O novo papão

cookie monster

Falta de ideias é o novo papão. Ele mesmo, é um papão com falta de ideias, tal é a recorrência deste argumento quando não se tem… outras ideias para argumentar.

É também um papão cábula, que não tem outra ideia que não a “austeridade” (leia-se contribuintes a pagar BES e coisas afins) mas espera que outros lhe dê as ideias que ele mesmo não tem.

É este o estado da arte da nossa discussão política. E é de meter medo, já que centrando a conversa em jogos palacianos foge-se à real discussão do estado do país. E no fim pagam os mesmos: nós (estou a assumir que a família Salgado e demais não lê o Aventar).

Alunos vão continuar mais uma semana sem aulas

E já não há paciência que aguente isto.

No parlamento, o responsável pelo erro nos concursos, Pedro Passos Coelho teve oportunidade de dizer a Ferro Rodrigues que o erro tinha, de facto existido, mas num contexto de reforma. Isto é, erraram, mas ao tentar fazer melhor. E, como sempre, Pedrinho Coelho é capaz de ter parte da razão – a legislação de concursos mudou e foram as mudanças que resultaram nesta confusão. Logo, se estivessem quietinhos, a coisa tinha corrido melhor.

O Governo procurou passar parte dos concursos a contrato para a esfera das escolas e criou uma réplica do concurso nacional em cada escola. Ora, no ponto em que estamos, cada professor concorre a tudo o que lhe aparece, de Melgaço a Tavira, porque, basicamente, o que nós queremos é trabalhar.

Ora, se em cada escola, há um concurso diferente e completamente “estanque” em relação aos outros temos novamente um problema – a Professora A foi hoje colocada em 6 escolas. Vai aceitar, até 3ª feira numa das escolas. Logo, as outras 5 só depois de terça poderão convocar outro e assim sucessivamente. Só que há um detalhe. Se, na semana seguinte o MEC chamar o candidato 2, que até pode ser o mesmo nessas 5 escolas, na semana seguinte serão 4 as escolas sem professor…

Mais uma moedinha, mais uma voltinha...

A praia: fronteira com o mar

Museu Marítimo de Ílhavo: no próximo dia 21 de Outubro, uma conferência por John Mack, curador do British Museum e autor do livro The Sea, a Cultural History (Reaktion Books, 2011) abre um seminário que quer pensar em voz alta a nossa relação com o mar, nos domínios cultural, estético e científico.

 

Mack The Sea Cover

Uma organização do CIEMar-Ílhavo. Participação gratuita.

A cabeça de um ministro por 0,8%

As trapalhadas de Pedro Passos Coelho em torno da escola nos últimos três anos têm sido o pano de fundo para tantas e tantas declarações ignorantes que saltaram para o espaço mediático.

Nos últimos dias houve uma nota dominante: Pedro Passos Coelho falhou na colocação de professores e isso é a prova de que não é possível fazer um concurso nacional para colocar os professores.

Ora, nada mais falso, como já procurei provar ontem. O concurso não falhou por ser central e nacional. Essa foi a parte que correu bem. O erro aconteceu quando Pedro Passos Coelho o tentou passar para o nível local. Aí é que o porta-aviões foi ao fundo.

Os laranjas de serviço colocaram também em cima da mesa um argumento que se vira contra o próprio governo: os erros aconteceram apenas com 0,8% dos professores. Se esta afirmação for verdadeira, atendendo a que há cerca de 100 mil docentes na Escola Pública, estaremos a falar de um universo de 800 e não de 150 como foi dito pela tutela. Mas, a ser verdade uma coisa ou outra, de onde surge tanta confusão? Acreditam mesmo que foram apenas 150 os professores envolvidos nesta confusão. Se assim fosse, um mês não seria suficiente para os colocar? Até à mão, os serviços teriam tempo para o fazer. É claro que não foi essa a dimensão do problema.

Podem correr e saltar e até sugerir que deve ser o Ricardo Salgado, do BES mau, a escolher os professores segundo os apertados critérios familiares, porque, todos o sabemos, os nossos gestores são todos fantásticos.

Mas, os factos estão aí para o provar: sempre que o Governo (este e os outros) respeitou a graduação profissional, os concursos correram bem. E, ao contrário, sempre que o Governo (este e os outros) desrespeitou a graduação profissional, a coisa correu mal.

Logo, parece-me que por causa de uns míseros 0,8% de docentes contratado não vale a pena arriscar a cabeça de um ministro.

