O Discurso do Rei: Quando os nobres são pessoas comuns

 

 

 

 

 

 

 

Como é que se faz com que um filme do qual se conhece a história, porque é baseado em factos reais (duplamente reais), e não envolve acção capaz de cativar em permanência a atenção do espectador, seja mais que um objecto interessante e se transforme numa grande, embora não genial, obra de cinema? Capaz de ganhar quatro Oscars, incluindo o de melhor filme?

Resposta: Coloca-se uma máquina de impecável produção em andamento, adiciona-se um argumento bem construído, uma realização segura e eficaz e, acima de tudo, tem-se, como ingredientes principais, excelentes interpretes e em grande forma. O Discurso do Rei reúne tudo isto e, por isso, não pode ser confundido com um filme simples e banal. Podia ser um telefilme de bom nível, ao bom velho estilo da BBC, mas é mais que isso. Graças a Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter e Derek Jacobi, entre outros.

O segredo deste filme é não ter segredos. Não há mistérios por revelar, portas fechadas que não mostram tudo, sussuros inaudíveis, twist de último minutos. Está tudo à vista.

Sabemos que a personagem de Firth, o Duque de York será o Rei Jorge VI, depois da morte do pai e após a renúncia do irmão, o rei Eduardo III, que preferiu casar com a norte-americana Wallis Simpson, duplamente divorciada. Sabemos que o homem é gago e enfrentou o problema com o auxílio de um terapeuta da fala, interpretado por Rush. Sabemos que a gaguez surgiu por algo que aconteceu quando tinha 4 ou 5 anos de idade. Mas o curioso é que não ficamos ansiosos por saber o que efectivamente a provocou. Ficamos apenas com algumas ideias, como a distância emocional e a severidade do rei para com o jovem príncipe. Vislumbres de resposta mas sem confirmação. Não é preciso. Não é para isso que estamos ali.

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a saúde em Portugal

no nosso país todos os hospitais são velhos,estreitos e sem recusrsos

No meu entender, no nosso país temos, pelos menos, três problemas: a educação, a crise financeira e o atendimento da saúde pública.

A educação tem recebido pouca ajuda do Estado para organizar Bibliotecas, criar campos desportivos ou convidar pessoas sábias, fora do recinto estudantil, para suplementar o que sempre se ensina. Já estou farto, nos meus 50 anos de docência, de aceitar convites para falar em escolas, colégios secundários ou universidades. Mas, como o povo merece, nunca disse que não e sempre apareci. Apenas começava a falar, o cansaço desaparecia, passava a ser era para mim um grande prazer, apenas compensado pelos diálogos estabelecidos com estudantes e a minha pessoa. Costumava ir às escolas com menos alunos, até que a brilhante ideia de juntar sítios de estudos, apareceu, foi aprovado e os aglomerados escolares passaram a ser um sucesso, sobre o qual já tenho escrito e não vou repetir. [Read more…]

Dicionário do futebolês – marcou para lá da hora

Ganhasse eu cinco euros sempre que esta frase é proferida e já tinha comprado um clube de futebol, com árbitros incluídos. Trata-se de mais um momento criado pela magia dos comentadores de futebol: o golo para lá dos noventa minutos, que é mais do que uma hora, em jogos sem prolongamento, entenda-se. É por isso que é estranhamente possível ouvir dizer que um golo foi marcado aos 93 minutos, por exemplo.

Fosse eu ainda menos versado no fenómeno futebolístico do que já sou e ficaria a pensar que isto do golo para além da hora poderia acontecer quando um jogador manhoso, por volta das três da manhã, reentrasse sozinho no estádio e marcasse um golo, “apanhando a defesa adversária a dormir”, outra expressão futebolesa que ganharia, agora, um sentido muito mais aceitável. Aliás, no dia seguinte, o treinador, na presença da equipa, iria rever o vídeo – não do jogo mas das câmaras de segurança do estádio –, onde se poderia ver o furtivo marcador do golo tardio, e iria urrar na direcção dos defesas: “Olha pa esta merda! Até parecia que estavam a dormir, porra!”

