O CDS já foi negociar com o FMI

“Ainda que a margem de manobra seja pequena, tem de ser resguardada essa escolha soberana do povo português”

diz Paulo Portas, depois de uma delegação do CDS ter ido levantar a patinha ao FMI & filiais. A escolha soberana do povo português é uma belíssima frase, sobretudo se resguardada. O aviso de que vai contar tudo o que negociar a PS e PSD aproxima-se do hilariante. Durante os próximos dias CDS, PSD e PS continuarão a fingir que negoceiam, tipo condenado à morte discutindo com os carcereiros se a sua última refeição será de carne, peixe, ou simplesmente vegetariana.

Não sei o que diria o jornalista homónimo sobre estas coisas, mas gostava imeeeenso de saber, pecebe?:

Vídeo via Klepsýdra

Portugal processa Tintim: Oliveira da Figueira é um ataque ao Sócrates

No seguimento da interessante polémica em torno do processo contra a venda de “Tintim no Congo” por se considerar que se trata de uma obra racista e após a reflexão suscitada pela crónica de Manuel António Pina, penso que é de toda a justiça que o Estado português ponha Hergé em tribunal, tendo em conta que o autor belga terá usado a personagem Oliveira da Figueira para atingir o José Sócrates.

Na realidade, tirando o bigode tipicamente português, a careca lustrosa e a ausência de critério nas vestimentas, Oliveira da Figueira é, igualmente, alguém que anda pelo mundo a vender seja o que for. Se isto não é uma censura inaceitável ao Sócrates, não sei o que será.

O programa eleitoral do PSD

De acordo com o que acabo de ouvir numa rádio, a versão Coelho do programa do FMI resume-se a isto: sopa dos pobres e privatizações. Parece que o estado ainda tem empresas que dão lucro, e se dá lucro privatiza-se. Parece que o estado ainda presta serviços públicos, um verdadeiro desperdício, serviços privatizados podem sempre dar lucro a um pobre qualquer, tipo Mello, que por sua vez pode muito bem organizar uns torneios de golfe para ajudar os pobrezinhos ainda não privatizados.

Em 1917 o golfe ainda não ajudava os pobres, mas já era assim:

A comissão de festas da Cruzada de Mulheres Portuguesas, realizou uma festa (venda de flores e rifas) no Jardim Zoológico de Lisboa, a favor da Sopa para os pobres, uma obra de beneficência do Século. Nas imagens de Benoliel: na barraca da Sopa para os pobres, entre outras, Angélica Pereira da Rosa, Camila Meireles e Eugénia Magro; e na barraca da Cruzada das Mulheres Portuguesas, Gabriela Aragão Morais, Ermelinda Cordeiro e Angelina Chagas.

Citado do excelente blogue Ilustração Portuguesa, que teve de sair do blogger acusado de pornografia. Realmente, se isto não é pornografia, parece.

Freitas do Amaral votará BE ou PCP?

freitas do amaral Freitas do Amaral assevera que não votará em Sócrates, nas próximas legislativas. Aproveitou também para fazer uma revelação: o ministro Teixeira dos Santos não se demitiu, porque Sócrates não deixou. Ele, que por acaso foi ministro do mesmo Sócrates e se demitiu, sabe do que fala e o que sofreu para sair do governo socialista – a imagem é elucidativa.

Ao mesmo tempo, tece críticas a Passos Coelho, acusando:

“Estão há seis anos na oposição e ainda não apresentaram nenhum programa eleitoral”

Sabendo-se que não é homem para ‘brancos e nulos’ e sendo há muito conhecido o recíproco ódio de estimação em relação a Paulo Portas, surge-me a natural e confinada dúvida: Freitas do Amaral votará no BE ou no PCP? Pela imagem antes exibida, do veterano e inefável político, estou mais inclinado para o PCP. Mas, quem sabe se com uns banhos escoceses, massagens e mais umas terapias de SPA não o verei aos saltos ao lado dos jovens do BE. Aguardemos.

Imagem de juizdemeiatigela.blogspot.com

Dois homens, duas campanhas, um programa

A 5 de Junho os portugueses decidem que partido se coliga melhor com o FMI. O programa de governo será ditado de fora, a personalidade dos candidatos e uma ou outra marca ideológica marcarão as diferenças. Também isto explica o tom crispado da pré-campanha, os sms e as conversas por telefone ou pessoalmente.

a usura dos membros da confissão católica

usura

Usura-pintura a óleo de Van Dyck, Século XVI.

