Quem terão sido

os autores (ou autor) disto?

Se sabe, escreva-nos.

PAF é PAF

Coco Chanel, Mirror Games In Paris, France, 1953

Para quem ainda não tenha reparado na coincidência,

  • PAF=Programa de Assistência Financeira
  • PAF=Portugal à Frente

Sublinhando o óbvio, a coligação é a austeridade.

*Licenciamento da imagem pendente de alterações contratuais para uso em política

Em terra de sapos não há moscas rasantes

Miguel Moreira

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Decerto já por muitas vezes nos deparamos com os já conhecidos sapos de porcelana à entrada de lojas.
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Postcards from Scotland #1 (between Liverpool and Glasgow, by train)

«The railway cuttings covered in wild flowers, the deep meadows where the great shining horses browse and meditate»*

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Acordo em Liverpool antes das dez e meia e está um sol encantador e um céu azul de verão. Arrumo as coisas, tomo banho, visto-me, pago e deixo as malas para ir tomar o pequeno almoço à Dale Street Eatery, como nos últimos dias. O hotel é muito simpático, tem apenas seis meses e, já o disse no postal de antes de ontem, era uma antiga prisão. É tudo limpo e confortável, mas minimalista. Deve ser por isso que não é caro, apesar de ser absolutamente central. É o Main Bridewell (da cadeia Staycentral) e fica em Cheapside. O pequeno almoço é servido a 2 minutos de distância, num café muito simpático. Mal entro, hoje, uma das meninas pergunta se quero o mesmo que ontem, ou seja, fruta e ovos. Digo que seria ‘lovely’ ter outra vez fruta em vez de feijões e tomates guisados e que desta vez quero os ovos mexidos. Uma taça com maçã, uvas e, que bom, morangos. Os ovos mexidos, pão e um sumo de laranja a que acrescento depois um café expresso. A arte de fazer café não é muito praticada nesta parte do mundo. Mas bebo o café, assim mesmo. Penso que na estação poderei beber outro, no Costa. Aí tenho a certeza que um café expresso é um café expresso. Assim farei.

Ando um bocado pelas ruas a seguir ao pequeno almoço até que são horas de ir para a Lime Street Station e apanhar o comboio para Glasgow. Quando chego à estação cumprimento, e despeço-me, do senhor e da senhora da escultura Chance Meetings e, desta vez, tiro uma fotografia com o senhor. Bebo o café e vou procurar a plataforma 5. Quando me aproximo ouço um barulho de vozes grossas e vejo mais de 10 polícias daquele lado da estação. Chego-me à frente e vejo um grupo pequeno de homens vestidos de preto, com as cabeças rapadas e, alguns, com as caras tapadas. Sei imediatamente do que se trata mas, mesmo assim, pergunto a um rapaz que tem uma máquina fotográfica… responde-me que são nazis e que vai haver uma manifestação em Liverpool, hoje – a White Men March. Faço uma cara de nojo e ele diz-me que lá fora estão manifestantes de esquerda e que a polícia teme que existam confrontos. Os nazis gritam muito alto com as mãos estendidas e aquilo assusta-me tanto que digo adeus ao rapaz da máquina fotográfica e vou fumar um cigarro do outro lado da estação, arrastando o trambolho da mala. Enquanto fumo vejo mais nazis do lado de fora da estação. Penso que é um excelente dia e uma excelente hora para deixar a cidade.

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Poderia ser falso…

crise

… mas é verdade. Não é uma qualquer brincadeira que se inventa para um gerador de cartazes. O texto é mesmo notícia.

