A herança socialista

No Expresso:

 

Um buraco negro de cinco anos em que Portugal andou a marcar passo e a engordar o estado, que vai sair da crise mais pesado que nunca. Desde a década de noventa, Estado empresas e famílias andam a gastar acima das possibilidades e o fim da linha está cada vez mais próximo. A economia nacional, que já teve quase dez anos de fraco crescimento, pode continuar a marcar passo mais uns anos.

 

Como é que se resolve esta complicada equação que mistura ingredientes esplosivos como fraco crescimento económico, desemprego elevado e contas públicas desequilibradas?

 

Não há espaço para aumento de impostos e o caminho tem que ser emagrecer o Estado. Temos que ir à raiz do problema, temos despesa pública a mais. Devíamos congelar a dívida pública ao nível de 2008 durante dois ou três anos.

 

Mas onde há flexibilidade para congelar despesa? Nas pensões e nas despesas de saúde mas aí quem aguenta a factura são os mais pobres! A irresponsabilidade pode levar a isso.

 

A dívida externa está nos 100%, se não fosse estarmos no Euro a festa já tinha acabado.

A crise internacional está quase a acabar fica a nacional que dura há vários anos, e esta só se resolve com a criação de riqueza, com a produção de bens transaccionáveis de exportação e que substituem importações.

 

Mas para isso é preciso muito trabalho, determinação e competir em mercados muito exigentes. É dificil e meritório, é mais fácil fazer obras públicas !

Pessoa: serviço de utilidade pública?

….retirado da minha memória e do meu diário de trabalho de campo…

Dois conceitos contraditórios. Aparentemente dialécticos. E, no entanto, com uma lógica de continuidade devido à contradição. Desde a mais tenra infância, fomos ensinados que os seres humanos foram criados para se amarem, se cuidarem, se acompanharem e ouvir as suas histórias. Acarinharem, se houver tristeza; rir com eles, se houver alegria. Os santos padroeiros destes textos, que os leitores podem encontrar no arquivo deste jornal, falam de empatia: simpática e antipática. Não apenas A. Smith em 1756, ou Sigmund Freud em 1885, 1905, 1917, ou Melanie Klein, Alice Miller, ou o mais recente, Boris Cyrulnik, esse novo Wilfred Bion, que define esse conceito de resiliência ou essa inaudita capacidade de construção humana…?. Ideia antiga ao ser denominada de Associativismo Cultural por Ferdinand Tönnies em 1887, ou de Solidariedade Mecânica pelo seu discípulo Émile Durkheim em 1893, e, finalmente de Reciprocidade pelo discípulo do discípulo de Tönnies, Marcel Mauss, em 1922-23. Ateus, santos padroeiros a pregar a homilia do amor entre os seres humanos e a sua interacção, do cuidado entre gerações, de visita ao doente, de ouvir com atenção e organizar o tempo para estar perto do outro de quem afirmamos gostar. Sem rispidez, sem más palavras, sem conversas de corredor, sem nos queixarmos ao outro sobre um parceiro que parece perseguir-nos. Essa cultural psicopatia portuguesa ou paranóia social, como é denominada por nós. Especialmente ao fazer queixinhas daqueles de quem esperamos 

um sorriso, um telefonema, uma visita inesperada, um presente, um abraço e um beijo. Tudo o que os nossos adultos nos ensinaram em crianças e que o 25 de Abril de Portugal desenvolveu ainda mais: igualdade bovessiana ou plebeus do mundo uni-vos, como Gracchus Babeuf escrevia em 1785 ? ideia genial nunca cumprida, escrita em tudo o que se denomina manifesto, levando Gracchus à guilhotina pelo seu amigo e camarada Robespierre. Tal como é criticada a liberdade dos movimentos ideológicos que hoje em dia, acontecem. Raiva pela mudança de partido de fundadores, o jantar amigável de dois antigos rivais que concorreram, com palavras duras, para um mesmo cargo, a Presidência do nosso país. Psicopatia social que acaba exactamente onde começa a Conveniência social de desfazer coligações vencedoras, porém mortas pela sua falta de eficácia no gerir do povo e dos seus bens.Babeuf em 1775

Desta forma a pessoa torna-se um serviço de utilidade pública. O mesmo é dizer que a relação dura o tempo necessário para obter um grau, um favor, um lugar de trabalho. Uma mão sedutora a acariciar a nossa. Uma gratuidade para começar uma relação hierárquica que nos ensine ideias novas para serem expandidas em nosso favor pessoal. Com especial estratégia que finge inteligência, bem como a metáfora de amar aos outros como a nós mesmos. Ditado popular sacralizado em texto. Instituição social, por ter a capacidade que me falta para subir um degrau na árvore da vida e morar no Éden protegido pelo benfeitor. Emotividade ou sentimento que acaba quando se obtêm o lugar desejado. Obtendo-se assim a tão almejada posição de mais valia social. Agenda que orienta o crescimento em experiências convenientes, ligações sociais úteis, amizades bem posicionadas para meio minuto. Confiança nesse desconhecido que nos convêm e parece estar bem posicionado na via de interacção, com lucro social. Até que um dia acordamos porque se torna evidente, na corrida da vida, que a obra feita pela pessoa procurada, era apenas um armário de enganos inconveniente para a nossa auto estima.

Auto estima que abandona com facilidade os mais velhos, os incapacitados, os doentes, todos eles sem poder social, aí onde se quer brilhar e ser contemplado, especialmente pela instituição de serviço público que estimula esse tipo de comportamento.

Sou cuidado, passeado, amado, enquanto for capaz de ser utilizado nessa corrida da vida, que implica ganhar ao outro, ou, talvez, sugar-lhe importâncias convenientes às nossas habilitações, quer do seu saber, da sua paciência ou da sua capacidade de exprimir uma orientação. Cresço e ganho, quem me ensinou, envelhece e perde. No interessa porque eu digo que o amo. Que o amor seja tomar conta, acompanhar, estar com? Para quê? Não é já adulto, logo deve saber fazer? E se por acaso acompanho essa pessoa, onde ficam o meu tempo e os meus lucros sociais? Antigamente, entre nós, tudo era partilhado. Hoje, deve-se fugir para ganhar: não venham retirar de mim….

O ser humano não é pessoa, é uma instituição de utilidade social, amada enquanto for útil ao que a sociedade exige. A Catequese esqueceu-se de ensinar esta ideia!Detalhe figura O Beijo, Auguste Rodin, 1904,Tate Gallery, Londres

 

 

 

A máquina do tempo: em defesa do Zé Povinho

 

Há dias atrás, o nosso companheiro de viagem, Professor Raúl Iturra, publicou um interessante texto comparando o Zé Povinho com uma personagem chilena, o Roto (que não conhecia). A nossa máquina do tempo irá hoje visitar Rafael Bordalo Pinheiro, «O António Maria»e, claro, o Zé Povinho. Os tempos eram outros, nesse último quartel do século XIX, embora os problemas de fundo não fossem assim tão diferentes como isso.

 

Entre 1851 e 1871, ocupando diversas pastas em vários governos, foi neste último ano nomeado primeiro-ministro António Maria Fontes Pereira de Melo(1818-1887). Em mais dois governos, ocupou o mesmo lugar de chefe do Governo até 1887. Pertencendo ao Partido Regenerador, foi, como se pode ver por estas datas, uma personagem que ao longo de quase quatro décadas esteve na ribalta da cena política. A sua política de fomento, de desenvolvimento das obras públicas, nomeadamente das comunicações, ficou conhecida por «fontismo».

 

Foi o alvo preferido do humor cáustico de Bordalo Pinheiro que, inclusivamente, deu o seu nome a uma das suas revistas «O António Maria». Porquê, esta fixação do genial artista?

 

No seu editorial de apresentação, «O António Maria» afirmava-se como independente. Dizia «ser oposição declarada e franca aos governos, e oposição aberta e sistemática às oposições». Digam-me lá se esta não é precisamente uma posição lúcida e que, nos dias de hoje, faria todo o sentido? O que não sabemos é se haveria poder de encaixe para aceitar uma revista que se chamasse «O Sócrates»…

 

Oposição ao governo, que abria estradas, construía caminhos de ferro, pontes, escolas, permanecendo o povo, simbolizado pelo Zé, analfabeto, miserável e desprotegido. Não acham isto parecido com o que hoje se passa – auto-estradas para todos os lugares, projectos de aeroportos e de TGVs, a par com um absoluto desprezo pela cultura, pelo caos na Educação e com dois milhões de concidadãos nossos a viver abaixo do limiar de pobreza?

