Os banqueiros vão passar um Natal complicado

– disse o ricardo do Espírito Santo salgado, preocupando-se com os testes de stress. Relax, está dado o tom e afinação para regressarmos às festivas cantigas da quadra:

Já há uma petição solicitando ajuda humanitária aos desvalidos.

É Natal.

Ele Decretou o AlieNatal

Não seria mais simples mudar de paradigma económico, saber o que anda ali fazer?!

Mensagem de retribuição ao Pedro e à Laura

Nuno Barradas

pedro laura
Caro Pedro,

Antes de mais os meus sinceros agradecimentos pela amabilidade que tiveste em prescindir dos poucos momentos em que não tens que carregar o país às costas, para pensar um pouco em nós e nos nossos natais.

Retrataste com a clarividência de poucos a forma penosa como atravessamos esta quadra que deveria ser de alegria, amor e união. És de facto um ser iluminado e somos sem dúvida privilegiados em ter ao leme da nossa nau um ser humano de tão refinada cepa.

Gostava também de ser interlocutor de alguém que queria aproveitar o espírito de boa vontade que a quadra proporciona para te pedir sinceras desculpas… a minha mãe.

A minha mãe é uma senhora de 70 anos, que usufruindo de uma escandalosa pensão de mil e poucos euros, se sente responsável pelo miserável natal de todos os seus concidadãos. Ela não consegue compreender onde falhou, mas está convicta de que o fez… doutra forma não terias afirmado o que afirmaste. Tentarei resumir o seu percurso de vida para que nos ajudes a identificar a mácula. [Read more…]

O Natal nos Hospitais

A Carla já aqui escreveu – melhor do que eu o faria – sobre pessoas nas salas de espera de hospitais.

Por razões de ordem pessoal, que não chamo para aqui, passei nos últimos meses horas incontáveis em hospitais públicos. Como familiar próximo de enfermos, muito próximo, como utente, como enfermo. Conheci uma realidade que ignorava e quero aqui partilhar: a extraordinária qualidade humana das pessoas que trabalham no Serviço Nacional de Saúde. Encontrei uma ou outra besta maldisposta, um morcãozinho de passagem aqui ou ali, sem os quais o mundo mundo não seria, mas, na verdade, o que mais cruzei foram pessoas dedicadas, solidárias, com estratégias e sorrisos para lidar com doentes em todas as condições, gente que nos conforta e,  na fragilidade que nos enfermos se instala, transmite esperança e confiança.

Essas pessoas, auxiliares, enfermeiros, copeiros, médicos, são do melhor que nós enquanto sociedade temos e deveriam ser, eles próprios, as estrelas celebradas do Natal dos hospitais.

Outros, passistas, gasparistas, miserabilistas e contabilistas, não entram neste texto, nem como leitores. Desde logo e para começar, porque não o compreenderiam.

O natal das pessoas saudáveis

Dia de natal, sala de espera. Gente a chegar com cara de susto e de sono. Gente a cabecear nas cadeiras, a dormir sentado. Alguém comenta que no passado, não há tanto tempo assim, num dia como o de hoje estavam aqui muitas mais pessoas. O cartaz na admissão explica: são 20 euros por episódio de urgência. O cardeal de Lisboa celebra a missa na tv. Se eu estivesse em casa via um filme, comia uma rabanada. Tem-se fome e frio na sala de espera, mas não é que se tenha mesmo fome e frio, o que se tem é pena de si mesmo. O corpo pesa ao fim de umas horas, as cadeiras são duras e rangem, a vida parece sempre mais miserável.

“A luta mais importante na vida é contra a autocomiseração”, diz o bombeiro que entra agora pela porta automática. Não diz nada, é o meu sono ou a minha fome que me mentem. [Read more…]

Que Natal?