Depois de muito cair, [o] peso dos rendimentos do trabalho no bolo familiar estabilizou em 62,5% do total, com o ajustamento. Mas rendas do capital estão no segundo maior nível de sempre: 36,4%

Crise tirou 7,6 mil milhões a salários e deu 2,5 mil milhões ao capital

No Dinheiro Vivo

 

Carta do Canadá: A padeira de cracóvia

Dificilmente se perde o vício  da bica ao fim da manhã depois de uma vida inteira a alimentá-lo lá onde a pátria é de sol, sul e sal.  Só por castigo se renuncia. Ou eu assim o entendi quando cheguei ao Canadá e verifiquei que o expresso só se vendia nos cafés  italianos e vinha a ser uma mísera gota no fundo de uma chávena minúscula, e passa para cá 2 dólares, che porca miseria, che maffiosi. Suspendi, por decência. E fiquei sem alternativa porque, nesse tempo,  ainda não havia cafés portugueses, a doçaria portuguesa era vendida pelas padarias que a serviam com uma água de cozer castanhas a que tinham, e têm, o topete de chamar café regular ou canadiano. Beberagem que os canadianos engolem aos litros durante o dia, sem açúcar, de caneca na mão – como nos filmes. Mais tarde abriu o primeiro café a sério e então havia bica à maneira, abatanado e tudo quando é devido a uma alma portuguesa. Actualmente, há muitos cafés e esplanadas que enchem de cor e alegria a cidade que alberga três milhões de habitantes oriundos de 190 países.

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Um abraço para o deputado social-democrata Rodrigo Ribeiro

Rodrigo Ribeiro

Na sua página de Facebook, o deputado do PSD Rodrigo Ribeiro publicou esta fotomontagem com a legenda “Nós não esquecemos nem perdoamos…NÓS PAGÁMOS.“. Dedicado ao deputado, deixo aqui uma selecção de abraços e outros momentos de ternura, testemunhados por Santos, Estrelas e por todos os portugueses ao longo dos últimos anos. Estou certo que a esmagadora maioria dos portugueses não esqueceu, não perdoou mas, como vem sendo habitual por cá, pagou e não bufou. José Sócrates, António Costa, Cavaco Silva, Dias Loureiro, Pedro Passos Coelho, Alberto João Jardim, Luís Filipe Menezes, Marco António Costa, Teixeira dos Santos, Durão Barroso, Vítor Constâncio, Paulo Portas… Quanto pagamos nós por todos estes abraços?

Um abraço senhor deputado!

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epa04865535 President of PSD (Social Democratic Party), Pedro Passos Coelho (R), greets the CDS-PP (Social Democratic Party) president, Paulo Portas (L), in Lisbon, Portugal, 29 July 2015, during the presentation of the coalition electoral programme for the upcoming legislative elections that will take place 04 October. EPA/MARIO CRUZ

A verdade por trás do cartaz do PS

Cartaz PS

Os cartazes da campanha do Partido Socialista têm dado muito que falar. Depois do momento evangelista-seita, tão inspirador para uma nação em apuros à procura de uma luz ao fundo do túnel, a estratégia do partido socialista espetou-se ao comprido com o episódio em que os rostos de funcionários da junta de freguesia socialista de Arroios foram usados para figurar em cartazes que contavam histórias que aparentemente nada tinham que ver com eles. E fico-me pelo “aparentemente” pois confesso que nunca fiquei totalmente esclarecido sobre se o embuste abrangia a totalidade dos cartazes ou apenas a parte. Em todo o caso, um embuste. [Read more…]

Pensionista: a reforma do Estado é você!

Pensoes

Cecília Meireles afirmou hoje no Parlamento que o CDS-PP concorda com um novo corte de 600 milhões de euros nas pensões. Existe um problema de sustentabilidade e quem o deve resolver são esses magnatas dos pensionistas que andaram a viver acima das suas possibilidades apesar de terem descontado a vida toda para a sua reforma. Para Portas, “a TSU dos pensionistas é uma fronteira“. As suas pensões não. Alguém tem que pagar as isenções fiscais do PSI-20 e os boys precisam de comer.

Postcards from Liverpool #3

«All the lonely people, where do they all belong?»*

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Visitei hoje Another Place. Outro lugar. Uma das razões principais por que vim a Liverpool. Já lá iremos a esse outro lugar onde parece que estão todas as pessoas sós em frente ao mar. Talvez achem estranho vir a uma cidade de propósito para ver, afinal, outro lugar.

