, pois não?
A ideia de que a Comunicação Social existe para salvaguardar a Liberdade, para defender os Direitos Humanos, cai por terra quando se percebe a dimensão do logro da manipulação da imagem sobre a morte de Bin Laden. A Comunicação Social existe para isso mesmo, para manipular, para especular, para enganar. E por detrás de uns tontinhos que saem das escolas de jornalismo a pensar que vão salvar o mundo pela notícia, está o bonecreiro que idealiza um outro mundo, mais de acordo com as suas regras e com as regras de um ou outro grupo de homens bastante mais inteligentes do que os aprendizes de frases feitas. De resto, o dito jornalismo “independente” é tão ou mais independente consoante sobem ou descem as audiências.
Francisco Louçã “defendeu a aplicação de uma taxa mínima de 0,7 por cento – igual ao IMI – sobre toda a acumulação de valores acima de 100 mil euros, 1,5 por cento para valores de mais de 1 milhão de euros e entre 1,5 e 2,5 por cento para o património acima dos 2 milhões como forma de financiar programas de criação de emprego.”
Falamos de uma receita para o estado calculada em 600 milhões de euros.
Diogo Leite de Campos reagiu de imediato:
– 100 000 euros em acções? mas isso são as poupanças de um pobre na miséria!
Nota para analfabetos: bens mobiliários são aqueles que podem ser mexidos de um lado para o outro: acções, depósitos, etc. Os imobiliários é que são tipo casas: essas manteriam o mesmo IMI que já pagam.
As bolsas de todo o mundo subiram – a de Lisboa parece ter batido recordes – e o preço do petróleo baixou graças à morte de Bin Laden. O clima é de festa. Pergunta-se: mudou alguma coisa? Superámos a crise? O planeta está melhor e mais seguro? O terrorismo acabou?
Não é por morrer um idiota que acaba a idiotice. Felizmente também não é por isso que se vai embora a primavera.
Preferível, seria a captura do meliante. Abateram-no, dizem eles. Paciência.
Após dez anos às voltas em tudo o que era montanha, rio, planície ou casinhotos, parece que um restrito grupo de forças especiais liquidaram Bin Laden. Grande gritaria nos media e um Obama – em queda de popularidade – surge de imediato e justamente aproveita e vangloria-se do acto.
Precisamos de ver para crer. Apareceu uma foto provavelmente “fotoshopada” e além da apressada declaração do atirar da carcaça ao mar, nem uma imagem que comprove o anunciado. Este tipo de circunspecção e avareza na informação, fará as delícias dos malucos das teorias da conspiração. Se uns disserem que Osama já morreu há muitos anos, outros garantirão que tudo isto não passará de uma encenação com claros fitos eleitoralistas.
Após o 11 de Setembro, o derrube dos taliban e o ataque ao Iraque, queremos ver o corpo do delito. Sim, queremos ver um video fidedigno, claro e que sem hipótese de hesitações, ateste a veracidade da notícia.
É o mínimo.
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«Vários canais de televisão do Paquistão retiraram do ar imagens do suposto corpo de Osama Bin Laden, após a divulgação de que a foto era falsa. “Era uma imagem falsa, ela já havia circulado na internet em 2009 (?)”, afirmou Rana Jawad, diretor do canal Geo TV de Islamabad.» (fontes: O Dia e Mirror)
O Público acrescenta que «segundo o responsável de fotografia da AFP, a montagem usa a parte de baixo da fotografia antiga de Bin Laden, de 1998. O Guardian mostra a segunda foto usada na montagem, que circulava já há dois anos na Internet, sendo usada por pessoas que acreditam em teorias da conspiração para alegar que o líder da Al-Qaeda estava já morto.»
O El Mundo mostra uma possível foto montagem usando essas duas fotos. Se até aqui já havia conspirações q.b. quanto a Bin Laden e os atentados às Torres Gémeas, depois desta manipulação, logo repetida pela CNN e demais estações americanas, mais questões terão os festivos americanos a explicar..
Depois de procurarem Bin Laden em grutas e em tendas, em montanhas e desertos, os americanos foram dar com ele não tão escondido quanto isso, num complexo residencial de luxo. As autoridades paquistanesas, se pressionadas, vão ter alguma dificuldade em explicar tanto desconhecimento.
Já as americanas, naturalmente pressionadas, terão também coisas a explicar, nomeadamente a pressa com que se libertaram do cadáver. Compreende-se que o corpo de Bin Laden pudesse criar tantos engulhos morto como criou vivo, aumentando a sua aura de mártir, motivando peregrinações de apoio e de repúdio, confrontos e eventual aumento de intolerância racial e religiosa, sendo o mar o melhor guardador para tão grande e incómodo segredo. No entanto, àparte questões que têm a ver com o tratamento do corpo por parte da religião islâmica, tão breve tempo de exposição poderá sempre fazer com que subsistam dúvidas sobre a verdadeira morte de Bin Laden e dar origem às teorias de conspiração mais disparatadas. [Read more…]

...para Maria da Graça….
