Cotriquim

Nos últimos dias enquanto funcionário público, o CEO da Iniciativa Liberal cumpriu a promessa de tornar os liberais mais “populares”: agora chama-se Quim.

Moção de Folclore: o triste espectáculo que nos proporciona a classe política

Fotografia: Carlos M. Almeida/LUSA

Foi a votos, hoje, uma moção de censura apresentada pela Iniciativa Liberal.

Como era expectável, a moção chumbou, ou não bastassem os deputados eleitos pelo Partido Socialista, em maioria, para a moção não passar. Com os votos contra do próprio partido do Governo, do Partido Comunista e as abstenções do Partido Social-Democrata, do Bloco de Esquerda e do Partido Animais e Natureza, só o proponente da moção, a IL, votou a favor, juntamente com a extrema-direita, representada pelo Chega.

Rui Rocha, deputado liberal e candidato à liderança da IL. Fotografia: António Pedro Santos/LUSA

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O bidé e o urinol

Graças ao João Maio, percebi que o bidé é um tema da actualidade. Tenho opinião sobre o bidé (e sobre  o urinol), mas, por razões higiénicas, não a manifesto.

E outras loiças

Já não era sem tempo que algum partido com assento (que não é um bidé) parlamentar pegava no tema do flagelo que é ter um bidé em casa, esse vaso sanitário onde gente pobre lava o rabo, o escroto e o pé.

Urge, então citar um trecho de um lindo poema, entitulado “Rabo, escroto e pé”:

“O meu coração sofre,
Por tu não enxergares
Que eu necessito
De lavagens parcelares.

Entre um duche e outro,
Há várias limpezas
Que eu tenho de fazer
Às minhas miudezas.

Rabo, escroto e pé
É o que eu lavo no bidé.
Resiste a qualquer escrutínio:
O asseio do meu períneo.”

O poema, cantado, no vídeo abaixo:

A UTAO é financeiramente iliterada

Numa proposta de alteração ao Orçamento de Estado para 2023, a Iniciativa Liberal (IL) sugeriu a criação de apenas dois escalões, em vez dos seis existentes em 2020 (agora são nove, em 2023).

Mas, diz a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) que “a variação da receita de IRS no Continente em 2020, caso a proposta da IL substituísse a redação do art. 68.º do CIRS em vigor nesse ano, atingiria o montante aproximado de –2,9 mil M€, cerca de 22,8%”. Foi a própria IL que pediu este parecer, por via da Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças.

O parecer esclarece que, caso a proposta da IL estivesse em vigor já em 2020, as finanças públicas sofreriam um rombo de 3.000 milhões de euros. Milhares de milhões que já não são totalmente aplicados na Saúde, na Educação ou na Habitação e que, caso a IL conseguisse pôr na Lei a sua proposta, ficariam ainda mais calvos de meios e profissionais.

A vida adulta, confirma-se, é bastante diferente da adolescência arrebatada que levou a IL a eleger um deputado em 2019 e oito em 2022. Como se viu no Reino Unido, os choques fiscais trazem mais problemas (nomeadamente aos pobres e à proclamada classe “média”) do que benefícios à maioria dos cidadãos (como se aferiu pela situação britânica, há uma minoria que, certamente, lucraria com isso – por isso parem lá de dizer que a Direita não respeita minorias).

Por fim, noutra notícia, datada de 9 de Novembro de 2022, mas que se relaciona: “IRS reduziu desigualdades em 12% em 2020”. Segundo noticia o Jornal de Negócios, uma “análise inédita com base em microdados da Autoridade Tributária mostra que o IRS é um instrumento poderoso de redução das desigualdades de rendimento. Mas mostra também que os rendimentos mais altos estão concentrados numa fatia pequena da população.” Comprova-se, portanto, que a realidade liberal não é a realidade factual e que os ataques dos ultra-liberais à progressividade fiscal não são mais do que um ataque a um dos melhores instrumentos de redução das desigualdades entre a população.

O que importa, pois, não é, então, eliminar a progressividade e adoptar apenas dois escalões, beneficiando quem arrecada mais ao final do ano, mas sim tornar essa progressividade mais justa entre escalões e mais abrangente.

O ainda líder dos liberais diz afastar-se da liderança para “tornar a IL mais popular”.

Ser popular… ou ser populista, Cotrim de Figueiredo?

Ps. Como não poderia deixar de ser, as principais figuras da IL já se predispuseram a acusar a UTAO de ignorância por essas redes sociais fora. O “complexo de deus” tem destas coisas.

