O poucochinho de 2016

Santana Castilho*

O que se ensina e o modo como a Escola se organiza para ensinar deveria traduzir um projecto de sociedade, decidido de modo suficientemente participado para a representar. Infelizmente, traduz apenas o querer de quem manda em cada momento, fruto da recorrente incapacidade de os partidos construírem um entendimento político que acomode os tempos da Educação. Com efeito, nenhuma reforma se compadece com a duração estreita de uma legislatura.

A Escola que o anterior Governo deixou visava criar “recursos humanos” produtivos, pacíficos face aos grupos económicos a que se destinavam e agressivos face à competição desumana que deviam vencer para lá entrar. O que o actual Governo fez para mudar essa Escola e preparar cidadãos capazes de agirem de modo crítico e independente é manifestamente poucochinho.

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Ao cuidado da direita indignada com o despesismo

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que vocifera, com toda a razão, contra os salários obscenos que se pagam na função pública, seja a um António Domingues ou a um perigoso sindicalista, desses que só sindicalizam e não querem trabalhar, e que ainda por cima são comunistas, os nababos! Peço um minuto da vossa atenção e indignação para que atentem neste dispositivo contabilístico, gentilmente disponibilizado pela Geringonça, que nos permite assistir em directo ao acumular de euros por parte do antigo secretário de Estado privatizador de Passos Coelho, que o próprio Passos Coelho escolheu para vender o Novo Banco, e que em 14 meses já nos levou qualquer coisa como 365 mil euros, sem que ninguém tenha ainda percebido para quê, dada a inexistência de resultados que justifiquem os cerca de 25 mil euros por mês que aufere.

Como sei que a vossa indignação é honesta e genuína, e aqui alargo o convite a todos os paladinos anti-despesismo da nossa cândida direita, estejam eles no comentário político televisivo, nas colunas de opinião anti-esquerda, na blogosfera liberal/conservadora ou nos grupos de ódio laranja nas redes sociais, ficarei a aguardar, com expectativa, pelos vossos contributos indignados. E caso para dizer: e o Sérgio Monteiro, pá?

Foto: Diana Quintela/Global Imagens@DN

Informação de qualidade

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Correio da Manha, what else?

via Uma Página Numa Rede Social

Lettres de Paris #61 a #64

Ma maison me manque

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ou não sei o que é. Depois da visita da Sílvia e do Guilherme, das celebrações dos 50 anos de ambas e de três dias com eles, fiquei hoje a modos que ‘em baixo’. Ou não sei o que é. Não é que esteja farta de Paris. Ninguém no seu perfeito juízo poderá, objetivamente, ficar farto de Paris (bom… sou capaz de pensar em duas ou três situações em que isso pudesse acontecer), é evidente. Mas começo, talvez, a sentir falta da minha casa, do meu gabinete, das minhas coisas, das rotinas diárias. Essas coisas. Ou não sei o que é. A verdade é que ultimamente, desde há 4 ou 5 dias, o tempo tem estado muito cinzento e chuvoso. Não aquela chuva desempoeirada, que cai com abundância. Mas uma chuvinha chata, poucochinha mas continuada, que enche tudo de uma espécie de viscosidade que aborrece. Isso e a poluição. Tenho tosse há dois ou três dias e chateia-me tossir. Também me doi o polegar da mão esquerda. E isso também me chateia. Enfim, estou lamurienta, queixinhas e ‘em baixo’ e portanto deduzo que tenho saudades de casa, sendo casa tudo o que a mesma significa, como é evidente.
 
Na verdade estou quase a ir-me embora e por isso devia estar mens queixinhas e aproveitar as duas últimas semanas(ou quase isso) por aqui. Vou aproveitar, penso, mas logo a seguir já não me apetece aproveitar. Só me apetece estar em casa. Hoje não há nada a fazer. Escrevo outra carta que são muitas, cartas por atacado, também por isso. Porque nem me apetece escrever, apesar de haver coisas a contar, sobretudo dos últimos dias em que celebrei com a minha irmã-praticamente-gêmea os nossos 100 anos de existência. Não creio que ter feito 50 anos me tenha afetado particularmente (bom, esta dor no polegar se calhar é uma artrose, e as artroses são coisas que se agravam com a idade… portanto, talvez os 50 anos me tenham afetado, afinal, logo assim, para começar). Nunca me importei de fazer anos. Será sempre bom sinal e toda a gente sabe que fazer anos é melhor que não os fazer. Ninguém pode ficar parado nos 20 anos e, sinceramente, tirando a questão dos ossos, eu também não quereria ter 20 anos agora. Nem 30, nem 40, nem 10, nem 5. Quero ter estes 50 anos que tenho. Com o que a vida me deu (menos as dores nos ossos). E quero a minha casa. Pronto.
 