 

Enquanto isto,  agora como então, uma oposição palavrosa, que condena tudo o que o Governo faz (com razão em quase tudo, diga-se), mas sabendo nós que se algum dia chegar a ser poder fará o mesmo ou pior. Ou melhor, não rectificará nenhuma das medidas erradas que este Governo assumiu, acrescentando-lhe outras igualmente lesivas dos interesses da maioria.

 

Esta oposição, à direita por comprovada ineficiência – (PSD e CDS) já estiveram em diversos governos e foram autênticos desastres e à esquerda por demagogia inconsequente, não interessa. O PCP e o BE dificilmente serão governo e, pela sua prática enquanto oposição, vê-se estarem infiltrados de políticos que usam e abusam da demagogia e da chicana. Fazem parte do sistema e do respectivo folclore. Legitimam o sistema. Porque, como Rafael, penso que o mal não é (só) deste partido que se diz socialista. O mal é do sistema. Rafael chamava ao sistema da sua época «a grande porca», referindo-se a política nacional. Ninguém tinha as mãos limpas.

 

Já sei que, esta expressão, «o sistema», assumiu, até por conotações futebolísticas, o carácter esotérico, por vezes ridículo, de uma teoria da conspiração ao estilo de Dan Brown. Na política e no futebol (a promiscuidade entre ambos é nítida) o «sistema» é identificável e nada tem de esotérico. Cambalachos obscuros, negociatas sinistras, ligações endogâmicas e não só, que desembocam em casas pias, apitos dourados e faces ocultas.

 

Gostei muito do texto de Raúl Iturra e de saber que no Chile têm o Roto, personagem irmã do nosso Zé. Só uma pequena divergência. O nosso Zé Povinho não é um parvo, nem foi uma figura criada pela burguesia (embora Bordalo Pinheiro, pertencesse a uma família burguesa) – será crédulo e humilde, manso e céptico, às vezes desconfiado, mas nunca parvo. Resmunga, protesta, mas depois lá vai votar num dos verdugos. Um caso exemplar da síndrome de Estocolmo. O que, sem o ser, pode parecer parvoíce. É uma besta de carga em cima da qual cai, além dos impostos, todo o peso da desonestidade e da incompetência dos outros, dos tais senhores de fato cinzento ou azul escuro, de gravata e carros topo de gama. Os senhores que mandam no País.

 

Rafael Bordalo Pinheiro, a propósito da mudança alternante de governos disse: «O Zé Povinho olha para um lado e para outro e… fica como sempre… na mesma». Mas como não é parvo, apenas manso e crédulo, um dia a paciência pode esgotar-se-lhe. E quando o Zé deixa a sua mansidão e credulidade e se zanga, transforma-se num grande problema para quem o tiver atormentado. Aconteceu a seguir ao 25
de
Abril de 1974. Pode voltar a acontecer.

 

Depois não se queixem.

 

P.S. – Dedico este texto ao Professor Raúl Iturra, com um abraço de gratidão por me ter fornecido a ideia de defender o «nosso» Zé Povinho.

 

Antropologicamente o casamento gay…

Não sei o que é que isso quer dizer e quem o disse também não, mas foi a maneira de ficarmos a saber que o PSD quer uma "uma união de facto registada" em vez do termo casamento".

 

Assim, os gays gozariam de todas as benesses, sociais, jurídicas e patrimoniais que o casamento dá, mas sem a designação "casamento".

 

Com o BE a coisa fia mais fino, "não podemos dar aos gays um registo mitigado  de casamento, algo entre este e as uniões de facto", porque somos todos iguais perante a Lei.

 

E somos, a prova disso é que os heteros continuam a casar-se porque são de sexos diferentes, enquanto os gays passariam a casar por serem gays. É como dizer a um negro "eh, pá, você pode casar por ser negro", nada disso, ele pode casar porque é um homem que vai juntar-se a uma mulher, segundo um contrato que se chama casamento!

 

A ser como os gays querem, a desigualdade seria manifesta, eles poderiam casar por serem gays, não por serem homem ou mulher.

 

A verdade, é que o argumento "mas tu ficarias prejudicado se um homem casar com um homem?" é falacioso, é como perguntar, se um dia destes um gajo qualquer se lembra de casar com a filha. Tambem não me prejudica, mas porra, já não há, antropologicamente falando, moral?

 

O grande equívoco é pensar-se que "o casamento" não passa de um papel, não tem qualquer valor, fogo à peça e fé em Deus. Ora, pensar assim é um tremendo erro porque há muita gente (a maioria?) para quem o casamento é uma instituição de grande significado, toda a vida viveram de e para o casamento. Estão errados? É com eles, não podem é ser desapossados de uma referência social, familiar e moral com a qual viveram toda a vida.

 

E torno a perguntar, os gays querem ser iguais aos heteros? Não seria bom estarmos em campos devidamente definidos "orgulho gay"?

 

E que tal um pouco mais de celeridade?

Só na próxima semana o Procurador Geral da República vai iluminar o país em relação às certidões extraídas do processo "Face Oculta", em relação às conversas escutadas entre José Sócrates e Armando Vara.

 

O caso, pela complexidade e importância, deve ser tratado com todo o rigor, daí o envio das escutas para o Supremo Tribunal de Justiça. Até aqui, nada a dizer. Todo o cuidado é pouco e nestas coisas não se pode falhar.

 

Convinha, no entanto, dar alguma celeridade a estes processos. Não por envolver pessoas influentes, importantes e dirigentes políticos. E, sim, porque envolve pessoas influentes, importantes e dirigentes políticos. Parece contraditório e é. A questão é que estas pessoas influentes, importantes e que são dirigentes políticos têm muito a ver com o destino de todos nós.

 

Apesar de tolhido num certo estupor que nada tem de racional, ainda para mais em tempo de crise, o país precisa de ter respostas muito em breve.

Dias de Novembro

No século XX há duas datas que marcam o caminho da humanidade por uma outra sociedade que derrube o capitalismo, chamem-lhe comunismo, socialismo, arroz com ervilhas ou o que quer que seja.

 A 7 de Novembro de 1917 na Rússia a primeira revolução triunfante criou a União Soviética, trazendo uma lufada de esperança aos explorados de todo o mundo.

 

Comite central do partido comunista russo em 1917

A 9 de Novembro de 1989, o derrube pelos berlinenses do muro que simbolizava a vergonha em que se transformou a URSS, onde o pior dos capitalismos, aquele onde domina uma clique de burgueses burocraticamente cooptados governando com mão de ferro um povo condenado a uma enorme desigualdade social e submetido por uma máquina repressiva incontrolável.

Faz hoje 20 anos que, simbolicamente, a URSS deixou de ser um aparelho de propaganda do capitalismo, regressando ao capitalismo tradicional, em breve seguida pela China. A URSS, o país onde provavelmente se  assassinaram mais comunistas que em qualquer outro. Um dia que honra a memória dos homens assinalados a vermelho na imagem, membros do comité central do partdo bolchevique em 1917.

Duas grandes datas, das maiores de um século, onde por duas vezes alguns dias mudaram o mundo.

FUTaventar – S.L. Benfica ganhou à Naval

Desta vez não houve goleada, mas houve TUDO o que é necessário para ser campeão!

O melhor jogo do BENFICA este ano!

Javi Garcia

 

 

Um golo do jogador que, na minha opinião, está a fazer a diferença este ano!

Ao fim de quatro meses de trabalho, creio que há duas marcas na dinâmica de jogo do Benfica: a pressão alta e a forma como os avançados – Di Maria, Aimar e Saviola – imprimem velocidade ao jogo ofensivo.

E, para que estas duas coisas aconteçam é preciso que o Benfica tenha bola… Aí entra o Javi Garcia! Sorrio quando me lembro do que se disse e escreveu quando se percebeu que o Benfica tinha desistido do Reyes para ficar com este "novo Balboa".