O silêncio faz barulho e o perigo de deixar a institucionalidade para os militantes adolescentes

A Iniciativa Liberal foi o único partido português a não se referir às eleições brasileiras.

Do Partido Socialista ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista, do Partido Social-Democrata ao Livre, todos reagiram. Até o Chega, mesmo que na reacção tenha lançando cocó à parede, reagiu. E aqueles que, como o PSD, estarão nos antípodas do Partido dos Trabalhadores e de Lula da Silva, deram os parabéns ao recém eleito.

Já os ultra-liberais portugueses decidiram dizer que, numa eleição democrática, nem sus nem mus. Lembremo-nos que quando Guaidó, apoiado pelos Estados Unidos da América e pela União Europeia, preparava um golpe de Estado na Venezuela, numa clara ingerência internacional na soberania de outro país, a IL apoiou. Aqui, numa eleição onde as pessoas escolhem em quem votam, silencia-se para não ter de dizer o que todos sabemos: a IL apoiaria Bolsonaro, porque o ainda Presidente brasileiro não põe em causa o poder do capital económico. Mas ficaria bem uma nota sobre o assunto, pois o Brasil é um país irmão, Portugal acolhe cada vez mais brasileiros que também votam cá, uns, ou votarão no futuro, outros e porque o Brasil é o maior país da América Latina e uma das maiores economias do mundo.

Nas últimas semanas, a IL decidiu abandonar o rumo vitorioso que seguia e atirar chumbo sobre os dois pés. E o maior perigo deste silêncio institucional é que quem o preenche são adolescentes do Twitter, com demasiado tempo em mãos, militantes da IL, que dizem coisas como estas:

Retirado da rede social Twitter.

O pior inimigo de um falador é a língua e o acesso à internet. Diziam os Originais do Samba que “Falador passa mal, rapaz”. E passa mesmo.

Este militante de base da IL diz não estar actualizado com “estas novas definições de ideologias políticas”. É natural e eu não questiono, até porque, lá está… faz parte da IL. Esta IL:

Cartaz da IL de 2020.

Segundo o douto pensamento ultra-liberal/libertário dos da Foz e das Avenidas Novas,  o Brasil tinha políticas socialistas sob o governo de Bolsonaro, juntamente com a Índia de Modi e a Rússia de Putin. Fascismo onde, se Jair Bolsonaro e o Modi são, afinal, socialistas? E até Portugal, integrado numa União de países capitalista, de mercado livre, é, de facto, socialista.

A falta de coerência e a ignorância histórica e ideológica de muitos membros da IL começa a dar vergonha alheia a quem, mal ou bem, tenta debater com racionalidade e atendendo à realidade. Viver numa bolha só deles dá nisto… mas toda a bolha rebenta. Defender tudo e o seu contrário pode dar resultado para eleger oito deputados, mas será que chega para os manter?

A bolha da IL grita cada vez mais alto CDS.

A IL e quem racha lenha

Quando era mais novo dizia-se “quem está fora, racha lenha” (traduzindo: expressão popular utilizada para colocar alguém no seu devido lugar, quando dita pessoa procura intrometer-se numa discussão ou situação alheia emitindo a sua opinião). Ora, eu vou dar a minha opinião sobre o que se passa na Iniciativa Liberal (IL) não sendo seu militante  e por isso serei mais um mero rachador de lenha.

O que me leva a pegar no machado e posicionar o toro de madeira é o intenso cheiro a Braga 1998. E o que foi que aconteceu em Braga nos idos de 98? Um congresso do CDS. O que dividia a maioria dos congressistas do CDS em 1998? A ideologia? Mais ou menos democracia cristã? Não. O que dividia as hostes era um ódio escondido. Era mais o que os separava em termos pessoais que aquilo que os unia em termos ideológicos. Boa parte dos “portista” odiavam os “monteiristas” e vice-versa. Era o ódio que alimentava as tropas. Um ressentimento que foi crescendo ao longo dos tempos.

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Iniciativa Liberal critica medidas do Partido Social-Liberal

Nunca percebo quando alguém que defende políticas capitalistas, sendo que é o capitalismo que gera as crises, se vem queixar das políticas capitalistas.

Bons e maus exemplos

Estão a ver quando os liberais usam a República Checa, a Estónia, a Letónia, a Lituânia ou a Polónia como exemplos?

Pois é. Espreitem a inflação nesses exemplos de liberalismo andante no quadro acima.

