E viveram felizes para sempre

Cavaco perguntou, em Évora, ao Noivo:

– “Quer casar com a Noiva?”

– “Não.”

E viveram felizes para sempre, ou não.

Mas, pelo sim, pelo não, todos para a boda em Belém.

É verdade que o noivo não foi convidado para a festa – no seu lugar foi o contabilista.

Com um pequeno grande detalhe – a Maria anda a dormir mal e por isso à uma hora a festa termina. Lamento amigo, mas a pista fechou.

Podem começar a assobiar.

Portugal com má nota dada pelos seus

“Entre os europeus, portugueses são os que dão pior nota ao seu país. Quase 70% dos portugueses de classe média dizem que o seu nível de vida piorou no espaço de um ano”, lê-se no Público de hoje.

Este estudo do Barómetro Europeu do Observador Cetelem, não nos diz nada de novo.

É o descontentamento social “onde a precaridade atinge quase 30% da população”.

A Alemanha é a excepção à regra do resto da Europa. Têm que agradecer à Angela e aos seus antecessores.

Nós, estamos gratos ao Pedro e a todos os que lhe antecederam.

Nunca estivemos tão optimistas!

Europeu de Hóquei 2012

Perder a final do campeonato a seis segundos do fim não é azar, é falta de raça.

Banhos de água fria

Sem mudar de assunto… Parece que ultimamente tudo vai dar ao mesmo…

Etty Hillesum –  uma judia holandesa que morreu em Auschwitz em Novembro de 1943 e que escreveu um diário entre 1941-1943 – viu-se privada de muita coisa pelo regime nazi, apesar de ter sido, como dizia muitas vezes, afortunada comparativamente a outros.

Os decretos contra os judeus sucederam-se:  era precisa uma autorização para comprar pasta de dentes, deixaram de poder ir aos lugares de hortaliças, tiveram que entregar as bicicletas,  andar de eléctrico foi proibido e foram obrigados recolher a partir das oito, etc.

Neste momento, estamos, também nós, cada vez mais condicionados e pobres e revoltados e impotentes e desesperados face às medidas levadas a cabo pelos políticos que nos saiem na rifa.

Transcrevo, então, uma passagem, escrita a 4 de julho de 1942):

Cada camisa lavada que vestes é ainda uma espécie de festa. E cada vez que te lavas com um sabonete bem cheiroso numa casa de banho, que é só para ti durante meia hora, também.

Espero que não cheguemos a este ponto. Que não sejamos enviados para uma espécie de campo de concentração…

Comecemos desde já a dar valor a estas «insignificâncias» como uma roupa lavada ou um banho de água quente (que nos aquecem por dentro também) antes que delas sejamos privados…

Povo que ainda lavas no rio

Raras vezes vejo televisão e mais difícil ainda é sentar-me, muito atenta, a ouvir e a ver alguma notícia.
A SIC apresentou ontem uma reportagem intitulada  “A Espuma dos Dias”, mostrando que em Portugal ainda há povo que lava no rio ou no lavadouro público, em troca de escassos euros à medida do comprimento de tapetes e edredons.
Este país ainda existe. Gente que todos os dias luta para sobreviver. Conhecemos a Maria do Céu (77 anos), a Olívia (89 anos), a Lurdes (62 anos que disse que a vida tem mais coisas más que boas…e que a gente não quer riquezas) e outras mulheres que metem mãos e pés na àgua fria, faça frio ou calor. Uma delas disse que adorava lavar no rio (a roupa ficava melhor),  mas que dava cabo dela… Vimos que lavam em pedras talvez centenárias, que ainda se encontram colocadas no meio da corrente.
Elas são de Ovar (Ribeira das Luzes), Vila Franca de Xira, Lisboa e outros lugares onde a SIC não esteve.
Mesmo na minha vila (concelho de Santa Maria da Feira) eu encontro mulheres que lavam, não no rio onde pensei que já não o fizessem em lado nenhum, mas no lavadouro público, há pouco tempo melhorado.
Num tempo em que, não obstante quase todos temos máquina de lavar a roupa, não estranha que se continue a lavar no lavadouro ou no rio: até “o sabão está caro”.
Esperemos que estas sejam as últimas mulheres a fazê-lo…
Povo que lavas no rio, o fado cantado por Amália Rodrigues com letra de Pedro Homem de Mello e música de Joaquim Campos:
Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.
(…)

O nosso fado: a sobrevivência.