O dia começa cinzento. Devo dizer que acaba do mesmo modo. Mas estou no Reino Unido, suponho que faça parte do cenário, o cinzento dos dias. Chovia quando acordei, quando tomei banho e me vesti e saí para tomar o pequeno almoço no bar que serve o hotel. Pedi à menina se podia trocar os feijões e restantes vegetais por fruta. Que sim. Preparou-me uma bela taça com maçã, uvas e, suprema amabilidade, morangos. Dispensei o bacon e comi os ovos, desta vez estrelados como dois sois amarelos a subsitituir o que faltava no céu. Empurrei isto tudo com sumo de laranja e aí vou em em direção a Lime Street Station onde, pensava eu, apanharia o comboio para Waterloo. Passo em frente aos St. John Gardens, subo mais um bocadinho e aqui está a bela estação de Lime Street. Aproveito e tiro os bilhetes, que comprei via internet, da máquina. Tendo comprado 4 viagens, a máquina parece, ao produzir cada bilhete com o respetivo recibo, oferecer-me um jackpot de bilhetes de comboio, o que faz – claro está – todo o sentido, já que adoro viajar assim.

No hall da estação, antes de perceber como e onde comprar o bilhete de ida e volta para Waterloo, reparo numa escultura muito engraçada – Chance Meeting – que retrata o encontro casual de dois liverpoolianos (espero que seja assim) de gema. Tiro fotografias. Peço a um senhor que me tire uma a mim, junto da mulher da escultura. Imito as suas mãos para alegria do filho pequenino do senhor, que se ri divertido. Depois deste encontro casual com estes dois habitantes da cidade vou tentar perceber como comprar os bilhetes para ir a Crosby Beach. Pergunto nas informações onde um rapaz extraordinariamente solícito me imprime um mapa e escreve as indicações. Tenho de sair da estação, apanhar o metro para Liverpool Central e depois daí o comboio em direção a Southport. Assim faço, sem me enganar.

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República da Guiné-Bissau, 13 de Agosto

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À 23ª hora do dia 12 de Agosto de 2015, o PR guineense José Mário Vaz (JOMAV), exonerou o Executivo do Engº Domingos Simões Pereira (DSP), tendo finalmente materializado alguma das suspeitas, quando tanto se especulou sobre corrupção, peculato, gestão de recursos, etc. JOMAV pergunta ao Executivo demitido, onde se encontram, onde foram aplicados, se é que foram aplicados, os 53 mil milhões de Francos CFA, cerca de 50 milhões de euros, doados à RGB, desde que DSP tomou posse, a 04 de Junho de 2014! [Read more…]

Os cartazes ilegais da coligação PSD/CDS-PP

Shuttershock

Muita tinta correu sobre o caso dos cartazes e o último episódio chegou-nos ontem à noite com uma história insólita relatada por vários jornais portugueses (aqui ficam as versões do I, Expresso e JN) que revelam ilegalidades na campanha da coligação Portugal à Frente. Como se a aldrabice não tivesse sido já suficiente. Resumidamente, a empresa a quem a coligação comprou as fotografias para os cartazes, que estão nas ruas desde o início de Agosto, afirmou que a utilização das suas imagens para fins políticos é “estritamente proibida“, assegurando “não ter excepções“. A informação sobre as licenças da Shuttershock pode ser consultada aqui, no site da própria Shuttershock.

Apesar destas declarações do fornecedor do PàF, na passada Quarta-feira algo mudou e a empresa emitiu uma licença especial, que não só permite a utilização dos seus produtos para fins da campanha política como aparenta ser a primeira licença a ser emitida para o efeito. Quer isto dizer, mesmo que a licença que surgiu agora como que por magia já existisse escondida em algum recanto da Shuttershock, que durante vários dias, os cartazes da coligação estiveram pura e simplesmente ilegais uma vez que a licença não existia. Ilegalidades em campanha com os partidos que integram o PàF? Onde é que eu já vi isto? Ah, já sei: no caso Webrand. Alguém viu por aí o juiz Carlos Alexandre?

