Manifestação contra o TTIP e CETA em Berlim, 10/10/2015

Ana Moreno

Foram 12 horas de viagem encaixados num autocarro para ir e voltar e 4 horas na manifestação, foi um dia estafante, mas valeu a pena!!!

Fomos entre 250.000 (número dos organizadores) e 150.000 mil (número da polícia) pessoas vindas de toda a Alemanha, em 600 autocarros e 5 comboios especiais, foi uma aliança de 170 organizações de variadíssimos quadrantes, foi gente de todas as gerações e grupos sociais, pessoas convictas e alegres, a dizerem NÃO! NÃO vamos deixar que nos enganem e nos roubem os direitos, a democracia e a dignidade; a dizerem: Yes we can STOP TTIP and CETA! Por um comércio justo!

O vídeo dá uma imagem do que aconteceu em Berlim, mostra a força e a imaginação que nos une e nos encoraja a continuar o protesto contra estes tratados secretos que visam pôr os lucros à frente das pessoas. Força Plataforma Não ao TTIP! Mesmo em Portugal, acabarão por ter de informar, acabarão por ter de vos ouvir! Informe-se.

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As eleições Legislativas inauguraram um novo tempo político.

foto@publico

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Estas eleições legislativas estão a inaugurar um novo tempo político no nosso país. E foi isso que muitos ainda não perceberam ou então fazem de conta não terem percebido.

As recentes eleições na Grécia deixaram marcas e sinais importantes para os partidos radicais europeus. Estes perceberam que definitivamente não têm espaço para crescimento político na actual conjuntura política europeia.

A Unidade Popular que congregou os dissidentes do Syriza, incluindo o célebre ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis, teve menos de 3% dos votos não tendo sequer representação no Parlamento Grego.

Esta foi uma lição que BE e PCP perceberam claramente. Aliás durante a campanha eleitoral deram sinais disso mesmo. António Costa percebeu também tudo isto. Talvez não tenha sido inocentemente que disse que não aprovaria o orçamento de estado da coligação PSD / CDS.

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O dilema de António Costa

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De politicamente acabado há uma semana, António Costa é agora quem baralha e dá. Cavaco bem pode correr a indigitar o afilhado mas sem o PS, a coligação PàF fica refém de um Parlamento hostil, restando-lhe ser cozinhada em lume brando até ao dia do seu “PEC IV”. Não deixa de ser absolutamente delicioso ver Passos Coelho na posição que já foi de Sócrates, ele que não perdia uma oportunidade de trazer o preso domiciliário para a campanha. Karma.

Ainda assim, António Costa e o PS encontram-se perante um dilema. Qualquer escolha acarretará riscos e um deles é efeito PASOK. No xadrez do Largo do Rato, afiam-se facas e as peças começam a movimentar-se. Sérgio Sousa Pinto demitiu-se, em protesto, da comissão política. Vera Jardim não vê diálogo possível à esquerda. Álvaro Beleza acha “muito estranho que o PS passe de inimigo para aliado do PCP e BE”. Há seguristas – sim, eles existem – a pressionar uma negociação com o PàF com vista a viabilizar o OE16 e até Carlos Silva, líder da UGT, afirma não acreditar que as forças à esquerda do PS garantam a estabilidade necessária. À revelia dos órgãos sociais da central sindical. Direita, volver. [Read more…]

Aviso a navegação: não voem com a SATA. Pode correr mal

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Os aviões [A310] estão absolutamente obsoletos. Eu como passageiro não entrava num avião da SATA.

O aviso chega-nos de Luís Miguel Sancho, comandante da companhia aérea, em declarações na comissão parlamentar de inquérito ao Grupo SATA. Ainda assim, o comandante não parece ter muito mais com o que se queixar:

Sou pago para fazer 900 horas por ano, mas a empresa só me dá 300 horas por ano e pagam-me o mesmo ordenado. É uma empresa muito boa para mim, mas é incomportável manter-se as coisas nesses moldes.

Os aviões podem estar obsoletos, Luís Miguel Sancho não meterá lá os pés se não for para trabalhar, mas, feitas as contas, a empresa até é boa para ele. Para si é que poderá não ser tanto assim.

