Sem emenda

O Sr. Candidato e o Sr. Deputado, dirimiram as suas contas de balcão de carvoaria, interessando-se pelos remoques e responsabilização mútua de alegadas malfeitorias. Num país com dezenas de milhar de quilómetros quadrados de terras abandonadas, com uma costa subaproveitada e uma Zona Económica (pretensamente) Exclusiva ignorada e sem defesa, pois se vivêssemos em normalidade, teríamos 16 patrulhas oceânicos, 6 submarinos, 10 fragatas, aviação naval e uma frota pesqueira capaz de lançar redes em todos os oceanos, colocando-nos nos congeladores uma Pescanova nacional. Os dois convivas limitaram-se a escrever na água. Nada, nem uma ideia, nem uma frase que indicasse a esperança num projecto viável. Ignoraram o espaço lusófono, desconhecendo ou desinteressando-se da potencialidades do mesmo.  Com as cidades e os respectivos centros históricos a caírem aos pedaços, sem elevação falaram de betões, de carris chiques que não queremos nem podemos pagar e nem sequer um suspiraram acerca dos sempre úteis “grandes desígnios” que ninguém percebe como coisas atingíveis.

Definitivamente, esta gente – toda ela – já é passado. Com  um absurdo “empate técnico” na forja acesa à beira da estátua de Afonso de Albuquerque e alimentada pelo ambicioso interessado na fraqueza dos outros, já pouco há a esperar quanto a um projecto exequível e sem dúvida austero, mas com credibilidade.

Há 101 anos caiu sem defesa, o regime que na nossa longa História, mais se parecia com estes dias de descontentamento. Pelos vistos, mais tarde ou mais cedo, teremos uma reedição de acontecimentos.

Um País Amarrado

-Tolo é aquele que afundou seu navio duas vezes e ainda culpa o mar-
Publilius Syrus (~100 BC)

A crise também tem coisas boas

Cartazes eleições legislativas 2009Por exemplo, ao que parece, este ano não vamos ver as nossas cidades inundadas de lixo como este. Em 2009, os gastos da campanha eleitoral  (que decorreu durante o então claro rumo à banca rota) custou ao país:

  • PS: 5,54 milhões de euros
  • PSD: 3,34 milhões de euros
  • PCP: 1,995 milhões de euros
  • BE: 993,8 mil euros
  • CDS-PP: 850 mil euros

    Fonte (inclui estimativas para 2011)

Frustração, por outro lado, para as gráficas, que perdem assim uma oportunidade adicional de muito boa facturação. É a vida…

Cartas a Sócrates – [7]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Já não sinto nada, amor, para além da tua falta. Já nada nem 
ninguém, amor, me obriga a não esquecer a tua falta.

E tu, sem pressa, percorres em sossego todas as ruas, todas 
as cidades, todas as palavras sem monção alojada nos teus olhos, 
como eu amor, demolida por dentro, à tua beira quebrando 
interiormente, disfarçada de qualquer coisa para que de mim 
não sobre nada.

F-Se! #ILoveSocrates Ever 🙂

O programa eleitoral da troika

anónimoEnquanto traduzia parte do memorando da troika, houve alguns aspectos que me foram deixando de boca aberta. Um deles foi a abundante existência de datas concretas para se atingirem objectivos específicos, os quais eram precedidos de algumas indicações sobre como a eles chegar. Sendo este um programa para 3+1 anos, estamos perante um verdadeiro programa de governo, onde os nossos ministros serão menos do que secretários executivos e os deputados, esses então, ainda terão um papel menor do que o presente coro de aplausos e de muito-bens.

Surpreendeu-me este estabelecimento de milestones no memorando da troika não pela sua existência, que considero fundamental em qualquer planeamento sério, mas pela habitual ausência de algo semelhante (já nem digo tão exacto) nos programas eleitorais dos nossos partidos, que não passam de meras balelas logo ignoradas depois da eleição.  Num país onde as promessas eleitorais contassem, o programa eleitoral seria claro quanto às metas apresentadas e quanto à forma de as atingir. No presente contexto de promessas vãs, perco a cabeça e voto num programa concreto, no da troika. A carteira há muito que se foi, que se vá o resto.