Portugal tem professores a mais?

O Diário de Notícias está a levar a cabo um inquérito perguntando, aos seus leitores (online), se Portugal tem professores a mais. Resultado às 16 horas de hoje: sim com 55% e não com 45%.

Crato tem aqui um bom exemplo ou argumento de que não somos precisos e que  está justificado o que fez ao “mandar para a rua” 43 mil professores (ficaram sem lugar, que é a mesma coisa). Tinham trabalho até Julho! Eram precisos lá.

Eu não acredito que assim seja. Não acredito que os portugueses pensem exactamente assim.

Vá lá e vote NÃO.

Portugal Não tem professores a mais! Precisa de todos, para bem da qualidade do ensino.

Com menos professores, os que ficam estarão ainda mais sobrecarregados do que anteriormente.  Em 2009, a OCDE acusava esta situação em Portugal.

Mas ninguém fala nisto. Nuno Crato faz orelhas moucas a relatórios como este. Dá-lhe jeito.

Há professores a mais?

Crapulices

Houve uma criatura que mentiu acerca do que Rui Ramos escreveu na “História de Portugal”. E, com base naquilo que Rui Ramos não escreveu, chamou-lhe “fascista” e outros insultos.

Margarida Bentes Penedo não identifica a criatura, não localiza onde lhe chamou fascista, nem especifica os restantes insultos.

Mente. São assim os defensores de Rui Ramos.

Tal como neste documentário da Nato sobre o Portugal  de 1956 onde aos 13m18s Salazar até vota. A ilustração perfeita do Portugal inventado por Rui Ramos e que tantos seguidores tem. Depois de mentirem cem vezes já Salazar salvou a pátria e Manuel Loff lhe chamou fascista. Ao Rui Ramos, é claro.

Via Quadro Preto Riscado a Giz

Nem as estradas nos valem

Carta da Estradas de Portugal insere-se num quadro de normal funcionamento entre empresas e tutela - Min. Obras Públicas“Nem as estradas salvaram Portugal da queda no índice de competitividade.

País desceu quatro lugares, para a 49.ª posição, no Índice Global de Competitividade e está “perigosamente

na cauda do pelotão” face à Irlanda, Chile e República Checa, consideradas economias similares.

Entre 144 países analisados pelo Fórum Económico Mundial, Portugal é o quarto com as melhores estradas.” (hoje no Público).

Portugal perde competitividade mas é o País das Estradas (e do Futebol)!

Um grande texto do grande escritor Mário de Carvalho

Mário de Carvalho, o escritor português vivo que mais habita as minhas estantes, publicou no Facebook um texto sobre a memória e sua ausência. Ali mesmo alguns comentam que isto não era nada assim. A sério. Rui Ramos tem seguidores.

Denegação por Anáfora Merencória

“Eu nunca fui obrigado a fazer a saudação fascista aos «meus superiores». Eu nunca andei fardado com um uniforme verde e amarelo de S de Salazar à cintura. Eu nunca marchei, em ordem unida, aos sábados, com outros miúdos, no meio de cânticos e brados militares. Eu nunca vi os colegas mais velhos serem levados para a «mílícia», para fazerem manejo de arma com a Mauser. Eu nunca fui arregimentado, dias e dias, para gigantescos festivais de ginástica no Estádio do Jamor. Eu nunca assisti ao histerismo generalizado em torno do «Senhor Presidente do Conselho», nem ao servilismo sabujo para com o «venerando Chefe do Estado». Eu nunca fui sujeito ao culto do «Chefe», «chefe de turma», «chefe de quina», «chefe dos contínuos», «chefe da esquadra», «chefe do Estado». Eu nunca fui obrigado a ouvir discursos sobre «Deus, Pátria e Família». Eu nunca ouvi gritar: «quem manda? Salazar, Salazar, Salazar». [Read more…]

Porque amamos o nosso país

a mais bonita praia portuguesa... que eu conheçoTodas as críticas que diariamente fazemos ao que vimos, lemos, ouvimos e vivemos em consequência das erradas decisões políticas dos nossos governantes, só se explicam porque nos importamos com o nosso país.

Queremos vê-lo bem tratado, respeitado, governado por gente portuguesa de coração e não só por ter nascido em território português…

Queremos políticos que não procurem boicotar o que de melhor se faz e se tem em Portugal (às vezes parece que assim é)…

Chega de mudar, quando mudar é para pior.