Traduzindo para português, marcar para além da hora corresponde ao acto de marcar um golo durante o tempo de compensação decidido pelo árbitro, sendo que esse tempo se deve à necessidade de que o jogo de futebol dure, exactamente, noventa minutos. Consequentemente, e descontando a hipótese de o árbitro se distrair ou enganar, qualquer golo que seja marcado depois da hora não poderá ser válido e qualquer golo marcado dentro do tempo de compensação não será marcado para lá da hora.

No vídeo que se segue, o jogador que ia marcar golo não percebe como é possível o árbitro apitar para o fim da primeira parte só porque a primeira parte acabou.

 

José Sócrates, esse brincalhão

O Sócrates que é José tem em comum com o mestre de Platão a maiêutica, ou seja, de certo modo, a arte de fazer nascer ideias naqueles que o ouvem. Estas declarações do Secretário-Geral do PS fazem nascer em mim os seguintes comentários:

 

1. Se é verdade que uma crise política prejudicaria a economia e tendo em conta que a economia está tão prejudicada, ficamos a saber, afinal, que vivemos em crise política.

2. Se são portugueses aqueles que estão “a fazer [um esforço] para a consolidação das contas públicas”, será fácil concluir que não o são todos os que não estão a fazer esse esforço. Seria conveniente que algumas empresas públicas fossem fiscalizadas, porque deve haver por lá muito estrangeiro sem autorização de trabalho.

3. Sócrates tem, ainda, a preocupação de afirmar que o PS é um partido de centro-esquerda, num exercício da mais fina ironia, que poderá passar despercebida aos menos atentos. Segundo parece, Sócrates terá proferido estas palavras, enquanto piscava um olho maroto ao auditório, ao mesmo tempo que tentava abafar o riso.

4. As palavras sobre educação (“O objectivo não é dar educação a todos, é dar a todos uma boa educação para o futuro”) foram já ouvidas com muita dificuldade, tal era a quantidade de gente que se rebolava de riso. O próprio Sócrates estava agarrado ao palanque, com dores abdominais resultantes das gargalhadas. “Não aguento mais, pá!” terá o Primeiro-Ministro declarado a Pedro Silva Pereira.

Luiz Vaz de Camões, de mistério em mistério

o poeta dos poetas portuguezes, historiador, feitos de armas

Referir a vida da Luiz Vaz de Camões, é reiterar o que em Portugal e vários outros sítios do mundo, é já conhecido. Quer na Europa, nas antigas possessões portuguesas na África, na hoje América Latina, na Índia, especialmente Goa, sítio importante da Índia, passando por Macau e por Ceuta. Não era apenas um poeta, que descobrira outras terras que inspiraram os seus textos e exaltaram a sua imaginação; não era apenas um soldado que entendeu ao ser humano após ter conhecido tantos e de tão diversas espécies, era, antes de nada, quem inventara, como descoberta, aos portugueses, denominados lusitanos na sua época. Época final do romantismo europeu.

A Península Ibérica era a sua Pátria, não apenas Lusitânia, como era denominado Portugal no Século XVI e que ele, como sabemos, imortalizara na sua grande obra, escrita em 1571 e publicada em 1572 com o apoio do seu mentor desse

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Rui Pedro: outra nódoa da justiça portuguesa

Os casos de justiça, ou de falta dela, constituem temas de cidadania. Banalizados por revelações quase diárias, acontecimentos demonstram a disfuncionalidade e a irresponsabilidade reinantes no  sistema de justiça português.

O costumado recurso a justificações, nem sempre hábeis e esclarecedoras, não ilude a expressão da incontornável verdade: por motivos vários e incapacidade endémica,  há demasiados processos a percorrer longos ou mesmo infinitos caminhos desde a investigação à sentença. 

