A valorização dos fatos: enquanto houver Egipto, há efectivamente esperança

We’ve got five years, what a surprise.
David Bowie

If you wanna get to heaven, gotta D-I-E
you gotta put on your coat and T-I-E
Curtis Buck/Waylon Jennings

Σωκράτης … τῆς Αἰγύπτου…
— Platão, “Fedro

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Passado um lustro (e muitos meses), com algumas saudáveis e louváveis recaídas (como diria Hollande, há sempre «des rechutes possibles»), eis que surge ortografia no jornal da silenciosa resistência, da grafia rasca, da grafia inadmissível.

Exactamente, há redação e seleção. Todavia, enquanto houver Egipto, há efectivamente esperança.

Os meus agradecimentos àquele excelente leitor.

Quanto ao sítio do costume, como é habitual, nada de interessante a declarar.

Outra vez.

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Schäuble, o desavergonhado


Depois dos sucessivos ataques soezes a Portugal, tais como aqueles depois do governo que não era da sua eleição ter tomado posse, quando Schäuble precisava de desviar as atenções do Deutsche Bank e sugeriu por duas vezes que Portugal precisava de um novo resgate, é preciso ter uma lata descomunal para usar o caso português como referência para o seu suposto sucesso pessoal.

Já agora, atente-se na fotografia. O autor captou aquele momento que revela a relação de poder entre aquele que puxa os cordéis e o seu o testa de ferro.

O Passos e os barões assinalados

Foto: André Kosters/Lusa

Com o final do ciclo passista à vista, queimam-se os últimos cartuchos de propaganda de uma oleada máquina que, nos seus tempos áureos, triturou Manuela Ferreira Leite sem dó nem piedade, a quem se seguiu Aguiar-Branco e Paulo Rangel, recorrendo a práticas tão respeitáveis como a manipulação do Fórum TSF ou a concepção de apoiantes alternativos nas redes sociais, como o célebre caso Maria Luz, magistralmente desmontado e exposto neste blogue pelo J. Manuel Cordeiro.

A máquina, porém, foi esmorecendo, e nem o advento dos observadores foi suficiente para manter o passismo vivo, apesar do forte investimento e de uma mobilização de recursos considerável, na imprensa escrita como nas redes sociais. À governação de péssima memória, guiada pelo radicalismo ideológico e pela quase ausência de resultados, cuja cereja em cima do bolo é a famosa saída limpa com Banif debaixo do tapete, seguiram-se dois anos de puro fanatismo, durante os quais todas as desgraças foram profetizadas, todas as crises aventadas e até a vinda de demónios era dada como certa. [Read more…]

Dia capicua

7102017. Onde é que andam os catastrofistas?

Então, Expresso, esse relatório de Tancos?

Há duas semanas, Pedro Santos Guerreiro justificava o Expresso com o argumento de, na edição a seguir, voltar ao tema Tancos com informação relevante. A montanha pariu um rato na edição que se seguiu e nesta nem a isso chegou.

Vamos aguardar. Para já, é mais um caso para juntar à lista composta pelos dossiers WikiLeaks, Panamá Papers e mortos de Pedrogão Grande. Naturalmente que se trata de jornalismo de referência. É uma questão apenas de determinar qual é o referencial.

O esgoto do entretenimento televisivo, ridicularizado em 3:21 minutos

Não vos trago uma grande novidade, até porque este fantástico sketch do ainda mais fantástico canal Q já tem mais de dois anos. Acontece que, dois anos depois, este show de variedades duvidosas, música de qualidade questionável em formato playback e massacre psicológico via chamadas de valor acrescentada continua no ar.

Não sei que audiências terão este tipo de programas, dos quais a RTP já abdicou – já era tempo de parar de gastar dinheiro dos contribuintes com mediocridades destas – mas poucos formatos ilustram tão bem a mediocridade de um país onde há quem vote na Ágata para vice-presidente de uma autarquia. Agora imaginem o quão fácil é para um Isaltino.