Este país seria um paraíso, a “ideia acabada de uma lua-de-mel” como se lê no Guia Turístico da Europa editado pelo Touring Service da BP de 1960, se os nossos sucessivos governos não nos deixassem deprimidos como já são conhecidos os portugueses…

Esse tal Guia continua a dizer verdade sobre este “país ensolarado, com uma vegetação luxuriante, um clima único, e um charme tão poderoso que até os postais ficam aquém da verdade. (…) estradas excelentes, palácios magníficos, pessoas sempre prontas a desfrutar da vida, refeições que fazem salivar por antecipação, praias lendárias”.

Não destruam este país que amamos.

(Foto: David Gamanho, que considera aquela praia da Berlenga a mais bonita que conhece. Eu também acho…)

Postcards from Romania (7)

Elisabete Figueiredo

Your face not Portugal

Decido parar em Rasnov, na volta, espero na paragem de autocarro com um cheiro esquisito em volta. Milho doce cozido. Ora aqui está o cheiro esquisito. Pergunto à senhora se posso tirar uma fotografia. Diz-me que sim. Talvez na esperança que eu coma uma maçaroca cozida. Pouca sorte (provavelmente a minha). Detesto milho.

Um casal de romenos com um filho está também à espera do autocarro. São turistas. Como eu. O homem procura tirar uma foto dos três. Naturalmente ofereço-me para lhes tirar a fotografia fazendo gestos. Multumesc, diz-me ele. Cu placere, respondo eu, fazendo recurso das poucas palavras que sei dizer em romeno.

Numa mistura de inglês e romeno pergunta-me de onde sou. Portugal, respondo eu. Faz um ar muito espantado, olha para mim, passa com a mão em frente da sua própria cara e diz: ‘your face not Portugal’.  Rio-me e repito: Portugal. Volta a abanar a cabeça: ‘your face not Portugal, Portugal dark’ e aponta para o próprio braço, moreníssimo, nem com 20 anos na praia eu ficaria assim. Volto a rir-me e tento responder numa mistura esquisita, ainda mais esquisita, de italiano e inglês, na esperança que se pareça ao menos vagamente com romeno, que em Portugal há pessoas de todas as cores, como na Roménia. Não percebe. Hesito entre demonstrar-lhe com o cartão de cidadão a minha nacionalidade e continuar a rir-me, não dele, mas de mim. De ser contente por não parecer Portugal.

Continuo a rir-me. Riem-se os três também e entretanto chega o autocarro.

(Bran, 8 de Agosto de 2012)

A Grécia e Portugal: uma crise em dois casos da geopolítica (1)

O título do post, resume o conteúdo. Obcecados alguns dos Estados europeus com as suas astronómicas dívidas, correm sérios rumores que parecem garantir a existência de um chamado Plano B para a sobrevivência do Euro. Num artigo (ver abaixo, na íntegra), The Economist longamente apresenta os dois cenários possíveis, entre os quais uma expulsão em massa satisfaria as necessidades imediatas dos países do chamado núcleo duro da moeda única. Persistindo no erro que tem varrido a Europa na última década, a leitura do artigo apenas nos apresenta aspectos relacionados com a dívida e finanças, pouco falando de economia e totalmente ignorando aquele aspecto fundamental e hoje em dia inatingível pelas cúpulas dirigentes europeias: a política.

Para o que mais nos importa de imediato, apresentemos então dois casos bastante distintos como a Grécia e Portugal. Não nos referindo especificamente às agruras e misérias da dívida, salientamos então os ignorados aspectos políticos que a situação geográfica destes dois Estados implicam.