É bem conhecido o texto de Max Weber (Erfurt, 21 de Abril de 1864Munique, 14 de Junho de 1920) sobre A ética protestante e o Espírito do capitalismo, de 1905, resultante do trabalho de campo que Weber fez entre os católicos no sul do rio Elba (Alemanha). Embora de fé agnóstica, toda a sua obra está dedicada à religião. Estimando que a dedicação ao credo e à fé enriquece os protestantes, isto é, os cristãos separados da Igreja Católica Romana no Século XVI.

A sua curiosidade científica levou-o, em 1888, a morar entre católicos alemães, para entender a sua pobreza e comparar essa condição com a dos protestantes, que eram ricos ou tinham uma ética da riqueza.

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Semana Santa em Espanha

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No Centenário da Lei da Separação Igreja-Estado

Um interessante artigo de Pedro Picoito, traça o quadro geral da lei que envenenou as primeiras décadas do século XX português. A sua promessa ajudou a destruir a Monarquia Constitucional, a sua promulgação esmagou a 1ª República e ajudaria à instauração da 2ª República, conhecida como Estado Novo. Para que Portugal não esqueça.

Quem se mete com o P Sócrates…

“Quem se mete com o PS, leva”, sentenciou há anos o truculento socialista, agora gestor da Mota-Engil, Jorge Coelho. A ameaça visava, então, gente exterior ao partido. Hoje, é mais abrangente. Levam também os que ousam desafiar o PS de Sócrates, com honestidade e verdade. Caso de Ana Paula Vitorino, uma socialista com mais de 20 anos de militância.

Ana Paula Vitorino denunciou ao Ministério Público que “Mário Lino, então ministro das Obras Públicas, lhe tinha dito que Godinho era “amigo do PS”, tentando sensibilizá-la para os problemas do empresário”.

Dos interesses do sucateiro e de quem mais esteja envolvido no caso ‘Face Oculta’, embora com a tradicional lentidão da justiça portuguesa para este tipo de processos (com o BPN e gente afecta ao PSD é o mesmo), acabará por ser divulgada parte da verdade, esperamos. Custa, no entanto, saber que uma ex-governante honesta e corajosa, capaz de enfrentar interesses espúrios, tenha sido afastada dos órgãos de topo do partido: secretariado e comissão política . Tão só porque se atreveu a agir com seriedade.

Contínuo, pois, a perguntar: “Que PS é este?”. E, desta vez, respondo: é o PS do eucalipto  José Sócrates. Prefere sacrificar uma militante de irrepreensível postura e desde sempre socialista, favorecendo a posição de Mário Lino, ex-militante do PCP, cujo currículo nunca engana. Ou dito à francesa: “Jamais!”. [Read more…]

Reúnam com os vossos animais de estimação

O FMI (& filiais) andou hoje de manhã a telefonar para os partidos. Queriam uma reunião sem precisar “a composição dessa delegação”, “nem o tempo atribuído à reunião, nem mesmo a sua agenda detalhada”.

Bloco de Esquerda e PCP mandaram-nos passear. Outros terão muito a latir perante o dono. Por estas e por outras é que votar PS, PSD ou CDS vai dar ao mesmo. Mal por mal, agora até temos um partido que defende os verdadeiros animais irracionais.

Valter “Areia para os olhos” Lemos: o desempregado é uma espécie em vias de extinção

Valter Lemos doutorou-se, recentemente, em biologia virtual, com uma tese sobre o desempregado, uma espécie em vias de extinção, de acordo com as conclusões a que chegou após um estudo aturado, sob a orientação de Maria de Lurdes Rodrigues, que, como se sabe, fez desaparecer o insucesso escolar meia hora depois de ter chegado ao Ministério da Educação, em 2005. Segundo o estudioso “há muita gente a falar de desempregados, sem saberem, na realidade, o que é um desempregado.”

Socorrendo-se de uma imagem zoológica, Valter Lemos afirmou que também é usual os leigos confundirem um jaguar com um leopardo. “Para se ser desempregado” explicou “não é suficiente não ter emprego. Esse raciocínio é de um simplismo próprio dos ignorantes. Só se pode ser considerado desempregado após a sujeição a uma bateria de testes psicotécnicos, o preenchimento de trinta e três impressos e conseguir dar duzentos toques numa bola de futebol sem a deixar cair. É por isso que Portugal tem os melhores desempregados do mundo, poucos mas bons.”

