Dicionário do futebolês – o árbitro não quis ver

Diante de uma falta que se torna evidente na décima repetição em câmara lenta, são muitos os comentadores, de filiação clubística assumida ou não, que sentenciam: “O árbitro não quis ver.” Não é a única frase que corresponde a um processo de intenções no universo do comentário futebolístico. Os comentadores são, muitas vezes, autênticas cassandras que adivinham os mais secretos pensamentos de tudo quanto é participante no mundo da bola pontapeada, pelo que também não é menos frequente assistirmos à tradução quase simultânea dos gestos de um treinador, cujo significado pode ser desconhecido para o comum dos telespectadores, mas não é segredo para os adivinhos que tudo sabem e tudo vêem.

Já se sabe que o futebol português reflecte a mentalidade imaturamente lusa que atribui sempre as culpas aos outros, sendo o árbitro o bode expiatório preferido. Num contexto como este, uma frase destas é de uma irresponsabilidade absoluta, porque reforça a ideia de que o árbitro é, sempre, alguém mal-intencionado que escolhe as faltas que apita, a não ser que se engane a nosso favor: nesse caso, o árbitro é apenas humano e, por uma única vez, fomos beneficiados.

O fundamentalismo cristão e a queima do Corão

A “nova inquisição” fundamentalista cristã, após uma farsa sem pés nem cabeça que decorreu de um simulacro de “julgamento“, queimou um exemplar do Corão por ter sido culpado de “crimes contra a humanidade”. Dando de barato que estes senhores pretendem ignorar os crimes cometidos em nome da Bíblia, ou de outras religiões, não posso ficar indiferente ao facto de, este mesmo pastor e seus seguidores, já terem sido alertados para as consequências possíveis de atitudes como esta.

E também não fico indiferente às “razões” e “conclusões” do dito “julgamento” (o texto vai cheio de aspas porque esta é uma “realidade” absolutamente ficcionada, em que a estupidez recorre e faz uso de palavras que pressupõem um mínimo de inteligência e entendimento) em que o “pastor”, a dado momento, conclui: se você for culpado de assassínio, não vai em liberdade para casa… e acrescenta … porque matou alguém e, por causa disso, tem de ser punido.

Pois bem, já morreram 23 pessoas como resultado deste acto premeditado cujas consequências eram previsíveis. Para quando a punição destes manipuladores disfarçados de santinhos?

Portugal é um grande caso BPN

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“Portugal é um grande caso BPN”, Medina Carreira no Negócios da Semana, da SIC Notícias, 13.08.2009. Um programa emitido antes das legislativas de 2009. A ouvir de novo, especialmente agora que se preparam os programas eleitorais. Apenas três destaques:

  1. Ao minuto 25:00 – Em 2007 endividamos-nos 22 mil milhões, mais do que em quaisquer dos anteriores 12 anos, milhões esses que  insuflaram a procura interna. Este brutal endividamento trouxe um crescimento de 1.9% mas não nos podemos endividar nesta ordem de grandeza todos os anos.
  2. Ao minuto 42:00 – Em 15 anos, a dívida de português ao exterior subiu 10 vezes, de mil e tal para quarenta e tal mil euros. Temos um português a trabalhar para outro português, que o Estado mantém.
  3. Ao minuto 46:15 – O keynesianismo não é possível em Portugal. O keynesianismo surgiu em economias fechadas e protegidas. Dantes, o dinheiro que o Estado gastava na economia servia para comprar um produto português. Agora, com o mercado aberto e como estamos a comprar sobretudo produtos estrangeiros, quando o Estado injecta dinheiro na economia, está a financiar a economia estrangeira.

Na Luz ganha o Benfica,

de acordo com as estatísticas

Benfica em casa Jogos PortugalFC Porto Empates PortugalBenfica
Total 103 17 (17%) 27 (26%) 59 (57%)
Liga Portuguesa 76 12 (16%) 23 (30%) 41 (54%)
Taça de Portugal 12 0 (0%) 2 (17%) 10 (83%)
Supertaça 11 4 (36%) 2 (18%) 5 (45%)
Campeonato de Portugal 4 1 (25%) 0 (0%) 3 (75%)

Se a tradição ainda for o que era, o FCP festeja sim, mas no Dragão. Mas não celebra invicto na Invicta, ou seja, hoje, para os azuis e para aquele rapaz que os treina e sonha sempre com o Benfica, está um belo dia para perder.