Paulo Portas, o desempregado

Cartaz Portas

Ao contrário dos cartazes do PS que apresentam dramas da vida real que nada têm que ver com as caras que neles surgem, este cartaz é todo ele um retrato fiel da história do irrevogável. Esteve duas horas (mais coisa menos coisa) desempregado – opção sua, não da entidade patronal – mas foi rapidamente readmitido com direito a uma simpática promoção e todos os benefícios à prova de austeridade que vêm com estas coisas. Pelo caminho fez disparar os juros da dívida pública, causando prejuízos avultados ao Estados, sem que isso preocupasse muito os seus colegas moralistas e respectivas claques, e sem nunca ter tido a humildade de pedir desculpa aos portugueses. Está na hora de o mandarmos de volta para o desemprego. O CDS-PP que o sustente.

Postcards from Liverpool #2

In My Life*

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Há lugares de que me lembro, é assim que começa ‘In My Life’ dos Beatles. Liverpool será provavelmente por mim lembrado como uma cidade silenciosa. Falo do centro da cidade, evidentemente, que para mim, hoje, vai do Knowledge Quarter até aos Pier Head e Albert Dock, passando pelo Hope Street Quarter, pelo Ropewalks Quarter e, claro, pelos Stanley Street e Cavern Quarter. Talvez tivesse uma ideia diversa de Liverpool, mas, na verdade, eu sabia pouco sobre esta cidade. Não é que agora saiba mais, mas sei do seu silêncio e da sua calma. Talvez os habitantes de Liverpool estejam de férias em Portugal ou noutro país do sul da Europa. Ontem, um dos rapazes da recepção disse-me, diante da minha queixa sobre os preços dos bilhetes de comboios (e sobre a necessidade de ele me imprimir as referências dos que, depois, comprei, pela internet), que aqui é tudo caro e que é exatamente por isso que os britânicos vão de férias para Espanha e Portugal. Em qualquer caso, sei que ele foi hoje de férias. Para a Flórida.

Não acordei muito cedo, mas não me importei logo. Mais tarde haverei de me importar, quando descobrir que tudo termina cedo. Os museus, as viagens de autocarro turístico, a comida e o café. Mas agora acordei e ainda não estou preocupada com isso. Tomo um pequeno almoço extraordinariamente calórico (bacon, ovos, dispensei os feijões guisados mesmo se já eram 11h30, sumo de laranja e um café horrível). Deixo a Cheapside e viro à esquerda para a Dale Street que se junta mais adiante à Water Street. Faz sentido que assim seja, já que esta é a principal rua que desagua no porto. Os edíficos da Dale e da Water são belíssimos, principalmente os desta última e sobretudo quando nos aproximamos do rio Mersey, já muito largo, quase a desaguar no mar da Irlanda. Tal como eu, acabada de sair da Water Street, desaguo no porto. À minha esquerda as Três Graças, como aqui lhe chamam. Três edifícios – do Royal Liver, do Cunard e do Porto de Liverpool – imponentes. O primeiro deles tem dois relógios enormes, hei-de saber mais tarde que maiores que os do Big Ben, e dois pássaros igualmente enormes de pedra em cada torre. Hei-de também saber mais tarde que reza a lenda que se estes pássaros voarem ou cairem, Liverpool cairá também. Espero que nunca voem, estes grandes pássaros de pedra.
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Dedicado a todos os emigrantes lesados pelos terroristas do BES

Não que sejam os únicos merecedores desta dedicatória, mas Agosto é o mês deles e custa-me vê-los abdicar de um dia que seja das suas merecidas e sempre curtas férias para terem que ir para a rua reivindicar o que é seu mas que um bando de trafulhas lhes roubou, sem que nada de relevante lhes tenha acontecido. Infelizmente vivemos num país em que o trafulha, em particular o trafulha da elite banqueira, tende a estar acima da lei. Afinal de contas, com tanto político que comprou pelo caminho, se um destes tipos cai, a probabilidade de caírem uns quantos engravatados parlamentares dispara.  [Read more…]