Quanto a projectos para o futuro, Valter Lemos continuará a dar formação no âmbito da odontologia, com uma acção intitulada “Mentir com quantos dentes tem na boca: a importância dos incisivos.” Também no campo da criação animal, dará, proximamente, uma conferência: “A verdade sobre o desemprego: no dia em que as galinhas tiverem dentes.”

Primeiro contacto técnico do FMI

Por divergências óbvias, não sou exactamente um fiel leitor do Ferreira Fernandes, embora lhe reconheça o talento para a crónica. Neste caso foi o talento, foi a pontaria, tudo no alvo,  e aqui a copipasto:

Hotel Tivoli? Daqui, do aeroporto, é um tiro… Então o amigo é o camone que vem mandar nisto? A gente bem precisa. Uma cambada de gatunos, sabe? E não é só estes que caíram agora. É tudo igual, querem é tacho. Tá a ver o que é? Tacho, pilim, dólares. Ainda bem que vossemecê vem cá dizer alto e pára o baile… O nome da ponte? Vasco da Gama. A gente chega ao outro lado, vira à direita, outra ponte, e estamos no hotel. Mas, como eu tava a dizer, isto precisa é de um gajo com pulso. Já tivemos um FMI, sabe? Chamava-se Salazar. Nessa altura não era esta pouca-vergonha, todos a mamar. E havia respeito… Ouvi na rádio que amanhã o amigo já está no Ministério a bombar. Se chega cedo, arrisca-se a não encontrar ninguém. É uma corja que não quer fazer nenhum. Se fosse comigo era tudo prà rua. Gente nova é qu’a gente precisa. O meu filho, por exemplo, não é por ser meu filho, mas ele andou em Relações Internacionais e eu gostava de o encaixar. A si dava-lhe um jeitaço, ele sabe inglês e tudo, passa os dias a ver filmes. A minha mais velha também precisa de emprego, tirou Psicologia, mas vou ser sincero consigo: em Junho ela tem as férias marcadas em Punta Cana, com o namorado. Se me deixar o contacto depois ela fala consigo, ai fala, fala, que sou eu que lhe pago as prestações do carro… Bom, cá estamos. Um tirinho, como lhe disse. O quê, factura? Oh diabo, esgotaram-se-me há bocadinho.

O deputado dos morangos com açúcar gosta de viajar em 1ª classe

Há coincidências espantosas. José Manuel Fernandes, ex-presidente da Câmara de Vila Verde, foi eleito deputado europeu nas listas do PSD. Apostado em dar nas vistas, além de ter levado uma concertina para Bruxelas pensando tratar-se de um instrumento tradicional português, deu nas vistas quando decidiu levar também os “Morangos com Açúcar” para o PE, à custa do orçamento, é claro, e garantindo a sua participação em alguns episódios.

Na altura afirmou que teria de meter  dinheiro do seu bolso. Como a crise aperta e o bolso tem limites, foi responsável pelo relatório que aumenta o orçamento parlamentar em 2,3%, abaixo da inflação, diz ele, o que inclui um aumento de 0,9% nos seus salários e a manutenção de regalias parvas, como a de viajar em executiva entre Lisboa e Bruxelas.

Como já aqui referi, este episódio deu origem à canalhice de plantar num pasquim castelhano uma fotografia de Miguel Portas, dormindo num avião, em executiva, e omitindo que se tratava de uma viagem para Moçambique, logo fora do alcance da propostas que tanto contrariaram os mais parolos dos nossos deputados. Viagem que ocorreu em 2009, onde “na qualidade de observadores às eleições gerais daquele país africano” se deslocaram 3 deputados portugueses, a saber Miguel Portas, Vital Moreira e José Manuel Fernandes. Vital Moreira é conhecido como jurista e político, e menos conhecido como um bom fotógrafo amador. A fotografia canalha que por aí circula, além da falta de ética revela também uma imensa falta de jeito para lidar com máquinas fotográficas. E além disso Vital Moreira votou contra a continuação desta mordomia que tanto encanta o deputado minhoto.

Os meus agradecimentos ao leitor Paulo Pita por ter deixado um comentário que me fez luz sobre esta estória.

Miguel Relvas, o roto, fala dos nus

Numa altura em que é preciso decidir, as lições da História não podem ser esquecidas, como não podem ser esquecidas as histórias. Com eleições à vista, é importante encontrar culpados e responsáveis, não porque seja absolutamente necessário condenar, apenas porque é importante escolher.

