Entretanto, na América em ebulição

Quase 24 horas depois do fecho das últimas urnas nos EUA, ainda não sabemos quem será o próximo presidente da nação que dita as regras do jogo internacional. E é possível que ainda não fique tudo fechado hoje, para não falar na mais que provável tentativa de impugnação que se seguirá, caso Biden leve a melhor, e que Donald Trump vem ensaiando desde o segundo debate.

Biden leva uma vantagem confortável, que, à hora que escrevo, é de 39 grandes eleitores. Está a 17 do número mágico dos 270 e é já o candidato presidencial mais votado de sempre em presidenciais nos EUA, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 70 milhões de votos. Para ser mais preciso, Joe Biden leva neste momento 71,5 milhões de votos, contra os 68 milhões de Donald Trump. O candidato mais votado de sempre era Obama, com 69,5 milhões. Em 2016, Trump ganhou com quase 63 milhões contra Hilary, que conseguiu quase 66. Só para colocarmos as coisas em perspectiva. [Read more…]

GOP elege congressista QAnon

Sim, leram bem: os republicanos meteram uma chalupa no Congresso que acredita que Trump está em guerra com um lobby pedófilo que quer dominar o mundo. RIP, GOP.

…M’ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M’AVERGONHO … *

 

Vamos ter eleições para a Presidência da República. Tal como a Assembleia da República, estes são os dois únicos orgãos de soberania que são eleitos por voto directo dos cidadãos, vulgo sufrágio universal. Daí a sua importância. O actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ir-se-á candidatar, de acordo com o que vamos lendo na comunicação social. Será assim candidato a um segundo mandato (legalmente não poderá candidatar-se a um terceiro). Assumiu-se como independente antes de ser eleito.

Tenho-me lembrado da poetisa Natália Correia Guedes, que lhe tinha dedicado entre outros, este poema:

O Carochinha*

Dos voos de Marcelo, o transformista,
em doméstico dom repousa a asa:
farto de andar ao trapo e ser fadista
torna-se modelar dona de casa.

Na modéstia exemplar dessa roupeta
– Ó eleitoral, virtuosa esfalfadeira     

de ser dono de casa lisboeta! –
vai Marcelo às mercas na Ribeira,

enche a despensa, lava a roupa é cozinheiro,
cose a meia, faz tricot, varre a casinha.
Por fim, põe-se à janela e diz faceiro:
Quem quer casar com a carochinha?

O que recordaremos desse primeiro mandato? As ditas selfies? O dito afecto? A conversa da treta? As aparições na praia? O “colinho” ao actual Governo? Tancos? A não recondução, vergonhosa, diga-se, da  PGR? Os incêndios? Os mortos? O País? Os Portugueses? Fraca herança, comparativamente com qualquer dos anteriores Presidentes.

Será reeleito para o tal segundo mandato.

Regresso a Natália Correia Guedes:

Requiem por Marcelo**

O ingrato que em mim tinha cantora,
torna-se chatamente, sorumbático:
de truão despe o fato e entra agora
na enfadonha pele do catedrático.

Mudos que são os guizos de Marcelo,
já nenhum som que o chiste inspire, escuto;
sepultada a pilhéria no capelo,
meu jocoso cantar visto de luto

Ó ingratidão que já não me entretém,
do riso astro cadente, ó meu enfado!
Adeus Marcelo, aqui deixo um requiem
pelo bubónico artista reformado.

**Natália Correia, O Sol nas Noites e o Luar nos Dias II, Círculo de Leitores, 1993

*Sá de Miranda, Poema “Quando Eu, Senhora, em Vós os Olhos Ponho”

Descubra as diferenças entre

isto:

e aquilo:

América, hoje (2): A eleição de 2020

A América vai a votos amanhã. Concretamente, o que vão os eleitores votar?

Imagem: Washington Post, em Agosto de 2019 (22,247 em Agosto de 2020)

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Uma das possibilidades de “Acordo + Açores” é

Açorda. Enquanto reflectimos acerca da Geringonça açoriana, recomendo um texto do António Fernando Nabais, uma delícia da Banda do Casaco e esta fotografia.

Não CHEGA, Sr. Presidente

Marcelo Rebelo de Sousa vetou e bem a vergonhosa lei que tinha sido aprovada pelos traidores deputados do bloco central do NOSSO Parlamento, a qual, com o intuito de nos açaimar, determinava mais do que a duplicação do número mínimo de assinaturas requeridas para permitir que uma petição cidadã fosse discutida em plenário na AR.

