E nos analfabetos, também?
Metro de Lisboa para todo o dia
Aparentemente, segundo este título, o metro de Lisboa passará a funcionar 24 horas por dia. Lembrei-me imediatamente de uma notícia recente acerca do metro da minha terra: “O metro do Porto começa na sexta-feira, dia 11 de Julho, a funcionar 24 horas diárias nos fins-de-semana”.
Contudo, algo de extremamente grave terá acontecido entre o momento da redacção do título e o primeiro parágrafo do texto. Afinal, depois de nos darem a entender que o metro funcionaria durante todo o dia, agora dizem-nos que “O Metropolitano de Lisboa tem o seu serviço suspenso entre as 23h00 de ontem e as 00h15 do dia 26 de setembro [sic], sexta-feira“. Entendamo-nos: é para todo o dia ou está suspenso?
Ainda por cima, no Diário da República, a enxurrada de contatos e fatos não pára. Efectivamente: pára. Sim, hoje, no sítio do costume:
Na apresentação dos documentos comprovativos dos requisitos referidos nas alíneas a), b), c), d) e e) do n.º 9 do presente aviso, devem os candidatos declarar no requerimento, sob compromisso de honra e em alíneas separadas, a situação precisa em que se encontram, relativamente a cada um dos requisitos, bem como aos demais fatos constantes na candidatura.
(….)
Domicílio ou sede do requerente e contatos
(…)
Identificação completa, domicílio do requerente e contatos
(…)
A identificação completa, a residência do requerente e contatos
O azul não tem qualquer conotação clubística
Diz Eduardo Aires. Pois, sim, está bem. “Os típicos azulejos azuis e brancos que cobrem tantas igrejas da cidade”? Como escreveu o Krugman: “yuk-yuk-yuk (…) hahaha“.
O elogio
O porta voz do governo – um tal Luís Marques Guedes, se não erro – hoje, em conferência de imprensa, verberou severamente a CGTP por não querer assinar o “acordo” do salário mínimo e, pertencendo à “concertação social”, criticar sistematicamente os amorosos entendimentos entre patrões, governo e UGT.
Ena! Começar o dia recebendo um elogio destes, Arménio! Boa continuação.
E agora sr. Primeiro-Ministro? – II
-Já não existem dúvidas que v. exa recebeu o subsídio de reintegração por ter desempenhado funções de deputado na A.R. entre 1995 e 1999. A única pergunta que Portugal quer ver respondida é, auferiu ou não vencimentos ao serviço da Tecnoforma ou qualquer outra empresa durante o período? Admito que durante os primeiros dias, apanhado de surpresa até possa não se ter lembrado das datas exactas, mas não lhe será seguramente difícil passados alguns dias após breve consulta às suas contas bancárias ou recibos de vencimento, responder de forma cabal e dissipar qualquer dúvida. Permitir que paire no ar uma nebulosa onde se vai resguardando à espera que o episódio fique esquecido é um péssimo serviço ao país, ao seu partido e um desrespeito a todos, incluindo vários militantes do partido a que v. exa preside, alguns até exercem hoje funções como deputados ou assessores, que em legislaturas anteriores exigiram transparência e explicações ao seu antecessor, que era useiro e vezeiro neste tipo de manobras evazivas ao estilo do pior chico-espertismo nacional. De si não espero menos que um discurso à nação refutando todas as suspeitas que neste momento existam, ou em alternativa, caso não o possa fazer, que se inspire neste vídeo. Não custa nada. É a vida. Ao líder do partido seu parceiro de coligação, lembro que sempre clamou por transparência política e certamente estará atento aos factos, pelo que não deixará caso seja coerente de retirar consequências políticas da explicação ou falta dela que o senhor Primeiro-Ministra irá dar ao país.
Qual piropo?
Parece-me que anda por aí uma certa confusão, não exclusivamente masculina, quanto ao que significam “piropo” e “assédio sexual verbal”. Um piropo pode ser poético, pode arrancar um sorriso, porventura até pode ser o princípio de uma bela história de amor.
“Fodia-te toda”, babujado por um desconhecido aos ouvidos da mulher com quem se cruza na rua, não é um piropo, é uma agressão.
Dito isto, e quanto à criminalização do “assédio sexual verbal”, a minha mãezinha ensinou-me, através do seu enérgico exemplo, que duas chapadas bem dadas sabem muito melhor do que uma queixa na polícia.
Breve manual de instruções para um novo político
1. Inscreva-se num partido político. Nas fichas para novos militantes, costuma haver uma caixa de texto para inscrever o nome do padrinho que o propõe. Tente preencher essa caixa com o proponente com maiores redes e maior poder da sua localidade.
2. Vá aparecendo na sede do partido. Não deverá falar muito nesta fase. Deverá apenas acenar positivamente quando alguém com poder no partido usar da palavra. Acene quantas vezes puder. No final, gabe-lhe a opinião com a melhor adjectivação que souber. Corteje-o que nem um pavão. Você tem que o fazer crer que ele é mesmo o maior do partido.
3. Escolha o seu elevador social. Deverá auscultar de forma informal os seus colegas de partido de forma a tirar uma opinião sobre qual deve ser a sua âncora de ascenção dentro do partido. Escolha sempre aquele que lhe parecer mais forte e mais capaz de ir longe a longo prazo.
4. Nunca demonstre a sua opinião pessoal sobre uma temática sob discussão numa reunião do partido. A melhor receita para ir longe é deixar que os outros se queimem com as suas opiniões e como diz o povão ir andando e vendo.
SG, UGT (II)
Carlos Silva, secretário geral da UGT, garantiu-nos a todos que o aumento do salário mínimo “era pouco, mas era um sinal”. Um sinal?! Fiquei em pulgas para saber se o líder sindical tinha tido, em êxtase místico, uma revelação, se era mais um vislumbre obtido nas artes de bruxaria, se se trata de uma complexa operação de física quântica ou se, mais prosaicamente, o sinal é coisa do foro dermatológico.. Por favor, Carlos Silva, não nos deixe nesta dúvida!…
SG, UGT
O secretário geral da UGT veio esclarecer-nos do feliz facto de um trabalhador brindado com o aumento de salário mínimo poder agora pagar uma explicação ao seu filho. Uma. É mais ou menos o mesmo que dizer-lhe que pode comprar uma colcha de chita para a sua cama estilo Luís XIV
Mínimo, mesmo
É sempre a tal história: vem um e do seu optimismo retira que o copo está meio cheio; outro dirá, a partir do seu pessimismo, que o copo está meio vazio. Raramente se dá a merecida consideração ao que, usando a sua razão, diz que o problema é o copo ter o tamanho desadequado. É o que se está a passar com o salário mínimo. Uns dizem que um pequeno aumento é uma festa e um grande favor do patronato (raramente o reclamam com vitória). Outros reafirmam que isto é demais e as empresas não aguentam. E ambos atacam agressivamente os que, quanto a mim com razão e bons argumentos, defendem que o aumento é desadequado, por ser insuficiente.
Piropos (I)
Ó Catarina, o teu pai devia ter a régua torta para te fazer com curvas assim.
“Contribuintes, vocês são o elo mais fraco”