 

Mas quanto ao jogo de hoje,

Que sofrimento!

André Vilas-Boas no FC do Porto

Pois é, o André Vilas-Boas tem mesmo de ser o próximo treinador do FC do Porto. De preferência, já na próxima época.

Não se trata apenas de ganhar ou perder campeonatos. Trata-se de implementar uma filosofia de jogo, de transformar o futebol numa paixão. Vilas-Boas, pelo que aprendeu com Mourinho e não só, é o seu digno sucessor.

Quanto a Jesualdo Ferreira, devemos agradecer-lhe imediatamente tudo o que fez pelo FC do Porto. Ter sido tricampeão nacional nunca será esquecido.

As falências não falecem

Todos os dias temos notícia de falência de empresas deitando para a o desemprego milhares de trabalhadores.

 

Inexoravelmente, a crise, pese embora a propaganda e os números falsos atirados contra a miséria, vai fazendo o seu caminho, perante a incapacidade dos governantes. Da mesma forma que nada são capazes de fazer contra o desemprego, tambem nada são capazes de fazer a favor do emprego, criar postos de trabalho, criar riqueza, única forma de manter o nível de vida das pessoas.

 

Milhões atirados para cima dos bancos, que supostamente chegariam às empresas, pouca relevância têm quando o que está em jogo é a dura realidade do mercado de trabalho, dos mercados que deixaram de comprar ou dos preços que deixaram de ser competitivos.

 

Bem podem os políticos socialistas colocar os seus nas empresas públicas, controlar bancos e escolher a dedo os negócios que ajudam ou os que deixam cair, que não substituem a iniciativa da sociedade civil na produção de bens transaccionáveis e exportáveis e que substituem importações.

 

Endividar o país e construir pontes e autoestradas é fácil , muito fácil. Daqui a dez anos estamos tão pobres e sem tecido empresarial como estamos agora e aí íniciaremos um novo ciclo de obras públicas e assim sucessivamente. Alimentar a besta insáciavel.

 

Desde " o condicionamento industrial de Salazar" que é assim, o Estado e a visão centralista de meia dúzia de grandes grupos económicos, a ganhar dinheiro em monopólio

e/ou em cartel, sem risco, abafando a iniciativa privada, tolerando aqui e ali iniciativas mas nunca fazendo delas " a paixão" de governar.

 

Todos os dias fecham empresas, apesar dos milhões disponibilizados, das medidas gritadas aos quatro ventos, dos 600 000 trabalhadores no desemprego.

 

Percebi bem esta incapacidade quando o ex-Presidente Eanes dizia, que o que mais o horrorizava no poder ,apesar dos imensos meios colocados à sua disposição, era a incapacidade de poder resolver os problemas concretos das pessoas.

 

Ninguem diz a Sócrates que é mais fácil calar uma voz incómoda na TVI do que criar um único emprego?

Se a minha vagina falasse

          

 

 

  Do Jornal de Notícias de hoje:

 

 

 

 

 

              Num país iletrado e iliterato, uma pessoa ciente da necessidade de cultivar as massas devia falar de livros e de filmes e de arte abstracta, mas como resistir ao apelo de uma vagina que absorve – é o termo! – desta maneira aquele que poderá ser considerado um dos títulos jornalísticos do ano? Resumindo: considero imperdoável que o pé me fuja tão rapidamente para uma pantufa vagamente lúbrica, mas não me perdoaria se não partilhasse convosco alguns pensamentos inocentes.

Em primeiro lugar, confirma-se a incompetência da justiça. Vejamos: a dada altura, ficamos a saber que o tribunal confessa que “não encontra os arguidos para os notificar.” Será necessário um raciocínio assim tão elaborado para concluir em que local estarão escondidos os meliantes? Basta usar como guia um ginecologista com experiência em espeleologia, senhores! Convém, igualmente, que a polícia se faça acompanhar por um negociador, não vá dar-se o caso de os criminosos quererem usar algum óvulo como refém.

Entretanto, tivemos acesso à gravação áudio da preparação para um assalto. Aqui fica a transcrição.

                Voz masculina 1: Vamos lá ver se está o material todo. Armas?

                Voz masculina 2: Confere.

                Voz masculina 1: Cordas?

                Voz masculina 3: Confere.

                Voz masculina 1: Pés-de-cabra?

                Voz masculina 4: Confere.

                Voz masculina 1: Vagina?

                Voz feminina (sensual): Queres conferir?

                Voz masculina 1 (pigarreando): Mau, mau, vamos lá continuar…

 

 

                Enfim, após tanta importância dada à face – mesmo que oculta – parece-me um sinal de pluralismo que a justiça dê agora importância a outras partes do corpo.

Quando a vida nos é destruída mesmo antes de nascermos

 

Adil Zhilyaev tem dois anos. É cego e sofre de paralisia cerebral e de hidrocefalia. Doenças que herdou da mãe, que esteve exposta, há uns anos, às radiações emitidas pelos testes de armas nucleares pela extinta União Soviética (URSS) no tempo da guerra fria.

Os pais abandonaram Adil, aqui ao colo da enfermeira Larissa Soboleva, no orfanato de Semey, no Cazaquistão, numa imagem de 24 de Novembro de 2008.

 

Enquanto se assinala hoje o 20º aniversário do Muro de Berlim, uma outra data ficou por registar. Há 60 anos, a URSS fez explodir a sua primeira bomba nuclear, apelidada de “Primeiro relâmpago”, num campo de testes do norte do Cazaquistão. O local, com o nome de Semipalatinsk Polygon, foi cenário de 456 detonações atómicas nos seus 40 anos de existência.

 

Os habitantes das redondezas foram expostos de forma deliberada, por vezes, de forma imprevista, de outras, aos efeitos da radiação. Foram também sujeitos de testes. Acabaram afectados por doenças como cancro, deformidades, envelhecimento precoce, doenças da tiróide e do coração. Ainda hoje a esperança média de vida é de 17 anos a menos que a média nacional do Cazaquistão.

 

A radiação afectou três gerações de residentes. Mais de um milhão de pessoas foram afectadas. Umas mais outras menos. Já se vê que Adil foi dos mais atingidos, como muitos outras protagonistas de uma reportagem fotográfica de Ed Ou para a Getty Images, que o Big Picture hoje mostra.

 

 

Angela Merkel diz: o Dia da Felicidade

Berlim, 1 de Setembro de 1986

 

Hoje, 9 de de Novembro de 2009,  Jerónimo de Sousa denuncia um mundo "mais injusto, com mais desigualdades e mais perigoso". Como se este mundo, não fosse incomparavelmente mais democrático, justo e seguro que aquele de há vinte anos! As desigualdades entre alemães de leste e do antigo ocidente, devem-se antes de tudo, à ocupação e despotismo soviéticos, exercidos através do regime dos gauleiters W. Stoph e Erich Honnecker. 6.000.000 de cidadãos catalogados na sede da Stasi, medo generalizado, prepotência e depotismo levados ao limite por uma STASI doze vezes mais vasta que a Gestapo de Adolf Hitler. Um protectorado russo – ao mesmo nível do Reichsproktetorat da Boémia-Morávia de 1939-45 -, a RDA era patrocinadora de todo o tipo de terrorismo e os seus líderes participavam lucrativamente no tráfico internacional de armas e de estupefacientes. Uma população que auferia de cerca de 30%  do nível de vida dos seus concidadãos ocidentais e que hoje atinge – ainda insatisfatoriamente – 70% da média da antiga República Federal da Alemanha. As cidades hoje limpas, reconstruídas e com o arruinado património arquitectónico em quase completa fase de recuperação.Gente que pode circular, ler, escrever e pensar, sem medo de delação por parte de um amigo, vizinho ou familiar. Muito falta por fazer, dizem os alemães. Decerto.