O PSD até queria que fossem 15.000 (a meu ver, os votantes deste partido ou serão masoquistas, ou terão algum tacho) mas, numa negociata com o PS, entenderam-se pelas 10.000. O Presidente vetou a alteração do exercício do direito de petição “por imperativo de consciência cívica”, considerando tratar-se de um “sinal negativo para a democracia portuguesa”. Marcelo demonstrou ainda que um dos argumentos avançado pelos partidos para justificar essa alteração, nomeadamente, “o excesso de petições”, era pura mentira, já que “O número de petições desceu em 2018 e 2019, relativamente a 2017 – portanto, não é válida a justificação do trabalho parlamentar.”

Preto no branco, tratou-se de um ataque à democracia, ainda por cima apoiado em patranhas. [Read more…]

PSD descobre o parlamentarismo nos Açores

Em Novembro de 2015, o segundo governo liderado por Passos Coelho caía. PS, PCP e BE resolveram aliar-se e formar uma maioria na Assembleia da República, o que fez com que António Costa pudesse ser primeiro-ministro.

Foi um escândalo à direita, de Belém (ah, o Cavaco!) a São Bento: que isto era uma vergonha, que devia governar o partido/coligação que teve mais votos, que o Costa, o Jerónimo e a Catarina estavam a desrespeitar a democracia, que era um roubo, muito disto e mais daquilo! Talvez por distracção, pêéssedês e cêdêésses esqueciam-se de que um governo só pode funcionar se for sustentado por uma maioria parlamentar.

Durante estes cinco anos, pêéssedês e cêdêésses continuam, de vez em quando, a lembrar esse acontecimento, enlutados, enegrecidos, revoltados, cheios de uma estudada vergonha alheia, ainda e sempre esquecidos do insignificante pormenor de que, em Portugal, os governos obedecem ao parlamento (sabemos que há perversões instituídas, sim, mas uma maioria parlamentar é uma maioria parlamentar é uma maioria parlamentar). [Read more…]

As más pessoas e as boas obras

Um velho amigo aparentemente desaparecido, porque a morte é uma aparência desmentida pela memória, contou-me que, estando em Paris, nos anos 60, teve oportunidade de conhecer um escritor que idolatrava, tendo pedido a um amigo comum que lho apresentasse. Esse amigo não o fez, alegando que o escritor era uma pessoa extremamente desagradável, o que iria fazer com que o meu amigo, por causa da pessoa, passasse detestar o escritor.

Não há cirurgia que seccione as facetas das pessoas de modo a conseguirmos esquecer aquilo que é censurável ou condenável.

Hoje, Maradona faz 60 anos. Confesso que sempre o detestei, também por jogar pela Argentina, a selecção que derrotou a minha Holanda de 1978 e deu glória a um ditador execrável. Depois, o próprio carácter de Maradona fez o suficiente para que o detestasse, levando-me a ser adepto de qualquer clube ou selecção que fosse seu adversário. Penso, aliás, que não gostaria de ir beber um copo com Diego.

A verdade, no entanto, é que Maradona é o melhor jogador que vi nos quarenta anos que levo de espectador e apaixonado do futebol. É igualmente verdade que, desejando sempre que perdesse, fiquei muitas vezes maravilhado com as obras de arte que eram os passes, as fintas, os golos, o mero gesto de parar a bola. [Read more…]

A actual aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 para totós

Efectivamente,

«Desporto pára quase todo este fim-de-semana: conheça as exceções».

Exactamente,

«representando um elo potenciador do contato e da transferência de conhecimentos para a sociedade».

Os meus agradecimentos ao excelente leitor do costume.

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Para o Brasil

Inácio Ramires acompanha D. João VI ao Brasil como Reposteiro-Mor, negocia em negros, volta com um baú carregado de peças de ouro que lhe rouba um Administrador, antigo frade capuchinho, e morre no seu solar da cornada de um boi.
Eça de Queiroz

And I want the rest of you cowboys to know something, there’s a new sheriff in town. And his name is Reggie Hammond.
Reggie Hammond

Francesco Bartolozzi. Departure of his R.H. the Prince Regent of Portugal for the Brazils: the 27.th November 1807. 1807. Gravura: água-forte. (https://bit.ly/2HKQiAZ)

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Segundo o Expresso, Luís Faro Ramos «fez o balanço dos três anos em que exerceu o cargo de presidente do Camões I.P., que deixa esta sexta-feira». Portanto, sendo hoje quarta-feira, Faro Ramos tem ainda cerca de 48 horas para responder à pergunta que lhe fiz há quase quatro meses:

Quais os números?

Agradecido.