Ontem cansei-me de prazer, do meio da tarde até ao começo da noite, caminhando pelas ruas do meu Porto. De comboio até São Bento, depois subindo a 31 de Janeiro, com uma cena de ‘civismo’ a empatar o percurso do eléctrico, Santa Catarina, Aliados, Mousinho, Ribeira, e, para findar, travessia da Luíz I para o lado de lá, Gaia, que, na verdade é o meu lado de cá, onde um autocarro veio mesmo a jeito. Éramos seis. Filhas, esposa, irmã mais nova, sobrinho. Especámos a olhar para as montras das lojas mais tradicionais no Bolhão, os queijos, os Barca Velha, os frutos secos, os enchidos, um olhar à Charles Dickens. Não me foi pago o subsídio de desemprego, não há Natal.

Aritmética para mudar a história

“Porque apesar dos submarinos continuarem por ali, as barracas já não são nossas!”

O Natal cheira a fritos, cheira a fome.

 

Dos aromas mais presentes na minha memória quando me lembro do Natal da minha infância: o cheiro dos fritos espalhado pela casa. No dia 24 de Dezembro acordava invariavelmente com o cheiro dos fritos a dançar-me nas narinas, puxando-me para fora da cama. Era o único odor que conseguia encobrir um outro também muito marcante: o do cigarro matinal do meu pai.

Na manhã da véspera de Natal era o cheiro das rabanadas já fritas que reinava. A minha mãe levantava-se bem cedo para fazer as suas rabanadas, tão especiais que tinham que ser feitas antes que o meu pai saísse da cama. Tudo isto porque ele sempre detestou leite e recusava tudo o que era feito com leite. As rabanadas da minha mãe são especiais precisamente por serem feitas com aquele líquido… [Read more…]

Aos da casa e a quem por aqui passa

Desejo-vos Boas Festas e aconselho seriamente a não abrirem a porta a Reis Magos: pode-vos sair o Gaspar na rifa!

Feliz Natal!

O Pai Natal e o Menino Jesus

menino jesusO PAI NATAL E O MENINO JESUS

Tenho de começar por dizer que não gosto do Pai Natal.
Desde que entrou na minha vida, já lá vão mais de vinte anos, que aos poucos a minha aversão ao personagem, foi crescendo.
Também não será para admirar. O Pai Natal chegou e destronou o meu Menino Jesus. Arrumou-o para um canto de uma gaveta, dentro de uma caixa velha, e não se ouviu mais falar dele.
Com a chegada do Pai Natal, começaram as desavenças natalícias lá por casa. E, pelo que ouço dizer, em muito mais casas por esse mundo fora.
O Pai Natal que na altura começou a andar lá por casa era um Pai Natal rico. O meu Menino Jesus, era um Menino Jesus pobre. Só por aí comecei eu a não gostar do velho de barbas e vestido de vermelho. Começou a luta dos ricos contra os pobres, e o rico ganhou. Não é que tenha ganho grande coisa, mas ganhou. Ganhou pelo menos o lugar que o Menino Jesus sempre tinha tido em minha casa. E com essa vitória começaram a desaparecer os valores que até então nos tinham norteado.
No tempo do meu Menino Jesus, e porque ele, coitadinho, era pobre, [Read more…]

O meu pedido para este Natal (a ver se é desta…)

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Natal! Ah! Finalmente chegou esta época especial em que tudo está feliz, em paz e muitos corações com mais de 12 anos se enchem de hipocrisia. É uma época em que felizes drogados moribundos e sorridentes sem-abrigo enregelados entram pelas casas quentinhas de toda a gente através das televisões em reportagens especiais de natal, entremeados por publicidade incessante a perfumes promovidos por estrelas de cinema a fazerem papéis ridículos…

Este esmagador mundo económico parece destinado a deturpar, ao longo dos anos, todos os valores, pesos e medidas, mantendo uma aparência de verdadeira preocupação com o seu próximo ao mesmo tempo que mascara o seu mais profundo egoísmo. Mas o período especial “deste” natal consegue ultrapassar tudo. Irrita-me. Irrita-me quando as pessoas ficam chateadas por terem de ir jantar – “obrigadas” – à casa de um fulano ou sicrano de família que não gostam, porque é natal e no natal têm de se estar com a família. E porquê tudo isto? Porque é natal!

Então, que se foda o natal! Ninguém liga nada a isto do natal.  [Read more…]

Feliz Natal e um fantástico 2013

O Aventar, com quem escreve, com quem comenta, com quem aparece para ler foi parte de mim no último ano.2feliznataljp

A Todas e a Todos desejo um fantástico Natal e um 2013 cheio de coisas boas!

