A multiplicação dos tachos no Chega

André Ventura e Bruno Mascarenhas, candidato do Chega à Câmara de Lisboa. Foto: António Cotrim/Lusa

Foto: António Cotrim/Lusa
Vou tentar escrever isto no idioma comum da extrema-direita portuguesa: de há uns tempos para cá, não há um dia que não surja um novo tacho com a chancela do partido de André Ventura.
Na semana passada escrevi aqui sobre a nomeação da irmã de Rui Cristina, autarca eleito pelo CH para a CM de Albufeira, para um cargo na autarquia dirigida pelo irmão.
Dias depois foi a vez de Hugo Aires, militante do CH eleito para a Assembleia Municipal de Albufeira, ser nomeado diretor do Departamento de Projetos e Edifícios Municipais da autarquia.
E no final da passada semana, ficamos a saber que Rui Cristina, autarca que André Ventura foi recrutar ao “sistema”, nomeou mais uma militante do CH, Andreia Cópio, para o cargo de Chefe da Divisão de Águas e Saneamento.
Mas a distribuição de tachos a militantes e familiares de militantes do CH não se esgota em Albufeira.

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O santo conveniente

Desde a sua prematura morte em 1980, que Sá Carneiro tem sido usado como evocação reverencial pela Direita portuguesa. Dado seu papel fundador do PSD, partido de referência no arco governativo e nessa invenção de impacto maior na política nacional chamada “Bloco Central”, com naturalidade que muitos foram os “sociais-democratas” que invocaram o seu pensamento político e o citaram em frases mais ou menos exactas em relação às originais. O mesmo se dizendo do CDS, com qual foi estabelecida a impactante AD, por vontade e esforço conjugados entre Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, e decorrente da comunhão trágica da morte de ambos.

Com o passar do tempo, assistiu-se a uma lógica de santificação política de Sá Carneiro, enquanto pensamento, acção política, intervenção histórica, etc. Algo perfeitamente natural, até porque houve um considerável período de sentimento de orfandade por parte do PSD que viu o seu líder fundador morrer em tão trágicas e prematuras circunstâncias.

Com a fragmentação da Direita nos últimos anos, donde emergiu o Chega e a Iniciativa Liberal, Sá Carneiro passou a ser uma espécie de santo conveniente, sendo invocado por tudo e por todos, de acordo com as conveniências de circunstância, as ambições de cada um. Todos querem ter na sua posse, uma imaterial relíquia de Sá Carneiro, legitimadora para o que dizem, defendem, propagandeiam, em exibição pública perante os fiéis. Não sendo um dente, um fio de cabelo, um sudário ou um pedaço de roupa, as relíquias são frases e, mais do que isso, certezas legitimadoras de que, se Sá Carneiro fosse vivo, ele pensaria da mesma forma, agiria do mesmo modo, e estaria ao lado de quem o invoca. [Read more…]

Pedro Frazão apoia 1143

Perfil do deputedo no Threads em 24/01/2026

O CHefe continua sem se demarcar do esgoto neonazi que é a seita 1143. Bárbara Reis desmonta com mestria a “entrevista” onde Ventura não vai além de meias palavras e mentiras.

A verdade é que a ligação é inequívoca e um não se distingue do outro. Cobardes como são, escondem-se fazendo de conta que não mas agindo como sim.

O valor do silêncio

Primeiro vieram buscar os socialistas, e eu fiquei calado — porque não era socialista.

Então, vieram buscar os sindicalistas, e eu fiquei calado — porque não era sindicalista.

Em seguida, vieram buscar os judeus, e eu fiquei calado — porque não era judeu.

Foi então que vieram buscar-me, e já não havia mais ninguém para me defender.”

(Martin Niemöller)

Foi após o 25 de Abril de 1974, que se consagrou o direito ao silêncio, como um dos maiores expoentes da Democracia. Pois que o silêncio deixou de ser uma arma de opressão e repressão, e passou a ser uma garantia de que ninguém poderia ser prejudicado por não falar. Passou a ser um direito, tanto mais para não se auto-incriminar. Até porque falar ou não, é um direito pessoal, manifestação de livre vontade do indivíduo.

