Sou contra a total autonomia das escolas, sou sim senhor

Parece que uma charlatanice qualquer é praticada numa escola onde se deveria ensinar ciência. Não me espanta. Primeiro porque com a actual lei de gestão privatizadora é fácil o unanimismo, todos os que pertencem aos órgãos da escola fazem parte da equipa do chefe, o líder, o iluminado, mesmo tratando-se como neste caso de alguém com os fusíveis estragados. E depois porque, naturalmente e como em todas as profissões, há professores ignorantes, que acreditam em astrologia ou decifram o seu futuro num tarot qualquer.

Embora o conceito de gestão de liderança aumente os riscos, e muito, tal já sucedia antes, diga-se em abono da verdade, razão pela qual as escolas têm de ter limites na sua autonomia, científica e pedagógica. Todas as escolas, incluindo as privadas onde de resto outras charlatanices, nomeadamente religiosas, são praticadas. Templo sim, mas do saber.

A propósito deste assunto o José Manuel Fernandes está mais preocupado com o “que se ensina em muitas aulas de História” e eu compreendo-o. Se o obrigassem a repetir o 9º ano teria fortes probabilidades de alcançar a repetência. A ciência não se compadece com as vigarices que debita todos os dias e que a sua tolerância perante este caso é flagrante exemplo.

Concursos de Professores… Vai devagar

que NÓS temos pressa!

Ainda a Gestão das Escolas II – os TERA – agrupamentos

A gestão das escolas continua em cima da mesa porque o Governo se prepara para alterar (ou não!) a Legislação que a regula. No Clube de Matemática, Matias Alves declara algo que subscrevo integralmente:

“o movimento de agregação de escolas é uma má decisão política – é um erro crasso – que vai trazer graves problemas à organização do ensino e às aprendizagens dos alunos”

E o erro fundamental está na dimensão que se está a dar aos MEGA-Agrupamentos de Escola. Correcção: não são mega, são Giga, ou antes TERA – Agrupamentos. Ironicamente a palavra TERA, aqui usada como prefixo, significa monstro!

Para os menos atentos, lembro que o Ministério da Educação, antes alojado na 5 de Outubro, algures ali pela capital, tinha regionalmente, direcções agora num processo de extinção.

Ora, o que pretende fazer o Governo? [Read more…]

Ainda a gestão das escolas

O Miguel deve estar satisfeito porque encontra sempre alguém pronto a dar uso à caneta. Depois dos concursos, cá está outra vez um acordo entre o MEC e algumas organizações que insistem em se definirem como sindicatos.

De significativo, não acontece nada – a gestão das escolas continua uma barbaridade e os sindicatos do PSD cumprem o seu papel de muletas do sistema laranja que nos dirige.

De acordo com o portal do governo, podemos conhecer algumas das conclusões:

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Concurso de Professores: Efectivos e contratados, resultados diferentes

O tempo vai passando e a troca de argumentos continua, mas a questão central é a mesma: o acordo assinado entre alguns sindicatos, pouco representativos e o MEC é um bom acordo?

Depois de ter feito uma análise ponto a ponto, é hora de ver o documento de forma mais ampla.

Para os docentes do quadro, o acordo é quase inócuo. Clarifica a questão dos horários zero e isso é muito positivo. Tudo o resto é pouco ou nada importante.

Para os professores contratados o documento é muito mau!

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Concursos de professores – aí está a segunda proposta do MEC

Para mais tarde fica uma análise. Por agora o dito cujo.

Autonomia e gestão das escolas: é como o Pai Natal!

O Ministério da Educação e Ciência apresentou há uns dias um documento de princípios sobre a gestão das Escolas. E na última semana entregou aos sindicatos uma proposta de Lei para alterar o Regime de Autonomia e Gestão das Escolas.

Vamos então ao debate!

Manuela Mendonça, FENPROF

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O fim do IRS ou a síndrome do utilizador-pagador

Muitas pessoas e, até, alguns funcionários públicos, pagam os seus impostos, sobretudo porque não têm outra hipótese. Num país civilizado, esses impostos seriam escrupulosamente geridos pelas pessoas que, graças ao voto, foram escolhidas para decidir como se gasta o dinheiro que é de todos. É claro que uma expressão como “escrupulosamente geridos” deveria ser um pleonasmo; em Portugal, é uma piada, porque o advérbio implica honestidade e o adjectivo competência, palavras que não combinam com políticos.