Foto@Faial Digital

A Esquerda ganhou as eleições e pode governar, mas o Cavaco não vai deixar

Estamos a viver tempos singulares. Dias que correm e que nos surpreendem a cada momento. Mas, há uns tempos, ainda antes das eleições, a propósito das sondagens escrevi:

“Ora, comparando os resultados daquelas coisas a que alguns chamam sondagens, podemos verificar que nunca a direita teve um resultado tão mau como agora. Ou, dito de outro modo, a direita para ganhar eleições, só em 1985 conseguiu ficar abaixo dos 40%. E, os números hoje em cima da mesa mostram que a Esquerda vale 51%, valor suficiente para ganhar as eleições.”

Os resultados mostram que a coligação teve 36,83%, isto é, 37%. Os votos, à esquerda totalizam 50.87%, isto é 51%. Os números são claros: a coligação não tem maioria parlamentar. E, esse, é o único facto absolutamente rigoroso neste momento. Ou seja, da eleição resulta um parlamento onde a coligação (partido) mais votada não tem capacidade de suportar um governo. Mas, apesar da ausência de enquadramento constitucional, a verdade é que o povo votou mais num tipo para ser primeiro-ministro e votou menos noutro.

E, se calhar por isso a direita, em pânico, diz que se trata de um assalto ao poder. Até o representante da direita que dirige a UGT se presta ao papel da direita. Não surpreende – é para isso que serve a UGT e, na educação, todos o sentimos na pele há muitos anos. [Read more…]

Funfoz

FunFoz
O João, se soubesse, teria achado piada ao facto de ser cremado por uma empresa chamado «Funfoz» (ler em inglês p. f.). Que é como quem diz «Na Figueira, ser cremado é um divertimento».
Já acharia menos piada, certamente, ao facto de ter sido cremado num Complexo Funerário concessionado pela Câmara Municipal da Figueira da Foz a uma empresa privada, a Servilusa.
Foi em bom tempo. Sim, que a partir de agora a Catarina não deixa privatizar mais nada.
Voltemos, pois, à política. Sempre, mas sempre, com o nosso JJC no coração.

Ironias do destino, João: parece que o teu Bloco vai para o governo.

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Olha João, parece que o teu Bloco de Esquerda vai para o governo. A Catarina Martins, à saída da reunião com o António Costa teve uma tirada que tu deves ter gostado de ouvir: “O governo de Passos e Portas acabou hoje“. Não sei se será bem assim, João. Mas parece. Ironia do destino.

Já sei, já sei que estás a rir, com aquele teu ar de menino trocista e a soltar um: “E tu não dizes nada, pá? Não soltas os cães? Anda lá, escreve!”. Escrevo sim senhor, João. Está na hora de regressar a sério, como tu querias e como tu mereces que cada um de nós, cada um dos aventadores, o faça. E olha lá, desta vez nem me vou esquecer de “cortar” o texto a meio e assim evito que tenhas de me telefonar a puxar as orelhas por, como quase sempre, me ter esquecido de colocar o “Ler mais…”. E como detesto esta coisa do “Ler mais…”, João.

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JJC na Rádio: A Madona e o Menino

Não têm sido poucos aqueles que têm destacado a Rádio como uma das facetas do João. Daí que, neste momento, me pareça adequado relembrar um dos seus programas na RUC, de resto já publicado pelo próprio João no Aventar. O texto que se segue é dele.

No Dia Mundial da Rádio do ano das nossas desgraças de 2015, inaugura-se aqui a Rádio Aventar, para começar em modo museu. Abre com uma peça de teatro radiofónico, produzida (em directo) para a Rádio Universidade de Coimbra, programa Com Licença, por Manuel Portela (que a escreveu), João José Cardoso, João Pedro Figueiredo e Margarida Mendes Silva. Em que ano, é complicado, mas já lá vão uns tantos, ainda as televisões não tinham chegado às salas de partos.

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Só o esquecimento mata

E por isso o João José continuará a viver de formas diversas entre nós. Não deixa, porém, de ser duro saber que aquela ausência que foi crescendo se tornou definitiva. Com quem vou agora embirrar e concordar? Conspirar e gargalhar? Planear e aviar uns tintos? Com todos, menos contigo, João. E assim fiquei mais pobre.

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À tua, JJC!

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A um João furacão

Não vou falar de ti na terceira pessoa. Não me mereces isso. Estás e estarás aqui, connosco neste mundo cibernético que tem sido parte da tua vida. É a ti que me dirijo e a ninguém mais.

