Efectivamente, depois da óptima, o projecto. Enquanto houver projecto e Egipto, há esperança.
O Expresso e a recaída
Será que António Costa aceitará a prenda?
Marcelo Rebelo de Sousa disse o que tinha e havia para dizer sobre o descalabro deste governo face ao tratamento, ou melhor, ao abandono, que o Estado dispensou aos cidadãos que tiveram de enfrentar, sós, o avanço dos fogos.
Falou bem, mas ter-se-á apercebido de que, ao anunciar um novo paradigma que deverá sair da Assembleia da República, ofereceu a Costa o melhor motivo para se demitir e provocar eleições, aproveitando o estado calamitoso em que Passos deixa o PSD?
Não sei se António Costa optará por aceitar esta prenda desde já, mas que não lhe bastará uma vitória contra uma moção de censura do CDS, isso parece claro, uma vez que o Presidente da República mostrou bem que só lhe dará mais uma oportunidade. Este governo precisa de reforçar a legitimidade parlamentar de forma a responder a Marcelo Rebelo de Sousa, seja através de um pedido de voto de confiança, seja através de eleições legislativas antecipadas.
Canalhas, cabrões e filhos da puta

Nunca Paulo Portas fez tanto sentido. Exceptuando, claro, quando deu aquela célebre entrevista, em que falava dos quadros muito medíocres do seu antigo partido. Mas esta tirada, do longínquo ano de 2010, imortalizada por este tweet do seu partido, é tão actual que me merece algumas considerações, ou não atravessássemos hoje um dos períodos mais negros da nossa história contemporânea, com esta vaga de fogos florestais, devastadora e mortal.
Ora, efectivamente, fazer politiquice com o flagelo dos incêndios é imoral. Eu diria mesmo que é uma filhadaputice, só ao alcance da mais desprezível cria da mais ordinária meretriz, ainda que a senhora, coitada, não seja responsável pelas canalhices do rebento gerado. Porque é preciso ser-se muito canalha, muito cabrão, para usar a oportuna terminologia que está a marcar o debate no Aventar desde ontem, para usar este drama como arma de arremesso político. Infelizmente, não estamos perante uma novidade no debate político, onde a moralidade raramente tem lugar e a filhadaputice abunda. [Read more…]
A ministra que saiu depois das primeiras chuvas
Foram precisos mais de 100 mortos para que se reconhecesse que o Estado está em cacos. Todos os que ao longo dos anos foram cortando nas bases do Estado e que foram metendo boys de confiança política nos cargos, em vez de gente escolhida pela competência técnica, mostram-se agora escandalizados pela situação que criaram. Todos os que puderam fazer e não fizeram, desde a oposição até ao governo, tiveram o poder para mudar, mas procrastinaram. E, alguns, como Assunção Cristas, que se faz de esquecida, até pioraram o que existia. Nem rezar para que chova, tal como disse uma vez Cristas perante os incêndios no seu mandato, chega, nem manobrar politicamente sem agir, como fez Costa, nada resolver e, pior, deixa espaço aberto para a desgraça.
O governo de Costa teve sorte com o crescimento do turismo, que lhe permitiu expulsar os demónios económicos, e teve azar com o clima, que catalisou os incêndios. Se fosse outro governo que estivesse no seu lugar, nomeadamente o anterior, teria tido a mesma sorte e o mesmo azar. Teria tido o banho de crescimento económico, permitindo-lhe vangloriar-se do sucesso das suas políticas, quando em causa está a conjuntura internacional, e estaria agora em cheque devido aos incêndios, com a oposição a reclamar razão face ao efeito dos cortes. Mas a situação é outra e é este governo que está a responder.
A eucaliptización de Galicia

