Não se pode servir a dois senhores

O Bispo do Funchal suspendeu um projeto de diálogo com ateus.
Este projeto, denominado Átrio dos Gentios, teve início em 15 Abril, mas ontem já não teve continuidade.
O desafio foi lançado pelo Papa Bento XVI e tem “congregado, em todo o mundo, nomes importantes da cultura, num espaço aberto ao diálogo inter-religioso e intercultural”.

Uma iniciativa interessante e enriquecedora para os católicos, esta de procurar conhecer a visão dos intelectuais ateus ou não-crentes sobre questões da fé. E a partir da qual todos saem a ganhar, num diálogo acompanhado de críticas construtivas!
Não sabemos ao certo se o Bispo, António Carrilho, terá decidido sobre pressão do poder regional, que não deve estar disposto a críticas duras por parte de padres como José Luís Rodrigues, que ontem estava destacado para uma celebração no âmbito da referida iniciativa. O mesmo sacerdote tem apelado ao governo regional que evite gastos supérfluos para ter mais dinheiro para o apoio social aos mais carenciados.

Foi uma coincidência? – Há quem não goste de ouvir a verdade.
Por que se suspendeu um projeto tão importante como este?
Sr. Bispo, não se pode servir a dois senhores. E o senhor sabe bem a qual deve servir.

Contra Duas Formas de Morfinizar Portugal

Dificuldades, sacrifícios, austeridade, quem os sente na carne sou eu e são aqueles que eu vejo pela cidade. Há um limite para o discurso realista, para o anúncio da dor futura, que anestesiam, bloqueiam, morfinizam a nossa paralisia, tal como havia um para a charla escapista, morfinizadora da nossa lucidez, praticada no passado, a mais conveniente quando se estava a burlar largo um Estado e a preparar uma saída airosa para o exílio dourado. Hoje é hoje. Passos deveria complementar o seu realismo consonântico com a má maré Europeia mediante qualquer coisa de mobilizador, especificamente mobilizador de portugueses para portugueses, onde quer que estejam no mundo. Fé em Portugal, confiança nos portugueses e uma linha de retórica positivamente mobilizadora poderiam fazer a diferença. Afinal, o que é que tolhe o Governo Passos?! O fanatismo liberalizador como resposta única?! É pena. Só com um sorriso nos lábios venderemos mais presuntos aos chineses e mais vinho, gastronomia e turismo de altíssima qualidade, enquanto passamos fome. Falta sal e ousadia a Passos, onde havia demasiada parlapatice e fantasia suicidária no filho da puta parisiense. Mobilizar-nos com a verdade e para além dela é algo de que o excelente jornalista económico Pedro Santos Guerreiro parece ser capaz e de que o excepcional Rui Moreira também parece ser capaz e de que mesmo o penetrante Luís Nazaré, pecado de apoiar o labrego de Paris à parte, com certeza é capaz. Chega de choradinho e fatalidade, Passos Coelho. Mobiliza-nos. Se não souberes como se faz, aprende com quem o faz bem: o Pedro, o Rui, o Luís. E não estou a brincar.

Tanta conversa moralizadora…

… e depois não é que são mesmo todos iguais?

Partidos da Madeira recusam devolver ajudas utilizadas fora da lei

Em causa estão 6,3 milhões de euros desviados para campanhas eleitorais e outras actividades partidárias, em violação da lei orgânica da assembleia que consigna tais apoios exclusivamente para o apoio à actividade parlamentar. O PSD é o partido que maior montante tem a devolver, mais de 4,4 milhões referentes aos dois anos. Segue-se o PS, com 1,3 milhões, o CDS-PP com 229 mil euros, os deputados independentes João Isidoro e Ismael Fernandes (dissidentes do PS e reeleitos pelo MTP) com 170 mil, o PCP com 159 mil, o BE 62 mil e o PND 25 mil euros.

Tanto discurso cheios de moralismo, especialmente por partidos como o PCP e o BE, e depois nem o exemplo conseguem dar. E veja-se ali, o PS, agora que é oposição e até começa começa com o discurso “é preciso fazer diferente” mas tão igual aos outros. E PSD e CDS-PP que têm o poder, se nem as suas estrelas locais consegue conter, imagine-se como alguma vez será capaz de meter mão nos tubarões da república. Finalmente, os pequenotes MTP e PND a quererem ser grandes mas começando o caminho logo pelos tostões do financiamento partidário.

Parabéns leitor, deixou de tomar uma bica para patrocinar mais um acto de elevação política.

Europa

Este e mais no World Press Cartoon Sintra, até 30 de Julho.