Manual de instruções para rebentar com o mundo instantaneamente

Use-se uma imagem de uma senhora árabe, desnudada de burcas e afins, para ilustrar o Facebook de um americano que esteja a escolher paio de Arganil em Jerusalém. Esta simples combinação,  catalisada pelo horror americano à nudez, desencadeará um efeito de borboleta tão imparável quanto uma cólica no sistema digestivo dos mísseis norte-coreanos.

Isto deve fazer tanto sentido quanto os apelos do Facebook à bufaria vitoriana.

Crónicas do Rochedo XXIII – Catalunha: É onde dói mais…

Captura de ecrã 2017-10-06, às 22.29.21

No fundo ainda sou um ingénuo. Muito ingénuo. E porquê? Porque pensei que as empresas que nasceram na Catalunha, que a ela muito devem a força e pujança de hoje, iriam resistir. E que seriam elas a mola impulsionadora do diálogo entre as partes em confronto. Sou um ingénuo.

Quando o grupo Banc Sabadell, o grupo Caixa Bank (agora donos do BPI) ou a seguradora Catalana Occidente decidiram desertar atiraram um tiro no “meio dos olhos” da economia da Catalunha. Foi onde dói mais. A força do poder económico catalão era, para mim, a última esperança para colocar as coisas nos eixos, ou seja, obrigar as partes a ceder neste braço de ferro: por um lado, obrigar Castela/Madrid a aceitar a realização de um verdadeiro referendo na Catalunha e, pelo outro lado, obrigar Puigdemont e os seus aliados a aceitar não levar a cabo a DUI (Declaração Unilateral de Independência). Só o poder económico e a Igreja podem conseguir obrigar as partes a negociar. Se a Igreja está, discretamente, a fazer o seu papel de mediador, já o poder económico catalão escolheu um lado, o do velho pragmatismo capitalista sem pátria.

Ironia do destino: um dos mais importantes empregadores e contribuintes para a força do PIB da Catalunha (e de Espanha), os alemães da SEAT (Grupo VW), já desmentiram qualquer tipo de fuga da Catalunha.

Além de Barcelona

Saint Louis, Antuérpia, Los Angeles, Melbourne, Munique, Montreal, Atlanta, Sydney, Rio de Janeiro. Há que manter o rigor

Ele vive!

image cavaco

Muitos pediram e ei-lo que regressa, impante e em grande forma.

A História é para ser estudada, não é para ser julgada…

O Padre António Vieira tem de ser entendido à luz da época em que viveu. O mesmo se aplicará a D. Afonso Henriques, que hoje seria seguramente acusado de desrespeitar a Constituição e falta de solidariedade para com os restantes povos ibéricos. Faria sentido acusar hoje D. João III, D. Manuel I, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral ou Afonso de Albuquerque de terem levado a cabo uma política de expansão colonialista, ocupando território que não pertencia à coroa portuguesa, escravizando povos e tomando suas as riquezas que encontraram? [Read more…]

O 5 de Outubro e as saudades que eu já tinha do meu alegre Cavaquinho

Cavaco Silva, esse belo animal político que a República nos deu. Pendurado nos cofres públicos desde 1980. Continua a achar que não teve nada a ver com o estado a que isto chegou. Políticos são os outros.

Fenprof de regresso

Após as autárquicas, o sindicalismo reaparece

A cívica ilegalidade catalã e a inútil legalidade portuguesa

Santana Castilho*

1 Polícias a espancarem barbaramente civis que cometiam o “crime” de votar, que ensanguentaram cabeleiras brancas de mulheres que protegiam urnas de voto e que, a uma delas partiram, um a um, todos os dedos de uma mão, são coisas do foro “interno do Estado espanhol”? Nove centenas de cidadãos europeus feridos pelas forças que existem para os proteger são coisa interna de um estado membro ou, antes, matéria civilizacional que a todos importa?