Não olhem para a Lituânia, olhem para Espanha

A Iniciativa Liberal (IL) está a seguir os passos do Ciudadanos, o que é mau prenúncio para o partido. Têm sido semanas difíceis para a agremiação. Não sei se por estar muito calor, o que dificulta o pensamento lógico, ou por estarmos em plena silly season, a verdade é que estas semanas não têm sido abonatórias… e basta olhar para Espanha (ao invés da obsessão com os antigos países do bloco soviético) para aprender a lição.

Em Espanha, o partido “liberal” Ciudadanos, uma cópia mais pequena e mais radical do Partido Popular (tal como aqui a IL é uma cópia mais radical do PSD), acabou reduzido a cinzas depois de anos a fazer figura de “anti” Estado, abrindo as portas ao VOX, partido da extrema-direita e aliado do partido português proto-fascista Chega.

Depois de tanto tiro no pé, o Ciudadanos foi colocado no caixote do lixo da História. Se a IL não começar a ser mais responsável nas suas posições e deixar de tentar igualar-se à extrema-direita para caçar votos, terá os dias contados, mesmo com a panóplia de seitas no Twitter ou de ‘memes’ espalhados pelas redes sociais.

A defesa acérrima aos lucros de empresas que expropriam o consumidor português, o intransigente preconceito ideológico que os faz defender o mercado a qualquer custo, dirigentes que, dizendo-se liberais, por mais do que uma vez têm mostrado tiques homofóbicos e xenófobos ou deputados a comparar António Costa a Viktor Órbán… nada disto beneficia a IL. Porquê? Porque já há um partido a quem os eleitores portugueses confiaram este papel: ao Chega. E porque a maioria dos que, nos últimos tempos, se reviram no partido, estão longe de se reverem nestas últimas atitudes em nada “liberais”.

Ou a IL se assume responsável e começa a ter posições políticas mais sérias, ou acabarão trucidados. É que isto de tentar desviar votos da esquerda sacando da bandeira LGBT, ao mesmo tempo que se tenta desviar votos da extrema-direita sacando da xenofobia e do populismo, vai dar merda – desculpem o meu francês, mas não sei dizer isto em lituano como vocês gostariam.

Mascarilhas

A Iniciativa Liberal também é isto. Mais não se poderia esperar de um sub-partido do PSD, tal como o é o proto-fascista Chega.

Contexto: no âmbito do Roteiro Climático, o Bloco de Esquerda esteve em Odemira, onde reuniu e ouviu as queixas dos trabalhadores imigrantes das estufas de agricultura intensiva que pululam em Odemira. Mostrou-se solidário com os imigrantes e disposto a não deixar cair o tema. O Bloco de Esquerda não fez um comício, reuniu com associações e trabalhadores das estufas em Odemira. Acontece que a maioria desses trabalhadores é originário do Paquistão ou do Bangladesh.

João Caetano Dias é membro da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal. Não é, portanto, um mero militante de base ou um simples eleitor do partido. É alguém com grandes responsabilidades naquilo que é a acção do mesmo. Um partido que se diz liberal, que gosta de poluir as avenidas com outdoors populistas onde até o Brasil de Bolsonaro é socialista, que tanto prega a liberdade e tanto quer fazer parte das marchas disto e daquilo, começa a exagerar nas opiniões racistas, xenófobas ou homofóbicas, mascarando-as como “piadas” que mais não são do que a caixa de ressonância do seu próprio pensamento.

Por um lado, começam a mostrar realmente o que são, o que não é mau, porque há uns quantos enganados que começarão a abrir os olhos. Por outro, é já evidente que a IL é tudo menos liberal (no máximo, é neo-liberal) e são atitudes e “piadolas” como esta que demonstram de que lado estão, de facto.

É uma pena. Pois apesar de ser contrário à ideologia em que me revejo, a IL tinha tudo para acrescentar no panorama político português. E assim parecia encaminhar-se… agora, mostram que não são mais do que um PSD 2.0. A IL é contra os impostos… mas se a estupidez pagasse imposto, a IL seria estropiada.

A realidade nunca perdoa

No dia 4 de Maio, estávamos assim:

Notícia TSF.

Hoje, dia 16 de Julho, estamos assim:

Notícia SIC Notícias.

Visionários.

O desfasamento da realidade de Carlos Guimarães Pinto.

Canção de embalar

Perde a estrela d’alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu’inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Trio higiénico

Um trio higiénico… com o penso no sítio errado.

Vitória!

