Paulo Chitas processa Paulo Guinote

Paulo Chitas, detentor de uma carteira profissional de jornalista, processou Paulo Guinote, por causa deste texto, com a acusação de Difamação, Publicidade e Calúnia.

Paulo Chitas escreveu uma série de falsidades, incluindo a de que por obra e graça de Isabel Alçada os professores já não precisam de ter Muito Bom ou Excelente para progredirem na carreira (quando as quotas para a progressão se encontram em vigor, ou melhor, não se encontram porque as carreiras estão congeladas). Nada a que não estejamos habituados no “jornalismo” dos devotos de Maria de Lurdes Rodrigues. [Read more…]

O que nós precisávamos era de 3 Afonsos Costa!

Não, o estado não é laico. Se o fosse, não havia escolas, instituições, ruas, aldeias ou mesmo cidades com nomes de santos, feriados religiosos, nem excursões a Fátima pagas com o dinheiro público. Nem se comemoraria o Santo António, o São João ou o São Pedro. O Estado não é laico porque, embora os governos oscilem a partir de um braço de ferro entre maçonaria e o catolicismo, a maior parte dos políticos favorece a Igreja. Seria impossível não fazê-lo: cerca de 75% do património nacional é de origem católica e os púlpitos, embora não se usem são ainda um canal privilegiado de comunicação. Um Estado absolutamente laico nunca atribuiria dinheiro para o restauro, promoção e estudo de igrejas, capelas, ermidas ou património móvel ao serviço do culto, como (ainda que timidamente) tem feito. Se o Estado fosse absolutamente laico, reprimiria ou não autorizaria o culto fora dos templos, proibindo as procissões, por exemplo.

Por isso, definitivamente não estamos perante um estado laico, nem, como muitos querem, uma Primeira República, anti-clerical e ferozmente positivista. Talvez se resolva isso mudando, a “barroca [eu diria bacoca] e anacrónica constituição” como bem referiu e oportunamente sublinhou António Barreto. Então aí sim podemos dar azo às nossas frustrações em relação ao peso da religião na sociedade portuguesa. [Read more…]

Pedro Marques Lopes adora o cheiro a bastonada de manhã

Salvo erro, no último “Eixo do Mal”, com argumentos razoáveis, mesmo para quem possa discordar, Pedro Marques Lopes começou por criticar o acampamento do Rossio, considerando que se trata de ocupação da via pública e acrescentou que se tivesse sido um grupo de ciganos a fazer o mesmo já teria sido expulso. A dada altura, a meia voz, gemendo, deixou escapar o desejo de uma carga policial que limpasse a praça. Se fosse espanhol, estaria decerto a defender o bombardeamento de Madrid.

Face ao argumento da carga, não se percebe por que razão perdeu tempo a usar os dois primeiros. Muito provavelmente, Pedro Marques Lopes votou no PSD na esperança de que tudo o que seja reivindicação possa ter como resposta o bastão, esse símbolo fálico. Se ele mandasse, punha essa esquerdalhada toda no sítio, punha o mal nos eixos. Será que é ele a mandar? [Read more…]

António Rendas ministro da Educação?

“António Rendas, Reitor da UNL e presidente do Conselho de Reitores, na educação”

Abriu a temporada do “Adivinha quem vai ser ministro“. O Sexo e a Cidade conta o que sabe, com as reservas da praxe. Costuma ter boas fontes…

Allende, Neruda e Frei: mortes programadas

Salvador Allende

O meu prolongado exílio do país em que nasci, filho de espanhóis e a minha vagabundagem por vários países e continentes, por motivos científicos, têm-me ensinado a ser cauteloso. Uma notícia de jornal, comentários televisivos, nada prova, excepto esse ser o primeiro de proporcionar uma informação que estala como uma bomba. Notícia que nos alarma e procuramos as fontes. Por enquanto, fontes que provem factos, não há. Há notícias que parecem verdades certas, as que nos temos habituado e acreditamos nelas como no Pai Nosso.

