Estórias de um Reichsprotektorat

…o dito-cujo ainda não confirmou a aceitação do pedido de demissão. Dado que o demissionário está exultante pelos elogios, palmadinhas nas costas, beijos e abraços solidários em Bruxelas. Dado que a sopeira da Pomerânia já disse o que tinha para dizer, não nos admiremos muito, se:

a) o dito-cujo não lhe conceder a demissão, “patrioticamente instando” para formação de um novo governo mais “abrangente e de salvação” (de todos eles).

b) o suspiroso “Calimero do povo” cabisbaixamente aceite, ainda atordoado pela trovoada de aplausos comunitários (e profundo alívio por evitar que cheguem penetras de fora).

c) a sopeira da Pomerânia – a tal que chefia o país que paga o orçamento comunitário – confirme a sua posição de Führerin, servindo os seus subalternos em Portugal como meros Reichsprotektors de serviço (garantindo a venda de mais salsichas do Lidl e ainda mais sucata para as nossas autobahn).

d) os outros, precisamente aqueles que já contavam com um render da guarda, obedeçam às befehl que de longe chegam, desde já manifestando “o mais sincero e arreigado patriotismo”.

Esta gente é capaz de tudo (e mais alguma coisa).

 

O farsola e o pote

Sem palavras

Pepe: A legitimidade de criticar


A ingratidão é fodida.

antecedentes ideológicos do dia do trabalhador

 

…para os operários encurralados pelo PEC de Portugal…

Estou certo ter escrito um texto semelhante para o dia dos trabalhadores, faz um ano. Mas, os tempos que correm, a forma a que nos obrigam a viver, não me dá alternativa para escrever um texto mais alegre, agradável e divertido, porque começámos a falência da nossa teoria e o governo não consegue virar essa falência. Nem governo nenhum. Há os que antes de torcer os braços ao povo, prometem tudo, para derrubar o poder executivo, mas que logo a seguir, começam com a eterna história de dar o dito pelo no dito. Não tenho mais remédio do que reiterar o que escrevi faz um ano, para lutar pelo nosso real bem-estar.
A história era assim, e continua assim também:

Estava a acabar uma parte do texto da História de Portugal, para acrescentar os remotos antecedentes ideológicos do Dia do Trabalhador. Tenho comigo o livro de [Read more…]

A diferença

Ainda não se sabe ao certo qual é o estado do país, e já Pedro Passos Coelho fala em aumentar impostos e tomar medidas. Desta vez, talvez só perca tempo a pedir desculpas aos militantes sociais-democratas por ter criado um embaraço ao partido à boca de eleições.

Mas, convenhamos, que aos olhos do PSD, o mal não estaria propriamente nas medidas previstas no PEC IV apresentado pelo Governo. O problema era uma questão de credibilidade. Assim foi a ideia defendida recentemente por Arnaut ao oitavo minuto do frente-a-frente com Bernardino Soares, na SIC Notícias.

Ou seja o mais provável é que iremos ser espremidos na mesma. A questão é que quem o vier a fazer terá mais credibilidade do que José Sócrates.

Ora, isso para nós, já é um grande alívio…

O mote dos dias que passam

Eu não gosto do PS nem sequer do CDS Não suporto o PC que se lixe o PSD…

Quo vadis PSD?

-Ao contrário do que já li por aí, a frase de Passos Coelho em que terá admitido uma subida na taxa de IVA para 24 ou mesmo 25 por cento, provavelmente retirada de algum contexto que desconheço, pode ser um tiro no pé, um erro político, mas está longe de significar falta de preparação ou conhecimento dos dossiers, pelo contrário, quero acreditar que seja uma escolha, a meu ver acertada, ou antes, um mal menor, porque subir um imposto, qualquer que ele seja, nunca é a meu ver um facto positivo.

Imediatamente surgiram as vozes do costume clamando que o IVA por ser um imposto cego, atingindo todos os consumidores por igual, é socialmente injusto. Nada mais falso. Uma família que gaste 1000 Euros mensais, pagará metade de outra que gaste 2000, ora como sabemos, os gastos são normalmente proporcionais aos rendimentos, logo, quem mais ganha, mais paga. Não existe é no IVA um mecanismo do agrado dos socialistas, que são os escalões, permitindo que o Estado se arrogue no direito de tirar X ao sujeito A para atribuir, sob a forma de benefícios ou subsídios, vai dar ao mesmo, ao sujeito B. [Read more…]

