Regressando a Pedro Cosme Vieira

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Um artigo no Ionline lançou definitivamente na ribalta Pedro Cosme Vieira, o matador de pretos.

Alcançada a fama que pretendia, e esperando nós que o Ministério Público leia jornais e se lembre do artigo 240º do Código Penal, também o deputado Duarte, Marques, o citador que trouxe à luz o Cosme Vieira, se dedica a uma coisa dedicada a Francisco Louçã, com uma profundidade filosófica tal que me limito a roubar um comentário do Marco Santos no Facebook:

– A lógica é uma batata, logo, o Duarte Marques é um tubérculo.

Ora o deputado do PSD bem pode tentar passar por entre os pingos da chuva, mas pelo menos em relação ao seu partido há um detalhe: a 8 de Março do ano da graça de 2013 Pedro Vieira Cosme dissertou sobre o modelo de financiamento do sistema de ensino, adivinhem onde? no PSD de Paranhos. E já agora, convidado por quem? por Nuno Altavilla Sousa, suplente da Comissão Política Distrital do Porto do PSD, e já agora da Comissão Executiva do Instituto Ludwig von Mises Portugal. Outro que provavelmente só convidou, nunca leu os vómitos de Pedro Cosme Vieira, ia a passar na rua, cruzaram-se, convite feito. [Read more…]

António Costa e o jornalismo contemporâneo

Se tenho a gabar uma atitude de António Costa, por sinal filho de uma notável jornalista portuguesa, destaco um virar de página na tradicional subserviência dos dirigentes políticos perante a comunicação social. Compreende-se, qualquer um por despeito pode meter uma vírgula onde não houve uma pausa e desmentir nunca resolve o assunto, mas está mal.

Primeiro foi a recusa em responder ao que agora é moda: fazer esperas e meter o microfone e perguntas à frente, mesmo que o assunto não tenha relevo de maior, num exemplo de violência jornalística que me recorda certos brasileiros, quando apanham um algemado pela frente. Todos temos o legítimo direito a não sermos chateados.

E agora soube reagir a um texto, de opinião, é certo, que uma voz dos donos no Expresso dirigiu ao PS e a si próprio. Fez muito bem, não faltava mais nada que um dirigente político não pudesse criticar a opinião alheia. Os jornalistas não são inimputáveis: podem e devem ser criticados, tanto no exercício da sua profissão como no seu, legítimo, direito a opinar. [Read more…]

A democracia é um anacronismo?

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O sr. Aníbal Silva falou, sem medo de pontapear a gramática, e ficámos a saber duas coisas: primeiro que as eleições, com ele, é quanto mais tarde melhor. Só encontro uma explicação: não o convenceram que casos como as suas transacções imobiliárias e as suas acções num banco de vígaros já prescreveram, e com este governo sente as costas quentes. Ele lá sabe.

A segunda tem outra dimensão. A lei eleitoral, tão mal discutida nos últimos tempos, tem um detalhe que incomoda os donos da comunicação social e os três partidos que dela beneficiam: a igualdade de tratamento a todos os partidos. Até podemos discutir se a lei dos partidos é sensata, permitindo que um qualquer grupo numa rede social se legalize partidariamente, o que não admite discussão, em democracia, é o tratamento igual a que toda, mas mesmo toda, a comunicação social não partidária deveria estar obrigada. Isto em democracia, para Cavaco Silva um anacronismo, tal como a Reforma Agrária que se gaba de ter eliminado. E não sei porquê recordei-me dos veículos todo-o-terreno subsidiados que encheram as cidades onde havia quem ainda tivesse herdado umas leiras no campo, do abandono geral das terras arrancando tudo e mais alguma coisa que não estivesse de acordo com a lógica couve de Bruxelas, e de um Alentejo desertificado de portugueses e invadido por empresários estrangeiros. Foi o progresso, cidadões.

Imagem via Cavaca para Presidenta, com a legenda: Parece aqueles desenhos animais do coiote e do passarinho!