Isto, após o regime do Estado Novo de Salazar, em que se impunha o silêncio a quem pretendia se expressar de forma contrária ao que o regime ditava como certo ou errado. E impunha-se pela força, fosse por espancamento ou mesmo morte. Impunha-se até em julgamentos nos tribunais plenários, com espancamentos diante dos olhos de magistrados em pleno julgamento.

Sim: o Estado Novo de Salazar matou gente. Matou a tiro, por tortura, por degredo. E castrou o pensamento livre, calando com censura, garantindo-se com eleições forjadas, matando opositores, prendendo a crítica, tudo sob a batuta do medo. E no mais terrífico silêncio imposto.

O objectivo do silenciamento foi sempre um só: permitir ao Estado Novo, a manutenção do status quo das ditas elites, garantindo a submissão dos demais.

A Democracia, por seu turno, permite o debate de ideias, expressão livre do voto em eleições sem fraudes, e até mesmo, que aqueles que não comunguem dos ideais da Democracia, defendam teses autocráticas.

Porque a Liberdade, enquanto valor estruturante de qualquer Democracia digna de tal nome, permite isso mesmo: que se fale, que se expresse, que se verbalize. Pois que na Democracia, respeita-se o silêncio. Não se impõe. [Read more…]

V-E-R-G-O-N-H-A

Então, Ventura, já há expulsões ou não?

Imagem: PÚBLICO

Rita Castro, João Peixoto, Rui Roque, André Caeiro. “O PÚBLICO pediu uma reacção ao Chega, mas ainda aguarda resposta.” Talvez o sr. Ventura se digne abrir a boca numa das muitas ocasiões que as televisões lhe venham a dar – esta semana já vai em três entrevistas. Segunda-feira, RTP; Terça-feira, CMTV; Quarta-feira, RTP novamente. A palhaçada não se faz sem palco, é preciso não esquecer.

Quem não quer ser Ventura que não lhe vista a pele

João Cotrim de Figueiredo apareceu no panorama político nacional como uma frescura. Um ar que nos dá. Uma brisa que passa. Tal como o partido em que milita.

“O primeiro partido liberal português”, o que em parte pode ter um fundo de razão, é também uma hipérbole porque do PS ao Chega todos eles, de uma forma ou outra, integram o liberalismo nas suas hostes (seja social ou económico). No entanto, passados meses e anos, aquele que parecia, afinal um partido verdadeiramente liberal transformou-se noutra coisa qualquer que pouco tem a ver com o liberalismo clássico que as ideias iluministas nos trouxeram.

O crescimento da IL, que estagnou, fez-se também a reboque do crescimento do Chega. Se o Chega crescia doze, a IL crescia cinco. Sustentado num discurso radical e, em boa medida, também ele populista, a IL atraiu jovens, empresários e gente da elite económica do país, que ali via um espaço da direita neo-liberal mais assumida. E João Cotrim de Figueiredo foi o seu primeiro líder.

Durante anos, defendi a tese de que Cotrim era dos únicos, dentro da IL, com algum bom senso para não defender ideias libertárias que aproximavam a IL de uma nova extrema-direita que surgia e se colava aos movimentos MAGA nos EUA ou que deu o poder a Javier Milei na Argentina. Enganei-me redondamente. Há uns anos, João Fernando teve uma tirada absurda no Parlamento: enquanto se discutia o racismo e a xenofobia na sociedade portuguesa, o então líder da IL, do alto da sua sapiência, comparou o racismo ao desdém que alguns mostram pela elite financeira. Dizia ele que: “Se substituirmos as palavras ‘negro’ ou ‘cigano’ (…) por investidor privado ou investidor bolsista é arrepiantemente próximo da discriminação e do ódio que aqui (…) queremos condenar”. Ri-me, achei atrevido, mas deixei passar. [Read more…]

Pedófilos em barda

E analfabetos também

É assim que se dá votos ao Ventura

Os vários venturólogos têm explicado de que maneira é que se alimenta André Ventura, o que quer dizer que todos sabem como é que Ventura teria sido impedido de ter alcançado o sucesso que alcançou até agora.

Há, parece-me, um aspecto comum a todas as facções da venturologia: o sucesso de Ventura deve-se sobretudo ou exclusivamente aos erros dos adversários, porque mandam calar, porque mandam falar, porque falam, porque calam, porque provocam, porque não perguntam.

