O caso de polícia BPN poderia ser a última gota da minha paciência com o Regime pastoso em Portugal, assente numa pedra angular chamada ganância e nada mais que a ganância, mas acho que ainda posso conter o vómito por mais algum tempo e continuar a fazer-lhe a autópsia. É difícil. Mas posso tentar. Para mais, há dois BPN e não apenas um. O BPN criminal de Oliveira e Costa averbava a simpática e módica quantia de 1,8 mil milhões de euros sem paradeiro. Mas depois houve um Governo competentíssimo que quis salvar Portugal desse buraco aberto pelos velhos e malcheirentos apparatchiks do PSD cavaquista e, como tudo em Portugal se trata de uma questão de amigos, a coisa rapidamente montou aos 8,3 mil milhões sem paradeiro. Era o Governo Competentíssimo da Bancarrota a ‘salvar’ Portugal. O que se passou? Política. Se foste corrupto e roubaste à vista dos meus olhos, roubarei também à vista dos teus. Manterei silêncio acerca do teu roubo, se mantiveres silêncio acerca do meu. Com os nossos dois silêncios somados, prosperaremos. E assim sucessivamente. [Read more…]
Quando custa um aluno?
A pedido da comissão parlamentar de Educação, em Fevereiro do ano passado, o Tribunal de Contas está a terminar um estudo técnico sobre o custo que representa para o Estado cada estudante do ensino público.
A propósito desse estudo, Guilherme d’Oliveira Martins adianta algumas conclusões, confirmando a existência de “profundas desigualdades” no que se refere ao custo dos alunos, conforme estejam em escolas do litoral ou do interior, em cidades ou em pequenas localidades. O reconhecimento destas e de outras assimetrias é fundamental para que as decisões sobre Educação alcancem a necessária solidez. [Read more…]
Uma excelente análise do fenómeno promoção do Pingo Doce no passado 1º de Maio
Contado, toda a gente acredita: o Pingo Doce dá um super-desconto, a população adere em massa, é um golpe genial. Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria. “O balanço é positivo, considerando-se a acção como conseguida”.
Mais um excelente editorial de Pedro Santos Guerreiro.
Nas mãos de Deus
Pensei que hoje não fosse sair a sua crónica por razões óbvias. Mas Miguel Esteves Cardoso escreveu sim, depois de um dia de cão, talvez o mais longo das suas vidas: o dia em que Maria João foi operada a um tumor que tinha alojado no cérebro.
Ontem, MEC colocava a sua Maria João nas mãos dos médicos e cirurgiões. Entregava-lhes inteiramente a sua mulher, confiando cegamente, «que remédio».
Mas hoje, MEC confia-a a Deus, escrevendo-lhe uma carta: ” Ajuda a Maria João, se puderes. Faz o que só um Deus pode fazer”. [Read more…]
Eu vi o debate Hollande/Sarkozy
Eu vi o debate Hollande/Sarkozy. Eu vi Hollande seguro de si, em pose presidencial, encostar Sarkozy a um canto. Eu vi Sarkozy perder a compostura e chamar pequeno caluniador a Hollande. Vi chamar-lhe Pôncio Pilatos. Vi Hollande quase hirto, de braços cruzados sobre o peito, avançar argumento atrás de argumento enquanto Sarkozy se desmanchava na cadeira em sofrida incomodidade. Eu vi os olhos de Sarkozy buscando compreensão e socorro. Vi aquela série fulminante de estocadas “Moi, président de la république,…”. Vi a surpresa e admiração no rosto dos jornalistas face a Hollande. Eu vi que, para a Europa, não é indiferente a eleição de um ou de outro. Vi aquele a quem chamavam frouxo tornar-se forte e o dito forte afrouxar. Vi que ambos se passeiam com antigos cadáveres no armário. Eu vi.
E vi que, até para Portugal, é mais importante esta eleição do que uma qualquer eleição presidencial entre portas, mesmo que os portugueses possam pensar o contrário. O senhor que se sentar no Eliseu vai determinar mais as nossas vidas do que quem quer que se sente em Belém. Eu vi o debate Hollande/Sarkozy e gostei mais da Europa a que Hollande se refere. Domingo, os franceses escolherão.
