Ainda o exame da 4.ªclasse

Relativamente ao exame da 4.ª classe (ontem foi o de português e na próxima 6ª feira terá lugar o de matemática) poderemos ver as coisas de diferentes prismas:

– por um lado, a dimensão organizativa que a equipa de Crato levou a cabo;

– a existência de um exame no 4.º como instrumento de avaliação.

No que diz respeito à primeira dimensão  – a segunda parte fica para um post posterior – importa denunciar de forma clara mais uma desigualdade: houve crianças nas escolas públicas que tiveram de fazer uma viagem de vários quilómetros desde a sua aldeia até à escola sede do Agrupamento, normalmente colocada na vila ou na cidade mais próxima. Há casos públicos de viagens superiores a 40 quilómetros e não são quilómetros feitos na A1.

Houve também milhares e milhares de alunos que ficaram sem aulas para que as suas salas fossem usadas nos exames.

Pergunto: não teria sido tudo mais fácil e mais barato se o exame tivesse feito, como sempre, nas respectivas escolas? [Read more…]

Eu, por minha onrra

Decláru k n tragu kk tlm para o esame.

Agora mais a sério, tenho muita pena que se chegue a este ponto. Que um Ministério pense que faz sentido solicitar uma Declaração de Honra a crianças com 9 anos.

Juro que me apetecia insultar esta gente menor, mas não o vou fazer. Mas é tão complicado resistir a tanta ignorância…

 

Despedir professores é preciso, ensinar não é preciso

Os concursos dos professores para o próximo ano lectivo servirão para dar continuidade ao processo de desmantelamento das escolas, actividade que implica a continuação de despedimento de professores.

O Ministério continua a dizer que foram as escolas a indicar de quantos professores necessitarão, procurando passar a ideia de que se limita a receber informação, decidindo em conformidade. A verdade é que as informações dadas pelas escolas dependem de instruções vindas do Ministério, para além de resultarem de outras decisões da tutela.

Nuno Crato tem mentido descaradamente, quando refere como causas para o desemprego docente a baixa de natalidade, como se isso, só por si, pudesse justificar o despedimento maciço de professores ocorrido nos últimos anos. A verdade é que o número de alunos não diminuiu a ponto de justificar o que tem acontecido. O problema está no aumento do número de alunos por turma ou na redução brutal do currículo, entre outras medidas anti-pedagógicas.

Como se isso não bastasse, ficamos a saber que as necessidades comunicadas pelas escolas escolas terão sido ignoradas ou alteradas, o que vai de encontro a muitas informações que se vão sabendo, como a que nos dá o João Paulo.

O futuro das escolas públicas, segundo Nuno Crato, inclui o afastamento de professores mais experientes e o aumento do número de horas lectivas para cada professor, de maneira a que tudo fique muito baratinho ao Estado ou aos privados que estão à espreita para alargar o negócio à custa da exploração de professores em regime de precariedade.

Entretanto, sabe quem é o verdadeiro mexilhão? O seu filho, o seu neto, o seu sobrinho ou o filho do seu amigo.

Quem estiver verdadeiramente preocupado com os problemas educativos do país, deverá estar ao lado dos professores, que não se deverão limitar a lutar pelos seus problemas laborais. Quem estiver preocupado em achincalhar ou em invejar os professores, não está preocupado com o mexilhão.

Novo programa de matemática revogado por Crato

Confesso que não sei se me apetece rir, se me apetece chorar…

Há coisas que nos acontecem e que temos dificuldade em acreditar. Juro por todos os santinhos que comecei por pensar que se tratava de uma brincadeira, mas vejo que está longe de o ser. Quer dizer, é capaz de ser uma anedota, mas com muito pouca piada. Reparem:

– o programa de matemática é de 2007. Foi colocado no terreno aos pouquinhos, uns anos atrás dos outros e no primeiro ciclo ainda não houve uma série contínua de 4 anos, só para perceber, caro leitor, como estamos a falar de uma novidade.

– nós, os professores de matemática, estamos agora a começar a conhecer o programa em profundidade, a identificar soluções, caminhos, coisas melhores e outras menos positivas.