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Sons do Aventar

O auto-retrato feito pelas escolhas

Homens da dimensão de Mário Soares nunca são unidimensionais. Assim, as avaliações e referências que a eles se fazem reflectem sempre esta realidade. Na morte, ficam entregues às palavras dos outros sem direito a apelo. É por isso que os que agora se pronunciam escolhem o retrato que querem desenhar e ficam, eles próprios, sujeitos a julgamento pelas inclusões e omissões que fizeram, pela probidade e procedência do que dizem, sabendo-se que o que afirmam diz tanto deles como do objecto das suas apreciações. É por isso que um elogio pode ser insultuoso, uma distanciação pode ser honrosa, uma crítica pode ser um sinal de integridade. Ao escolher os atributos que definem aquele de quem falo, não me posso furtar de definir-me a mim próprio. Estes dias têm sido, neste domínio, uma lição do que há de pior e de melhor. Assim sendo, aguardava com alguma expectativa os discursos da cerimónia fúnebre a que assistimos hoje. Queria saber qual, nas palavras dos oradores – os filhos de Mário Soares e as figuras institucionais -, era a a imagem que emergia. Foi, há que reconhecer, um momento digno. Ilustro o que digo com o discurso de João Soares, o qual sublinhou, sobretudo, a dimensão de lutador anti-fascista e resistente do homenageado, a sua busca de liberdade. Em palavras que reflectiam, como é natural, a sua vivência pessoal dos acontecimentos. E lembrando factos que a comunicação social mal mencionou por estes dias, ocupada que estava em construções ficcionais tão indignas nos ditirambos como nos insultos e falsificações da história.

Leituras

A “traição” de Soares e outros mitos sobre a descolonização portuguesa

Nas redes sociais, ódio e boatos em copy-paste

E a vírgula, senhores?

mario_soares_camara_lisboaObrigado, senhores da Câmara Municipal de Lisboa, por lerdes este texto. Ponto final.

 

Portugal, Soares e os outros

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Não é o momento para fazer julgamentos. Tivemos e usamos décadas para o fazer, continuaremos a fazê-lo dentro de alguns dias, mas a quantidade de ódio que se tem visto por aí, num país onde um tirano foi eleito, por esmagadora maioria, como o grande português da nossa história, soa-me algo bizarro. Temos sido salteados por diferentes actores políticos ao longo dos anos, incessantemente, e poucas são as personagens que granjeiam tamanha aversão, a ponto de haver quem celebre a sua morte em paragens supostamente democratas e honradas. Não obstante, devemos-lhe muito. Não acho que Mário Soares seja o maior, como tenho lido por aí, mas será, não tenho dúvidas, um deles. [Read more…]

À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

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Encontrado n’Uma Página Numa Rede Social

Um dia após a morte de Mário Soares, o grupo Cofina dá uma mãozinha às pessoas que adoram partilhar as histórias mais escatológicas acerca daquele que hoje é reconhecido como o pai da democracia portuguesa. Na revista, é alegado o seguinte: “Soares quis montar um império da comunicação social. O sonho ruiu, num escândalo de alegada corrupção que ainda hoje está por explicar.” Depois, para sustentar este conceito, a revista Sábado junta factos confirmados com boatos nunca verificados e tece uma narrativa genérica o suficiente para permitir todo o tipo de suposições.

Para quem odeia Mário Soares, isto é perfeito. Sem provar rigorosamente o que quer que seja, a Sábado deixa um clima de suspeição no ar e repete a palavra “corrupção” três vezes ao longo do artigo, permitindo que qualquer opositor da Esquerda use o texto para confirmar o seu enviesamento ideológico.
Esta forma de fazer jornalismo, que deliberadamente pisca o olho às teorias da conspiração, é perigosa. Ela alimenta o clima de pós-verdade (leia-se, “de mentiras”) que está a corroer o jornalismo sério e objectivo. Ela cria hordes de ignorantes que adoram queimar bruxas na fogueira e para quem o conceito de presunção de inocência é uma extravagância criada para proteger corruptos.