Peter Stein em entrevista ao Le Monde: “Senti-me sempre no dever de lutar”

Entrevista de Brigitte Salino ao encenador alemão Peter Stein, publicada no Le Monde em Agosto de 2005 e sobre a qual se debruçou a Sarah Adamopoulos num artigo de Março deste ano “Europa: misantropia e terrorismo de Estado“, foi traduzida pelo Luís Sérgio Reis Fernandes. Para ele, o agradecimento do Aventar.

Peter Stein é, política e esteticamente indissociável da história “maior” do teatro europeu: a companhia Teatro Schaubühne de Berlim que ele dirigiu de 1970 a 1987. Depois o encenador alemão instalou-se em Itália, onde vive entre Roma e a região da Úmbria, naquilo que ele chama “a sua Villa”: um campo de oliveiras, um lago e florestas a perder de vista em redor das habitações cujo largo central tem as medidas exactas do anfiteatro grego em Epidauro.

A sala de repetição, tão espaçosa quanto à do seu “Teatro”, aparece abrigada por árvores. É neste local ideal para aninhar uma Academia, que Peter Stein continua a imaginar os futuros projectos: depois de FAUSTO, de Goethe, em que é o primeiro a encenar a integral com 23 horas, em 2000, prepara Wallenstein de Schiller, em 9 horas, para 2007, na Alemanha, e Édipo-Rei de Sófocles que deverá encenar em Paris no Odéon – Teatro da Europa, com Michel Piccoli. [Read more…]

A reestruturação da dívida grega e agenda alemã

Merkel

Com as milícias de extrema-esquerda entrincheiradas na linha da frente da batalha pela reestruturação da dívida grega, a poderosa chanceler continua a resistir, enfiada no seu bunker berlinense. Angela Merkel prefere deixar o FMI fora do terceiro resgate à Grécia do que aceitar a sugestão do Fundo de reestruturar a dívida, nem que isso signifique colocar toda a pressão de um eventual incumprimento sobre as economias fragilizadas dos estados membros da União Europeia. Para quem lidera um país tão experiente em calotes, o fanatismo do executivo alemão é admirável.

Assim, e segundo o jornal alemão Die Zeit, citado pelo Expresso, a solução proposta pelo executivo alemão passará pela prestação de garantias da União Europeia ao Fundo Monetário Internacional que acautelem potenciais perdas, para que este possa participar na nova intervenção deixando cair a exigência de reestruturar a dívida grega. Se correr mal, a Europa a 28 paga. Se correr bem o FMI leva a sua fatia. O problema é que o Fundo entende que a dívida de Atenas é insustentável e impagável nas condições actuais, motivo pelo qual vê a sua participação no resgate com apreensão. Já Merkel prefere avançar em direcção ao abismo e arrastar a Europa consigo. Sensato vindo da parte de quem tem na catástrofe grega um negócio tão lucrativo. No dia em que a dívida se tornar sustentável e pagável, a torneira pode muito bem começar fechar.

Postcards from Liverpool #1

Day Tripper*
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Este postal é curto e não é inspirado. São estas horas e eu quero dormir que amanhã há muito que ver e que fazer e nem estou a falar das coisas dos Beatles. Acho que já terei mencionado que não sou particularmente fã dos quatro rapazes de Liverpool. Mas aqui chegada é, realmente, impossível não tropeçar, em cada esquina, em toda a espécie de referências.