1. A Grécia.

A situação parece ser insolúvel e de quase certeiro vaticinar de falência do todo. Por mais planos e cabazes de dinheiro vertidos nos cofres de Atenas, o resultado parece ser aquele que todos há muito adivinharam. Os gregos não percebem a austeridade, não a aceitam, nem estão dispostos a deixar para trás os sonhos de telenovela dos últimos vinte e cinco anos. Simplesmente, as condições políticas da Grécia impelem à rejeição de qualquer modelo de austeridade e a Europa deveria ter em conta o conturbado século passado, onde uma guerra civil por quase todos os estrangeiros esquecida ou minimizada, serve ainda como pano de fundo ao confronto das várias famílias políticas daquele país balcânico. Para agravar a situação, a ascensão turca e o incontido desejo do restaurar de uma hegemonia perdida, coloca a Grécia numa posição central na luta pelo domínio regional. Sendo um membro da NATO , o país dos helenos foi ao longo das décadas da Guerra Fria, um dos pilares do controlo ocidental – leia-se norte-americano – do acesso russo ao Mediterrâneo e Médio Oriente, garantindo uma longa hegemonia da Aliança Atlântica e aquele indisfarçável sentimento de cerco de que o poderosamente armado regime soviético de forma inglória se queixava.

 

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Portugal Low Cost

 
 
Está tudo em saldo! Elas são as lojas low cost, as padarias low cost (abertas das 6: 30 h às 22h, padinhas a 0,08 € e café a 0,40€), viagens low cost, as livrarias low cost (vi bem: livros a 0,75 €). Ganham com a crise. Ganham à custa da pobreza dos portugueses.
É o país em saldo, ao desbarato. É triste.
 

153 mil pessoas ganham até 310 euros/mês

“O número de portugueses com salário abaixo de 310 euros aumentou 9,4% face a 2011”.

O Diário de Notícias lembra que o limiar da pobreza, calculada pelo INE para 2010, foi colocado nos 421 euros por mês.

São 153 mil pessoas que trabalham, mas são pobres. Ganham bastante abaixo daquele valor limite. Mas há muitos mais trabalhadores nesta situação…

Portugal recorre(rá) a emigrantes

Depois de ler a notícia «Madeirenses pagam a festa da aldeia, recuperam a igreja e ajudam a pagar tratamento de criança vítima de um acidente», fiquei a pensar: é preciso que venham os emigrantes resolver os problemas da sua terra. Os emigrantes saíram do país à procura de melhores condições de vida, fizeram um bom pé-de-meia e, sentindo-se gratos pelo sucesso e pela vida que lhes tem corrido bem, têm actos generosos como o tiveram os madeirenses de Boaventura que, chegados da África do Sul ou da Venezuela, pagam festas na aldeia e ainda providenciam melhoramentos e cuidam da saúde de uma menina.
Esperemos que seja apenas Boaventura e outras pequenas vilas e aldeias portuguesas a precisar destes pequenos (grandes) apoios.
As coisas estão de tal maneira, que não é difícil imaginar recorrer-se a eles para «desenrascar» Portugal.
Tratem-nos bem, é o mínimo que se pode fazer.
Bem hajam

Portugal inspira

Como disse noutro post, é um prazer encontrar referências ao nosso país nos livros de escritores estrangeiros. Neste caso, num escritor premiado com o Nobel, o poeta sueco Tomas Tranströmer, que dedica poema à capital e à ilha do Funchal.

Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem o retrato.

“Mas aqui!”, disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,
“aqui estão políticos”. Vi a fachada, a fachada, a fachada
e lá no cimo um homem à janela,
tinha um óculo e olhava para o mar.

Roupa branca no azul. Os muros quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:
“será verdade ou só um sonho meu?”

Tomas Tranströmer (Nobel da Literatura 2011)
Tradução de Vasco Graça Moura

Funchal

O restaurante do peixe na praia, uma simples barraca, construída por náufragos.

Muitos, chegados à porta, voltam para trás, mas não assim as rajadas de vento do mar. Uma sombra encontra-se num cubículo fumarento e assa dois peixes, segundo uma antiga receita da Atlântida, pequenas explosões de alho.

O óleo flui sobre as rodelas do tomate. Cada dentada diz que o oceano nos quer bem, um zunido das profundezas.

Ela e eu: olhamos um para o outro. Assim como se trepássemos as agrestes colinas floridas, sem qualquer cansaço. Encontramo-nos do lado dos animais, bem-vindos, não envelhecemos. Mas já suportámos tantas coisas juntos, lembramo-nos disso, horas em que também de pouco ou nada servíamos ( por exemplo, quando esperávamos na bicha para doar o sangue saudável – ele tinha prescrito uma transfusão). Acontecimentos, que nos podiam ter separado, se não nos tivéssemos unido, e acontecimentos que, lado a lado, esquecemos – mas eles não nos esqueceram!

Eles tornaram-se pedras, pedras claras e escuras, pedras de um mosaico desordenado.