 

Visitei Berlim-leste em 1986. Uma cidade plena de ruínas da II Guerra Mundial, triste, cinzenta e onde era impossível estabelecer qualquer tipo de diálogo com habitantes que nos olhavam  à distância com uma mescla de medo e curiosidade. Uma cidade policiada a cada esquina, com poucas lojas cheias de prateleiras vazias. Jamais esquecerei a experiência à saída daquele "supermercado" reservado a quem possuía numerário ocidental – os poucos turistas e a gente do Partido SED-, quando tendo comprado alguns chocolates, batatas fritas e alguns outros snacksprovenientes do Ocidente, deparei com três miúdos que olhavam fixamente o meu prometedor saco de plástico. Ofereci-lhes tudo quanto comprara e não me arrependi, tendo há muito a certeza de que pouco tempo faltaria para que eles próprios pudessem ter uma vida normal, sensivelmente idêntica à dos seus irmãos da Alemanha Ocidental.

 

Mas que diferença esta Alemanha oriental, daquela outra que visitei em Setembro de 1986 e que era um pardieiro de lixeiras a céu aberto, rios e terrenos poluídos, policias em cada esquina, soldados de ocupação, uniformes por todo o lado, passos de ganso, gente triste, cabisbaixa, mal vestida e proibida de falar com os estrangeiros! Que diferença, sr. Jerónimo de de Sousa, que diferença!

 

O fim de Honnecker foi rápido, lapidar e soube procurar um tranquilo refúgio para os seus últimos dias de vida neste mundo: o Chile do general Pinochet.

 

 

O crescimento dos filhos é a lenta morte

 

 

1. Introdução.

 

O título é uma hipótese. Parece existir uma estrada de dupla via, dois caminhos paralelos entre ascendentes e descendentes dum ser humano, um cruzar-se nas diferentes etapas da vida entre adultos e crianças. Um efectivo avanço das crianças, parece resultar num aparente declínio dos pais; à medida que a criança cresce, o adulto inicia esse declinar e não a procura de outros objectivos não entrosados à vida com a qual sempre sonhou ou para a qual se preparou ou foi preparado. Todo o adulto, na nossa cultura, é ensinado que o seu objectivo é fazer crianças, nutri-las, cuidá-las, ajudá-las no seu crescimento e educá-las. Amá-las. Ser o peão de pivot, o fantasma do objecto da vida, o apoio necessário para os que andam a aprender. Modelo para filhos, ou para a nova geração, caso não haja filhos. A questão que se coloca não é simples: um dia nasce uma criança e os adultos, alvoroçados, sentem e pensam que o seu olhar deve ser reproduzido; o seu pensar, um elo central; as suas palavras, a lei sagrada a ser respeitada. O seu amor, o centro da forma de reproduzir o grupo social. Reprodução com ou sem descendentes, reprodução como memória histórica: o que eu faço é bom, mas, melhor ainda, se a geração seguinte fizesse da mesma forma. Igual nos sentimentos que me fazem feliz, igual no agir que me torna o centro do meu grupo social. Conquistar a minha hierarquia e ultrapassá-la. Este parece-me ser o sentir das pessoas que analisei na Beira Alta ( Portugal), em Pencahue, (Chile) e Vilatuxe, (Galiza). Sítios que dinamizam a minha observação, a minha conclusão e a minha emotividade. La gallina ciega (Goya).jpg. La gallina ciega, Óleo sobre lienzo, 269 cm x 350 cm. Date. 1788-1789.

 

 

2. O crescimento das crianças.

 

Há já muitos anos que convivo com as crianças dos lugares anteriormente referidos. O tempo passa, elas crescem. Os pais parecem ser estar iguais, enquanto amadurecem, não ficam mais velhos, como entendem o real com maior parcimónia, e isso, deve-se não a cronologia, com um algarismo a mais (o numero é irrelevante),mas à experiência. Essa sim, é o mais importante. O adulto vai entendendo a memória social e o contexto que a cria,  dinamiza, a produz, e  que lhe lembra o que fazer, quando e como. Memória que, desde a via paralela, a geração mais nova observa com curiosidade pelo real. Não é ainda uma experiência acumulada, e amadurecida, é, antes uma experiência que desenha o futuro, projectando (podríamos dizer que é o que e como gostaria de ser quando for grande) imaginariamente o que atingir para conquistar o seu lugar. Tal e qual o adulto já atingiu criando para si um nicho social dentro do seu grupo. Vias paralelas que se observam: a miudagem que tenta entender esse querer amar,  possuir,  preparar uma vida folgada como recompensa de uma vida de trabalho. O adulto folga-se do sucesso enquanto a miudagem se afasta do cansaço que no sucesso do adulto, vê. O adulto pensa e sente que a sua vida é o lar ao qual a criança deve, um dia, chegar. A criança pensa e sente que esse lar já foi trilhado e é tempo de começar de uma forma diferente. Os seus adultos foram pais bem cedo, as crianças querem adiar a criação para o dia em que tenham uma vida económica viável. Os seus adultos apaixonaram-se quase na puberdade e criaram crianças; estas, por sua vez, começam a distinguir entre paixão e amor: a primeira, como a junção de corpos no prazer de se acariciarem; o segundo, para cimentar uma união que acompanhe duas pessoas numa eventual procriação ou criação, acrescentando carinho à paixão e ao amor. Um terceiro sentimento novo, que permite a organização de uma vida a dois

que os acompanhe até o fim dos seus dias.

 

 

3. É a lenta morte dos pais.

 

Será a ideia dos pais desaparecerem? Ou a ideia natural dos mais velhos morrerem primeiro? É o sentimento da memória social que separa as águas de duas gerações diferentes, em rotas de subida e descida pelas vias da vida? Ou, não será apenas apagar o exemplo do adulto no andamento pelos trilhos da vida? Parece ser certo os mais velhos traçarem o exemplo. Parece ser certo os mais novos fixarem  novas regras. Porque há novos dados. Tal como os Romanos que não souberam usar a lei de Arquimedes para levar a água para dentro da casa por debaixo da terra, construindo muros como canais para a elevar até ao fogão. Tal e qual a nova geração tem aprendido que autonomia e individualidade, vontade e objectivo de vida, são as vias subterrâneas, privadas e íntimas, para a felicidade. A criança cresce no caminho contrário ao do seu adulto. Cresce até ao ponto de não se reconhecer nos seus ancestrais mais imediatos na produção da vida. Esse feito que tenho denominado reprodução e desino agora também, de transição. A geração dos pais, com ou sem tenham descendentes, procurava e queria a reprodução. A geração mais nova, quer ser transição. Entende-se como transição. Não entre nascer, crescer e morrer, mas sim em como será a vida com a analise da sua nova possibilidade cronológica, da descoberta do genoma humano, dos esrtudos que lhe estão associados, abrindo novas formas ao de entendimento, faz saber como a sua vida vai decorrer. O saber científico de hoje, bem como o saber da gestão da economia para o lucro de todos por igual, sem trabalho em demasia. A clonagem da vida à qual estão agora agarrados os novos seres. Ainda em Pencahue os adultos continuam a falar calados por temor ao velho ditador, quem tanto matou, nomeadamente entre esta população,  provocando o silêncio dos adultos, não vá algum fetiço ressucita-lo. Os mais novos já não querem saber desse medo: desejam e têm o direito de viverem a sua vida sem olhar sempre para o passado. Falarem calmamente as palavras que pensam e fazerem o que sentem: já não há perseguição. Não entendem esse conceito e, menos ainda, o sentimento de um saber no experimentado. Há toda uma transição entre ascendentes e descendentes. Ou, esse outro que diz, algures em Pencahue, em Vilaruiva ou em Vilatuxe, que o pensamento católico continua a condenar as opções sentimentais das pessoas quando não ajustadas à Tradição da Patrística, tal e qual lhe parece ler no Catecismo de 1991. Leitura adulta mal feita, Tradição e Patrística sempre manipulada pelos objectivos das pessoas que desejam governar as suas vidas e impor esse entender no meio do seu grupo social. Como, de facto, aconteceu em Pencahue, quando vi tantos casais novos de experiência antes do compromisso, tanto adulto a perguntar-me como era possível voltar ás águas passad
as
, furtadas pelo agir do saber que eles não entendiam. Ou esse rapazes de Vilaruiva, a pôr em questão as suas mães num debate público sobre sexualidade: tua não me deixas, tu queres mandar e eu quero ser autónomo, seria a síntese dessa discussão. Debate de meninas de 19 anos com mães de 40. Questão nunca pensada pelas santas senhoras a congeminarem na vida em que foram criadas, elas próprias e as suas santas mães, algumas delas, já anciãs. Pais a temerem pela castidade da sua descendência, essa que nem diz nem conta, mas não ouve a homilia que desde Roma ou Fátima se tenta inculcar. Homilia a cair em ouvidos em transição, ouvidos sem tímpanos para entenderem o som da melodia de dançar, de melopeia que perdura pelos passeios das ruas que o grupo social cruza ao partilhar um saber universal. Os pais a saberem que continuam vivos como seres, mas mortos como autoridades; sem saberem que, dentro de cada pequeno, esse adulto ficou quando a pequenada era menina e quando, já na puberdade, esse adulto soube entender que a vida era muito diferente à vida da que ele próprio teve quando jovem e pequeno.