Os agentes do sistema de justiça, é consabido, estão compelidos a assegurar celeridade e  rigor no exercício das funções que lhes compete. Todavia, falhas e demoras são recorrentes. Um novo exemplo pode ser extraído das declarações da responsável do DCIAP, Dr.ª Cândida de Almeida. Referindo-se ao ‘caso Rui Pedro’ – o jovem desaparecido em Lousada há 13 anos, repito há 13 anos – a procuradora elogiou publicamente a equipa que, agora – e só agora, digo eu –, acabou de analisar todo o processo “numa investigação profunda”. [Read more…]

Sem surpresa

É compreensível algum silêncio incómodo em Portugal perante as declarações de Thomas Stephenson, assunto que já mereceu um post do Jorge. A reacção corporativa surgiu do General Loureiro dos Santos, que desvalorizando as questões sobre a compra de equipamentos, procura tratar o assunto como uma divergência de interesses económicos, entre os EUA e as Forças Armadas. Mas deixando de lado a questão dos equipamentos, que não é de forma alguma uma discussão inútil, importa debater que Forças Armadas pretendemos, sem esquecer que Portugal reivindica a continuidade da plataforma continental até aos Açores, a somar ao arquipélago da Madeira, o que implica algum esforço financeiro em meios navais e aéreos, quais será uma discussão para especialistas.

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As Ilhas de Bruma

O autor dá pelo nome de Septimus e o album intitula-se “Experimentar na m’incomoda”. Este tema conta com a voz de José Medeiros. Ouçam:

Fantástico, este disco que anda por aí -já o ouvi integralmente- e do qual quase ninguém ouviu falar. Anda tudo surdo?

No céu de lusco-fusco

No céu de lusco-fusco

No céu de lusco-fusco eras a luz do sonho e do infinito anoitecer chuvoso com cheiro a terra molhada

eras a fragrância dos campos no suspiro de um violino à sombra da figueira nos primeiros chuviscos do verão

eras a luz da tarde tombada num ramo de flores colhidas ao fim do dia

eras o gesto de quem diz que os braços se enlaçam para aquecer o coração frio

eras a fome e a sede que o êxtase celeste inspira sob um tecto de magnólias

eras o veludo do orvalho nas lágrimas da noite pura ao romper da madrugada

eras tudo… e nada.

Os ratos

As areias estão movediças, as águas tumultuosas, a embarcação mete água, o petróleo não escoa.

Nas embaixadas líbias, um pouco por todo o mundo, os ratos demarcam-se e salvam o pêlo.

Agora foi a vez do embaixador líbio em Lisboa descobrir que estava ao serviço de um “regime fascista” (cito).

Não sei se desprezo mais ditadores assassinos como Kadhafi ou os ratos de porão.

Enterrado o regime, na hora da disputa dos despojos, vamos vê-los surgir de novo. Como democratas de longa data, pois claro. * que os pariu.

Um país de generais sentados

portugal, país de generais sentados

«WikiLeaks Portugal: Expresso revela negócios ruinosos na Defesa» [Expresso]

«Nas mensagens enviadas a Washington, o embaixador passa a imagem de um país de “generais sentados”, dizendo que o Ministério da Defesa não é capaz de tomar decisões e que “os militares têm uma cultura de status quo, em que as posições-chave são ocupadas por carreiristas que evitam entrar em controvérsias”. O embaixador sublinha ainda que o dinheiro na Defesa é gasto de forma imprudente e que Portugal tem mais almirantes e generais por soldado do que quase todas as outras forças armadas» [Público]

Album de recordações


Uma foto cheia de futuros ex, dedicada à matilha de serviço

Ir aos dos costume e à bruta

Vem no Económico: «acumular remunerações no Estado que, no total, excedam 1.500 euros verá o seu salário reduzido com efeitos a 1 de Janeiro». A estratégia é, obviamente, arranjar mais dinheiro vindo dos impostos.