Raramente conversámos os dois. Para mim, foste sempre uma mente superior. Inibia-me perante ti. Não sabia o que dizer ou escrever. Parecia que, fosse o que fosse que tivesse para dizer, tudo seria demasiado estúpido e fútil comparado com o que te ia na alma.

Comecemos pelo princípio: não gostei de ti antes de te conhecer e não gostei de ti depois de te conhecer. Quer dizer, da primeira vez em que estive contigo, nem deu para te conhecer ou para ter uma opinião sobre ti. Até, se bem me lembro, foste um gajo porreiro. Não nos dava jeito ir a um almoço do Aventar em Coimbra, pelos gastos todos que isso implicaria, e tu ofereceste-te para adiantar o dinheiro do almoço, que te seria restituído logo que possível. Não me senti bem. Nem sequer te conhecia, mas o Ricardo lá me convenceu. Ele, sim, conhecia-te bem. Nesse almoço, eu, ocupada com uma filha pequenina, que até creio ter estado também no teu colo, não conheci praticamente ninguém. Não deu para falar com ninguém. E poucas recordações tenho desse dia. Mas quando tive mais contacto contigo, numa noite em Coimbra, embora tenha gostado da conversa, não gostei de ti. [Read more…]

Surto de «reaccionarismo primário e destrambelhado»

atinge extrema-direita do PS.
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[Samuel Quedas, a propósito da demissão de Sérgio Sousa Pinto do Secretariado Nacional do PS]

As notícias que não passam nas tevês portuguesas #2

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Uma gigantesca manifestação contra o Tratado Transatlântico em Berlim, hoje.

Afastar António Costa da liderança do PS o mais depressa possível,

eis o objectivo urgentíssimo da direita, com o apoio do senhor Presidente da República, dos liberais do PS e de Bruxelas. Em nome da defesa do interesse nacional, da sensatez e da estabilidade, dizem. «70% dos que votaram pediram um governo formado pelo PSD+CDS e pelo PS», insistem os mais “atrevidos”.

Carniceiros

Cameron Salman

Foto@Daily Mail

Por estes dias, a propósito dos ataques aéreos russos contra posições do Estado Islâmico – dizem eles claro – David Cameron acusava o Kremlin de dar cobertura ao carniceiro Al-Assad porque, alegadamente, apenas um em cada 20 ataques atingia os jihadistas enquanto os restantes faziam recuar os rebeldes opositores do regime, que apesar de empunharem armas de fabrico ocidental, têm sido terreno fértil de recrutamento para os fundamentalistas e responsáveis pela morte de civis inocentes e outros atropelos aos princípios mais elementares da dignidade da vida humana. Não admira que os sírios queiram dali fugir a todo o custo.

O mesmo David Cameron que, indignado, se insurgia contra o apoio russo ao regime sírio, é o líder do governo que terá alegadamente feito um acordo secreto com a Arábia Saudita para que ambos pudessem integrar o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDHNU). Há carniceiros e carniceiros e alguns deles têm muito petróleo pelo que devem ser acarinhados pelos moralistas ocidentais. A verdade é que o carniceiro Salman lá conseguiu um seu assento no CDHNU, apesar das execuções por bruxaria e dos bloggers chicoteados em praça pública perante a passividade dos falsos Charlies. [Read more…]

António Arnaut apela à formação de Governo com BE e PCP

«A inclusão do PCP e do BE, além de “reforçar o Governo”, era também “uma forma de chamar estes partidos à democracia representativa e fazer com que cada um assuma as suas responsabilidades”. [Económico]

António Costa quer fazer história.

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António Costa foi sempre conhecido por ser um político moderador e um homem de diálogo. Temos que reconhecer que a sua gestão política na autarquia de Lisboa, nos últimos anos, é disso um excelente exemplo.

Nos últimos 40 anos estivemos habituados que o Partido que ganhava as eleições, independentemente de ter maioria absoluta, era quem governava o País. Mas também não me esqueci ainda que um governo de maioria absoluta, presidido por Pedro Santana Lopes, foi demitido pelo Presidente da República, Jorge Sampaio. Isto foi o passado, esta é a hora de tratar do futuro.