Cheguei a Liverpool, ao hotel-prisão maravilhoso onde estou agora, em Cheapside, eram quase 11 da noite. Costumo enfatizar o tempo que demoro nas viagens e desta vez não será exceção. Era uma da tarde quando saí de casa dos meus pais, 3 e meia quando o avião descolou. 5 e meia da tarde quando aterrou sem sobressaltos em Heathrow e 7 da tarde quando entrei na Euston Station para apanhar o comboio para aqui. Antes apanhei o Heathrow Express para Paddington. Daí atrevi-me a tomar um taxi para a Euston Station, já farta do enorme trambolho que contém, entre outras coisas, a minha roupa para os próximos 16 dias. Isto significa que passei 10 horas em viagem. Comi no comboio (cujo bilhete me custou os olhos da cara e me ensinou a comprar, a partir de agora, na internet) já farta de saber que depois das 11h da noite não há grandes hipóteses de comer e de beber em praticamente qualquer cidade inglesa. Fiz bem. Também aqui se confirma que um copo que seja depois desta hora é extraordinariamente difícil. [Read more…]

O cartaz perfeito

conficanca

daqui

Cavaco, uma personagem menor e menorizante

Presidente ratificou acordo que exclui o português do Tribunal de Patentes. Portugal foi o oitavo país a ratificar o acordo. A chamada pressa para nada.

Estações de comboios no centro da cidade é regra na Europa

comboios estacoes centrais na europa

Só um país com parolos no poder, suportados por parolos que os elegem, teria a ideia de retirar do centro da cidade uma estação de comboios.

A ver: Santa Apolónia: fora de linhas.

A ler: Santa Apolónia, que Manuel Salgado quer fechar, é a terceira estação do país

Afinal, a coligação PSD/CDS-PP também aldraba em campanha. E não é a primeira vez

PSD cartaz

O cartazgate que está a agitar a silly season atravessou a fronteira do Largo do Rato e chegou à São Caetano à Lapa e ao Caldas. Tratam-se de situações muito diferentes, gritam as claques, da blogosfera da corda até ao jornal electrónico do regime. E têm razão: são situações diferentes. No caso do PS manipularam-se os figurantes, a quem foram coladas histórias que nada tinham que ver com eles, e mentiu-se os portugueses. No caso do PSD o logro atingiu apenas os portugueses, os figurantes não são para aqui chamados porque as suas fotografias vieram de um banco de imagens. Estarei a mentir, com o intuito de iludir os meus concidadãos por motivos de estratégia política? Nada disso: não sou político nem me chamo Pedro Passos Coelho. Mas trago comigo as palavras de um político, José Matos Rosa, dirigente social-democrata encarregue de dirigir a campanha da coligaçãol, que permitirão explicar melhor onde quero chegar: [Read more…]

Grécia, a região mais lucrativa do império alemão

German Greece

Vale a pena ler o artigo Sala de Pânico 2.0 de Viriato Soromenho-Marques, publicado hoje no DN. A crise é sempre lucrativa para alguns e a Alemanha está sempre incluída nos alguns. Mesmo nos alguns que deixam dívidas por pagar.

Entre 2010 e 2015 a Alemanha lucrou cem mil milhões de euros com a baixa de juros ligada diretamente à crise grega. Mesmo que Atenas declarasse agora bancarrota total, as perdas alemãs seriam inferiores em dez mil milhões aos ganhos já obtidos. Os investigadores do Leibniz Institut analisam também, com minúcia, o modo como as más notícias na Grécia têm sido um bom sinal para o custo da dívida alemã. Este é um estudo de grande qualidade. Que honra a ciência alemã, e a honestidade académica dos seus autores. Por quantos mais anos poderá sobreviver uma união monetária em que os mais fortes beneficiam da desgraça dos mais frágeis? Por quanto tempo sobreviverá uma Europa governada pela propaganda, e não pela coragem de estar à altura da realidade?

Foto@Wikimedia

Um olhar breve sobre os programas eleitorais

Santana Castilho*

Não podendo ser exaustivo nesta análise, fico-me por algumas perguntas e comentários, relativos a temas mais controversos.

