Pobres, parvos e de mãos atadas

Os manifestantes que irritaram a presidente actualmente em funções na Assembleia da República, Assunção Esteves, não passavam de agitadores para ali enviados pelo PCP, dizem-me vários. É provável. Em qualquer caso, o sindicalista Mário Nogueira andava por lá, e aquilo terá porventura sido uma acção combinada (os jornalistas das têvês referiram os olhares suspeitos que esses elementos presentes nas galerias ditas do povo da AR trocaram entre si antes da performance propriamente dita), e não uma reacção espontânea vinda de cidadãos ali reunidos de forma não-organizada.

No entanto, vale a pena observar a que ponto a indignação os tomou, como de resto tem tomado muitos mais que se têm manifestado desde que a vida em Portugal se tornou um verdadeiro inferno para a maioria – que são os que pagam a austeridade deste Governo, o IVA a 23% nas facturas dos fornecedores domésticos, as propinas imorais (no caso dos que ainda conseguem manter os filhos e netos a estudar), os cortes nas funções sociais do Estado (o aumento das taxas moderadoras nas consultas e urgências hopsitalares, por exemplo), e também a reforma dourada de Assunção Esteves. Comunistas ou não, as suas vidas (sejam eles trabalhadores, desempregados, aposentados ou pensionistas) estão transformadas numa luta pela sobrevivência que os indigna. [Read more…]

Global?

globo quebra cabeça

Mais um movimento anti-partidos a defender (em acordês) a ideia de um mundo global de governação cidadã. Um movimento de anónimos, em prol da democracia participativa. Será por aí, menos a parte global.

Estamos lixados

Sim, o governo detesta os portugueses, que retribuem o desamor desde há muito. Mas os divórcios, creio eu, não dependem regra-geral dessas paixões, bastando que uma da partes tenha interesses importantes para si a defender para que a outra fique amarrada. Havendo comunhão de bens e terceiros interessados, então é um problema do diacho. Entretanto, António José Seguro é aplaudido freneticamente pelas bases do PS, glorificado por Deus sabe o quê, enquanto discursa em pose de guerreiro. Se ainda fosse Quixote… De um lado o regresso aos mercados, do outro a demagogia mentirosa e ainda por cima socialista. A propaganda partidária na sua versão decadente, no Portugal imortal sempre anacrónico, no exacto momento em que a democracia participativa entra nas agendas, por não mais ser possível nalguns outros países da UE ignorar a força transformadora da participação cidadã e da decisão política esclarecida. Estamos lixados. Sai-nos realmente caro tanto subdesenvolvimento. Sai-nos ao preço do sangue e da fome. É preciso desenvolver a partir de baixo, a partir do começo de cada vida humana – a partir da Educação e da Cultura, a partir do valores que verdadeiramente fazem evoluir as sociedades, com verdade, e coração, com homens e mulheres rectos, livres, íntegros, capazes de representar os outros, ambicionando conquistas duradouras que servirão outros que não eles, e não casas, carros, reformas douradas e outras glórias ridículas que lhes sobreviverão, eternizando as injustiças.

A hora do Sul

la_cassure

Um novo livro do politólogo e especialista em relações internacionais Bertrand Badie (n.1950) e do jornalista Dominique Vidal (n.1950) ajuda a pensar o nosso mundo em ruptura. La cassure (editora La découverte, colecção L’état du monde, dirigida pelos dois) defende a salvação daquilo a que chamam “o soldado político”. Quem é este novo recruta? Não é novo, mas tem andado a dormir na forma, enquanto o modelo norte-americano dava cabo do contrato social na Europa, elevando o marketing e as ciências da gestão (designações mentirosas para o que nunca passou de comércio) ao estatuto de religião monoteísta dos Estados. [Read more…]

O devir histórico (4)

Continuando.