– podia até pensar nas mais de 300 horas de formação que tive, as aulas assistidas por colegas das faculdades, as horas perdidas em viagens pelas terras de Santa Maria da Feira para reuniões e mais reuniões… Podia citar isso tudo, mas só me lembro da cara dos meus putos quando arranquei com esta coisa dos novos programas, das dificuldades que os olhos deles me mostravam e das tentativas de construir caminhos que todos os professores foram conseguindo trilhar, para agora virem estes incompetentes…

E hoje:

5 – Em consequência, o Programa de Matemática para o Ensino Básico de 2007, que, de acordo com a sua própria introdução, constituía ainda “um reajustamento do Programa de Matemática para o ensino básico, datado do início dos anos noventa”, fica revogado a partir do ano lectivo de 2013-2014, passando a constituir-se como documento de referência auxiliar, de acordo com normas de transição a serem concretizadas”

Não consigo dizer mais do que isto – estou COMPLETAMENTE sem palavras!

Como diz o meu amigo Nabais, vão brincar com o CARALHO!

O triunfo dos lobos

govNum país em que a corrupção ou está legalizada ou é ilegal porém sujeita a habilidades jurídicas que lhe permitem sobreviver, o dinheiro que tem passado pelos cofres públicos serve, há mais de trinta anos, para distribuir favores de modo mais ou menos directo, quando deveria ter servido para desenvolver o país. Em vez disso, passou para as mãos dos que souberam escolher a cor certa, a ponto de ser possível afirmar que um cartão partidário é, no fundo, um cartão de crédito.

Assim, o Estado, democraticamente usurpado por quem o tem roubado, depois de ter gasto o nosso dinheiro em putas e bebidas estrangeiras caríssimas (e não em vinho verde, que, pelo menos, traria receitas ao Minho), vem, agora, dizer que não há dinheiro para o Estado Social, para a Educação e para a Saúde, do mesmo modo que um pai alcoólico poderá queixar-se dos filhos cuja alimentação lhe retira os trocos necessários à bebedeira quotidiana. [Read more…]

Mega-agrupamentos: como desagregar escolas

contabilidadeA questão do tamanho das escolas é um factor fundamental para a qualidade do ensino. Nuno Crato, depois de, em 2010, ter criticado os mega-agrupamentos impostos por José Sócrates, prossegue a mesma política, orgulhando-se do que poupa, fingindo que não há perdas irreparáveis naquilo que é fundamental e mentindo repetidamente, quando afirma que tudo é feito com a aquiescência de autarquias e encarregados de educação. [Read more…]

Os professores explicados aos não professores

Ser Professor é um problema, principalmente, quando queremos explicar o que se passa com os professores aos que não são professores.

Prometo que não vou contribuir para a retórica da classe de que se trabalha muito, de que se leva trabalho para casa, que…  Vamos esquecer isso tudo e olhar para o momento com um outro olhar – o olhar de pai.

Vejamos:

– de acordo com o Sr. Ministro Nuno Crato teremos em Portugal cerca de 105 mil docentes nos quadros e, um pouco mais de 10 mil contratados. Ou seja, em menos de 600 mil funcionários públicos, temos cerca de 115 mil professores. Logo, quando o Governo tem como prioridade despedir pessoas (há quem lhe chame poupança) diria que, 1 em cada 6 terá que ser professor.

– nos dois últimos anos o MEC recorreu a duas armas: despediu docentes a contrato e empurrou mais uns milhares (20 mil) para a aposentação.

Aparentemente, nas Escolas, do ponto de vista dos pais, continua tudo a correr com relativa normalidade. Mas, então, isso significa que Nuno Crato tinha (tem!) razão quando dispensou tantos Professores? [Read more…]

Exames do Salazar

O Sr. Ministro Nuno Crato resolveu introduzir exames no fim do 4º ano. Trata-se de mais uma medida ideológica que nãoEnsino Primário tem qualquer enquadramento pedagógico, mas que é muito bem aceite pelo sr. Senso-comum, que, infelizmente, também é parte importante da reflexão de muitos professores. Neste ponto, infelizmente, a ignorância de quem manda é acompanhada pelo desespero de quem trabalha.