 

4. Epílogo.

 

O crescimento das crianças é a lenta morte dos pais. Mais entendem, sabem e fazem os novos, menos pais e mais amigos ficam os adultos. Quase da mesma geração se conseguirem não mandar o que não entendem, e entenderem a nova era que hoje se vive. A seguir à clonagem do genoma, à sua analise, à mudança dos dogmas das Igrejas, mudanças necessárias para se ajustarem ao avanço do que, no Século XIV, o frade franciscano de Oxford, Guilherme de Occam, denominava como ciência:  prática das pessoas validada pela dinâmica que a experimentação traz na interacção humana, bem mais avançada que a Teologia do Vaticano. A lenta morte dos pais deve ser aceite pelo ser humano, jovem ou adulto, para continuar a viver em paz e felicidade, ou pelo menos, em compreensão. Como a desses pequenos de Pencahue que me deram uma festa de dança e flores, por eu ter falado deles nos meus livros. Amor com amor se paga, foi-me dito. Amor com amor, faz da lenta morte dos pais, uma transição do tratamento de adulto para adulto. Amor que nunca deixa o ninho vazio, que o faz crescer enquanto os novos ninhos aprendem  o amor como desejo e esquecem a paixão já apagada nas práticas da adolescência e da primeira, da segunda e terceira juventudes. Conceitos até hoje usados apenas para o fim da vida: a terceira e quarta idade. Conceitos que devem ser transferidos às novas formas de vida que incrementam a cronologia da juventude alongando as idades da vida. Enquanto crescem as crianças, morrem os pais, mas as pessoas ficam juntas e em convívio . A ciência deve-nos obrigar a mudar os conceitos, tal como a vida tem mudado da reprodução para a transição. Como a juventude de hoje  faz transintando entre alternativas.

Fonte:

  • Catecismo de la Iglesia Católica, 1992, Asociación de Editores del Catecismo, Madrid. A versão portuguesa é de 1993.
  • Iturra, Raúl, 2000: O saber sexual das crianças. Desejo-te, porque te amo. Afrontamento, Porto.
  • A Página da Educação, Nascer, morrer, crescer: a persona é transição, Julho de 2000. Porto-
  • Miller, Alice, (1970) 1994: El drama del niño dotado. Tusquets Editores, Barcelona.
  • (1980) 1983: For your own good. The roots of violence in child -rearing. Virago, Londres.
  • (1988 a) 1990: El saber proscrito. Tusquets Editores, Barcelona.
  • (1988b) 1991: La llave perdida. Tusquets Editores, Barcelona.
  • Occam, Guilherme de, (1319) 1985: Principios de filosofía. Sarpe Editora, Madrid.
  • Valcuende del Río, José Maria, 1998: Zalamea la Real: la tierra y la mina. Cambios socio-económicos, relaciones de poder y representaciones colectivas. Diputación Provincial, Huelva.
  • Vega e Carpio, Lope de, c. 1580: Si tu pensas. Monserrat Figueras, Jordi Saval, Hesperión XX. Astrée, Berlim 1987.
  • Texto reeproduzido do Jornal A Página da Educação, da minha autoria,

    A Página impressa – arquivo


    N.º 94

    Ano 9, Setembro 2000

    Escrito para conforto de amigos

 

 

A água do Louçã

A água é, para Louçã, um bem insubstituível  que pertence a todos e não deve ser objecto de negócio.

 

É uma maneira de dizer que a água tal qual os outros bens essenciais à vida devem ser propriedade do Estado. Não é dificil estar de acordo com tal postulado.

 

Mas ,e para mais fácil definição chamemos-lhe negócio da água, o negócio consiste em i) captar a água,ii) transportá-la iii) distribuí-la.

 

Se a propriedade se deve manter como propriedade colectiva, e isso é coisa que não se discute, as outras componentes do negócio podem e devem ser atribuídas a quem 1) o faça com mais competência 2) da forma mais barata .

 

Não está provado que a água chegue a nossas casas em melhores condições e mais barata se for capatada, tratada e distribuída pelos privados ou pelo Estado. A estas questões só concursos públicos (sem Faces Ocultas) podem dar resposta. Ao Estado caberá sempre o papel de regulador e fiscalização, porque com a água não se brinca, não só porque é um bem escasso mas tambem porque influencia, e de que maneira, a nossa saúde.

 

A primeira coisa a fazer é distinguir muito bem qual o papel do Estado, insubstituível no cumprimento das regras, depois definir as várias fazes do negócio a) em alta (captação e tratamento e b) em baixa (transporte e distribuição) e a seguir promover as melhores condições para as diversas fazes.

 

Todos se dizem muito preocupados com o negócio da água, no futuro a sua míngua será uma certeza e a vida não é possível sem ela, mas quando sabemos que 60% da água captada se perde no transporte e na distribuição, por menor manutenção da logística de transporte, percebemos que há muito por onde se trabalhar.

 

E que dizer da utilização abusiva da água, na via pública, nos jardins e nas nossas casas, para não falar da sua utilização em actividades que bem podiam ser efectuadas por água reutilizável.

 

E com estes dados pergunto. O mais baixo preço é mesmo o melhor preço, no caso da água? Não dará azo a uma utilização desregrada que um preço superior pode limitar?

Os professores avaliados não podem ser prejudicados

Arranjem uma solução transitória até entrada em vigor do novo modelo de avaliação mas os professores avaliados não podem ser prejudicados. Cumpriram com o que as escolas lhes indicou.

 

Muito menos os professores com notas de excelente e de bom. Ainda compreendo que quem está pouco satisfeito com a nota que obteve ou que não foi avaliado, não veja a nota ter consequências na sua carreira, mas os que trabalharam para a avaliação não podem ser prejudicados.

 

Felizmente que hoje já se fala em novo modelo não se colocando em causa a avaliação, mas espero que o novo modelo não seja o do PCP que quer "avaliar as escolas, não os professores" o que quer dizer que os professores continuam a ser avaliados todos como excelentes e subirem todos ao topo da carreira.

 

O PCP o que propõe é uma avaliação sem consequências, o igualitarismo, todos iguais, "para função igual, salário igual" quando o que se pretende "é trabalho igual, salário igual" o que é bem diferente, leva em conta a produtividade do professor.

 

Claro, que o Mário "alucinado" já anda aí a fazer ameaças, ou é como os sindicatos querem ou vamos para a luta.

A máquina do tempo: David Mourão-Ferreira

 

David Mourão-Ferreira é um escritor muito conhecido, muito falado, com muitos estudos e numerosas teses académicas sobre a sua obra. Não faria muito sentido estar aqui a glorificar os seus livros, a sua poesia. Há um pormenor, que me leva a subir para a minha máquina, a voltar uns anos atrás e ir ao encontro da recordação que dele conservo – a amizade. Sempre me tratou com amizade e eu era muito amigo dele. Por isso, não tecerei elogios à sua obra – deles não precisa – outros o fizeram e o farão melhor e com maior autoridade. Falarei um pouco da sua grande amabilidade, da generosidade que era nele uma segunda natureza.

 

Embora tenha sido director do serviço da Fundação Gulbenkian em que trabalhei durante dez anos, não nos cruzámos ali, pois saí em 1971, quando o director era ainda Branquinho da Fonseca. Conhecera-o na Faculdade de Letras, estive com ele em reuniões da Associação Portuguesa de Escritores; era uma relação cordial, mas mais ou menos formal.

