Postcards from Canada #5
Soares da Costa reestrutura dívida com o alto patrocínio do contribuinte português

Sempre que se fala em reestruturação ou perdão de parte da dívida portuguesa, um golfinho falece nas águas quentes e cristalinas de um paraíso fiscal caribenho. Indignada, a clique neoliberal coloca-se imediatamente em bicos de pés e vaticina um qualquer fim do mundo que há-de estar próximo. Honrar compromissos e pagar a quem nos emprestou para mostrar que somos pessoas disciplinadas e de bem são palavras de ordem nas paradas do nacional-liberalismo.
Coisa diferente acontece quando uma empresa, que durante anos distribuiu milhões por administradores, accionistas e afins, alguns deles ligados ao sector político que melhor se desenrasca no jogo das cadeiras, decide, ela própria, optar por um plano de reestruturação financeira e consegue um perdão parcial da dívida, em parte à custa dos contribuintes portugueses. Instala-se o silêncio absoluto no edifício do ministério da propaganda.
Guia antipopulista para saber quem é pirómano

Nuno Oliveira
1. Quem não limpa o mato dos terrenos (só 2% da floresta é do Estado)
2. Quem não actualiza finalmente o cadastro para que o ponto anterior se altere
3. Quem acabou com a Autoridade Florestal, Guarda Florestal, Viveiros, pontos de vigia, etc e fez o Fundo Florestal em vigor (adivinhem quem foi)
4. Quem acha que, sendo a fruta e cortiça duas exportações principais (entre outras), é uma ideia bestial apostar na celulose (em plena era digital)
5. Quem não taxou/impediu conversão de solo rural/florestal a urbano (maioria das habitações em risco)
6. Quem passou a competência logística do combate aos fogos do Exército e Força Aérea para empresas contratadas
7. Quem não associa os nossos hábitos e estilo de vida a extremos climáticos cada vez mais fortes (seca e mais de 30° desde Maio/Junho)
8. Quem não leva a sério o gado extensivo (ou outros ruminantes selvagens),na gestão de um território livre de incêndios e com economia baseada na ruralidade (em crescimento na Europa)
9. O doente ou criminoso que aproveita todas as condições anteriores para causar danos
10. Quem esquece os primeiros oito pontos para culpar só o nono.
Lista de beneficiários da Subvenção Mensal Vitalícia
A Caixa Geral de Aposentações publicou uma lista com os nomes dos políticos que recebem a Subvenção Mensal Vitalícia.
Custo mensal 442 314 EUR
Nesta soma não estão incluídas as subvenções reduzidas parcialmente, totalmente ou suspensas
Disponibilizo neste post uma cópia em formato fácil de tratar:
- Lista Subvenção Mensal Vitalícia (XLS);
- Lista Subvenção Mensal Vitalícia (PDF original).
E em formato bom para os motores de busca:
Adivinha

Há cerca de duas semanas, Petra Hinz, deputada do SPD no parlamento alemão (Bundestag), sucumbiu às acusações e confessou que tinha aldrabado o seu curriculum vitae. Nem a licenciatura em Direito, nem o diploma do ensino secundário que dá acesso à universidade (Abitur), que constavam do seu currículo oficial, tinham afinal alguma vez sido por ela obtidos.
Acto contínuo, o seu partido exigiu a demissão de Hinz, considerando ter causado um enorme dano ao partido e à política em geral. De imediato, Hinz demitiu-se de todos os cargos no SPD, declarando posteriormente que apresentará a sua demissão como deputada a 31 de Agosto e que doará o seu salário deste mês a instituições sociais ou caritativas. Publicamente pediu “do fundo do coração perdão aos colegas, amigos e família, a todas as pessoas e ao público em geral” que nela confiaram. Fim da história.
Adivinha: O que aconteceria em Portugal num caso destes?
Imagem:Max Rossi – Reuters
Não tem por aí um assessor que lhe explique estas coisas, Drª Cristas?