Depois de ler os programas eleitorais vindos a público, há uma primeira pergunta que se impõe: do ponto de vista das previsões económicas e financeiras que estabelecem, serão o programa eleitoral do PS e o Programa de Estabilidade e Crescimento para 2015-2019 (o verdadeiro programa eleitoral da coligação PSD/CDS) substancialmente diferentes? Para responder importa tomar por referência as variações previstas em cada um deles, relativamente a indicadores clássicos, isto é, PIB, FBCF (Formação Bruta do Capital Fixo, relevante por dar uma noção da evolução da capacidade de produção do país), exportações, consumo público, consumo privado, custo unitário do trabalho, prestações sociais e taxa de desemprego.

Tendo os dois programas como objectivos a redução do saldo orçamental, actualmente negativo, o aumento do saldo primário (receitas menos despesas sem juros da dívida) e a diminuição da dívida pública, tudo junto supondo uma forte redução, no mínimo contenção, da despesa pública, como conciliar isso com as promessas de melhoria de prestações nas áreas sociais, designadamente na Educação? [Read more…]

Tempos de cinismo

demontar a propaganda - emprego

Vai ser uma campanha eleitoral cínica, está visto. O PSD a chorar lágrimas de crocodilo quanto aos emigrantes e a pretender que não foi o seu ir mais além da troika que afundou o país mais do que de outra forma se afundaria. E o PS a mandar umas larachas, pretendo que nos esqueçamos do que foram os anos loucos de Sócrates.

Mas não haja ilusões. Estas eleições são para avaliar o que o PSD/CDS fez ao país. Não vamos avaliar novamente a governação socialista, por mais que os propagandistas da direita desejem.

Entre os cínicos dos cínicos, conta-se Marques Mendes.

“A matéria do desemprego devia ficar de fora da luta política” [daqui]

Depois de assistirmos ao governo, durante meses e meses, pretender que o país melhorou, recorrendo a truques elementares, este avençado da SIC, pertença do sócio número 1 do PSD, procura virar o bico ao prego, pretendendo que é a oposição que está a usar a desgraça dos outros para fins eleitorais.

No fundo, no fundo, é um mistério o desemprego a baixar sem o emprego aumentar. Ou se calhar não.

Wikileaks vai juntar 100 mil euros para pagar pelo segredo mais bem guardado:

o texto do secretíssimo Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP), ainda em negociações entre as multinacionais, com o beneplácito da União Europeia e da Administração norte-americana, e sem debate pelos parlamentares dos Estados europeus que nos representam. Caso para dizer que se é para fazer à cowboy, então ‘bora lá. Muito do que importa saber, aqui. Donativos, aqui.
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Paulo Portas nunca pediu desculpa aos portugueses nem agradeceu

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Paulo Portas nunca pediu desculpa aos portugueses por ter simulado a sua demissão, fazendo disparar os juros da dívida para níveis estratosféricos, nem agradeceu o facto de, apesar disso, lhe ter sido reforçado o poder no governo.

Paulo Portas nunca pediu desculpa aos portugueses pelo envolvimento de altos quadros do seu partido no caso Portucale, nem nunca agradeceu o facto de todos os envolvidos terem escapado à justiça portuguesa.

Paulo Portas nunca pediu desculpa aos portugueses pelo negócio desastroso dos submarinos, nem nunca agradeceu o facto de não ter sido forçado a assumir qualquer responsabilidade.

Paulo Portas nunca pediu desculpa aos portugueses por ter prometido uma reforma do Estado, substituindo-a por aumentos de impostos e cortes em vencimentos, nem pediu desculpa por ter submetido o país ao empobrecimento.

Paulo Portas deve vários pedidos de desculpas e vários agradecimentos aos portugueses. Paulo Portas anda a viver acima das suas possibilidades de ser perdoado há tempo demais.

Foto@Facebook Portugal à Frente

Deixem-se de merdas e contem a verdade aos portugueses: a direita esteve em todas as intervenções do FMI

Soares Mota Pinto

Acabemos de uma vez por todas com o mito de ter sido SEMPRE o PS o responsável pelas intervenções do FMI em Portugal. Isso é pura e simplesmente falso e não se percebe como o próprio PS, talvez enterrado na vergonha absoluta de estar sempre ligado ao problema, não se preocupa em desmistificar este conto para crianças.