Nos últimos anos, aos impostos que pagamos para termos – e ajudarmos a ter – acesso a uma série de serviços e de direitos juntaram-se pagamentos adicionais para termos acesso a esses mesmos serviços e direitos. É a síndrome do utilizador-pagador, o argumento usado para defender, por exemplo, que só deve pagar as SCUTs quem nelas circula, como se o melhoramento das estradas fosse uma questão que só interessasse aos que nelas circulam e não um problema da nação. Ainda a propósito das SCUTs, e como somos um país em que uma grande maioria dos cidadãos se caracteriza por uma enorme ingenuidade, continuamos sem perceber que, graças a contratos que beneficiam as concessionárias, as portagens não são suficientes para satisfazer os compromissos assinados, pelo que todos, utilizadores ou não, continuaremos a ser pagadores. [Read more…]

Comunicações sim, aquecimento não

Isabel Gonçalves

E os comunas dão injecções atrás da orelha aos velhinhos

Ramiro Marques, tanto quanto sei, é professor na Escola Superior de Educação de Santarém. Durante os governos de Sócrates, usou o seu blogue para atacar duramente as políticas educativas de Maria de Lurdes Rodrigues e de Isabel Alçada e fez-se fotografar sorridente nas várias manifestações dos professores. Apesar de não gostar da sua escrita, a fazer lembrar o simplismo de José António Saraiva nos editoriais do Expresso, a verdade é que dei por mim, várias vezes, a coincidir com algumas das suas posições, ou não parecêssemos estar do mesmo lado da barricada, a favor de um ensino de qualidade e do respeito pela profissão docente.

É certo que o simplismo – ia a dizer, a infantilidade – de Ramiro Marques levava-o, por vezes, a deixar escapar afirmações sectárias em que confundia incompetência ou má-fé com socialismo ou com esquerda, duas coisas com que o Partido Socialista nada teve a ver. Pelo caminho, lá ia defendendo, sempre de modo muito básico, os ideais americanóides da livre escolha e da concorrência entre escolas e outras panaceias paraneoliberais que resolveriam todos os problemas da Educação em Portugal.

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Viva a crise

Parece que a mama se está a esgotar para a Microsoft: o governo decidiu poupar no software, optando por sistemas baseados em Linux nas escolas. Foi preciso uma crise económica internacional para o bom senso prevalecer.

Falamos do que se poupa em sistemas operativos, suites de escritório e antivirus, e depois se ganha em estabilidade e facilidade de instalação e actualização.

Nunca entendi como é possível uma escola utilizar produtos comerciais que pode trocar por sistemas abertos, gratuitos, e onde a cooperação entre os utilizadores é a regra.

Claro que isto vai ser o bom e o bonito. Em primeiro lugar porque, mal habituados, os professores temem o Linux. Depois porque as empresas de software (e hardware) educativo se vão queixar, não falando nas pequenas empresas que têm prestado serviços inúteis às escolas. Tudo treta: faz-se exactamente o mesmo num pc com software livre. Habituem-se, vão ver que não dói nada.

Governo promete que no próximo ano lectivo vai haver aulas

Segundo o Ionline o governo no próximo ano lectivo vai permitir que os pais escolham a escola básica para os seus filhos, assegurando a célebre liberdade de escolha.

Actualmente as matriculas funcionam de acordo com a residência familiar ou o local de trabalho dos encarregados de educação. Na prática escolhe-se a escola, tirando a maior parte do território nacional onde só há mesmo uma. Depois ou há vagas, ou não.

O que aqui se preconiza foi feito em França pelo governo daquele senhor que entretanto casou com a Carla Bruni. Nas zonas densamente povoadas, e com várias escolas, sucedeu o óbvio: escolas nas proximidades de bairros complicados ficaram às moscas, escolas mais centrais rebentaram pelas costuras. Resultado: as primeiras nalguns caos até melhoraram a qualidade do ensino prestado, porque reduziram o número de alunos por turma que é só o factor principal da qualidade de ensino em qualquer parte do universo, as segundas descarrilaram, sem serem comboios. No meio disto tudo a injustiça aumentou, diz quem lá vive.