O estado a que chegou o país está ligado àqueles que têm alternado na governação. Não são apenas partidos que têm alternado, são pessoas desses mesmos partidos que têm entrado e saído dos sucessivos governos, regressando sempre aos lugares onde já foram incompetentes para voltarem a sê-lo, para colocarem os recursos do Estado ao serviço dos clubes a que pertencem, com consequências que vão da morte do tecido produtivo até à situação económica em que nos encontramos.

Miguel Relvas classifica os cabeças de lista do PS como “aqueles que conduziram Portugal à situação em que hoje se encontra”, juízo que não me merece discordância. No entanto, e voltando ao princípio, se aceitarmos que as responsabilidades da eterna crise portuguesa são divisíveis por PSD e PS, que dizer de Couto dos Santos, Miguel Macedo ou José Manuel Canavarro, figuras que desempenharam funções governativas noutros tempos nada longínquos?

Empreendedorismo

Um festival em S. Paulo, a Virada Cultural,  criou o nicho de mercado da retrete limpa e com papel higiénico, oportunidade bem aproveitada por este morador, demonstrando o espírito de empreendedorismo que tanta falta faz aos pobres portugueses, sendo reconhecidamente uma das causas da crise que atravessamos. O pobre brasileiro, muito mais avançado, contribui com este tipo de iniciativas para o crescimento da economia, com os resultados que estão à vista.

Uma ideia a copiar num evento perto de si.

Como incentivo, espero que o programa do próximo governo contemple uma redução no IVA do papel higiénico, potenciando aos desempregados portugueses um retorno satisfatório. Não há festivais todos os dias.

O Partido Socialista agride também a gramática

Numa breve incursão pela página do Partido Socialista, para além de confirmar aquilo que Miguel Relvas afirma, descubro que a incompetência se estende à escrita. Uma das regras mais básicas da pontuação é a que afirma que o sujeito e o predicado não podem ser separados por vírgula. Aqui, podem ler as seguintes frases:

Paulo Campos, lidera a lista da Guarda, Fernando Medina, é o primeiro nome da lista por Viana do Castelo, Pedro Marques, concorre por Portalegre, e Ricardo Rodrigues encabeça a lista pelos Açores.

Vieira da Silva, é o cabeça de lista por Setúbal

É claro que a crise é mais importante do que as vírgulas, mas era escusado revelar ignorância também naquilo que é básico.

Tardes na “Província”

Hoje, o Bastuço São João defrontou o Vila Cova e sagrou-se já campeão da II Divisão do distrito de Braga em Iniciados. As coisas que eu sei de futebol ressuscitam qualquer defunto…

“São todos a mesma treta” e Fernando Nobre faz parte dela

Fui daqueles que saudou a candidatura de Fernando Nobre à presidência da República, enquanto emanação da sociedade civil. No entanto, em abono da verdade, cedo lhe descobri limitações políticas e pessoais.

Ainda não me pronunciei sobre o aparecimento do seu nome nas listas do PSD porque tenho esperado que a poeira assente um pouco para desfiar os meus argumentos. Acontece que todos os dias se levanta pó, cada vez mais pó, e decidi não esperar mais.

Vamos lá a ver: a mim tanto se dá que o PSD o convide ou não, é assunto que diz respeito à máquina pê-ésse-dista e a quem nela vota. Acho legítimo, apesar de pensar que o oportunismo e as contas de merceeiro -ainda por cima furadas porque, nestas circunstâncias, Nobre não “vale” os votos que obteve- não fazem boa política. [Read more…]

Tardia homenagem a Charles Spencer Chaplin

 

charlot

Irresistível, a vontade de homenagear  Sir Charles Spencer Chaplin, personagem popularizada através dos pseudónimos Charlie Chaplin ou Charlot. Tardio de apenas um dia, é um acto cujo merecimento excede a oportunidade temporal. Charlot é e será sempre figura imortal, independente de se falar dele em dia de aniversário, uma semana ou um mês antes ou depois da data de ter nascido ou falecido.

A Google, como muita gente,  recordaram-no ontem. Havia nascido 122 anos antes, em 16 de Abril de 1889, no bairro Lambeth de Londres, Kennington Road, 287 – não confundir com a cosmopolita Kensington.