O Governo, por proposta do Livre e da Iniciativa Liberal, decidiu baixar o IVA dos produtos menstruais para a taxa mínima.

Estes produtos, outrora sujeitos à taxa mínima de 6%, passam agora a estar disponíveis… à taxa mínima de 6%.

Portugal sempre na vanguarda! Viva Portugal!

Tortilha de direita

O CHEGA quer governar o país, mas depois não sabe a diferença entre o 25 de Novembro de ‘75 e o de ‘76 e ainda equipara a data dos reaccionários ao 25 de Abril.

A Iniciativa Liberal quer governar o país, mas depois diz que em 1949 Portugal pertencia ao “mundo livre” e ainda troca a bandeira da Polónia pela da Indonésia.

Direita muito torta, esta.

Fotografia: jornal Expresso

São liberais e não sabem

O mundo “livre” segundo a IL.

Vai caindo a máscara ao auto-denominado “primeiro partido liberal em Portugal”.

Depois da “frescura” que foi o aparecimento da IL no panorama político português, os neo-liberais do partido de Cotrim de Figueiredo vão mostrando que são, apenas, mais um partido liberal em Portugal. Neo-liberal, portanto.

Ser a favor da NATO e da presença de Portugal na organização bélica, ainda se aceita. É legítimo que argumentem que “é forma de defesa”, da mesma forma que é agora legítimo que Finlândia e Suécia decidam aderir à NATO por considerarem que a sua liberdade e autonomia estão em perigo. É questionável, mas legítimo. O que não é normal é inferir que a NATO em si representa o “mundo livre”.

Primeiro, porque Portugal aderiu à organização em 1949, estava o país sob o jugo fascista de Salazar e compinchas. Segundo, considerar a Turquia um sinónimo de “mundo livre” é abusar da confiança no populismo. Terceiro, ignorar que Hungria e Polónia têm projectos de poder anti-democráticos em curso só para louvar a máquina bélica que é a NATO, parece-me desonesto. Quarto, trocar a bandeira da Polónia pela da Indonésia atesta a maneira tosca como a IL vai dando tiros nos pés desde que elegeu um grupo parlamentar.

Escusado será falar dos EUA e de todos os crimes de guerra que já cometeu e do terceiro-mundismo que exibe dentro de portas.

Só posso concluir que Turquia, Hungria e Polónia são liberais e não sabem. Estudassem.

P’ós modernos

Esta é p’ós modernos: um meme.

IL – Indigência Liberal

As Alices no país dos neo-liberais.

Quando ainda não era politicamente relevante, o partido neo-liberal Iniciativa Liberal escrevia no seu programa político (ver “Racional”, ponto 14) que “os activos virtuais têm vindo a assumir uma importância crescente (…), com destaque para as criptomoedas”.

Face a esta importância crescente, qual a abordagem que a IL recomendava, então, no seu programa eleitoral?

A seguinte, pasmem-se: “Dada a elevada volatilidade [das criptomoedas] (…), importa ter um quadro regulatório claro, assim como de tributação adequada (…). Para além dos activos em si, importa também regular o funcionamento de bolsas (…)”. Acrescentava o partido que as criptomoedas poderiam ser uma forma de branquear capitais e financiar práticas terroristas.

A IL quando queria “regular” e “taxar” de maneira “adequada” as criptomoedas.

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Surpresa! Vitória!

Surpresa… fomos enganados!

Vitória… liberal!

“O liberalismo funciona e faz falta a Portugal”.

Nunca se esqueçam.

Competições e inferioridades

Há muitos, muitos anos fui viver para uma cidade onde a grande maioria das pessoas andava – e anda – de bicicleta, nuns passeios próprios e confortáveis, exclusivos para as biclas.

Chegada de fresco, demorei um pouco a habituar-me àquilo de andar sempre e só de bicicleta, até porque chovia com frequência e às vezes nevava, mas acabei por acostumar-me e passei a gostar da liberdade de pedalar para todo o lado. Na mesma altura, um conhecido meu foi também viver para esse sítio e passou pelo mesmo processo. De vez em quando íamos a qualquer lugar, e claro, sempre montados nas nossas respectivas biclas.