Claro que a ideia é no ano lectivo seguinte ter tudo privatizado, mas para isso este governo tinha de lá chegar, coisa que não vai suceder nem a pé, nem de autocarro.

 

Há a possibilidade de ser tudo ao contrário do que pensamos

Depois de vários anos em que o Estado tem sido visto como um recurso ou como um trampolim e nunca como uma responsabilidade, chegou, finalmente, ao poder um grupo de pessoas que assumiu, de modo quase indisfarçado, a função de comissão liquidatária de um país. Para que as contas tivessem chegado ao ponto a que chegaram, foi necessário o contributo, por acção e por omissão, de muitos, ao longo de cerca de trinta anos, ao ponto de não ser difícil imaginar uma conspiração em que muitos privados poderosos terão conseguido, pacientemente, conduzir os negócios públicos, de modo a que possam, agora, apropriar-se deles sem sequer ser necessário gastar muito dinheiro, como se pode ver no caso BPN ou como se pode confirmar nas palavras de um primeiro-ministro que, em plena televisão, afirma que há empresas públicas que terão de ser vendidas nem que seja por um euro, o que configura uma posição negocial fortíssima.

Com um povo desinformado, intoxicado por uma comunicação social que serve para propagar o pensamento único da troika, já preexistente e agora transformado em religião, a tarefa da comissão liquidatária está facilitada. Basta ver como, nas entrevistas de rua e nos inúmeros programas que permitem a todos dar opiniões, todos reproduzem, sem pensar, frases como “gastámos acima das nossas possibilidades” e “a austeridade é necessária”, como se a austeridade alguma vez tivesse sido desnecessária. [Read more…]

Turmas CEF: O testemunho de um professor enxovalhado

Hoje sofri bullying dos alunos. Já participei tudo e vou queixar-me ao meu advogado e ao Estado português. Nem imaginam como me impressionou, logo a seguir à minha aula, ver um colega completamente desesperado com as lágrimas nos olhos, pois ele nem a chamada consegue fazer. O director tem de actuar forte e feio.
A mim, ao fim de mais de 20 anos de carreira, deram-me este mimo: «O professor é uma merda e vir às suas aulas é uma merda»… Arrotaram e deram pus… Colocaram phones, levaram bola, bateram nas carteiras e cantaram… não sei como me segurei. Algumas vezes, penso que vou fazer uma asneira e arrepender-me para o resto da vida… nem me conheço… fiquei calmo, calmo, mas duma calma doentia…
O meu advogado disse-me isto: se alguma vez eles lhe levantarem a mão para si, não responda. Saia e faça queixa, mas não se atire a eles… eu acho que me ia dando uma coisa hoje! Um vagabundo a dizer-me aquilo é surrealista…
Estou doido da cabeça – pior … Pela manhã, pela minha janela, outra turma… um tipo penso que tentou passar ou vender tabaco ou droga… Eu disse ao vagabundo «Senta-te já». Respondeu-me «Cale-se» e pediu dinheiro … para comprar lá fora.
O director esteve na sala, chamei-o, mas isto já não vai com directores… A certa altura, quando ele ia a sair, há um malcriadão que lhe diz, nem sei se ele se apercebeu ou fez de conta, «feche a porta por causa das correntes de ar»…
Perante isto não tenho mais nada a comentar, a dizer, simplesmente que não tenho saúde para isto. É uma relação de provocação contínua nos CEF’s [Cursos de Educação e Formação]. Impossível, a nossa profissão… esta não foi ensinada nem no estágio, nem na experiência, nem na faculdade… isto passa já para a secção de delinquência e psicologia.

(Enviado por um professor devidamente identificado que solicita o anonimato)

Programa de merchandising eleitoral Magalhães suspenso

No TEK:

Os alunos do primeiro ciclo do ensino básico não vão este ano poder inscrever-se para ter acesso ao programa e-escolinha e ao computador Magalhães.