O Farsola: Bandex volta a atacar

Cada vez gosto mais dos Bandex. Era mesmo isto que nos faltava no comentário político, em vídeo, e musicado. Acabado de publicar. Ainda cheira a baba de caracol.

Frente a Frente José Sócrates e Paulo Portas

Paulo Portas sente-se um pequeno reizinho e deve sorrir quando, ao espelho, acerta o risco do penteado. Ainda que o detestem, Passos e Sócrates, andam com ele ao colo.

Portas cresceu como político e sabe bem que, no quadro actual de futuro governo de maioria, o CDS vale mais do que a percentagem que virá a obter nas eleições vindouras. Por isso mesmo, Paulo Portas debateu com (como fez questão de vincar) o candidato José Sócrates. Este dirigiu-se ao sr. deputado.

Paulo Portas, com voz colocada e mantendo o registo, rebateu a cassete PS com imagens elucidativas sobre, por exemplo, a dívida externa portuguesa.

Sócrates, com aquela vozinha de menino de coro que se lhe conhece, já se dirigia ao dr. Paulo Portas entremeando com sr. deputado. Este respondeu-lhe com voz de futuro ministro: – Candidato José Sócrates, o problema não começou há seis semanas, mas sim há seis anos. O candidato José Sócrates vive na estratosfera.

– O sr. regressou agora à realidade, disse Sócrates, e sempre ignorou as necessidades orçamentais, preocupou-se apenas com a sua imagem eleitoralista. Rejeitou sempre as nossas políticas realistas.

– Sr. candidato, respondeu Portas, para dois candidatos debaterem têm que viver na mesma realidade e o sr. não vive na mesma realidade que a maioria dos portugueses. O sr. fez o PEC IV e faria o V, o VI, etc. porque se esqueceu do BPN, esqueceu-se do BPI…

– O Sr. também se esqueceu dos submarinos, dr. Paulo Portas, atalhou Judite de Sousa. [Read more…]

Os casos aos quais o Ministério Público decide abrir inquérito

 

Pinto Monteiro resolveu abrir um inquérito a três agências de rating internacionais. Se os inquéritos feitos dentro de portas demoram eternidades e acabam habitualmente por ser inconclusivos, nada leva a crer que este inquérito feito num âmbito internacional seja diferente – muito pelo contrário. Mas pronto, dá muito jeito à tese da crise vinda de fora, agora que se caminha para a campanha eleitoral.

Agora o que estou para ver é se o MP também também vai abrir um inquérito ao caso em que «os juízes do Tribunal de Contas se queixam de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros». Uma história rocambolesca a ler no TVI24.

Busca, facho, busca

O Luis Rainha encontrou uma curiosa página na net, que lhe inspirou este desabafo:

Adoro tiranetes sempre com a boca cheia de “liberdade” mas que na volta gostam mesmo é de castrar as liberdades dos outros. Agora, andam por aí estes cromos armados em paladinos de umas tais “ideias grandes”. Que implicam, na maioria das suas “propostas”, proibir alguém de fazer alguma coisa. Aborto, divórcio, casamento homossexual, eutanásia, procriação medicamente assistida; os alvos do costume, em suma.


Soltámos os perdigueiros cá da casa. Ora bem, o endereço pertence a uma senhora chamada Adriana Telles de Menezes. A senhora chamada Adriana Telles de Menezes é proprietária de mais páginas, como a Plataforma Resistência Nacional e o Grupo de Amigos de São Josemaria (não, não linko, por causa do mau cheiro). Não parece tratar-se de um pseudónimo de Isilda Pegado, mas anda lá perto. E fica tudo explicado.

Troika a privatizar!

O memorando da troika, do qual o ‘Aventar’, em iniciativa inédita na blogosfera e com o sentido  de servir o interesse público, publicou a tradução integral, em 2. Regulação e supervisão do sector financeiro, refere explicitamente, no ponto 2.5 Caixa Geral de Depósitos (CGD), várias orientações, de que destaco o seguinte segmento:

Isto (aumento de capital, nota minha) incluirá um plano temporal mais ambicioso para a já anunciada venda do sector de seguros do grupo, seguir um programa para se desembaraçar das subsidiárias que não façam parte do seu núcleo e, se necessário, a redução das actividades no estrangeiro.