E agora aconteceu: os cacos voam todos na mesma direcção, o mosaico nasce.

Ele espera por nós. Do cimo da parede, ele ilumina o quarto de hotel, um design, violento e doce, talvez um rosto, não nos é possível compreender tudo, mesmo quando tiramos as roupas.

Ao entardecer, saímos. A poderosa pata, azul escura, da meia ilha jaz, expelida sobre o mar. Embrenhamo-nos na multidão, somos empurrados amigavelmente, suaves controlos, todos falam, fervorosos, na língua estranha. “ um homem não é uma ilha.“ Por meio deles fortalecemo-nos, mas também por meio de nós mesmos. Por meio daquilo que existe em nós e que os outros não conseguem ver. Aquela coisa que só se consegue encontrar a ela própria. O paradoxo interior, a flor da garagem, a válvula contra a boa escuridão.
Uma bebida que borbulha nos copos vazios. Um altifalante que propaga o silêncio.

Um atalho que, por detrás de cada passo, cresce e cresce. Um livro que só no escuro se consegue ler.

Tomas Tranströmer
(Traducão do sueco para alemão por Hans Grössel)
Traducão do alemão para português por Luís Costa

Lutador dos sete ofícios

Portugal é um país muito pequeno, uma espécie de aldeia à escala planetária. Não me surpreende a presença duma pessoa em vários momentos da vida cívica até porque a cidadania lusa já teve melhores dias. A experiência vai-me mostrando que as pessoas que fazem as associações recreativas são as mesmas que estão no folclore, nas associações de pais, na igreja, nos clubes, nos partidos, nos sindicatos…

Alguma direita tem procurado apontar o dedo a quem aparece na rua a protestar contra algo, nomeadamente quando se trata de pessoas ligadas ao PCP e ao BE. Desta feita trata-se da luta contra as portagens no Algarve e o BE é o bombo da festa. Parece-me excessivo que um partido ou uma organização tenham que mandar nos seus membros, quando estes actuam numa outra condição. Parece-me estranho que alguma direita, sempre tão liberal, ache que o presidente do meu partido tenha que ter opinião sobre o que eu faço no clube de futebol da minha terra ou naquilo que faço na minha comunidade, por exemplo, como elemento de uma associação de pais.

Esta transparência e divisão de “tarefas” não é uma condição da democracia? O que sugere Helena Matos?

Que cada um dos cidadãos só possa ter um papel na sociedade? Ou que, no caso de ter mais do que um, tenha de fazer uma declaração de interesses? É isso que sugere? Que traga na lapela um pin de cada uma das suas funções?

Será que teremos este tipo de considerações para os cargos de chefias de empresas, na promiscuidade entre as empresas e o estado, entre os partidos e a comunicação social? Os de confiança

Fica a sugestão para o Blasfémias.

Um estar português – Histórias de viagens on the road (EN 109 e EN 1)

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© Sandra Bernardo | Direitos reservados

“Embrulhar” a dor

No passado domingo, a jornalista Paula Torres de Carvalho escreveu um artigo no Público sobre a Depressão, que intitulou de «Lidar com as tristezas». Partilho esse texto com os leitores do Aventar:

“Não é fácil conviver com a infelicidade. Fazem-se planos, projectam-se desejos que a crueza da vida contraria e depois… não há perspectivas, não se vêem saídas. Fica-se desalentado. Resta viver com o que há, quando muitas vezes o que há é muito mau e muito triste. Mas estar desanimado e deprimido nem sempre significa que se está doente.

Portugal é hoje um dos países europeus com maior consumo de antidepressivos. Como em muitos outros países europeus, banalizou-se a prescrição e o consumo das drogas psicotrópicas. O último eurobarómetro sobre saúde mental realizado em 2010, indicou que 15 por cento dos portugueses tinham consumido antidepressivos nos 12 meses anteriores, o dobro da média europeia. Mas, como alertou recentemente Jorge Gravanita, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica, o entendimento de grande número de psicoterapeutas é de que 90 por cento dos casos que chegam ao consultório não precisariam de medicação, mas de psicoterapia nos tratamentos de primeira linha. [Read more…]

Uma SCUT para a china

João Salgueiro, em entrevista ao Jornal Público (versão “papel) sugere que

“Por que é a Ásia é mais central que Portugal? Portugal está no centro. O porto de Sines está no centro das rotas mundiais, entre a África, a América Latina, a Europa e os EUA. Com o alargamento do canal do Panamá ficou em frente da China.”