O conselheiro

Nos últimos dias houve reacções, estupefactas e iradas, em todo o país porque o primeiro-ministro teceu, em cerimónia pública, rasgados elogios a Dias Loureiro, considerando-o um exemplo a seguir. Dias Loureiro, como se sabe, está atascado até ao nariz no BPN, esse escândalo financeiro que deu um rombo medonho nas contas da nação e, ao fim e ao cabo, foi percursor de tantos outros escândalos que o país tem vindo a sofrer nos últimos anos desta “chatíssima” trindade: PR – Governo e maioria parlamentar, tudo da mesma família partidária. Mas, por mistérios que um dia se desvendarão, a Dias Loureiro não aconteceu nada. Foi mesmo precisa uma gritaria nacional para o PR o tirar do Conselho de Estado. O sujeito, de quem Passos Coelho diz babadamente que “tem mundo”, continua a fazer os seus negócios chorudos no mesmo país onde a pobreza aumenta a cada dia.

Porque teria o primeiro-ministro tomado esta atitude? Por gratidão de passado? Teria alguma parente sua trabalhado para o milionário? Ou, receoso do resultado das eleições, o chefe do governo tenta garantir um futuro emprego? Só o interessado pode responder. Seja como for, Passos Coelho não tem o direito de dar exemplos destes a toda uma juventude que, com cruel descaramento, convidou a emigrar por não ter trabalho nem horizontes em Portugal. Se ele entende que deve dar estes conselhos aos jovens da sua família, não temos nada com isso, é problema dele. Mas desrespeitar os valores morais em que a generalidade dos jovens portugueses é educada pelos pais, isso é que não se lhe pode permitir. A cada qual sua educação, a cada um os seus princípios. Nada de misturas.

Nestas ocasiões é que se sente a falta, dentro do rectângulo, de uma figura de Igreja da estatura do Papa Francisco, para se pôr ao lado dos pais, dos professores e dos jovens, dizendo pelo claro que o rei vai nu.

Hýbris

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Já os velhos Gregos – os antigos – apontavam e denunciavam, com a noção de “húbris”, a confiança desmedida, a insolência, a arrogância incontrolada. É a fase em que está a elite financeira e a burguesia mais enriquecida com a situação a que chegamos. Assim, depois de parasitar e espremer a economia e o trabalho, depois de, através do delírio ou fraude financista, ter exaurido os recursos que eram, ou deviam ser, de todos, chegamos à fase dos brinquedos e dos símbolos do poder desmedido aos pés do qual ajoelham os governantes que, em hora maldita, foram eleitos. Isto é, já não se trata de uma apropriação privada dos principais meios de produção de um controlo racional, se bem que perverso, das alavancas fundamentais da esfera económica. Agora, chega a hora do capricho, da exibição arrogante, da insolência, numa palavra, da “húbris”. Já não se visa só a apropriação privada, mas a apropriação pessoal e, no cúmulo, o cercear aos outros o acesso aos bens que, por agora, são de todos. [Read more…]

Passos elogia, “de uma forma muito amiga e especial”, Dias Loureiro

O sumário estava feito mas isto tem que ser visto e ouvido para se constatar o entusiasmo com que Passos Coelho saúda e elogia Dias Loureiro.

Dias Loureiro foi um dos principais responsáveis do BPN, que causou aos contribuintes um prejuízo superior a 4.700 milhões de euros. Passos Coelho elogiou Dias Loureiro, nesta quinta-feira, dizendo que é “um empresário bem-sucedido” que sabe que se “queremos vencer na vida” “temos de ser exigentes, metódicos”. [ESQUERDA.NET]

O que de mais notável há nos últimos três governos liderados por ex-jotas é a total ausência de vergonha na cara. Nem se dão ao trabalho de disfarçar.

Gente séria

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Diz-me com quem andas…

Durante o seu discurso, Passos Coelho fez referência a Manuel Dias Loureiro, que é natural de Aguiar da Beira e estava presente na cerimónia.
“Conheceu mundo, é um empresário bem-sucedido, viu muitas coisas por este mundo fora e sabe, como algumas pessoas em Portugal sabem também, que se nós queremos vencer na vida, se queremos ter uma economia desenvolvida, pujante, temos de ser exigentes, metódicos”, afirmou. [NEGÓCIOS]

Outra pérola:

“Tenho a certeza de que a generalidade das pessoas em Portugal percebe hoje que o preço que todos pagámos para reequilibrar o barco foi muito elevado [*]”, afirmou, durante a cerimónia de inauguração da queijaria Sabores do Dão, em Aguiar da Beira, distrito da Guarda.