Recentemente, Miguel Morgado, um dos mais conhecidos venturólogos, declarou que José Alberto Carvalho provocou André Ventura, quando, no início do debate com Catarina Martins, lhe pediu que comentasse a notícia do possível envolvimento de agentes da autoridade na exploração de migrantes, acrescentando que isso favorece André Ventura.

Parece-me, no entanto, que Ventura está sempre favorecido, devido a um fascínio generalizado por forcados amadores que gritam por touros imaginários, os mesmos que, aliás, apagam fogos imaginários. O sucesso dos populistas está nos populares.

Salazar é o maior bandido da História de Portugal

O populista-mor da actual república e entrevistado semanal das televisões portuguesas afirmou que são precisos, não um, mas três Salazares para combater a «corrupção», a «impunidade» e a «bandidagem» do país.

Faz parte do manual do populista propagar a ideia de que há caos, as papas e os bolos com que se deixam enganar os tolos.

O Salazar elogiado pelo autoproclamado combatente da corrupção e da bandidagem governou Portugal durante 36 anos e 82 dias, entre 1932 e 1968, até bater tardiamente com a cabeça.

Durante o seu governo, distribuiu cunhas e favores, criou e alimentou uma polícia política, contribuiu para a miséria geral de um país descalço, colaborou com pedófilos, atirou o país para uma guerra colonial que tirou vidas mesmo a quem não morreu nela, falsificou eleições, alguém que foi, enfim, um mafioso que mandou num país (governar um país é outra coisa). Portugal foi roubado e torturado durante quase trinta anos por um bandido chamado Salazar – não há nenhum bandido que tenha actuado durante tanto tempo, com a vantagem de mandar na polícia.

Quando alguém vê nesta figura sinistra virtudes de governante não merece consideração, como não merece consideração quem vota nele. É gente que gosta de bandidos no poder, mesmo que não tenha consciência disso. É realmente importante combater esta bandidagem.

Jane Goodall e André Ventura

Podemos escolher várias palavras e expressões para designar a morte de alguém. Podemos dizer que morreu, que foi para o outro mundo, que dorme o sono eterno, podemos dizer que nos deixou. Jane Goodall deixou-nos.

Quando morre alguém que deu exemplo de tanta generosidade e dedicação, que olhou para diferentes como semelhantes ou para semelhantes como iguais, ficamos abandonados à sorte de uma humanidade que continua a revelar-se animalesca, verificando-se, nos últimos tempos, uma  revalorização do ódio, uma perseguição do outro, a obsessão da identidade nacional como desculpa para a agressão.

Jane Goodall deixou-nos sozinhos diante de uma multidão que vive maravilhada com símios que descobriram que mostrar constantemente os caninos dá votos.

Chamar xenófobo e racista a um xenófobo e racista é um insulto?

Segundo parece houve, recentemente, até na direita democrática,

(temos de acreditar na possibilidade de que há uma direita democrática)

um certo regozijo porque André Ventura terá arrasado Filipe Costa Santos numa entrevista conjunta na CNN.

Na realidade, André Ventura fugiu a duas perguntas incómodas, limitando-se a criticar o comentador, tendo este considerado que o líder do Chega é xenófobo e racista. Ventura, especialista em demagogia, considerou que essas duas classificações constituem insultos ao partido e aos eleitores do partido.

Vamos por partes.

  1. Se se considerar que alguém é racista e xenófobo, não há eufemismo que lhe valha.
  2. “Racista” e “xenófobo” poderão ser usados como insultos, mas apenas no caso de os visados não serem racistas nem xenófobos.
  3. O facto de o Chega ser o segundo maior partido não serve para provar que não é xenófobo nem racista.
  4. O mesmo facto referido no ponto anterior pode levar-nos a pensar na possibilidade de que, em Portugal, há, pelo menos, um milhão e meio de xenófobos e de racistas.
  5. O Chega, os seus militantes e os seus eleitores poderão, se quiserem, tentar provar que não são racistas nem xenófobos.
  6. Também poderão não querer provar nada disso ou o contrário ou poderão, em muitos casos, querer confirmar que são isso tudo, porque os portugueses e o sangue e a história e as naus e o cristianismo.
  7. Ventura, no debate, limitou-se, repita-se, a não responder a duas perguntas e a fazer barulho, algo que lhe trouxe muita popularidade e muitos votos. É, portanto, natural, que os seus eleitores e outros nas proximidades tenham gostado do seu desempenho.