Rafa Quintía
A eucaliptización de Galicia acontecida dende os anos 50 é unha das maiores catástrofes ecolóxicas que ten sufrido Europa nos último século, comparable á desecación do Mar de Aral, á deforestación de Madagascar ou á destrución da Amazônia. A completa transformación da nosa paisaxe e xeografía, a destrución dos noso hábitats naturais e dos nosos ecosistemas é unha perda de incalculable valor para a Humanidade.
Hoxe dicía, nunha entrevista que me fixeron no programa Diario Cultural da Radio Galega, que para os aborixes australianos a súa paisaxe e os seus bosques de eucaliptos formaban parte da súa cosmovisión e dos seus mitos de creación no Tempo dos Sonos. Pero para os aborixes galegos os matos de eucaliptos pertencen ao Tempo dos Pesadelos e da destrución do noso patrimonio e dos hábitats naturais e culturais sobre os que construímos a nosa cosmovisión como pobo.
E Marcelo disse…
“Abrir um novo ciclo obrigará o Governo a ponderar o quê, quem, quando e como melhor serve este ciclo” – Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República.
O Presidente da República disse aquilo que qualquer um de nós queria dizer. E isso significa que Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, está dotado de algo cada vez mais raro na nossa política: bom senso.
À sua procura

Enquanto tomo um dos cafés do dia, habituei-me a ver se há novas fotos no “À sua procura”. As fotos vão sendo publicadas a um ritmo lento, mas certo, no Instagram do projecto. São retratos tipo passe, feitos em certo estúdio fotográfico da rua de Cedofeita, no Porto, entre Março de 1968 e Setembro de 1969. No total, umas 11 mil fotografias, número astronómico para tão breve período, sobretudo tendo em conta que terão sido feitas por um único fotógrafo.
Procuro as novas fotos, a cada dia, na esperança de que alguma me seja familiar. Pai, mãe, familiares, vizinhos, amigos, algum daqueles rostos terá para mim um nome, uma história. E a ilusão de que isso acontecerá é um dos muitos pequenos prazeres que, todos juntos, me dão sentido aos dias.
As fotos saíram de um livro de prova de contactos que o fotógrafo catalão Pau Storch comprou numa feira de velharias, quando visitava o Porto. “Queria ver aquelas imagens de perto, os rostos, saber como era a fotografia e aquele Portugal antes de 1974”, contou ele ao jornal Público. 11 mil rostos de homens e mulheres, de crianças e velhos. “Como seria encontrar estas pessoas 50 anos depois? Seria possível? Como estaria a sua vida? Seria possível retratá-las?” [Read more…]
Vai-te embora, cabrão.
Disse-o há 2 anos e repito-o hoje e as vezes que forem precisas: Costa é bem mais desonesto que Sócrates. Pode “não meter para a blusa” como o Engenheiro, mas, politicamente, é muito mais mentiroso, falso e trapaceiro. É o rei do embuste.
Os portugueses e o fogo
Excerto de um livro do holandês Gerrit Komrij (que viveu em Portugal). Em 1996, escreveu: “A cada Verão que passa, os políticos prometem fazer finalmente alguma coisa e, cada Verão, a coisa arde com violência acrescida.” 1996!
Depois do silêncio, os Panama Papers estão de volta ao Expresso