E vamos a ver, não é que aquele que aponta o dedo tem três dedos a apontar para si?
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Este país não é para jovens

Desemprego jovem

Foto@Público

Segundo o Eurostat, assistiu-se em Março a um recuo dos números do desemprego jovem na ordem dos 0,2% para os 20,9% no conjunto dos estados membros da União Europeia, enquanto que na zona euro a taxa se situou nos 22,7%. Naturalmente, a Alemanha é o país com menos desemprego jovem (7,2%) enquanto que a Grécia e a Espanha ocupam o topo da lista com taxas a rondar os 50%.

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Sampaio da Nóvoa a Presidente, e viva a República

Paula Rego The Last Feed

O Palácio de Belém precisa de uma desinfecção depois de habitado durante 10 anos por um político profissional inculto, serventuário e obediente às castas e donos de Portugal, salazarento nas atitudes e no desprezo pelos portugueses, eleito acidentalmente por uma minoria numas eleições onde a esquerda se esforçou no acumular de erros e asneiras, conduzindo a uma forte abstenção.

Precisa de lixívia, e demonstrando que nos serviu de aprendizagem não se poder entregar a presidência da República a quem nunca foi republicano, tanto na etimologia da res publica como na ética e nos princípios morais, exemplarmente demonstrados por Cavaco Silva quando perante um agente da PIDE capricha em bufar a sogra.

Para que todos os cantos da casa conspurcada pela pindérica Maria e seu chefe de família Aníbal sejam higienizados, a direita precisa de levar uma abada, o que pode muito bem começar por uma derrota na primeira volta das eleições. Até fica mais barato, e a arrogância de quem tem um canal a promover semanalmente o mentiroso mais bem pago de Portugal, merece uma humilhação. [Read more…]

Gente perigosa

Bijan Ebrahimi, um inglês de origem iraniana, de 44 anos, com uma invalidez física que o impedia de trabalhar, dedicava boa parte do seu tempo à jardinagem. As suas floreiras estavam constantemente a ser vandalizadas e Ebrahimi queixou-se várias vezes à polícia, sem resultado. Decidiu então tirar fotografias aos miúdos que o faziam, tantas quantas lhes pareceram necessárias para poder apresentar a sua queixa. Mas alguém o viu e avisou as autoridades de que havia um homem, um inválido que passava o tempo todo em casa e no jardim, a tirar fotografias às crianças do bairro. A polícia levou-o para ser interrogado. À saída, alguns dos moradores do bairro gritaram-lhe “Paedo, paedo”, abreviatura de pedófilo. Na esquadra, depois de vistas as fotos e de um longo interrogatório, Ebrahimi ficou livre de suspeitas e foi mandado para casa. Mas por essa altura já circulavam os rumores de que um abusador de crianças tinha sido apanhado pelo polícia. E os moradores não gostaram de vê-lo solto ao final do dia. [Read more…]

A ministra da paranóia

Um psicopata é um alguém que tem a desordem de não sentir empatia por aquele a quem provoca sofrimento. A ele nada lhe custa, por exemplo,  matar e terá, sempre, a consciência tranquila.

Por isso, a ministra da justiça dizer que tem a consciência tranquila quanto à sua proposta de lei sobre a lista de pedófilos tem valor nulo como argumento. Não estou a afirmar que a ministra é uma psicopata mas sim que pode dar-se o caso de ter a consciência completamente errada.

E, no entanto, é o argumento que ela apresenta depois de a Comissão Nacional de Proteção de  Dados arrasar a sua proposta. Afirma também que o faz por teimosia – é o que se conclui quando se diz “está no programa eleitoral” em vez de apresentar argumentos. Aliás, estes foram já desmontados há muito, tendo a ministra acabado com roda de mentirosa por parte do Expresso e desmentida em directo no Parlamento.  Acresce que, diz quem sabe, as crianças não são violadas por estranhos mas por alguém da sua confiança. Alguém que nunca estará nessa lista de pedófilos, pois estando já foi condenado e não será da confiança da criança – é o que se supõe que qualquer família faça e não será preciso uma lista para esta saber da desgraça que lhes aconteceu.

Sobra a teimosia e o poder, novamente sem controlo, que um ministro tem, em conjunto com o seu grupo parlamentar e com o seu partido, para fazer o que lhe dá na telha.