 

 

Quando lancei o meu primeiro romance, «Talvez um Grito», dado que ele fizera parte do júri que o distinguira, fui à Gulbenkian pedir-lhe que fizesse a apresentação que seria no Solar do Vinho do Porto – imediatamente se disponibolizou, sem qualquer espécie de hesitação. Fez uma apresentação magnífica, que tenho gravada em vídeo (mas num standard que já se não usa, o Beta, e não sei se a conseguirei recuperar), lendo da forma expressiva que o caracterizava, e valorizando-as, como só ele sabia, algumas das páginas do livro.

Fomo-nos encontrando, almoçámos algumas vezes na Gôndola, um restaurante que ficava perto do meu escritório, na Av. António Augusto de Aguiar e a poucos passos do edifício da Gulbenkian onde estava instalada a direcção do Serviço de Bibliotecas. Num desses almoços, propus-lhe que dirigisse uma história da literatura portuguesa (não pôde aceitar, pois estava com mil e um compromissos, mas forneceu-me uma série de pistas de grande utilidade). Na Primavera de 1996 encontrámo-nos casualmente no restaurante do Hotel Continental – eu não o reconheci, pois estava muito magro, quase calvo, acabava de chegar de uma clínica de Londres,  desfigurado pela doença e pela quimioterapia. Estávamos costas com costas e ele chamou-me. Disse-me sorrindo que a sua vida estava por dias ou por semanas. Protestei e ele continuou a sorrir. Fiquei devastado. Em Junho morreu.

Fui à maldita Basílica da Estrela, onde o corpo estava em câmara ardente. Não sei por que motivo os escritores ali vão sempre parar (o Palácio Galveias não seria mais adequado?). Não era o caso do David, mas, por exemplo, o Orlando da Costa e o Luiz Pacheco, comunistas e ateus, numa basílica… A nora, a ex-apresentadora da RTP, Margarida Mercê de Mello, leu alguns poemas dele. Um era muito comovente, dizia: – «Há-de vir um Natal e será o primeiro/ em que se veja à mesa o meu lugar vazio…» No cemitério dos Prazeres, Amália (com a qual abri este post, cantando uma canção com letra de Mourão-Ferreira), chorava copiosamente.

David Mourão-Ferreira, um grande poeta, um grande professor e intelectual. E, acima de tudo isso, um homem de uma excepcional e humana capacidade de ser generoso.

Um bom amigo.

Deixo-vos com o seu poema «A Secreta Viagem», muito bem interpretado por António Moreira da Silva.

 

 

 

Prós e Contras

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COMO DE COSTUME, É ASSIM

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Como se sabe, eu não gosto da sra d Fátima. Já o escrevi várias vezes. Desde que fez um programa pretensamente sobre o Porto, ou talvez antes, que cheguei a essa conclusão. A sra é, no meu entender, uma nódoa nos programas televisivos, mas tem audiência, e isso conta muito nos interesses de cada um.

Agora e mais uma vez, a sra está nas bocas do mundo, que é como quem diz, nas bocas dos homens do CDS e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

E o CDS tem toda a razão e legitimidade para fazer queixa contra o programa Prós e Contras e contra a sua apresentadora e responsável.

Como estação televisiva de serviço público, não se admite que num programa sobre o governo, se convidem elementos do governo, do maior partido da oposição e do quarto maior partido da oposição, esquecendo o terceiro e o quinto.

Porque será que os responsáveis pelo programa assim procedem? Será que o CDS incomoda tanto que até num programa de televisão tem de ser calado?

Logo à noite, quem tiver a pachorra de ver o dito programa, logo saberá se voltaram com a palavra atrás ou se acabaram por fazer o programa assim mesmo.

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Casamento gay – a verdade da mentira

" Só interessa o amor. O casamento não passa de um papel!"

 

Este foi o grande argumento para apoucar o casamento entre duas pessoas de sexo diferente. Não tinha interesse nenhum só os parvos e quem acredita nessas tontices da procriação e da família é que ía nisso do casamento.

 

Agora, como determinaram que é moda casar os gays, os mesmos que vomitavam aquela frase, usam-na em sentido contrário. "quem se ama não se pode casar"!

 

Mas trata-se só de um papel, o amor é que une as pessoas, é a única coisa que interessa, para quê o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo?

 

Os gays não apresentam nenhuma razão sólida para terminarem com a instituição casamento tal qual a conhecemos. nem uma !

 

Mas não parece que proteger o casamento, a família e a procriação seja coisa de somenos, bem pelo contrário, trata-se de um alicerce fundamental da sociedade em que vivemos. O contrato casamento é um contrato entre duas pessoas de sexo diferente e assim deve continuar. As uniões de facto já protegem juridicamente os contraentes do mesmo sexo que queiram viver juntos.

 

As instituições fundamentais da nossa sociedade não podem estar à mercê de modas!

Quando a água e o azeite se misturam

Por vezes o azeite mistura-se com a água. Quando acontece nem tudo é assim tão transparente. Por isso, nem todos os casos de violência doméstica são de diagnóstico simples, porque esta violência, como outras, não é sempre clara como água.

 

Não são as nódoas negras, nem os braços partidos. São outros sinais, outras mazelas, que um estudo europeu (de nome DoVE) pretende avaliar. Portugal está na primeira linha desta investigação. Ainda bem.

A Fugas do Público

É um exemplo de bom jornalismo.

Sandra Costa, Directora da Fugas (Suplemento de Sábado do Jornal "Público")

Feito por gente boa que todos os sábados me surpreende.

O dinheiro, ou a ausência dele nunca me deu muitas oportunidades para viajar e conhecer outros mundos. Com a Fugas, todos os Sábados (o únido dia da semana que não termina em A  em que compro o jornal) sonho em sair daqui! Fico a saber mais sobre comida, sobre os vinhos que não bebo, sobre os carros que não gosto… Mas é sempre um prazer ler.

Obrigado pelo vosso trabalho!

FUTaventar – Domingos e o Pinto da Costa

São tão amigos, mas mesmo, mesmo tão amigos que o FCP até perde só para deixar o Domingos à mesma distância. Isto é que é camaradagem!

Coisas Que Me Confundem, Muito! (Parte Dois)

.PARADAS?, OCULTADAS!

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.Nove certidões do FACE OCULTA estiveram paradas (ocultadas, escondidas, sonegadas, disfarçadas, subtraídas) quatro meses na PGR.

Foi por causa das eleições?

Mas que grande lata que estes senhores têm!

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O Roto Chileno e O Zé Povinho: duas espadas na mesma bainha

Em 1839, no sul do sul do mundo ocidental, livrava-se uma guerra entre o Chile e a recentemente criada Confederação Peru-Boliviana. Países recentemente libertados da Monarquia Espanhola. O Chile, em 1818, ajudou o Peru, e em 1820, o Peru a Bolivia. Ganharam a sua autonomia. Do Peru, foi expulso o Vice-rei espanhol e o governador da Bolivia, o Marechal Andrés de Santa Cruz,tomou o mando das duas nações.As nascentes repúblicas sul-americanas enfrentaram um inevitável período de anarquia política até lograr o necessário consenso cidadão para se consolidarem como nações- A criação da Confederação Peru-Boliviana, outorgou a Santa Cruz o poder político  e económico suficiente para projectar-se superiormente contra Chile.O Ditador desenvolveu sérias interferências às actividades comerciais chilenas, violando tratados existentes, em quanto buscava fazer cair ao Governo do General José Joaquín Prieto Vial com variadas tácticas de infiltração política,