Pela primeira vez coloca-se a hipótese que o Partido mais votado possa não vir a formar Governo atendendo a que estes tempos exigem estabilidade governativa. Eu apoiei e votei em Pedro Passos Coelho. Lamento muito que eventualmente não venha a ser o próximo Primeiro- Ministro, mas confesso que, neste momento, estou mais preocupado com a estabilidade governativa e o futuro do meu País, do que com os interesses do meu Partido. Estou convicto que o exercício do poder ” amacia ” e modera os partidos e os seus políticos. Ainda me recordo bem do tempo em que Paulo Portas tinha decidido que nunca ia ser político. Recordo-me também que quando chegou à liderança do CDS/PP era um anti-europeísta convicto. Hoje é Vice-Primeiro- Ministro e é o maior de todos os europeístas.

Parece-me que se poderá estar a inaugurar um novo tempo.  As reacções, atitudes e comportamentos de António Costa, desde o dia 5 de Outubro, deixam transparecer que o líder socialista está envidar todos os esforços no sentido de conseguir congregar à sua volta o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista, Os Verdes e o PAN, de modo a poder apresentar ao Presidente da República uma solução governativa maioritária no Parlamento que garanta a estabilidade preconizada e defendida pelo Professor Cavaco Silva nos últimos anos.

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José Rodrigues dos Santos e o lobo

Entre o episódio dos paralíticos gregos e o da possível brincadeira à volta da sexualidade de Alexandre Quintanilha, há uma diferença: desta vez, José Rodrigues dos Santos (JRS) pediu desculpa. Justiça lhe seja feita.

Convém, de qualquer modo, lembrar a persistência das dúvidas de Alexandre Quintanilha e ler o texto de Ferreira Fernandes. Além disso, se é certo que este problema não se colocaria se Quintanilha não fosse homossexual, é igualmente certo, na minha opinião, que, com outro jornalista, a polémica dificilmente atingiria as proporções que atingiu.

Basta ver, mesmo fazendo justiça a JRS, que, no meio das desculpas, não consegue deixar de enviar alguns remoques: que está tudo louco e que as críticas resultam de invejas. Nada que espante em alguém que está demasiado cheio de si. Junte-se a este caldo que é, no mínimo, estranho que um jornalista não saiba nem queira saber que Alexandre Quintanilha é homossexual ou a por que partido foi eleito, não por pura coscuvilhice, mas pelo eventual interesse jornalístico que isso possa ter.

Digamos, portanto, que, tendo em conta as pantominices e os disparates que JRS tem produzido ao longo dos anos, não ficaria admirado que lhe passasse pela cabeça fazer uma piada sobre a homossexualidade de uma figura pública. Acrescento, a propósito, que não tenho nada contra piadas sobre qualquer assunto, mas deixaria isso para humoristas ou, na pior das hipóteses, para gente que escreve em blogues. [Read more…]

Marcelo Rebelo de Sousa

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Chegou com 20 minutos de antecedência, entrou no auditório da “sua” biblioteca sozinho e de forma perfeitamente descontraída. Sem a costumeira parafernália de bandeiras, panfletos, “pins” ou hinos. Sem os partidos. Nada. E às 18h em ponto ali estava, no palanque, pronto para começar a sua intervenção, ao arrepio da tradição portuguesa de chegar atrasado e começar bem depois da hora marcada. Nada disso. Pelo contrário, ainda teve de esperar que os jornalistas tivessem tudo pronto.

Um discurso simples, de fácil compreensão para todos, provando que sabe bem o que quer e conhece bem a audiência. O oposto da tradição política nestas coisas. Uma enorme diferença.

Em suma, a TVI perde o seu principal activo e Portugal ganha o melhor candidato à Presidência da República.

A ameaça

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(c) Pedro Vieira sobre capa da Time de 1975
[Fonte: Facebook de Paulo Querido]

1975 e 2015 são mundos diferentes. Descansem os traumatizados do excêntrico (e ainda mais para portugueses) PREC, que não é agora que a “ditadura popular” que então se pôs a jeito (e que não avançou por acção determinada também do PS) vai realizar-se em Portugal. Não é porque alguns desses traumatizados não merecessem tal susto, pelo inacreditável aggiornamento que fizeram do seu anterior soberanismo anti-europeísta – berço que agora renegam, em nome de compromissos obscuros (embora claros para muitos) que tornam a política um negócio e apenas isso, e transformam o País numa empresa. Mas é porque o mundo de 2015 é realmente outro – tal como são diversas de 1975 as forças à esquerda do PS, apesar da “vocação” de oposição em que teimaram até agora. Antes tarde que nunca, diz a sabedoria construtiva. [Read more…]