A lógica da política palaciana, do clientelismo, tomou conta dos partidos políticos desde os primeiros passos do parlamentarismo, enraizando-se com a República, e bolorizando com o Estado Novo. E, infelizmente, a Revolução de Abril nada fez nesta matéria. Aliás, o clientelismo e as lógicas de interesses absolutamente estranhos ao interesse nacional, adquiriram elevados graus de sofisticação em plena democracia. Ao ponto de termos uma classe política cada vez mais descredibilizada. Não sendo estranho, por isso, que as manifestações populares de descontentamento agreguem mais gente não quando são convocadas pelos partidos políticos ou por centrais sindicais, mas sim pelas redes sociais. Por entre radicalizados discursos do “não pagamos” e “que se lixe a troika” e outros tantos que, alucinadamente, fazem da austeridade a solução e o ponto de partida para o crescimento económico, vai-se percebendo que a verdade estará algures no meio onde ainda nenhum partido foi nem será capaz de chegar. E não irá chegar porque há muito que a luta partidária, perdeu o interesse nacional como sua referência. Seja por dogmatismo ideológico ou por capitulação a interesses privados. A verbalização do combate político entre partidos, soa cada vez mais estranha aos ouvidos do povo, porque se reconduzem, sempre e tanto, à lógica da conquista do poder. O que nos deixa apenas a cidadania como solução. E para isso as instituições de representação política têm de se abrir ao cidadão, e libertarem-se do monopólio partidário. Da mesma forma que se deverá assegurar que quem lá está, prossegue o interesse público e não qualquer outro. Desde logo é tempo de alterar o regime electivo e funcional do Parlamento, permitindo candidaturas independentes, e obrigando à absoluta exclusividade dos deputados, não se podendo estar com um pé a defender o interesse público, e outro pé a defender interesses privados em actividades paralelas. Acabar com assessorias, motoristas e demais mordomias. Aproximar os representantes políticos, das condições reais em que os representados vivem. É urgente acabar com o monopólio dos partidos políticos. É urgente abrir a política à cidadania, a candidaturas independentes. Talvez a “ concorrência” sirva para trazer os partidos de volta ao povo. Ao fim de tanto tempo, já vai sendo hora.

A Alemanha tem um Fraquinho por nós

Confesso as minhas dificuldades para farejar caninamente um rumo para os tempos históricos que vivemos, mas esforço-me com ganas — a espaços com muitas ganas e caralhadas a mais — armado em perdigueiro pelo menos da nossa realidade política viciosa. Enquanto espécie e civilização, coleccionamos não pequenos exemplos de cegueira para o cenário macro, pois os pequenos acontecimentos que nos afectam pessoalmente retiram-nos a atenção para o que de mais crítico suceda no plano geral. Sorrateiramente, a Alemanha voltou a ditar as regras na Europa. Goste-se ou não, está numa posição de força. De novo. As coisas são o que são. Antes e para além das declarações de amor e irredutibilidade em nossa defesa por parte de Wolfgang Schäuble, coisa significativa, Pedro Passos Coelho e o seu Mastermind Mentor Gaspar tomaram partido, em nome por ventura de um tipo de prudência, jogo pelo seguro, segundo o nosso velho e ambíguo modo de defender interesses entre forças contraditórias superiores à nossa e sobretudo dada a nossa actual posição negocial vulnerável. Ambiguidade diplomática que muitos descreveriam como unívoca, Alemanha, Alemanha, Alemanha. Não o poderemos descortinar agora. Negociar bem e preservando um bem maior, não o fizéramos já nos anos quarenta do século XX?! Na altura resultou. Volfrâmio e conservas para uns, volfrâmio e palmadinhas nas costas para outros. Seguro é todo por uma esperança francesa radicada nas falinhas mansas de Hollande, ele próprio afinal a braços com medidas duras, drásticas, impopulares, e com a França por alguma razão já sob o fogo de artilharia agenciária. Não sabemos a que grau evoluirá esse bombardeamento e se recrudescerá. [Read more…]