“Começou a ser escrito há mais de um ano e teve uma recta final alucinante porque, qual novela, não paravam (não param!) de acontecer coisas aos seus protagonistas. Chegou hoje às livrarias. E eu ainda estou num certo estado de estupefacção. Espero que gostem.” Rute Sousa Vasco
O fato da ata

© Arthur Sasse/ AFP (http://bit.ly/1nr6nXc)/© Sandro Miller courtesy Catherine Edelman Gallery, Chicago (http://bit.ly/1C21BaE)
O Dario Silva decidiu trazer-nos o Guevara/Malkovich. Por razões óbvias, prefiro a do Einstein. Graças ao fotógrafo Sandro Miller, o Malkovich e o Einstein regressam ao Aventar, num dia sem grandes surpresas, no sítio do costume:
De tudo o que ocorrer nas reuniões será lavrada ata que contenha um resumo do que de essencial nela se tiver passado, indicando, designadamente, a hora, a data e o local da reunião, os membros presentes e ausentes, os assuntos apreciados, as decisões e deliberações tomadas e a forma e o resultado das respetivas votações, bem assim, o fato da ata ter sido lida e aprovada.
(…)
A Câmara Municipal de Porto Moniz em colaboração com a Escola Básica e Secundária do Porto Moniz, promoverá o apuramento de todos e quaisquer fatos que requeiram esclarecimento no ato de análise das candidaturas.
Dizem que é um governo liberal – III
Passos Coelho foi deputado em exclusividade
Dificuldade do conceito
O pântano, sempre o pântano

É uma das nossas tradições, esta dos governos terminarem manchados não apenas pela incompetência governativa, traduzida na incapacidade de sanar aquilo que eles mesmos começaram por definir como sendo os males do país”, mas igualmente pela suspeita de corrupção, tráfico de influências, abuso de poder, peculato. É o pântano e dele não saímos.
Os nossos governantes têm sido moralistas grasnantes, do alto dos seus pés de barro mal cozido, aparelhados com um discurso inchado de presunções de ética irrepreensível e integridade. As flagrantes traições às promessas eleitorais são sempre justificadas pelos números até aí debaixo dos panos, as conjunturas imprevistas. E já nem os preocupa a necessidade de camuflar a mentira, tal a fé na fraqueza de memória dos eleitores. No melhor dos casos, terminam os seus mandatos tingidos pela suspeita de serem coniventes com a corrupção instalada. Acabam invariavelmente apanhados pela contradição entre o seu discurso e as suspeitas nunca inteiramente provadas do que foi a sua prática. São criaturas formadas pelos partidos, pequenos “golem” amassados no barro do carreirismo nas juventudes partidárias, da vida profissional à sombra do partido, do parlamentarismo guiado pela obediência servil e pelo cálculo. [Read more…]
Secret Story 5
João Sérgio Reis
Ontem tentei (juro que tentei e vi) ver uns 15-20 minutos da xaropada da TVI que se chama Secret Story 5. Epá, eu peço desculpa a todos/as os que gostam de ver isto (incluindo aqueles milhares que dizem que não vem, mas sabem os nomes daquela Gente toda..) mas eu não aguento mesmo.. Descobri que há licenciados na casa e sabem tanto da vida e tem tanto nível que me deixam siderado. Ouvi pérolas que pensava não serem possíveis a gente de tal “gabarito”. Como disse uma amiga: “ao menos ainda conseguem escrever, já não é mau”. É mau, aquilo é tudo muito mau. Tinha de ver com os meus próprios olhos para tirar as minhas conclusões. [Read more…]
Pedro Passos Salsicha