Restauração

«E um governo de esquerda a tomar posse no dia 1 de Dezembro, novamente feriado? O dia da Restauração ganhava um novo significado.»
[No vazio da onda]

É que o problema é exactamente esse

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O perfil falso a vangloriar-se do trabalho feito

Consegue a esquerda fazer chegar as suas mensagens ao mais comum dos cidadãos? Será que apenas alcança – em debates, publicações e iniciativas – circuitos e universos («reais» ou «virtuais») demasiado restritos? Com a ilusão de comunicar de forma ampla, quando na verdade não sai dos aquários em que se move, mobilizando essencialmente os «mesmos de sempre», as militâncias e os já convencidos? [Nuno Serra]

Blogs e outros meios funcionam em circuito fechado, para um público que já está informado, seja ele de esquerda ou de direita. Trocam-se argumentos mas não se convence ninguém, já que cada um tem as suas posições bem cimentadas, tenha ou não razão. Ambos os lados esperam convencer uma suposta audiência, mas têm, eles mesmos, as suas opiniões congeladas.

Há uma enorme massa populacional que não acompanha o dia a dia do país. Possivelmente, com os pacotes de TV por cabo e com a Internet a comer audiência à televisão, nem sequer segue os noticiários dos canais abertos. E quando segue, convenhamos, pouco fica a saber, pois estes optam por um formato de repetidor de mensagens dos diversos protagonistas, sem um trabalho complementar de validação da mensagem. É mais barato. E poderá haver colagem ao poder, mas será sempre ao poder estabelecido, seja de direita ou de esquerda.

Como é que se chega a esta massa? Com mensagens simples e simplificadas. A coligação fê-lo com mensagens falsas. Contou com um verdadeiro exército, composto por três vértices: [Read more…]

Será que alguém explicou a Pires de Lima o que se está a passar?

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Parece que não. De outra forma não se percebem as mais recentes declarações do ainda ministro da Economia que não deve ter percebido onde a administração do grupo VW quis chegar quando afirmou que os investimentos que “não são absolutamente vitais serão cancelados”.

Portanto ou estamos hoje perante um novo caso de mentira e/ou incompetência, a que se junta agora um momento de irresponsabilidade ao melhor estilo cavaquista, ou o homem não sabe mesmo o que se está a passar. De outra forma não se compreendem declarações como esta:

Não temos nenhuma razão para duvidarmos ou estarmos ansiosos em relação a este investimento, tem sido sempre considerado pela Volkswagen como essencial ao desenvolvimento da sua actividade comercial.

Não se trata aqui daquilo que se considerou ou deixou de considerar. Trata-se da reavaliação a que todos os investimentos do grupo serão alvo numa mudança drástica de contexto. E “considerado essencial” não é bem a mesma coisa que “absolutamente vital”.

Tomara que o ministro esteja certo e que a mais recente catástrofe provocada pelo capitalismo sem freios passe ao lado da nossa Autoeuropa. Mas exige-se mais contenção e bom senso a Pires de Lima. A situação não está para brincadeiras ou discursos fáceis. Existem razões para estarmos preocupados e o tempo de enganar os portugueses terminou há uma semana.

Foto: Nuno Veiga@SIC Notícias

 

Pois, mas não pode ser!

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Em nome do País, da sua recuperação, do seu crescimento e do seu bem-estar, não é uma situação, minimamente, aceitável.

Mas, cinicamente, era óptimo os socialistas formarem governo com o BE e com PC. Daqui a 1 ano, 1 ano e meio, pimba: desmantelamento da burla que a “esquerda radical” tenta impingir, implosão do PS, etc., etc.

Seria um passo importante na clarificação da política nacional. Mas com um preço que duvido que pudéssemos pagar.

A formação do Governo: todos ralham mas quem tem razão?

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Nos últimos dias a sociedade tem discutido a legitimidade da formação de um novo governo que não seja um governo liderado pela coligação PSD / CDS.

Todos nós teremos as nossas preferências. Eu pessoalmente defendo um governo liderado por Pedro Passos Coelho.

Na Europa 14 governos são constituídos por coligações pós-eleitorais sendo que, por exemplo, na Bélgica o governo é composto por uma coligação de 6 partidos que tem como primeiro-ministro o líder do quinto partido mais votado.