Os chilenos não aceitaram, rebelaram-se contra a confederação e a  marcha forçada, cruzaram 3000 quilómetros de território chileno para atacar a quem pretendia derrubar o seu Governo. O ponto nevrálgico para entrar em territórios da Confederação, era assaltar o Morro de Arica, um monte de pedra, guardião das fronteiras dos três países, que tinha que ser ultrapassado. Parecia quase impossível. No entanto, a 20 de Janeiro de 1839, o exército chileno,

com facas e muito aguardente, trepou esses 600 metros de altitude, com 56 Km de comprimento e apenas 8 Km de largura máxima e.914 metros a maior elevação, debaixo do ataque a tiros dos soldados da Confederação. Metralha impossível de atingir aos que escalavam o morro, porque a pendente alta e plana desviava a espingarda para o vazio ou sobre as tropas que protegiam os atacantes e disparavam contra o inimigo. A aguardente, bebido alcóolica do Chile de  40º, sedava, dava forças e embebedava, convertendo os asaltantes em feras sem medo. O calor era imsuportável, o assalto ocorreu ao entardecer, os atacantes em silêncio surpreemderam por trás o exército da Confederação, ganhando o morro, sito na vila de Yungay, na noite de 20 de Janeiro. Comandos pelo General Manuel Bulneses, a vitória deve-se aos notáveis dotes militares do comandante e à admirável capacidade guerreira dos soldados chilenos, que tornaram possível a entrada nas terras confederadas, pelo assalto dos cem soldados, todos rotos (rasgados e com várias escoriações corporais) pela escalada. Foi assim que nasceu a palavra Roto Chileno e a sua comemoração a 20 de Janeiro de cada ano, decretada pelo Allende do Século XIX, o Presidente Liberal José Manuel Balmaceda Fernández, a 7 de Outubro de 1888, que, para homenagear o Roto Chileno, pela sua participação  no triunfo contra a Confederação Peru-Boliviana, mandou erigir uma estatua na Praça de Yungay em Santiago do Chile. É, pois, nesta praça, que desde o dia em que se decretou esta festa, todas os anos se continua a comemorar o nome do Roto Chileno e o seu contributo fundamental para a manutenção da Independência nacional.

* En Chile se entiende por "roto" a la persona de origen humilde que por lo general no sabe comportarse en sociedad, aunque este uso que llega a ser despectivo en mucha ocasiones se utiliza más cuando quien lo utiliza es de otra nación. E o Zé Povinho?. Narrado ontem, o Zé Povinho é o Roto Chileno, com uma grande diferença. O Zé Povinho é uma metáfora nacional criada pelos burgueses do seu tempo para especular sobre o povo e considerar a personagem como um parvo que nem falar sabe. Ou simples, o Zé Povinho é uma figura cheia de contradições, tal como foi referido por João Medina em "O Zé Povinho, caricatura do «Homo Lusitanus»": Mas se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer, em constante contradição consigo mesmo, simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente. Pensa-se dele com estes sinónimos: gentalha fofoqueiro desgraçado povo populares gente simples medíocre .

O Roto Chileno é de cepa diferente: nem parvo, nem se engana ao falar. Pelo contrário, a sua inteligência é grande e arguta e sabe manipular as situações mais difícieis para o seu bem- estar.

Os dois, com todo, são louvores entregues ao povo para os manter calmos e destemidos nas piores situações financeiras que acontecem quando não existe no país a arte de governar. O Zé Povinho é desenhado como parvo, o Roto Chileno, é considerado como um ser de grande habilidade.

No entanto, se o Roto Chileno é resultado de factos de guerra e da sua força para batalhar, é apenas uma metáfora, como o Zé Povinho. Os verdadeiros Rotos e Zé Povinhos, são os pobres da nação, como esta imagem nos mostra:

 

Em minha opinião, as metáforas acima referidas devem ser rejeitadas por ofenderem pessoas  da nossa Soberania.

 

Obama ganha batalha do sistema de saúde

Por 220 votos contra 215 Obama consegue uma vitória extraordinária que terá repercussão em todo o mundo.

 

Desde Roosevelt que nenhum presidente americano tinha conseguido fazer passar uma reforma na saúde, incluindo Clinton que teve que recuar.

 

Do que se trata é trazer para dentro do sistema 40 milhões de americanos que não têm qualquer cobertura de cuidados de saúde. Isto que parece ser, e é, um acto de humanismo e de bom senso, tem contra as seguradoras americanas que defendem o negócio com unhas e dentes.

 

O sistema americano, que deixa de fora 40 milhões de cidadãos pobres é, mesmo assim ,mais caro que o europeu e com prestações de saúde de menos qualidade. As próprias empresas, que pagam estes seguros aos seus trabalhadores, têm dificuldade em os suportar e constituem uma pesada factura na competitividade externa dessas empresas.

 

Contra o capitalismo sem rosto e ganancioso que leva ao desespero milhões de pessoas em todo o mundo, esta medida do governo americano aproveita a actual fraqueza para fazer vingar um objectivo de grande alcance politico e social.

 

Não esqueçamos que este mesmo governo, que tem contra si  o grande capital, é o mesmo que injectou milhões de dólares para salvar as grandes empresas em falência, após a ganância sem freio dos últimos dez anos.

 

Mas não havia dinheiro para a saúde dos cidadãos !

 

 

Onde pára o nosso dinheiro?

Só para não esquecer:

 

No BPN já lá foram metidos pelo Estado 3.5 mil milhões e necessita de uma injecção extra de capital de 1.8 mil milhões

 

No BCP o assalto socialista com dinheiro da Caixa Geral de Depósitos é um segredo de Estado, não se sabe quanto nos custaram os negócios finos.

 

No BPP foram lá metidos 400 milhões de euros, há um silêncio assustador

 

Nas autoestradas a construir já derraparam 1 110 milhões de euros, reparem "a construir"

 

Só em 2011 Portugal voltará a ter riqueza igual à de 2006

 

Os cenários traçados para 2010 e 2011 deixam-nos paranóicos. Dívida pública e défice com valores brutais.

 

A queda do PIB prevista por Bruxelas para este ano, é de -2,9%. Para 2010 e 2011, as projecções são de 0,3% e 1%.

 

A taxa de desemprego estimada para este ano e para o próximo é de 9%, o que é uma surpresa, atendendo a que o crescimento miserável do PIB vai continuar a criar desemprego, logo aquela taxa vai ser ultrapassada.

 

A Dívida Pública no final de 2011 vai atingir 91,1% !

Coisas Que Me Confundem, Muito!

O ENVELOPE DO DR VARA

O sr dr Armando Vara, pessoa muito importante, com múltiplos e bons conhecimentos em tudo quanto é empresa, e também em todos os lugares de decisão a nível nacional, amigo pessoal do nosso Primeiro, Sócrates II, o Dialogador, vice presidente do BCP, ex-administrador da CGD, ex-deputado pelo partido Socialista, ex-secretário de Estado e ex-ministro, com um vencimento chorudo e com bons rendimentos globais, suja-se e é apanhado por causa de uns míseros dez mil euros?

Que oculta esta face?

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Clube dos Poetas Imortais: Daniel Filipe (1925-1964)

Ouvimos o belo poema de Daniel Filipe, «A Invenção do Amor», muito bem dito por João Manuel Alves e seguido por uma canção de Pedro Abrunhosa inspirada no poema. Daniel Filipe é um poeta, nascido em Cabo Verde, mas que faz parte da história da Literatura Portuguesa do século XX – no entanto, não vamos com isso criar um problema com os nossos irmãos cabo-verdianos – digamos que ele pertence aos dois países – a Cabo Verde porque lá nasceu, a Portugal porque aqui viveu, sofreu, amou e escreveu a sua poesia maravilhosa.

 

Além dos livros que nos deixou, foi um activista cultural e político. No final da década de 50, trabalhou na delegação do Porto do jornal lisboeta Diário Ilustrado. Cordial, amistoso, grande contador de histórias, depressa se relacionou com um grupo de escritores antifascistas como ele – Egito Gonçalves, Papiniano Carlos, Luís Veiga Leitão e outros. Com este grupo ajudou a criar as «Notícias do Bloqueio», título de um poema de Egito Gonçalves e de uma série de nove «fascículos de poesia», publicados no Porto entre 1957 e 1961. A PIDE prendeu-o porque animação cultural para aquela gente significava «agitação social» (talvez não o tenham prendido só pela sua actividade cultural; mas também). Foi, segundo consta, barbaramente torturado. Morreu em Lisboa com 39 anos.

Não tive o prazer de o conhecer. Vi-o uma vez ou duas, disseram-me – «Olha, é o Daniel Filipe, o da “Invenção do Amor”», mas nunca falámos. Fora um dos organizadores dos Encontros da Imprensa Cultural, ou melhor, organizou o primeiro, no qual não estive. Participei no segundo em Cascais, em Julho de 1964, quando ele acabara de falecer. Na foto que encerra o texto  documenta-se o momento em que nesse II Encontro, se guardava um minuto de silêncio em memória de Daniel Filipe, fundador daquele movimento e grande poeta.

