
Pinheiros partidos como se fossem cavacas nas mãos de um miúdo. Foto: JMC
Tempestade Leslie – Figueira da Foz
A pornográfica nacionalização da EDP Distribuição pelo Estado chinês
No mundo observador de Passos e sus muchachos, onde a «convicção de que os “privados gerem melhor que o Estado”» é todo um programa político, a EDP foi vendida aos chineses não apenas porque faltava dinheiro, mas também, ou sobretudo, até, porque a convicção de que os privados gerem melhor que o Estado é um programa político por si mesmo.
Portanto, os imensos milhões de lucro gerados pelo gestor de topo António Mexia, desses que gerem melhor do que o Estado, estão a resolver num ápice os problemas causados pela tempestade Leslie sobretudo em um distrito, certo? [Read more…]
Melhor candidato para mulheres
O Brasil registra um quadro absurdo de violência à mulher. Dentre os agressores a imensa maioria são homens armados.
Observando o histórico de tratamento dado às mulheres de ambos candidatos eu pergunto então: quem será o candidato que promoverá a redução dessa violência à mulher?
Ps: na Foto Haddad e Ana Estela Haddad completando 30 ano de casados e renovando os votos e Bolsonaro xingando Maria do Rosário.

Fernando Haddad e Estela Haddad renovando os votos após 30 anos de casamento.

Trecho de vídeo em que Jair Bolsonaro xinga Maria do Rosário.
Quando for grande, vou mandar fazer leis só para mim
Isabel Moreira comentou a nomeação de João Galamba
A ignorância é a mãe de todos os males
Rosali Henriques
Estou à espera da consulta da médica ginecologista no centro de saúde.
Várias brasileiras aguardando consulta na sala de espera, algumas grávidas.
Começam a falar sobre política brasileira. O marido de uma delas começam a falar bem do Bolsonaro. Não pude me conter e começa uma discussão. Eu digo que o Bolsonaro é fascista e vai ser como o Salazar.
O brasileiro diz que mora aqui há 30 anos e nem sabe quem foi Salazar, mas diz que o filho do Lula tem fazendas e jatinhos. Olha o naipe da gente que vota nele aqui.
Solução BES: a Nova Direita e a Direita Má
Pedro Mota Soares já foi Ministro da Solidariedade Social. Peço o favor de não se rirem, porque é verdade. Esse extraordinário currículo transformou-o em professor da chamada Escola de Quadros do CDS.
Em dada altura, enquanto ministro da Solidariedade Social (vamos tirar esse sorrisinho da cara, já!), chegou a criticar o facto de que havia gente a ganhar fortunas à custa do Rendimento Social de Inserção, como todos os bons direitolas do mundo inteiro que se dedicam a chamar parasitas aos que recebem alguma ajuda do Estado, essa entidade que só deve existir para entregar dinheiro aos grandes empresários, que é para isso que servem adjudicações e simulacros de concertação social e outros fingimentos.
Por outro lado, há tanta gente tão pouco recomendável na direita mundial que até Mota Soares se sente na obrigação de fazer de conta que não quer a mesma sociedade que é defendida por Bolsonaro. O centrista chega mesmo a distanciar-se de Le Pen, que, por sua vez, anda assustada com os exageros do mesmo Bolsonaro. Pelo meio, Mota Soares até recicla um discurso que está muito em voga, dizendo que a culpa de todos os disparates da extrema-direita é da esquerda e que, no fundo, a extrema-esquerda é igualzinha à extrema-direita, unidas pelo populismo e que, se formos ver bem, uma pessoa, estando ali na extrema-esquerda, basta contornar o quiosque e já está na extrema-direita, porque é tudo malta que frequenta o mesmo café, ao contrário de Mota Soares, cliente habitual de um outro snack-bar que, por acaso, até serve uns preguinhos muito bons.
No fundo, Mota Soares quer para a direita uma solução como a do BES: de um lado, está ele, da Direita Boa, a Nova Direita (a da “tradição humanista”, disse Henrique Burnay, humorista involuntário); do outro, está a Direita Má. Entretanto, o Novo Banco, a parte boa do BES, parece que precisa de mais dinheiro, o que nos leva a pensar que, se calhar, não há grande diferença entre o banco bom e o banco mau, mas isto pode ser o meu populismo a falar.
O furacão político disfarçado de tempestade
António Costa aproveitou a situação de dormência mediática do país, causada pela tempestade Leslie e pela respectiva cobertura televisiva pensada para as audiências, para anunciar a aprovação do Orçamento de Estado 2019, para tentar remediar o caso Tancos e para fazer uma profunda remodelação do seu governo.
É clara a aposta no tempo mediático para resolver assuntos que, noutra ocasião, atrairiam atenção e escrutínio sobre si mesmos. Há neste truque político um certo ar de fuga ao debate. Outros também o terem usado não o torna menos merecedor de repúdio.
Quanto às substituições, é de reparar nas que não foram feitas. O problemático Ministro da Educação manteve-se no cargo, o que demonstra que as trocas e baldrocas a acontecerem no ensino e na relação com os professores têm o aval do governo. E a Ministra da Justiça irá continuar o mesmo rumo da não resolução da situação endémica de uma justiça que não funciona.

