Como se percebeu desde logo, o PS nunca aceitaria um acordo com o governo. Obviamente. Aceitar seria um tremendo tiro nos dois pés e, além disso, traduzir-se-ia na partilha de todos os insucessos que tem sido a governação do governo PSD-CDS. Também ao PSD não agradava que se estabelecesse um acordo que, na prática, equivaleria a ficar num governo de gestão durante um ano. E o CDS viu o seu líder fazer um ping-pong em tempo muito mais curto do que o habitual em Portas. Cavaco entalou-os a todos.
Cavaco, nessa altura, resolveu passar da inactividade política para o primeiro plano, condicionando em absoluto o cenário da política nacional. Com o esperado não acordo, prestou um enorme favor ao PSD ao empurrar o PS para um cenário de perde-perde. Perderia por não negociar, perderia por negociar um acordo e perde, como se vê, por negociar e negar um acordo.
Voluntariamente ou não, a acção de Cavaco fortaleceu o governo e é seguro dizer que não foi um jogador imparcial. Baralhou as cartas, deu e hoje o jogo ficou na mesma, ao ponto do Presidente da República nem sequer se ter demitido.
“Volta, estás perdoado”.

















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