Jornal, café, sonho e cidadania

Neste tempo em que até o jornalismo entrou em crise, com greves e despedimentos colectivos como no PÚBLICO, há que fazer a sua justíssima defesa.
Precisamos do bom jornalismo que nos traz as diárias notícias da austeridade e afins, mas também das outras sobre um mundo que «pula e avança» apesar de tudo, do não obstante, do contudo.
Procuramos e necessitamos da verdade, como do pão para a boca e do café pela manhã antes de começar o dia (seja ele como for)! E da verdade não apenas da realidade, mas também a dos sonhos de cada um. Não serão eles mais reais? Os sonhos são o futuro – deviam contar mais. E o país tem que os ter e se não os tem, que os tenhamos nós, individualmente. Sonhos pequeninos, não faz mal, mas que todos juntos constroem algo grande. ( Já estou a divagar. É o que dá fumar um post…)
Faço hoje o meu post com um texto do geógrafo João Seixas (PÚBLICO, 28/10) defensor dos jornais e que subscrevo totalmente: [Read more…]

Democracia e Capitalismo são compatíveis?

Portugal vive há uns tempos sob a tutela estrangeira e com mais ou menos mentiras de quem nos governa, todos os indicadores mostram que o caminho escolhido não serve.

Dizem-nos que é muito difícil ser deputado da maioria, imagino que tal reflexão, deste boy, surge num contexto solidário em que o senhor deputado vai ficar a viver com os 377 euros do subsídio de desemprego. Só pode!

E se o caminho não serve, podemos procurar encontrar outros, ainda que concorde com o Ricardo Araújo Pereira que na Visão aponta uma coisa óbvia – não tem que haver alternativa no caso em que algo é manifestamente mau. Se a receita que está a ser aplicada não serve, para que acabe não é preciso haver alternativa. Basta que pare!

E são cada vez mais as vozes que procuram caminhos alternativos.

O Fórum “Cidadania pelo Estado Social” é uma dessas iniciativas e hoje, em Braga, na Universidade do Minho, aconteceu mais um debate, onde a Educação Pública esteve em cima da mesa. [Read more…]

Constituição islandesa feita pelos cidadãos

Salta-me à vista esta notícia, «vinda» da Islândia: “A futura Constituição islandesa poderá ser a primeira no mundo a incluir propostas redigidas por cidadãos (…) 25 pessoas de diferentes áreas eleitas em 2010 e que ao longo de 2011 pediram ideias a todos os islandeses através da Internet, obtendo 3600 comentários e 370 sugestões. (…)  As reivindicações para a que a nova Constituição fosse redigida por cidadãos seguem-se à crise de 2008, quando o sistema bancário do país entrou em colapso.”

O povo a escrever a sua Constituição!

Que se copiem os bons exemplos. Será que conseguimos? Eu acredito que sim!

(Não estará na altura certa?)

E por falar na Islândia… Sabia que o desemprego neste país desceu de 12%, em maio de 2010, para os 5%, em setembro deste ano?

Eles estão a trabalhar bem!

Clube dos Pensadores com Maria de Belém Roseira

O Clube dos Pensadores é uma boa ideia.

Ou antes foi uma boa ideia. Hoje é uma EXCELENTE realidade. A norte, do lado sul do Rio Douro há gente que teima em fazer o que nunca foi feito, há gente que desafia outra gente a pensar.

O Mário Nogueira foi o Senhor da última edição. Maria de Belém é o Senhor que se segue. Na próxima 2ª feira, dia 22 às 21h30 no hotel Holiday Inn, em Gaia.

Vou lá estar porque gostaria de perguntar a Maria de Belém o que ela pensa sobre o quando ou o quê.

Literacia não é para nós

Hoje no DN, a comissária europeia da Educação e Cultura, Androulla Vassiliou e Petra Laurentien (princesa dos Países Baixos), escrevem em conjunto sobre a Literacia (“precisamos de ser mais ambiciosos“).

