Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Percepções
Henrique Raposo volta a disparatar
No seu espaço de comentário televisivo de 6 de Março, Henrique Raposo falou sobre a guerra do Irão, começando por afirmar que temos de sentir uma certa alegria pela derrota de uma ditadura, que o povo iraniano comemora a derrota de um ditador. Ficamos, então, com a impressão ou mesmo com a certeza de que as acções israelo-americanas provocaram uma derrota.
A ser verdade essa derrota (ou a ser iminente ou considerada iminente), é justo que haja alegria, mesmo que possamos criticar os meios utilizados e mesmo que acreditemos nas boas intenções de Israel e dos Estados Unidos.
É perfeitamente compreensível que haja esperança entre os iranianos, massacrados por uma teocracia hedionda e Henrique Raposo mostra um vídeo de uma iraniana que deixa essa esperança clara.
Logo a seguir, acusa a esquerda de nunca estar do lado dos que querem a democracia. Não apresenta uma única fonte, uma citação, um vídeo que prove uma ocorrência dessa generalização.
Neste segmento sobre o Irão, acaba a afirmar que não é possível fazer uma transição para a democracia e que todas as operações militares americanas no Médio Oriente que tiveram ou fingiram ter essa intenção falharam.
Ainda acrescenta que Trump quer, com este ataque, encurralar a China, o que, sendo verdade, afasta os EUA de um generoso combate pela democracia. [Read more…]
Nobel das pás

Prometeu paz e atacou seis países em pouco mais de um ano de mandato. Dois criminosos com problemas de justiça juntam-se para largar bombas fora de casa.
E Portugal? Paulo Rangel afirmou que os norte-americanos “podem, para qualquer operação, usar sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países”. Isto não é uma operação da NATO e os EUA têm que pedir autorização prévia para a utilização de uma base que é território nacional. E não está a acontecer em todas bases europeias. Os ingleses mandaram o ogre às favas.
Rangel é um ministro mentiroso num governo de mentirosos. A ministra da saúde mentiu sobre estarem implementados todos os protocolos de actuação dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Montenegro mentiu, no seu primeiro governo, sobre a redução do IRS, que veio maioritariamente do anterior governo de Costa. Aliás, houve vários anúncios de coisas feitas pelo governo de Costa, o que é outra forma de mentir. Lúcia Amaral mentiu sobre não haver falhas sobre a prontidão e coordenação da Proteção Civil durante a depressão Kristin – sabemos o que se passou com o SIRESP, para não ir mais longe. Miranda Sarmento mentiu sobre o estado das contas deixadas pelo PS. O Governo no geral mentiu sobre a segurança, falando em percepções, quando o Relatório Anual de Segurança Interna mostra uma descida transversal da criminalidade geral (com ligeiro agravamento da criminalidade grave, colocando-a ao nível pré-covid, e um enorme aumento de violência doméstica que o governo ignorou). Agora, o MNE firma o seu lugar na lista dos ministros mentirosos.
É o governo mais mentiroso que já tivemos, contemporâneo do presidente dos EUA mais mentiroso que o país já teve.
Respeitinho no tempo dos bits

Imagem gerada com Google Nano Banana
Estive a divertir-me um pouco com a IA da Google à conta de um assunto sério.
“Se Trump mija, Ventura abre a boca à espera que chova.”
Esta caricatura que o Gemini fez, sendo bastante gráfica, até é uma boa metáfora para a forma de actuar dos populistas caseiros. Se dividir e mentir funciona bem lá, porque não repetir cá? Bem apanhado, Gemini.
O tema sério é referente à actuação do ICE, em particular sobre as ordens que esta polícia persecutória tem dado às Big Tech para identificarem os donos de contas nas redes sociais onde se desmascara a identidade dos seus agentes. E sobre como estas empresas passam por cima das famosas emendas constitucionais que garantiam a liberdade de expressão.
Registe-se a ironia quanto a uma polícia que, agindo na cobardia da cara tapada, persegue quem escreva sob anonimato.
Voltando à boca gerada pela AI do Google, esperemos que a próstata de Trump não lhe permita urinar em quantidade suficiente que inspire aspirantes a ditadores de trazer por casa.
Lebensraum