Bugalho confirma: PSD aliou-se ao Chega

«Não foi o PSD que preferiu aliar-se ao Chega…»

Como inventar percepções

Chega aproveitou ranking manipulável para prometer limpar ‘gueto de Lisboa’.

A invenção da grande vaga de crimes

Todos já incorremos no disparate de confundir uma experiência pessoal com um dado sociológico alargado. É o “Isto só a mim!” ou o “Este país é uma vergonha!” decorrentes de termos sido vítimas de um carteirista.

Em conversa de café mais ou menos alcoolizada, podemos chegar a defender a pena de morte, a tortura ou a condenação a ver jogos do Futebol Clube do Porto da última época no caso de o criminoso ser portista. Depois, o processo civilizacional a que vamos sendo sujeitos faz efeito e passa-nos.

O populista que chega ao poder (executivo, legislativo ou outro) é um bêbedo numa tasca que tem solução preferencialmente violenta para tudo. Para isso, conta com a ajuda das redes sociais necessariamente desreguladas e com uma comunicação social reduzida tantas vezes a caixa de ressonância.

André Ventura e o seu agente Luís Montenegro alimentam-se de uma insegurança que apregoam, com a ajuda das manchetes que eles próprios geram: o  crime, a insegurança, as violações, os “nossos” valores, a imigração, a nacionalidade.

Note-se: é preciso que haja muita gente crédula e ignorante para engolir falsas percepções. Sim, sim, podemos dizer mal dos eleitores. Podemos, podemos.

A imagem é da primeira página do Diário de Notícias de hoje. A notícia é esta.

O Preço dos Ovos vai baixar

Ontem, só entre a porta do meu laboratório e a casa de banho apanhei 30 m2 de burcas (ai não, eram 70m2). Já não se pode, é burcas a sair pelas fichas da eletricidade, uma praga. Esta medida do Chega é muito boa porque vai baixar o preço dos ovos, da habitação e diminuir as filas de espera nos hospitais, vai ser espetacular.
Mas acho que o Chega não foi suficientemente corajoso. Eu proibiria a construção de iglus nos areais das nossas praias, mandaria prender todos os esquimós e expulsá-los para a terra deles. Aí é que daríamos um salto no índice de desenvolvimento que até os cangurus (a proibir também) ficariam com os olhos em bico.

Manual de combate ao Chega

Seguem-se as cinco maneiras mais eficazes de combater o crescimento da extrema-direita testadas em Portugal e no mundo:
1. Realizar reportagens semanais sobre o mundo obscuro e as formas de financiamento da extrema-direita. Tem resultado bastante bem. A sociedade adere em massa e as tendências de voto diminuem no momento.
2. Acompanhar ao minuto cada incidente que acontece com candidatos destes partidos, principalmente se envolver saúde e idas ao hospital. De preferência, seguir ambulâncias até à porta do hospital e propagar imagens da vítima ferida. É apenas informação, é útil para o debate e não se trata de qualquer manobra para ser assunto dias a fio.
3. Sempre que um político de extrema-direita tem um relacionamento amoroso ou de amizade com uma pessoa estrangeira, apontar a incoerência e partilhar por todos os meios possíveis. É outra técnica que tem destruído totalmente os argumentos anti-imigração (é verdade que o que falam é de imigração descontrolada e isso vai ao encontro do sentimento da população, mas agora não interessa).

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É preciso confrontar André Ventura com isto

Foto: André Ventura à porta da tomada de posse de Trump/TSF

A liderança do CH festejou a eleição de Donald Trump.

Festejou e, por outras palavras, disse ao país: é isto que defendemos para Portugal.

Grande parte dos seus dirigentes e eleitos usa as redes sociais para elogiar cada ordem executiva assinada pelo novo presidente. André Ventura foi mesmo a Washington, prestar tributo à sua referência ideológica, mas ficou à porta da tomada de posse, como podemos ver na foto que acompanha este texto, porque não tem estatuto para entrar na festa dos oligarcas. Só para os servir.

Compreende-se o encanto. Trump é um farol e uma inspiração para a extrema-direita europeia.