À falta de competência para escrever mais e melhor deixo nas palavras de Manuel António Pina o que vos quero dizer.

Obrigado por estarem por aqui!

A canção dos adultos

Parece que crescemos mas não.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que à volta estão
é que mudam de tamanho.

Parece que crescemos mas não crescemos.
São as coisas grandes que há,
o amor que há, a alegria que há,
que estão a ficar mais pequenos.

Ficam de nós tão distantes
que às vezes já mal os vemos.
Por isso parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.

Mas somos sempre como dantes.
Talvez até mais pequenos
quando o amor e o resto estão tão distantes
que nem vemos como estão distantes.
Então julgamos que somos grandes.

E já nem isso compreendemos.

Os ferroviários, a CP e uma greve que me chateia

Como muitos outros portugueses que pagam mas não utilizam auto-estradas, pontes tipo Vasco da Gama, e outras parcerias para privados, sou uma queixosa vítima da greve no Natal, às suas horas extraordinárias, dos ferroviários.

Fico mesmo pior que estragado com greves assim. Um deste dias apanhei na TSF um manhoso que se gabava de ter deixado a CP pronta a privatizar. Imaginam o que fez ao serviço público? está feito.

E lá irei, de camioneta, com este governo que não fechou nenhuma das tais auto-estradas inúteis, mas já encerrou uns bons quilómetros de ferrovia, e nunca mais vai de carrinho

Os comboios sobreviverão? duvido, a ordem é fechar, e onde há lucro para todos pagarmos, privatizar, prejudicando o país.

Estou mesmo furioso com esta greve. Furioso com aqueles para quem os direitos dos trabalhadores são trucidáveis. Sem passagem de nível. E também sem paciência para essa malta minúscula que se queixa da greve sem se lembrar da última vez que andou de comboio, há tanto, tanto tempo, eras tu uma criança… alguns nem antes de nascerem, coitados, que comboio é coisa de pobre.

Despedimento Sumário e Colectivo, JÁ!

cpEste governo não os tem nos sítio

É uma verdadeira vergonha. Estes gajos andam a gozar connosco. Agora, e mais uma vez, vão de férias no Natal.

Despejam para cima de nós as mais diversificadas desculpas e razões para esconder um só objectivo:
Prejudicar o País, prejudicando o maior número possível de pessoas.
Um governo a sério já os teria despedido sumariamente e recrutado pessoal no exército até que no mundo do trabalhador existissem já novos formandos, que não estivessem subjugados aos sindicatos que os vão manipulando.
Estes tipos, para não usar um termo que eles mereceriam, não fazem greves, fazem férias, prejudicando quem com o seu trabalho e os seus descontos lhes paga os salários.

Até quando vamos aguentar esta chuchadeira?

O brilho da Lua é diferente em Março

lua

Maria Cantante tem 74 anos. Não sabe ler. Não sabe escrever. Exibe a licença de condução de velocípedes tirada em Setembro de 1960 (que ainda guarda na carteira).

Não foi à escola. Aprendeu a escrever o nome porque o seu irmão queria que ela fosse a sua madrinha de casamento. Copiou várias vezes até ser legível. É isso que sabe escrever. Assim, aprendeu a escrever o seu nome aos 21 anos. Tem o seu B.I. e o cartão de Eleitor assinados.

Não foi à escola porque teve que tomar conta dos irmãos mais novos.

Ditava frases para a menina que tomava conta e para a própria filha: “O pão é um alimento que aparece na mesa de toda a gente. O pão é feito de milho, trigo e até de cevada”; “ O amor de mãe encerra tudo quanto pode haver de generosidade e sacrifício. A mãe é santa que nos adormece, embalando-nos com ternura nos passos vacilantes de criança”.

As contas que sabe fazer são só as de somar.

Nunca comprou fiado; “não tinha dinheiro, não comprava”. Nunca quis «esmola». Diz que sempre fez um controlo do dinheiro. Não gasta se não tiver dinheiro. Não compra fiado, repetia-me.