Explico:

É normal (sim, a palavra não é excessiva!) encontrar alunos no 5º ano que não sabem ler ou escrever e quanto às operações, as tabuadas e outro tipo de conteúdos a situação é, em muitos casos catastrófica. Ora, para muitos docentes, a possibilidade de impedir a progressão dos alunos entre o 4º e o 5º é a solução para esta questão – ficam lá trás sugadinhos e não nos incomodam aqui. Pouco parecem preocupados em limpar o rio na nascente e estão apenas a pensar na foz.

Mas, Nuno Crato, na sua dimensão ideológica pró-pidesca, desconfia de tudo e de todos e resolveu fazer chegar às escolas um conjunto de normas para a organização destes exames que são absurdas e que mostram a desconfiança com que a administração olha para as escolas e, neste caso, para os professores. [Read more…]

Ministério da Educação: como despedir trabalhadores necessários

pblico 1set2012A notícia já tem alguns dias, mas vale a pena, ainda, comentá-la: desde 2009, o concelho do Barreiro perdeu 222 professores, enquanto o número de alunos tem aumentado.

As causas para este facto são apontadas na mesma notícia: os mega-agrupamentos, o aumento do número de alunos por turma, a redução da carga horária de algumas disciplinas e a redução de pessoas nas direcções.

Se se tivesse a certeza de que alguma dessas medidas serviria para melhorar as condições de trabalho das escolas, ainda poderia concluir-se que havia professores a mais. A verdade é que são prejudiciais para aquilo que é essencial: as aprendizagens dos alunos.

Pelo meio, esta situação torna ainda mais risível a propaganda que aponta a baixa de natalidade como causa para a dispensa de milhares de professores: mesmo admitindo que na maioria dos concelhos o número de alunos possa ter diminuído, ao contrário do que acontece no Barreiro, a diminuição de nascimentos está muito longe de justificar o despedimento maciço dos últimos anos.

A repartição do Ministério das Finanças a que chamam Ministério da Educação soube inventar maneiras de despedir trabalhadores fundamentais, prejudicando, desse modo, o país. Com uma opinião pública desinteressada, qualquer declaração vaga sobre natalidade ou rácios constituem bacalhau bastante.

Desfazer a Escola Pública vai começar

Ou antes, continuar!

O Ministério da Educação, na linha do Primeiro-ministro Vítor Gaspar, tem uma linha bem clara que o separa da escola pública – a linha que o leva da defesa da Escola Pública à sua venda.

Podemos ter muitos olhares sobre o que é e o que deverá ser a Escola Pública, mas este não é o momento para grandes discussões porque o trabalho de Crato tem sido muito claro.

A aposta do Governo no apoio aos colégios privados e na passagem da Formação Profissional para o IEFP são apenas duas das medidas de que se fala. Imaginem o que vai acontecer à Escola Pública, nomeadamente às Escolas Secundárias, se todos os cursos profissionais passarem para a gestão do IEFP:

– Quantos horários zero? Quantos professores iriam para a mobilidade? Quantos serão despedidos?

Nota: houve escolas secundárias que foram contactadas para receberem, nas suas instalações, cursos do IEFP.

Ser Pai, que papel perante a Escola?

Nos últimos tempos, se calhar por força da idade – à média de um por ano, todos vamos avançando – tenho usado duas ideias muito próximas:

Nós Somos Nós e as nossas circunstâncias e
Um ponto de vista é sempre uma vista a partir de um ponto.

E a minha relação com a Escola, de onde não consigo sair desde os 6 anos, tem mudado muito, em particular no último ano, onde a dimensão de pai, com filhos na escola, me levou para um novo olhar sobre a Educação.

Com alguma facilidade em apoiar os meus pequenos nas tarefas escolares, tenho vacilado no papel que devo ter – entre o resultado imediato e o trabalho de médio, longo prazo, por exemplo.

Entre o discurso “se o professor que assim, vamos fazer assim”, ainda que …

E onde deve estar a fronteira entre o professor / colega e o pai de um aluno?

Mesmo correndo o risco deste ter sido o post mais estúpido da história do Aventar, não quis deixar de vos pedir ajuda: como é que fazem esta gestão?

E para não dizerem que foi tudo tempo perdido, deixo o link para um blogue que tenho vindo a construir com os conteúdos que eles precisam na escola.