A negociante Isabel Vaz quer mais meninos
A quem tivesse dúvidas de que o encerramento de um maternidade pública em Lisboa é mesmo para arranjar clientes a mais uma ruinosa parceria público privada, a do Hospital Loures/BES, veio tirá-las a conhecida negociante de saúde Isabel Vaz:
Há mais pessoas a procurar o Hospital de Loures para realizarem abortos do que a marcarem consultas para terem filhos, disse (…) a responsável pela Espírito Santo Saúde, entidade que gere aquela unidade hospitalar. (…) “Isto não tem nada a ver com ser ou não católico”, destacou a responsável da entidade do Grupo Espírito Santo, lembrando que “a cobertura universal dos cuidados de saúde não é possível“.

Claro que não tem nada que ver com o facto de ser católica e de arengar em Fátima, os pruridos morais são desconhecidos num grupo do banco de Hitler e Pinochet; nasçam os meninos, haja clientes, o estado paga.
Diz ainda Isabel Vaz que “não existem doenças rentáveis, mas uma péssima definição de preços“. Quem afirmou que melhor negócio do que a saúde só o do armamento, com uma boa definição de preços e a graça do outro espírito santo fará IVG´s, eutanásias e curativos ao demo; em seguida uma peregrinação e uns terços bem rezados, a santa absolvição, e quando morrer vai para o céu ter com os anjinhos. Ámen.
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O sol quando nasce…
(adão cruz)
Primeiro
Único
Verdadeiro
Maio acordado
Penoso
Duro [Read more…]
Hoje dá na net: O Delfim
De Fernando Lopes com Rogério Samora, Alexandra Lencastre, Maria das Mercês, Rui Morrison e Isabel Ruth.
Legendado em português, ficha IMDB
Natal é sempre que o Homem quiser, certo?
Então estou certo que a nossa direita tão moderna não verá qualquer problema se a Jerónimo Martins repetir a gracinha no dia de Natal, certo?
Pensar pouco sabe tão bem
A direita básica não quer pensar sobre o que se passou ontem no Pingo Doce. Prefere contentar-se com uma possível derrota dos sindicatos, opta por se congratular com o exercício da liberdade consumidora ou consumista numa homologia ansiada com o funcionamento dos mercados, acusa a esquerda caviar de olhar de cima para a povo que lutava, com toda a justiça dos deserdados, por poupar e antevê, gozosa, o regresso ao tempo em que os trabalhadores estavam proibidos de comemorar o Primeiro de Maio.
A sociedade faz-se, também, de simbolismos. Depois de milhares de anos em que nem os trabalhadores pensavam que tinham direitos, depois de eras sobre eras de pirâmides e conventos sofridos por muitos para glória de poucos, os proletários descobriram que tinham os mesmos braços, as mesmas pernas e o mesmo sangue dos faraós, dos reis e dos patrões. Deu-lhes para pensar que a vida não é só trabalho e que o trabalho só é produtivo se for doseado, mas levou muito tempo a obrigar a sociedade a convencer-se disso. É essa conquista que se comemora no Primeiro de Maio, independentemente de dever ser feriado, dia santo ou dia de trabalho.
O problema, ó dextros distraídos, com aquilo que se passou no Pingo Doce não está na justíssima vontade de pagar menos ou de vender mais. O problema está no desprezo progressivo pelos direitos, na absoluta falta de sensibilidade, na exploração comercial da miséria que se tem avolumado com a incompetência de governantes e opositores (como lembra, de modo lúcido e luminoso, o nosso Palavrossvrvs) e está, sobretudo, nas consequências imprevisíveis e previsivelmente explosivas. Entretanto, Assunção Cristas, pobrezita, assustada, talvez por saber que faz parte do problema, finge que o resolve, usando a lei como ilusão.
Pela parte que me toca, vou pensando e duvidando com o lado esquerdo. É o suficiente para não ficar descansado com o que se passou no dia 1 de Maio de 2012.
Vantagens de uma boa reforma
Assunção Esteves chumba Conde Rodrigues para o TC
Sobra tempo para pensar antes de agir. Agora que outro ex-membro do governo hão-de escolher?