O que me surpreendia imenso e era para mim hilariante, é que, quando seguíamos pedalando lado a lado descontraidamente, caía o Carmo e a Trindade se por acaso um qualquer outro ciclista desconhecido nos ultrapassasse. O meu conhecido lançava-me um “ai o cabrão!”, desatava a pedalar à desfilada e não descansava enquanto não voltava a ultrapassar o dito “cabrão” que tinha tido o descaramento de o deixar para trás. [Read more…]

Populismo do bem: ser pela revolução e contra-revolução ou não saber o que se é

A Iniciativa Liberal desceu a Avenida da Liberdade. Depois de no ano passado a organização do desfile ter – de forma consciente e lúcida – recusado a participação de um partido que anteriormente havia dito que o verdadeiro dia da Liberdade era o de Novembro, nunca o de Abril, e mesmo tendo a IL descido na mesma – e bem, o espaço é público – este ano decidiram descê-la por sua conta e risco.

Ver um partido elitista, agressivamente capitalista e que em matérias económicas está sempre, sempre do lado dos mais poderosos, a descer a Avenida da Liberdade no 25 de Abril, como se aquilo fosse mesmo liberalismo clássico e estes fossem de esquerda, confesso, tem a sua ironia. Não se pode festejar Abril ao mesmo tempo que se quer uma Flat Tax… porque isso só é Abril para os ricos e Abril fez-se para todos.

Este partido capitalista, neo-liberal, acha que a Revolução foi feita para os grandes e poderosos e, por isso, desceu a Liberdade também… mas só depois de todos os outros, pois eles são gente fina que veste Pierre Cardin e Tommy Hilfiger e não se gostam de confundir com os esquerdalhos do 25 de Abril que compram boxers e meias aos ciganos na feira. Misturas como essa seriam um erro; se optassem por descer a Avenida ao mesmo tempo que todos os outros, ainda apanhariam a gripe marxista ou o vírus social-democrata… e também não querem arriscar, agora que acabaram as máscaras (vitória da IL, dizem eles… a sério, eles acham que foram os responsáveis pelo fim da obrigatoriedade das máscaras); e estar sujeito a ter de voltar a usar açaimes na cara por causa de mais um vírus maoista?! Nessa não os apanham mais.

Calculo e espero que também marquem presença no 1 de Maio, pois eles amam a liberdade (deduzo que só digam isso para a calar, mas depois vão ter com a outra). Se assim é, espero-os na Alameda, na luta pelos direitos dos trabalhadores (ou dos colaboradores, como eles lhes chamam), mas, tal como ontem, que só apareçam no fim quando todos tiverem ido embora (ah, e levem ucranianos para lhes explicarem como é que o capital os vai explorar cá onde… o “liberalismo faz falta”).

Capitão Salgueiro Cotrim Maia de Figueiredo, na sua chai… no seu jipe que costuma levar à Comporta, comportando-se como um esquerdalho arruaceiro.

Corrida neo-neo-liberal

São a favor do cheque-ensino, querem introduzir o cheque-saúde, mas dizem que são contra a ideia liberal que o PS teve: o cheque-combustível. “Muita burocracia”, dizem.

Na verdade, não são contra. A Iniciativa Liberal só ficou chateada porque o Partido Socialista teve uma ideia liberal muito mais rápido que eles. Mas há que ver pelo lado racional: antes de existir IL, já o PS se tinha rendido ao neo-liberalismo.

O Portugal que parte – Crónicas do Rochedo 49

A Iniciativa Liberal julga que os portugueses sairam de Portugal para fugir da elevada carga fiscal. A carga fiscal é elevada? É. Mas é o motivo para os portugueses rumarem a outras paragens? Não.

Os portugueses rumam para outras paragens, na sua maioria, para procurar melhores salários. E encontram. Em Espanha, em França, na Alemanha, em Inglaterra. Só para citar geografias mais próximas. São os salários e não os impostos. Pode a IL argumentar que a elevada carga fiscal é a responsável pelos baixos salários. Pode ser. Até considero que é o mais provável. Só que a verdade é que a esmagadora maioria faz as malas por outros motivos e a questão dos impostos é a ultima das razões. Todos? Não. 

Como bem lembrou alguém nas redes sociais (confesso que não me lembro quem foi) existe um grupo de portugueses que ruma a outras paragens, nomeadamente a sede das suas empresas. Para a Holanda. Esses sim, fazem-no por causa dos impostos. São os únicos. Não sei era destes que a  IL estava a falar…

O Parlamento feito call-center

A IL elegeu oito deputados. Oito pessoas que são, agora, a contra-gosto, funcionários públicos.

É claro que não se chamam “deputados” ou “trabalhadores do Parlamento”, mas sim “colaboradores da democracia”. A bancada da IL terá uma #pub nova todos os debates. Os colaboradores da democracia da bancada da IL usarão todos um chapéu, como daqueles que o José Mota levava às conferências de imprensa em Paços de Ferreira, só que em vez de dizer “Capital do Móvel” dirá “Capitalista Ignóbil”.