Fazendo uso da nova imagem da cidade do Porto: GRADUAÇÃO.

Zeinal Bava e o Lince

bava

© Nuno Botelho (http://bit.ly/1t4CXFC)

“Quem tramou Zeinal Bava?”, pergunta-nos Público. Não faço a mínima ideia. No entanto, à primeira vista, diria que este desfecho apenas vem confirmar a tese da irrelevância.

Ao ler

Facto relevante: o comunicado da Oi que anuncia a saída de Zeinal

e

FATO RELEVANTE,

 

num jornal com recaídas de excelência ortográfica, lembrei-me de uma citação de Ivo Castro que divulguei em 2009 (p. 94)

Nós dizemos ‘facto’, escrevemos o c. Os brasileiros dizem ‘fato’ não escrevem o c. Portanto, mantêm-se as grafias duplas.

Como é sabido, nada disto impediu que fossem dados todos os passos necessários em direcção ao abismo ortográfico.

Ao folhear o diploma mencionado no ‘fato relevante’, isto é, a Lei nº 6.404/76, decidi alimentar o Lince (sim, o Lince) com o articulado e obtive os seguintes comentários:

respectiva convertido para respetiva

respectivas convertido para respetivas

respectivo convertido para respetivo

respectivamente convertido para respetivamente

prospecto convertido para prospeto

perspectiva convertido para perspetiva

aspectos convertido para aspetos

Resumindo: apesar de em português europeu se escrever respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, o conversor Lince (adoptado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011) não admite estas grafias. No entanto, em português do Brasil, tais grafias são perfeitamente legítimas — aliás, “em atendimento” a um parágrafo de um artigo de uma Lei com respectiva, respectivas, respectivo, respectivamente, prospecto, perspectiva e aspectos, ficámos a saber que “o Sr. Zeinal Abedin Mahomed Bava renunciou nesta data ao cargo de Diretor [sic] Presidente da Companhia”.

Sem sombra de dúvida, mais uma vez, eis-nos perante um “passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

Olha o fado

Quem chega cedo à taberna (ó bela palavra que agora só me apareces com o penduricalho “gourmet”) ainda apanha os fadistas na esplanada, mesmo em frente ao rio. E é fácil reconhecer a mesa da fadistagem. Há os bazofeiros, que peroram sobre o fado, porque eles sabem o que é o fado, e como é que se canta o fado, e onde é que se aprende a cantar o fado, e já precisam dos dedos das duas mãos para contar as cenas de pancadaria que viveram por causa de um fado menor. Há os melancólicos, que não dizem nada e bordam com o dedo no tampo da mesa as palavras que mais os ferem. Há as jovens promessas, que ouvem em silêncio os mais antigos, umas deslumbradas, outras reticentes, e percebe-se logo, só pelo jeito, qual das novas estrelas do fado têm por modelo.

E há os que já não cantam, ficou-lhes um fio de voz, mas acompanham com o corpo, com um jeito de ombros, um suspiro. Foge-lhes o fado do corpo, e é como se lhes fosse o sopro da vida, uma coisa triste de ver, e por isso os cuidam tanto os actuais fadistas, achegam logo uma cadeira para eles, e procuram não deixar que a velhice os roube demasiado depressa.

– Ó Costa, iogurte?! Vais lanchar um iogurte?! Tu assim estragas-te, pá. Come uma isquinha, bebe um copo.

Que é como quem diz, não te entregues já. [Read more…]

Pontaria

Não sei que número calça o Marinho, mas havendo dinheiro acerta sempre no dedo grande.

A vida das pessoas continua a não estar melhor

BES PSD

E porque recordar é viver e a aldrabice anda de mão dada com este governo e respectivos lacaios parlamentares, eis que chega o momento de recuperar esta frase inspiradora do maçon Montenegro, autor da célebre frase “eu sei que a vida quotidiana das pessoas não está melhor, mas não tenho dúvidas que a vida do país está muito melhor do que em 2011”. Montenegro, qual virgem ofendida, insurgia-se no início de Agosto contra demagogos que acusavam o governo de ajudar banqueiros enquanto eles, os samaritanos dos tempos modernos, isentavam os contribuintes de responsabilidades.

[Read more…]

Nobel da Literatura 2014

modiano

O vencedor é o francês Patrick Modiano.