Hoje dá na net: Os Hippies (1967)

Com guião de Jack Nicholson, e a participação de Peter Fonda, Dennis Hopper, Susan Strasberg e Bruce Dern, um filme de Roger Corman.

Legendado em português, ficha IMBD.

Quando o país não está à altura dos seus políticos

Ainda quanto ao tema do Pingo Doce, o comentário com que mais me identifico foi o de Ana Sá Lopes, uma pessoa de esquerda, como ela mesmo se define, no programa da Antena 1 “Contraditório“. Segundo ela, a atitude do Pingo Doce foi “provocadora”, por testar “se estava mais gente no Pingo Doce ou nas manifestações”. E esteve mais gente no primeiro e isso “não foi culpa do Soares dos Santos”. O problema está na incapacidade que o país demonstrou em não conseguir ir para a rua gritar revolta. Em vez disso, as pessoas foram para o Pingo Doce. “A esquerda pôs-se nestes últimos 5 dias a discutir a humilhação. A esquerda é muito paternalista.” E acrescenta que “o problema que a esquerda devia esta a discutir é porque é que teve tão pouca gente gente no 1º de Maio”. [Read more…]

Sexo e futebol

Um homem, em Espanha, foi atingido por um relâmpago que lhe entrou pelo escroto e saiu pelo pé. Aqui está alguém que poderá ser beneficiado no que se refere ao rendimento sexual e futebolístico.

De futuro, o sexo com este homem poderá ser electrizante e, caso engravide alguém, dará outro sentido à expressão “dar à luz”. No que respeita à actividade futebolística, não será de admirar que os guarda-redes comentem o remate deste homem como algo que “até dá choque”.

Giraldo

Marvão. autor desconhecido

“O pérfido galego Ibn Arrik, senhor de Coimbra – o maldito de Deus! – conhecia bem a valentia do cão do Giraldo. O pensamento constante deste era tomar à traição as cidades e os castelos, só com a sua gente: ele tinha os muçulmanos da fronteira sob o terror. Este cão avançava, sem ser apercebido, na noite chuvosa, escura, tenebrosa e, insensível ao vento e à neve, ia contra as cidades. Para isso levava escadas de madeira de grande comprimento, de modo que com elas subisse acima das muralhas da cidade que procurava surpreender; e quando a vigia muçulmana dormia, encostava as escadas à muralha e era o primeiro a subir ao castelo. E empolgando a vigia dizia-lhe: – Grita como tens por costume de noite que não há novidade! – E então os seus homens de armas subiam acima dos muros da cidade, davam na sua língua um grito imenso e execrando, penetravam na cidade, matavam quantos encontravam, despojavam-nos, e levavam todos os cativos e presa que estavam nela.”

(Ibn Sahib As-Salat citado por COELHO, 1989, pág. 304-305)

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Acordo Ortográfico: constrangimentos, insuficiências e implicações negativas

Há uns anos, dizia Gell-Mann que quando alguém dava a conhecer a Einstein (para quem não souber, um homem que lia e que estudava) uma teoria contrária à TRR este retorquia:  “Aw, that’ll go away”.

Em Portugal, o Poder continua sem ler e sem estudar o Acordo Ortográfico, mas a achar, com uma falsa segurança einsteiniana, que a nuvem há-de passar e que quem lê e estuda se calará, para que todos continuemos na nossa vidinha, com paz e com sossego. Desengane-se o Poder e desenganem-se todos aqueles que assim pensam. Enquanto houver estudo e enquanto o estudo não for devidamente considerado, não haverá nem paz, nem sossego. [Read more…]

Banksy foi ao Pingo Doce?

 

Shop till you drop

Dizem que é o mais recente trabalho de Banksy.

Alunos substituem funcionários das escolas

A quantidade de disparates que configuram esta iniciativa é tão abundante que se torna difícil saber por onde começar. A ideia consiste, basicamente, em colocar grupos de alunos a patrulhar o recreio para “tomar nota do nome dos colegas da escola que apresentam comportamentos inadequados”.

Antes de mais, como lembram os pais que se queixaram, esta actividade retira às crianças patrulhadoras o direito a brincar. Para além disso, são vários os efeitos deformantes que pode ter, nomeadamente ao aumentar a probabilidade de possíveis situações de abuso de poder e ao incentivar à delação.