Sempre a crise

Que me lembre, neste país sempre se viveu com crise.
Fosse crise económica, crise financeira, crise na Justiça, crise na Saúde, crise na Educação, crise na Agricultura, crise nas Pescas, crise de valores, etc.
Não deve ter havido Governo em que não se falasse de algum tipo de crise.
A mais badalada, no entanto, foi sempre a clássica crise política, sempre de olhos postos na preciosa estabilidade política com que tudo se faz e que sem a qual nada se consegue.
Hoje vivemos mais uma dessas crises políticas, bradando-se pela mudança de Governo.
Acontece que mudar por mudar é o que se tem feito há anos e o resultado está à vista: o nosso país chegou ao ponto que chegou por causa de erros que se acumulam e se repetem, de Governo para Governo.
O problema deste país não é tão só este Governo de agora ou José Sócrates. O problema é a sucessiva repetição de erros por Governos diversos, seja por acção seja por omissão. [Read more…]

O sobe e desce do rating e os comentários pornográficos

Já me tinham dito para não me irritar. Faz mal ao coração, informam-me. Que sim, vou fazer por isso. Por levar as coisas numa perspectiva positiva, para manter o sentido de humor, para relativizar tudo aquilo que não é a morte. Por só isso não tem remédio. Agora começo a achar que também o país não tem remédio.

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Por isso, admito que não sei porque é que ainda me indigno com coisas de lana caprina. É sempre assim. Analisamos tudo mediante as circuntâncias em que estamos e as conveniências do que queremos. Valorizamos quando nos interessa, desvalorizamos quando não interessa.

Até ontem, o rating da dívida portuguesa era cortado pelas famosas agências financeiras e o governo desvalorizava. O chefe do Governo e os ministros mais influentes fugiam a comentar esses cortes. Quando não havia possibilidade de fuga, juravam que não era assim tão importante.

Hoje, novo corte e o Governo valoriza! Que é fruto da crise política, que a culpa é toda da oposição, esses malvados que não mediram as consequências do chumbo do PEC IV, que levou à queda do Governo, etc e tal.

Sim, eu sei que começou a campanha e que em campanha vale-tudo-menos-tirar-olhos-e-se-calhar-nesta-até-tirar-olhos-vai-valer mas é assim que esta cambada incoerente quer que o povo tenha pachorra para os aturar?

pois…

Os meus sentimentos para Elizabeth Taylor e José Sócrates

Por casualidade, irrepetível na vida, conheci Elizabeth Taylor e Richard Burton a 4 de Agosto de 1969, dia em que tomei a liberdade de trocar a Universidade por um passeio com a minha mulher e a nossa única filha. Fomos visitar a Torre de Londres, prisão para os inimigos da coroa inglesa durante séculos, aproveitando para ver os pombos e os guardas reais. Actualmente, a Torre londrina funciona como museu, sendo o bilhete de entrada muito caro. Vários amigos acompanhavam-nos, todos de Londres. Nós vínhamos da Universidade de Edimburgo, onde trabalhava nas minhas pós graduações em Antropologia e Ciências da Educação.

Era impossível não vê-la, ria estrepitosamente, tomada pelo braço do seu marido, Richard Burton. Era de manhã, mas eles vinham de uma festa que tinha durado a noite inteira, vestidos com fraque ele, e ela com o seu famoso vestido de veludo azul, quase uma marca de fábrica. Parecia que era a sua farda, desde que interpretou em 1969, o famoso e muito atraente filme Blue Velvet ou Veludo Azul, em português. Nunca a vi repetir formas de actuar, todas eram diferentes, veja-se, por exemplo, Bruscamente no

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Não temos os políticos que merecemos. Temos os políticos que somos”

Sobre a demissão do Governo, a crise política, o sentimento de descrença dos portugueses em relação à economia, à política, à sociedade, à meteorologia, escrevo um destes dias. Quando me sentir capaz desse feito, equivalente praticamente a um dos doze trabalhos de Hércules. Aliás, não vejo ninguém aflito para escutar a minha opinião. Por isso, não há pressas.

Deixo apenas a frase mais certeira dos últimos tempos. Chegou-me, de mansinho, pelo Twitter de Ricardo M Santos (http://twitter.com/RicardoMSantos).

Diz ele…

Não temos os políticos que merecemos. Temos os políticos que somos.

Pimba. Nem mais, pensei. Se pensei, melhor o fiz: embrulhei a frase em papel de mata-borrão, porque não há dinheiro para melhor, fiz um laço de corda rafeira, e trouxe-vos esta frase para pensarem um bocadinho.

O que é, e o que pode fazer, um governo de gestão

Até às prováveis próximas eleições (Cavaco Silva ainda não se pronunciou) o governo de José Sócrates encontra-se em gestão.