Transcrevo parte do texto:

A literacia é essencial na vida moderna. Nas sociedades dominadas pela palavra escrita, é um requisito fundamental para os cidadãos de todas as idades. É crucial para a parentalidade, para conseguir e manter um emprego, ser um consumidor ativo, gerir a saúde e tirar partido do mundo digital.

Porém, quase 75 milhões de adultos não dispõem das competências básicas necessárias para funcionar plenamente em sociedade. A próxima geração não está em vias de melhorar esta situação.

(…) A situação em Portugal, embora seja melhor do que em muitos outros países da UE, não deve deixar margem para complacência.

(…) Os dados estatísticos atuais são maus augúrios para o futuro. As pessoas com um nível insuficiente de literacia têm menos probabilidades de completar os estudos, mais probabilidades de ficar desempregadas e de sofrer de problemas de saúde. As crianças cujos progenitores têm competências reduzidas nesse domínio são mais suscetíveis de ter dificuldades a nível da leitura.

(…) O investimento em serviços de educação de elevada qualidade é um dos melhores investimentos que os países podem efetuar.

(…) É necessário colmatar o fosso socioeconómico, causa principal dos problemas de literacia, garantindo serviços de educação de elevada qualidade a todos.

(…) Se existe uma mensagem importante a dirigir aos governos europeus é a de que precisamos de elevar as nossas aspirações. (…)

Isto não é para nós… não temos governos que invistam em educação como se tem visto; vivemos uma grave crise económica; e os nossos governos não aspiram a valores elevados.

O Meu Movimento

O governo já deu início à 2ª edição de O Meu Movimento. Qualquer cidadão pode criar um movimento, baseado numa causa que considere popular. O mais votado será recebido por sua excelência o Primeiro-Ministro.

Reparo que no Top 5 estão movimentos pró-animais. Em cinco, 4 estão associados aos animais. E mais uma vez as touradas vêm à baila… Um apenas está preocupado com as PESSOAS (defende a limitação do número de alunos por turma), e está muito bem.

Crie o seu movimento. É muito fácil, eu própria o fiz na 1ª edição (mas não deu em nada, claro). Se defender as pessoas e os seus direitos, tem o meu voto!

E já agora, o que é uma causa popular para si? Que o levasse a criar um movimento «de jeito»?

A múmia seca de uma democracia

O jornalista José Vitor Malheiros já nos habituou aos bons textos e às pertinentes perguntas. Hoje, no Público, sublinho o que escreveu, que é quase:

1- O exercício da cidadania numa democracia não se esgota na prática do voto durante as eleições;

2- Espera-se de um cidadão responsável que, na medida das suas possibilidades e interesses, aja politicamente;

3- que participe nos debates políticos onde estão em causa os princípios que moldam a vida pública e as normas da vida em sociedade;

4- que tome posição;

5- que defenda os seus pontos de vista e os seus interesses usando os meios à sua disposição, da discussão pública no café ou no Facebook ao uso dos meios de comunicação clássicos e de outros fóruns;

6- que interpele os poderes;

7- que participe nas organizações profissionais e sindicais que lhe dizem respeito; que lute por condições que garantam maior equidade, justiça e bem-estar para si, para os seus camaradas de trabalho e para a sociedade em geral. [Read more…]

Público e privado

Vai longa a discussão sobre a manifestação junto de políticos em férias ou, num sentido mais amplo, a confusão entre o cidadão e o político.

E se acho irónico que a direita procure colocar em causa a liberdade de um cidadão se manifestar e de mobilizar outros só porque pertence a um partido ou a um sindicato, concordo com os que criticam o ataque à dimensão privada de um político.

Digo, por brincadeira, que as manifestações são o meu desporto favorito, mas nunca o faria junto de uma pessoa no plano pessoal, tal como sempre me recusei a participar em manifestações junto de momentos partidários, fossem elas no PS de Sócrates ou no PSD de Passos Coelho.

Entendo no entanto, que o actual governo está a brincar com o fogo e por isso será cada vez mais complicado gerir estas margens de cidadania.