Acordo ortográfico: requerimento formal dirigido aos Ministros da Educação e dos Negócios Estrangeiros

Madalena Homem Cardoso

(Este Requerimento obriga a resposta e a apresentação de documentos, sob pena de despacho judicial urgente, intimando os Ministros para o mesmo efeito, caso não dêem resposta e apresentem a documentação solicitada dentro do prazo fixado na Lei.)

a lei

Estátua “A LEI” (Francisco Santos) – Assembleia da República

Exmos. Senhores

Ministro da Educação e Ciência e

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

Prof. Doutor Nuno Crato / Avenida 5 de Outubro, 197 / 1069-018 Lisboa

Dr. Paulo Portas / Palácio das Necessidades, Largo do Rilvas /1399-030 Lisboa

REQUERIMENTO

Madalena ▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓ Homem Cardoso, portadora do B.I. nº ▓▓▓▓▓▓▓, emitido pelos S.I.C. de Lisboa em ▓▓▓▓▓▓▓▓, mãe e Encarregada de Educação de Inês ▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓, aluna nº ▓ da turma ▓ do 3º ano da EB1 ▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓, em Lisboa, na sequência da Carta Aberta por si dirigida a S. Exa. o Senhor Ministro da Educação com data de 24/03/2012, para a qual não logrou obter qualquer resposta durante os mais de nove meses desde então decorridos, vem interpelar Vossas Excelências por via do presente requerimento, tendo em conta que: [Read more…]

Governo quer dispensar 50 mil profissionais na Educação

Será que ainda precisam de mais motivos para participar na manifestação ou está bom assim?Manif_26jan2013

Será que é preciso mais algum exemplo para provar que esta gente não está nada preocupada com o Sistema Educativo, nem com a qualidade do que lá é feito?

Dispensar na Educação, sejam Professores, sejam Funcionários só poderá acontecer à custa da qualidade, isto é, do serviço que é prestado aos alunos – quem é pai sabe em que condições estão as escolas ao nível dos funcionários.

Para dispensar Professores só fazendo uma de duas coisas, ou ambas:

– aumentar o número de alunos por turma (mais de 30?);

– aumentar o horário de trabalho dos Professores. Neste caso, obviamente, se trabalho mais tempo com mais alunos, alguém (além do próprio!) irá ficar a perder: os alunos.

Confesso que já não há paciência para o e-bio, para a avaliação e até para quantos entram no IEFP ou quantos foram excluídos – o que está em causa é a ESCOLA PÚBLICA!

Da série ai aguenta, aguenta (18)

Matar a fome na escola

O país do faz de conta

Texto lapidar do João Ruivo. Se, depois de lerem, não ficarem revoltados, podem pedir a vossa certidão de óbito.

Passos Coelho quer tornar o ensino inconstitucional

Conheço, pelo menos, uma pessoa que se preocupa em entender aquilo que Passos Coelho diz: essa pessoa sou eu. Em contrapartida, conheço outra pessoa que não se preocupa nada com aquilo que Passos Coelho diz: é o próprio Passos Coelho. Quando alguém se preocupa com aquilo que (se) diz, procura consistência, deseja coerência. O primeiro-ministro, desde que prometeu não subir impostos ou não retirar subsídios, não está preocupado com aquilo que diz. Ele saberá porquê.

Eu, pelo contrário, preocupo-me. É por isso que reflecti sobre o que li na notícia do Público, ao saber que Passos Coelho voltou a falar sobre ensino e respectivo financiamento.

Vejamos, então. Passos, pelos vistos, constatou que, “apesar do [sic] ensino obrigatório ser gratuito”, as famílias “fazem um esforço muito considerável”, reconhecendo, sem se aperceber, que o ensino, afinal, não é gratuito, mesmo quando é obrigatório. Seria, ainda assim, muito esperar que desenvolvesse um pouco mais esse raciocínio.