Um governo nessas condições não é novidade na democracia portuguesa e permite a gestão corrente dos assuntos do país, apesar de ter poderes limitados pois, segundo a Constituição, a isso deve cingir-se estritamente (segundo o artigo 196, alínea 5, da Constituição um governo de gestão “limitar-se-á à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos”). Assim sendo, novas nomeações, aprovação de projectos ou a promulgação de leis são apenas admissíveis em casos excepcionais e absolutamente prementes. No entanto a definição de “estritamente necessários” e de “gestão dos negócios públicos” é suficientemente vaga para que possamos perder-nos relativamente aos seus limites.

Decisões que envolvam aumento de impostos, investimentos a longo prazo, cortes de prestações sociais, etc., estão excluídas da noção de gestão corrente, ainda que o Estado possa continuar a contrair dívida necessária ao seu financiamento.

A história recente dos governos de gestão portugueses mostra que [Read more…]

PS e PSD: as cabeças da hidra

PS e PSD: as cabeças da hidra

Hoje, há razões para comemorar, porque estamos perto de confirmar o óbito político do pior Primeiro-Ministro da Democracia portuguesa, o que não era um título fácil de atingir, tendo em conta que a concorrência era grande (e ser pior do que Santana Lopes era um desafio a que Sócrates não soube resistir).

Hoje, continua a não haver razões para comemorar, pois, ao que tudo indica, o PSD voltará a governar, o que constituirá uma mera alteração de siglas e uma continuidade de políticas. Depois de ter PECado em conjunto com o PS, o PSD irá a correr assinar os papéis que confirmam a união de facto, tumultuosa, é certo, mas não é o tango a dança que retrata essas relações em que o amor tem aparências de ódio? [Read more…]

Gente rasca

As atitudes são quase símbolos e espelham bem o carácter de quem as toma.

Há umas semanas, o deplorável evento da omissão do PEC 4 ao Presidente e Parlamento. Dias depois, o absurdo discurso presidencial, quase de chefia de partido. Ontem e após o início da sessão para a discussão do mesmo, outra cena caricata, quando o 1º Ministro sai do hemiciclo, numa inegável demonstração de desprezo pelo mesmo. Pouco depois, dois Ministros – os mais importantes – ausentam-se ostensivamente, deixando Manuela Ferreira Leite discursar para deputados que não podiam desconhecer aquilo que tinha para dizer. Este tipo de ordinarice tornou-se de tal forma corriqueira que passou a fazer parte integrante do sistema vigente.

É este, o gabarito democrático da gente que diz governar Portugal. É esta, a gente que tem pretensões a concitar o respeito dos comuns mortais que lhes pagam as mordomias e a proeminência muitas vezes imerecida. É este, o resultado de um longo período de ausência do autêntico parlamentarismo em Portugal, esmagado pelos cacetes e lápis azuis de Afonso Costa e Salazar. Aqui está o resultado, esta é a República Portuguesa.

Mas o caso não ficou por aqui. No mesmo dia, o Presidente que diplomatas estrangeiros dizem ser um sujeito vingativo, tira a mesquinha desforra daquilo que se passou há duas semanas. Mal o seu ainda 1º Ministro saiu de Belém, apressou-se a divulgar o pedido de demissão que aquele lhe fora apresentar e sem sequer aguardar o comunicado oficial do dito cujo. Como diz António Barreto, o espectáculo não é dos melhores.

Eles já nem disfarçam, acham alguns, enquanto outros pensam ser essa, a grosseira essência do regime. Esta gente é tralha de um enorme baú de vulgaridades e bem podia ser reciclada na Inglaterra.

 

 

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Curso de político

Face às Novas Oportunidades que se adivinham, nada como estar preparado. Afinal de contas a qualificação é esencial para o nosso futuro.

Um Dia Como os Outros

Um Dia Como os Outros

Nos 125 anos da ponte rodoferroviária de Valença-Tui.

Imagem: Dario Silva e Pedro Miranda
Edição: Pedro Miranda
Assistente: Hugo Gomes
Música: De Ushuahia a la Quiaca – Gustavo Santaolalla
Conceito: Geofotografia.pt
Agradecimentos: CP, CP CARGA, REFER
© 03.2011