(Em cima Esq./Dir). Ministro da Defesa Nacional João Gomes Cravinho, ministra da Sáude Marta Temido. ( Em baixo Esq./Dir) Ministra da Cultura, Graça Fonseca e ministro da Economia Pedro Siza Vieira [Imagem e legenda: SIC]
A maioria parlamentar e o salário mínimo
O adjectivo “mínimo”, numa expressão como “salário mínimo”, deveria servir para classificar um montante que permitisse a quem o recebe um mínimo de dignidade. Na realidade, tendo em conta o custo de vida em Portugal, sabemos que isso não é verdade.
Há dois dias, o arco da governação chumbou uma recomendação do PCP para que o ordenado mínimo passasse para 650 euros. As razões apontadas por esta gente, para quem país e cidadãos são compartimentos estanques, correspondem a jogos florentinos de quem está sempre do lado dos mais fortes.
O CDS, fiel à voz do dono, criticou a proposta do PCP, considerando que se trata de uma “prova de vida”, o que é sempre muito fofo da parte de um partido que se lembra de pensionistas e de agricultores em anos de eleições.
Pergunto-me o que leva as vítimas de sucessivos assaltos a dar maioria absoluta aos assaltantes, essa sim, uma geringonça com mais de quarenta anos.
Pedro, lobo e o país sem plano de emergência
Evolução da tempestade Leslie [fonte: IPMA clicar na imagem para ampliar]
Em diversos locais do distrito de Coimbra, tais como Soure e Figueira da Foz, há um apagão eléctrico generalizado. Não é novidade. Em 2013 Soure teve uma situação semelhante e esteve 4 dias sem electricidade. Vamos ver quanto tempo demorará a entrar em acção um plano de emergência – ou a constatarmos que, passados 5 anos, nada mudou.
Entretanto, o Presidente da Câmara Municipal de Soure, Mário Jorge Nunes, vai decretar estado de calamidade pública no concelho. A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), num ponto de situação às 09:00, deu a dimensão da catástrofe.
A guerra dos mundos
Sandro Morais
Antes da missa da manhã deste Domingo, várias árvores tombadas pelo vento e dezenas de horas consecutivas de reportagem televisiva, com o depoimento em directo de inúmeros especialistas em ventanias e chuva verdadeiramente torrencial e molhada, caindo do céu aos trambolhões como canivetes, repórteres entrevistando as ondas do mar, o monstro de Loch Ness e duas ou três telhas voando do cimo das casas como pássaros insanos, fizeram de Leslie, esse mortífero cataclismo tropical, o mais eloquente retrato de um país sitiado, não pelo Outono, que na Terra já não há estações, mas pela mais pungente e dolorosa imbecilidade, jamais vista, aliás, neste cruel mundo de Deus.
Costa e Negrão à porrada

via Expresso
À porrada com cartas, que é mais civilizado e tem aquele aroma a século XIX. Costa não admite ataques de carácter a Negrão, Negrão pede a Costa que não se faça de vítima. Chique a valer!
Ignorância, ódio e instrumentalização do medo: Bolsonaro, o Messias da violência
A Vice arriscou-se pelos covis do fascismo que alimentam a ascensão do próximo ditador da América Latina.
O elogio da tortura e a exaltação da violência, o fundamentalismo religioso acéfalo (passo a redundância), a cultura da ignorância e da desinformação e o ódio contra minorias e instituições democráticas atravessam os 25 minutos deste curto, mas esclarecedor documentário. [Read more…]
E daquela vez em que Bolsonaro afirmou que Hugo Chávez era uma esperança para a América Latina?