(Há coisas em que sou conservador e gosto da tradição. Esta é uma delas. O pior, em certos assuntos, são as modernices.)

Até mais logo…

…que hoje é dia de Festa!

 

Opções de campanha

Depois de o Presidente da República, Cavaco Silva, ter apelado a uma campanha “sóbria nos meios”, o PSD e o CDS garantem que não vão utilizar cartazes, I

Para os meus netos, em tempo de crise

Netos.jpg

Meus meninos,

Quem me dera ser capaz de vós explicar com palavras simples e calmas, esta época pela que estamos a passar. Explicação entregue nas vossas línguas britânica e neerlandesa, ou holandesa, como também a denominam. Mas, como tenho sido privado de escrever em outra língua que não seja a luso portuguesa, vamos a essa. De certeza, os vós pais podem traduzir línguas que os meus pequenos não conhecem… ainda: os Isley, à língua britânica, os van Emden, ao Neerdanlends. Assim May ouvirá mas nada será capaz de entender por ser muita nova, apenas um ano e três meses… Os van Emden, é diferente: esta Tomas com quase onze anos e que é um sábio e pode explicar a Maira Rose, sua irmã dois anos mais nova que ele.

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Portugal: Prozac ou Viagra?

O País, na lógica de ciclos e contra-ciclos da vida colectiva, está a sofrer de uma patologia grave. Grave e difusa. Os especialistas da cura, principais líderes políticos do regime, discordam, entre si, dos métodos e meios terapêuticos a aplicar. Andam em quente disputa pelo mérito de quem tem a milagrosa receita.

Sócrates, o terapeuta dotado da capacidade de tranquilizar um País vergastado pela crise nacional de que é um dos protagonistas, acusa de leviandade a concorrência. Se o povo o acompanhar – quer ele que se acredite – os portugueses, a sua economia, os mercados e os investidores, no conjunto, todos se quedarão calmos e entregues a noites de profundo descanso. Sem a preocupação de intervenção financeira externa, acentue-se. Sócrates, representa, deste modo, o papel do ‘Prozac’, uma vez que estamos todos perturbados e a necessitar de recuperar a saúde mental. Com tranquilidade…

Do outro lado, Pedro Passos Coelho teme que não existam terapias eficazes em território nacional, promovendo, se necessário, a ajuda do FMI para reerguer a nação. E, de facto, porque de um problema de erigir se trata, temos o Coelho a desempenhar o papel do Viagra.

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Como foi possível fazer isto ao país? A nacionalização do BPN

2 de Novembro de 2008. O governo liderado por José Sócrates anuncia a intenção de nacionalizar o BPN, em plena contra-corrente com as sucessivas privatizações que ano após ano, governo após governo, têm sido levadas a cabo.  Apenas alguns dias depois, a 11 de Novembro, já a lei de nacionalização do BPN  estava publicada no Diário da República.

A primeira nacionalização do pós 25 de Abril foi uma lei prematura, tanto pelo curto período de gestação, como pela decisão precipitada. Com efeito, apesar de Teixeira dos Santos ter taxativamente afirmado que  “o Estado não gastou nem envolveu dinheiro dos contribuintes” e de Sócrates ainda no mês passado ter garantido que o registo do buraco do BPN não terá reflexos no défice de 2011 e dos próximos dois anos, o facto é que o défice de 2010 foi agravado em 1,3 pontos percentuais porque 1,8 mil milhões de euros de despesa, referentes ao BPN e às empresas de transportes, foram colocados debaixo do tapete.

Mas teria sido possível não nacionalizar o BPN?

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O homem é um animal bestialmente tribal

 

Um pastor norte-americano, cuja gravata não disfarça o troglodita que é, queima um livro, ciente de que, do outro lado da barricada, estão outros trogloditas para quem esse livro queimado é sagrado. Os trogloditas do outro lado, cujo turbante também não esconde a besta que os domina e que são, matam pessoas, procurando vingar um livro queimado. Para quem viu a Guerra do Fogo, o extraordinário filme de Jean-Jacques Annaud, basta estar com atenção para perceber que o homem se limitou a substituir peles de animais por fatos e a exibição dos caninos por poderio militar.