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Ebony and Ivory – Versão PSD + CDS

Ebony and Ivory - Versão PSD CDS

 

… e com direito a música.

Da Próxima Vez Que lhe Pedirem Sacrifícios e Tal…

Lembre-se que o dinheiro (aí uns 45,000 euros) do seu suor pode muito bem ser utilizado pela Câmara de Celorico de Basto* para levar os velhinhos do concelho a passear e a pagar as suas promessas num santuário católico.

Ainda bem que o Estado é laico

* dos concelhos mais pobres de Portugal;

Alberto João preferia um governo PSD+PS…

… o que não surpreende. O dinheiro tem vindo generosamente de ambos os lados.Transferências para  as Regiões Autónomas (?) da Madeira e dos Açores (orçamento de estado e PIDDAC):

Transferências para  as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores  Transferências para  as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores

Fonte: MF/DGO

Curiosamente, apesar da diabolização de que geralmente AJJ é alvo, há ali uns dados interessantes quanto aos Açores nos últimos cinco anos de governo PS.

ver também: Jardim revela que o Governo de gestão tentou “estragar” negociações sobre zona franca

Esquerda moderna

-Não pretendo entrar na discussão interna do B.E., nem tão pouco tomar partido por Daniel Oliveira, Luís Fazenda ou debater a continuidade de Francisco Louçã na liderança da esquerda moderna. Por mim até é positivo que tudo continue como está. Fico apenas um pouco surpreendido que alguns bloquistas, venham agora criticar a comunicação social por dar relevo às posições de militantes que divergem da liderança. Mas são assim tão ignorantes, ao ponto de estarem convencidos que o estado de graça seria eterno? Não perceberam o protagonismo que foi dado a Manuel Alegre durante o primeiro governo de José Sócrates? Até o relevo que Ana Paula Vitorino, Henrique Neto ou mesmo Luís Campos e Cunha foram recebendo, derivou da necessidade de ouvir as poucas vozes dispostas a divergir com a corrente dominante. Nesta matéria o PSD ao longo dos anos tem sido terreno fértil, até mesmo durante as maiorias absolutas de Cavaco Silva. Quando está na oposição então é objecto de notícias quase diariamente. O CDS/PP também já viveu momentos conturbados, com a comunicação social próxima dos protagonistas, como seria seu dever. E até mesmo o PCP, avesso a debater problemas internos na praça pública, já viu partir muitos destacados membros com estrondo, embora tenha sempre conseguido minimizar os estragos. Alguns até foram parar ao BE. É pois no mínimo curioso, que algumas pessoas próximas do BE, considerem as posições de Daniel Oliveira, Joana Amaral Dias ou mesmo Rui Tavares, que nem sequer é militante, mas eurodeputado eleito pelo partido, logo figura pública próxima, como irrelevantes. Podem até não ter expressão interna, esse é um problema que apenas aos próprios diz respeito, mas ouvir vozes dissonantes das lideranças partidárias, faz parte da tradição da comunicação social em Portugal, por muito que desagrade aos líderes. E bem! Provavelmente estariam convencidos que seria diferente com o BE, mas são apenas um partido igual aos outros, por muito que isso lhes custe ou afecte o complexo de superioridade de que alguns enfermam, felizmente nem todos.

Argentinos de Alfama e uruguaios da Ribeira

Há uns anos, Manuel Vasquez Montalbán, um dos maiores escritores espanhóis e adepto do Barcelona, queixava-se de que era muito difícil rever-se na sua equipa como em tempos mais antigos, devido ao facto de que a maioria dos jogadores, de várias nacionalidades, nada tinha a ver com Barcelona e com o catalanismo. O equipamento era o mesmo, o espírito já era outro. Provavelmente, nos dias de hoje, teria menos razões de queixa, porque o próprio Messi é muito mais catalão do que argentino e porque uma boa percentagem do plantel advém dos escalões de formação, a ponto de a selecção espanhola ser, em boa parte, catalã.