Quando acontece o primeiro resgate, em 1977, o governo português é efectivamente liderado por um socialista, Mário Soares. Mas o PSD também está neste governo. Carlos Mota Pinto estava lá. Até o oráculo dos moralistas, Henrique Medina Carreira lá estava. Era ministro das Finanças. Não teve também ele responsabilidades? Para além do mais, Portugal ainda recuperava de 40 anos de ditadura e a transição, conturbada e instável ainda se fazia sentir. Para além da crise petrolífera que atingiu a Europa com violência na década de 70. Não tenho qualquer interesse em fazer a defesa de Mário Soares, desprezo-o absolutamente. Tanto quanto desprezo este tipo de propaganda barata de alguma direita velha velha velha dos tempos da União Nacional. [Read more…]

A disciplina de voto como arma anti-democrática

Kai Littmann
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O grupo parlamentar da CDU de Angela Merkel

A Constituição alemã é clara: os deputados eleitos devem votar segundo a sua consciência e jamais coagidos pela chamada  “disciplina parlamentar” – prática que serve não os cidadãos que aqueles representam mas a estratégia partidária que pode ajudá-los a manter-se no poder.

Foram 60 os deputados da CDU que, em meados de Julho passado, votaram contra a política do governo alemão relativamente à Grécia. O que em nada afectou o resultado final, pois a “grande coligação” CDU/SPD [o equivalente ao português “bloco central”] dispõe no parlamento alemão de uma maioria esmagadora. Nesse contexto, o anúncio da punição dos 60 conservadores rebeldes da CDU pode surpreender.

Sucede que foi já declarado – pelo líder da bancada parlamentar da CDU no Bundestag, Volker Kauder – o primado do “espírito corporativista” (“korpgeist”), e que os deputados que votaram contra os empréstimos à Grécia (em favor da sua saída do euro) vão ser afastados das comissões parlamentares mais relevantes do ponto de vista do partido: as que se ocupam dos assuntos orçamentais e europeus, onde importa manter a maioria, e salvaguardar os interesses da posição do referido grupo parlamentar – e da espécie de bloco central que integra.

Esta semana, um novo pacote relativo à Grécia deverá ser objecto de votação no Bundestag. Se é certo que a “grande coligação” há-de passá-lo, certa é também a manutenção da posição dos rebeldes. O que lhes acontecerá, então? Serão realmente punidos? Está a Alemanha a abandonar de vez os procedimentos democráticos?

E a democracia representativa, o que se passa para que tenha cedido o lugar à democracia tecnocrata, em que apenas a vontade dos partidos conta? Um fenómeno que não é unicamente alemão, aliás, e que tende a afastar ainda mais a política dos cidadãos.

O facto de os deputados rebeldes da CDU serem os mais conservadores não invalida que Kauder esteja a levar por diante um verdadeiro ataque ao sistema democrático – pois por mais fragilidades que tenha, não deveria ser aceitável esse tipo de punição sobre quem vota de acordo com a sua consciência.

[Eurojournalist – publicação bilingue Alemão/Francês]

Portugal não é a Grécia mas o PS pode muito bem ser o próximo PASOK

Costa Messias

Não se percebe o que se passa no Largo do Rato. Trucidou-se o Seguro que até nem fez uma má travessia do deserto, construiu-se um enorme pedestal para D. António Sebastião Costa, apresentaram-se uma agenda para a década e um conjunto de propostas de política económica que até colheram alguns elogios à direita – ou não fossem elas escritas sob a batuta de um liberal assumido – e agora é assistir a este triste espectáculo de harakiri político. As sondagens desiludem e a campanha apresenta-se como uma sucessão de desastres até ao cada vez mais provável apocalipse final. Estará tudo doido? [Read more…]