“Cá Chegou Direitinha a Encomenda”
Fernando Lopes 1935/2012
Morreu Fernando Lopes, realizador de cinema, autor de Belarmino ou de O Delfim, um dos pioneiros do Novo Cinema português. Bon-vivant, boémio, companheiro de aventuras de José Cardoso Pires, Fernando Lopes deixou uma longa filmografia de que se podem ver aqui algumas imagens.
Filme referência do Novo Cinema português, Belarmino, sobre o boxeur Belarmino Fragoso, é um documentário de longa-metragem ancorado no neo-realismo, reflectindo sobre a vida de um homem de origens humildes que se tornou campeão e a forma como o próprio e a sociedade de então lidaram com o fenómeno. É o filme que escolhi para homenagear Fernando Lopes. R.I.P.
Assunção Cristas e a Lei Pingo Doce
Governo quer aprovar nova lei para evitar promoções inesperadas
Fantástico! Mais um exemplo como neste país se faz de conta que os problemas se resolvem com novas leis. A Ministra Pingo Doce é mais uma a legislar a granel.
Força-Tarefa Para que Tires o Dedo do Cu
Não posso ir a manifestações quando tenho fome. Se me anunciam tumultos, pelo andar da carruagem nacional, recordo que não os patrocino com a barriga vazia, tal como não me meto em problemas, se transido de apetite. Tampouco me introduzo nas lojas Pingo Doce se percebo que é para horas de seca, pois sei que terei ainda mais fome e o tempo de qualidade faz-me falta. Gosto de promoções, coisa que partidos e sindicatos não fazem, tiram-nos tudo, a esperança principalmente. Sou precário. Semidesempregado. Quando vejo os sindicalistas portugueses discursar, reparo que têm razão, mas não têm soluções nem trazem um farnel para repartir connosco. Se lhes pedir um pão, oferecem-me um cigarro. E eu não fumo. Os sindicalistas portugueses em geral estão gordos e ficam muito direitos de braços cruzados atrás dos discursos de impotência do líder, a barriga muito proeminente e o bigode, aquele bigode com trinta anos de recorte, flanando à brisa chuvosa da tarde. Precisava de uma Esquerda que fosse às compras ao Pingo Doce sem preconceitos e me oferecesse um brinde e um bónus: um saco de café, um saca-rolhas; que todas as semanas tivesse uma iniciativa inteligente de protesto que fizesse pensar os media domados e os indomáveis aprendizes de governante e não bloqueasse a economia porque economia é eu ter menos fome ou não precisar de tê-la. Seria lindo que a nossa Esquerda Petrificada tirasse o dedo do cu e organizasse boicotes selectivos a uma qualquer gasolineira alternadamente a fim de todos obtermos efeitos e ganhos práticos, preços em declínio, qualquer coisa onde de repente as massas inexistentes nas praças do protesto nulo fossem milhões de indivíduos unidos num propósito comum, milhões de pessoas a agir com pouco esforço e nenhuma fome. Palavra de ordem: partilhar ou morrer inchado. Entrei ontem animoso por uma loja Pingo Doce adentro, furando entre uma multidão de ventres reciprocamente prensados. Ia carregado de sacos levados de casa e desisti ao fim de cinco minutos. Tive inveja, infinita inveja, dos que se precaveram. Eu me não precavi. Invejei os que ficaram nas filas de muitos metros para muitas horas, com o carrinho a abarrotar de fruta, de enchidos, de suculentas partes de frango assado. As fraldas que não comprei! A carne que nunca vejo. O leite que sabe Deus! Deus sabe com que sorriso amarelo abandonei a loja.
Belarmino morreu outra vez, Fernando Lopes (1935 – 2012 ), RIP
Morreu Fernando Lopes, o realizador de Belarmino, que amanhã estará aqui e na net. O pugilista Belarmino Fragoso morreu outra vez, não querendo reduzir Fernando Lopes a um filme neste fez de um “marginal” uma merecida obra de arte. E morre um dos realizadores que deu a volta ao cinema português, um homem que sabia a cinema.