Nós é que amamos. Portugal, Chile e os seus costumes

 http://www.youtube.com/watch?v=P-4cWnh-uek

Sonhava, reconheço, sonhava. Parecia-me que o Chile e Portugal, eram dois países semelhantes: debates, desencontros, divertimentos, demissões. Países em festa que parecem ser uma pantomima, como as suas relações todas cortadas, sem se entenderem entre eles, como devem ser, quando se governa: há quem diz, há quem diz que nada disse, toma-se o dito por não dito. Era um sonho, quase pesadelo, porque eram os meus países, especialmente Portugal: correcto ou incorrecto, o seu comportamento político e arte de governo, mas meu país, nos bons e maus momentos. No meu sonho, devo ter pensado que Portugal era como a Nação Mapuche que habita no Chile. O meu sonho, de um quase impossível entendimento entre partidos políticos, muito semelhantes. Faziam a festa e passavam a conta ao povo. Vou contar esse sonho, mudando o nome das hierarquias que nos governam, ao que eu vi no meu sonho. Uma metáfora…de países na sua infância… [Read more…]

Portugal Vive Um Sonho

…quentinho, húmido, doce, livre de impostos…

Portugal euro-cruxificado

Como dizem aqui no Alentejo, Sócrates está de abalada. Saiu como e quando quis. Com o pretexto de não poder aplicar o PEC IV, envergou a  pele de vítima. O objectivo era sair queixoso desta batalha, colocando o ónus da crise política sobre os adversários políticos. 

Paradoxal ou não, da ordem de trabalhos da reunião da zona euro, de hoje, foram retiradas à última hora as decisões sobre o reforço do fundo de socorro; nas quais, lembre-se, se integravam as medidas do rejeitado PEC IV. Sócrates e Teixeira dos Santos sabiam-o ou souberam-o, provavelmente, antes ou durante o debate parlamentar. É uma das hipóteses para  explicar a saída prematura do PM e as temporárias ausências de Teixeira dos Santos e Silva Pereira da sala do plenário da AR. 

Vamos a eleições. Sócrates voltará à linha da frente, na disputa com Pedro Passos Coelho. Os dois, em coligação restrita ou alargada com Portas ou isoladamente, têm possibilidades de vir a governar os portugueses. São, diz-se a torto e a direito, os homens do arco do poder – a semântica da política está em enriquecimento constante. Todavia, nos momentos históricos que vivemos, não estamos sujeitos apenas a arcos. Há  também o enorme crucifixo com que  subimos ao calvário da ‘Zona Euro’, onde os nossos eleitos apenas relatam, ouvem e obedecem. Sim, não haja ilusões; quem comanda ou comandará será sempre a Sr.ª Merkel ou outro gauleiter que a substitua. 

Penitentes por erros acumulados, estamos condenados ao PEC IV, V, VI, VII …   e não sei até quantos os comandantes da Europa do Norte venham a impor. Os nossos governantes limitar-se-ão a cumprir, com zelo e respeito, as orientações para fazer navegar um Portugal euro-cruxificado. Prometam os nossos políticos o que prometerem, assim vamos continuar. Sofrendo.

Sondagem Aventar: Quando cai o Governo?

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Alguns leitores do Aventar acertaram na lotaria da queda do Governo. Infelizmente não haverá prémio pois o jogo, diz-se, estava viciado.

Elizabeth Taylor (1932-2011)

Uma das actrizes que mais admiro na sétima arte. E que melhor combinou a beleza com a arte de representar.

Elizabeth Taylor, “uma rapariga do meu tempo” como o meu pai sempre se refere quando se fala dela, será para muitos a “Cleopatra” ou a “Virginia Wolf”.

Para mim, será sempre a “Gata em telhado de zinco quente”.

Ao cair do pano, um registo obrigatório no dia do seu falecimento.

Apologia de Sócrates: o discurso

Feita pelo próprio, como é costume. Pode ouvir-se aqui.

Retenho uma afirmação: “O país não ficou sem governo.” Finalmente, Sócrates revela clarividência: não se pode ficar sem aquilo que não se tem.

Demitiu-se

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Título: Portugal sob pressão
Título 1º gráfico: juros da dívida pública a 10 anos
Título 2º gráfico: aumento do risco associado à dívida pública (spreads em relação às dívidas públicas a 10 anos)
Fonte: Frankfurter Allgemeine Zeitung (tradução do Google)

O discurso de Sócrates em resumo:

«Bla bla bla bla bla está tudo a correr bem bla bla bla bla o défice de 2010 não vai ser nada 10% do PIB bla bla bla bla este PEC não veio ditado pela Merkel bla bla bla bla.

Bla bla bla este PEC não precisava de ir a votação bla bla bla e não foi a votação para forçar a queda bla bla bla contem comigo para trazer mais do mesmo bla bla bla bla.

Eu quero o melhor para o País. E o País sou eu.»