Foi anunciado que em Janeiro de 2011 a banca começaria a pagar um novo imposto, os lucros da banca estão em franca ascensão e os respectivos impostos em queda e todos os outros impostos estão jubilosamente a ser cobrados, levando a um aumento da receita fiscal em 15%.

Portanto, que justificação tem este governo para ainda não ter concretizado o que se propôs fazer? Será para “beneficiar das melhores práticas dos diferentes países da União Europeia neste domínio”, como afirmou Sócrates há algum tempo? Se é assim, olhe-se ali para o IVA e para o ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos) de Espanha, que também é Europa. Ou será que IVA a 18% e 50.5% de carga fiscal sobre os combustíveis na Espanha (respectivamente 23% e 58% em Portugal) não “das melhores práticas”?

O primeiro-ministro diz que este novo imposto “estará regulamentado no primeiro semestre deste ano” e que reportará a “1 de Janeiro de 2011”. Cá estaremos para ver se tal acontece. Certo, certo é que aos do costume já se está a ir e à bruta.

Deus à imagem e semelhança do homem

Com base neste texto, Jorge Oliveira explica, erradamente, que a minha ausência de crença em Deus se baseia no facto de que “Deus (e os seus anjos) deixe morrer tantos e poupe apenas uns poucos.” Deus não me preocupa – os homens, sim – e a minha falta de fé não tem explicação: foi algo que me aconteceu e com que vivo confortavelmente até hoje. Não acredito em Deus porque não e, sobretudo, o sobrenatural não me preocupa.

O que disse no texto anterior é mais do que isso: mesmo admitindo que Deus exista, recusar-me-ia a prestar culto a uma entidade que manifesta preferências aleatórias pelos elementos da sua criação. Um Deus omnipotente e sumamente bom não deve fazer isso, seria um abuso de poder inaceitável. Mesmo não acreditando, só posso aceitar um Deus que não se comporte como um tiranete que compensa quem o adular e castiga quem não o fizer. Se Deus, a existir, não me fizer a vontade, o problema será meu, eventualmente.

Quem acreditar em Deus não merecerá ser desrespeitado por isso. O que não consigo respeitar é quem se serve dessa crença para exprimir irresponsabilidades como as daqueles que se afirmam portadores de um privilégio ou que chegam ao ponto de explicar acasos invocando Nossa Senhora de Fátima, num populismo desavergonhado.

De resto, a História da Igreja está carregada de figuras luminosas e sinistras, exemplares as primeiras e condenáveis as segundas. De um lado, temos, por exemplo, São Francisco de Assis, que até correu o risco de ser considerado herege, e, do outro, Torquemada, que, mais do que um nome próprio, passou a ser uma característica. De uma maneira geral, a Igreja, sempre que pôde, nunca quis esperar por Deus, preferindo, sempre, castigar por antecipação todos aqueles que seguiram outros caminhos. Ou seja: o problema é, mesmo, o Homem. Com Deus, será sempre fácil cada um resolver os seus problemas.

Médico, o 1.º blogger condenado em Portugal

Um médico de Avis, segundo o ‘Sol’, foi alvo de uma sentença, por ter publicado um ‘post’ a criticar com dureza o jornalista Fernando Esteves da revista ‘Sábado’. A pena foi de 40.000 euros de indemnização e 133 dias de prisão.

Ainda segundo o ‘Sol’, no respectivo acórdão, a juíza Joana Ferrer Antunes exarou as seguintes considerações:

O arguido, pela sua capacidade, pelo discernimento que tem e em face das circunstâncias concretas da situação, podia e devia ter agido de outro modo, não podendo o tribunal esquecer-se que se trata de um médico. Por isso, não se ter mantido no exercício correcto dos seus direitos merece reprovação e censura da ordem jurídica

O médico em causa, Dr. João Adélio Trocado, referiu-se, de facto, ao jornalista em termos anti-cordiais, no  blogue ‘Médico Explica Medicina’. Todavia, é curioso constatar que “não podendo o tribunal esquecer-se que se trata de um médico…”  significa que o estatuto sócio-profissional, e não apenas o ilícito cometido, foi igualmente determinante para a sentença. [Read more…]

Noronha Manda Destruir, Já!