Antes de ter o segundo filho não tinha nem uma cadeira. Comprou-a para que a parteira se pudesse sentar quando fosse o parto. [Read more…]

Se Cristo tivesse nascido em Portugal no ano da Graça de 2012

Imagem retirada da página do Facebook do Movimento Antipartidário

Imagem retirada da página do Facebook do Movimento Antipartidário

Pelo menos, não passaria fome porque sempre comeria uma refeição diária. Já se nascesse em África, aí sim..

Benjamim Niputa, ou uma estória de Natal (conclusão)

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Benjamim Niputa exportava toda a felicidade que lhe ia na alma. Ria, enroscava-se numa longa gargalhada, dava graças, saltava, dançava como que imbuído de um batuque imenso, bem no fundo de si, telúrico.

Sentados na messe, os oficiais comentavam. Bebendo no bar, os sargentos riam. Sentados no chão da caserna, os soldados abriam o cantil e escorropichavam o resto do vinho servido ao jantar. Em profusão, como convinha nas festas.

Os dias seguintes iam correndo ao sabor das exigências militares, das saídas para a Beira ou para a Manga, onde, a coberto de um filme indiano da moda, se apalpavam, nas filas de trás, as intimidades das damas convidadas para a sessão da noite. O Natal era no quartel.

A comissão fabriqueira das solenidades continuava o seu trabalho, estendendo gambiarras pelo arame farpado, cada caserna mostrava do que era capaz, encimando a porta de entrada com enfeites das mais variadas formas. Uma arte original, mas autêntica, invadia os corações. [Read more…]

Benjamim Niputa, ou uma estória de Natal (1)

A memória prega-nos algumas partidas, há que assumir, sobretudo quando a idade, dizem ou nós sabemos, nos traz mais depressa recordações de antanho do que as mais recentes. Há um nome científico para isso, mas não estou para ir pesquisar, não importa para a estória.

Imaginem, então, que, por entre iluminações natalícias nas ruas, as lojas abertas até mais tarde, o costumeiro bulício de gente apressada, vos vem à memória um Natal com 38 anos de idade.

E quem é Benjamim Niputa? Hoje, não sei quem é, se existe ainda, o que fez nas últimas quase quatro décadas. Se está vivo, se foi morto por um animal selvagem ou vítima de uma bala perdida numa guerra civil que o atropelou, se é feliz, se tem – ou não – filhos, se seguiu a carreira militar, se é polícia, se abraçou o apelo das suas mãos prendadas para a arte e hoje é um pacato artesão de um país africano de língua oficial portuguesa. [Read more…]

Biografia breve do PAI NATAL

Séc. XX, Dezembro 1952, Aeroporto, Ilha de Santa Maria

A chegada do Pai Natal ao Aeroporto da Ilha de Santa Maria
(Dezembro 1952) © Grupo Facebook Memorias Santa Maria

QUEM É O PAI NATAL?
Chamêmos-lhe S. Nicolau, Papai Noel, Papá Noel, Père Noël, Viejito Pascuero (chileno), Santa Claus, Joulupukki (finlandês), Father Christmas, Ded Moroz (russo), ou Kris Kringle (um nome que se julga derivar do alemão Christkindl – Menino Jesus – apropriado pelo «vernáculo» dos primeiros colonos norte-americanos), é tido hoje como verdadeiro que mora longe, muito longe da grande maioria dos beneficiários da sua acção benévola: para lá do círculo polar árctico, no sopé de uma misteriosa montanha chamada Korvatunturi, com os seus duendes ajudantes, as suas renas e, enfim, toda a parafernália de espantosas excentricidades a que já nos habituou. Trata-se da mais intricada das fantasias demiúrgicas do nosso tempo, pejada de zonas sombrias, contradições e, claro, grandes cedências ao marketing, constantemente necessitado de renovados ícones.