Agradeço aos meus colegas de Aventar, terem-se lembrado de ser hoje o dia do trabalhador e editado um texto meu, escrito às 6 da manhã, com alterações, por ser a sua base um texto antigo.
Não sei a sorte deste ensaio. Lembro, no entanto, de ter feito queixa e arguido, num outro ensaio, esse juntar o Dia do Trabalhador com o Dia da Mãe. A minha arguição é que a mãe é também uma mulher trabalhadora. Trabalhadora em dois sentidos: para ganhar a vida pata o lar, com ou sem marido, casada, solteira ou amancebada, como a lei classifica, mas mãe por parir crianças denominados filhos, amamentá-los, limpá-los, tratar dos seus estudos, ou, simplesmente, ensinar o que falta aprender, em casa. É o trabalho rotineiro de uma mulher, com ou sem ajuda de membros da família pai, avó, irmã, crianças filhas já crescidas ou amigos especiais. [Read more…]
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Este vídeo cá da casa tem tido algum sucesso: 78º mais comentado, na sua categoria, na semana passada (contas do Youtube).
Desses comentários destaco este, de resto o mais votado, assinado por d3kay:
Houve alguém que disse que bom era este gajo levar 10000 chapadas por mês. Mas se levarmos em conta que sobre estas 10000 chapadas incidem 42% isto significa que este gajo fica reduzido a 5800 chapadas. Será que se pode dizer que 5800 chapadas por mês, em casa, de roupa lavada, com comida, por instrução dos filhos, e isso tudo, é muito? Largar 5800 chapadas por mês, em qualquer país europeu é de classe média baixa, será que são estes os costumes portugueses? Isto… não chega sequer pró kim sung.
E já agora, quem quiser ver a reportagem completa da SIC de onde foi retirado este tesourinho, pode fazê-lo aqui. Ainda há mais momentos épicos, como uma lição de fuga aos impostos, na condição de advogado, que vos deixo: [Read more…]
Barak Obama anunciou a morte de Bin Laden algures no Paquistão, perto de Islamabad, quase dez anos após os ataques às Torres Gémeas. Algumas guerras depois, um número incontável de mortos e de recursos gastos, extremados muitos fundamentalismos religiosos, Obama exibe finalmente a cabeça de Osama. O anúncio foi festejado em Washington e Nova Iorque por milhares de pessoas, mostrando que Bin Laden era uma espinha atravessada na garganta dos americanos.
Durante anos discutiu-se se Bin Laden estaria escondido nas montanhas do afeganistão ou, pelo contrário, em ambiente urbano, em pleno Paquistão, perto de Islamabad. Pelos vistos estavam certos os segundos. Será este o golpe de misericórdia na Al-Quaeda? Só o tempo o dirá.

Bem sei que este é um dos dias da semana denominada Santa. Bem sei que são dias pensados como para meditar. Como bem sei também que se comemora a morte de um ser humano, definido pelos livros sagrados de várias confissões cristãs, como o Redentor do mundo. Porém, uma pessoa que entregara o seu corpo e vida pelos pecados do mundo.
Tenho definido o conceito pecado em vários livros e textos, dizendo que é faltar o respeito, o carinho, a simpatia e fazer mal a outras pessoas. Quem queira saber, pode procurar nos ensaios que tenho escrito neste blogue e nos livros da minha autoria, especialmente Portugal e Europa, ASA, Porto, 1991; ou 1991, 1ª edição, Escher, 2001 2ª edição, Fim de Século: A religião como teoria da reprodução social. Apenas lembro
Eis o grande trunfo eleitoral de Obama. Entretanto, no seu retiro texano, entre uma costeleta e uma cerveja, Bush deve estar com uma depressão e Sarah Palin, ainda barricada à espera de um ataque de dinossauros, sente a sua virilidade posta em causa.
Bin Laden, um dos muitos monstros criados pelos EUA, mordeu o criador, matando, pelo caminho, uma quantidade enorme de inocentes. Deixa tantas saudades como Pinochet (o do outro 11 de Setembro) ou como Bush ou como Saddam. Se os americanos fossem menos cowboys, poderiam aproveitar o momento para festejar menos e pensar mais.
Estação de Mogadouro, anos 40 (?), a cerca de sete km da vila. De quem nunca aqui veio não se pode dizer que conheça Portugal…
Confesso o meu cansaço dos partidos políticos. Não é nada pessoal, com este ou aquele dirigente, nem em particular com este ou aquele partido político. O meu cansaço é em relação a todos, sem excepção, face ao modo como, decididamente, a democracia e a propalada cidadania são meros refugos do poder efectivo destas organizações.