O alvo de uma luta deve e tem que ser o poder executivo e, ou o poder legislativo. O cidadão Passos Coelho ou o partido PSD não devem ser o alvo. Mas isto tem que valer para um lado e para o outro – não podem querer ser cidadãos e depois ignorar as lutas e os  protestos quando estes respeitam “as regras.”

Quando temos Ministros que se recusam a receber organizações, sindicatos e movimentos, estão mesmo a pedi-las…

Lutador dos sete ofícios

Portugal é um país muito pequeno, uma espécie de aldeia à escala planetária. Não me surpreende a presença duma pessoa em vários momentos da vida cívica até porque a cidadania lusa já teve melhores dias. A experiência vai-me mostrando que as pessoas que fazem as associações recreativas são as mesmas que estão no folclore, nas associações de pais, na igreja, nos clubes, nos partidos, nos sindicatos…

Alguma direita tem procurado apontar o dedo a quem aparece na rua a protestar contra algo, nomeadamente quando se trata de pessoas ligadas ao PCP e ao BE. Desta feita trata-se da luta contra as portagens no Algarve e o BE é o bombo da festa. Parece-me excessivo que um partido ou uma organização tenham que mandar nos seus membros, quando estes actuam numa outra condição. Parece-me estranho que alguma direita, sempre tão liberal, ache que o presidente do meu partido tenha que ter opinião sobre o que eu faço no clube de futebol da minha terra ou naquilo que faço na minha comunidade, por exemplo, como elemento de uma associação de pais.

Esta transparência e divisão de “tarefas” não é uma condição da democracia? O que sugere Helena Matos?

Que cada um dos cidadãos só possa ter um papel na sociedade? Ou que, no caso de ter mais do que um, tenha de fazer uma declaração de interesses? É isso que sugere? Que traga na lapela um pin de cada uma das suas funções?

Será que teremos este tipo de considerações para os cargos de chefias de empresas, na promiscuidade entre as empresas e o estado, entre os partidos e a comunicação social? Os de confiança…

Fica a sugestão para o Blasfémias.

Professores: uma causa popular

O Governo já iniciou a 2ª edição da iniciativa O Meu Movimento. Todos os cidadãos podem criar o seu movimento. O mais votado será recebido pelo PM, o Dr. (ainda ninguém provou o contrário) Passos Coelho.

Enfim, parece que o Governo ainda não conhece as nossas preocupações. Precisa que lhe digam.

Na 1ª edição foram criados 1008 movimentos e o «vencedor» defende os direitos dos animais, nomeadamente, é pela abolição das touradas.

Espero que desta vez seja recebido um movimento pela defesa das pessoas. E, mais concretamente, um movimento que defende os professores e a sua valorização!

Deixo aqui uma sugestão ao João Paulo Silva: cria esse movimento. Votarei nele!

É desta Igreja que eu gosto!

Januário Torgal Ferreira diz que “se a Igreja não deve fazer política partidária, deve estar ao serviço da política como um bem comum e abrir voz à cidadania e aos direitos humanos em épocas de crise”. O bispo das Forças Armadas acusou o Governo de ser “profundamente corrupto“.

É isto que eu espero da «minha» Igreja! Denunciar o que está mal. Apontar o dedo.

Não faz nada de mais, mas felicito o bispo da Forças Armadas por ter a coragem, vamos dizer, de comentar publicamente que o Governo não só é corrupto como é profundamente corrupto.

Era bom que «eles» tivessem medo da Igreja.  

O Grillo que se faz ouvir em toda a Itália

Imaginar o blogue mais lido da Itália… Mais de 1000 comentários por post. Quantas visualizações…

O blog de Beppe Grillo é qualquer coisa. (O Aventar um dia lá chegará!!)

Grillo («o comediante despenteado») criou, além do seu blog há uns anos, o Movimento 5 Estrelas que acaba de conquistar 4 câmaras nas eleições municipais no seu país.