Alguns bolsonazis sentir-se-ão tentados a afirmar que a imagem em cima é uma montagem, um pérfido exemplo das mais odiosas fake news à la Trump. Outros sentir-se-ão deprimidos, já que o único argumento que lhes resta é o “Então e a Venezuela?”. Mas Bolsonaro, não vai muito tempo, achava que Chávez era uma esperança para a América Latina e gostava que a filosofia chavista chegasse ao Brasil. Definia-o como “ímpar” e queria ir à Venezuela conhecê-lo. E isto tem que doer aos milhões de fanáticos fascistas que o seguem como uma divindade messiânica.
Aguentou-se à defesa até aqui

Azeredo Lopes abandonou a cadeira de ministro. Já quanto ao cargo, mais parece ter ficado abandonado há muito.
Mar-a-Lago School of Diplomacy

Fotografia via Jornal Económico
A meio da semana, vi Trump afirmar perante a imprensa norte-americana que a sua filha Ivanka seria uma excelente sucessora de Nikki Hailey, a representante demissionária dos EUA na ONU. Nas suas palavras, Ivanka seria “dinamite”, o que de resto faz todo o sentido. E, claro, Trump fez questão de sublinhar que tal decisão nada teria a ver com nepotismo, até porque, afirmou, não há no mundo alguém mais competente do que a sua filha. Nem com nepotismo, nem com diplomacia. Felizmente, Ivanka teve o bom senso de se demarcar de mais um anúncio estapafúrdio do presidente-palhaço. Até ver. [Read more…]
E o valor foi zero
“Com Pedro Passos Coelho aprendi o valor e preço da verdade na política.” Para que não restem dúvidas sobre o que é que Teresa Morais aprendeu, lembremos o seguinte clássico.
Haja memória, s.f.f.
Robot Atlas a fazer parkour
O software de controlo usa todo o corpo, incluindo pernas, braços e torso, para acumular energia e força para saltar sobre o tronco e subir degraus sem quebrar o seu ritmo.
As palas
Para um conjunto de pessoas, a ascensão do facho que faz a preferência dos brasileiros deve-se a Lula e ao PT. João Miguel Tavares faz parte da trupe, afirmando que “Bolsonaro é uma erva daninha que foi diariamente regada por um PT profundamente corrupto, que os brasileiros (à excepção dos nordestinos) querem hoje ver para trás das costas.”
Para esta gente, o golpe de Estado que depôs Dilma, para colocar no seu lugar um corrupto de todo o tamanho não é chamado para estas contas. A ausência de um partido credível que possa servir de alternância não interessa.
A conclusão do ilustre cronista é que a corrupção é de esquerda, assim podemos inferir.
Bolsonaro é uma erva daninha que foi diariamente regada por um PT profundamente corrupto, que os brasileiros (à excepção dos nordestinos) querem hoje ver para trás das costas. A esquerda brasileira demorou muito tempo a perceber isso. A portuguesa ainda não percebeu. A corrupção mata os regimes democráticos. Está a acontecer no Brasil. Era bom que não viesse a acontecer em Portugal. [JMT]
Sai um par de orelhas ali para o canto, s.f.f.
Quem quiser que acredite

Lamento, mas não compro a narrativa sobre a demissão de Paulo Dentinho. Nem por sombras. Já há muito que me surpreendia a tolerância que parecia haver, por parte do director de informação, à vertiginosa descida da RTP no que respeita a uma equidade mínima na informação, no modo como ia fenecendo o sentido ético e deontológico que ainda por lá restava. E falo de surpresa porque, apesar de tudo, não considero Dentinho dos piores, longe disso.
Situações que vão ocorrendo, tratadas de modo inqualificável pela estação – as eleições brasileiras, por exemplo – , provavelmente terão levado ao limite o sentido de decência que resta a Paulo Dentinho. As pressões devem ser tremendas e a malta do Observador vai afiando o dente, já que não lhe chega o Dentinho. As explicações públicas tresandam a arranjo patrocinado pela entidade patronal. Quem quiser que acredite.
Cristãos Violentos
Eu já li a Bíblia inteira muitas vezes. Tudo que aprendi sobre Jesus foi lendo sobre ele.
Em uma das passagens sobre Jesus, um dos seguidores (Pedro) pega uma espada e fere um homem que estava lá para pegá-lo.
A violência foi relatada nos quatro Evangelhos (João 18:10-11, Mateus 26:51; Marcos 14:47 e Lucas 22:49-51)
Os detalhes são vários pontos de vista mas em todos Jesus cura o homem ferido. No livro de Mateus a versão que mais admirei:
52 – “Então Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que tomam a espada, morrerão à espada”.
Hoje nas eleições brasileiras vejo “cristãos” fazendo o símbolo da arma como símbolo de intenção de voto e decretando a morte alheia. Respiro fundo e penso naquele Jesus.
Bolsominions sadomasoquistas