Cansa-me, particularmente, esta convergência dos partidos políticos em nos fazerem de parvos nestes jogos em que são autênticas criancinhas mimadas em que fazem perrices, choram e ficam amuadas, sempre de dedo em riste umas contra as outras, quando as suas brincadeiras de recreio não correm como querem.
Lá vêm elas, depois ter connosco, de lágrimas a correr pela cara, a fazer queixinhas, a choramingar para que as outras fiquem de castigo.
O problema é que sempre lhes fazemos as vontades. E como se de petizes se tratassem, acolhemos depois com mimos os que, temporariamente, levaram um par de orelhas de burro e ficaram virados para um canto, com medo de irreversíveis traumas.
Em certos casos, chegamos ao ponto de as ver a fazer traquinices e rimos. Aqui e além até elogiamos a destreza que a traquinice exigiu para ser feita. De censura, no máximo, só encolhemos os ombros ou abanamos a cabeça.
Por mim, nenhuma destas criancinhas voltava a ter recreio tão cedo, só passava de ano com mérito, só brincava depois de estudar e de fazer os trabalhos de casa e não tinha direito a sobremesa se não comesse a sopa.
(Crónica publicada no semanário “Opinião Pública” a 27/04/2011)
Pingo Doce e Continente abertos. Violência policial em Setúbal. Como para o ano calha a uma terça-feira, já não deve ser feriado.
Manifestante baleado nos joelhos. Mais informações no Indymedia e no Spectrum. Na comunicação social do costume, umas linhas, confirmando 3 feridos, e é uma sorte.
Em dia de “beatificação” não resisto a contar uma velha anedota:
Final da II Guerra Mundial, Polónia. Um jovem soldado nazi tem um resistente polaco na mira da sua arma. Nisto Deus aparece-lhe e diz:
– Não dispares, esse rapaz um dia será Papa.
– E eu?
– Tu serás Papa logo a seguir.
Rui Reininho, descendente de ferroviários, e os GNR, deram a escutar a sua pronúncia do Norte ontem, na Festa das Cruzes, em Barcelos.
Rafael Bluteau, enciclopedista português do século XVIII afirmava que povo era a “plebe, o vulgo, a gente baixa de qualquer povoação, cidade ou vila”. E acrescentava, “é próprio do povo obedecer com vileza, ou dominar com arrogância”.
Posto este intróito histórico e linguístico, o que é, hoje em dia, o povo? Nunca se falou tanto nesta palavra como nos últimos anos, em Portugal. Toda a gente fala, grita, exulta, em, de e sobre povo – essa entidade abstracta que parece saber descrever, nem quais são os seus limites, dado que todos se lhe referem de forma indirecta e impessoal. O povo são sempre os outros, nunca nós.
De resto, os políticos dizem defender o povo, mas demarcam-se dele, para obstar a enganos de teor demagógico; a classe média, agora agastada pela crise económica, fala no povo quando reivindica alguns direitos, mas sempre que pode vinca a sua distância ao dito pelas conotações negativas que isso acarreta. Ao certo ninguém sabe se pertence, nem quem pertence ao dito povo.
Se, segundo as lógicas marxistas, (sempre em voga em sociedade mais dadas a impulsos biológicos do que ao pensamento crítico) povo é aquele que trabalha, logo o mundo divide-se de forma maniqueísta entre povo e não povo. Será o povo a gente baixa do Bluteau, que usa os braços para trabalhar, por oposição a uma “gente alta”, que o não faz?
Como não vivemos naquela sociedade tripartida que o enciclopedista conheceu, nem hoje se distinguem os oficios mecânicos para efeitos de classificação social (muito menos existe a velha ideia de nobreza) povo somos, afinal, todos nós, do político ao pobre, do trabalhador ao patrão, do desempregrado ao ocioso profissional. E dado que a Revolução Francesa e o conceito de democracia nos nivelou ao nível mais baixo da concepção de indivíduo, o de cidadão (ligado à ideia de um peão da cidade), povo enquanto fatia da nação, diluiu-se ou pura e simplesmente desapareceu.
Por isso, falar em povo, é uma falácia e querer aplicar o termo a uma parte da sociedade, um engano. Se falarmos em elites e não-elites, talvez compreendamos melhor como a sociedade se organiza hoje em dia: ou seja, entre aqueles que detêm o poder económico, político, social, cultural, e os que o não detêm. Mas mesmo assim deixaremos de fora certas franjas marginais, os não alinhados com esta organização.
O povo existe e não existe. É transitório, falso. Não é homogéneo, não se pode representar, e está sempre em contradição a sua própria ideia. Porque como bem referiu Bluteau, ou obedece com vileza, ou domina com arrogância.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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