Como diria o outro, “que passou-se”? Depois do silêncio constrangedor, terão os papéis finalmente saído do armário, para revelar a verdade aos portugueses, um ano e meio após o anúncio bombástico? Será que é desta que vamos saber que jornalistas, e em que jornais, eram corrompidos com dinheiro sujo para servir Ricardo Salgado, ao invés de servir o dever de informar e o rigor jornalístico?
Lamento informá-lo, caro leitor, mas não foi esse o motivo que trouxe os Panama Papers de volta ao Expresso. Ainda não é desta que ficamos a conhecer a lista com mais de uma centena jornalistas avençados pelo saco azul do GES, que o semanário do Sr. Bilderberg prometeu revelar em Abril de 2016, e que continha pagamentos elevados e outros de poucos milhares. Sim, os pagamentos de “poucos milhares” eram os pequenos. [Read more…]
Mapas e desinformação
Nelson Zagalo
Para compreender o descalabro da desinformação que acontece quando não há Sistemas de Informação e Comunicação no terreno e com equipas preparadas para triar rapidamente o que vai sendo veiculado, fica aqui uma imagem que foi massivamente partilhada, chegando a surgir em vários orgãos nacionais de comunicação social.
A imagem de cima não é falsa, o problema é que não diz respeito a Incêndios ativos na Europa. Inicialmente tinham-me passado a informação de que seria um mapa de Previsão (forecast) de zonas de incêndio, mas essa informação não se confirmou. Não consegui ainda confirmar o local de extração do mapa, contudo ele parece surgir a partir da simulação dos últimos 7 dias passados no EFFIS, tendo depois sido tratada em termos contraste de cor para garantir melhor visualização das manchas de fogo.
Mas, abaixo têm a imagem dos fogos verdadeiramente ativos na Europa, entre 15 e 16, e pode ver-se a diferença abismal do que aconteceu realmente na Europa e em Portugal e na Galiza.
Falta sistemas de Comunicação efetiva às populações que possam garantir informação triada, segura, e evitem os alarmismos como os que foram acontecendo um pouco toda a noite.
PS2: Entretanto adicionei um novo mapa nos comentários com o cruzamento das informações do EFFIS com as Notícias de Incêndios veículadas pela comunicação social europeia, e o mapa reforça o enfoque no Centro e Norte de Portugal assim como Galiza (link direto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155063977618602&set=p.10155063977618602&type=3&theater).
FONTES:
O primeiro mapa anda a circular na rede, não se conhece a origem em concreto, mas acredita-se poder ser também do EFFIS mas relativo aos 7 dias passados, depois alterado em cor e contraste para tornar mais visível os focos de fogo durante 7 dias.
O segundo mapa, do EFFIS, diz respeito apenas a 15/16 Outubro 2017.
Texto politicamente incorrecto
Na SICn o tema da noite é a “falha do Estado”. O que é curioso é que esta gentinha confunde Estado com Governo de um modo que está longe de ser inocente. Chegaram ao ponto de tentar que Pacheco Pereira afirmasse que Portugal era um “Estado falhado”! Claro que o sr. José – dotado de mais neurónios que o par de entrevistadores juntos – não foi na conversa e deu-lhes uma palmada no ego. Mas o tema atravessa a noite. Os convidados especiais estão, na sua maioria, na onda. O presidente da Câmara de Viseu bradava contra a falha do Estado, como se o Estado fosse uma entidade longínqua e com a qual ele próprio nada tivesse. Tem! Ele é Estado também e tem obrigações. Ele e todos os autarcas. E, por muito que isso seja doloroso, é bom que alguém, tarde ou cedo, dê um murro na mesa e pergunte pelas responsabilidades dos que, nas suas terras, têm obrigações a que muitos se furtam sistematicamente para não perder a popularidade e os votos. Essas obrigações estão claras na lei e são, em tantos lugares, sistematicamente incumpridas por acção ou omissão. Elas são descritas no famoso relatório da comissão independente, mas não se fala nelas para que não se pense que se está a culpar as vítimas de que alguns autarcas se fazem lídimos representantes, tentando esconder a sua parte da responsabilidade. Compreendo, mas não aceito. Como compreendo o embaraço dos partidos e governantes em tocarem neste assunto. Por isso aqui deixo esta palavra. Por ela só eu respondo. Sim, os governantes têm mais responsabilidade – eu não digo culpa – do que afirmam os seus representantes. Mas quem autorizou o fogo de artifício dos srs. padres não deve ter sido nenhum ministro. Para citar um micro-exemplo…
A antiga casa do guarda florestal ainda não ardeu este ano
Há muitos anos, ainda Vila Real de Santo António tinha um parque de campismo onde era possível passar uma semana agradável no Verão, ardia outro parque de campismo no Algarve, que isto de incêndios não é de agora, apesar de ter piorado. Um cavalheiro com idade para ter netos tinha deitado à minha frente uma beata de cigarro para o chão, ainda acesa, ali mesmo no meio do parque, abundante de caruma e pronto para um belo incêndio. Chamei-o à atenção, até porque se aquilo ardesse seria a minha preciosa tenda canadiana que se perderia. O que eu fui fazer. Só não houve porrada porque o cavalheiro, ao contrário de mim, era pessoa educada.
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“Os políticos não se educam, pressionam-se”