A partir de agora, haverá sempre um manager no meio da bancada da IL, que a cada dez minutos vai gritar: “ESTAMOS QUASE, ESTAMOS QUASE A ATINGIR AS VENDAS DO DIA, EQUIPA MAGNÍFICA, VAMOS A UM ÚLTIMO ESFORÇO, VOCÊS SÃO INCANSÁVEIS POR ESTA MARCA. VAMOS, DEZ MINUTOS PARA FECHAR, ESTAMOS POR TUDO: IMPINJAM O SNS AO GRUPO MELLO A PREÇO DE SALDO!”. Tudo isto para manter o mindset na ordem, pois claro.

Uma vez por mês, a IL fará uma promoção especial. Portugal: pague por dois, não leve nenhum. Não acredita? Experimente você mesmo! O liberalismo funciona e, mesmo depois destes trinta anos de liberalização económica que nos trouxe ao lodo, continua a fazer falta a Portugal! [Read more…]

Escrito a ouro

A Iniciativa Liberal está a vender canetas a €3,00.

Sempre ouvi dizer: se merda valesse ouro, pobre não tinha cu. E a IL comprova-nos isto todos os dias.

Omeletes sem ovos

Lê-se no Público que «Liberais foram ao hospital de Loures alertar que fim da PPP é um “erro”». Afirmam que na PPP do Hospital Beatriz Ângelo se consegue fazer omeletes sem ovos – assim se depreende do seu discurso. E ainda sobram ovos, que não existem, para o lucro do privado que gere a PPP. Depois admiram-se que lhes chamem a Ilusão Liberal.

[Imagem de Manfred Antranias Zimmer por Pixabay]

Uma questão de liberdade de escolha

É muito gira a ideia da Inciativa Liberal, de que os pais podem escolher livremente a escola e que o Estado suporte o custo.
Espero que a IL também proponha que o trabalhador escolha livremente o restaurante, ao invés de comer na cantina, e que o patrão pague a conta.

Saramago é que tinha razão

Partiu de um tweet de Pedro Schuller, deputado municipal da Iniciativa Liberal na Câmara Municipal do Porto, que ficou mais conhecido por ter sugerido fazer a comunistas e a bloquistas o mesmo que Pinochet fazia aos seus adversários políticos.

A origem? Ninguém sabe. Terá surgido na cabeça do génio dos finos da Foz? Terá surgido num dos Think Tanks neo-liberais cá da praça? Terá surgido nalguma reunião nacional, distrital ou concelhia do partido dos neo-liberais portugueses? Ninguém sabe. Sabemos, no entanto, que Pedro Schuller achou boa ideia expor, em plena internet, as suas ideias, até ver, pessoais, para o país.

O tweet do Pinochet dos Aliados

Uma coisa sabemos: sobre offshores ou fugas ao fisco por parte dos poderosos, nada dizem. Aliás, dizem, em privado, mas têm medo de o mostrar em público – diz que ficaria mal, ou não sei quê. Mas, se na imagem acima fica imperceptível que os neo-liberais querem, de facto, pôr o país à venda, deixo-vos a proposta do Pedro Pino Schuller em pormenor, abaixo. [Read more…]

As 1001 mentiras de André Coisinho e os Liberais a aproveitar o restolho

André Ventura foi ao Twitter dizer que, qual mártir da honestidade, abdicou do salário de deputado municipal “com enorme desapego”, cargo para o qual foi eleito nas últimas autárquicas.

Acontece que tal é impossível, pois o salário de deputado municipal…não existe. Pessoalmente, também não costumo ter apego por aquilo que não existe. Mas isso sou eu, um patego!

Não ter um pingo de vergonha na cara: lição 2348

Noutra notícia, nada relacionada: então parece que a Iniciativa Liberal quer pescar no Chega? Sabemos que a extrema-direita é o Plano B do Neo-liberalismo. Só não sabíamos que iria ser tão rápido.

João Cotrim Figueiredo, em declarações à LUSA, aqui citadas pelo pasquim da Manhã

Quando o Pai – que é como quem diz, o PSD – espirra, os filhos – que é como quem diz, o CH e a IL – constipam-se. E tudo isto com o primogénito – que é como quem diz, o CDS – em fase terminal num Hospital Privado. 

O silêncio também fala

A vida é feita de acasos.