Porém, não é esse o motivo que nos leva a escrever acerca do assunto. O que nos chamou a atenção neste artigo é a espectacular dualidade de critérios no tratamento que a comunicação social portuguesa dá à Esquerda e à Direita em Portugal.
Reparem, a revista Sábado pertence à Cofina Media SA, um dos grupos mais influentes da nossa comunicação social e que, através do Correio da Manhã, regularmente alimenta o ódio e o preconceito contra a Esquerda. Ainda em 2011, o Governo de Passos & Portas, através de Miguel Relvas, procurou privatizar a RTP, entregando-a à Ongoing e, precisamente, à Cofina.

A outra empresa que domina as notícias em Portugal é o grupo Impresa, criado por um dos fundadores do PSD, Francisco Pinto Balsemão, e que caracteriza a sua acção pelo destaque (leia-se, “pela promoção”) dado aos dirigentes do PSD. Neste preciso momento, enquanto escrevemos isto, Marques Mendes dá a sua homilia dominical aos espectadores.

Posto isto, falemos de dualidade de critérios. Em Portugal, os grupos Cofina e Impresa são vistos como grandes empresas, que dão trabalho a milhares de pessoas e determinam o tipo de conteúdos que os portugueses vêem, lêem e ouvem. Francisco Pinto Balsemão, para todos os efeitos, é um dos fundadores da nossa democracia e um dos maiores empresários do país. Porém, quando alguém ligado ao PS tentou criar um grupo exactamente com as mesmas características, isso rapidamente foi classificado como corrupção.
Ou seja, num país onde a comunicação social é dominada por um dos fundadores do PSD e por um grupo opositor da Esquerda, os jornalistas promovem a ideia de que um grupo criado por pessoas do PS consistiria numa tentativa de controlar a informação.

À Esquerda, é corrupção. À Direita, é empreendedorismo.

Este é, provavelmente, o caso mais sintomático de como o preconceito e a dualidade de critérios estão enraizados na interpretação que muitos jornalistas fazem da nossa realidade.

Orgulhosamente empreendedores.

Uma história de TERROR!

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Carlos Paz

BES / NovoBanco – Algo está PROFUNDAMENTE ERRADO!
Não pode ser SÓ incompetência. Não é possível!

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Para percebermos um pouco do que se está a passar (é impossível perceber tudo – é tão mau que não existe NENHUMA explicação plausível, aceitável, credível, etc…) vale a pena revisitarmos um pouco a história de tudo o que se passou:

A – Período BES/GES

1) Sob a direção de Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi, José Manuel Espírito Santo, Ricardo Abecassis, Fernando Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo, António Ricciardi, Pedro Mosqueira do Amaral e Amílcar Morais Pires, entre outros, o Grupo Espírito Santo (GES) fez uma gestão de tal forma desastrada de todos os seus investimentos que entrou em processo de colapso financeiro;
2) O referido colapso financeiro foi sendo escondido ao longo dos anos através de uma série de operações que drenaram os fundos do BES para o GES;
3) Este processo correu SEMPRE sem que a supervisão do Banco de Portugal (BdP), dirigida primeiro por Vitor Constâncio e depois por Carlos Costa, se apercebesse do que quer que seja daquilo que se estava a passar (desvios massivos de dinheiro do BES e dos seus Clientes para esconder os PÉSSIMOS resultados de Gestão do GES);
4) Depois de totalmente destruído o GES, o BES estava perto da falência, numa altura em que todos no mercado falavam disso (auditores, jornalistas, comentadores, etc…), MENOS o regulador/supervisor (Carlos Costa e o seu BdP);
5) Em último estertor os supracitados gestores do GES/BES, com a anuência de Carlos Costa e do BdP, promoveram um processo de aumento de capital do BES – recordemos que Banco estava tecnicamente falido, mas estava a ser protegido pela INCOMPETÊNCIA (para bem da nossa sanidade mental coletiva enquanto Nação, vamos acreditar que nessa época os atos e as decisões decorreram SÓ de pura incompetência) de regulação e supervisão do BdP;
6) Este processo de aumento de capital de um Banco que estava FALIDO teve o alto patrocínio do Banco de Portugal (de Carlos Costa), da CMVM (de Carlos Tavares), do poder político (Cavaco Silva e Maria Luis Albuquerque) e de diversos jornalistas e comentadores (como Marcelo Rebelo de Sousa, amigo e visita de casa da “família”);
7) Nesta altura Carlos Costa (e o BdP) já se tinha apercebido de indícios de Gestão Danosa no BES (em favor do GES e de amigos) mas não tinha coragem para afastar Ricardo Salgado e a sua clique da Administração do Banco – nessa altura Carlos Costa pede (e paga com o NOSSO dinheiro) diversos pareceres jurídicos para provarem que NÃO podia afastar Ricardo Salgado, tendo no entanto a maioria dos jurisconsultos consultados optado por referir que Carlos Costa, se quisesse, podia MESMO afastar Ricardo Salgado;
8) A Administração do BES apercebeu-se que já NADA seria possível fazer para salvar o Banco (BES) tendo havido alguém (ainda se espera um esclarecimento das autoridades judiciais) que promoveu uma imensa purga de fundos, numa única semana, que arruinou definitivamente o Banco;
9) Apercebendo-se tarde, demasiado tarde, do ENORME problema que tinha entre mãos, Carlos Costa afasta finalmente Ricardo Salgado que nomeia para seu substituto o seu próprio braço direito (Amilcar Morais Pires, Administrador Financeiro do BES) que estava envolvido em TODO o processo e, aparentemente (continuamos a aguardar esclarecimentos das autoridades judiciais), em TODAS as decisões;
10) O Banco entra numa espiral negativa e no final da semana fatídica da purga de fundos (nunca esclarecida pelas autoridades judiciais), Carlos Costa é finalmente obrigado a agir (o BdP já não podia continuar a fingir que não percebia o que se estava a passar);
11) Carlos Costa que tinha feito parte da equipa de Durão Barroso em Bruxelas, recorre às autoridades Europeias e promove a montagem, com o patrocínio (ou o comando, nunca o saberemos) da Comissão Europeia e do BCE, de uma operação de “resolução bancária” para o BES;
12) Convém aqui recordar que, apesar de ser este o modelo definido pela TROIKA para os problemas dos Bancos Europeus, este tipo de solução foi ensaiada no BES e NUNCA mais voltou a ser usada em lado nenhum da Europa (mesmo no BANIF em que o “nome” foi o mesmo, a operação foi muito distinta). [Read more…]

O discurso.

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Esta madrugada a actriz Meryl Streep, nos Globos de Ouro, foi ao palco receber o seu mais que justo prémio de carreira e fez um discurso brilhante. Podem ver e ouvir neste link.

 

Ajustes directos à lupa – Guimarães

 

Ajustes directos à lupa - Guimarães

Nesta viagem do colectivo Aventar por esse vasto território dos ajustes directos era obrigatória a visita à nossa Cidade Berço, Guimarães de seu nome. E o Município de Guimarães ajusta forte e em rede, de tal forma que esta foi uma viagem difícil e de acesso complexo. Senão vejamos, o Município de Guimarães leva, até hoje, mais de 171 milhões de euros ajustadinhos mas os mesmos devem ser analisados recorrendo, igualmente, a outras entidades detidas na sua esmagadora maioria por capital da autarquia. Sem isso a fotografia ficaria desfocada.

No meio de tanto milhão fomos encontrar a módica quantia de €914.900,00 (quase um milhão de euros) entre comunicação, brochuras e diverso material publicitário sem esquecer as iluminações de natal e outras festas e, a cereja no topo do bolo, cerca de sete mil euros (€7.000,00) nas obras de remodelação do “wc do gabinete da presidência”. De repente, fora destes valores, reparamos que a MEO já se ajustou a mais de €200.000,00 (isto é que é falar!) neste mandato e deparamos com mais de 4 milhões de euros ajustados pela autarquia à “A Oficina Centro de Artes e Mesteres Tradicionais de Guimarães, CIPRL”, detida em mais de 80% pela Câmara Municipal de Guimarães. Depois também se verificou que a candidatura de Guimarães a Capital Verde da Europa já leva entre estudos, projectos e promoção uma bela quantia bem superior a meio milhão de euros (€500.000,00) e cuja candidatura, segundo o site da autarquia, será para apresentar em 2017. Por fim temos a “Casa da Memória”. Nesta, só em molduras digitais, vitrines interactivas, layout expositivo ou concepção de guiões já se ajustaram quase 200 mil euros. Ou seja, até aqui, dos iniciais €914.900 já chegamos quase aos seis (6) milhões de euros!