Lebensraum. Venezuela já está. Colômbia, México, Canadá, Canal do Panamá e Gronelândia na mira. Lajes não é preciso. Já é americana.
O que é que justifica um estado capturar uma pessoa estrangeira e julgá-la, para além de dar palha ao gado na arena internacional (e interna)?
A sofisticada Europa do calibre da fruta não tem tomates para dizer à corja a evidência: O que vocês fizeram foi um crime e não têm o nosso apoio.
O triunfo dos porcalhões
José Gabriel
Vejam-nos em todos os canais. O modo como é dada a notícia. O entusiasmo dos filhos da puta. A submissão, até à oferta anal, da maioria dos comentadores. Que até falam em instauração da democracia, como se a história das intervenções dos Estados Unidos na América do Sul alguma vez tivesse essa preocupação. Foi sempre exactamente o contrário. Lembram-se de Pinochet?
Olhem como quase todos eles se esquecem desta vez, de falar me direito internacional. Os canais televisivos são hoje, sem excepção, a festa dos cevados. Da vacalhada servil. Cérebros, deixaram-nos à porta dos estúdios; só levaram as carteiras.
A posição de presidente da República é a de uma galinha desossada. Diz que vai acompanhar, etc e tal. A fascistagem exulta, quiçá na esperança de que os canalhas norte americanos cá venham fazer-lhe um favorzinho.
Não, criaturas, não está em causa e regime da Venezuela e juízos sobre a sua natureza. O mesmo acontecendo com a já ameaçado Irão. Eu diria precisamente o mesmo em qualquer caso. Mesmo a corja que agora se bamboleia nas televisões sabe que isto não tem nada a ver com democracia nem com narcotráfico, mas com as maiores reservas de petróleo do mundo, mesmo que tenha de se desenterrar a arqueológica doutrina Monroe. Mentem e distorcem porque é para isso que são pagos.
Em vão esperaremos que governantes e responsáveis aflorem o mais pequeno tom de indignação. Agora mesmo o rastejante Marques Mendes mostra a sua estatura de político. Abjecto.
E não esqueçamos a legitimação que este acto confere às outras grandes potências. A Ucrânia deve ter ficado a tremer. Taiwan também. E não esqueçamos e referência de Trump, no primeiro mandato, sobre a posse da Ilha Terceira. Porque já estou a ver os nossos governantes, calças em baixo e cu para o ar, esperando os “libertadores” Yankees.
A Idade Média digital

Esta imagem teve forte circulação nas redes sociais ao longo do dia de ontem.
[Read more…]A Gronelândia está a salvo
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Mentalidade de Cristiano Ronaldo
Luís Montenegro, o surpreendente primeiro-ministro português, explicou aos portugueses, na sua mensagem de Natal, que devemos ter a mentalidade de Cristiano Ronaldo, a fim de ajudar o país. Procurando reforçar o serviço público, deixo aqui algumas ligações.
Cristiano Ronaldo sobre Trump: «Desejo conhecê-lo um dia para me sentar com ele, é uma das pessoas de que gosto mesmo porque acho que ele consegue fazer as coisas acontecer e eu gosto de pessoas assim.»; Ronaldo agradece a Trump o jantar na Casa Branca.
Cristiano Ronaldo sobre Georgina: «Cuida de mim, o que é muito importante, da família, da casa, o que implica muito trabalho. Se fosse o oposto, eu não conseguiria. Os homens não são capazes, honestamente. »
O patrão de Cristiano Ronaldo: «Só este ano, a Arábia Saudita executou 340 pessoas.»; «Cristiano Ronaldo volta a dar voz a campanha internacional da Arábia Saudita»
Talvez o problema de Portugal seja a mentalidade de Cristiano Ronaldo. Adapto um provérbio, a propósito da escolha de Luís Montenegro: diz-me quem elogias, dir-te-eis quem és.
Comparações erradas entre armas no Iraque e no Irão