Todos os dias assistimos a estes comportamentos bestiais, ou seja, animalescos, e tribais. Há milhares de anos, os émulos de Sócrates e Passos Coelho estariam a bater com paus no chão, acompanhados dos respectivos membros da mesma tribo (e não deixa de ser um exercício curioso imaginar Francisco Assis e Miguel Macedo a urrar atrás dos respectivos chefes). Amanhã, será a mesma preocupação tribal com os símbolos do inimigo que poderá levar a que o ambiente do Estádio da Luz seja digno das cavernas mais primitivas em dia de confronto entre clãs.

“PSD não sobe impostos em 2011”: onde é que eu já ouvi isto?

Esta entrevista de Diogo Leite Campos, vice-presidente do PSD, constitui um documento importante, que merecerá ser analisado até às eleições e escrutinado depois delas, porque as palavras ficam, por muito que os políticos desejem que voem e se dissolvam no ar.

O conteúdo das respostas do social-democrata é de tal modo consensual que o entrevistador chega a provocá-lo: “Jerónimo de Sousa, o secretário-geral do PCP, iria gostar de o ouvir agora.” Efectivamente, há nesta entrevista um grande peso concedido à intervenção do Estado na resolução de muitos problemas como, por exemplo, o do direito à habitação, consagrado na Constituição. Para além disso, há uma referência à necessidade de apoiar as famílias mais necessitadas e, também aqui, há um dado surpreendente: Diogo Leite Campos refere-se “a todas as famílias que ganhem até 2500 euros.”, o que vai ao arrepio da tendência recente para considerar milionário qualquer um que ganhasse mais que o ordenado mínimo.

É claro que, ao longo dos últimos trinta anos, temos assistido demasiadas vezes à rábula do partido que chega ao governo e descobre que o executivo anterior tinha deixado as contas públicas tão mal que, afinal, não é possível manter as promessas feitas durante a campanha. Foi assim com a comédia do “país de tanga” de Durão Barroso e assim foi com a ópera bufa do “afinal o défice era maior” de José Sócrates. É certo que Diogo Leite Campos declara, antes das eleições, que “O PSD sabe que vai substituir o pior governo da história de Portugal. O PSD sabe que vai ter muitas surpresas quando chegar ao poder, mas nunca invocará isso porque sabe que vai tomar conta do país num estado desastroso.”

Gostava muito de estar enganado, mas qualquer coisa me diz que, lá para Agosto ou Setembro, estaremos a ouvir um Passos Coelho compungido, justificando mais medidas de austeridade, dizendo qualquer coisa como “Afinal, o país estava muito pior do que pensávamos. A culpa não é nossa.” E a verdade é que a culpa não será deles. Será nossa.

rebobina-me mãe

mae-segurando-colo_~PAA509000024.jpgREBOBINA-ME, MÃE

Para Maria, a neta da minha amiga Ana Maria*

Os senhores leitores devem estar habituados a ler o que escrevo sobre os direitos das crianças. Não apenas por eu ser da Amnistia Internacional e colaborar com Human Rights Watch. O motivo real, é que as crianças não têm apenas direitos à paz, à alegria, à calma, ao respeito por parte dos pais, mas também à capacidade de serem entendidos por eles e de receberem respostas adequadas à idade da sua epistemologia. [Read more…]

A melhor de ontem

O Prémio 1 de Abril 2011 vai com toda a justiça para Vítor Dias:

Neste sentido, o Partido Socialista, o Partido Social-Democrata e o Partido do Centro Social-Partido Popular dirigem um crucial e fundamental apelo aos portugueses para que, nos próximos dois meses, jamais percam de vista que a única atitude que verdadeiramente serve o interesse nacional é olhar de frente a real e dramática situação em que o país se encontra e as exigências que coloca, (…)

dia de s. sócrates III

Benfica proíbe tarjas e bandeiras do FCP

Ainda bem que a notícia é de ontem, senão pensava ser coisa do 1º de abril porque, quando  a li, não quis acreditar. Nunca escondi aqui que sou adepto do SLB, por isso mesmo estou à vontade para qualificar: é inqualificável.

O Benfica não precisa disto e cheira-me a tentativa de menorizar os eventuais festejos na Luz se o FCP, lá, se sagrar campeão. Não sei porquê, mas acho que não passou por aquelas cabecinhas que isso dá, ainda, mais força aos festejos, por exemplo no Marquês. Além disso, campeão é campeão, é justo que celebre. Se não querem que o FCP celebre na luz, ganhem o jogo e celebrem a vitória sobre o campeão anunciado, ponto final.