O problema é que os nossos piores receios sobre a segunda vinda de Trump estão a confirmar-se de forma rápida e avassaladora.

As tarifas, as ameaças à soberania de aliados europeus, a tentativa hostil de condicionar a União Europeia, a morte anunciada da NATO, o ataque à Ucrânia e a Zelenskyy (que Trump apelidou de ditador não-eleito e humilhou na Sala Oval, o que contrasta com a simpatia e amabilidade que usa para falar de Putin e de outros tiranos como Kim Jong-un e Xi Jinping, que Trump sempre recusa apelidar de ditadores), o apoio aos neo-nazis da AfD, o desmantelamento em curso das instituições americanas e os milhares de milhões em alívios fiscais aos bilionários, enquanto preço dos medicamentos e das mercearias sobe de forma muito acentuada para os mais necessitados, a corrupção sem vergonha, enfim, todo um programa que era já expectável, e que, em larga medida, entra em choque com muito do que Ventura apregoa, sendo certo que o líder do CH é capaz de afirmar tudo e o seu contrário, consoante o seu interesse, que objectivamente não é o português: é o de André Ventura.

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O que separa a IL do Chega?

Números, apenas números.

 

A pele

O cargo de Presidente da Assembleia da República, é o segundo mais importante da hierarquia do Estado, ficando abaixo do de Presidente da República, e acima do de Primeiro-Ministro. É, pois, a segunda figura do Estado Português.

Exercer tal cargo, torna-se uma segunda pele que não pode ser esquecida ou sequer sujeita a horários. E numa qualquer ocorrência da dinâmica social, é sempre a pele institucional que deve prevalecer.

A ética republicana, demanda que a prevalência das responsabilidades de exercício e discurso de um cargo de Estado, prevalece sobre qualquer outro.

Não se trata de algo exclusivo da política, existindo diversas regras éticas de conduta, sejam republicanas, sejam profissionais, sejam meramente sociais, que fazem parte indissociável, em cada situação, de quem a elas está sujeito. É um preço a pagar não só pelo serviço prestado à comunidade enquanto sentido de serviço público, como, também, no caso do exercício de cargos políticos – mormente o de segunda figura do Estado -, por ficar associado à história do país, algo que é reservado a uma elite.

Significa, isso, que um Presidente da Assembleia da República não pode actuar como se de um vulgar cidadão se tratasse. Como se de um militante partidário se tratasse. Pois que o poder em que é investido, o estatuto na sociedade, as responsabilidades e os privilégios de Estado que lhe são conferidos, exigem uma conduta de probidade, zelo, diligência e de especial dever de reserva.

Esteve, por isso, muito mal José Pedro Aguiar-Branco, Presidente da Assembleia da República, ao afirmar no Conselho Nacional do PSD, que Pedro Nuno Santos fez “pior à democracia em seis dias do que André Ventura em seis anos”. [Read more…]

A minha hipocrisia é melhor do que a tua

Poucas horas depois de Luís Montenegro tornar pública a sua disponibilidade para apresentar uma moção de confiança no Parlamento, o PCP veio a correr anunciar uma moção de censura.

Isto, poucos dias depois de ter classificado a recente moção de censura apresentada pelo Chega, como uma manobra de diversão face aos escândalos em catadupa de roubos, pedofilia, etc.

Acontece que a moção de censura agora enunciada pelo PCP, só serve ao PCP.

A queda do PCP junto do eleitorado, é por demais evidente nas últimas eleições – legislativas e europeias. Não é à toa que a palavra de ordem é resistir, e não crescer.

E se o PCP afirma, a cada eleição, que tem a “força que o povo lhe confere”, a recorrente justificação para não conseguir que lhe seja dada mais força, é o discurso Calimero de vítima de “hostilidade” e de “menorização”, a que o PCP se diz sujeito: “C´est vraimente trop injuste!” [Read more…]

Quem é Sofia Afonso Ferreira?: Jogo de Espelhos (ACTUALIZADO)

Nos últimos dias, ganhou contornos de romance policial uma suposta ligação do Bloco de Esquerda a empresas do Paquistão relacionadas com serviços de emigração. Tudo isto porque, como se pode constatar pelo Google Maps/Earth ou outro, o Bloco de Esquerda partilha o nº268 da Rua da Palma, onde se situa a sua sede, com algumas lojas que estão no tal beco (ou pátio, o que é indiferente), assim como com habitações.