A política errática de Trump no acordo nuclear com o Irão

Em 2018, contra os compromissos assinados por Obama, Trump retirava os EUA do Plano de Ação Conjunto Global. Uma decisão que na prática matou o acordo. Era um acordo diplomático exemplar e eficiente que já estava a dar os seus frutos e que tinha a virtude de incluir a China, a França, a Alemanha, a UE, o Irão, o Reino Unido, a Rússia e os EUA.
Alinhado com o tratado de não-proliferação nuclear, o acordo previa a redução das reservas de urânio enriquecido em 98% e a redução das unidades de centrifugação de urânio. O processo estava a ser supervisionado pela Agência Internacional de Energia Atómica e estava a correr melhor do que pior.
Na altura ficou claro que a decisão de Trump se enquadrou num conjunto de provocações de apoio ao regime de Netanyahu, tendo o próprio primeiro-ministro israelita declarado que apoiava totalmente a decisão de Trump. Também na altura quase todos os peritos do nuclear, da diplomacia e da política internacional alertaram que esta decisão poderia ter consequências catastróficas no futuro. É onde estamos.
O Irão está a enriquecer urânio às escondidas e Israel aplica a receita bruta para eliminar as instalações nucleares.
Andrew Roth no Guardian de hoje: “Iran would not be this close to possessing a nuclear weapon if Trump and prime minister Netanyahu had not forced America out of the nuclear agreement with Iran that had brought Europe, Russia and China together behind the United States to successfully contain Iran’s nuclear ambitions.”
A Ligação Trump-Putin explicada pela France 5
Não, não são vídeos de senhoras russas a fazer chichi numa orgia com Donald Trump que estão na origem da vassalagem que Trump tem prestado a Putin, até à aparente revolta recente quando Trump declarou que Putin está louco. Esses vídeos muito provavelmente existem, mas tal como é referido nesta reportagem da France 5 por um ex-agente do KGB/FSB, a popularidade de Trump é imune a chantagens baseadas em vídeos sexuais.
São sim, dois acontecimentos convergentes ocorridos nos anos 80 que vão selar a ligação/dependência de Trump à Rússia, em particular ao KGB e depois ao FSB:
1- A decisão do KGB de infiltrar a direita americana;
2- O estado dramático dos negócios de Trump.
Depois de décadas a infiltrar a esquerda americana sem resultados úteis para combater o Reaganismo, o KGB decide infiltrar a direita americana para disputar o poder político e económico. O KGB pretendia comprar e controlar empresas, adquirir edifícios para operacionalizar atividades no terreno e sobretudo infiltrar organizações políticas e para-políticas para ganhar poder. O maior sucesso do KGB foi a infiltração da Heritage Foundation. Uma organização de think tanks neoconservadores super-ricos, da direita radical, que permitiram a ponte entre a Trump e os aparentes homens de negócios soviéticos que pretendiam estabelecer relações comerciais entre a URSS e os EUA. Desesperado para salvar os seus negócios, Trump deslocou-se à URSS e [Read more…]
25 de Abril para todos
Homo sum: nihil humani a me alienum puto.
Terêncio
‘Sou homem: considero que tudo o que é humano me diz respeito.’
No dia 12 de Março, Kilmar Abrego Garcia foi detido em Baltimore. No dia 15, foi enviado para El Salvador, de onde tinha fugido em 2011. Abrego Garcia foi enviado para o país de origem, para o Centro de Confinamento do Terrorismo, uma prisão em que estão 40000 reclusos, com base em acusações que não estão provadas, o que, numa sociedade civilizada, quer dizer que é inocente.
De um lado, está Trump, com o discurso musculado dos cobardes poderosos, praticantes de um marialvismo bacoco que fascina os que acreditam que as vítimas serão sempre os outros. Do outro lado, está Nayib Bukele, presidente de El Salvador e lambe-cu de Trump, não necessariamente por esta ordem, que já decidiu, sem necessidade de tribunais, que Abrego Garcia é um terrorista que, portanto, não pode ser devolvido aos Estados Unidos, mesmo que, repita-se, não haja nenhuma condenação em tribunal.
O mundo sempre foi dirigido por bestas que se comportam como qualquer um de nós, que somos capazes de decidir que alguém é culpado de alguma coisa porque tem mesmo cara de ser culpado dessa coisa. A História, no fundo, é esta contínua luta contra a barbárie em que nos espojamos, uma luta contra os nossos caninos sedentos do sangue de iguais. As leis, a civilização e a decência atrapalham-nos muito. [Read more…]
A liberdade que os gurus de André Ventura têm para nos oferecer
Qualquer semelhança com uma distopia inspirada nos regimes nazi ou soviético não é pura coincidência.
Diddy Must Die