Mas há dois argumentos que vêm apensos, tipo desculpa de mau pagador. O primeiro é o da segurança e visa proibir “armas de arremesso”. Certo, é um ponto de vista, mas proíbam-se então todas as tarjas e todas as bandeiras, de visitantes e visitados. O outro roça o ridículo: parece que o FCP já fez o mesmo no Dragão, impedindo a entrada do mesmo material por parte do Benfica. Talvez, não me custa imaginar. Mas o pior dos nossos adversários não nos serve de exemplo, digo eu aos meus filhos, e eles, que são crianças, percebem, porque é simples, porque é decente e porque somos melhores. Mas só quando somos.

Portugal Fatimizado

bandeira-do-vaticano.gif

bandeira do Estado Vaticano

(num país anticlerical)

Bem sei que escrevi e publiquei este texto no último decénio do século XX, em 1999, 13 de Maio, e no Aventar, em 2009. Foi um ensaio de grande sucesso, publicado sem a minha licença, em Revistas científicas da Espanha, na Galiza, traduzido para castelhano na América Latina e nas Revistas em que tenho sido fundador e escritor em Portugal, bem como pela Cambridge University Press. Porque nomear tantos galardões? Por causa de me parecer que este texto é conveniente para estes dias que vivemos, sem governo, sem Assembleia de Deputados, apenas pelo poder do Presidente da República, a quem tenho visto, com a sua mulher, ou na Missa ou no Santuário de Fátima e comungarem de joelhos sobre as pedra da grande praça em frente da Basílica, para se sacrificar em bem do povo… penso eu. Dias em que eu proferia conferências a freiras e padres, com a presença do antigo Bispo que Leiria Fátima, que teve um desencontro comigo e mandou que nunca mais fosse convidado. Ainda bem, a doença que me tem mantido apenas a escrever, não me permite falar em público por mais de meia hora. Nem Fátima me curava…

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Primavera na Linha F

Linha F (Estádio do Dragão~Fânzeres) - Metro do PortoPrimavera na Linha F do Metro do Porto (Estádio do Dragão~Fânzeres)

Dia de s. sócrates II

Fátima Campos Ferreira vai ser Mandatária para a Juventude do PS


Todos sabemos que José Sócrates gosta de decidir sozinho tudo o que pode ser relevante para o seu futuro político. Para o novo momento eleitoral, por exemplo, já escolheu o seu Mandatário para a Juventude. Trata-se da jornalista Fátima Campos Ferreira, que desempenhou um papel inestimável, ao longo de seis anos de mandato, no programa «Prós & Contras» da RTP.
A juventude de Fátima Campos Ferreira foi um factor especialmente relevante para José Sócrates e foi esse o factor de desempate em relação aos outros dois candidatos ao lugar, Emídio Rangel e Carlos Magno.
Parece ser uma tendência actual dos Partidos, a de escolherem para o lugar de Mandatário da Juventude gente com uma grande juventude interior. Com efeito, o Aventar está em condições de avançar que, na área da Esquerda, José Barata Moura e Vitorino Salomé serão, respectivamente, os mandatários do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda; e que, no que concerne aos Partidos de Direita, Simone de Oliveira será a Mandatária do PSD e João Almeida o do CDS, sendo que em relação a este último permanecem dúvidas relativamente ao facto de a sua tenra idade permitir a ocupação de tal cargo. Espera-se, neste caso, a autorização dos progenitores.
Pelo meio, o Aventar não pode deixar de notar o bom gosto do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda na escolha dos seus mandatários.

Primeiro de Abril, dia de s. sócrates

Carrapatoso, o desatador do IRS

António Carrapatoso parece ser uma das estrelas do passismo. Googla-se e ele é menos estado, menos impostos, e outras bojardas.