Tal não teria mistério. Como surgiu, então, a tal ligação? A obreira de tal chama-se Sofia Afonso Ferreira. E quem é Sofia Afonso Ferreira? Poucos são os que sabem.

Curta biografia de Sofia Afonso Ferreira no jornal israelita Times of Israel.

Escalpelizando. Segundo o que é público, Sofia escreve para o jornal israelita, propriedade de um judeu do Reino Unido e de um oligarca norte-americano, Times of Israel. Por lá, apresenta-se como “jornalista” e “consultora de comunicação”. Quanto ao seu trabalho como jornalista, não conseguiu o Aventar encontrar provas de tal actividade. Apenas encontrámos artigos de opinião publicados no Times of Israel, nada mais. Quanto ao trabalho de consultoria, também não foi possível apurar em que âmbito já prestou serviços do género. No entanto, no mesmo site, apresenta-se, também, como “política”. O trabalho de Sofia como servidora da causa pública, esse, é mais fácil de expor e deixar à consideração.

Sofia Afonso Ferreira e um jogo de espelhos.

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Um ladrão, um bêbedo e um pedófilo entram num partido

Uma morte resultante de um crime é uma morte que não deveria ter acontecido. Quando, em Dezembro, houve um homicídio no Palácio do Gelo, em Viseu, André Ventura transformou uma morte que não deveria ter acontecido numa «onda de violência».

Calculo que a língua portuguesa, em casa do presidente do Chega, seja usada de maneira diferente. Quando se entorna um líquido, fala-se em inundação; quando batem à porta, chama-se a unidade de minas e armadilhas; os cinco minutos que dura acto sexual começam à sexta à noite e só terminam na segunda de manhã, havendo necessidade de chamar o 112 para acudir à esposa venturosa, que fica alegadamente incapacitada de reunir os joelhos.

O que têm, entretanto, em comum o homicida e André Ventura? A falta de decência. O primeiro usou uma arma para dar vazão à animalidade que o levou a matar um semelhante ; o segundo usou uma morte para atiçar a animalidade grupal.

Acontece que os moralistas, especialmente se marialvas, são peixes que morrem pela boca. Se um homicídio em Viseu faz parte de uma onda, o que diria Ventura de outro partido em que se descobrisse um ladrão de malas, um homem a conduzir com falta de sangue no álcool e um outro a quem aconteceram um ou mais actos de pedofilia? Tsunami, maremoto, ciclone, apocalipse, o Juízo Final?

Títulos internacionais

Lembra o El País.

O Chega já tem mais títulos internacionais do que o Benfica nos últimos 50 anos.

Isto não se inventa

Dá-me um especial gozo ver o argumentário de defesa a favor do Arruda, pela voz do chefe do Chega dos Açores.

Essa de tese de levar malas por engano, possibilita que nos telejornais possamos ouvir vezes sem conta a expressão “Uma mala por engano“.

PS já Chega?

O presidente da câmara de Loures, Ricardo Leão, defendeu «despejo “o despejo “sem dó nem piedade” de inquilinos de habitações municipais que tenham participado nos distúrbios que têm ocorrido na Área Metropolitana de Lisboa

Estes ataques de justiceirismo são típicos de vários tipos de ébrios. Pode acontecer numa conversa entre amigos que beberam um bocado de mais e dão por eles a explicar como é que se resolviam sumariamente os problemas dos incêndios, com propostas que incluem atar os pirómanos a uma árvore durante o incêndio que atearam. Também temos os partidários do Chega, ébrios de grunhice, parecendo que têm como alvo os bêbedos com solução alcoolizada para tudo.

O presidente da câmara de Loures é do PS, mas parece ter ficado intoxicado com algo que o levou a ter um ataque de chganismo. No fundo, para esta gente, os tribunais, as leis e a decência são coisas que atrapalham. É o marialvismo do “havia de ser comigo” ou do “isto era preciso era um Salazar”.