Grillo não vai à televisão. Defende a democracia direta e sonha com “cidadãos que se elegem entre si” através do seu movimento, “um instrumento ao serviço dos cidadãos para lhes permitir administrarem-se a si próprios”.

Segundo o Público, onde descobri o Grillo, “as suas listas juntam desempregados, estudantes ou professores. Gente normal com vontade de fazer política de outra forma. Gente jovem.” [Read more…]

Liberdade de expressão

Comemorou-se, há uma semana, o Dia Internacional da Liberdade de Expressão, que não pode ser «coisa» só de jornalistas, cronistas e de poucos mais.

Pertence-nos a nós, também, cidadãos comuns, esse direito e devemos usufruir dele. Viva a liberdade de podermos aqui no Aventar, por exemplo, dizermos o que nos vai na alma!

Não nos subtraiam também este direito adquirido!

Exerçamos a nossa cidadania, mas com responsabilidade e respeito. É preciso fazer as perguntas certas aos políticos e dirigentes. É preciso exigir mais (de nós, em primeiro lugar, claro).

Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

(Ponto 1 do artigo 37º da Constituição da República Portuguesa)

(Eu) Voto em branco

 

(Composição 2, 1922, de Piet Mondrian)

Como tem sido habitual aos domingos, Paulo Trigo Pereira (PTP), professor do ISEG/UTL, escreve no PÚBLICO. Hoje, o seu texto intitula-se «Que fazer desta democracia?». Não conseguindo dar a resposta à pergunta formulada, aponta soluções, sugere. Estou de acordo que “precisamos cada vez mais de melhores políticos” e que se verifica uma “decadência da democracia” que “resulta de um desfasamento crescente entre uma sociedade cada vez mais complexa e partidos políticos que não mudam as suas práticas, os seus processos , o seu pensamento, e a sua estratégia”. Eu acrescento: precisamos de políticos honestos, que é a forma mais fácil de nos entendermos.

O professor de gestão afirma que a melhoria da qualidade da democracia passa por “alterações estatuárias” e/ou do sistema eleitoral. E quanto a este, dá a conhecer dois tipos de voto. Refiro apenas um, já usado na Irlanda e em Malta: o chamado VUT ou voto único transferível “em que os cidadãos podem votar ordenando ao vários candidatos em cada círculo eleitoral”. [Read more…]

Gotinha a gotinha, vamos ajudar o Afonso

Há dias atrás, escrevemos no Aventar, a propósito da Primavera uma pequena fábula sobre um Beija – flor que, sozinho, tentava apagar um incêndio. Quando questionado, respondeu: “Estou a fazer a minha parte“.

Pois bem, este é o momento de fazeres a tua parte.

O Afonso é um menino de Rio Tinto conhecido dos autores do Aventar. É um caso real e cujo apoio é assumido pelo Aventar. É uma causa Aventar com a data de hoje (março de 2012).

O Afonso, de 4 anos, tem uma doença que não foi ainda identificada pelos médicos.Tem tratamentos diários muito dispendiosos e a família  está naturalmente a viver todo o processo com enorme sofrimento. O Afonso tem tido acesso ao que é necessário para os cuidados médicos.

Mas tem a sua mobilidade completamente limitada porque os Pais não conseguem comprar algum material, muito dispendioso para permitir ao Afonso “fugir” do caminho entre casa e o Hospital.

Queremos ajudar o Afonso a ter um bocadinho mais de qualidade de vida.

A família está a levar a cabo uma campanha a que o Aventar se quer associar. Um euro que seja. Vamos. Seja um beija-flor!

O NIB é 0033 0000 00098983748 05, do Millenium e em nome de Ana Isabel Carvalho Poínhas da Silva.

Nota: diariamente vamos colocar neste post o valor alcançado.

Nota 2: por questões que se prendem com o nosso dever de respeitar a privacidade da família não queremos partilhar mais informações. A foto do Afonso surge para que sintam ser uma campanha honesta e real em torno de um menino que precisa da nossa ajuda. Se quiserem alguma informação extra, por favor contactem-nos.