O sol já pagava imposto quando a senhora deputada era ministra, senhora deputada.
Não, senhora deputada. As casas com boas vistas ou exposição solar, independentemente da localização ou do rendimento do proprietário NÃO passam a ter o IMI agravado. O IMI só agrava para imóveis novos ou proprietários que venham a pedir uma reavaliação das suas casas.
O que parece inacreditável senhora deputada, é esse hábito que a senhora deputada tem de não saber a quantas anda. Não tem por aí um assessor que lhe explique estas coisas? Era suposto que essas pessoas a ajudassem a não fazer estas figuras.
Era uma questão tempo até um oportunista tentar tirar proveito político da desgraça
Marco António Costa fez parte de um governo que esteve envolvido num esquema de corrupção quanto aos meios aéreos, em investigação no DIAP de Lisboa e envolvendo Miguel Macedo, ex-ministro da Administração Interna. Agora insinua que os actuais fogos se devem ao um corte no orçamento da Protecção Civil. Quando o título da notícia é claro: “Meios aéreos na Protecção Civil permitem corte de 24 milhões nas despesas do MAI“. E, no próprio artigo citado por Marco António Costa, lê-se que “o corte mais significativo neste ministério ocorre na área da Protecção Civil, que regista uma poupança de 24 milhões de euros, a maior parte dela justificada pelo fim da Empresa dos Meios Aéreos que, pela primeira vez, não aparece no Orçamento do Estado.” Eis o oportunismo desmascarado, já anteriormente ensaiado pelos deputados Carlos Abreu Amorim e Duarte Marques.
Postcards from Canada #4
The best is yet to come or my future life at Ikaria, in Greece
Marcelo, de comentador a Presidente:
Há quantos anos anda o Senhor a dar palpites sobre os incêndios?
Estranha ordem de prioridades

Foto@Público
Um helicóptero Kamov, um dos meios mais eficazes usado no combate aos fogos florestais, custa qualquer coisa entre os cinco e os seis milhões de euros. Como a informação que encontrei não me esclareceu, vou-lhe dar uma margem generosa e assumir um valor de mercado de 10 milhões de euros. Na sua frota de apenas 47 meios aéreos de combate aos incêndios, Portugal tem seis Kamov mas três estão avariados. Em Abril, o governo garantia serem meios suficientes. Porém, em Agosto, Portugal está a arder. Só na Quarta-feira, foram mobilizados cerca de 6000 bombeiros e mais de 1500 viaturas para fazer frente a 319 fogos florestais. [Read more…]
Postcards from Canada #3
Black squirrels, Real Utopias, the Best Country in the World and… Little Portugal
Indignações selectivas da clique neoliberalóide

Não é amnésia Jorge. É mesmo aquela cara de pau a que muitos destes tipos já nos habituaram. E não se resume a esta situação, que como o teu post explica, e bem, não melhorou com a extinção dos Serviços Florestais levada a cabo pela clique neoliberalóide de Pedro Passos Coelho.
Mas se vamos falar sobre notícias que poderiam ser capa há um ano atrás e sobre o efeito que teriam, que dizer dos números do desemprego, que no primeiro semestre recuaram para níveis de 2009 e que no trimestre passado desceram para o valor mais baixo dos últimos cinco anos? Quantas capas teriam o Sol, o I ou o Correio da Manha dedicado ao tema e quão inchado estaria o peito dos distintos deputados? E o que dizem eles agora? Nada. [Read more…]
O erotismo do medo
Helena Ferro de Gouveia

É difícil entender os Estados Unidos sem olhar para a sua relação com o medo. Não é por acaso que este é o país que glorifica super-heróis em roupas coloridas que no último segundo e com as últimas forças salvam o mundo do apocalipse. Ou tem uma admiração pelos militares incompreensível para muitos no Velho Continente.
Jornal PÚBLICO adopta novo design

Parece que o objectivo consiste em colocar em sintonia o grafismo com o texto.
Levar Portugal a sério, mas só de vez em quando

Fico sempre muito comovido quando um oficial de alta patente do PSD fala ao país sobre aumentos de impostos. Como se a história, por momentos, deixasse de existir e não tivesse o líder do partido do deputado Leitão Amaro imposto ao país o célebre “brutal aumento de impostos” que havia garantido em campanha não ser uma possibilidade. Quanto ao IMI, e apesar da história mal contada pela direita parlamentar, a verdade é que o governo Passos/Portas já aplicava a polémica taxa do sol. Mas isso agora não interessa nada que esta coisa do hashtag do PSD vale tanto como a velha história dos anéis que não eram para vender ao desbarato ou como aquela outra que garantia que os despedimentos não seriam liberalizados. Levar Portugal a sério? Yeah right.
Fotomontagem via Facebook Partido Social Democrata
O estranho caso da remodelação da “meia vida” dos comboios da Fertagus
António Alves