Filho de dois actores populares, Charles e Hannah Chaplin, cedo ficou órfão do pai; com a mãe e o meio-irmão Sydney enfrentou grandes dificuldades, em plena época vitoriana, marcada por generalizada pobreza e lutas sociais na Velha Albion – uma prolongada greve de mineiros é um dos exemplos. [Read more…]

“CDS, o voto que apetece!” (?)

Lembram-se do famoso debate entre Mário Soares e Basílio Horta? Ambos faziam o frete pro forma, pois o PS e o PSD de Cavaco Silva, eram aliados na reeleição de M.S. à presidência. A certa altura, Basílio Horta, um estulto conhecedor em matéria de negócios, atirou à cara de M.S. o caso Emaudio/Macau. Mais ainda, referiu-se ao seu contendor como “um padrinho”. Ainda hoje, retenho na memória a surpresa de Mário Soares, cuja face manifestava o choque de um murro no estômago.

Mas agora, sopram outros ventos na estória: José Sócrates anuncia que o antigo secretário-geral do CDS, o Sr. Basílio Horta, é candidato a deputado. Pelo PS.

Fica refeito o equilíbrio. O PS arranjou “o seu Nobre”.

* Na foto: Luís Beiroco, Adriano Moreira, Basílio Horta, Abel Gomes de Almeida, nos tempos do “grande CDS” de 42 deputados. Naquela altura, Basílio gritava nos comícios que “CDS é o voto que apetece!”

Dicionário do futebolês – levantar a cabeça

Esta frase é muito usada por quem acabou de levar na cabeça ou por quem costuma levar na cabeça. Faz parte de um rol de muitas frases pré-cozinhadas que qualquer jogador, ofegante ainda de uma derrota, produz instintivamente.

É certo que, muitas vezes, é difícil levantar a cabeça, porque as derrotas podem levar a que se perca exactamente a cabeça, que, uma vez perdida, é dificilmente recuperável, como já demonstrou Luís XVI. Aliás, numa prova de que o mundo do futebolês está carregado de lógica, é vulgar ouvir os treinadores, nos momentos difíceis, dizerem “É preciso jogar com cabeça.”

Entretanto, julgo que, face aos dislates que tantos idiotas incendiários e incendiados produzem, seria importante que o futebolês passasse a incluir a expressão “É preciso baixar a cabeça”, sinal de arrependimento ou, pelo menos, de vergonha. [Read more…]

Construir soluções novas

Num momento dramático como o que vivemos, a sociedade portuguesa precisa de debate e de convergências democráticas. Precisa também de reconhecer que a crise do liberalismo económico, de que a acção dos programas patrocinados pelo FMI tem sido uma expressão, obriga a reavaliar opiniões e prioridades e a construir soluções novas, assentes em ideias e escolhas claras e num programa explícito, sabendo que na democracia nunca há a inevitabilidade de uma escolha única, porque a democracia procura as melhores soluções da forma mais exigente.

É indiscutível que o estado das finanças públicas, que é em grande medida o resultado da profunda crise económica, exige um conhecimento e avaliação exigentes de todos os compromissos públicos. E que se torna urgente identificar a despesa pública desnecessária, supérflua e geradora de injustiças sociais, distinguindo-a da que é indispensável, colmata problemas sociais graves e qualifica o país. É também útil que se reconheça a importância do trabalho, dos salários e dos apoios sociais na sociedade portuguesa, se admita a presença de carências profundas, sob a forma de pobreza e de desigualdades crescentes, e se considere que os progressos alcançados na nossa sociedade são o resultado da presença de mecanismos de negociação colectiva e de solidariedade cujo desmantelamento pode significar uma regressão socioeconómica que debilitará o país por muito tempo. [Read more…]

Sim, isto foi dito num canal de televisão

Já desconfiava. Impõe-se uma limitação à liberdade de expressão: permitir que clubes de futebol tenham canais de televisão ia dar nisto.

Particular atenção ao que é dito ao minuto 2’40. E depois nos blogues é que se escrevem barbaridades, coiso e tal.

o saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade (V – Anexos)

Beethoven, sinfonia N 9, coral, em D Minor

Texto de Klein Le psychanalyse des enfants 1933. 