Greve, direita, carneiros e ladrões

Acabou a Greve Geral!

Voltemos ao Aventar.

Fazer ou não fazer Greve é uma opção de cada trabalhador – começando por ser um acto colectivo, a sua concretização acaba por ser um momento particularmente individualista.

Se a Greve resulta ou não, se é bem marcada ou não, são reflexões para outros tempos. Por agora importa ir direitinho à fonte, porque tenho sede!

Sede de dizer na cara a alguns dos que nos roubam que chega! Parem! Estamos fartos!

Que não concordem com a sua marcação, que até achem que este não é o momento ou até que não serve para nada, tudo pode ser discutido.

Agora, virem com a tanga do Direito à Greve, da sua existência ou não, da sua limitação… Vão todos para aquela parte! [Read more…]

Aqui, outra vez disponíveis os dados sobre os árbitros

O relvado refere que os dados (nome, morada, telemóvel, nib,etc…) sobre os árbitros continuam disponíveis na net. Claro que continuam disponíveis.

Pelo Rio Tinto, marchar, marchar

Caminhada pelo Rio Tinto, 25 de março

Não sou novo, nem velho, antes pelo contrário.

A caminho da escola lembro-me de ver o rio de todas as cores – até havia apostas sobre a cor do dia, que ia variando em função das descargas da fábrica. Vi, ali na casa do vizinho, uma mó de um moínho que em tempos esteve ali junto à Ponte, onde hoje temos um restaurante muito frequentado, mas com uma péssima relação preço / qualidade. Ouvi falar dos peixes que por lá existiram.

Andei de bicicleta e caí ao rio. Joguei à bola e ela também caiu ao rio. Fiz, fizemos, jangadas com madeira e garrafões de plástico – era a inspiração do Tom Sawyer.

Vivi sempre a 100 metros do Rio. Até que a modernidade trouxe uma ETAR: estação de tratamento de águas residuais. E tudo piorou. Além da qualidade da água não ter melhorado, ainda trouxe maus cheiros para toda a vizinhança.

Anos mais tarde apareceu o pior Autarca da nossa Democracia – esse mesmo, o Major. O Rio passou a ser um esgoto dentro de tubos que existem envergonhados por baixo de ruas e caminhos.

Por isso, não sei se o Rio Tinto é um Rio. Mas quero MUITO que volte a ser. A nossa história exige um Rio. Ou então mude-se o nome de Rio Tinto para Tubo Tinto, ou Esgoto Tinto…

Anónimos

                                

Dedico esta reflexão a todos os anónimos: aqueles que não assinam o que escrevem, aqueles cujo nome não é conhecido, aqueles que querem manter-se desconhecidos, a todos os outros anónimos que não cabem ou não gostam desta definição copiada do Wikcionário e, finalmente, a todos os que continuam a ser anónimos no derradeiro minuto…

São os anónimos que fazem o mundo continuar a girar apesar de tudo – e o nosso país em particular. São eles (nós) que podemos fazer a diferença. É neles que acreditamos, cada vez mais.
Não é por acaso que o Governo lançou a iniciativa «O Meu Movimento» (ver portal do governo)  que permite a cada cidadão, de uma forma “lúdica e simples” , fazer-se ouvir (saindo um pouco do anonimato!)… É só visto a quantidade de movimentos criados até ao momento –  sintoma de muitas carências no nosso país… [Read more…]

Manual de instruções para não cometer crimes banais

No blogue O Novo Egitanense explica-se muito bem explicadinho tudo o que não se deve fazer nas novas portagens electrónicas das ex-scuts e outras auto-estradas.

Da espingarda caçadeira ao laser de alta potência passando pela arma de paintball, é toda uma panóplia de artefactos cujo efeito é descrito com minúcia, desmobilizando o cidadão comum de se meter em alhadas.