Mais ou menos por essa época, em conversa com responsáveis pelos escalões de formação do Futebol Clube do Porto, fiquei espantado com o óbvio: a equipa sénior de então tinha, praticamente para cada posição, dois jogadores formados no clube. Era o tempo em que pontificavam jogadores como Vítor Baía, Jorge Costa, Fernando Couto ou Domingos, por exemplo. [Read more…]

Menos e melhor estado…

…dizem eles.

Pois…

E se fossem à merda?

A indigência é apenas dos indigentes?

Desta vez as palavras não são minhas, são citadas do Público e dizem tudo, a começar pelo título:

 

Portugal, século XXI: há escravos levados das Beiras para Espanha

Os novos “negreiros” são famílias que encaminham indigentes para explorações agrícolas espanholas. Dormem acorrentados, passam fome e não recebem.

“Dormiam em velhos colchões retirados do lixo, no chão, sendo presos pelos pulsos, por uma corrente de ferro e cadeado, todos aqueles que os arguidos António, Francisco e Maria suspeitassem que pretendiam fugir, sendo ainda o armazém fechado pelos mesmos arguidos, para que nenhum daqueles trabalhadores pudesse sair”.

 

No séc. XXI, perante situações que permanecem e se arrastam no tempo, perante o desaparecimento físico de pessoas pouco habilitadas a viajar, perante a repetição de cenários e a indiferença de vizinhos, empregadores e autoridades, a indigência é apenas dos indigentes?

O nosso pobre saber agricola

rosa da paz

a rosa da paz

Nos tempos que correm apenas podemos pensar sobre 

O NOSSO POBRE SABER AGRÍCOLA

O título do ensaio não é ironia, é uma lembrança de uma questão colocada a minha filha mais velha, nos dias dos seus cinco anos. Vínhamos da Grã-Bretanha, por causa de saber se o socialismo materialista histórico votado em sufrágio universal, tinha ou não sucesso. Bem sabemos hoje que assim não foi. Mas, tornemos aos anos 70-73 e a questão colocada a Paula; filha, de onde nascem as alfaces? A sua resposta foi simples; dos cestos do mercado, sítio certo das compras da sua mãe, quem se acompanhava com ela, ainda não habituada a estar de volta ao País do Frio ou Chili em língua Quechua. Especialmente ao sítio solicitado por mim, ao nosso Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Chile; la sede de Talca, porque era denominada a cidade o rim da aristocracia chilena. Era da Província do Maule, espaço geográfico onde se encontravam os maiores latifúndios do país. O objectivo do Presidente era a reforma agrária e entregar a terra a quem a trabalhava e não apenas ser da propriedade de uma família que estava sempre em Santiago, por serem profissionais e por causa do estudo dos filhos. A

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Moisés é candidato a secretário-geral do PS

Mário Soares. “O PS tem de fazer uma grande separação de águas”

Depois das afirmações de Mário Soares, o decano fundador do PS, é provável que o profeta Moisés avance com a candidatura a secretário-geral dos socialistas, concorrendo contra Seguro e Assis.

Soares comentou a hipótese ao Aventar: “Antes de mais, o Moisés é muito bom rapaz e já nos conhecemos há muito tempo: dei-lhe imensos conselhos, era ele ainda um adolescente. Parece-me o candidato ideal, porque tem muita experiência na separação de águas que é preciso fazer. Para além disso, pela sua experiência com o decálogo, poderá contribuir para a reformulação dos estatutos do partido. Finalmente, a experiência de conduzir pessoas pelo meio do deserto revelar-se-á fundamental para o PS nos anos que se avizinham.”