O hibridismo do discurso diplomático e a contenção expressiva que o exercício politicamente correcto de determinados cargos recomenda podem obrigar a silêncios cobardes. Mas não justificam que se remeta para o remanso doméstico o comportamento protofascista de Mariano Rajoy. Murcham os afectos quando as mãos que os distribuem mergulham na pia de Pilatos! [Read more…]

O futuro do PSD

O PSD à semelhança do PS, tende a ser um catch all party. Quando ocupam o poder as várias tendências ainda que procurem exercer influencia, submetem-se às lideranças, na oposição são um saco de gatos. Perante uma hecatombe como a que o PSD sofreu a nível autárquico, em bom rigor mais em 2013 que em 2017, mas agora esperavam recuperar alguma coisa e afinal ainda conseguiram passar do mau ao péssimo, ficam sem jobs para os boys and girls, deixando no desemprego muitos destacados militantes. [Read more…]

Crónicas do Rochedo XXII – Pedro Passos Coelho

PPC

Quem pensa que a vida política de Pedro Passos Coelho terminou a 1 de Outubro de 2017 está enganado.

Para o PSD profundo, Pedro Passos Coelho é o líder que nunca perdeu umas eleições legislativas. Que ganhou a Sócrates e que, depois de quatro anos a governar com uma política de austeridade violenta, ganhou as legislativas a António Costa. E isso, como já se vê nas redes sociais nas opiniões desse PSD, é algo que não será esquecido. Daí o verdadeiro “tiro ao alvo” diário a Rui Rio, Morais Sarmento e Manuela Ferreira Leite.

Para a maioria dos militantes do PSD, Pedro Passos Coelho é um resistente e um vencedor, alguém a quem a história um dia fará justiça. E quando assim é, está a narrativa do mito em toda a sua força. A mesma que será resgatada após a derrota previsível do PSD nas próximas legislativas. E porquê essa derrota? Porque se o PSD escolher Rui Rio, o eleitorado vai olhar para ele como uma espécie de cópia de Costa na versão sisuda e cinzenta. E entre a cópia e o original… Se, por hipótese verosímil (pois o aparelho manda e muito) Luís Montenegro for o próximo presidente do PSD perde, porque entre o original (PPC) e a cópia a preto e branco em fotocopiadora chinesa de má qualidade, o eleitorado não hesita. O problema do PSD é mais profundo.

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A história do passismo que pariu a Geringonça, abortou o PSD e criou um monstro

Fotografia: Miguel A. Lopes/Lusa@JN

Maiorias absolutas, numa autarquia como no governo central, são sempre soluções perigosas. Seja pela prepotência ou pelos tiques autoritários que originam em quem não tem unhas para manusear o poder, seja pela tendência para a arbitrariedade, a célebre frase de Lord Acton nunca perde actualidade: o poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente.

Domingo à noite, o passismo defunto iniciou um processo acelerado de decomposição. Com uma pesada derrota em toda a linha, em particular nas zonas mais urbanas, o PSD terminou a noite a disputar o terceiro lugar no Porto e em Lisboa com a CDU, conseguindo o mesmo número de vereadores que os comunistas em ambos os concelhos, tendo em Lisboa sido ultrapassado pela direita por Assunção Cristas, que de resto conseguiu o dobro dos vereadores do antigo parceiro de coligação. As escolhas pessoais de Passos Coelho para os mais importantes municípios portugueses deram origem ao resultado que se previa há meses: o pior de sempre. [Read more…]

Uma boa altura para evocar Sebastião Pereira

Sair da zona de conforto. O desemprego é uma oportunidade. Emigrar. Será desta que veremos Passos Coelho seguir os conselhos que deu aos outros? Ou continuará a aquecer a cadeira de deputado por mais dois anos?

Marco António Costa é muito fraquinho

Que coça impressionante o homem levou. Espanta que tenha o destaque que tem no partido. Pela oratória e argumentação não será, certamente.