Umas notas a ter em conta:

  • desde Maio 2010, o BCE já comprou cerca de 77.5 mil milhões de euros da dívida portuguesa
  • para todos os efeitos, a ajuda externa já cá está há quase um ano
  • apesar do fogo de artifício sobre o “bom” desempenho dos primeiros dois meses, afinal no fim de Março nem um tostão sobrará

Onde está a coragem de Sócrates e Teixeira dos Santos?

José Sócrates, enquanto detinha o poder, apresentou-se sempre na AR com tiques de superioridade, arrogância e, por vezes, desprezo pelos opositores. Não raro, humilhou-os e reduziu-os àquilo que entendia ser a sua insignificância, casos de Heloísa Apolónia, Francisco Louçã ou Paulo Portas. Era de esperar que um homem tão convicto e corajoso, tão impado e seguro de si mesmo, ouvisse o julgamento final sobre a sua governação. Fugiu. Desta vez fugiu mesmo, fisicamente, porque à realidade furtou-se sempre. O retrato de um homem sem respeito pelo parlamento e pelo país.

Manuela Ferreira Leite confirmou hoje o adágio que garante que a vingança se serve gelada. Enquanto falava, foi a vez da fuga de Teixeira dos Santos, que  foi perder-se algures nos Passos Perdidos. Os dois homens que detiveram mais poder no país nos últimos anos,  como se ainda fosse necessário, revelaram a sua verdadeira dimensão. Uma dimensão autista, pouco corajosa e nada digna. Para não dizer pior.

A crise

Hoje discute-se a crise da República, como agora se diz. Ontem o Presidente da República disse que foi ultrapassado pelos acontecimentos desta crise que, disse ele, começou há alguns dias. Erro. Esta é uma crise que vem de há décadas e, verdade seja dita, não é só de Portugal. É do ocidente e de Portugal ainda mais face, à sua débil economia.

Esta é a crise de um sistema económico que resolveu transferir a sua capacidade produtiva para oriente, onde a ausência de responsabilidade social compete com o elevado nível de vida ocidental. É a crise de países que decidiram abrir as fronteiras sem cuidar que a competição que aí vinha era leal. É a crise que fez a riqueza do lobby da importação e distribuição. É a crise de um ocidente que vai gastando o que amealhou em sucessivos anos de prosperidade económica, tendo sido transformado num mero mercado consumidor.

Hoje discute-se o calendário que o PS escolheu para ir de novo a votos. Em simultâneo, um número incerto de empregos nasceu a oriente, em número semelhante àquele que desapareceu no ocidente.

A fuga do primeiro-ministro

José Sócrates ouviu o ministro das finanças e fugiu ao debate. Será, certamente, mais uma abordagem ao diálogo e à abertura de negociação por parte do governo. Em contrapartida, Sócrates falará aos jornalistas às 20h, local de excelência, como se sabe, para confronto político entre as diferentes forças parlamentares e com possibilidade de contraditório face ao que for apresentado.

Olhando para os actos que passo a passo vão sendo tomados e para o discurso oficial, é notório que o governo anseia cair. Se não, porque havia de ter hoje apresentado de forma apressada o que poderia apresentar daqui a um mês? A resposta prende-se, naturalmente, com o facto de não haver boa execução orçamental alguma, como tem a propaganda governamental apregoado. Basta notar que o «superavit de mais de 800 milhões nas contas públicas anunciado pelo Governo há seis dias vai ser completamente anulado em Março, mês em que o défice vai ser de quase três mil milhões» (TSF).

O governo deseja eleições porque daqui a semanas a realidade cairá em cima dos portugueses. O que está em causa é apenas a velha máxima de não se poder enganar todos durante muito tempo.

A criança dita incapacitada – Portugal nestes dias com um PM demissionário

Para minha amiga Ana Paula Vieira da Silva, que inspirou a ideia deste texto.

Escultura de Amitaba, da Dinastia Tang, encontrada nas grutas de Longmen, na Índia.

É-me impossível não criar uma metáfora entre a criança dita incapacitada e a nossa Pátria. Todos amamos esse berço, onde nascemos o fomos adoptados. O problema é que nosso venerado país e os seus sucessivos governos, parece uma criança incapacitada. Se entres as crianças há apenas as ditas incapacitadas, porquê Ana Paula e Eu, por intermediação da Magister Elsa Figueiredo e o Doutor José Manuel Cravo Filipe, obtiveram os seus pós graus no que hoje se denomina criança especial; por outras palavras temos observado que as pessoas adultas parecem ser incapacitadas para governar, criar leis convenientes para o desenvolvimento do país e o seu crescimento económico e financeiro.

 
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Sugestão musical do dia

Corra bem ou mal para uns e para outros, o certo é que esta música se vai colocar que nem uma luva a alguém.