Eduardo Galeano en la #acampadaBCN

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Sinfonia n.º 4 de Brahms analisada por Bernstein

Brahms / Leonard Bernstein, 1957: uma análise da sinfonia n.º 4 em mi menor, Op. 98, de Brahms.

Uma pérola que encontrei há dias no Youtube.

Na mesma página do vídeo consta este sumário, que traduzi do inglês: [Read more…]

O Comboio na Lixa

O Caminho-de-Ferro de Penafiel à Lixa e Entre-os-Rios, actualmente um conjunto de estradas lotadas e sem alternativas.

CDS: PP quer dizer Partido do Pote?

Portugal é um país pequenino e não só – nem sobretudo – no tamanho. A forma desavergonhada como o clientelismo e o nepotismo são praticados e alardeados deveria ser escandalosa, mas é considerada tão natural que Sílvia Ramos, uma dirigente concelhia do CDS-PP de Beja, pôde afirmar, depois das eleições, o seguinte:

Este é o Momento…de se correr atrás de lugares…uma coisa eu informo o CDS Beja irá estar nos devidos lugares proporcionalmente ao nosso peso político e porque temos isso legitimado pelos votos que obtivemos.

O portuguesinho no seu melhor está patente neste monumento ao chico-espertismo de uma classe política que se dedica a distribuir cargos públicos pelos seus apaniguados, mal consegue abocanhar o poder.

Será esse mesmo chico-espertismo que levará à próxima atitude que consistirá em explicar o que se queria mesmo dizer, com argumentos tão profundos como “as minhas palavras foram mal interpretadas” ou “o que disse foi retirado do contexto”. Fico a aguardar, quase fascinado, como será possível descobrir virtudes em expressões como “correr atrás de lugares”. Espero a melhor das ajudas para que me ajudem a descobrir que leis nos permitem confirmar que há lugares legitimados pelos votos, para além dos que resultam, exactamente, dos votos.

Para além da notícia, podem ler aqui as declarações completas, para que não fiquem retiradas do contexto.

Ontem Foi o Dia da Raça…

Pois foi, esquecia-me!

Licença? Eu agarro na licença e deito-a para o rio…

…disse o homem enquanto rasgava a dita cuja, assinada por si, em mil bocadinhos. Depois, entre berros e gritos, ameaçou o artista e, segundo algumas testemunhas, tentou ainda atropelá-lo com o seu vistoso jeep. Juntaram-se alguns populares, género básico estridente, acrescentaram guinchos aos berros do homem, mais ou menos do estilo “primeiro lixo-te e depois lincho-te, estás para aí a dizer que isto é arte mas esta merda não passa de lixo, até eu fazia melhor e nem precisava de abrir os olhos”.

Tudo gente culta e fina, com elevada bagagem crítica e muitos conhecimentos sobre a matéria.

A seguir chegou a polícia, à bruta, “qual arte qual carapuça”, vamos já a tirar esta treta toda daqui, e o artista viu o caso mal parado, deve ter-se imaginado na esquadra, num país estrangeiro para o qual foi convidado, apesar da licença e das garantias que lhe tinham dado.

Finalmente, porque há pessoas previdentes, lá chegou a cópia da licença com a assinatura do homem (proprietário do imóvel abandonado, um antigo hotel), pelo seu próprio punho, a autorizar a intervenção no edifício, mais a cópia da autorização camarária, mais a informação sobre o ARTUR, apoios, patrocínios, etc., etc.

Nessa altura a polícia pôs-se do lado do artista e, luz feita, começou a explicar ao proprietário que sim, que se tratava de arte, que a intenção era assinalar o abandono de edifícios emblemáticos como aquele, que bem vistas as coisas era possível que no final ficasse muito melhor, que o edifício estava realmente decrépito, abandonado e dava má imagem de si logo à entrada da cidade. Isto dito pela polícia, o que só abona a seu favor e, a mim, surpreende. Depois disse que não podia intervir a favor do proprietário, visto estar tudo legal e autorizado também pelo próprio, tentando chamá-lo à razão.