DESTRÓI ESSA PORRA PÁ
A coisa até é engraçada.
Noronha diz que é para destruir, Alexandre quer  outra coisa e diz que os intervenientes processuais têm de tomar conhecimento antes da destruição, mas, ao contrário do que disse, nada fez para que tal acontecesse. Vai daí, Noronha vem dizer agora que os intervenientes processuais não têm que tomar conhecimento por ser matéria irrelevante, e que quem manda é ele, e ele é a Lei.
Por isso, destrói essa trampa mas é já, óbiste?
Mas porque é que anda tudo tão aflito com a existência dessas gravações? Será que alguém tem medo que se saiba o que lá se ouve?
Destrói.as.escutas.pá,destrói.as.escutas.pá, destrói.as.escutas.pá, destrói.as.escutas.pá(com música)

Aqui me detenho

(adão cruz)

Aqui me detenho nesta pedra que sentámos no dia das canções antigas lembrando a canção que não cantámos

aqui me sento frente ao mar de coração vestido com as folhas secas do desejo

olhos dentro dos olhos que não tenho na profundidade do céu que nunca vimos.

O mar não fala do passado em seu imenso painel de séculos e o sol diz-me adeus com sua mão de violeta na paisagem que não vimos.

Mesmo assim quero demorar-me na partida acariciando o tempo no sensual enrolar das ondas que explodem orgasmos eternos nas rochas nuas

quero sentir a meus pés esta manhã de lábios doces sorrindo com olhos de donzela

quero enxugar neste sol do meio-dia as lágrimas das palavras não ditas no silêncio dos caminhos.

Deste-me o mar que nunca tive e pensei outrora vê-lo aqui mas não posso ter o que não perdi nem mudar o crepúsculo pela aurora.

Cordeirinhos do Médio oriente


Lembram-se dos manos Uday – o dos venenos e choques eléctricos – e Qusay – o executor – Hussein? Esses mesmos, os filhos de Saddam. Um deles, deleitava-se a fazer estourar cabeças de prisioneiros, alinhando-os para desferir tiros na parte posterior do crânio. Uma forma de diversão, como outra qualquer. O outro, adepto de desportos aquáticos, mandava alguns acompanhantes atirarem-se ao Eufrates, para depois, em forte trovoada de risos, alvejá-los à distância. Duas jóias. Além dos seus momentos de lazer, dedicavam-se aos seus trabalhos nas forças de segurança e claro está, ao mundo dos “negócios”. Estes dois” bolinhos de mel” acabaram como se sabe e como vimos, quase em directo pela tv.

Os filhos de Mubarak não eram dados a luna parks de balas, electrólises e outras habilidades do estilo. Preferiam o método da engorda de contas bancárias e da apropriação da coisa pública, como se privada fosse. Terão melhor sorte e um destino infinitamente mais consentâneo com os desígnios do nem sempre Misericordioso.

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Uns rachados, outros fendidos

No elevadíssimo e solene debate parlamentar de hoje, Paulo Portas comparou Sócrates a um disco rachado. Confesso ter-me divertido, inicialmente. Causa: o adjectivo rachado. Sei que provavelmente, para a maioria, a comparação e a frase estão despojadas de qualquer valor humorístico; mas, inadvertidamente, gargalhei, pronto!

Agora a frio, e em reflexão séria, do disco ao próprio homem, o ser ou estar rachado pode ser também sintoma de felicidade ou adversidade. Mudemos, então, de escala e falemos do país. Usando a linguagem figurativa do Portas, afirmamos que Portugal é um rachão; ou seja, é uma racha ou fenda grande, muito grande. De facto, neste sentido, de Norte a Sul mais Ilhas Adjacentes somos, no presente, terra de gente achacada por múltiplos buracos. Uns rachados,  outros fendidos.

