Liguei a rádio a caminho para o trabalho. As notícias das oito da manhã despertaram-me para a dureza dos dias e da realidade europeia. Freitas do Amaral, num tom preocupado, indignado, escolhia a palavra que ninguém gosta, a palavra que pensávamos ter saído do nosso vocabulário moderno, do do séc. XXI: «ditadura». A princípio pensei nos nossos ministros, mas depressa percebi que se referia a Merkel e a Sarkozy. Trata-se de dois «ditadores», duma ditadora franco-alemã que atua numa «pura ilegalidade». Será imperialismo, protetorado, hegemonia, colonialismo? – pergunta o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros. Repetiu: uma ditadura de dois chefes de estado /governo que mandam descaradamente sobre dezenas de países que permanecem pávidos e serenos, «cabeças ocas», passivos às deliberações dos primeiros, que há dias fizeram uma mini-cimeira a dois…
Que Europa é esta? A da democracia? A Europa à procura de um sonho comum?
De sonho é que não é.
A impotência é total.
Céu Mota









O imaginário europeu no que diz respeito ao continente Africano ainda se encontra totalmente turvado pelo que podemos denominar um excesso de exotismo. Aparentemente, por mais que se leia e se discuta sobre África e sobre os seus problemas de cariz estrutural, nunca se está preparado para o choque ‘cultural’ que acarreta o mergulho no seio das suas dinâmicas sociais. Pelo menos para mim foi assim. Caindo no risco do exotismo bacoco, atrevo-me a dizer que há qualquer coisa de indizível sobre África que tem de ser experimentada no corpo.


![By MEDEF [CC-BY-SA-2.0 (www.creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0)], via Wikimedia Commons](https://i0.wp.com/aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2011/11/640px-christine_lagarde_-_universitc3a9_dc3a9tc3a9_du_medef_2009.jpg?resize=640%2C426)









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