Petição Pública: Ação de cidadãos – Queixa-crime contra André Ventura e Pedro Pinto

ASSINAR PETIÇÃO


“Os cidadãos abaixo-assinados vêm apresentar:

Adriana Cardoso, André Escoval, António Garcia Pereira, Anabela Mota Ribeiro, Ana Gomes, Ana Félix Ribeiro, Ana Pereira Rodrigues, Alina Pinto Seixas, Ana Coelho dos Santos, Anizabela Amaral, Ana Sacau Fontenla, Ana Profeta Alves, Ana Montes Palma, Ana Milhais e Sousa, Ana Boeyen Suspiro, Ainhoa Vidal Beunza, Ariana Furtado Neves Júnior, Artur Augusto Sá da Costa, Álvaro Garcia de Vasconcelos, Alexandre Sérgio Mano, Beatriz Campos de Nóbrega, Bernardo Marques Vidal, Bruno Victoria de faria Braz, Blessing Lumueno, Bruno Ferreira, Brito Guterres, Catarina Marcelino, Catarina Silva, Carmen Granja, Carla Castelo, Capicua, Cláudia Semedo, Carla Martínez Beunza, Carla Veríssimo Sanches, Carlão, Catarina Soares Barbosa, Cláudia Varejão, Cristina do Nascimento Milagre, Cristina Eugênia Bighetti, Célia Costa, Cristina Maria Sá Pinto, Cristina Roldão, Cláudia Semedo, Cláudia Orvalho da Silva Castelo, Claudia Correia Macedo, Claudia Correia Mendes, Cláudia Nogueira Vantacich, Célia Gonçalves Pires, César Mendonça Figueiredo, Cléo Diára, Daniel Oliveira, Eva Rap Diva, Francisca Van Dunem, Francisco Geraldes, Faranaz Keshavjee, Filipe Espinha, Filipe Santos Costa, Gisela Casimiro, Gonçalo Ribeiro Telles, Hélio Morais, Helena Coelho, Hugo Van der Ding, Inês Melo Sampaio, Inês Afonso Costa, Joana Gomes Cardoso, João Maria Jonet, João Costa, João Miranda, João Oliveira, João Moreira da Silva, José Eduardo Agualusa, Joacine Katar Moreira, Júlia Machado Garraio, Juliana Pacheco Oliveira, Luísa Semedo, Luís Monteiro, Leonor Rosas, Maria Castello Branco, Mamadou Ba, Maria Escaja, Maria Fátima Cunha Almeida, Mafalda Anjos, Mariana isabel Gomes Luís, Maria Emilia Prado, Maria Teresa Santos Ferreira de Castro Laranjeiro, Miguel Prata Roque, Miguel Sousa Tavares, Miguel Baumgartner, Myriam Taylor, Nuno Markl, Paula Cardoso, Paulo Furtado, Pilar del Rio, Pedro Marques Lopes, Pedro Alpuim, Pedro Tavares, Pedro Vieira, Pedro Coelho dos Santos, Pedro Rei, Pedro Ramos, Priscila Valadão, Prof. Fernando Gomes da Silva, Porfírio Silva, Rita Ferro Rodrigues, Rita Costa, Ricardo Sá Fernandes, Rosa Monteiro, Romualda Fernandes, Rui Martinho Soares Barbosa, Renato Janine Ribeiro, Sara Amâncio, Selma Uamusse Gomes, Sérgio Godinho, Siyabulela Mandela, Sheila Khan, Telma Tavares, Teresa Pizarro Beleza, Teresa Carvalho Amorim, Tiago Mota Saraiva, Maria Manuela da Costa Granja, Mariana isabel Gomes Luís, Manuel Joaquim da Silva Pinto, Vasco Mendonça, Vanda Alves Monteiro, Vânia Tavares Andrade, Welket Bungué, Vhils, Vitorino, Vicente Valentim, Wandson Lisboa, Xavier Viana de Oliveira Rafael.

PARTICIPAÇÃO CRIMINAL

Pelos crimes de:

INSTIGAÇÃO À PRÁTICA DE CRIME
(p.p. artigo 297.º do Código Penal)

APOLOGIA DA PRÁTICA DE CRIME
(p.p. artigo 298.º do Código Penal)

INCITAMENTO À DESOBEDIÊNCIA COLETIVA
(p.p. artigo 330.º do Código Penal) [Read more…]

A ilusão da identidade nacional

A extrema-direita gosta muito de falar de uma coisa a que chama “identidade nacional”, porque acreditam, uns, ou fingem acreditar, outros, que há uma definição muito simples para isso.