1 de Maio, Dia do Consumidor
Hoje
Miguel Esteves Cardoso é desconcertante, sobretudo quando escreve sobre a sua mulher. Hoje, 2 de Maio, li a sua crónica «É Hoje» e já não me apeteceu ler mais nada: vão tirar o maldito tumor que Maria João tem no cérebro “sob o olhar de João Lobo Antunes. É a minha Maria João inteira que eles têm de ter na cabeça, nos olhos e nos dedos das mãos. É graças a médicos e cirurgiões que ela está viva. Será graças a eles que ela não morrerá”. [Read more…]
AntiDeuteronomio II
AntiDeuteronómio II
No tempo em que as sardinheiras das varandas dos pobres faziam parte dos nossos sonhos florindo em poemas de sol e de cor no tempo em que as andorinhas teciam grinaldas de vida nos beirais no tempo em que os rios bordavam a terra de areia branca no tempo em que a brisa sussurrava por entre as flores e as fontes murmuravam seus amores a aurora da nossa inquietação tinha o cheiro a maçãs e o pulsar das coisa vivas e o levíssimo sorriso dos jardins do paraíso tudo amávamos em nobre sentimento de exaltação [Read more…]
As hordas de zombies e a catrefa caviar
O departamento de marketing do grupo [Pingo Doce] está de parabéns: a maioria das lojas ficou em estado de sítio com a horda de zombies consumistas que esvaziaram prateleiras e lutaram por um pedaço do sonho proporcionado pelo magnânimo Alexandre Soares dos Santos, um dos pais da pátria. Sérgio Lavos
Este post repugna-me. Pessoas que aproveitaram para fazer render os seus escassos euros nestes tempos difíceis são uma «horda de zombies consumistas» para o autor. É mais do que sabido que o Pingo Doce é um local onde se compram luxos como margarina, leite e fraldas. Ah!, e papel higiénico, como alguém lá referia no post. Que escândalo, os pobres ainda não usam os dedos, onde é que já se viu?
Hoje dá na net: Homenagem a Miguel Portas
Vídeo completo da homenagem a Miguel Portas.
No Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, com música interpetada por Aldina Duarte, Tito Paris, Mísia, Zé Pedro, Khalil Ensemble e Xana. Intervenções de Marisa Matias, Ruben de Carvalho, António Costa, Rita Blanco, João Semedo, Francisco Louçã, Paulo Portas, André Portas e Frederico Portas.

Das duas uma:
Ou o Pingo Doce vendeu abaixo do preço de custo e isso é crime, ou então nos outros dias todos anda a roubar os portugueses e isso também é crime.
Qual é a sua opção?
E não me parece que tenha sido o fim do mundo! O fim da vergonha ainda estou como o outro… Ainda bem que o Pingo Doce é uma empresa holandesa.
A baguette de Hollande
Após a fragorosa vitória na guerra de 1870-71, Bismarck sabia bem o que dizia, quando considerava a hipótese de uma restauração da Monarquia francesa um imediato casus belli. Tinha as suas razões para apostar no sempre instável regime republicano e as décadas que decorreram até à I Guerra Mundial, foram pontilhadas de casos que alternavam tentativas de feitos espectaculares no ultramar, com os aspectos mais sórdidos do período dito liberal. Se a grande Guerra propiciou a União Sagrada que fez frente aos Impérios Centrais, logo os anos vinte e trinta fizeram regressar aquele clima de não declarada guerra civil, esse fervilhante viveiro que ditaria uma vez mais, uma rápida e clamorosa derrota frente à Wehrmacht. Nas duas derradeiras décadas do século XIX e no período da Belle Époque, deram brado os casos do general Boulanger, o embraçoso episódio Dreyfus, as constantes ruínas empresariais e escândalos financeiros, a total capitulação que os ingleses impuseram em Fachoda – esse sim e que ao invés do “nosso”, consistiu num Ultimatum com perdas bem reais – ou a deriva populista que encontrou na Igreja o alvo ideal, enfim, alguns episódios bem conhecidos e que para os cem anos seguintes permaneceram presentes na discussão da coisa política em França. [Read more…]












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