Bem, o que vale é que apenas a casa de banho da presidência necessitou de obras de remodelação. Caso contrário, imaginem em quanto já iria a conta dos ajustes. E Guimarães ajusta e bem.

E assim anda o nosso dinheiro.

Resposta do Município de Guimarães

Até à publicação deste post, a Câmara Municipal de Guimarães não respondeu a este post. Se o fizer, actualizaremos o seu conteúdo.
Explicação do projecto: Ajustes directos à lupa
Contributos dos leitores: aventar.blogue@gmail.com ou formulário de contacto

Foi o melhor testemunho que arranjaram?

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Ou foi o pior?!

Veja-se só, os portugueses afinal não são moinantes.

Média anual de horas trabalhadas por trabalhador em 2015 (fonte: OCDE 2017)

Média anual de horas trabalhadas por trabalhador em 2015
Fonte: OCDE 2017

Em Portugal trabalhamos mais horas do quem em toda a Europa que queremos como referência para nós. A Alemanha é o país com menos horas trabalhadas na Europa e, simultâneamente, é aquele com a economia mais pujante.

Comprova-se que a produtividade do país não tem nada a ver com o número de feriados que temos, nem se estes são encostados aos fim-de-semana, para não haver pontes. A iniciativa do PSD, patrocinada por Passos Coelho e pela sua clique, não passa de propaganda e, pior, é um erro, pois pretende resolver um problema (a nossa baixa competitividade económica) partido pressupostos errados. Está por isso condenada ao fracasso.

Mas há mais.

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E se um drone colidisse com o seu voo?

incidente lam tete 05 janeiro 2017

O  Boeing 737-700 das Linhas Aéreas de Moçambique tinha a pista à frente. Do choque não resultaram feridos. Desta vez.

Aconteceu a 5 de Janeiro de 2017,  às 17:15 horas, à chegada ao aeroporto de Tete, em Moçambique. Já com a pista à vista, a tripulação ouviu um estrondo, que se revelou ter resultado da colisão de um objecto com o nariz do avião. Lê-se na imprensa que terá sido um drone, apesar do comunicado da LAM não o confirmar.

Não se sabe o que faria um drone à turbina do avião, mas bem não seria, certamente. Por isso, faz todo o sentido que a Autoridade Nacional da Aviação Civil tenha introduzido limitações ao voo de drones. No entanto, legislação não chega, pois, como sabemos, as regras existem para ser quebradas. E há quem as quebre por rebelião, por inconsciência e também por maldade. Poderemos estar perante um novo problema de segurança com estes objectos voadores telecomandados. É possível que, a par com a indústria dos drones, apareça também a indústria de segurança contra os perigos que estes objectos possam (vão) trazer.

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Lava mais branco

O tema das notícias do dia é, como é natural e lógico, a morte de Mário Soares. E assistimos à televisão no seu melhor – que é mau, como sabemos. Liga-se a TVI24 e fica-se perplexo. Para discutir a figura de Soares, foram escolhidos, além das duas jornalistas, o sobrinho – o estimável e pitoresco Eduardo Barroso -, o amigo – Carlos Monjardino- e, para o comentário político puro e duro, dois salazaristas reciclados: José Miguel Júdice – que aderiu à democracia pelos lucros que ela lhe trouxe – e Adriano Moreira, que, fino e inteligente como é, conseguiu fazer esquecer a muita gente, através da criação de uma “persona” democrática, o facto de ter sido destacado ministro – do “Ultramar”…- de Salazar e autor da reabertura do campo do Tarrafal, entre outras habilidades. E foi vê-lo, ladino, como se não tivesse nada a ver com o assunto, a discorrer sobre as políticas anti-coloniais defendidas por Mário Soares. Foi nesse momento que, nauseado, desliguei a televisão e abri um livro, opção sempre recomendável em casos que tais.

Entretanto, na “Comissão Política Distrital de Lisboa do PSD” (*)…

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Aguarda-se que um partido que faz parte do Estado de Direito se demarque disto (e do resto) a qualquer momento.

* cf. descrição do grupo, apesar de ser uma página oficiosa.

[post actualizado para sublinhar que a página em causa é uma página oficiosa]

Cristas abanou a cabeça

Abanou a cabeça de um lado para outro, como lhe ensinaram,  enquanto dizia umas coisas.