Por Alá!!!


Cada vez mais parecido com o Mickael Jackson dos últimos dias, o coronel Kadhafi declarou ontem, não entender a contestação à sua pessoa. Segundo diz de si próprio este “grande líder revolucionário”, apenas desempenha o papel de uma “figura simbólica”. A quem o quis escutar, Kadhafi disse que o seu poder é “semelhante ao de um rei” e segundo corre, chegou ao ponto de comparar o seu “reinado”, com o da rainha Isabel II. Mais ainda, apontou o facto de Sua Majestade estar no trono britânico desde 1952, não sendo isso um motivo para a atacarem.

Tudo isto, apenas nos faz gritar um bem sonoro “por Alá!”

Na Líbia, o povo é que governa

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O homem diz que “o povo é que governa”. Pelos vistos governa melhor se aviões o bombardear. Coisas destas talvez expliquem o nervosismo de anónimos corporativos que se entretêm a postar fotos de outros com o Kadafi. “Ah e tal se errámos, não estivemos sós”. Puf!, grande coisa. Com o mal dos outros posso eu bem. Mas já ouvi dizer que a seguir publicarão as fotos do seu amado líder num jogging matinal em Tripoli.

Porque há coisas que devem MESMO ser investigadas

Petição Quem financia Rui Pedro Soares e Emídio Rangel?

“Empresas ligadas a Rui Pedro Soares e Emídio Rangel compraram os direitos de transmissão dos jogos da liga Espanhola, quiseram adquirir o Porto Canal, compraram a rádio Europa, preparam um novo semanário e negociam a compra dos direitos de transmissão dos jogos do Benfica.
Até agora estas empresas assinaram compromissos no valor de 12 milhões de euros (3 milhões na Rádio Europa e 9 milhões com a liga Espanhola) mas o investimento total pode ser superior aos 50 milhões de euros. Tudo isto sem que se perceba de onde vem o dinheiro. A MediaPro, empresa espanhola anunciada como parceira destes negócios, tem um passivo superior a 900 milhões de euros e está sob administração judicial.
Considerando que Rui Pedro Soares é arguido no caso Figo/TagusPark e, de acordo com notícias vindas a público, terá tentado comprar o canal TVI com dinheiros públicos,
considerando que é sua renovada intenção criar um novo grupo de media;
considerando que não se percebe de onde vem o dinheiro para estas operações;
Considerando tudo isto, e ao abrigo do seu papel de supervisão, solicita-se à ERC que dê início a um inquérito público para averiguar quais são as fontes de financiamento destes negócios.
Os signatários”

Franco Jara, o Nosso Homem em Estugarda

A equipa que melhor joga futebol em Portugal quebrou final e merecidamente o enguiço alemão.

Franco Jara, o nosso homem em Estugarda, pôs os jogadores alemães de cabeça à roda, sem saberem se lhes serviam Weiss, se lhes serviam Pils, se lhes davam canecas ou rematavam imperiais.

Sálvio inaugurou, Cardoso confirmou, o Benfica dominou. O treinador das Águias no final do jogo só falou do Benfica. Continua a ser o segundo treinador que mais fala do Benfica em todo o mundo, Portugal incluído.

O fundamentalismo contra o tabaco é como o Rantanplan

É uma verdade comprovada pela ciência: o tabaco faz mal à saúde. Fumar as folhas secas da famosa planta já é mau quanto baste. Com os aditivos que lhes são acrescentados, ainda pior. Ao todo, um fumador absorve cerca de 400 mil substâncias prejudiciais à saúde. É verdade: O tabaco mata.

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Mas tal como o tabaco, os fundamentalismos também são prejudiciais à saúde. Já levaram a muitas guerras e mortes e, por eles, defendem-se comportamentos absurdos e acções parvas em nome de excessos ideológicos e outros parecidos.