Sou um aficionado da cultura hiphop, ouço rap desde miúdo, sobretudo português, mas o rap americano, do ponto de vista cultural, filosófico e antropológico é incontornável para quem segue o movimento.
Serve esta curta introdução para sublinhar o primeiro facto conhecido há décadas: rappers americanos, sejam eles da velha ou da nova escola, sempre deixaram claro nas suas letras que uma certa cultura de depravação sexual faz parte do seu ADN.
Sobretudo, claro, Puff Daddy, Notorious BIG, um dos nomes mais importantes da história do movimento, e toda a crew da Bad Boy Records.
Daddy, Diddy, Brother Love ou Sean Combs, chamem-lhe o que quiserem, sempre foi um rapper de segunda liga. Tecnicamente falando. Posso nomear, com facilidade, 30 ou 40 rappers norte-americanos que são muito, muito melhores que ele, a escrever e a “cuspir”.
Em boa verdade, Diddy só apareceu porque Biggie Smalls morreu. O primeiro grande hit da sua carreira é precisamente “I’ll be missing you”, tema que dedicou ao amigo falecido, no qual usou um sample do tema Every Breath you Take, dos Police, sem autorização. O menor dos seus abusos, que, ainda assim, lhe custou uma pequena fortuna. Aqueles que estes dias descobrimos podem custar a sua vida. [Read more…]
O Deus de Frazão
Pedro dos Santos Frazão, deputado do Chega, escreveu no X aquilo que podemos ler na imagem mais abaixo. Segundo Pedro, que conhece bem a divindade – ou não se atreveria a escrever o que escreveu –, foi a mão de Deus que protegeu Donald Trump do caminho das balas.
Não sei quantas mãos tem o Deus de Frazão, mas, se forem duas, ainda ficou com uma desocupada. Talvez por já ter uma provecta idade, tal como Biden, o Deus de Frazão não conseguiu evitar a morte do pai que protegeu a mulher e a filha no mesmo comício em que Trump foi alvejado. Era muita coisa para fazer ao mesmo tempo e o velhinho de barbas brancas (Frazão deve ter um retrato em casa) teve de escolher. Ou então, assim como tem planos maiores para Trump, o Deus de Frazão tinha planos menores para Corey Comperatore. Também há a possibilidade de o Deus de Frazão não ter tido tempo para pensar em planos para o morto, abandonando-o à sua sorte, enquanto, no último segundo, desviou a cabeça de Trump. Fico, ainda, a saber que o Deus de Frazão não teve tempo ou planos para todas as crianças mortas em tiroteios nas escolas americanas. [Read more…]
A verdade anda por aí