O Ministério limitou-se a comentar, aconselhando que as escolas envolvam mais os encarregados de educação nos respectivos projectos. [Read more…]

Onda da Nazaré ganha prémio de melhor onda surfada 2011

Portanto já sabem, estamos em Portugal, há que encomendar estudos, requalificá-la, torná-la segura, acrescentar betão, passadiços, cobrar taxas, consultar a ASAE, abrir concursos e chamar a Mota Engil. Por enquanto, como está, ainda parece uma coisa do terceiro mundo, assim natural e mal acabada, irregular, dependente de ventos e marés, sem engenharia, design ou infra-estruturas…

Ainda os 50% no 1º de Maio

O artigo de Pacheco Pereira no Público merece uma  reflexão profunda porque coloca as coisas como eu penso que devem ser colocadas. E sei do que falo quando penso no país como o interior de uma panela de pressão que está hoje mais quente do que ontem.

“O Portugal dos dias de hoje está como
um daqueles cristais muito frágeis que, só
de se tocarem, correm o risco de quebrar.
O erro do Pingo Doce foi dar um abanão
desnecessário e inútil nessa fragilidade,
feito a partir de uma posição de força de
quem pode escolher, contra a fragilidade de
quem não pode.”

 

Correu bem

 

“A remoção do tumor correu bem. Vivam os outros, que nos salvam de nós próprios”, escreveu Miguel Esteves Cardoso, hoje no Público, a propósito da onda de solidariedade que se criou à volta de Maria João. Uns rezaram, outros escreveram-lhe mensagens bonitas (também uma forma de orar!). Fomos muitos. Estivemos com eles e valeu a pena! [Read more…]

Bon voyage…

Este Soral tem o percurso que se conhece, mas que diz umas verdades, disso não haja dúvida. O pior é que apenas mudando os nomes, bem podia estar a falar de uns figurões portugueses. Em suma, o que há a reter está aqui. Apenas um aperitivo:
“Uma burguesia desmazelada, exibicionista, parasitária, incapaz de dar o exemplo, boçal, inimiga da cultura, sem profissão e para mais mundialista e americanizada. Relógios de “marca”, trapos “de marca”, resorts, spa’s, mais os condomínios e o golfe, a socialite e o jet set, fazem o retrato desta canalha endinheirada e snob . É o sonho de muita gente, cá como lá, mas entre esta burguesia e a classe operária, não havendo diferença nos impulsos e no exemplo, optamos decididamente pela classe operária.”

Momento erótico: a UGT entrega-se ao Governo

A UGT, sempre convenientemente debruçada sobre a mesa das negociações, espreita o Governo por cima do ombro e finge-se indignada com o facto de se ter vendido. Enquanto está a ser devidamente usada, vai produzindo frases pornográficas no mau sentido, fingindo, ainda, que manda na relação, chegando mesmo ao ponto de dizer ao amado que “dê corda aos sapatos”. Com uma voz sensualmente irada, abafando um risinho mal disfarçado, a UGT fala na necessidade de andar mais depressa com “políticas activas de emprego”, expressão que provoca no Governo uma leve tremura, ao ver em tudo isto uma suave reprimenda que quer dizer “sim, sou tua”. [Read more…]

Fontinha de justicinha

Hoje dá na net: O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman

Com Gunnar Björnstrand, Bengt Ekerot, Nils Poppe, Max von Sydow e Bibi Andersson

Em sueco, legendado em português.

Ficha IMBD

Por falar em idiotas

Considera-se perfeitamente normal um quilo de alface que custa ao consumidor 1,8€ ter sido comprado ao produtor por 0,4€. São os custos de:

transporte, refrigeração, armazenamento, mais os salários das pessoas envolvidas, mais os custos do supermercado, rendas ou amortizações, salários dos funcionários, bem como provisões para as várias alfaces que vão se estragar e ter de ser deitadas fora, mais a quota parte dos salários dos empregados nos serviços centrais, mais a publicidade na TV, os folhetos e sabe-se lá que mais

O sabe-se lá que mais deve incluir o lucro, cuidadosamente escamoteado nesta descrição toda, feita por um Absolutista dito Liberal.

A alface não foi semeada, regada, adubada nem colhida e a terra (provavelmente a estufa) também não deve ter tido os seus custos a precisarem de amortização. O agricultor não correu o risco, durante semanas, de uma geada lhe destruir todas as alfaces. O agricultor trabalha generosa e graciosamente para a malta comer alfaces.

A lógica das cadeias de distribuição (que substituíram os velhos intermediários precisamente porque têm uma estrutura que lhes permite baixar os custos, e que têm feito mais pela destruiçãoo da agricultura portuguesa que a própria CE) não é nada idiota, nem é uma batata, é uma alface. Idiotas, nós é que somos.