O Carlos Fonseca já aqui nos falou da personagem:

Qual o significado do genial Carrapatoso, em menos de 3 anos, ter ocupado seis cargos de topo de outras tantas pirâmides empresariais? À cabeça, pode esclarecer-se que os primeiros cinco dos ditos cargos, a começar por Administrador da Quimigal, foram exercidos em simultâneo. A generosa nomeação do então Ministro da Indústria de Cavaco, Mira Amaral,  foi decisiva, mas a destreza, o eclectismo e a sabedoria do polivalente gestor completaram o milagre da multiplicação de funções. (…) O pior é saber-se que, obedecendo ao gabinete de Amaral, e este, por sua vez, ao de Cavaco, António Carrapatoso alienou a favor da Colgate-Palmolive as empresas Sonadel, Uniclar Unisol, integradas na Divisão de Óleos e Sabões da Quimigal. Tinham a missão de produzir e comercializar “detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal”, no país e no estrangeiro (exportação). O nosso homem foi parte activa no processo de desindustrialização do país.

Estamos conversados quanto ao menos estado. Quanto ao menos impostos, estamos perante um homem com sorte: 740 000 Euros de IRS prescritos, porque umas repartições de finanças se desentenderam, um funcionário se enganou, azar para o estado, sorte adivinhem para quem.

Ora aqui está o homem certo para negociar a dívida externa: pode ser que caduque, uns funcionários se enganem, tudo uma questão de sorte, é claro. E ficaria o nó desatado.

E agora, um governo completamente original

 

“O próximo Governo de Portugal não pode iludir, não pode mentir, não pode disfarçar”

Quando Sócrates e Passos Coelho se davam bem

Já desconversavam, é certo, mas entendiam-se.

Dia 1 de Abril não é especial para José Sócrates

Fonte do gabinete do ainda Primeiro-Ministro confidenciou ao Aventar que o dia 1 de Abril é um dia igual aos outros para José Sócrates: “Os outros dias todos são exactamente iguais a este: o senhor Primeiro-Ministro faz sempre o mesmo. Ele até costuma dizer, com muita graça, que primeiro de Abril é quando um gajo quiser.” A mesma fonte lembra que não foi preciso esperar por este dia para ouvir José Sócrates dizer que não iria haver aumento de impostos ou que cada PEC seria sempre o último. “O senhor engenheiro até pode ter muitos defeitos, mas ninguém o pode acusar de incoerência.” declarou a mesma fonte.

Piadas de 1 de Abril

Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças:

Um pedido de ajuda obriga a compromissos. (…) Este Governo não tem legitimidade, nem condições, nem credibilidade para ter a confiança das entidades externas que nos possam ajudar

André Villas Boas, treinador do FC Porto:

E para mim o Benfica ainda é candidato ao título

Marcos Batista, administrador dos CTT:

Devo referir que sempre estive convencido que o meu percurso académico com oito anos de frequência universitária e elevado número de cadeiras concluídas, em mais do que um plano de estudos curriculares, correspondesse a um curso superior à luz das equivalências automáticas do processo de Bolonha

1 de Abril, Dia das Verdades

Vai, vai, vai, disse o pássaro: o género humano

Não pode suportar tanta realidade.

T.S. Eliot

Não sejamos ingénuos, a manipulação e a desinformação existiram sempre, em todas as épocas, regimes e círculos de poder. Mas a mentira, descarada e desmascarada, nem sempre passou com tanta indiferença como agora. A questão não está, apenas, num governo, por exemplo um governo, mentir. Está, isso sim, em saltar a mentira à vista de todos e passar impune. Está em ser recorrente, passar com normalidade e ser encarada com naturalidade. Está em ser aceite como uma das regras do jogo, como uma malandrice necessária para que o jogo funcione e avance.

A banalização da mentira tornou-a isso mesmo: banal, habitual, quotidiana. O dia 1 de Abril, como dia das mentiras, perdeu impacto e aquele arzinho transgressor que carregava. Hoje, ninguém compra um jornal para decifrar a mentira que lá vem disfarçada de verdade. No entanto, estou em crer que o contrário funcionaria. Eu, por exemplo, compraria um jornal para descobrir qual a verdade perdida nas suas páginas, disfarçada de mentira.

Por isso proponho que o dia 1 de Abril passe a ser o dia das verdades. Seria apenas um dia por ano e isso, acho, poderíamos suportar.