The Parallax View (1974)
Nos anos marcados pelo escândalo do caso Watergate, produziu-se, nos EUA, uma série de filmes que ficou conhecida como a dos “thrillers paranóicos”, com enredos que lançavam suspeitas sobre poderes tão distintos quanto o Governo (Os Homens do Presidente, Os Três Dias do Condor), a NASA (Capricorn One), interesses económicos diversos protegidos por um sistema de justiça cúmplice (The Parallax View), a corrupção nas forças policiais (Serpico), a energia nuclear (A Síndrome da China), ou o futuro da humanidade num cenário de desastre climático e em que um império corporativo controla a produção de alimentos (Soylent Green).
Os heróis destes filmes são muitas vezes jornalistas (inspirados por Woodward e Bernstein) mas também polícias, detectives, e gente comum, que, no exercício das suas funções, descobre um segredo terrível sobre uma entidade poderosa e arrisca a vida para revelá-lo. Os finais são frequentemente negros, com as forças que manobram na sombra a esmagarem sem piedade os indivíduos que lhes fizeram frente.
Quem cresceu alimentado por semelhante substrato acreditou desde cedo que existe uma verdade ocultada por uma conspiração generalizada, que nenhuma instituição é credível, que tudo depende de alguns indivíduos, uma pequena elite de homens e mulheres corajosos, capazes de enfrentar um poder sem rosto, e que, tomando como certo que todos somos mais ou menos impotentes, é pelo menos possível aspirar à lucidez de saber que nos mentem e dá-lo a conhecer a outros. [Read more…]
De Alexandre Guerreiro a João Lemos Esteves é um salto…

Sobre o Alexandre Guerreiro já o Aventar falou inúmeras vezes ao longo destes dias. Desde o primeiro post a 25 de Fevereiro que se tornou viral passando por ESTE que viralizou de igual forma até ao que se publicou hoje. O Expresso acordou um pouco mais tarde assim como a Sábado e ontem o Ricardo Araújo Pereira. E de repente, ontem, surge um texto em castelhano sobre o rapaz.
Dizer que o texto é em castelhano é simpatia minha. Enfim, pouco importa. Ora, o texto é de um português, de seu nome João Lemos Esteves. O nome não era estranho. Ora este João Esteves é, segundo o seu twitter: Senior Intell Analist Hagana Consulting. Mas que raio se passa com os “Intell” portugueses? É que o Alexandre Guerreiro também o é/foi. Onde são recrutados? Mais, onde são formados? É que se um é amigo do Putin, o outro é amigo de Trump. Será que ser-se chalupa é requisito para ser espião em Portugal?
Mesmo tendo deixado mais acima o link para o tal texto em castelhano, não resisto a partilhar aqui uma parte do mesmo.
Um e outro, académicos. Um e outro cepas de universidades portuguesas. Um e outro a defender o indefensável. Se a estes juntarmos o trio de militares putinianos que pululam nas televisões só se pode concluir que a culpa foi do Covid. De certeza. É miolo comido. Muito comido. Valha-nos Deus….
O dia em que Biden perdeu a América

Joe Biden, decidiu trilhar o caminho de negociar com Maduro. Sabendo que está a lidar com um ditador lunático sem escrúpulos que só ainda lidera a Venezuela graças ao apoio de….exacto, Putin.
Foi o caminho que escolheu. Traindo o seu eleitorado, o povo venezuelano e todos aqueles que viam em Biden a única hipótese para a América pós Trump virar a página. Afinal, só mudaram as moscas. Biden, hoje, não perdeu apenas a América. Entregou as próximas presidenciais aos Republicanos. Queira Deus que não seja a Trump.
As costas largas da Geopolítica e os meandros de Costa