Para essa gentinha, os portugueses são muito católicos, descendem todos directamente dos que assinaram o tratado de Zamora e têm sangue de cristãos que bateram nos mouros entre 1147 e 1249, quando conseguimos expulsar heroicamente a mourama, atirando-a ao mar. Os bravos descendentes desses mesmos portugueses fizeram-se aos oceanos e deram novos mundo ao mundo, espalhando desinteressadamente, e para ilustração dos selvagens, a cultura e a Fé.

A História deu as suas voltas, mas, para a gentinha, a identidade ficou esculpida no granito do tempo, ao ponto de ser facílimo identificar um verdadeiro português ao fim de um curto questionário. Há um nós que não se confunde com os outros. Identidade, aliás, vem de idem, o mesmo – o outro é alter, Deus nos livre de tal coisa, especialmente de for o Deus de Ourique, porque não há outro melhor.

A identidade é algo que só se pode descobrir na sua absoluta incompletude, tal como uma fotografia nunca será mais do que um momento de uma pessoa e, mesmo assim, um momento incompleto, porque nunca está ali a pessoa toda, porque a pessoa é um contínuo cheio de descontinuidades. Só um tolo ou um desonesto poderá cair no simplismo bacoco e na consequente arrogância de explicar o que é isso da identidade nacional. [Read more…]

O Deus de Frazão

Pedro dos Santos Frazão, deputado do Chega, escreveu no X aquilo que podemos ler na imagem mais abaixo. Segundo Pedro, que conhece bem a divindade – ou não se atreveria a escrever o que escreveu –, foi a mão de Deus que protegeu Donald Trump do caminho das balas.

Não sei quantas mãos tem o Deus de Frazão, mas, se forem duas, ainda ficou com uma desocupada. Talvez por já ter uma provecta idade, tal como Biden, o Deus de Frazão não conseguiu evitar a morte do pai que protegeu a mulher e a filha no mesmo comício em que Trump foi alvejado. Era muita coisa para fazer ao mesmo tempo e o velhinho de barbas brancas (Frazão deve ter um retrato em casa) teve de escolher. Ou então, assim como tem planos maiores para Trump, o Deus de Frazão tinha planos menores para Corey Comperatore. Também há a possibilidade de o Deus de Frazão não ter tido tempo para pensar em planos para o morto, abandonando-o à sua sorte, enquanto, no último segundo, desviou a cabeça de Trump. Fico, ainda, a saber que o Deus de Frazão não teve tempo ou planos para todas as crianças mortas em tiroteios nas escolas americanas. [Read more…]

Escutas

Era uma vez um primeiro-ministro muito fraquinho a que chamavam socialista e que ficou muito aborrecido por ter conseguido uma maioria absoluta, quando estava desejoso de ir para a Europa, essa região distante de Portugal, não em quilómetros mas em euros.

Era uma vez um presidente da República que vivia obcecado com a popularidade, tão carregado de opiniões, que se tornou incontinente, desejoso de estar dos dois lados da política, comentador-político ou político-comentador. Este mesmo presidente da República tinha sido constitucionalista e declarou, apesar disso, que a demissão do primeiro-ministro implicaria a queda do governo, com base num argumento próprio de um comentador e impróprio de um constitucionalista.

Era uma vez uma investigação inconsistente que deu ao primeiro-ministro a oportunidade de se demitir em direcção à Europa, demissão aproveitada pelo presidente que deu ouvidos ao comentador e ignorou completamente o constitucionalista, que uma pessoa não é obrigada a ouvir as vozes todas que tem dentro de si.

Pelo meio, um antigo ministro, que já tinha procurado emprego como comentador, voltou muito depressa à política para ser primeiro-ministro e acabou na oposição e um antigo chefe parlamentar que estava na oposição chegou a primeiro-ministro.

No ano em que o 25 de Abril comemora cinquenta anos, cinquenta amantes do 24 de Abril chafurdam na Assembleia da República.

Continuemos à escuta.

Incoerências

O processo alongou-se porque foi muito difícil perceber, de entre as pessoas com “um discurso não coerente” presentes na sede, qual o bombista e quais os dirigentes do partido.