O homem, conhecido pato-bravo, mostrou o significa para si um contrato (serve para rasgar, portanto) expulsando todos com o apoio dos populares mais “esclarecidos” em questões artísticas.

E, se a cidade perdeu uma intervenção de um artista de reconhecimento internacional, Alexandros Vasmoulakis (façam o favor de clicar porque vale a pena), o autor em causa, ganhou uma história para contar sobre a pequenez, a ignorância, o preconceito e a intolerância, além de uma “medalha”: alguma arte, no séc XXI, ainda tem a capacidade de agitar, contestar e fazer surgir emoções profundas nas pessoas. Nuns casos boas emoções, noutros, como neste, o piorzinho que havia dentro daqueles intervenientes. Boa, Alexandros.

Quem é o Luís Fazenda?

Uma frase descontextualizada do Luís Fazenda, que começou uma explicação com uma pergunta, provocou grande efervescência no clube de amigos do Daniel Oliveira. Alguns responderam com esta pergunta. Penso não cometer nenhum inconfidência se lhe der uma resposta.

Luís Fazenda foi o tipo que, enquanto secretário-geral da UDP, um belo dia telefonou a um tal de Fernando Rosas, solicitando-lhe que intermediasse um encontro com a direcção do PSR. Obteve da direcção do PSR resposta afirmativa e  a sugestão de, já agora, nesse mesmo encontro participar a Pollítica XXI.

E assim nasceu o Bloco de Esquerda. Na sua convenção fundadora, deu nas vistas, pelos piores motivos, acho eu, um tal de Daniel Oliveira, esse sim, personagem de que nunca tinha ouvido falar (está bem, sou da província, mas ando nisto há muitos anos).  Mas isso é outro filme.

Entendidos?

Sim, sim, mas…

Que os jornalistas de deixem de mexerequice, também concordo. Mas de onde veio a notícia sobre ir para Paris estudar filosofia? Do éter? Dar conselhos sem dar o exemplo, Frei Tomás?

Adivinhem quem vai a Bildberg 2011

O clube de Bildeberg está reunido na Suiça. Sem especular muito sobre este clube, que segundo várias teorias mais ou menos conspirativas governa o mundo, de facto e de fato, é sempre interessante saber quem acompanha Pinto Balsemão ao evento. Normalmente nos anos seguintes acabam a governar Portugal, ou dito de outra forma, são nomeados ali.

Seguindo esta fonte, a presença de António Nogueira Leite, “da José de Mello Investimentos, SGPS, SA” parece natural. Já Clara Ferreira Alves, “CEO, Claref LDA; writer” me deixa um pouco perplexo. Terá ido em reportagem?

Na Estação de Sendim

Linha do Sabor – Autorail pour Duas-Igrejas à Sendim (km 94) – 11.4.1973 –

Photo J.L. Rochaix

Amigar e desamigar no Facebook

Amigar:

amigar      

Desamigar:

desamigar

A avaliação dos professores pelos seus alunos

Acho que nunca escrevi sobre isto, ou seja sobre o que tecnicamente se chama Avaliação do Desempenho Docente. A publicação pelo Paulo Guinote de um formulário de avaliação dos professores, a ser preenchido pelos alunos, e a discussão que se lhe seguiu, levam-me a fazê-lo agora. [Read more…]

Lágrimas de Cavaco

“Tal como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais, Cavaco Silva acha que uma vitória eleitoral elimina todas as dúvidas sobre negócios que surgem nas campanhas”, escreveu Miguel Pinheiro na edição da revista Sábado de 27 de Janeiro.