Nos anos de 2014 a 2016, várias cidades europeias foram palco de expressivas manifestações contra o TTIP, o acordo de comércio e investimento entre a UE e os EUA, que implicava a conformação massiva dos padrões europeus nas mais diversas áreas, desde a ambiental e laboral até à segurança alimentar, em função dos compromissos inevitáveis para a harmonização regulatória tão própria destes “acordos de nova geração”. E que ofereceria às multinacionais uma poderosa arma para submeter os estados aos seus interesses de lucro, o ISDS – um mecanismo que as dota de direitos especiais para processarem estados em tribunais arbitrais privados e, frequentemente, secretos. Uma “justiça” paralela VIP, apenas e só disponível para as multinacionais.
À data, um dos argumentos mais içados pelos paladinos do TTIP era o das razões geopolíticas e subjacentes alianças. Até que veio Trump, e o aliado, de repente, tornou-se num aflitivo palhaço desarvorado – e o TTIP foi mandado às urtigas.
Lá se foi a Geopolítica*, quedou-se mudo quem a alardeava.
Torna hoje esse voluptuoso conceito da Geopolítica a ser a principal invocação no discurso de António Costa ao Parlamento Europeu sobre o Programa de Actividades da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, em relação ao absurdo acordo UE-Mercosul.
Onde no TTIP havia Trump, temos neste acordo, entre outros, Bolsonaro. Mas, ao contrário de Trump, Bolsonaro está desejoso de finalizar este acordo que vai contribuir para acicatar a desflorestação, atacar a biodiviersidade, dizimar povos indígenas, intoxicar os solos, sufocar a pequena agricultura e arrasar o clima.
E porque a contestação ao acordo tem sido forte e diversificada, mas a Presidência Portuguesa fez dele uma prioridade sua, Costa falou da Geopolítica e lançou umas tiradas dignas da sua indiscutível argúcia negocial: [Read more…]
Estados Unidos da República das Bananas
Quem dizia que isso de Trump estar a conduzir à guerra civil já quer reequacionar face ao golpe de Estado que o Loser-in-chief tem vindo activamente a promover? É uma coisita de somenos. Chamam-lhe democracia. E ainda um outro detalhe que é o Estado de Direito.
Uma turba de egoístas, comandada por um narcísico, não olha a meios para tentar manter o poder. O que se passa na América tem consequências entre nós devido à legitimização que os aspirantes a ditadores de pacotilha sentem perante este exemplo de corrupção. Veja-se o debate do populista de trazer por casa com o candidato do PCP, fazendo o número do pateta americano, não deixando o adversário falar.
Quando os do costume atirarem com os seus argumentos venezuelanos, que não se esqueçam do que aqui se passou.
Putin falou

Depois da Rússia ter dado os parabéns a Joe Biden ficaram os republicanos autorizados a reconhecer a vitória de Biden. Se assim não foi, parece.
O minion também abriu o bico.
Falta só arrumar o looser na prateleira dos candidatos a ditadores que viram o poder lhes escapar por inépcia própria, já que ele não se arruma a si mesmo.
Fecha-se metade do circo. A outra metade, essa que prefere ver gigantes onde há moinhos de vento, ainda continuará na sua bolha, encapsulados num mundo onde cabe a Terra Plana, o QAnon e a vitória de Trump.
Informação versus Democracia
Não sou muito dado a teorias da conspiração, embora algumas façam pensar e outras sejam de uma criatividade digna de apreço.
Todavia, é interessante o facto da notícia da vacina da Pfizer, ter surgido logo após a confirmação de Biden como vencedor das eleições presidenciais dos EUA.
A tal vacina que Trump garantiu que iria surgir em breve, e que muita gente, na qual me incluo, gozou e zombou. E isso, não porque não se queria a vacina o quanto antes. Mas, pelo facto de que a palavra de Trump, por inegável mérito próprio, tinha o mesmo crédito do Pastorinho Pedro da fábula atribuída a Esopo.
É razoável pensar que se esta notícia tivesse surgido ainda durante a campanha eleitoral, Trump teria ganho uma credibilidade potenciadora de uma vitória, face à importância que teve na decisão dos eleitores, a gestão que a Casa Branca fez da pandemia.
Trump iria conseguir algo inaudito: credibilidade científica.
O mesmo Trump que zombou da ciência quanto lhe apeteceu, desde as alterações climáticas até ao uso da máscara.
Não seria de espantar, que a indústria farmacêutica tivesse decidido dar uma mãozita, ao derrube de um presidente que passou grande tempo do seu mandato num exercício de escárnio e mal-dizer, em relação à ciência e à comunidade científica. Num contínuo e execrável esforço de descredibilização, como foi seu apanágio.
Tremendous*