«Políticas de Sócrates levaram país à quase bancarrota», lê-se no DN

Um certo governo, ao tomar posse, recebeu três envelopes  dados pelo anterior governo e garantindo conterem a solução para três crises. Chegada a primeira crise, foi aberto o primeiro envelope e lá constava «Culpa o anterior governo» e assim se resolveu o imbróglio. Mas eis chegada nova crise e foi preciso abrir o segundo envelope, no qual se lia «culpa a conjectura internacional». Novamente, o problema desapareceu. À terceira crise foi a vez de usar o último envelope e nele constava «escreva três cartas como estas e dê-as ao seu sucessor».

Que solução para país?

Reconheço que é fácil apontar o que está mal mas apresentar soluções nem tanto. Por exemplo,salta à vista que o rumo do governo nisso a que chama cortar nas gorduras (que expressão mais infeliz) tem-se reduzido na diminuição dos serviços prestados aos cidadãos em em pagar menos a quem presta esses serviços. Grandes cortes! Os sorvedouros do orçamento de estado continuam lá. Madeira, BPN, empresas municipais criadas para desorçamentação e/ou duplicação de cargos de chefia, o gigantesco estado central, só para citar alguns, nem ao de leve foram tocados. Agora anda aí a tese de eliminar cargos de chefia mas, veja-se bem, isso não significa menos despesa. Apenas que essas pessoas terão menos trabalho e continuarão a receber o seu. Por outro lado, os impostos aumentam continuamente. Até com truques sacanas como essa hipócrita da segurança alimentar. Veja-se que, só no IVA, quase um quarto do preço do produto comprado são impostos.

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O senhor Silva está muito bem de saúde, mas os seus órgãos internos estão praticamente destruídos e teve fracturas múltiplas

 

‘Portugal está melhor, mas os portugueses estão pior’

 

 

Estado de negação

Numa análise que pecará por superficial, parece evidente que os seguidores de algumas ideologias políticas estão, desde há uns anos, completamente à nora para continuarem a sustentar premissas e valores completamente vetustos e, principalmente, desadequados.

Os tempos mudam, e as mudanças não lhes foram generosas. O que outrora parecia, alegadamente, a justiça e a harmonia feitas ideal político, hoje mais não é que um aglomerado de protestos e críticas que se fundamentam já não numa tese única e estrutural que lhes dava consistência e mérito, mas antes num desesperado desejo de sobrevivência política. Já não trazem nada de novo, válido ou exequível. Desistiram de participar. Aceitaram, cobardemente, o império da crítica sem alternativa séria, a supremacia da reprovação populista abrigada na impunidade de quem, voluntariamente, prescinde da responsabilidade de governar ou de, algum dia, vir a governar o País. [Read more…]

Agradecimento a Osório Mateus

Fui até à Biblioteca Municipal da minha cidade, na esperança de encontrar um livro de ou sobre o autor de teatro e trovas medieval, Anrique da Mota, nascido no século XV e com quem Gil Vicente colaborou. Qual não foi o meu espanto que consegui: um livrinho de 120 páginas numa edição de Osório Mateus (um nome que me era completamente estranho).

Escrevo este post pelo seguinte: pela «Nota Prévia» redigida em 1999 pelos seus organizadores, José Camões e Helena Silva: “Em 1996, quando morreu, Osório Mateus [1940-1996] preparava a edição das Obras de Anrique da Mota destinada a integrar esta coleção”. [Read more…]

Sangria

Um pontinho de luz

Há uma criatura na minha rua, não sei se um homem se uma mulher que, todas as noites, ou quase todas as noites, deixa uma vela acesa na varanda envidraçada. Não sei desde quando o faz…

E eu, todas as noites, ou quase, pergunto-me «por quê ou por quem o faz»?

Estou a ler bem?

Jardim vai emprestar  259 milhões de euros a cinco sociedades falidas da região. O valor previsto do financiamento a concedido pelo Estado em 2012 é de mil milhões. Vá, agradeça o peso que lhe tiraram de cima… da carteira.

Ferroviários em Greve

Instantâneo de Joshua Benoliel, 1911.

Hoje dá na net: Kevin Allocca: Porque é que os vídeos se tornam virais

Kevin Alloca é o gestor de tendências do YouTube e tem pensamentos profundos sobre vídeos parvos da Web. Nesta palestra que deu para a TEDYouth, partilha as 4 razões que fazem com que um vídeo se torne viral.

nota: legendas em português disponíveis visualizando aqui

Grandes títulos

ASAE deteta ‘dumping’ em 3 produtos

O desacordo ortográfico afinal tem piada.