“Em muitas alturas, o CDS teve grandes divergências políticas com o dr. Mário Soares, mas não esquecemos o seu papel fundador no Portugal Democrático, especialmente no difícil período revolucionário em que se opôs à hegemonia política e totalitária – e em que, tendo vencido, ajudou a democracia a vencer e a ser consolidada em Portugal”, comentou Assunção Cristas, numa nota enviada à agência Lusa. [Expresso]

“Especialmente no difícil período revolucionário”, na visão CDS, pois a ditadura foi um período normal.

O PCP falou

PCP ainda não engoliu o sapo: o partido “regista as profundas e conhecidas divergências”, apesar do passado anti-fascista.

Uma parte da nossa História

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Vou recuar a 1986 para falar de Mário Soares. Nessa altura Portugal vivia uma das suas mais dramáticas eleições. De um lado, Freitas do Amaral e com ele a direita e o centro direita; do lado oposto, Mário Soares e com ele a esquerda e o centro esquerda. Tudo isto de uma forma simplista, sublinho desde já.

Uma divisão enorme na sociedade portuguesa. Duas concepções diferentes de Portugal. Para que a geração dos meus sobrinhos ou mesmo da minha filha possam perceber, era uma divisão que nalguns casos, muitos, se vivia dentro das próprias famílias. Recordo que na minha ficaram, durante alguns anos, algumas feridas. Maioritariamente o nosso apoio era para Freitas do Amaral e o movimento “Prá Frente Portugal”. Alguns familiares, poucos, apoiavam Mário Soares (“Soares é Fixe”, era o lema) e isso criou atritos e amargos de boca entre as partes. Na segunda volta, em Fevereiro de 1986, Mário Soares ganha por uma diferença mínima (o equivalente a um Estádio da Luz como se dizia na altura). Para mim, um adolescente à época que viveu intensamente a campanha eleitoral, foi um enorme balde de água fria. Estava convencido que Freitas do Amaral ganharia as eleições. No fundo, em casa, estávamos todos convencidos de tal.

A verdade foi outra. Mário Soares ganhou e teve a superior inteligência de criar a figura do “Presidente de todos os portugueses”. E foi-o como poucos. Melhor dito, como nenhum antes e como nenhum outro depois. E tinha de o ser para dessa forma acabar com a enorme divisão existente na nossa sociedade. Estou convencido que foram dois os factores que acabaram com essa divisão fracturante no Portugal dos anos oitenta: a forma como Mário Soares soube exercer o seu cargo de forma unificadora e a maioria absoluta do PSD em 1987, ano e meio depois das eleições presidenciais.

Ou seja, Mário Soares foi fundamental como garante da democracia nos anos setenta. Foi a sua acção directa e indirecta que acabou (ou pelo menos atenuou) a clivagem política  na nossa sociedade nos anos oitenta. Em dois períodos diferentes e fundamentais da nossa história recente, Mário Soares foi um verdadeiro estadista. E ficou na história do século XX português.

Não foi perfeito e como qualquer ser humano cometeu erros. Não esteve isento de crítica e aqui permitam-me um parêntesis: aquilo a que se assistiu por parte de muitos portugueses, muitos mais do que aquilo que seria de esperar, nas redes sociais e caixas de comentários dos sites de muito órgãos de comunicação social portugueses nos últimos tempos sobre a pessoa de Mário Soares foi vergonhoso. Mais, demonstrou que continua a existir um número demasiado elevado de pessoas mal formadas, com instintos primários e que nos devem encher de vergonha a todos. Não foi nem é apenas repugnante, é assustador. Que não gostem de Mário Soares, que exista contra ele motivações superiores, é natural e normal mas destilar ódio, desejar-lhe a morte e outras coisas do género a que todos assistimos publicamente é indecoroso e, repito, assustador na forma como nos mostra o seu carácter. Escrevo-o com a liberdade de nunca o ter apoiado nem tão pouco nele votado em toda a minha vida e em todas as hipóteses que para tal tive. Com a liberdade de ter sido crítico de algumas das suas decisões e até de coisas que ele disse ou fez. Aliás, sobre o seu papel na descolonização a história se encarregará de esclarecer a verdade, de elucidar as gerações futuras sobre o que se passou e como se passou. Nem a minha geração está suficientemente distante para o fazer com o devido rigor histórico. E esse é o ponto que mais me divide sobre a personalidade de Mário Soares.

Não vou escrever muito mais sobre Mário Soares. Apenas aconselho, a quem o desejar, a leitura deste fabuloso texto de Miguel Esteves Cardoso, insuspeito ideologicamente, sobre Mário Soares. Está ali quase tudo o que penso sobre Mário Soares. Estou convencido que perdemos hoje um dos nossos maiores.