Limito-me a reproduzir o que havia escrito há dois anos e meio:

1. O Magalhães não se destina a permitir que os alunos tenho acesso à informática. Para isso criavam-se centros de cálculo nas escolas, garantindo em simultâneo que as gerações seguintes também pudessem usar estes recursos (alguém acredita que a fonte dos Magalhães ainda jorrará depois das eleições?). O Magalhães destina-se a comprar votos, os dos pais dos miúdos que recebem em casa uma pechincha. Nada que Valentim Loureiro não tenha já feito com frigoríficos. [Read more…]

Sobreviver ao acordo ortográfico nas escolas

As primeiras vítimas do acordo ortográfico iniciaram a penitência por estes dias. Tinha de sobrar para os professores, o Paulo Guinote foi dos primeiros a sofrer o choque das letras desaparecidas.

O assunto já fez correr muita tecla no Aventar (ler a categoria acordo ortográfico) e a seu tempo deixei o meu nim: se a língua portuguesa deve ser unificada tanto quanto possível, que o seja a sério, e adivinho no horizonte uma reforma ortográfica. Além disso o vocabulário nacional foi feito por quem fala a norma dos gabinetes, cortando consoantes mudas que não o são, tipos em delírio pensando que a malta diz fato por facto, quando é um facto que quem nos ensina a falar também são as letras e não as etimologias que só vivem na cabeça da erudição mais bacoca. Pessoal ao nível do génio que colocou este ano os professores obrigados à imposição de uma norma quando a maior parte dos manuais ainda está na outra.

Ora isto tudo é muito giro, mas na vida real a dialéctica gajo da esquerda revolucionária mas muito conservador numa data de coisas ameaça-me com psico-avarias potencialmente graves. Salvação? viva a tecnologia: existe uma ferramenta, gratuita, para os três sistemas operativos, onde se mete um ficheiro na norma antiga e sai um novo na norma em que agora sou obrigado a escrever profissionalmente. Tenho testado, funciona e recomenda-se. Descarrega-a, e evite escrever nas duas ortografias, o que convida ao erro e à dupla personalidade,  para isso já temos dialécticas que nos cheguem na vida (por acaso o c da dialéctica é dos tais que não estão lá a fazer nada, mas o hábito também faz a escrita, e a idade não perdoa).

Corrigido por indicação de quem sabe. Ia jurar que já li fato por facto, algures num jornal qualquer, mas pelos vistos sobrou um bocadinho de bom senso.

O que é uma boa escola? – a iluminação de Manuel Queiroz

Manuel Queiroz, tal como muita opinião publicada, e a propósito da recente polémica das escolas com contrato de associação, resolveu explicar o que é uma boa escola, usando as duas doses do costume: pouca informação e muita generalização.

Depois de reconhecer que há boas escolas privadas e boas escolas estatais, afirma que “as escolas privadas dão mais segurança aos pais, têm normalmente um ambiente mais familiar e uma liderança mais clara que as públicas.” Ora, na realidade, a grande vantagem das privadas, em termos de segurança, está na possibilidade de seleccionar alunos, para além de poderem sempre convidar os casos problemáticos a sair, algo que as públicas terão muito mais dificuldade em conseguir, graças a um Estatuto do Aluno que serve, entre outras coisas, para ajudar a falsear as estatísticas de indisciplina e de abandono escolar.

Após a sensata afirmação de que há bons professores em ambos os sistemas, Manuel Queiroz descobre que a diferença está no “contexto”, passando a explicar: “E com isso deviam aprender as escolas estatais, que têm sempre melhores resultados quando têm lideranças fortes, claras e ambientes mais controlados. Mas na maioria delas um director que dá ordens é um fascista e criar condições para fazer coisas fora do horário é uma complicação e um atentado aos direitos, porque tudo – ou quase – tem de ser decidido a nível central, em Lisboa, às vezes sendo precisar decifrar instruções contraditórias do ministério.” [Read more…]

Quero uma escola só para os meus filhos, com um emblema do meu clube e que sirva bacalhau à Braz duas vezes por semana

Penso que será consensual afirmar que, numa determinada área geográfica, é justo que o Estado assegure a existência de espaço e tempo escolares suficientes para a população aí residente. A partir do momento em que isso esteja assegurado, com ou sem contratos de associação, por que razão deverá o dinheiro dos contribuintes servir para pagar mais espaços e tempos do que os necessários? Faria algum sentido abrir mais estações de correios ou mais centros de saúde do que os necessários? Do mesmo modo, não faz sentido o fecho indiscriminado de escolas ou o encerramento cego de centros de saúde, mas gastar mal dinheiro (a mais ou a menos) é um dos principais passatempos do Estado português.