Ora, esta afirmação tão óbvia e já repetida por muita gente, leva-me a avançar com uma sugestão  que poder ser o nosso ovo de colombo. Abrir uma auto-estrada, em regime de SCUT, para a China.

É certo que por cá este regime especial de auto-estradas terminou, mas atendendo às vantagens económicas que esta medida poderia trazer, seria de apostar na SCUT Sines-Pequim.

No caso de ser de todo impossível, asseguramos que os chineses pagam no sentido Pequim-Sines e a saída de Portugal seria grátis, uma vez que haveria a possibilidade de a fazer coincidir com o triângulo das bermudas.

Aliás, a primeira viagem na nova SCUT Sines – Pequim seria a do Governo da nossa República, com a passagem turística no polígono referido. Não sei se vamos a tempo, mas também poderíamos considerar a substituição da Via do Infante pela nova SCUT para a festa do Pontal, que não é no Pontal. Eu trato do aluguer do Triângulo e prometo que fica mais barato que o Parque Aquático de hoje. E tem água na mesma.

O futuro está nos barcos

Na passada quarta-feira, Emanuel e Fernando davam-nos a alegria da medalha de prata em canoagem. A única medalha de Portugal nos Jogos…

No dia seguinte, Rui Tavares escreveu no Público que Portugal é um país de exclusão económica, social e política. A democracia está a degradar-se (não é novidade, reconhece). Falou em clientelismo, feudalismo e partidocracia.

Não sendo novidade o que afirmou ainda, vale a pena pôr o dedo na ferida: “um país que desperdiça gente não sobreviverá. Um sistema político que é pior do que a sociedade que representa não se mudará sozinho.”

Muito boa gente está a deixar o país porque está desempregada, era isso a que ele se referia. Deu exemplo, de um seu conhecido, um professor do ensino especial, que a esta hora pode muito bem estar a pintar cascos de barcos na Holanda.

E pintar cascos de barcos até é muito romântico, mas só  filmes como As Palavras que Nunca Te Direi, protagonizado por Kevin Costner e baseado no romance homónimo de Nicholas Sparks.

Boa sorte a todos os portugueses que, diariamente (às centenas?), saem do seu país porque o seu país não soube nem sabe aproveitar e dar valor ao que tem.

Estamos todos no mesmo barco.
 
 
Nota: O título deste post é inspirado na peça O Futuro Está nos Ovos de Ionesco, um dos grandes nomes do Teatro do Absurdo...

Cuida-te

Sim! É para Vossa Senhoria que estou a falar!

Cuida-te! Este, no chão, também é alemão!

 

Os Portugueses, por AP, e Alberto Pimenta, por SB

Alberto Pimenta - luz, sombra, brilho. © Sandra Bernardo | Direitos reservados

 

“Os portugueses não formam uma sociedade porque não são sócios uns dos outros. Tomemos os exemplos mais corriqueiros. Na cidade velha, vai-se pela rua e pode-se apanhar com sacos de migas de pão ralado, atirados aos pombos, na cabeça. E a rua está cheia de cagadelas de cão, coisa que não se vê em mais cidade nenhuma, porque cada um entende que o espaço público se pode sujar à vontade. Lisboa é habitada por uma horda que usa fato e gravata e anda de automóvel, mas que não chegou sequer ao patamar mínimo de civilização urbana. Começa-se sempre de cima para baixo. A Lisboa 94, com a sua falta de ideia, fez várias coisas em cima sem haver nada em baixo, confundiu arte com cultura. A cultura começa nas ruas onde se pode andar, no ambiente cuidado, nos jardins tratados, que não existem.

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Portugal vale a pena

Há dias, a jornalista Maria João Avillez escreveu no Público a propósito de Portugal e os Portugueses: “Nada do que vi nasceu por acaso, não foi uma sorte, nem uma oferta. Alguém – muitos «alguém» certamente – preferiu o risco e não temeu o esforço. Pensando que Lisboa, o Porto e por aí fora valiam essa pena. Pensando que o país talvez valha, Portugal tão pouco contado.”