De seguida, estendeu a sua análise ao ensino secundário, procurando distingui-lo do obrigatório, e ao superior, voltando a reconhecer que existe, de facto, “aquilo a que se chama um co-financiamento assumido pelas famílias”. Já se sabe que as palavras, para Passos Coelho, não têm grande importância, mas até se poderia ficar com a impressão de que as famílias é que resolveram assumir o co-financiamento, quando, na realidade, foram obrigadas a fazê-lo, porque o Estado não lhes deixou outra saída. [Read more…]

O fim dos planos de recuperação

“passas o tempo a esfolar para o patrão
que dá um pão mas que o tira sem razão
deixas o emprego mas o esquema continua
contrato de 6 meses e depois vais para a rua
pára de sonhar, estás embalsamado
recebe as tuas ordens como um teleguiado”

A primeira página do jornal Público traz em destaque, mais uma vez, uma questão do foro educativo – os planos de recuperação.publico

Mesmo para quem não está por dentro destas coisas, já não será surpresa o destaque dado pela comunicação social escrita às questões da educação, porque apesar dos milhares de despedimentos, ainda há uma centena de milhar de docentes nas escolas, mais uns quantos por aí desempregados ou a tapar buracos e há, claro, muitos pais e muitas pessoas sempre interessadas na cousa educativa.

E, desta vez, Crato dá uma no crato e outra na ferradura, que é como quem diz, faz um bonito junto de parte da classe, que assim se vê livre duma burocracia sem sentido. No entanto a questão central está longe de se resolver e quanto a isso Nuno Crato e o seu Ministério dizem zero!

Vamos então aos detalhes.

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Alunos ainda sem professor

E o melhor de Nuno Crato continua a chegar à Escola Pública!

Claro que tudo isto agrada ao Primeiro-Ministro Vitor Gaspar e ao seu adjunto, Pedro Passos Coelho – sempre são uns milhares do lado da d-e-s-p-e-s-a…

Já sei que vão ler isto como o discurso do sindicalista e blá, blá, blá

Mas, pelo menos por uma só vez dediquem  um bocadinho do vosso tempo a olhar para o essencial – Nuno Crato inventou uma nova forma de colocar Professores. Qual é o resultado?

Chegamos ao fim de Novembro e ainda há professores por colocar – deixo-vos um exemplo para não vos incomodar com casos pessoais .

Admito que possam, neste momento, estar a pensar que a culpa é das Escolas ou dos professores – uns porque não desenvolvem os procedimentos mais correctos e outros porque não querem trabalhar! Errado!

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Uma discussão interessante

Será indicado professores e alunos serem amigos na Internet?

Embora baralhada pelos graus de ensino.

Diz que há autores mais actuais do que Camilo

Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português, entre alguns comentários acertados acerca das discrepâncias entre as metas curriculares e os programas de Português, comenta a possibilidade de Camilo Castelo Branco voltar a ser estudado na disciplina de língua materna: “Durante muitos anos esteve no Secundário, mas as pessoas acharam que tinha de sair. Não me chocaria que voltasse a aparecer nos currículos, embora eu ache que há escritores mais actuais.”

Em primeiro lugar, é necessário notar que “as pessoas” constitui uma expressão demasiado vaga. Seria mais rigoroso afirmar que isso foi da responsabilidade dos autores autores dos programas de Português, programas esses que, goste-se ou não, reduziram o peso da literatura portuguesa e, concomitantemente, da história da literatura portuguesa. [Read more…]

Alunos sem aulas desde Setembro: a longa greve de Nuno Crato

No Agrupamento de Escolas do Cerco, no Porto, há 300 alunos que continuam sem aulas desde Setembro, em consequência do novo processo de contratação imposto pelo Ministério da Educação. Situações como esta existem em várias escolas do país. Em nome de um simulacro de autonomia, a vida das escolas continua emperrada por burocracia, com prejuízo para os alunos.

Confirma-se, mais uma vez, que Nuno Crato, como Ministro da Educação, está em greve desde o início do mandato. Aguarda-se, a todo o momento, que comece a trabalhar. São pessoas destas que dão mau nome aos grevistas.

Nuno Crato, o marialva bissexto

Um dia, deu-me para escrever sobre o político marialva, essa espécie que, aparentemente, é frontal e corajosa, sendo que essa aparência não passa de um verniz que engana jornalistas incompetentes e portuguesinhos preguiçosos.

Nuno Crato integrou muito bem esse rebanho e o recente projecto de passar o ensino profissional para os institutos politécnicos é mais um sintoma de uma integração perfeita. Vejamos.