Fertagus, Estação de Corroios (origem: Wikipedia)
Ontem surgiu a notícia que os comboios da Fertagus iriam ser sujeitos à revisão da “meia vida”. Essa revisão será efectuada pela EMEF e custará 1,2 milhões de euros. Pagará o Estado, já que é este o proprietário do material circulante. A questão deste subsídio encapotado do estado a uma empresa privada já foi por mim abordada em texto anterior. Hoje a questão é outra.
Ora, 1,2 milhões de euros pareceu-me muito pouco dinheiro para fazer a revisão de “meia vida” a 18 comboios. Fiz as contas e deu-me 66 666 euros por comboio. Quem se move nesta indústria sabe que isso não chega nem para pintar um comboio quanto mais para uma revisão de “meia vida”. Procurei mais informação e o máximo de substancial que consegui foi um artigo do Carlos Cipriano para o Público [1].
Fogo
Não, não vou teorizar sobre as razões de Portugal ser, de longe, o país com mais incêndios e área ardida da Europa. Não vou especular sobre causas e, muito menos, soluções. É que todas elas são claras há décadas. A sua repetição – enunciadas por pessoas verdadeiramente conhecedoras e agitadas pelos papalvos de serviço habituais -, de cada vez que estamos nesta situação, já tem alguma coisa de ritual. Uma espécie de liturgia do fogo, que nem evita o mal disfarçado entusiasmo com que certos dispositivos noticiosos chafurdam nos dramas alheios, sem qualquer réstia de contenção ou sentido da mais elementar decência. Depois de rever todas abordagens sérias e fundamentadas, mas pouco excitantes para a telenovela jornalística, alguém irá falar, de novo, na “imperiosa necessidade de mais meios para combater o fogo”. Aparecerão propostas. E nós perguntaremos quem, de uma vez por todas, tem a coragem política de as denunciar e pôr as questões no seu devido lugar.
De caminho, nós fazemos contas ao desastre à vista, outros fazem contas aos negócios em vista. A vítima chorará a sua desdita, tu procurarás ser solidário. Outro contará o numerário.
Falaremos de heróis, falaremos de como podia ser e não é, sofreremos com a família que perdeu tudo, tentaremos entender o que suspeitamos oculto, lembraremos de tudo o que foi decidido e não foi praticado.
E assim, de fogo em fogo, vamos queimando o caminho do futuro. Não porque faltem razões e soluções. Mas porque falta coragem.
Respondendo aos deputados Duarte Marques e Carlos Abreu Amorim

Imagem de um tweet dos dois deputados em causa (original)
“O que aconteceria se esta notícia de primeira página tivesse sido há um ano?”, pergunta-se no tweet comentado (!) pelo deputado Carlos Abreu Amorim e retweeted pelo deputado Duarte Marques.
A resposta é simples, caros doentes de amnésia fulminante. Possivelmente teria acontecido menos alarido.
Assuntos aparentemente menores, que não ocupam grandes espaços da comunicação social, seja escrita ou audiovisual, e por isso têm pouco impacte na opinião pública, podem porém ser matérias da maior importância em termos de futuro, de longo prazo – aspectos de que as governanças portuguesas são pouco adeptas. O curto prazo é muitas vezes mais importante que uma decisão sábia de longo termo. E os fogos são exemplo disso.
A extinção dos Serviços Florestais levada a cabo pelo Governo PSD/CDS não levantou qualquer reacção pública; o afastamento entre os cidadãos e a res publica, desejado e promovido pelas derivas liberais daqueles partidos, conduziu ao encolher de ombros da maior parte das pessoas. [Fernando Santos Pessoa, PÚBLICO, 10/08/2016]
Para quem não esteja a par, a capa em causa é esta: [Read more…]
Postcards from Canada #2
More than enough
Nietzsche, a Galp e a consciência de alguns políticos
Santana Castilho *
Embora Nietzsche, filosoficamente, nos diga que não há factos, só interpretações, direi que há “não factos”, relativos às relações da Galp com Rocha Andrade e outros, que só admitem uma interpretação, a saber:
– A Galp patrocina a selecção de futebol porque isso lhe interessa comercialmente.
– As deferências corporativas (neste caso, da Galp) para com determinados protagonistas (neste caso secretários de Estado que podem decidir a favor ou a desfavor dos interesses da Galp) visam o estabelecimento subliminar de simpatia pelos interesses corporativos de quem convida.
– É inaceitável, ao nível do senso comum, que o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais receba presentes de uma empresa que tem um conflito imoral, de mais de 100 milhões de euros, com o Estado português, porque se recusou a pagar impostos sobre lucros obtidos com rendas excessivas, no momento em que os portugueses eram cilindrados com taxas extraordinárias e todas as grandes empresas pagaram o que a Galp não pagou.
– A partir de 2010, o Código Penal estabelece prisão até cinco anos ou multa até 600 dias para os funcionários ou titulares de cargos políticos que aceitem “vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhe seja devida”. Mas, à boa maneira do nosso legislador tipo, o artigo que assim dispõe foi convenientemente aparelhado com uma porta generosa, por onde cabem todas as interpretações politicamente adequadas à trupe e que assim reza: “Excluem-se dos números anteriores as condutas socialmente adequadas e conformes aos usos e costumes”. São os decantados “usos e costumes” (que bem conhecemos), contemplados nesta excepção, que Rocha Andrade se aprestou a invocar. Ou não fora ele, para além de cobrador de impostos, escriba atento de prudentes códigos (foi co-autor do código ético para candidatos a deputados, que António Costa mandou elaborar antes das eleições que viria a “ganhar”, perdendo).
– Rocha Andrade, confrontado com as circunstâncias, abriu-nos a consciência em dois momentos eloquentes. Num primeiro acolheu-se à lei. Disse encarar “com naturalidade e dentro da adequação social” a aceitação da prebenda. Num segundo, zen, disse que ia devolver à Galp o que a Galp lhe deu. Obviamente, porque foi forçado a admitir o que começou por negar: o seu erro. Mas não ficaria por aqui a desgraça.
A caça ao clique ou como fazer jornalismo de merda em 3 passos