Uma vitória inconveniente

O PS foi o grande vencedor das eleições autárquicas. É uma verdade de La Palisse, mas para que uns ganhem, outros perdem e neste caso concreto existiram derrotados à esquerda e à direita. Ouvir António Costa, ladeado por Carlos César e Ana Catarina Mendes afirmar na noite de domingo que a principal conclusão a tirar era uma grande vitória do PS e derrota do PSD e que apresentar outras leituras era procurar desviar atenções, soou falso, hipócrita, mas nada que surpreenda vindo da cúpula do PS. [Read more…]

Isto poderá ser muito importante

BCE quer que novos activos tóxicos sejam provisionados a 100%.

Reaccionário

«Escreve-se com dois cês». Exactamente. Efectivamente.

Comovente

Caramba! Os figurões que painelam neste momento na SINn – a direita perdeu as eleições, mas não as televisões – estão preocupados com o destino do PCP. Estou, até, comovido.

Crónicas do Rochedo – XXI :: Referendo da Catalunha, E se D. Afonso Henriques…

CATALUNHA
Aos olhos de alguns, muitos, que analisam o problema da “legalidade” do referendo da Catalunha imagino o que passou D. Afonso Henriques…
 
Aos 14 anos, armou-se a si próprio cavaleiro (uma ilegalidade, tendo em conta as regras da época). Não satisfeito, luta contra a sua mãe e vence em 1128 a famosa Batalha de S. Mamede e declara o Reino Portucalense como independente (sem referendo, coisa que à época não era costume), contrariando todas as leis vigentes (de Castela, diga-se). Em 1139 vence a Batalha de Ourique e afirma-se como Rei de Portugal, contrariando as leis da época – podemos considerar as batalhas como uma espécie de “referendos” de hoje? Só mais tarde, em 1143 é que Castela aceita a independência (Tratado de Zamora) e só em 1179 a Santa Sé reconhece o Reino de Portugal. Ou seja, se a coisa dependesse do cumprimento das leis soberanas de Castela (e Leão) ainda hoje andava a malta a discutir a realização de um referendo cumpridor da Constituição de Espanha, para que, cada um dos habitantes deste pedaço de terra, chamado Portugal, fosse um país soberano e independente. É isto, em resumo, que defendem os actuais legalistas, certo?
 
A escolha dos habitantes da Catalunha só pode ser feita através de um referendo (as batalhas caíram em desuso). Um referendo livre e democrático. Se votam a favor da independência ou contra ela é uma decisão de cada um dos eleitores do respectivo território, a Catalunha . Querer fazer depender disso o cumprimento integral do disposto na Constituição de Espanha é uma aberração política. O mesmo se aplica, obviamente, a outros povos na mesma situação (dentro e fora de Espanha).
 
Ver tantos portugueses a referir-se ao referendo da Catalunha como uma violação dos preceitos jurídicos de Castela (desculpem, de Espanha) é, no mínimo, de ir às lágrimas…

From Paris, with love

Agora é só ver qual vai ser a morada da novel presidente.

América, América!

massacre_las_vegas“Na América tudo é grande, até as tragédias

Boas notícias para o PS

O maior seguro de vida da Geringonça não se demitiu. Mas, pelo discurso de Passos, percebe-se que será preciso algo mais em breve.

Reinserção na vida activa

PrintA vitória de Isaltino Morais demonstra que o processo de reinserção social dos ex-reclusos é mais uma prova do progresso do país. [Filinto Pereira Melo]

Isaltino Morais: é triste, mas é o que temos

Fotografia via Panorama

Poucos indicadores são tão ilustrativos do estado da democracia em Portugal como a vitória esmagadora de Isaltino Morais em Oeiras. A euforia em Oeiras diz tudo. Parabéns aos oeirenses que deram maioria absoluta ao homem que foi acusado de fraude fiscal, branqueamento de capitais e abuso de poder, que foi julgado e condenado a 7 anos de prisão, e que interpôs dezenas de recursos e gastou uma pipa de massa para escapar à justiça, e que mesmo assim foi preso. O resto da história vocês já sabem. Hoje desfila em ombros. Pobre democracia.

Resultados das eleições autárquicas 2017

Acompanhar aqui.
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