Uma leitura que aconselho vivamente a quem anda com ideias sobre as novas portagens, e que seguido à letra evitará que os concessionários sintam saudades do velho portageiro agora desempregado.

Leitura vivamente recomendada, e que de forma alguma me recorda o que aconteceu na Grécia quando também começaram a brincar às portagens.

O bailio* da Madeira

A conversa habitual, em democracia é, depois de contados os votos, “ganhou A, perdeu B, C ou D”. Ninguém se lembra porque é que votou ou quem não votou, as suas razões e as estratégias dos AA e dos BB para arrebanhar os papelinhos para a urna. Talvez por isso, ciclicamente, surjam uns indignados na praça que querem o regresso das ditaduras marxistas, como alternativa à democracia (a este propósito sugiro a leitura do artigo de Pedro Lomba, ontem, no Público). Mas é curioso que, uns e outros, têm sempre a palavra povo na boca. Já aqui referi esta falácia de considerar povo como algo de onde emana asalvação. Povo é, para os políticos, o Outro – prova de que a democracia só funciona à boca da urna e que política não combina com cidadania.

O que me espanta nesta balbúrdia toda é que, da Esquerda à Direita e, sobretudo, estes indignados da praça, todos, sem excepção, queiram salvar aquele povo que os repudia, que vota Alberto João Jardim, que venera Salazar, que vê e aplaude touradas, que pára em acidentes e que os provoca, que deseja ardentemente substituir cultura por futebol e centros comerciais ao domingo e que acha que o ponto mais alto do dia é saber o resumo da Casa dos Segredos. Ir para uma praça ou um parlamento falar por este “povo”, defendê-lo e invocá-lo deve compensar muito o esforço, realmente. Deve ser muito terapêutico para uns e financeiramente vantajoso para outros. Eu precisaria de um estômago novo todos os dias.

P.S. é mesmo bailio. Não é gralha. Ver o significado, aqui.

Transparência

Os nossos políticos não se dão muito bem com a transparência. Digamos que não lhes está no sangue, não compreendem o que isso é. Ou não querem compreender. Isto explica o facto de serem poucas e tímidas as tentativas de mudar o estado de coisas.

Felizmente, os movimentos de cidadania multiplicam-se, um tema constante desses movimentos é exactamente a transparência.

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Por Um Melhor Caminho de Ferro

Programa das festas aqui.

 

Estas criancinhas

Confesso o meu cansaço dos partidos políticos. Não é nada pessoal, com este ou aquele dirigente, nem em particular com este ou aquele partido político. O meu cansaço é em relação a todos, sem excepção, face ao modo como, decididamente, a democracia e a propalada cidadania são meros refugos do poder efectivo destas organizações.

Cansa-me, particularmente, esta convergência dos partidos políticos em nos fazerem de parvos nestes jogos em que são autênticas criancinhas mimadas em que fazem perrices, choram e ficam amuadas, sempre de dedo em riste umas contra as outras, quando as suas brincadeiras de recreio não correm como querem.

Lá vêm elas, depois ter connosco, de lágrimas a correr pela cara, a fazer queixinhas, a choramingar para que as outras fiquem de castigo.

O problema é que sempre lhes fazemos as vontades. E como se de petizes se tratassem, acolhemos depois com mimos os que, temporariamente, levaram um par de orelhas de burro e ficaram virados para um canto, com medo de irreversíveis traumas.

Em certos casos, chegamos ao ponto de as ver a fazer traquinices e rimos. Aqui e além até elogiamos a destreza que a traquinice exigiu para ser feita. De censura, no máximo, só encolhemos os ombros ou abanamos a cabeça.

Por mim, nenhuma destas criancinhas voltava a ter recreio tão cedo, só passava de ano com mérito, só brincava depois de estudar e de fazer os trabalhos de casa e não tinha direito a sobremesa se não comesse a sopa.

(Crónica publicada no semanário “Opinião Pública” a 27/04/2011)