Um concorrente de Jesus
Patrono dos marinheiros (sobretudo dos holandeses), dos comerciantes de todas as latitudes, dos guardas-nocturnos arménios, dos meninos de coro italianos, das raparigas solteiras e casadoiras, o multinacional padroeiro Nicolau terá sido antes de mais um protector dos fracos e dos oprimidos, fama que se por um lado o tornou amado um pouco por todo o mundo cristão, por outro o colocou em franca posição de concorrência com Jesus, o que terá determinado (juntamente com a Reforma protestante que aboliu o culto dos santos, e com a escassez de documentação sobre a sua vida) a decisão do Papa Paulo VI em retirar, em 1969, as festividades de São Nicolau do Calendário Oficial Católico. [Read more…]

O natal de Portugal

Não me parece ser uma realidade, é apenas uma escrita livre. Vamos deixar as leis e a Constituição do Estado. É o dia de começar a preparar o Natal. Antigamente, era o dia de preparar a árvore, com luzes a cintilar, a espera de uma consoada que, no passado, era de bacalhau com repolho, batatas, ovos cozidos e couve lombarda, com vinho ou água-pé, a comida mais tradicional de Portugal nas aldeias, onde normalmente tenho passado a Noite Boa, com os trabalhadores rurais que habitam em elas. Todo isto, caso não se não houver peru, champagne, vinho do Alentejo, carne asada e presentes, como passou a ser a seguir o 25 de Abril de 1974.

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Tempo de moderação

Em Novembro, mal o comércio começou a expor decorações de Natal, apareceu na internet um leia-e-passe alertando para a conveniência de as pessoas não desatarem a comprar presentes para a família e amigos porque, dizia o lembrete, tudo isso é fabricado na China. Sugeria-se, de modo empenhado, que se desse a preferência a dias de férias, na neve ou nas Caraíbas, a   tratamentos dentários, dietéticos ou outros, a estadias em spas, a cursos de ioga e ginásios, a bilhetes para espectáculos, a jantares em lugares agradáveis, a entradas em programas de museus, a livros e discos.  Insistia-se no facto de aos familiares e amigos serem mais úteis estes presentes do que  objectos que logo enfastiam e se põem de lado. O objectivo era claro: defender a economia canadiana das sinuosas práticas do capitalismo selvagem, esse que se dá como Deus e os anjos com o comunismo chinês, explorando ambos a mão de obra barata e rebentando com o comércio de qualidade que existe no Canadá e um pouco por toda a parte.  Aviso legítimo mas, ainda assim, próprio de país rico no que se refere às sugestões de presentes.

Depois, outro leia-e-passe apareceu aconselhando à sobriedade, demonstrando que é preciso manter o espírito de Natal, o amor da família e do próximo em geral, a alegria que se alimenta de valores espirituais e não de esbanjamentos que confrangem. Ora isto, em país habitado por imigrantes, só pode vir dos canadianos puros e duros, anglo-saxónicos e frugais, modestos e avessos a ostentação. Não são unhas de fome, são educados a não estragarem e esbanjarem. Eles têm razão. [Read more…]

Da série ai aguenta, aguenta (4)

Desempregados fazem de Pai Natal a 43 cêntimos à hora

 

O Luto e o Alívio

Mais uma boa crónica de Miguel Esteves Cardoso! Só ele para se lembrar de escrever sobre «coisas» como o alívio.

O alívio é um prazer. Concordo. E é pouco elogiado. Concordo também!

Alívio parece nome de gente! – digo eu.

MEC escreveu ontem: “O alívio é o livramento do medo que acabou por não acontecer, do encargo da ansiedade, da angústia do trabalho depois de feito. (…) O alívio é a liberdade. É o tal grande peso que, num instante mas duradouramente, se alevanta do nosso peito e nos deixa respirar oxigénio puro como se fosse pela primeira (…)”.