Colide essa questão com a da tão apregoada liberdade de escolha? Por um lado, sim, sobretudo se estivermos a falar de uma faixa da população com limitações económicas e/ou que não valorize devidamente a escola. Este mesmo grupo deveria ser alvo de uma atenção especial por parte dos responsáveis pelas políticas educativas e sociais, sabendo-se, no entanto, que o verdadeiro problema está no facto de que as políticas educativas e sociais são, na realidade, manobras de relações públicas realizadas às ordens do Ministério das Finanças.

No meio desta luta a favor da manutenção indiscriminada dos contratos de associação, estão pais que desejam que o Estado lhes pague o privilégio de escolher a escola preferida para os filhos, independentemente de a zona onde vivem já ter tempo e espaço escolares suficientes. No meio desta luta, estão empresários que buscam o lucro fácil proporcionado pelas parcerias público-privadas que continuam a sugar dinheiro do Orçamento de Estado. No meio desta luta, estão muitas personalidades ligadas à Igreja, em busca de uma evangelização mais fácil, graças ao usufruto do dinheiro até daqueles que não são crentes. No meio desta luta, estão escolas que cometem abusos repetidos e silenciados sobre os seus funcionários. No meio desta luta, está muita gentinha que não sabe usar o direito a discordar. No meio desta luta, estão escolas que devem ter contrato de associação e escolas que não devem ter.

Acordo ortográfico: um desacordo

Segundo esta notícia, o Acordo Ortográfico irá ser aplicado nas escolas, a partir do próximo ano lectivo. O tema merece ser debatido, mesmo sabendo que se trata de uma discussão tantas vezes obscurecida pela contínua referência à circunstância de ser um facto consumado.

Deixo, para já, algumas notas breves, pondo absolutamente de lado qualquer obsessão nacionalista, que não é para aqui chamada.

Em primeiro lugar, é importante que nos informemos. Nada melhor do que começar por consultar, por exemplo, o texto do Acordo.

Para além disso, também não é má ideia ler as opiniões de especialistas que colocam reservas ao acordo, como são os casos de João Andrade Peres e de Francisco Miguel Valada.

Finalmente, um exemplo: será que se pode chamar acordo ortográfico a um acordo que se baseia, por exemplo, em desacordos fonéticos? Para que serve um acordo que poderá manter, por exemplo, “recepção” no Brasil e cria “receção” em Portugal, ou, pior, que admita a opção individual entre as duas alternativas, tendo em conta a pronúncia do falante? Para que serve um acordo ortográfico?

agrupamentos escolares

a melhor política educativa do Governo de Sócrates

Continuação do meu artigo intitulado Senhor Primeiro-Ministro publicado em 23 de Junho último, em http://www.aventar.eu/ e enviada directamente a Dom Francisco Botelho

Transferir-se de um país para outro, nem simples nem fácil. Sim Senhor, bem sei que falta o verbo na frase anterior, mas está escrito propositadamente. É uma frase de final de decisão. Na Grã-Bretanha não tinha mais nada a fazer, excepto educar as minhas catraias, que estavam já educadas. E caso fosse necessário, bastava apenas apanhar um avião e resolver os problemas, como fiz, ou trazê-las para Portugal, como também fiz. A vida debruçava-se entre dois pontos. Dois pontos diferentes entre si. Como tenho reiteradamente dito, no Reino Unido estava tudo feito na vida escolar e académica, em Portugal tudo estava para ser feito. Pareceu-me que era o meu destino, ficar em Portugal. O que acabou por acontecer até ao dia de hoje. [Read more…]

O Diário do Professor Arnaldo – O fim das Visitas de Estudo

Hoje, o meu Coordenador de Departamento avisou-me que todas as visitas de estudo previstas para o que resta do ano lectivo foram canceladas. Não há dinheiro no Agrupamento, logo não pode haver Visitas de Estudo que, pelo menos para os alunos mais necessitados, costumam ser pagas pela tesouraria da Escola.
No fundo, é uma medida que se compreende, embora não se goste dela. Não há dinheiro, não se pode fazer nada. Há que cortar em algum lado.
Só é pena que os ditos governantes de sucesso, aqueles que destruíram o país, estejam aí todos contentes e se preparem para um novo mandato na cadeira de Belém. Para que não haja dúvidas, era a esses que me referia no meu penúltimo post.

apDC lança Petição Pública: Por uma Educação para o Consumo nas Escolas do País

Para quem queira assinar, basta aceder aqui.