Há pouco tempo, Nuno Crato explicou, com aparente frontalidade, que havia menos alunos e que, portanto, não havia lugar para tantos professores nas escolas básicas e secundárias. Dito de outra maneira: se as escolas não conseguem angariar mais clientes, têm de despedir trabalhadores.

De repente, descobre-se que os institutos politécnicos estão em dificuldades, havendo, igualmente, falta de alunos. O ministro marialva do parágrafo anterior teria uma solução muito simples: despedir professores. Estranhamente, Nuno Crato inventa uma solução absurda, baseada em argumentos absurdos, mantendo uma sobranceria marialva face a ensino não superior, que, de acordo com esta medida, será, mais uma vez, sacrificado.

O marialvismo, no entanto, não passa de um verniz que estala de modo evidente: quem se mostra tão servil diante do superior é, afinal, um fraco, tal como quem precisa de mentir para justificar o despedimento de milhares de professores.

Nuno Crato prescinde de ser Ministro da Educação

Embora tenha criado, ao longo dos últimos anos, uma imagem de rigor, Nuno Crato limita-se a tomar decisões importantes, usando de uma enorme leviandade com a educação dos jovens portugueses, talvez porque ser um assunto que não lhe interessa, uma vez que é Ministro da Educação de direito e não de facto.

Durante a apresentação de um livro de José Azcue, em que o autor, segundo parece, defende a importância das turmas pequenas, Nuno Crato volta a proferir uma série de disparates, regressando à argumentação de que antigamente até havia turmas com mais de trinta alunos.

Com a falta de rigor e de preocupação que o caracterizam, ainda diz coisas como: “quando se está a fazer experiências de laboratório, convém que a turma seja mais reduzida, mas se se está a dar uma lição sobre outro assunto qualquer pode-se facilmente ir aos 30 [alunos] que não vai haver problema nenhum”.

De Nuno Crato já só espero que saia do Ministério da Educação o mais depressa possível. Enquanto não sai, gostaria que nos explicasse por que razão as turmas não podem ter 35 ou 40 alunos.

Uma verdade repetida muitas vezes

Poderá um dia ser vista como A verdade.

A vontade salazarista de cortar e destruir tudo o que é público, tudo o que se possa assemelhar a algum tipo de redistribuição da riqueza do país tem feito algum caminho, com os resultados que estão à vista – de PEC em PEC, cortando mais do que nos exigia a TROIKA e eis o resultado: o abismo.

Já se fala em novos cortes, especialmente na Educação onde Nuno Crato tem defendido a natalidade como a Mãe de todos os problemas.

Mas são os documentos do próprio Ministério que desmentem o sr. Ministro.

Os números são claros: de 2004 a 2011 o número total de alunos passou de 1683008 para 1822153, enquanto o número de docentes desceu de 180483 para 177251 – nestes números estão considerados todos os sub-sistemas, públicos e privados.

Caros leitores, a verdade é esta: o número de alunos no sistema educativo aumentou! [Read more…]

O ensino profissional como desistência e retrocesso

Penso que ninguém põe em causa as virtudes do ensino profissional, desde que encarado, sobretudo, como uma escolha consciente dos alunos e não como um reduto para quem tenha revelado dificuldades de aprendizagem.

Ana Maria Bettencourt, presidente do Conselho Nacional de Educação, e Luís Capucha, antigo director das Associação Nacional para a Qualificação (responsável pelas Novas Oportunidades) criticaram o recentemente encantamento de Nuno Crato com o sistema dual alemão, tendo em conta que obriga dos alunos a escolher um percurso profissionalizante numa fase precoce da vida. Para além disso, como lembra bem Luís Capucha, Portugal “não tem um tecido empresarial suficientemente forte e consolidado para assumir a formação profissional”. [Read more…]

Nuno Crato prepara mais despedimentos de professores

O interesse que os responsáveis governativos mostram pelo ensino profissional releva de uma visão distorcida da Educação. Antes de mais, o ensino profissional é visto como uma alternativa para os alunos que revelam dificuldades. Assim, por um lado, desvaloriza-se o ensino profissional como verdadeira escolha e, por outro, o Estado demite-se de acompanhar os alunos com dificuldades, o que implicaria, é claro, verdadeiro investimento na Educação.