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The Handmaid’s Trump

Em 2016, a 10 meses do final do seu mandato, a maioria republicana no Senado impediu Barack Obama de substituir o falecido juiz Antonin, do Supremo Tribunal. O líder dos republicanos, Mitch McConnell, justificava a decisão com o argumento de que os eleitores teriam uma palavra a dizer, pelo que a substituição do juiz do Supremo só deveria ocorrer após o acto eleitoral marcado para o final desse ano.

Quatro anos volvidos, Donald Trump nomeou Amy Coney Barrett, na sequência do falecimento da icónica Ruth Bader Ginsberg, a menos de um mês das presidenciais. O ainda líder dos republicanos, Mitch McConnell, bem como a bancada republicana no Senado estado-unidense, nada tiveram a opor. Os eleitores, esses, nada puderam ou tiveram a dizer.

Desta forma, cumpriu-se a vontade de Donald Trump, que nomeu o seu terceiro magistrado vitalício na mais alta instância jurídica dos EUA, ampliando a maioria republicana no Supremo. Uma maioria com a qual o presidente conta para invalidar uma possível vitória de Joe Biden na secretaria, plano em marcha há várias semanas, assente na narrativa da fraude eleitoral.

O cerco está montado. Mesmo que Biden vença as eleições, o Supremo Tribunal dos EUA será uma força de bloqueio à governação do novo presidente. E com três juízes nomeados por Trump, a última das quais uma ultraconservadora membro da People of Praise, uma organização fundamentalista católica que advoga, por exemplo, que as mulheres se devem submeter à vontade dos seus maridos, o cenário não é nada animador. Após vários episódios verídicos de Black Mirror, a realidade parece apostada em reproduzir The Handmaid’s Tale.

Os nossos hipócritas e cobardes governos

Para quem ainda tinha dúvidas, este esclarecedor artigo no Público providencia uma amostra da subserviência dos governos europeus perante as multinacionais e do desprezo com que os mesmos governos presenteiam os cidadãos.

Em causa está “O estranho e secreto veto à lei contra a evasão fiscal pelas multinacionais”, lei essa que deverá “tornar mais transparente a evasão fiscal por parte das empresas transnacionais. Essas empresas (como a Google, o Facebook, a Amazon ou a Apple, entre outras) registam os seus lucros em países, como a Irlanda, onde as taxas de imposto são particularmente baixas, apesar de gerarem a maior parte do volume de negócios noutros países. (…) “A Comissão Europeia estima que isto custe aos cofres públicos dos países da UE até 70 mil milhões de euros por ano, ou seja, quase metade do orçamento anual da UE.[Read more…]

Eu cá, Tu lá

João L. Maio

O Bloco de Esquerda já sabia, antes de sequer iniciar qualquer negociação, que o Governo iria fazer os malabarismos do costume para sair a ganhar das negociações para o Orçamento de Estado para 2021 a todo o custo. Fê-lo nos outros orçamentos e este não seria excepção. Tem por hábito o PS baralhar e dar a bel-prazer. Mas o BE não cedeu a chantagens ou a ameaças de crise política, quando a bola esteve sempre do lado do Governo.

Não nego que votar contra o OE’21 é incoerente com o caminho que vinha sendo traçado até aqui desde 2015, com altos e baixos, mas com uma solução de esquerda para Portugal. Mas ficou claro, durante estes últimos cinco anos, que só um partido ganhou com a “geringonça” e esse foi o Partido Socialista.

Depois de reveladas as posições do PCP e do PAN, e tendo quase por certo que bastarão os 108 deputados da bancada socialista e o voto a favor de uma das deputadas não-inscritas (ou do PEV) para o orçamento passar, o Governo ficou com a certeza que não precisava do BE para nada. Posição que, aliás, sempre pareceu demonstrar. A altivez com que António Costa e outros membros do PS se referem e dirigem ao BE não mostra abertura à negociação, antes uma postura autoritária baseada no “eu quero, posso e mando”. Mas, em democracia, não é assim que funciona; e o PS devia sabê-lo melhor do que ninguém. [Read more…]

O Bloco de Esquerda portou-se bem

«Este OE falha na questão mais importante do nosso tempoEfectivamente.

Comunismo nunca mais!

A luta pela liberdade não tem donos. Há 64 anos, começava a luta do povo húngaro contra o comunismo. Aqui fica uma música italiana que homemageia quem luta por um povo livre.

 

Na República Checa

Ministro da Saúde demitido por organizar reunião num restaurante. Quer se concorde ou não com as medidas, pelo menos não há dois sistemas num país só.