A Câmara Municipal do Porto vai abrir as cantinas escolares durante as férias. A Câmara Municipal de Matosinhos não.

A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, devido à crise que actualmente o país atravessa, vai passar a oferecer quatro refeições por dia aos alunos mais necessitados – pequeno-almoço, almoço, lanche e uma espécie de antecipação do jantar.
A Câmara Municipal do Porto vai abrir as cantinas escolares durante as férias de Natal para que os alunos mais necessitados tenham pelo menos uma refeição quente – o almoço – durante o dia.
A Câmara Municipal de Matosinhos vai comprar o Estádio do Leixões e do Leça para oferecê-los às respectivas colectividades.

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.
Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.
De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. [Read more…]

Ranking das escolas: Comparação 2001 – 2010 ou os efeitos nefastos de Maria de Lurdes Rodrigues

São estes os verdadeiros números do «ranking» que interessam. À medida que as medidas de Maria de Lurdes Rodrigues foram sendo implementadas, as escolas públicas foram desaparecendo do mapa:
Média 2001/2006 – 2 escolas públicas nos 10 primeiros lugares; 6 nos 20 primeiros; 10 nos 25 primeiros; 33 nos 50 primeiros. 2007 – 1 nos 10 primeiros; 5 nos 20 primeiros; 9 nos 25 primeiros; 28 nos 50 primeiros. 2008 – 0 (ZERO) nos 10 primeiros; 3 nos 20 primeiros; 7 nos 25 primeiros; 23 nos 50 primeiros.
No «ranking» de 2009, por exemplo, havia uma escola pública nos vinte primeiros lugares. E mesmo essa, não serve de grande exemplo: só levou a exame 14 alunos. Agora há duas.
Foi a isto que conduziu a política educativa da Ministra da Educação e do anterior e actual Governo. E de quem é a culpa que as escolas públicas estejam a desaparecer progressivamente dos primeiros lugares do ranking?Deve ser dos professores. Os tais que, pelos vistos, dantes não eram avaliados, mas que conseguiam melhores resultados para os seus alunos do que agora.
Ou então é dos alunos. Aqueles que são cada vez menos responsabilizados e cujo sistema facilita cada vez mais a sua progressão, ao ponto de se querer acabar com as reprovações. Aqueles que vêem que tanto faz reprovar porque se está doente ou porque se vai para o café. Aqueles que vêem que tanto faz estudar ou não.
Das senhoras ministras? Que ideia! Nem pensar! Então não se vê o clima sadio que ela criou nas escolas para professores e alunos. Então não se vê como as escolas privadas vão esfregando as mãos de contentes?

Muito mais haveria a dizer sobre isto. Porque, no fim de contas, as escolas privadas não são em nada melhores do que as públicas. Algumas serão, a maioria não. A falácia destes números, onde tanto vale uma escola com 50 exames como outra com 500, e onde tanto vale seleccionar os alunos como acolhê-los a todos, não esconde, no entanto, o desaparecimento das escolas públicas desde 2005.
Desde o dia em que Maria Lurdes Rodrigues entrou no Ministério da Educação para enfernizar a vida a toda a comunidade educativa com os milhares e milhares de diplomas, leis, decretos e despachos que diariamente ia vomitando para cima das escolas.
A História lhe fará a justiça devida.

Os números do sucesso educativo

Governo traça metas para sucesso educativo (TSF)

A ministra da Educação está a pedir às escolas que tracem metas para melhorarem os resultados. Os novos objectivos de aprendizagem para o sucesso começaram, na terça-feira, a ser explicados pela ministra em Braga junto de mais de 300 directores de agrupamentos de escolas.