É, também, nesse contexto, que se insere a ida de Nuno Crato à Alemanha para conhecer o sistema dual, que, aliás, já tem ramificações em Portugal. Para além disso, no entanto, desconfio de que esse sistema contém verdadeiras potencialidades no âmbito da actividade preferida do Ministério da Educação: despedir professores. Efectivamente, o facto de uma boa parte da formação ser feita em empresas, em contexto de trabalho, poderá constituir uma oportunidade para afastar mais técnicos e professores das escolas, ao mesmo tempo que poderá ser um modo de, através de uma variante das parcerias público-privadas, colocar mais alguns dinheiros públicos nas mãos dos privados.

Pode ser que me engane. Pode ser que nos enganem.

Ofertas de escola – confirmam-se as ilegalidades

Sim, outra vez as ofertas de escola.

Só numa escola, segundo a SIC, são 40 os docentes que, com um mês de aulas, têm que deixar os seus alunos, uma vez que o concurso aí realizado foi ilegal.

O Ministério de Nuno Crato deixou as escolas e os Directores às escuras durante dois meses e só esta semana deu indicações sobre os procedimentos a seguir – naturalmente houve escolas que seguiram um caminho e outras que fizeram outras opções. Umas tiveram a sorte de acertar, outras não.

Esta foi também a semana da 6ª colocação de professores, no que à Reserva de Recrutamento diz respeito! Imagem, no entanto, que um mês depois das aulas terem começado, o meu filho continua sem Professor de Educação Física.

Durante um mês foi um ai jesus nas Direcções das escolas e um pouco por todos os cantos onde existe um professor desempregado.

Mas, apesar das colocações semanais e dos esclarecimentos há um facto que continua a ser verdade: há alunos nas escolas sem professores e professores em casa, despedidos, sem alunos.

Que Educação é esta Nuno Crato?

Que raio de Plano Inclinado tens tu?

Os alunos podem e devem avaliar os professores

Traz a revista do Público hoje umas coisas interessantes sobre algumas experiências que se fazem nos EUA, nas quais se pretende através de inquéritos complexos que os alunos avaliem os seus professores.

Sei qualquer coizita sobre o assunto de forma muito empírica e pessoal: desde que sou professor que todos os períodos (ou quase  nem sempre há tempo) os meus alunos são convidados a escreverem numa folha de papel o que pensam sobre o meu trabalho, normalmente entregam-no anonimamente e em tempos pedia-lhes que me avaliassem na mesma escala em que o faço.

Guardo religiosamente esses pedaços de papel que muito jeito me deram. Ter um retorno do que fazemos é a única forma que conheço de melhorar o nosso trabalho. Serve a prática para mais do que isso? [Read more…]

O maior problema das escolas é o Ministério da Educação

Se o Ministério da Educação (MEC) tivesse algum poder sobre as salas de operações, qualquer cirurgião viveria em constante sobressalto, sem nunca ter a certeza se, no dia seguinte, sairia uma ordem de serviço que o obrigaria a operar com um talher de peixe ou se seria obrigado a substituir a anestesia por uma dose de bagaceira (em princípio, para o paciente).

Para quem não conhece a vida das escolas, pode parecer que exagero, mas a verdade é que o MEC é, desde há vários anos, uma fonte garantida de instabilidade e de desvario: todos os profissionais do ensino vivem cientes de que qualquer regra pode ser alterada em qualquer altura e de que as mudanças são, quase sempre, para pior. [Read more…]

Alterações nos exames nacionais: incompetência ou má-fé?

De repente, o Ministério da Educação (MEC) resolveu alterar aquilo que estava estabelecido há vários anos, apanhando, mais uma vez, de surpresa, alunos, professores e encarregados de educação. Ao contrário do que acontecia até agora, os exames nacionais de 12º passarão a incidir sobre matéria dos três anos do Ensino Secundário, o que acontecerá já no final do presente ano lectivo.

Quando entravam para o Ensino Secundário, os alunos sabiam com o que contavam. No caso do Português, por exemplo, os alunos, ao iniciar o 10º ano, eram informados de que a matéria que constaria do exame nacional de 12º se referia apenas àquilo que era leccionado neste último ano. Como é evidente, todas as partes intervenientes tinham isso em conta, desde o início do percurso. [Read more…]