Como, por exemplo, o fundamentalismo contra o tabaco, que está em crescendo nos últimos anos. As mensagens gigantes nos maços do dito, parecem-me bem, não vá algum míope se lembrar de tirar umas passas. As fotografias de pulmões encharcados de alcatrão nas referidas embalagens também não me afectam, porque já vimos muito pior em noticiários televisivos. Subir os preços e os impostos, até acho piada, porque quem se quer matar graças ao tabaco merece pagar bem cara a portagem desta vida.

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A TVI que os sustente!

O ‘Correio da Manhã’ deu o mote e outros meios de comunicação, jornal “i” por exemplo, interpretaram a cantata ‘Os Salários Milionários da RTP’. Confirmou-se, pois, que na RTP existem 64 profissionais com salários superiores a 5.000 euros mensais.

Do grupo sócio-profissional privilegiado na TV do Estado, existem ‘5 cabeças de cartaz’ que, pelas minhas contas, auferem mais de 978.000 euros anuais. Resta saber se o total apurado inclui encargos da RTP com a segurança social, seguros de acidentes de trabalho e outros. A despesa provavelmente será mais elevada.

E o que mais se pode dizer da afronta? Num tempo de sacrifícios impostos a milhares de funcionários públicos e outros do Sector Empresarial do Estado, onde a RTP se integra, este despautério é revoltante.

O tipo de Estado, de Governo e de políticos de que estamos servidos, pelo que se percebe, não respeitam critérios de decência (há dias, a maioria PS + PSD reprovou cortes salariais aos gestores públicos e, entre os ‘5 magníficos do écran’, existe gente afecta a uma e outra cor).

Corre a notícia de que José Alberto Carvalho e Judite de Sousa já disseram sim à TVI. Fiquei satisfeito e a implorar que a Prisa e o Sr. Pais do Amaral levem da RTP mais umas paletes dessa gente. Que todos comam toneladas de morangos bem açucarados. O risco de diabetes é deles e o dinheiro que custavam à RTP é dos contribuintes. Oxalá haja o bom senso de moralizar os salários na TV estatal. Os contribuintes ficarão gratos.

Boa viagem à Judite e ao Carvalho e, se possível, a outros oriundos da mesma banda. A TVI que os sustente!

Ludvig van Beethoven

Für Elise – Bagatelle in A minor WoO 59 by Beethoven

Sempre escrevemos sobre a crise económica, os jogos de bola, especialmente o Benfica, o meu amado clube que, de certeza, esta noite ganha 2×0! Mudemos de tema. Falemos de música e da melhor bagatela  nunca antes escrita!

O compositor, nascido em Bona, foi baptizado em 17 de Dezembro de 1770 — faleceu em Viena, no dia 26 de Março de 1827 de mudou a fase da música. Introduziu, com o saber do seu professor, Joseph Haydn (1732-1809). É possível supor que tenha nascido a 15 de Dezembro desse ano, porque era hábito cristianizar ao bebé, antes que a morte os puder levar. Como nos tempos de van Beethoven os pequenos morriam prematuramente, as famílias luteranas e católicas romanas, levavam ao bebé a sua paróquia enquanto puder sair de casa, especialmente no frio do inverno da germânica Bonn ou Bona.

Era o segundo filho mais velho de sete irmãos, dos quais apenas sobreviveram, Kaspar Anton Carl van Beethoven (17741815) que também tinha dotes para a música e que morreu com 41 anos; o quarto, Nicolaus Johann van Beethoven (17761848), que se tornou muito rico, graças à indústria farmacêutica, e que morreu com 72 ano. Os outros cinco três faleceram ao nascer, e os outros, com dois anos de idade. O seu pai, (1740

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O Aviador Líbio

Para a Carla Romualdo

e para o seu

Aviador Irlandês

O piloto recebeu ordens superiores.