A oposição diz que vai votar contra. Mas vai revogar a aberração quando tiver esse poder?

Um dia destes ainda vou para deputado

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Parece que basta ler um parágrafo num texto que se encontre referenciado no Facebook de um amigo.

Duarte Marques, ilustre deputado do PSD, escreve no Expresso sobre as propostas do PS. (…) “Tal como lembra o Professor Pedro Cosme Vieira da Faculdade de Economia do Porto” [P]

Assim começa Louçã a dar porrada no deputado das vírgulas. Ler o artigo é engraçado mas ainda mais giro é a auto-defesa de Duarte Marques, confessando em primeira mão que justificou um certo ponto de vista com a primeira treta que encontrou na net.

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Danos reputacionais? E daí?

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A Comissão Executiva (CE) do Grupo Lena disse ao Expresso que “os prejuízos em Portugal e no estrangeiro” que decorrem da detenção do vice-presidente Joaquim Barroca no âmbito da Operação Marquês são “de carácter reputacional”, acrescentando ainda que “Em 2014, tivemos os melhores resultados de sempre“. Sobre José Sócrates, esse grande amigo do Grupo Lena, o presidente da CE Joaquim Paulo Conceição (JPC) mostra-se convicto que o processo que colocou o ex-primeiro-ministro atrás das grades resulta de “um equívoco”, algo que “será demonstrada no sítio certo, em sede de  Justiça“. É sempre reconfortante podermos contar com a vasta experiência de grandes empresários como este senhor para percebermos, antes da justiça se pronunciar, que tudo isto não passou de um embuste e que o 44 é afinal vítima de um equívoco. Um equívoco milionário mas ainda assim um equívoco.

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Ainda não perceberam a figura ridícula que fazem?

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Desafio é coisa de criançada ou, usando o termo técnico apropriado, de putos.

“Nhã, nhã, nhã, nhã, não és capaz, nhã, nhã, nhã. E agora embrulha, que já levas, nhã, nhã, nhã.”

Se bem que, com cartas de amor, ainda vai haver ciumeira no casamento.

(Mais) Merda nos canos do governo

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Enquanto José Sócrates, o principal trunfo eleitoral da recentemente renovada coligação PSD/CDS-PP, continua a ser cozinhado em lume brando, as últimas semanas têm sido férteis no emergir de inúmeras polémicas que colocam o regime passista numa situação de extrema fragilidade. Para além dos habituais tachos, das incompetências e irresponsabilidades ministeriais, dos calotes e das mentiras de Passos Coelho, a denúncia feita na passada semana pelo ex-dirigente social-democrata Paulo Vieira da Silva sobre uma suposta rede de tráfico de influências que gravita em torno do vice-presidente, antigo secretário de Estado e homem forte de Pedro Passos Coelho, Marco António Costa poderá significar um duro golpe nas aspirações políticas daquele que em tempos abria as portas todas.

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Portugal debaixo da mira da Philip Morris

Uruguay's president-elect Jose Mujica celebrates winning the presidential run-off election in Montevideo

Foto@FPIF

Num momento de radicalismo singular, quiçá inspirado pela data ontem assinalada, quero hoje endereçar os meus parabéns ao governo português, na pessoa do ministro Paulo Macedo, pelas medidas aprovadas esta semana no âmbito do combate ao consumo de tabaco. Proibição total de fumar em espaços fechados, aumento do tamanho das advertências relativas aos malefícios do consumo, onde frases como “Fumar Mata” serão substituídas por imagens dissuasoras, e a eliminação de aspectos de “natureza subjectiva” como as opções “light”, “mentol” ou “suave” passam a ser proibidas.

Nada disto é novo. Todas estas e outras medidas foram já implementadas, por exemplo, no Uruguai, pela mão do enorme Pepe Mujica. O país, considerado um exemplo na luta contra o tabagismo, enfrenta por isso um processo da tabaqueira Philip Morris, que considera as medidas em vigor no país como violadoras de um tratado de investimento entre a Suiça e o Uruguai. Façamos votos para que nenhum tratado de investimento desconhecido coloque os lucros de uma qualquer tabaqueira acima do superior interesse da saúde pública.