Por isso os mais diversos argumentos que tenho ouvido e lido nos últimos dias apenas prova que, passados mais de 40 anos sobre a revolução de Abril, ainda não vivemos numa Democracia plena e madura.

Termino deixando um conselho aos futuros governos e grupos parlamentares que propõem e aprovam as nossas leis na Assembleia da República para que passem aprovar leis explícitas e claras o que nao acontece neste caso da formação do Governo. Por exemplo nas autarquias a lei é explícita quando diz que o presidente de câmara é o primeiro elemento que integra a lista mais votada. Terminem-se com as ambiguidades!

A festa e o alerta

Ana Moreno

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Manifestação anti-TTIP, Bruxelas, 7/10/2015

Primeiro, o festejo: Apesar do bloqueio cerrado dos média portugueses à informação sobre o Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP) e sobre o movimento de protesto contra o mesmo, CONSEGUIU-SE: Pela primeira vez em Portugal foi atingido o quórum – fixado pela UE – para uma Iniciativa de Cidadania Europeia. Portugal está assim entre os 23 países europeus, e os portugueses entre os 3.263.920 milhões de cidadãos europeus, que “apelam às instituições da União Europeia e aos seus estados membros que suspendam as negociações com os EUA acerca do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento e que não assinem o Acordo Económico e Comercial Global (CETA) com o Canadá”. [Read more…]

Redes de linchamento popular

jose_rodrigues_dos_santosMarco Faria

As ‪#‎redes‬ sociais são um novo campo de linchamento popular. Basta um lapso ou deslize de alguém, para o cidadão-médio, normalmente mais atento às falhas/erros dos outros do que às suas próprias fraquezas, atirar a primeira pedra. E os pedregulhos vão-se multiplicando. Nunca acreditei que houvesse intencionalidade homofóbica por parte de um apresentador de TV experiente.

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Cavaco Silva, Presidente do Conselho

O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu esta quinta-feira, na cerimónia solene de Abertura do Ano Judicial, que o chefe de Estado deve ter a faculdade de “designar alguns juízes do Tribunal Constitucional” e a competência para nomear o governador do Banco de Portugal, sublinhando, porém, que os poderes atribuídos actualmente são adequados.

Cavaco Silva alegou que a e de o Presidente da República designar juízes do Constitucional “poderia reforçar a percepção de independência que os portugueses têm deste órgão de garantia da Constituição”. [CM, Ana Luísa Nascimento, 8/10/2015]

O Tribunal Constitucional é composto por treze juízes, sendo dez eleitos pela Assembleia da República – por maioria qualificada de dois terços dos deputados presentes, desde que superior à maioria dos deputados em efectividade de funções. Os três restantes cooptados pelos juízes eleitos, também por maioria qualificada. [Wikipédia]

O PR nomear juízes do TC poderia “poderia reforçar a percepção de independência que os portugueses têm deste órgão de garantia da Constituição”. Nomeações políticas e independência? A sério, Aníbal? Cavaco Silva, uma vez mais a contribuir para o seu epíteto de pior PR de sempre desde 1974.

 

Vetusta Morla, Casa da Música, 9/10/2015 (hoje)

“Em síntese: os Vetusta Morla mantêm o essencial de uma sonoridade própria, desalinhada e envolvente, apurando alguns elementos que, já se sabe, rendem muitas vezes concertos de marca. O que parece certo é isto: quando se ouvir ‘Fuego’, considerada a melhor canção do ano em Espanha, a Casa da Música – que em boa hora acolhe este farol de modernidade espanhola e latina vai seguramente debater-se com o problema de sobreaquecimento. Mas há calores que não se trocam por nadinha.” – João Gobern, DN.

Foi em dezembro de 2013 que pela primeira vez se escreveu sobre os Vetusta Morla no Aventar. Poucos os conheciam em Portugal e ainda hoje não serão muitos. Não sabem o que andam a perder. É do melhor que a música espanhola nos oferece. Mais logo, aqui na Casa da Música, teremos a estreia em Portugal destes castelhanos. O João Gobern escreveu tudo. Verdadeiramente a não perder.

Aqui fica uma das suas músicas mais conhecidas e logo do trabalho de estreia:

As notícias que não passam nas tevês portuguesas

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Bruxelas contra a “austeridade”, ontem.
[Reuters]