 

Daniel Filipe, nasceu em 1925 na ilha da Boavista, em Cabo Verde, e faleceu em Lisboa no ano de 1964. Jornalista e funcionário da Agência-Geral do Ultramar. Dirigiu o programa «Voz do Império» na Emissora Nacional. Foi preso pela PIDE, sendo submetido a tortura. Entre a sua obra destaca-se: «O Viageiro Solitário» (1951), «A Invenção do Amor» (1961) e «Pátria Lugar de Exílio» (1963), colectânea de que seleccionei um fragmento da 3ª Canção:

            Pátria, lugar de exílio

            geométrico afã

            ou venenoso idílio

            na serena manhã.

 

            Pátria, mas terra agreste;

            terra, apesar da morte.

            Pátria sem medo a leste.

            Lugar de exílio a norte.

 

            Pátria terra, lugar,

            cemitério adiado

            com vista para o mar

            e um tempo equivocado.

 

            Terra, débil lamento

            na temerosa noite.

            Sobre os carrascos, vento,

            Desfere o teu açoite!

 

No II Encontro da Imprensa Cultural, realizado em Cascais em Julho de 1964, guarda-se um minuto de silêncio em memória de Daniel Filipe. Este encontro foi presidido por Manuel Ferreira, ao centro. O escritor catalão Fèlix Cucurull é o sétimo, da esquerda para a direita.

 

Afinal parece que os Professores de Argoncilhe tinham razão

Há um ano

 

Argoncilhe na Manifestação de 8 de Novembro de 2008

 

Começou por ser um ataque descarado ao nosso profissionalismo. Eram, os 150 mil, uns malandros, uns incompetentes e tudo o que havia de mau na Educação era culpa dos Profs.

A malta fez greve – a Ministra vai para tribunal para impedir a greve.

Em Outubro, num dia feriado, vamos para a rua e esse maravilhoso Sr. Lemos vem para a TV falar em milhões de horas que os professores não trabalhavam porque faltavam – ao que parece, o mesmo motivo que o levou a perder um mandato não sei onde.

Aí o país começou a tocar a mesma música, logo, é muito bem feito, os professores são uns malandros que não fazem nada e ganham muito.

Aos poucos a classe foi-se levantado, uma vez no dia Internacional da Mulher, uma outra foi necessária 8 meses depois… e outra… ELEIÇÕES!

Só agora todos dizem o que nós andámos a dizer durante 3 anos!

A vida é isto mesmo, LUTAR sempre! É uma AVENTURA!

 

Nota: em tom de saudade dedico esta vitória ao Dalby que, como sabemos, esteve em todas as Manifestações de Professores

A Amélia das Sucatas

trash

Imagem KAOS

 

As taxas de combustível estão altíssimas e isso torna as Maldivas muito longínquas, e já está toda a gente a pensar para que é que as Maldivas são chamadas para aqui, mas isso ainda é segredo: posso adiantar que estando muito perto do nível do mar, a erosão salina faz desaparecer a sucata muito depressa, por aquelas paragens, ao contrário de cá, em que se enrolam em trapos pretos, e vão viver para umas terras de nomes horríveis, na Beira, e ficam com a sucata toda lá por baixo, enfim, supõe-se que seja por isso que os garanhões da pastorícia — ainda há pastores — prefiram as ovelhas, a terem de comer a avó do melhor amigo…

Tirando esta introdução, muito metafísica, como viram, vou já falar do tema do dia, que é quando a gente pensa que já chegou à última cave, a Nação tem sempre uma surpresa, e lá levanta mais um alçapão, e mostra-nos uma subcave, bafienta, e ainda mais deprimente, que, afinal, nos rege na sombra.

Antigamente, no tempo em que o António Variações fazia de Cesévora Ávida, e nada lhe escapava, nem na goela, nem na cloaca, o rés do chão era a corrupção do Futebol, mas o avião fez-se um pouco mais à pista, e descobrimos que, por detrás do Futebol se escondia o nível inferior, dos Construtores Civis, e eu pensei, "pronto, chegámos às bases…", mas a verdade é que as bases ainda não eram essas, e ainda havia as rainhas, as princesas e as camareiras da sucata, uma espécie de discretas vascas francas, que saltavam à vara por cima de uns godinhos que só deus sabe em que ferrugem habitavam.

É deprimente saber que, enquanto a Rússia tem o Kremlin, os States, a Casa Bran… perdão, Preta, a França, o Eliseu, o País é governado a partir de uma sucateira, e, portanto, qualquer Plano Tecnológico, qualquer Plano Nacional de Leitura, ou qualquer Plano de Ação da Matemática estão, não só cronológica, como espacialmente desfasados da Realidade, como, aliás, todos pressentimos, embora nos choque ver a confirmação.

Eu até aqui estaria descansado, mas deixo de estar descansado, quando penso, por analogia, que, se já ontem o último patamar foi vencido por um mais baixo, também amanhã aparecerá qualquer coisa ainda mais subterrânea, que fará parecer a Sucata um Belvedere, ou "un Petit Trianon".

Tudo o resto que vou escrever é pura imaginação, mas suponho que, por detrás dos sucateiros, amanhã, se descobrirá que quem realmente governa este país sejam aquelas velhinhas dos sacos, recoletoras do lixo, que entornam os caixotes verdes no passeio, para grande desgosto do António Costa e alegria dos cães e gatos famintos, que têm bigode, dizem palavrões rosnados, e nos ameaçam com a bengala, mas que, em contrapatida, naquelas sacolas, amarradas com cordéis sujos, transportam segredos, matéria cifrada, e o registo de fluxos financeiros importantíssimos. No fundo, só a nossa desatenção não o permitiu ainda descobrir: basta olhar para a corcunda de cada uma dessas sombrias criaturas, e para o disfarce perfeito de… sei lá… de pobres, sim, de pobres, que elas põem, para se ver que, na verdade, são realmente poderosas.

Isto não sou eu a delirar: mal a gente vira as costas, elas tiram dos bolsos telemóveis caríssimos, de platina, e ligam para o Obama, tratam-no por tu, com vozes de Maria João Avillez, exercem pressões e chantagens no Héron-Castilho, e ditam todas as oscilações do preço do Petróleo e do Plutónio, no Golfo Pérsico. É por isso que eu adoro viver no Umbigo do Mundo, e me sinto todos os dias importante, e cada vez mais  seguro, e espero que vocês também.

 

 

(Hexagrama do latão do lixo, no "Aventar", no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", no "KLANDESTINO", e em "The Braganza Mothers")

 

O dinheiro "emprestadado" do BPN

Há gente que é capaz de dizer tudo para agradar a quem lhe possa arranjar um lugar numa qualquer lista à Assembleia da República, ou um lugarzinho numa qualquer empresa pública.

 

A última que apareceu na "Jugular" e bem dissecada pelo " 5 dias", foi a delirante afirmação, que Louçã estaria a mentir quando disse em plena Assembleia da República que o montante  enterrado no BPN estaria perdido. Para os Jugulares isso não é verdade porque se trata de um empréstimo e como tal, recuperável..

 

Ora, como se sabe, o BPN vai ser vendido pelo seu valor de mercado, não pelo valor do dinheiro que o Estado lá meteu. E esse valor vai ser medido pelo valoe da sua rede de agências, único activo que interessa aos potenciais interessados.

 

Isso mesmo já foi dito pelo Dr. fernando Ulrich, presidente do BPI e um dos potenciais interessados. Ninguem dá um tostão furado pela marca do banco, pelo seu passado nebuloso, pelo presente instável e pelo nenhum futuro (Nicolau Santos- Expresso).

 

O Estado já lá meteu 3.5 mil milhões de euros e a insuficiência de capital ascende a 1.8 mil milhões de euros e mais não seria preciso para perceber que a nacionalização foi um erro clamororso.

 

A privatização vai mostrar que os prejuízos do Estado se contabilizarão por centenas de milhões de euros. O Presidente do banco Francisco Bandeira diz que " o meu papel é reduzir os custos do Estado, porque é óbvio que o Estado terá custos"

 

Só não vê isto quem não quer ver e segue a propaganda governamental. A mentira, repetida mil vezes, torna-se verdade!

 

Mas com números é mais dificil!