Fotografia LUSA/Paulo Novais
Uma expressão como “época de incêndios” poderia ser cómica, não fosse enorme a tragédia. Faz tanto sentido como “época de inundações”, como se houvesse uma obrigatoriedade de haver fogo e água por toda a terra, dentro dos períodos respectivos, como se tudo, no fundo, fizesse parte de um planeamento. São expressões que transformam probabilidades em inevitabilidades e que são o retrato de um país ou de um mundo por civilizar.
O professor Jorge Paiva, um especialista em floresta, ao contrário de gente mais mediática e sem vergonha, anda, há anos, a chamar a atenção para vários problemas que poderão estar na origem dos fogos, nomeadamente a falta de guardas florestais. [Read more…]
O país real…
O Estado de forma coerciva apropria-se de praticamente metade dos rendimentos do país, mas não consegue proteger território nem cidadãos, como mais uma vez ontem desgraçadamente os portugueses puderam constatar. E ninguém assume responsabilidade política, no governo estão entretidos com as negociações junto dos interesses corporativos que permitam a manutenção do poder à geringonça. É o que temos e pelos vistos o povo até gosta…
“As comunidades têm de se mostrar mais resilientes”

Não sei se está a decorrer algum concurso que tenha por objectivo premiar a frase mais idiota do Ministério da Administração Interna. Se sim, o campeonato está renhido. Depois do secretário de Estado, e colocando a hipótese de o contexto poder dar outro sentido à declaração, esta frase da ministra reúne condições para alcançar uma belíssima classificação.
Passos Coelho e Luís Montenegro sentem o (des)prestígio, alcançado a duras penas, a ser posto em causa. Há gente que, calada, poderia chegar a poeta ou mesmo gravar um disco.
“Não podemos ficar à espera dos bombeiros para nos resolverem os problemas”

E não podemos ficar à espera do Secretário de Estado da Administração Interna para ajudar a prevenir os incêndios, nem para os apagar. Por isso, mais vale libertá-lo das suas obrigações e usar o dinheiro que se poupa no seu salário para arranjar mais guardas florestais e mais bombeiros. Estes sim, ajudam perante o problema dos incêndios.
Num dia de pandemónio e de incapacidade de resposta é preciso ter lata para sacudir a água do capote desta forma. Encontre a porta de saída, sr. Jorge Gomes, e se tiver dificuldadeem a achar, que lhe seja indicado onde é que ela fica.
[Recorte]
E a Espanha ali ao lado

E entanto, Espanha, mais quente do Portugal, arde menos.
Adenda: parece que a informação divulgada pelo jornal i, aqui citado, não está correcta.
Ricardo Salgado e Cavaco Silva

Desenganem-se aqueles que julgam que daqui sairá alguma acusação de que Cavaco Silva foi um politico corrupto, até porque todos sabemos que seria preciso, ao comum dos mortais, nascer duas vezes para ser mais honesto que o político mais político de todos os políticos, que apesar da sua condição gosta de falar dos políticos e da situação deste país como se não fosse nada com ele.
Acontece que, e à luz dos mais recentes desenvolvimentos em torno da operação/processo/caso Marquês, sabemos hoje que existem fortes indícios – vá, vamos todos fazer de conta que respeitamos o princípio da presunção da inocência – de que Ricardo Salgado abriu os cordões à bolsa para corromper grandes figurões como José Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, apenas para citar alguns nomes. E que, para aqui chegar, foi preciso mover mundos e fundos, que levantam questões pertinentes sobre aquilo que parece a microscópica ponta de um gigantesco icebergue. [Read more…]
Estarão os passistas a orquestrar uma cabala contra Pedro Santana Lopes?

Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens@JN
Primeiro foi Miguel Relvas, que em entrevista à SIC Notícias declarou o seu apoio à candidatura do provedor cessante da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cargo a que chegou por indicação do governo Passos/Portas. De seguida foi a vez de André Ventura, a coqueluche dos dias do fim do passismo, que apesar de se ter mostrado disponível para a corrida, dias antes, vem agora apoiar Pedro Santana Lopes na disputa contra Rui Rio. Quem virá a seguir? Miguel Macedo? Maria Luís Albuquerque? Paula Teixeira da Cruz? Marco António Costa? Hugo Soares? [Read more…]
Sócrates inspirou-se em Sarkozy
A resposta de José Sócrates sobre a sua fonte de rendimentos atual, é obviamente inspirada na resposta de Sarkozy ao jornalista Pujadas da France 2 aquando do debate das primárias da direita francesa. Sócrates assistiu ao debate e replicou-a. Ambos, em vez de clarificar os espetadores, decidem atacar o jornalista. Ambos se apoiam na suposta “indignidade” da pergunta para disferir o ataque. O que é dramático nisto tudo é que a fonte de inspiração não poderia ser mais infeliz. Tal como Sócrates, Sarkozy está envolvido num processo cuja narrativa de inocência é tão credível como um conto do Peter Pan.
Descongelamentos, aumentos, feira de Beja, olho do cu

No Público de hoje, está esta nota, que faz parte da rubrica “Orçamento de 2018 explicado em dois minutos”.
Vejamos: primeiro, o Público diz-nos que os funcionários públicos “terão direito a ser colocados no correspondente patamar remuneratório”. Convém lembrar que os funcionários públicos, há vários anos, tiveram direito a congelamentos de carreiras e a cortes salariais. Na realidade, graças a engenharias várias, foi possível fazer com que os mesmos funcionários públicos ficassem mais longe do topo da carreira e passassem a ganhar menos.
Vamos lá a uma parábola: o menino Joãozinho comia, todos os dias, quatro batatas. Um dia, os pais passaram dar-lhe só duas batatas. Passados dez anos, os pais anunciaram ao menino que iria ser aumentado, porque passaria a comer três batatas por dia. Estranhamente, o senhor João (Senhor João? Pois, passaram dez anos!), protestou:
– Chamam aumento a uma reposição? E as batatas todas que eu não comi durante estes dez anos e que vocês andaram a meter ao bolso, que aquilo está cheio de moscas? Nem sequer voltei às quatro batatas… Aumento?! Vocês andam mas é a confundir a feira de Beja com o olho do cu, pá!
Os pais, ofendidos com a linguagem, embatucaram. Realmente, o senhor João deveria ter muito mais cuidado com a linguagem: é que passar a ganhar mais do que se ganhava é, evidentemente, um aumento. Até os jornais de referência, como o Público, dizem que sim.
Contra o Orçamento do Estado para 2018
Esta reafectação parece-me ser extremamente problemática.
À un moment, elle se fait tej par son keum et elle se réveille à oualpé dans un champ de blé. Du coup, elle est trop déprimée, elle a le seum de la vie, elle se suicide.
Com certeza.
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© JO\303\203O RELVAS (http://bit.ly/2zmwknD)
Exactamente: “com certeza”. Foi a resposta do primeiro-ministro, quando interrogado sobre a confiança em relação à aprovação do OE2018. Infelizmente, não perguntaram a António Costa acerca da qualidade técnica do OE2018. A certeza acerca da aprovação de um diploma depende de uma avaliação do desenrolar de negociações e da celebração de acordos entre partes: neste caso, entre PS, PCP, PEV e BE. E o primeiro-ministro, obviamente, “com certeza”. Agora. Porque, há uns anos, perante um documento exactamente com as mesmas falhas técnicas, António Costa votou contra a proposta do Governo.
Todavia, a certeza quanto à qualidade técnica de um documento depende de uma leitura pormenorizada e de alguma bagagem relativamente a aspectos concretos. Por exemplo (e fica como alerta para o futuro próximo), se alguém acreditar que [Read more…]
Para lá da operação marquês
José Sócrates poderá estar apostado em transformar a operação marquês num processo político, levando para o julgamento a sua acção governativa, acreditando que a dificuldade que existe em provar casos de corrupção em Tribunal, resultará a seu favor. Sabemos dos prazos da Justiça portuguesa, da complexidade deste processo, pelo que dificilmente existirá uma decisão em primeira instância antes de 2020. Nessa altura previsivelmente António Costa continuará Primeiro-Ministro e até poderá obter uma maioria absoluta. Obviamente que existe em Portugal separação de poderes, e tal facto é por si suficiente para descredibilizar hoje a tese do julgamento político, quanto mais colocados perante um cenário em que o seu antigo número dois chefia o governo há vários anos. Mas claro está que o pior cego sempre foi o que não quer ver e crédulos por aí não faltam… [Read more…]
Operação Marquês e Panama Papers: e a lista dos jornalistas avençados, pá?