Dias depois, o escritor, presidente da SPA e jornalista José Jorge Letria, escrevia algo muito semelhante: “Articulada de forma criativa e apelativa com a oferta turística, a cultura gera riqueza, emprego e fortalece as identidades locais, regionais e nacionais. (…) O escritor refere-se a Lisboa que pode “tirar muito mais partido da crescente popularidade internacional de Fernando Pessoa”. Mas eu digo mais: todas as cidades têm que tirar mais partido da sua riqueza cultural. Depois, J.J.Letria acrescentou:  “Há sempre mais a fazer (…).”

Há muito a fazer pelo nosso país. Mas não podemos contar com eles. Não podemos contar com um Ministro da Cultura, porque o nosso governo não considerou importante o ministério…

Vamos contar com Portugal, vamos contar Portugal. Vamos contar com cada um de nós. Estamos por nós. Comecemos, por exemplo, a contar a beleza deste país…

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, já dizia F. Pessoa.

Professores: uma causa popular

O Governo já iniciou a 2ª edição da iniciativa O Meu Movimento. Todos os cidadãos podem criar o seu movimento. O mais votado será recebido pelo PM, o Dr. (ainda ninguém provou o contrário) Passos Coelho.

Enfim, parece que o Governo ainda não conhece as nossas preocupações. Precisa que lhe digam.

Na 1ª edição foram criados 1008 movimentos e o «vencedor» defende os direitos dos animais, nomeadamente, é pela abolição das touradas.

Espero que desta vez seja recebido um movimento pela defesa das pessoas. E, mais concretamente, um movimento que defende os professores e a sua valorização!

Deixo aqui uma sugestão ao João Paulo Silva: cria esse movimento. Votarei nele!

Produtividade

para totós. Porque é baixa a produtividade em Portugal?

S. Francisco de Assis

Longa-metragem sobre S. Francisco de Assis e uma das principais Ordens Mendicantes da Idade Média. Não legendado.

ficha IMdB

Da série Filmes para o 7.º ano de História
Tema 4 – Portugal no contexto europeu dos séculos XII a XIV
Unidade 4.2. – A cultura portuguesa face aos modelos europeus

“Que se lixem as eleições”

Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal”, disse o nosso PM, Passos Coelho que, desenganem-se, não está doente, só está a fazer dieta para não ficar barrigudo.

Esta frase vai dar pano para mangas, ou muito me engano!

“Que se lixem as eleições”? Ah?

“O que interessa é Portugal”- sim, concordo plenamente.

E o que fazemos às eleições? (Elas já estão «lixadas» há muito….). Não vamos votar? Como foi «parar» a PM?

O que sugere como substituto às eleições? E o que melhorar no processo de escolha dos nossos representantes? Pelo vistos não está satisfeito, tal como não está o cidadão comum. Andamos preocupados com este assunto. É que não há meio de encontrarmos as pessoas certas através das eleições ?!

Fiquei confusa, sr. PM!

Fazedores de milagres

Francisco Vieira de Almeida, de 20 anos, foi o jogador mais jovem da equipa portuguesa de râguebi que conquistou o Algarve Sevens, ao derrotar a Espanha na final, por 7-5. Estão apurados para o Mundial 2013. Parabéns.

O seu comentário tem que se lhe diga: “Com as condições que temos, continuamos a fazer milagres”.

Não é só no desporto que se continuam a fazer milagres em Portugal. Somos «milagreiros» em muitas àreas.

Penso no Ensino: o professor é quase um «fazedor de milagres». Quem é professor percebe bem o que estou a dizer (no meio de tanta papelada ainda arranja tempo para preparar aulas).

Mas penso, sobretudo, nos reformados a viver com miseráveis pensões e nas famílias em que pai ou mãe ou ambos estão desempregados. Como se pode viver sem saber fazer milagres?

«Omoletas sem ovos», uma das especialidades da gastronomia portuguesa (sugiro candidatura a Património Nacional).

Portugal Medieval – Vida quotidiana dos concelhos

Conjunto de episódios sobre Portugal na Idade Média, realizados para a Telescola. Apesar das insuficiências da narração (os alunos costumam adorar a apresentadora) e da realização, tem algum interesse para este tema final do programa do 7.º ano.

Da série Filmes completos para o 7.º ano de História
Tema 4 – Portugal no contexto europeu dos séculos XII a XIV
Unidade 4.1. – Desenvolvimento económico, relações sociais e poder político nos séculos XII a XIV.