A força para ter razão e uma razão para ter esperança

Por SANTANA CASTILHO

Numa rara confluência política, PSD, PCP, PEV e Bloco de Esquerda apresentaram, na Assembleia da República, um texto de substituição das iniciativas autónomas do PCP e do PSD sobre a suspensão do modelo de avaliação do desempenho dos docentes. Esse texto, que foi aprovado tendo apenas votos contra do PS e de Pacheco Pereira, fez, enfim, prevalecer a força da razão sobre a razão da força.
Não me surpreende a polémica que se seguiu. Outrossim, sabia que era inevitável. Alguém pensou que os que beneficiaram de tanta trapaça e injustiça não iriam reagir? Alguém antecipava que os pequenos ditadores, que a impuseram, ficariam serenos? Alguém desconhece que há uma classe de “tudólogos”, que fala e escreve sobre tudo, mesmo sobre o que desconhece? Só quem seja incompetente quanto aos aspectos técnicos, quem desconheça simplesmente, ou quem aja por má fé, pode defender o modelo agora enviado para o crematório.

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Cofres do Estado: Só há dinheiro até ao dia 15

O Aventar soube junto de uma fonte bem colocada no PS e, geralmente, mandatário regional e coordenador de campanha eleitoral, que neste momento o Estado só tem nos seus cofres dinheiro para assumir os compromissos até ao dia 15 deste mês.
A partir daí, não há dinheiro. Nem para pagamento a credores e fornecedores, nem para os salários da Função Pública, nem para nada.
Talvez assim se compreenda o leilão extraordinário que foi feito hoje e no qual o Estado encaixou mais mais de 300 milhões de contos, que têm ser pagos em Junho de 2012 a um juro de quase 6%. Cá estaremos para pagar.
Entretanto, talvez se tenham salvo os salários de Abril. Por enquanto…
Podia ser mentira, mas, infelizmente, é verdade.

Agência de “rating” classifica discurso de Francisco Assis

A mais recente agência de rating do discurso político português, a “Estandarte e Pobres”, colocou o recente discurso de Francisco Assis na categoria de “lixo extremamente malcheiroso, qualquer coisa entre dois cadáveres de antropófagos em decomposição com cadáveres de outros seres humanos no seu interior, também eles em decomposição”. Após a comunicação de Cavaco Silva (cujos discursos não conseguem sair da categoria “igual ao litro”), o líder parlamentar do PS produziu várias declarações que foram alvo de análises atentas.

O analista-coordenador da referida agência declarou ao Aventar que Francisco Assis tem uma capacidade única de aliar um domínio vocabular perfeito à mais completa vacuidade, superiorizando-se a Sócrates no primeiro ponto, emulando-o no segundo. O mesmo especialista fez a seguinte comparação: “Se fosse futebolista, Assis teria muita técnica, mas só conseguiria jogar num campo circular sem balizas.” Assim, o deputado socialista, assumindo sempre uma pose de tribuno (classificada na categoria “cabotinismo ligeiro com um toque de agastamento e redução de vinho do Porto”), limita-se a exprimir ideias óbvias que nunca serão postas em prática, como a de usar a campanha eleitoral (ou “momento eleitoral” em falar assinino) para clarificar ideias ou aqueloutra de que, depois das eleições, “terá de haver sentido de compromisso nacional”, frase que entra na classificação de “voluta rococó”.

quem me dera ser criança e saber perdoar…

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Para a Sua Excelência, o Presidente Allende.

Estou certo de ter publicado este texto na nossa Revista Educação, Sociedades e Culturas, bem como na Página da Educação quando era jornal com José Paula Serralheiro, e talvez, neste blogue. Mas, estamos em época de eleições, a todo minuto somos chamados a votar com antecipação. Os Presidentes dos paridos, especialmente o PSD, com o seu líder Pedro Passos Coelho, estão certos de obter maioria! Mas há dois grupos políticos que lutam pelo poder de forma desalmada. Durante o período de governo do Partido Socialista e seu Primeiro-ministro José Sócrates, Passos Coelho e o seu grupo minoritário do PSD, hostilizaram até obriga-lo a se demitir. Facto que nos leva a todos pensar que foi uma rasteira muito bem fabricada com intervenção do Presidente da República quem, na sua reeleição, no quis intervir. Mas o discurso de toma de posse para um segundo mandato, era clara a sua preferência: criticou ao Governo, esqueceu que era Presidente de todos nós portugueses, o que fez desmaiar o ânimo aguerrido do PS e do seu líder, José Manuel Sócrates. O poder executivo não deve nunca abandonar o poder, como fez Mário Guterres no seu tempo. Se um político bem formado e que sabe governar abandona o cargo, ficamos expostos a sermos vítimas de um governo de salvação nacional. No meu ver, o PM devia ter continuado o seu

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