Concurso de professores: ai que horror, o centralismo!

patetaDurante alguns anos, o Ministério da Educação prejudicou um pouco as escolas. A partir de 2005, tornou-se o principal problema. A população, pouco esclarecida e com pouca vontade de se esclarecer, tem gostado de assistir à acção dos marialvas políticos, que isto é um país em que o pequeno salazarismo é a sujidade das unhas e, por isso, há muita gente que treme de gozo quando alguém “mostra quem manda”. Sendo a classe docente um dos grupos mais invejados, tem sido grande o regozijo das gentes, face aos ataques perpetrados pelos gémeos Sócrates e Coelho.

Entretanto, há quarenta anos, Portugal ocupava o lugar na linha de partida da Educação em Democracia, com um atraso de séculos carregados de miséria, de analfabetismo e de elitismo. Nem sempre escolhendo o melhor caminho, os avanços foram gigantescos, como se tem confirmado, por exemplo, nos resultados de vários testes internacionais. Gigantescos, entenda-se, face ao ponto de partida.

É claro que alguns políticos, evitando qualquer laivo de honestidade, tentaram aproveitar os resultados desses testes para se vangloriarem. José Sócrates, o verdadeiro político, nunca perdeu uma oportunidade de reclamar como obra sua aquilo que não lhe pertencia. [Read more…]

Boa vai ela!

Vivo afastada da comunidade portuguesa e porque a idade me tornou preguiçosa, só de vez em quando me dou ao trabalho de mudar de transporte duas vezes para ter o prazer de passarinhar pelo Mercado da Saudade. Isto é, por motivos gastronómicos. É ali que me abasteço do que é regra báseica da cozinha portuguesa.
Foi o caso há dias. E o acaso foi encontrar, à porta do café, um compatriota que não via há muito tempo. Homem estabelecido com negócio próspero. Mal nos cumprimntámos, logo disparou:
– Sabe que esteve aí um milhafre do governo do Passos?
– Qual deles? – quis eu saber.
– O Portas, aquele dos submarinos.
– Ah, mas esse é um milhafrão. E o que é que ele veio cá fazer?
– Veio promover o papel higiénico da Renova. E largar as postas de pescada do costume. Que aldrabão! Isto é sempre o mesmo, e nós estamos fartos de saber: quando estão falidos, vêm à emigração prometer farturas. Devem julgar que somos estúpidos. [Read more…]

Manuel Pinto Coelho, um perigo para a saúde pública

resizer

É importante saber-se que o vírus Ébola não se transmite com facilidade. Para haver transmissão do vírus, tal como acontece com o vírus da SIDA – o VIH – é necessário um contacto direto com um líquido biológico do doente, como o sangue, as fezes ou o vómito.

O vírus Ébola é sobretudo perigoso quando mal acompanhado. Como os doentes infetados morrem de desidratação ou de hemorragias, então o tratamento consiste logicamente na hidratação e/ou transfusão sanguínea, e não na administração de uma qualquer vacina ou hipotético medicamento.

Que um tolinho escreva isto algures, compreende-se, uma aldeia sem tolinho não é aldeia. Que quem o fez assine como médico (e doutorado em Ciências de Educação, abstenho-e de comentar) e tenha saído no Público, é outra louça. [Read more…]

Choveu em Braga

Dizem que sim. [imagens FB]

Porto!

19363760recepobxportoca

 

Eu não queria falar sobre o tema. Só quem nunca esteve envolvido na criação de raiz de projectos de marketing territorial se dá ao luxo de falar levianamente. É um trabalho duro, de enorme desgaste e óptimo para ser criticado pelos “bitaiteiros” do costume.

A nova imagem da marca Porto/Cidade não é indiferente. E aqui está um elogio aos seus criadores. Mesmo torcendo o nariz ao ponto final. Luís Paixão Martins, cujos seus sentimentos pela sua Lisboa se equiparam aos nossos sentimentos pelo nosso Porto, aproveitou para escrever sobre o tema puxando a brasa à sua sardinha.

Porque os gostos se discutem, aqui fica o meu: para mim, o Porto é ponto de exclamação e não ponto final. A exclamação das vendedoras do bolhão, dos frequentadores da baixa transformada em “movida Almodóvar”, do cimbalino pedido ao balcão, do Velasquez em dia de bola no Dragão, etc, etc, etc. O ponto de exclamação de sentimentos fortes. De entusiasmo. De arrebatamento. De cólera. Do antes quebrar que torcer.

Porto!