A caça ao clique está na ordem do dia. A página Os truques da imprensa portuguesa tem estado atenta ao fenómeno, e o caso da cantora Adele, que supostamente passou uma grande vergonha numa loja da H&M, é paradigmático.
Há uns minutos recebi uma daquelas notificações no canto inferior direito do ecrã, do Notícias ao Minuto, que dizia “Alerta de bomba em dois aviões que vão aterrar em Bruxelas”. Apanhado no estratagema do clickbait, entrei no link e dei com aquilo que podem ver em cima. O mesmo título, um estrondoso rectângulo vermelho a dizer ÚLTIMA HORA e uma informação adicional, em letras pequenas, que refere “imprensa local” como origem do reportado. Nem a fonte é dada a conhecer ao leitor. Quanto ao corpo da notícia, simplesmente não existe. Apenas uma nota, entre parêntesis, onde se pode ler “Notícia em atualização”. [Read more…]
Portugal a Arder

“Sou uma pessoa de fé. Esperarei que chova”
Até lá, institui-se o eucalipto como desígnio nacional.
#PrayForPortugal
O presidente mais perigoso da história

A trampa que o Trump diz é tal, Noémia, que um grupo de 50 peritos em segurança nacional do partido Republicano assinou uma carta aberta que afirma que esta aberração será “o presidente mais perigoso da história dos EUA”. E estamos a falar de tipos que trabalharam e elogiaram a forma como George W. Bush filho conduziu a política externa norte-americana. Ignorância, incompetência, carácter instável ou falta de valores são alguns dos motivos que levam este grupo de pessoas, que trabalhou com outras aberrações como Nixon e Bush, a antever a catástrofe Trump. Mas o gajo não é burro: em resposta às críticas, Trump acusa os signatários de serem autores de decisões desastrosas como a invasão do Iraque. E não é que a coisa até tem razão? Com adversários destes…
A Trampa que o Trump diz
O Sr. Trump já nos habituou – felizmente, mais aos americanos do que a nós – à porcaria que aquela lixeira em forma de boca vomita. Ultimamente, não raras vezes com a posterior justificação de que estava a brincar, tem atacado de forma violenta Hillary Clinton. Se na semana passada, já os limites do razoável foram mais uma vez atingidos com a sugestão de que a Rússia deveria espiar a conta de email da adversária, ontem, 3ª feira, dia 9/8/2016, a coisa foi muito para além do aceitável. Este nojo com duas patas, este ser do mais podre que há, apelou a que, se Hillary ganhasse as eleições, os defensores da 2ª emenda a abatessem. Esta coisa devia ser impedida de continuar a concorrer à presidência dos EUA.
Que nojo!
Aquela alegada promiscuidadezinha público-privada que não agita a São Caetano à Lapa

Não tão grave pela posição ocupada, mas igualmente promíscuo, foram três outras alegadas ofertas de passeios ao Euro2016, menos escrutinadas pela imprensa, ou não tivesse sido um dos seus grandes barões a alegadamente pagar a factura. Falo das viagens, bilhetes e refeições alegadamente pagas pelo empresário Joaquim Oliveira aos deputados do PSD Luís Montenegro, Luis Campos Ferreira e Hugo Soares. A minha fonte? A mais insuspeita possível: o Observador. [Read more…]
Postcards from Canada #1
A room with a view on the 11th floor, in downtown Toronto
Cheguei ao Canadá há cerca de 3 horas e ainda vi pouco ou nada e fotografei menos ainda. Estou a pé há 18 horas, viajei não sei quantas mais, fumei poucos cigarros, perdi 5 horas a caminho, conheci uma açoreana – agora cidadã do Canadá – que me ajudou muito a passar o longo voo até aqui e a esquecer a nicotina, entre frases semeadas de inglês e pastilhas elásticas de morango… e a quem não perguntei sequer o nome (nem ela a mim, diga-se).
A foto do dia
Roubada no Facebook de alguém. Desconheço o autor. Se alguém souber quem é, por favor avise. Merece ser conhecido.








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