O homem da chamada “salsicha educativa”, esse mesmo que andou a encher tecno-chouriços na Tecnoforma enquanto era exclusivo deputado. E agora, tadinho, sofre de Alzheimer. Vejam só, não se recorda se recebeu 150 mil euros, ninharias, especialmente no dinheiro de há 15 anos atrás, está visto. “Emigrem”, era o que ele recomendava, não era? Pois.
Cheque-enchido para Passos Coelho
Passos Coelho acredita ter explicado, ontem, que os problemas do ensino em Portugal se deveram ao aumento da “chamada salsicha educativa”, expressão cuja origem anda a mobilizar os meios de comunicação social, a blogosfera e as redes sociais. Tenho, ainda, a certeza de que a indústria pornográfica não desperdiçará a oportunidade e estará para breve a estreia do filme “Quero a tua salsicha educativa toda!”
As metáforas que inventamos ou copiamos dizem muito acerca de nós e da nossa visão de mundo. Passos Coelho escolheu a salsicha.
O que é a salsicha para o primeiro-ministro? É a Educação. E o que é a Educação para o mesmo primeiro-ministro? É uma salsicha, ou seja, o pior dos enchidos. [Read more…]
O engenheiro do tenta…
-Nos últimos 30 anos, o F.C.Porto conquistou a hegemonia do futebol português. Não ganhou obviamente todos os campeonatos, “apenas” a maioria dos que foram disputados, sem perder dois campeonatos seguidos desde a época 1983-84, quando o S.L.Benfica de Sven Goran Ericksson conquistou o bi-campeonato. Esta tem sido a regra, mas lá diz o ditado, não há regra sem excepção. Aproximava-se do fim o Verão de 1998 quando Pinto da Costa contratou para os dragões aquele que ficaria conhecido como engº do penta, Fernando Santos, que acaba de ser confirmado pela FPF como seleccionador nacional. Depois do penta, veio o tenta, que tem pautado a carreira do treinador. Nada tenho contra a pessoa, que considero educada, correcta, aprecio a sua forma de estar na vida. Mas perto das 4 linhas espero outra sagacidade e capacidade. Visto por outro prisma, Fernando Santos conseguiu perder 2 campeonatos consecutivos ao comando dos azuis e brancos, um para o Sporting e outro histórico para o Boavista. Como tem boa imprensa conseguiu ser contratado para o Sporting na sucessão a Boloni que havia sido campeão. Falhou. Haveria de suceder a Koeman no S.L.Benfica. Voltaria a falhar. Mesmo na Grécia onde ouvimos regularmente dizer que é idolatrado pelos adeptos o palmarés regista apenas a conquista da Taça da Grécia em 2002. É pouco para as ambições do futebol português. No entanto não vejo qualquer voz crítica na imprensa apontar fragilidades à escolha da FPF, apesar dos 8 de jogos de suspensão impostos pela FIFA indiciarem que a escolha talvez não tenha sido a mais correcta. Oxalá me engane, mas cá estaremos para avaliar os resultados…
A bátega e os parolos
Ó capitalenses, importam-se de parar com a figura ridícula que fazem quando vos chove na capital e desatam a berrar que a culpa é do presidente da Câmara?
Ando a ouvir-vos com essa ladainha desde que se pode dizer mal dos presidentes da câmara, que entretanto vão elegendo, sem pararem um bocadinho para ouvir quem bem vos avisou, o Ribeiro Teles, sobre uma coisa chamada impermeabilização dos solos, praticada ao longo de décadas por patos bravos, patos mansos e as patas que os pariram.
Claro que estais condenados a enxurradas até às vésperas da eternidade, ó parolos, cada vez que a precipitação é a sério, e dessas todos temos.
Tende tino. Eu tenho-o com a autoridade pluviosa de quem vive numa aldeia onde as cheias nunca falhavam um ano, andávamos de barco pelas ruas, lá nos íamos divertindo, até que um presidente da câmara resolveu o assunto (no caso um problema de vasos comunicantes criado por um idiota qualquer), e ninguém lhe agradeceu, pior, nem repararam nisso. Se calhar temos saudades. E estava aí em 1967, essa sim, uma catástrofe com assinatura: Salazar.
Imagem: Esplanada do Porta Larga, nas R. das Padeiras, Coimbra, data desconhecida.
Espanha abortou um ministro
O homem que quis aprovar a lei do aborto mais restritiva da democracia abandona a política.












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