Os reaccionários de Abril

Passos Portas

De cravo eleitoralista na lapela, Passos Coelho permitiu que o irrevogável abrisse as hostilidades. Terminado o exercício de propaganda do guia supremo da jacintoleitecapeloregolândia, o primeiro-ministro foi igual a si próprio: aldrabou indicadores, agitou fantasmas, falou de um rigor que não conhece e fez, no global, o habitual discurso orientado para a claque.

O discurso em si, quer de um, quer de outro, pouco interessa. Sabemos bem o que vale a palavra do primeiro e do vice-primeiro-ministro: um aldrabou o país em campanha e, mais recentemente, no âmbito da polémica do subsídio de reintegração/Tecnoforma e o outro aldrabou o país quando anunciou a sua demissão irrevogável, que caiu por terra assim que o anúncio da promoção chegou.

Interessante foi a escolha do dia. A escolha do dia e o facto de, há um mês atrás, Passos Coelho andar a vender a um grupo de empresários que era capaz de ganhar as eleições sozinho. Para não falar das dúvidas manifestadas pelo primeiro-ministro há 10 dias atrás quanto ao benefício da coligação. Mas está tudo bem. Haja coligação que os socialistas, apesar de Sócrates, ainda lideram as intenções de voto e a reacção não pode parar.

A liberdade de informação e as prima-donas

Ei, jornalistas! Quando aqui se ataca o proposta-que-não-chegou-a-ser-proposta com a qual um trio de tarefeiros de encomenda iria tentar impor o exame prévio dos projectos editoriais de cobertura dos noticiários eleitorais, eu, ao dar o meu modesto contributo pela liberdade de informação, não me estava a dirigir a vocês. Nem eu nem, certamente, as muitas pessoas que atacaram tal projecto. De modo que o número de teatro-tide do senhor Carlos Magno e as vossas “corajosas” e inflamadas declarações – como as que acabaram de desfilar na RTP – depois de todos sabermos que tal lei jamais existirá, relevam de uma indignação patética e de papelão. É que se tenho o maior respeito, e até amizade, por muitos de vós, muitos outros não me merecem senão o mais profundo desprezo, desprezo esse que, não tenho dúvidas, crescerá durante o processo eleitoral, seja qual for a legislação em vigor nessa altura. Gostava de vos lembrar que a liberdade de informação é um direito geral, do povo, não dos jornalistas. É um inalienável património de todos que a todos cumpre defender. E nessa defesa dispensamos bem exercícios tolos de narcisismo.

Milagre!

Ninguém, afinal, foi autor da proposta de… análise prévia. Os partidos que a ordenaram, não a fizeram; os autores nem sim nem não nem, sobretudo, talvez. Mas o Marques Mendes, verdadeiro roedor informativo, que valoriza mais o seu estatuto de fonte(zinha) e o seu ego desproporcionado que as suas lealdades, não deu hipótese: “eu vi a proposta, eu li a proposta!”. Portanto se proposta tem e autores não tem de algum lado lhe vem, lá diriam os outros. Só há, pois, uma resposta: milagre!

Marco António Costa – O Alpinista Político, os SHM e a sua Rede

Paulo Vieira da Silva

Quem é Marco António Costa? Esta é uma pergunta que algumas pessoas me fazem com alguma regularidade. Se me pedissem uma resposta rápida e em duas palavras eu diria que é um “ alpinista político ”, mas infelizmente tenho muito mais para dizer.
Conheci Marco António Costa (MAC) há cerca 20 anos na JSD, apesar de ele ser mais velho do que eu 4 anos. Era um jovem de origens humildes, vivia em Valongo e trabalhava, se bem me recordo, numa empresa na área da captação de águas. Estivemos juntos em algumas batalhas políticas, ficamos amigos e até esteve no meu casamento.
Entretanto com a minha decisão de abandonar a política e os caminhos que Marco António começou a trilhar a vida foi-nos afastando. Penso que não estamos juntos, nem falamos a alguns anos, mas quero que fique claro que nada de pessoal me move contra ele. Reconheço que é um político trabalhador, inteligente e muito ambicioso levando a que algumas vezes não olhe a meios para atingir os seus fins. E este sim é o seu grande defeito que nos coloca no plano dos princípios e dos valores em lados completamente opostos.
A sua carreira política profissional começou como mero adjunto do presidente da Câmara de Valongo, Dr. Fernando Melo, mas rapidamente passou a ter muito poder na autarquia. Foi vereador, presidiu a diversas empresas municipais, tendo chegado mesmo a ser o vice-presidente da Câmara. [Read more…]

Espectro político em Portugal

Victor Alves

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Depois do post  “Custou mas foi” e dos últimos acontecimentos, decidi conceber uma imagem que ilustre o espectro político actual, o rumo à direita e radicalização dos principais partidos.