A esmagadora maioria dos imigrantes brasileiros em Portugal, sujeitos a décadas de violentos insultos, preconceito e estereotipação, votou num tipo que se refere a migrantes de países pobres como “escória do mundo”.
Será que eles compreendem que, caso Portugal caísse no erro de eleger um troglodita como Bolsonaro, o risco de serem quase todos perseguidos e/ou corridos daqui disparava de forma vertiginosa?
Ou será que a propaganda do fascista lhes esvaziou o cérebro?
Em todo o caso, seria boa ideia espreitarem as simpáticas mensagens que o PNR lhes vai dedicando. Assim, já ficam a perceber com o que contam e no que votaram.
Desorientação sexual
Há, com certeza, razões ancestrais para que as pessoas se preocupem tanto com a vida sexual das outras pessoas ou com a vida sexual mesmo sem pessoas: o medo do animal que vive em certas partes do corpo, o medo do corpo que vive em certas partes do animal, o medo de que outro corpo leve o corpo de que gostamos, o medo de não sabermos tudo sobre a vida dos outros, o medo de que a vida dos outros seja melhor do que a nossa, o medo da infelicidade dos outros. [Read more…]
Fazer mossa sem aleijar
Por enquanto, rimo-nos dos outros. Um dia estaremos nós no vídeo. Entretanto, rir vai fazendo mossa no facho, sem o aleijar, no entanto.
Bolsonaro bolça
O extraordinário conselheiro Acácio, uma vacuidade do tamanho de Cavaco Silva, nunca empregava palavras vulgares, o que o levava a substituir “vomitar” por “restituir”.
Nós, nos dias que correm disfémicos, usamos palavras ainda piores que “vomitar”, que o léxico está cheio de brutalidades e o humor não pode ser apenas inteligente e refinado.
Todas as palavras e expressões que se referem a funções excretórias mais ou menos voluntárias têm servido de metáfora para designar actos ou palavras dignos de compaixão ou de repulsa moral. Lembre-se, por exemplo, uma frase como “Já fiz merda!”, que não se refere ao acto de defecar.
Nos últimos dias, a propósito de afirmações de Jair Bolsonaro, muitas delas infelizes, para usar um larguíssimo eufemismo, as redes sociais têm recorrido à metáfora “bolçar”, a propósito do conteúdo do discurso. Demasiadas vezes, a ortografia tem fugido para um “bolsar” homófono mas errado, como poderão confirmar os que seguirem as ligações.
É certo que Bolsonaro só diz merda, vomita pus, mas não é caso para esconder o cê e a cedilha, sem a qual o caçador não poderia ir à caça, antes indo à procura daquilo que sai da boca do, pelos vistos, futuro Presidente do Brasil.
Trump e Bolsonaro: as provas vivas de que o capitalismo selvagem detesta a democracia

Imagem via Blog de Pablo Reis
A eleição de Trump, o anti-herói que alguns palermas ainda acreditam não representar os mais imorais interesses económicos, foi apresentado ao mundo como aquele que vinha para romper com o establishment e acabar com os poderes ocultos que nos conduziam para uma ditadura globalista. Não só não o fez como não há stock de Gout de Diamants que resista ao clima de celebração em que vivem os piratas de Wall Street, desde que o anormal foi eleito.
Com Bolsonaro sucede exactamente a mesma coisa. Aldrabado que está grande parte do povo, com uma campanha milionária totalmente focada nas redes sociais e na desinformação, largos milhões de ingénuos (ou imbecis) acreditam que Bolsonaro não representa a elite abastada do país. E a elite abastada do país já esfrega as mãos com o que aí vem. Porque a supressão de direitos e liberdades é sempre boa para o negócio, até porque pagar salários justos e dar condições aos trabalhadores é sempre uma maçada e o helicóptero não se mantém sozinho. Que o diga a bolsa de São Paulo, em contraciclo com o resto do mundo.












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