Pela voz da ministra da educação ficamos a saber que o governo quer que a educação em Portugal tenha maior sucesso. Não se reuniu nem se dirigiu aos alunos para que estes estudem mais. Nem aos pais para que melhor acompanhem os seus filhos. Não. Pediu às escolas que estabeleçam metas. É claro como água que os números sucesso educativo melhorarão e que os alunos continuarão a saber tanto quanto hoje sabem.

"Dá-me o telemóvel já" em HD

Recebi com agrado a notícia de que haverá videovigilância em mais de mil escolas do país. Dizem que não serão instaladas dentro das salas de aula mas, ainda assim, tenho esperança de ver casos estilo ‘dá-me o telemóvel já’ com muito melhor qualidade de imagem.

Aquelas que disponibilizaram, na altura, eram uma miséria.

As futuras mega-mega-escolas

film strip - mega escolas

A notícia: «Ao contrário de Portugal, lá fora aposta-se no regresso a escolas mais pequenas», no Público

imagem de fundo baseada neste lote: Lego advertising

Encerrar escolas?

Esta frase dá arrepios, num país onde a juventude está tão mal preparada e as regiões desertas. A desertificação irá acentuar-se, tudo porque é necessário poupar uns tostões,enquanto se esbanjam milhões em gabinetes com doze motoristas, assessores, consultores externos, frotas automóveis, megainvestimentos que ninguem sabe muito bem para que servem.

Dizem-nos que os resultados escolares são muito baixos nestas escolas quando comparados com escolas com mais de 20 alunos e com professores especialistas nas diversas matérias.Não sei se é assim, estamos mais que avisados que as razões, os estudos, os gráficos e os relatórios aparecem sempre a dizer o que quem paga quer que digam. Uma escola perto de casa, sem deslocações, num ambiente conhecido, com professores conhecidos das autarquias e das famílias parece ser o quadro ideal para que jovens de menos de 12 anos possam tirar o melhor aproveitamento.

A ministra, diz que cada caso é um caso, serão estudados um a um com as autarquias e os pais. As autarquias se não tiverem um olhar medíocre e vesgo sobre o assunto, podem ter uma palavra de grande valor , mas se a sua visão for a de poupar uns patacos, serão os alunos a sofrer com o encerramento das escolas.

É dificil perceber que nas autarquias, onde apareceram empresas como cogumelos a fazerem o que as Câmaras sempre fizeram,com administrações de boys e girls a ganharem balúrdios, não possam manter as suas escolas e os seus mais jovens filhos junto de si. A seguir aos filhos irão os pais logo que puderem, e os primos e as tias e os vizinhos…

O mesmo partido que enche a boca com a regionalização ( mas devagarinho…) é o mesmo que mais contribui para a desertificação do interior do país, fechando Centros de Saúde e escolas !

Santana Castilho – O estado do país e do ensino

1. Ouvi recentemente Jorge Sampaio apelar e defender uma tese recorrente no discurso de políticos informados e sensatos. Segundo eles e a respectiva tese, em momentos críticos temos que nos concentrar no “essencial”. Este é o vocábulo assassino: “essencial”. No caso em apreço, tratar-se-ia de responder com vigor “à especulação financeira”, que assestou baterias contra a frágil economia portuguesa. No mesmo sentido, sucederam-se comentários e declarações, de plurais procedências, invocativas da “compreensão” e do “bom senso”dos partidos políticos, dos cidadãos e das organizações sindicais. O poder branqueador do que se sugere ser “essencial” (num ambiente carregado de dramatismo como é um cenário de bancarrota) propõe às vítimas de anos longos de erros e tropelias que se aliem incondicionalmente aos respectivos responsáveis porque, “agora”, é “essencial” salvar o povo da bancarrota. É pobre como desígnio nacional. É triste que em 36 anos ainda não tenhamos saído daqui.

2. Li no site oficial da FENPROF:

“… Só por ignorância ou má fé alguém pode afirmar que os sindicatos e, em particular, a FENPROF, não têm feito tudo o que está ao seu alcance para impedir que a avaliação de desempenho seja considerada para efeitos de concurso.

… Na história da democracia portuguesa … têm sido muitos os momentos em que as organizações que lutam pelo futuro e pelos direitos dos cidadãos sofrem os mais variados ataques movidos por pessoas e entidades instrumentalizadas pelo poder político e pelos interesses estabelecidos”. [Read more…]