Sobre o excesso de poder executivo e legislativo

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É uma ideia que me ocorre recorrentemente. Os governos em Portugal, apoiados por uma maioria parlamentar, proveniente de um ou mais partidos, que controlam o Parlamento, o qual controla o governo, têm ao seu dispor demasiado poder sem contraponto.

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Esta malta é doida

projecto de lei do PSD, PS e CDS que quer obrigar os media a apresentar planos prévios de cobertura de campanhas eleitorais a uma comissão mista, antes mesmo de terminar o prazo para entrega das candidaturas [P]

Isto já teve um nome: visto prévio.

Game of Greves

Pires Dread Lima(reparem na pose cheia de swag deste ministro)

Estranho. Em Dezembro, perante o aviso de greve na TAP, o governo não hesitou e decretou serviços mínimos. É certo que a greve estava marcada para o final de Dezembro, o que levantava constrangimentos óbvios, e o governo, forçado a agir, optou por esse caminho. Agora, face a uma greve que tem mais a ver com os interesses dos pilotos* do que com a empresa como um todo, uma greve que poderá custar cerca de 70 milhões de euros aos cofres cheios do Estado e colocar seriamente em causa a estabilidade da empresa, o governo cruza os braços e decide não fazer uma requisição civil. O mesmo ministro que fez “um apelo humilde” aos pilotos para que reconsiderassem a sua decisão e que acenou com o fantasma da ameaça à viabilidade e sustentabilidade da TAP diz-nos agora que “quem estaria à espera de uma requisição civil para poder emendar a mão vai ter muito que esperar“. Um estratega este Pires de Lima, um homem de muitos talentos. Será que é desta que o Efromovich leva a TAP mais barata que o BPN?

*em 1999 foi assinado um acordo entre o sindicato de pilotos e a TAP, acordo esse que recebeu despacho da tutela, mas que aparentemente não tem validade legal. João Cravinho, o ministro que na altura assinou o despacho, acusa agora os pilotos de “má-fé” e “dolo”. A TAP tem tido muita sorte com os ministros que a têm tutelado.

Este país (de cofres cheios) não é para pensionistas

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Fotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

Há algo que não bate certo em toda esta propaganda do milagre económico anunciado pelo governo. Por um lado temos uma dívida pública que não pára de aumentar, e que segundo dados recentes terá mesmo sofrido um agravamento de 9,3 mil milhões de euros durante os dois primeiros meses do ano, a que se junta uma trajectória errática dos juros, que ora descem pela mão de Mario Draghi, ora sobem porque uma cagarra espirrou nas Ilhas Selvagens.

Por outro lado, temos uma ministra das Finanças que anuncia ter os cofres do Estado cheios. Será que os encheu com os 9,3 mil milhões de aumento de dívida verificado no início do ano? Serão os euros do Partido Comunista Chinês e respectiva oligarquia? É difícil de perceber. Mais difícil ainda de perceber é a necessidade do governo Passos/Portas avançar com novo confisco aos pensionistasOnde está o primeiro-ministro que não ia cortar pensões? E o Paulo Portas do partido do contribuinte, que tantos idosos se prepara para beijar no circuito eleitoral que se avizinha? É caricato que as mesmas pessoas que apregoam o milagre dos cofres cheios se vejam novamente “forçados” a sacar mais 600 milhões aos pensionistas. Os cofres estão cheios, os bolsos dos pensionistas cada vez mais vazios.

Um juiz “totalmente disponível para tudo”

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Foto: António Figueiredo@JN

Já passaram alguns dias e fico com a sensação que pouco se tocou neste assunto. E não é um assunto qualquer. Os jornais falaram nisso, é verdade, mas não parece ter levantado a mínima partícula de pó.