Fui ao dicionário ver «alívio» e «aliviar». De «alívio», temos acto ou efeito de aliviar, diminuição de peso, de cor, etc.; descarga. De «aliviar», temos, para além do conhecido «aliviar a tripa», «dar à luz» e «aliviar o luto», que eu não conhecia, e que significa, esta última expressão, começar a usar um vestuário que não é totalmente de luto. [Read more…]

Portugueses extraordinários

notícias magazine
A Notícias Magazine de domingo foi a melhor de sempre, na minha opinião.
Não nos falou de gente VIP no sentido de serem figuras públicas, ricos, atrizes, cantores, estilistas, políticos ou gente famosa. Conhecemos, nesta edição da revista, «Very Important People», porque se entregam aos outros. Porque se deixaram mudar de vida (alguém os fez pensar profundamente) e mudam a vida de tantos… pequenos, graúdos, reclusos, doentes, idosos sós, crianças doentes.
Parabéns a todos, como o João Sá, que pensam que a crise não pode paralisar-nos e que temos que ultrapassar as dificuldades, olhando em frente; parabéns à Maria G. que usa o râguebi para “esbater as diferenças” e ensina que todos precisamos uns dos outros; «bem-haja» às Marílias que se julgam ricas por «somente» despertarem um sorriso numa criança; a todos os «Joaquins» que não desistem e arranjam maneira de servir duas refeições por dia a quem não tem o que comer; um especial abraço a todos os doutores-palhaços que enfiam o seu Nariz Vermelho numa Operação que corta a dor, ainda que por momentos, de centenas e centenas de crianças hospitalizadas; obrigados, Bernardo, por se dar «ao trabalho» de angariar 1 euro de cada vez para “mudar vidas” (parece simples).
A lista é interminável de portugueses que fazem o bem em silêncio. Isto deve deixar-nos cheios de esperança. Há gente boa e generosa.
Ficou-me uma frase de Helena Pina Vaz que espero não esquecer: “Indignação e ação. Uma não faz sentido sem a outra”. Com esta gente, é Natal todos os dias.

Decoração de lojas para este Natal

decoracoes de natal

Natal não é para todos

É chocante.

Li no DN que um bebé (outro) do sexo feminino, presumivelmente recém-nascido, foi encontrado por um funcionário do polo do Ave da Resinorte, Centro de Tratamento e Valorização de Resíduos Sólidos, em Guimarães.

O bebé terá sido metido num saco de plástico e atirado ao lixo.

E este caso é tornado público a poucos dias da época natalícia…

Natal não é para todos. Nascer e viver não é para todos.

Lembrei-me dum vídeo que corre na net e que diz o seguinte: “Um dia o Homem será o melhor amigo do cão. Este Natal faça a diferença: adopte um cão.”

Um dia, eu espero, o Homem será o melhor amigo do homem.

João Tordo fez-me Chorar

Agora mesmo,  a minha mulher chamou-me a atenção para o Conto de Natal de João Tordo, num suplemento do Jornal de Notícias de hoje, Somos Livros. Tinha começado a ler e estava a achar divertido, partilhou. Decidi ler também. Atirei-me ao texto na esteira daquele prazer que cintilava nos olhinhos dela. Éramos os quatro na cozinha. Filhas brincando, pintando, a mais velha a aprender a ler com um puzzle de palavras entre mãos com que formava sucessivas frases. Da narrativa do João não falarei. Quem puder, que a prospecte e a sinta com o corpo todo, num JN junto de si. Do que senti, sim, tenho de falar e já. Não é todos os dias que se chega ao fim de uma leitura com os olhos marejados. E não fui apenas eu. A minha mulher também. Mal terminei, saí da cozinha com a palma das mãos nos olhos. Ela terminou depois de mim e eu vi as suas lágrimas, que para mim são o ápice do Belo, o Excesso do Poético, enquanto eu estiver vivo. Não sucede vulgarmente que o coração se nos estremeça só com uma história escrita certamente no Olimpo, junto das musas, olhos nos olhos com elas. Se quiserem enternecer-se e seguir neste dia mais humanos e mais sensíveis, leiam este conto do João. Foi uma Epifania para mim. Mais uma pela qual dou graças a Deus.

Natal é sempre que o Homem quiser, certo?

Então estou certo que a nossa direita tão moderna não verá qualquer problema se a Jerónimo Martins repetir a gracinha no dia de Natal, certo?

O que seria de nós sem a música?

Hoje, dia 26, de volta à «realidade», o choque não foi tão duro, ouvindo na Antena 2, a música de G. Gershwin. Partilho com os amigos do Aventar esta fabulosa música escrita em 1925, que nos enche as medidas.

Cofre de Natal

cofre de natal

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