O procurador-geral da República entendeu haver matéria para processozinho judicial e Cavaco deu o amém. Longe de mim, portanto, vir agora questionar o milagre da multiplicação do preço das acções da famigerada SLN ou a clareza do negócio da casa da praia da Coelha azul. Ou as actuais lágrimas de crocodilo a propósito da destruição da agricultura nacional (sem subtrair ao assunto, e só a título ilustrativo, o “giracídio”, os “jipes ifadap” e a Odefruta – 6 milhões de euros, bingo! – em governos do agora mui impoluto e venerando chefe de Estado).

Afinal, no entender desta gente, o voto é como uma esponja a legitimar tudo. E o estado de direito uma carapuça para patego ver. Sobretudo agora, quando a gula de dezasseis anos sente as costas quentes de uma maioria, um governo e um lá o que quer que seja. É fartar, vilanagem!

Alegre cavaqueira

De acordo com o Público, Cavaco Silva “acredita que os portugueses querem curar a “doença” que neste momento os afecta, o Presidente da República explicou que essa “doença” é “o grande desafio de responder aos desafios que foram colocados pela comunidade internacional”.”

Limito-me, prudentemente, a citar o jornal e não posso deixar de notar que a língua portuguesa sai com alguns ferimentos, devido ao desafio que é responder a desafios.

A ser verdadeira a citação, ficamos a saber três coisas.

A primeira poderá ser surpreendente, mas é compreensível: os portugueses sofrem de uma doença.

A segunda não parece ilógica: segundo Cavaco, profundo conhecedor da psicologia lusa, os portugueses querem curar-se, o que os assemelha a grande parte dos doentes.

A terceira é a mais importante, porque corresponderia à identificação da doença. Ora, é aqui que a linguagem cifrada do Presidente obriga a cálculos exigentes: se a doença é “o grande desafio de responder aos desafios que foram colocados pela comunidade internacional”, manda a lógica e ordena Hipócrates que nos curemos, exactamente, desse grande desafio e que nos recusemos, portanto, a responder aos desafios colocados – ou transmitidos, em linguagem médica – pela comunidade internacional, responsável, portanto, pela doença de que todos padecemos.

Os serviços prestados por Cavaco à língua portuguesa são inestimáveis. De qualquer modo, já não é a primeira vez que tem problemas com a palavra “doença”, como nota muito bem Rui Unas, que deve estar quase a ser processado por ofensa. [Read more…]

Miséria de discursos em discursos da miséria

O sr. Silva, presidente de alguns portugueses, apelou à frugalidade e ao sacrifício. Para dar o exemplo e a partir de agora em Belém só se come sopa e uma sardinha será dividida pelos comensais. Com a sua peculiar memória queixou-se do abandono dos campos e da agricultura. Não se recorda de ter negociado com a na altura CEE esse mesmo abandono, ou daquela fantástica profusão de veículos todo o terreno ter brotado do nada no seu reinado de governante.

Às tropas Cavaco Silva deu o conforto de avisar que mesmo em tempo de vacas muito magras não se pode poupar na segurança. Reparem: segurança, e não defesa. Ficamos pois a saber que para os lados do poder se teme que as polícias não cheguem para conter as ruas.

O político António Barreto disse mal dos políticos. Rotina, portanto. E quer uma revisão constitucional que nos dê governos estáveis, como o proclamam todos os políticos de direita desde 1976. Ou seja: maiorias artificiais, e desprezo pelo voto dos portugueses. Há alturas em que nem sei se o passado de democrata de António Barreto pode ser considerado no presente.

10 de Junho: a medalha de Sócrates

Há quem chame ao 10 de Junho o dia das medalhas. Sócrates também foi medalhado hoje em Castelo Branco, não pelo Presidente da República, mas por populares.

Se, a troco de alguma sanidade, um bom banho de realidade e de confrontação com os sentimentos dos portugueses faz bem a Sócrates, pergunta-se onde estava esta gente quando o ex-primeiro ministro era ainda um “animal feroz” e andava pelo país a distribuir auto-estradas, ventoinhas e barragens? Ou será que só lhe batem depois de vencido?