A Era do Cancelamento

Tantos séculos a evoluir, a quebrar barreiras e a tornar as sociedade mais livres. Começamos pelas liberdade grupais, passando para as liberdades individuais. Começamo-nos a perguntar como tornar as pessoas mais livres, um mundo mais justo e menos desigual. Eliminamos preconceitos e fizemos progressos. Consideramos que os nossos antepassados estavam errados, mas não acho que seja certo dizer isso, pois eu espero que os meus netos me considerem retrógrado. É sinal que a geração deles conseguiu tornar as pessoas ainda mais livres. [Read more…]

Prefiro o Charles

Quanto apostam que amanhã vai haver trocadilho com a Teoria da Evolução nos jornais desportivos?

Concordo com Martins e discordo quer de Mendes, quer do Expresso

Spanish /t/ is dental and English /t/ is alveolar, and the dental articulation leads to different formant transitions, particularly in the F2 of subsequent high vowels.
— Kissling (2015)

***

Foto: Tiago Miranda (https://bit.ly/31nsudF)

Não há qualquer «combate de palavras». Aquilo que há é indiferença e incompetência em relação às palavras. Eis o problema. Por exemplo, se alguém quiser ser Director do Serviço de Planeamento, Contratualização e Controlo de Gestão da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, E. P. E., só poderá obter “informação adicional” através de contato. E isso, francamente, é inadmissível. Por esse motivo, concordo com Martins e discordo de Mendes.

Obviamente, os leitores do jornal A Bola acharão [Read more…]

Felizmente, o Papa Francisco não lê o Diário da República

«Papa Francisco defende uniões de facto em casais homossexuais». Exactamente. Efectivamente.

Obrigado, Cavaco!

Na capa do DN desta semana, o homem que foi financiado várias vezes pelos Espírito Santo, e que, talvez por isso, nos assegurava, a poucos dias do início da derrocada, que o BES estava sólido, posa em frente ao seu elefante branco, que derrapou qualquer coisa como 500%, não se aproximando, ainda assim, do assalto que alguns criminosos seus amigos protagonizaram via BPN, com o qual Cavaco fez bom dinheiro através da compra e venda de acções. Se Portugal é lanterna vermelha do Euro, não podemos deixar de lhe agradecer o inestimável contributo.

Discordo de Ana Catarina Mendes

De facto, uma nova proposta de Orçamento não «representa também uma irresponsabilidade».

Concordo com Catarina Martins

Efectivamente, «o Orçamento do Estado não tem condições para ser viabilizado».

Uma boa noite para todos…

Menos para os sportinguistas!

A directora do Agrupamento de Escolas Escultor Francisco dos Santos quer que os encarregados de educação tirem selfies:

«Solicito que se retrate, o que ainda não fez».

Livre arbítrio e imposição coerciva: descubra as diferenças


Faz-me imensa confusão, esta comparação disparatada entre a possibilidade do governo nos enfiar uma app telefone adentro, transformando agentes de segurança em monitorizadores de telemóveis, e os dados que entregamos voluntariamente aos Facebooques da vida. Será assim tão difícil de perceber a diferença entre uma imposição coerciva e uma decisão pessoal e voluntária?

Sejamos sérios: se eu, ou qualquer um de vocês, decide entregar informação pessoal a uma plataforma digital, bem ou mal, é de uma escolha livre que se trata. Uma escolha que pode ser revertida a qualquer momento. Se um governo decide impor uma aplicação, fazendo uso de multas e de patrulhamento policial, é o espírito da democracia que está a ser posto em causa. São os nossos direitos, liberdades e garantias que estão na prancha. [Read more…]

Empresas estratégicas

And Now For Something Completely Different, como é que está a reintegração daquele funcionário do PC ilegalmente despedido?

E se…

E se desse jeito haver um tema que desviasse a atenção da discussão do Orçamento de Estado?

Sei lá, por exemplo uma proposta possivelmente inconstitucional, como por exemplo meter a policia a ver as apps que a malta instalou no telemóvel.

Polónia Fora do Armário

 

A Polónia enfrenta vários ataques à democracia, principalmente pela forma que são tratadas as pessoas lgbt. Ao contrário de Portugal, é urgente travar esta situação. Em 2020, na Europa que sempre foi pioneira na defesa pela democracia, não podemos permitir que haja zonas livres de lgbt. Assobiar para o lado não é solução e há pessoas a verem os seus direitos renegados devido à sua identidade. Convido todos, independentemente da ideologia política, a assinar esta petição do LIVRE.
Não podemos permitir que a Liberdade e a Democracia estejam ao sabor de ideologias.