Cavaco falou

 

E disse o quê? Justificou-se, talvez para justificar os inevitáveis elogios. Falou com a habitual assinatura pessoal.

Mário Soares, uma vida entre multidões

Luta contra a ditadura, preso várias vezes pela PIDE, duas vezes Primeiro-Ministro, duas vezes Presidente da República.

Descobri recentemente que há uma multidão que lhe tem um ódio de morte. Acusam-me de corrupção, de ter estragado a vida aos que viviam em Africa e até ter ter morto Sá Carneiro (*). Não sei se estes boatos têm fundamento ou não. Mas sei que nasci durante a ditadura e agora vivo em democracia e que isso se deve a pessoas como Mário Soares. E sei, também, que viveu sem aparecer ligado aos grandes escândalos financeiros que afundaram o país, desde os fundos comunitários, ao BPN, BPP, BANIF e BES – contrariamente a muitos daqueles que agora o acusam.

Também o acusam de ter levado o país à bancarrota por duas vezes. E, no entanto, escondem que a direita fazia parte de ambos os governos. No primeiro resgate, em 1977, o governo era liderado por Mário Soares e contava com Carlos Mota como Ministro do Comércio e Turismo. O segundo resgate, em 1983, existia um governo de bloco central PS-CDS, tendo Mário Soares Primeiro-Ministro e Rui Machete como Vice-Primeiro-Ministro. Este exemplo de manipulação serve-me para ilustrar que é sensato não opinar sem se ter alguma informação fidedigna. Por isso, sem entrar em idolatrias, agradeço a Mário Soares por aquilo que é inquestionável. Viveu entre multidões, o que contribuiu para a nossa liberdade individual.

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Morreu Mário Soares (1924-2017)

Notícia do Público.

Este banco não é para novos

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Cavaco Silva ainda tentou avisar que isto podia correr mal, mas quem a sabia toda era o Antero. Venderam-nos uma mentira, e o país engolindo e pagando, ao sabor das contradições que se multiplicavam, quiseram fazer de nós otários, o que de resto até acabaram por fazer com assinalável distinção, ou não estivéssemos todos a pagar a engenhosa solução encontrada pelo anterior governo, com a preciosa ajuda do amigo do Banco de Portugal, anunciaram vendas, que se aproximariam de alguns milhares de milhões, sem nunca se concretizarem, e juraram a pés juntos que tal empreendimento não custaria um cêntimo aos contribuintes. Como o outro senhor que também nacionalizou um banco com a mesma promessa, um banco que acabou comprado por um outro ao qual agora preside. [Read more…]

Se ao menos este tipo e c.ia alguma vez tivessem trabalhado…

Quem trabalha sabe que não há pontes. Mete dia de férias e é preciso que a empresa ou serviço aprovem. Mas quem é que se está para se preocupar com minudências quando se pode bater nos do costume?
imagePara a sumidade em causa, o problema da produtividade está no número de horas que a plebe trabalha. Foi com esse argumento que cortou 4 feriados, quis aumentar o horário laboral e inventou o banco de horas. E é por isso que agora volta à carga.

Deve ter ouvido falar que é o que fazem em Inglaterra. Será que também lhe disseram que lá há empresas que têm um horário de 37,5 horas semanais? E que quase todos os trabalhadores do UK têm 5,6 semanas de férias pagas?

Mas se o PSD e o seus militantes estão assim tão preocupados com a perda de produtividade, que vão trabalhar nos feriados. Dêem o exemplo e desamparem a loja. Agora, gostava mesmo era de ver o PSD propor uma solução para a encrenca do Novo Banco, que não ata nem desata, apesar de lá ter o seu boy a ganhar 25 mil por mês para tratar da venda, com os resultados que conhecemos. Mas, como sabemos, o problema da competitividade não está nos impostos que pagamos a mais por causa de andarmos a salvar bancos privados, mas sim na porcaria das pontes, que afinal são dias de férias.

No regresso para

«No regresso para em Lourenço Marques para visitar uma irmã». Efectivamente.