O preso preventivo António Figueiredo, até há pouco tempo presidente do Instituto de Registos e Notariado, terá telefonado ao juiz Luís Vaz das Neves, presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, e ter-lhe-à dito que desconfiava estar sob investigação e escuta da PJ. Perspicaz, o juiz respondeu:

Desde já lhe digo e lhe quero manifestar que tudo, mas tudo que o soutor entenda que possa ser útil, porque eu conheço o soutor, estou totalmente disponível para tudo” (fonte: Expresso)

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Da natureza de classe

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Leonidas Bobolas, um Ricardo Salgado grego do ramo da construção e dos media, cruzamento com Balsemão, portanto, recusou-se a pagar  1,8 milhões de euros ao fisco. Foi para o xilindró,  e pagou a correr umas horas depois. É a primeira vez que alguém da lista dos 50 mais ricos da Grécia é incomodado, o que diz tudo sobre as anteriores governações, e a forma como encaravam a separação de poderes.

Perante isto, como reage o verdadeiro liberal, versão séc XXI? ai jesus, é a Venezuela,  já andam a arranjar bodes expiatórios.

Um clássico, a defesa da benemérita classe que esconde o que deve na Suiça nunca engana.

A dúvida e a certeza

“Vem aí o caos e a anarquia! O Laos e a D. Maria! O ás de paus e a almotolia! Eu bem vos dizia, eu bem vos dizia. Papas à noite, fazem azia!”. Era assim que, há quase quatro décadas, falava, com non sense e com mau senso, uma personagem da peça “Portugal com P de Povo”, texto colectivo encenado pelo TEUC. Tal personagem (que caracterizava um conhecido general), como adivinham, tinha levado o chuto do poder para fora e anunciava, sem razões que se vissem, que, depois dele, seria o desastre.

Não foi. Mas ao ver a reacção do governo e a barragem (des)informativa montada pelos seus serventuários nos vários canais de televisão após a do apresentação, pelo PS, do chamado “Relatório para uma década”, lembrei-me daquela fala. Não vou aqui discutir agora os méritos ou deméritos das propostas contidas nesse texto. Todavia, e finalmente, vemos algumas das propostas que tanto se exigiam aquele partido. Elas merecem uma discussão crítica, seja qual forem as conclusões que cada um de nós retire desse debate.

Uma coisa é certa: embora se mantenham nesse conjunto de propostas eixos fundamentais que muitos de nós, desde sempre, rejeitamos, não é menos verdade que os elementos com que o PS se procura demarcar e tornar distinto do governo merecem atenção e, a serem aceites ou recusados, que o sejam por razões fundamentadas. O rol de declarações trágico-demagógicas, lembrando a retórica do poder nas “eleições” anteriores ao 25 de Abril, é absolutamente revoltante. A mentira e o disparate circulam, neste dias, com nervoso desespero. [Read more…]

Este título não é exacto

Ministra da Justiça ilibada de difamação no colapso do Citius

Mas o Ministério Público arquivou também este caso, como já tinha feito com o da sabotagem informática.

O anúncio do arquivamento do inquérito foi feito pela ministra na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias onde a governante está a ser ouvida esta quarta-feira. Paula Teixeira da Cruz leu extractos do despacho de arquivamento, segundo o qual a ministra “não particularizou, no seu despacho, indivíduos ou sujeitos, nem formulou juízos de valor”. Pelo contrário, “perseguiu o exigível esclarecimento dos factos e actuou com consciência”. A ministra aproveitou também para se queixar das notícias sobre os problemas que que afectaram o Citius por considerar que estas atingiram o seu bom nome.  [P]

Corrijam-me se estou errado mas arquivar é diferente de ilibar. Para ser exacto, o título da notícia poderia ser “Ministério Público arquivou queixa de difamação contra a Ministra da Justiça”.

Só uma dúvida, como é que é mesmo a hierarquia do Ministério Público?

Marco António Costa alveja o pé e o chefe

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Foto: Fernando Veludo@Público

Houve um tempo em que Marco António Costa (MAC) era o nº 2 de Luís Filipe Menezes na CM de Gaia, um tempo em que a gestão camarária do PSD enterrou a autarquia em dívidas, quais socialistas a gastar acima das suas possibilidades. Desse tempo ficam as memórias de esquemas mil, e um nome salta à vista: Webrand, a empresa de comunicação no epicentro daquela a que a revista Visão chamou “A Face Oculta do PSD“, e que envolve não apenas Menezes e MAC mas também a referida empresa, o suspeito secretário de Estado Agostinho Branquinho, a NTM e a Gaianima.

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