Em Londres, Melanie Klein (Viena, 30 de Março de 1882Londres, 22 de Setembro de 1960) psicoterapeuta austríaca, geralmente tida como psicoterapeuta pós-freudiana, encontrou o seu lar intelectual. Dividia o seu tempo entre os psicanalistas britânicos que acolheram as suas (novas) ideias e que aderiram entusiasticamente à aprendizagem das suas técnicas, e o desenvolvimento, na Grã-Bretanha, de uma escola ligada às novas correntes da psicanálise. [Read more…]

Novidade mundial: a nova CRIL

Hoje foi inaugurada com a pompa e as fanfarras da campanha eleitoral a chamada CRIL, no seu último troço de escassos 3,6 km entre a Buraca e Pontinha. Terá custado entre 111,6 (Público) e 153 milhões (Sol), dos quais 70 ou 73 foram para 1400 expropriações. Sobre os trabalhos a mais falaremos depois das eleições.

Afinal ninguém sabe quanto custou, mas o FMI vai descobrir e por todos a pão e água até cobrar o último cêntimo.

“Presume-se que os condutores que utilizem a nova estrada possam ganhar diariamente cerca de 4.000 horas.” [Read more…]

A canalhice

Segue o esclarecimento de Miguel Portas sobre uma foto canalha publicada na imprensa porno castelhana. Confesso que também gramava saber quem plantou a foto no dito pasquim. Quando à autoridade moral dos canalhitas que a têm espalhado por aí, está ao nível dos deputados portugueses que votaram contra a alteração ao regime de viagens dos parlamentares europeus.

1. A fotografia publicada por um jornal electrónico espanhol de mentideros, “el confidencial”, começa a chegar a alguns órgãos de comunicação social em Portugal.

2. O jornalista que colocou essa notícia não teve, sequer, o cuidado de me contactar previamente, ao contrário de outros profissionais espanhóis de radio e imprensa escrita. Esses tiveram observaram a regra deontológica de não publicar uma imagem tirada por um eurodeputado que, segundo o pasquim em causa, terá sido movido por “motivos de vingança pessoal”.   [Read more…]

Matar o próprio povo: uma das maneiras de ser amigo do Ocidente

José Maria Aznar ficará para a História como um daqueles rapazolas que se reuniu nos Açores com figuras tão ilustres como George W. Bush e Tony Blair. Os três juntaram-se na presença babada de Durão Barroso, contratado para desempenhar o papel de mordomo sorridente e solícito. Nesse dia auspicioso, descobriram que Saddam Hussein era portador de armas de destruição maciça que nunca foram encontradas até hoje.

A queda de Saddam terá sido, seja como for, um momento positivo para a humanidade, pois o único ditador bom é o ditador deposto. Nada disso impede a discussão sobre os métodos usados e as circunstâncias escolhidas para derrubar ditadores ou a constatação de que a definição do conceito de ditador parece estar, tantas vezes, dependente de interesses.

O mesmo Aznar que participou na selecção de Saddam como inimigo preferencial, ao mesmo tempo que esquecia outros ditadores úteis, surge, agora, a criticar o Ocidente por continuar a fazer o mesmo. Até se poderia tratar de uma inflexão no pensamento do antigo primeiro-ministro espanhol, disposto, finalmente, a exercer a política com nobreza, mas, ao defender que Kadafi não devia ser atacado por ser amigo do Ocidente, revela a habitual baixeza de quem só se lembra dos direitos humanos no Natal. Quem tortura, mata ou explora o próprio povo pode ser amigo do Ocidente?

Dia Mundial da Voz

Hoje, é mais um dia em que o calado é o pior.

Troika

troika
(palavra russa)
s. f.
Ver tróica!.

tróica
(russo troika)
s. f.
1. Carruagem ou grande trenó russo, puxado por três cavalos.
2. Conjunto de três pessoas ou entidades, geralmente com uma finalidade política.

Os mestres da propaganda introduziram este termo no panorama mediática para se referirem à vinda do FMI para tratar das contas portuguesas. É por isso relevante ir à raiz da palavra para percebermos o respectivo significado. «Conjunto de três pessoas ou entidades, geralmente com uma finalidade política». Está vista qual é a abordagem política para aqueles que cá vêm resolver o problema de anos a fio a gastar mais do que se tinha. É tudo uma questão política. Está registado.

Quer é tacho…

-A entrevista de Fernando Nobre ao Expresso, sobre a qual já escreveu o Carlos Fonseca, em post abaixo, vem confirmar a posição que assumi enquanto eleitor do Distrito de Lisboa, não sei ainda em que partido votarei nas próximas legislativas, se é que votarei, poderei até repetir a abstenção das presidenciais, o PSD, por muito que me custe fazer esta afirmação, é que não receberá o meu voto, apesar de preferir Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro a José Sócrates.  [Read more…]