Receber ordens superiores é o que faz um piloto militar. Receber ordens, assentir, não questionar, cumprir. O ar, para o piloto militar, é meio, não é fim.

O piloto olhou o co-piloto e ambos assentiram questionar e não cumprir. Não bombardear o povo a que se pertence, não bombardear o povo que se é, não bombardear quem se é.

Ao carregar no botão de ejeção, o piloto deixou de pilotar o avião e pilotou a vida. Uma história bonita, estória de heróis quando tudo arde, mesmo que tudo arda, ainda que tudo arda.

Uma estória de aviadores. A história do Aviador Líbio.

 

Gadaffi tem razão: o mundo droga-se

Depois de Daniel Ortega, chegou a vez de Fidel Castro aparecer em apoio de Gadaffi. Nada de espantar: Fidel prestou-se ao envio de Che Guevara para a Bolívia a mando de Brejnev, e as suas canalhices em nome da revolução que conduziu Cuba ao capitalismo de estado, sob a habitual regência do seu clã familiar são por demais conhecidas.
A argumentação é clássica:

Una persona honesta estará siempre contra cualquier injusticia que se cometa con cualquier pueblo del mundo, y la peor de ellas, en este instante, sería guardar silencio ante el crimen que la OTAN se prepara a cometer contra el pueblo libio.

Mais delirante ainda, no Irão, um exemplo de humor muito negro:

Ahmadinejad está chocado: “Como é que alguém pode bombardear e massacrar o seu próprio povo?

Gadaffi tem razão em duas coisas, como qualquer velho relógio parado. Uma: anda por aí muita droga, e andam a  tomá-las sem saber. A segunda quando choramingou: “A rainha Isabel II de Inglaterra governa há mais tempo que eu e ainda não foi derrubada”. Com duas revoluções em meio século temos de convir que em relação aos ingleses os líbios levam vantagem.

Adenda: como o dono latiu, os cachorrinhos amestrados para os lados do PCP, já levantam a patinha no ar. Quando há uma revolução na Líbia os traidores do costume olham para a América. Não é de estranhar, falamos de velhos amigos de Gadaffi.

Amigos amigos, negócios à parte


Os corporativos andam aflitos. Publicam fotos de toda a gente, mas nada daquilo que se espera, apesar das recomendações do sr. Amado quanto a “adaptações inadiáveis”, por exemplo. Já nem sequer falamos dos sectores camaradas do BES, PT e quejandos, mas tão só, de “assuntos de Estado” como eles importantemente gostam de fazer crer.

Aguardam-se ansiosamente, as fotos do grande líder Kadhafi em Lisboa e especialmente, aquelas onde surge o sr. Sócrates e a sua entourage de negociantes de areias em terra de desertos. O google está cheio delas, é só procurar as tendas, o forte à beira Tejo, as “valquírias” que tanto deslumbraram os cooperantes do Público, Expresso e afins. Pelo sim pelo não, já fomos recolhendo algumas fotos da passagem do “caixeiro viajante” que Ahmadinejad enviou às Necessidades, não vão os “boys de serviço” fazê-las desaparecer. Se estivesse no lugar deles, aconselharia o grande-chefe a agendar um encontro com Reza Ciro Pahlavi. Há que garantir os próximos tempos.

É vê-los agora, a sacudir a água do capote. O pior é que estão sob uma portentosa queda, ao estilo Niágara.

"Revolução" e "revolta"


Um acampamento diante do Museu Egípcio. Uma carga de camelos, umas tantas pedradas, dois discursos presidenciais seguidos de uma demissão, uma feira de música e comes e bebes. Afinal de contas, foi isto, a “revolução egípcia”. Os olhinhos dos comentadeiros televisivos brilhavam, quando pronunciaram vezes sem conta, a palavra “revolução”.

Pelo menos até este momento, o Egipto não houve qualquer revolução, tendo-se limitado a um render da guarda militar. Esta é a verdade e nada mais.

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