O merdas que se dá ao luxo de não respeitar as regras da democracia acabou de dizer no país dele, em comunicado, que diversos estados são conhecidos por serem corruptos e que lhe estão a roubar a eleição. Até os acólitos da Fox News dizem que não sabem onde é que ele se baseia para falar em fraude eleitoral.
*o único adjectivo que o coiso conhece
As eleições americanas
Manuel Carvalho resume de forma certeira o que se passa na América.
Não é a velha clivagem saudável entre esquerda e direita, entre progressismo e conservadorismo que está em causa: é a oposição entre a decência e a falta de escrúpulo. Se a democracia hesita nesta escolha, é porque se tornou uma banal formalidade.
E a causa:
Na procura de uma resposta para a doença da democracia, o efeito Trump pode então ter uma utilidade – a de demonstrar que não há democracia na desigualdade extrema. Quando as classes trabalhadoras dos subúrbios empobrecem, quando 1% dos americanos controla 40% da riqueza nacional, a tolerância acaba, a revolta cresce e a democracia degrada-se.
Atente-se bem no fosso. 1% dos americanos controla 40% da riqueza nacional. Esta disparidade, não sendo novidade, aprofundou-se nos últimos anos.
Piorando o cenário, as pessoas vivem fechadas em bolhas comunicacionais criadas pelas redes de televisão (Fox News e CNN são as proeminentes de cada um dos lados) e pelas redes sociais (sobretudo Facebook, Youtube e WhatsApp). Com o objectivo de manter os seus “clientes” mais tempo a eles ligados, para lhes vender mais publicidade, estes jardins murados apenas lhes mostram aquilo que eles “gostam”, fechando-os na sua opinião pré-concebida, alheios a outros pontos de vista, incluindo o próprio contraditório. Haveremos de voltar a este tema.
A América não votou em Biden. Melhor, alguns votaram em Biden – apesar de Biden, outros em Trump e os restantes votaram contra Trump.
América, hoje (2): A eleição de 2020
A América vai a votos amanhã. Concretamente, o que vão os eleitores votar?
Imagem: Washington Post, em Agosto de 2019 (22,247 em Agosto de 2020)
A besta
Se bem que focando-se nas reacções, até para a Fox News é notícia a última estupidez do #idiotinchef.
Depois de ter estado internado de urgência, onde recebeu tratamentos inovadores inacessíveis ao cidadão comum, Trump anunciou no Twitter que deixaria o Walter Reed Medical Center, escrevendo “não tenham medo de Covid. Não deixem que ele domine a vossa vida”.
Não tomou, obviamente, as tretas que andou a recomendar aos outros. Como perceberá quem queira ver, esses pseudo-tratamentos fizeram parte da sua estratégia de minimizar a pandemia. Afinal de contas, se houvesse um tratamento para a covid, não haveria razões para preocupação.
Agora, com esta declaração, volta a minimizar os perigos deste vírus, meramente por cálculo eleitoral. Vamos ver se o seu instinto é assim tão apurado. De acordo com o Politico, uma sondagem da ABC News/Ipsos divulgada na sexta-feira revelou que um recorde de 67% dos entrevistados desaprovam “a maneira como Donald Trump está a lidar com a resposta ao coronavírus”, enquanto que apenas 33% aprovam.
Trump e a covid
Então o Trump não estava a tomar hidroxicloroquina como medida preventiva?
(…) Trump, que primeiro apontou a droga como uma cura de coronavírus em Março, disse acreditar que funcionou “nos estágios iniciais”. [Euronews]
E agora, vai curar-se com o remédio que andou a anunciar? Ou será que se vai injectar com lixívia? Ou talvez com feixes de ultravioleta?
O mentiroso das pernas curtas caiu na sua própria demagogia. Sorte a dele que, ao contrário dos que morreram sem acesso a cuidados de saúde, tem um batalhão de médicos e abundantes meios para zelar por ele.
Trump diz que ainda acha que hidroxicloroquina funciona no tratamento do coronavírus em estágio inicial (CNBC, JUL 28 2020)
Trump foi questionado por um repórter sobre um vídeo que ele partilhou no Twitter, que se tornou viral nas plataformas de social media, onde se afirmava que a hidroxicloroquina é “a cura para Covid” e que “não se precisa de uma máscara” para retardar a propagação do coronavírus.
“Acontece que eu acredito nisso. Eu aceitaria. Como sabe, eu tomei-a durante um período de 14 dias. E como sabe, estou aqui. Acho que funciona nos estágios iniciais”, disse.








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