Era uma vez uma lista de jornalistas, avençados por um saco azul do GES. A lista, parida por um papel do Panamá, fez correr rios de tinta, originou indignações e debates acesos, prometeu mundos, fundos e um escândalo sem fim, até que se perdeu, entre as brumas da memória.
Já lá vai cerca de ano e meio desde que o Expresso soltou a bomba. Desde então, os Panama Papers perderam relevância noticiosa, pelo menos por cá, e já quase ninguém se lembra deles. São uma recordação longínqua, armazenada algures, entretanto substituída na ordem do dia pela sucessão de grandes questões que todos os dias emergem, sejam elas a crise na Catalunha ou a aventura de Madonna, na sua incessante busca de residência fixa na Lisboa das rendas exorbitantes. [Read more…]
O Marquês

Há quem se impressione com o número de crimes imputáveis a José Sócrates pelo Ministério Público mas, depois de assistir a esta entrevista, onde se terão enumerado os pontos fundamentais da acusação, apenas consegui adensar as minhas dúvidas sobre a sobrevivência deste processo judiciário com tão pouco de judicioso. Não sendo a televisão um tribunal, muito embora tenha funcionado, nestes 3 anos de preliminares, como palco para um julgamento que já terá sido efectuado pelo público – ninguém quer acreditar que Sócrates não meteu dinheiro ao bolso -, o certo é que a representação do MP feita pelo jornalista de serviço apenas permitiu que o actor principal tenha dado um passo seguro para reconquistar o seu direito à presunção de inocência junto da opinião pública. Não se esperava que Vítor Gonçalves, que luta contra o estigma das suas supostas simpatias políticas, aguentasse o embate com este ex-primeiro-ministro, e nem mesmo que dominasse as 4.000 páginas da acusação (que trouxe ao ecrã para dar substância e clamor ao libelo, supõe-se…), como naturalmente o demonstrou fazer José Sócrates. Mas este espectáculo, a que mais uma vez assistimos neste campo, teve como único resultado a severa goleada de Sócrates ao Ministério Público.
Caso Marquês e Ricardo Salgado: duas perguntas que todos os portugueses deviam querer ver respondidas

O Ministério Público acusa Ricardo Salgado de ter corrompido José Sócrates, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, entre outros, com valores que ascendem a várias dezenas de milhões de euros. Perante a ponta deste icebergue, existem, a meu ver, duas perguntas que todos os portugueses deviam querer ver respondidas:
1. Quantos políticos e gestores, públicos e privados, corrompeu Ricardo Salgado?
2. Quantos Ricardos Salgados existem neste país?
O mais certo é nunca as vermos respondidas. Mas a minha intuição diz-me que esta e outras histórias não se resumem a Sócrates, Bava e Granadeiro. E que a probabilidade de existirem mais uns quantos Salgados é elevada. Que me perdoe a presunção de inocência, mas já são algumas décadas a ser roubado à cara podre.
31 acusações

Três de corrupção passiva de titular de cargo público, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três e fraude fiscal agravada. É este o rol de potenciais crimes com os quais José Sócrates será confrontado no tribunal de primeira instância que julgará o caso Marquês. Será um processo longo e complexo, que conta com 27 outros acusados, e que poderá arrastar-se ainda vários meses, anos até, durante a fase de instrução que antecede o julgamento. Se este vier a acontecer (sim, essa possibilidade existe!). [Read more…]


“Abrir um novo ciclo obrigará o Governo a ponderar o quê, quem, quando e como melhor serve este ciclo” – Professor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República.







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