 

(imagem gentilmente palmada ao blog Bibó Porto Carago!

Graduação é o tempo de serviço e a nota da formação. (ponto!)

Os erros do Governo na colocação de Professores são recorrentes e consequência da dificuldade em gerir um processo muito fácil de conduzir. Não fosse o caso de estarem neste momento vários incompetentes à frente do MEC até porque há escolas, há alunos, há professores. Não há é aulas. Certamente, um detalhe, sem importância.

É só meter o Excel a funcionar e está a “andar de moto“. Confesso que já não dou para o peditório Crato – ele, um cadáver político, que entrou como o mais rigoroso de todos os rigorosos, desceu por um plano inclinado e acabou desfeito no chão da 5 de outubro. Sobre ele, the end!

Agora, quanto aos concursos, calma aí, porque os laranjinhas não vão ficar a falar sozinhos.

Vamos lá então, explicar estas coisas, especialmente a si, caro leitor, que de profs percebe pouco, mas que tem alguma curiosidade em entender como é que cerca de 100 mil professores são colocados.

As regras dos concursos, tradicionalmente, juntam dois factores: nota da formação inicial com o tempo de serviço (um valor por cada ano de serviço). Um professor que acabe o curso com 14 e trabalhe 3 anos irá concorrer com 17 e um professor que acabe com 16 e trabalhe um ano concorre com a mesma graduação: 17.

Foi assim durante muitos anos, até que um dia, uma senhora, agora condenada, resolveu inventar a roda e começar a pensar em esquemas alternativos de alocar os seus recursos humanos às unidades de gestão (esta frase saiu mesmo perfeita, não????). [Read more…]

de missão em missão

021014a

A ministra que disfarça

peneira

Não é a primeira vez, eu cá até já conto quatro, que a “alegada ministra da justiça” recorre ao tema da pedofilia quando precisa de desviar atenções. Aí está novamente em acção. A seguir virá a lista de homicidas, que eu cá tenho direito a viver ao lado de gente santinha.

¿Y en lengua portuguesa?

lobo antunes

dpa / Erwin Elsne (http://bit.ly/lobo-antunes)

Expresso decidiu adaptar para português este pequeno excerto do testamento de Alfred Nobel:

en del den som inom litteraturen har producerat det utmärktaste i idealisk rigtning.

Aquele ‘idealisk’ é objecto de luminosa interpretação, neste comentário de Sture Allén.

O mote para a adaptação do Expresso foi uma entrevista de Horace Engdahl ao jornal La Croix, com a jornalista Sabine Audrerie a citar uma já conhecida tradução francesa (cf. Le Figaro e Le Point):

l’auteur de l’œuvre littéraire la plus remarquable d’inspiration idéaliste.

Aparentemente, a tradução inglesa consagrada

the person who shall have produced in the field of literature the most outstanding work in an ideal direction

terá servido de base à versão portuguesa do Expresso, pois

 

direcção

Efectivamente, denunciado o papel da letra consonântica c em ‘direcção’, era perfeitamente escusado, logo a seguir, dar-se cabo da qualidade grafémica do texto:

direção

Como sabemos, a excelência ortográfica está viva e recomenda-se.

Post scriptum:  “¿Y en lengua portuguesa?”, perguntava Winston Manrique Sabogal, há um ano. No dia 14 de Novembro, “le plus grand écrivain portugais vivant” andará por estas bandas. E amanhã? Amanhã, era um Nobel, sff. O Jerusalém, o Nonino e o Duke of Cocodrilos não chegam (a propósito de Duke of Cocodrilos, convém sempre regressar aos excelentes textos da Carla Romualdo).

Crato nobelizado

Vi tudo. Na Assembleia da República o ministro Nuno Crato enfrentava as questões postas pelos deputados da oposição (dos grupos parlamentares afectos ao governo só vieram débeis balbucios). E então, enquanto o ministro e respectivo secretário de estado tentavam navegar naquela tempestade, entendi o olhar dos premiados pelo Nobel da Medicina este ano. É que, quando se esperava que o padrão de actividade das células de posicionamento – “place cells” – do hipocampo viessem sobrepor-se à grelha celular abstracta – “greed cells”- permitindo aos sujeitos orientarem-se pelos marcos politicamente relevantes que a situação apresentava, tal não aconteceu. Esta interacção falhou e os dois políticos não obtiveram a expectável orientação, apresentando um comportamento entre o errático e o cataléptico.