O árbitro, o ovo e a galinha

chicken-and-eggO meu gosto pelo futebol é tal que já me levou a assistir a torneios de futebol organizados por juntas de freguesia ou a jogos de campeonatos entre turmas nas escolas por onde tenho passado. Independentemente das idades, as derrotas provocam sempre o mesmo comportamento infantil: a culpa é do árbitro. Tendo caído na asneira de apitar jogos de alunos, fui, mais do que uma vez, acusado de ter favorecido os vencedores, ficando, frequentemente, com a impressão de que terá sido a minha condição de professor a livrar-me de reacções um pouco mais violentas ou de insultos mais coloridos, porque, para os derrotados, a culpa só podia ser daquela personagem cujo papel eu me tinha disposto a encarnar.

Conheço pouquíssimas pessoas capazes de falar verdadeiramente sobre futebol, atribuindo sempre as culpas aos árbitros quando o resultado é adverso. Trata-se de um comportamento perfeitamente transversal: com ou sem formação superior e independentemente da classe social ou do credo, transformam-se em seres ocasionalmente inferiores, reduzindo noventa minutos a um erro do árbitro, o único agente do futebol que, afinal, não pode errar, ao contrário dos jogadores que podem falhar golos de baliza aberta à vontade, porque a culpa nunca será deles. Note-se que nestes seres ocasionalmente inferiores incluo muitos amigos também adeptos do meu clube. [Read more…]

Así que pasen cinco años

PADRE: Cinco años, día por día. ¡Ay, Dios mío!
— Federico Garcia Lorca, Así que pasen cinco años

Dans le modèle de Klein, l’état spatial est l’opération linguistique de base dans la représentation de l’espace.
—  Arnaud Arslangul (2007)

Fast alle Schnecken, nur etwa drei Gattungen ausgenommen, haben ihre Drehung, wenn man von oben herab, d. i. von der Spitze zur Mündung gehet, von der Linken gegen die Rechte.
— Kant, Von dem ersten Grunde des Unterschiedes der Gegenden im Raum

***

Quando, há cinco anos, isto começou a acontecer de forma sistemática

dre212012

dei início à recolha de material para um documento, apresentado, um ano mais tarde, na Assembleia da República. A única resposta pública que então obtive foi do ILTEC:

Tal não invalida, é claro, que sejam legítimas as preocupações que o autor expressa no seu trabalho. É importante que os órgãos oficiais, sobretudo num período de transição como este, se esforcem por dar o exemplo e evitem erros.

De facto, cinco anos depois de os fatos e afins terem começado a ocupar quer o lugar dos factos e afins, quer o quotidiano dos leitores do Diário da República, eis o resultado das acções silenciosas que terão sido conduzidas pelos responsáveis políticos para combater o flagelo ortográfico em curso, baseadas evidentemente em estudos secretíssimos e, sem qualquer sombra de dúvida, aturados, demorados e muito rigorosos:

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Efectivamente, 2 de Janeiro de 2012 e 2 de Janeiro de 2017.

Contudo, hoje é dia 6. O que terá acontecido hoje, dia 6 de Janeiro de 2017? [Read more…]

Lettres de Paris #59 et #60

Nous ferons 100 ans à Paris…

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A Sílvia há-de ser a pessoa com quem festejei mais aniversários na vida. Desde há mais de 20 anos que, com raras exceções, passamos o aniversário juntas. A razão é simples: nascemos no mesmo ano, na mesma maternidade, com um dia de diferença apenas. Portanto, podemos dizer que nos conhecemos desde o dia em que nasci eu, que fui quem das duas nasceu mais tarde.
Este ano fazemos 100 anos, a dividir de forma igual pelas duas. Quando for meia-noite de 7 para 8 de janeiro entraremos ambas nos cinquenta. 100 anos a dividir por duuas é uma idade e pêras e muita coisa aconteceu desde que nos cruzámos, ela bem disposta como sempre e eu chorona, como quase sempre, mas por causa dela menos, na Maternidade Alfredo da Costa.
Por isso somos irmãs-praticamente-gêmeas. E por isso, com raras exceções, desde há mais de 20 anos festejamos os nossos aniversários juntas. Há 3 anos, quando fizemos 94 anos por junto, estávamos ambas em Paris. A situação era a contrária. Ela estava na Maison Suger e fui eu que vim visitá-la e festejar com ela o aniversário. Hoje ela está quase a chegar para o início das celebrações. Ela e a segunda pessoa com que creio ter festejado mais aniversários na vida – o meu sobrinho-emprestado-único-e-preferido, o miudinho que conheço desde que nasceu e que é um dos meus amores da vida. O meu Guilherme.