“Portaram-se como baratas tontas, queres tu dizer!” – protestareis vós. E com razão, foi mesmo isso que aconteceu. Mas com linguagem neurológica premiada a coisa tem outra frescura, outro gabarito, reconheçam.

“Trolls just want to have fun”

Sim, os ‘trolls‘. Como as ‘girls‘, na canção da Cindy Lauper. Agora, há um estudo.

O efeito perverso da legalização das drogas – II

Este estudo não muda o essencial da questão, nem sequer a discussão pode ficar limitada à Canábis. Várias substâncias à venda, como o alcóol ou tabaco também podem causar dependência. E apesar do fascismo dos costumes oportunismo fiscal dos vários governos, nomeadamente na U.E., não passa pela cabeça de alguém proibir a venda, sob o pretexto de censura moral, aproveitam para arrecadar receita. Existem limitações quanto à idade dos consumidores, mas ficamos por aí. O mesmo princípio poderia ser aplicável às substâncias ilícitas a que vulgarmente chamamos “drogas”. Manter o status quo, penalizando o consumo, apenas favorece organizações mafiosas que enriquecem enquanto tiverem o exclusivo do negócio, como aqui escrevi.

A palavra deste governo já é válida por dois meses

 

3 de Agosto de 2014: “BES: Governo garante que contribuintes não vão suportar custos”

8 de Outubro de 2014: “Maria Luís admite: sim, o Novo Banco pode ter custos para os contribuintes”

Apesar de tudo, sempre é uma melhoria, já houve promessas que duraram ainda menos.

Vamos fazer uma Casa dos Segredos professores? ep.1

Andrea Osório

casa52

segredo 1 – Menti nos subcritérios da BCE
segredo 2 – A minha cunha está dentro da casa
segredo 3 – O meu melhor amigo é diretor da escola
segredo 4 – A minha rival está na casa
segredo 5 – O meu padrinho é o Crato
segredo 6 – Sou técnico especializado em CEF’s
segredo 7 – Dou TIC mas não sou professor profissionalizado na área
segredo 8 – Fui excluída pelo MEC indevidamente
segredo 9 – Adivinho os professores que são colocados em certas escolas
segredo 10 – Concorro só até 50 km de casa por sofrer de saudades
segredo 11 – Sou o confidente do diretor
segredo 12 – Concorri a nível nacional e fiquei de fora
segredo 13 – Fui colocado em mais de 3 horários
segredo 14 – Só fiquei colocada a 700 Km de casa

Quer partilhar o seu segredo?

O manicómio

Santana Castilho *

O grotesco do caos em que o início do ano lectivo se transformou vai do cómico ao dramático. Sob a tónica da insensatez do desvairado que o dirige, o Ministério da Educação e Ciência assemelha-se a um manicómio gerido pelos doentes. A última paciente, a directora-geral da Administração Escolar, decidiu sambar na cara de milhares de alunos, pais e professores: com a coragem própria dos cobardes, mandou os directores despedirem os professores anteriormente contratados. Sim, esses mesmos em que o leitor está a pensar. Aqueles a quem o ministro Crato (entretanto desaparecido atrás da palavra que não tem) garantiu, na casa da democracia, que não teriam qualquer espécie de prejuízo quando ele, ministro incompetente, corrigisse o enorme disparate para que acabava de pedir a desculpa da nação.

Leio que são 150 nestas condições. Contratos antes assinados, agora rasgados. Como o daquela colega de Bragança, colocada em Constância a 12 de Setembro e reenviada para Vila Real de Santo António a 3 de Outubro. Casa alugada com caução perdida. Filha a mudar de escola outra vez. Confiança no Estado caída na lama, a reclamar, pelo menos em nome da decência mínima e última, que algo aconteça. Porque não se trata da consciência que o ministro não tem. Trata-se da obrigação republicana de quem o nomeou. [Read more…]

A óptica é óptima: parabéns ao Expresso

óptica1

Segundo Expresso, Stefan Hell, Eric Betzig e William Moerner

foram premiados pela Real Academia Sueca das Ciências por terem desenvolvido a microscopia óptica à nanoescala através de moléculas fluorescentes.

Efectivamente: óptica.

óptica2Saúde-se o Expresso por este feliz e auspicioso regresso à excelência ortográfica.

O mercado não perdoa…

Alguém recorda uma certa OPA sobre a PT? Na altura foi considerada hostil, Zeinal Bava o homem que mais terá trabalhado para o fracasso da fusão com a Sonaecom, sai agora pela porta dos fundos na Oi, consequência da ruinosa decisão de Henrique Granadeiro, entretanto caído em desgraça, na compra de papel comercial da Rioforte. O mercado é implacável, desde que o Estado fique quieto, como deve.

A dona de casa, o “idoso” e o jornal

O Público, em tempos idos, tinha directores que escreviam os Editoriais. Não eram grande coisa, é verdade – em muitos casos eram mesmo péssimos -, mas quem os escrevia assumia a responsabilidade. Depois, passaram a ser anónimos com a duvidosa pretensão de responsabilizar o jornal no seu todo, o que é o mesmo que não responsabilizar ninguém. É lá com eles. Mas nós, os viciados no jornal diário, sempre em busca de avatares de jornais honrados como o saudoso Diário de Lisboa, por exemplo, lá vamos tragando a nossa decepção quotidiana com O Público e o DN. Falo por mim, claro.

Hoje, no seu editorial, o Público, a propósito de uma dada personagem política emergente, escreve este naco: “…o excesso da personagem é fundamental para captar a dona de casa preocupada com o almoço ou o pensionista estarrecido com o crime que acabou de ler no seu tablóide favorito”. Assim mesmo. Os estereótipos e os preconceitos como os interiorizou o bronco editorialista, a quem nem ocorreu que o “pensionista” pode ter na mão precisamente o jornal em que ele publica estas idiotices e pensar: “nesta parte do tablóide ele tem razão; estou a ler o Público”. A actual “imprensa de referência” está repleta deste tipo de lixo. E este jornalismo é, de facto, algo parecido com um crime. E este pensionista só tem uma coisa a dizer a estes editorialistas: sois umas bestas.

O medo

coelho-psd-estorias-de-terror

Títulos das próximas crónicas de José Manuel Fernandes

Hoje, José Manuel Fernandes (JMF) declarou que é capaz de acabar com o problema da colocação dos professores. Deu à sua crónica o título: Querem acabar com os caos [sic] das colocações? Eu digo como. O João José já descodificou o texto.

Não vou explorar o veio do mau português de JMF, porque não seria inédito e acabaria por se tornar repetitivo. Prefiro tentar adivinhar títulos de algumas das próximas publicações do ilustre cronista. O resultado é uma patetice, mas é natural: estou a escrever sobre o José Manuel Fernandes.

Aqui vai, por temas:

Futebol

Querem que a selecção nacional marque mais golos? Convoquem-me

Sexo

Querem que as vossas mulheres tenham orgasmos múltiplos? Dêem-me a vossa morada

Culinária

Querem que a vossa maionese deixe de talhar? Eu explico

Saúde

Querem saber qual é a cura do ébola? Eu envio por mail

Sociedade

Querem uma xícara de açúcar? Batam-me à porta

Educação

Querem saber de quem é a culpa de as escolas terem turmas de trinta alunos, de se terem transformado em agrupamentos gigantescos, de haver falta de recursos humanos, de se ter cortado nas horas de várias disciplinas, de se ter obrigado à alteração de manuais adoptados para seis anos ao fim de dois anos e de haver tantos erros nos concursos dos professores? Esperem aí, que ando sempre com uma fotografia do Mário Nogueira no bolso

A ‘perspectiva’ e a ‘perspetiva’: a “unidade essencial”

paris

Gustave Caillebotte, Rue de Paris, jour de pluie (1877) © The Art Institute of Chicago (http://bit.ly/1EpPV3s

Mine eye hath played the painter, and hath steeled
Thy beauty's form in table of my heart;
My body is the frame wherein 'tis held,
And perspective it is best painter's art
— William Shakespeare, Sonnet 24

 

Na Folha de S. Paulo de hoje, Hélio Schwartsman escreve o seguinte:

Sob essa perspectiva, não só há lógica por trás do processo eleitoral como ela se mantém a mesma desde o início da corrida.

Ontem, no jornal O Estado de S. Paulo, ficámos a saber que, na opinião de João Bosco Rabello,

A perspectiva de chegar à Presidência pode ajudar a reverter parcialmente esse quadro, ainda que isso não seja provável em grande escala.

Depois de amanhã, a Universidade do Minho recebe a conferência “Perspetivas da Língua Portuguesa”.

Obviamente, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, como prometido, assegurou o tal “passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

Exactamente: “da unidade essencial”.