Nicolau Santos, director-adjunto do ‘Expresso’, na coluna semanal ‘Cem por Cento’ do suplemento de Economia do mesmo semanário, escreve no ponto 7 um texto que ouso subscrever:

Para compor os seus rácios, a Caixa Geral de Depósitos será reduzida apenas à sua actividade financeira, vendendo todas as outras áreas (seguros e saúde), a sua actividade internacional e possivelmente várias das suas participações nacionais. As empresas portuguesas, estratégicas ou não, ficam agora desprotegidas face ao avanço de investidores internacionais. E dado os valores irrisórios a que se encontram, o mais certo é que todos os designados centros de decisão nacional passem para mãos estrangeiras…

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Bilhetes Braga Dublin

Acompanhe o SC Braga à Final da Liga Europa – Partida e regresso ao Porto no dia 18 de Maio’11

Ou aproveite para conhecer um dos “metros ligeiros” de mais surpreendente sucesso na Europa, o Luas (“velocidade”). E, já agora, o DART (coisa mais feia, cruzes).

Pensem nisto antes de votarem a 5 de Junho:

Legado do Governo PS de Sócrates:

1 – Pior dívida pública dos últimos 160 anos (mesmo não incluindo PPPs e empresas públicas).
2 – Pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (duplicou em 6 anos)
3 – Maior dívida externa dos últimos 120 anos
4 – Dívida externa bruta em 1995 de 40% do PIB
5 – Dívida externa bruta em 2010 de 230% do PIB
6 – Dívida externa líquida em 1995 de 10% do PIB
7 – Dívida externa líquida em 2010 de 110% do PIB
8 – DÍVIDA PÚBLICA em 2005 = 82.000.000.000€
9 – DÍVIDA PÚBLICA em 2010 = 170.000.000.000€
10 – Últimos 10 anos = 3º país do mundo com PIOR CRESCIMENTO ECONÓMICO (atrás do Haiti e Itália)
11 – Últimos 10 anos = 4º país do mundo com MAIOR CONTRACÇÃO de DÍVIDA.
12 – Actualmente no 4º lugar do TOP dos PAÍSES DO MUNDO EM RISCO de BANCARROTA
13 – Em 2011 só PORTUGAL, Grécia e Costa do Marfim estarão em recessão no MUNDO
14 – Em 2012 só PORTUGAL estará em recessão no MUNDO.

Programa do PSD para a saúde, privatiza filho, privatiza

Lá tenho de repôr aqui o vídeo onde com grande frontalidade esta senhora do BES explica em 25 segundos porque passa pela cabeça de um orangotango entregar a gestão dos centros de saúde a privados.

Curiosamente o FMI no memorando diz exactamente o contrário, no que toca aos hospitais:

Melhorar os critérios de selecção e adoptar medidas para garantir uma selecção mais transparente dos presidentes e membros dos conselhos executivos dos hospitais. Os membros serão obrigados por lei a ser pessoas de reconhecida competência na gestão da saúde e administração em saúde.

Quando li isto lembrei-me da inimputável Leonor Beleza, que transformou a gestão profissionalizada da saúde numa coutada para filiados. Recordo-me de um senhor que passou de merceeiro a gestor de um pequeno hospital, que assim se apoia o comércio local.

Com este programa o PSD consegue que Sócrates vire Lázaro, levanta-te e anda, e pelas sondagens acima ele caminha. Não há pachorra.

A campanha negra do Financial Times

Só pode ser campanha negra. Wolfgang Münchau escreveu um editorial onde afirma que Sócrates mentiu ao país, que a gestão da crise em Portugal tem sido apavorante, que optou por retardar a aplicação de um pacote de resgate financeiro até o último minuto e que o anúncio do memorando de acordo com a troika, na semana passada, foi um dos destaques tragicómicos da crise.

[… A] gestão de crise em Portugal tem sido, e continua a ser, apavorante.

José Sócrates, primeiro-ministro, optou por retardar a aplicação de um pacote de resgate financeiro até ao último minuto. O respectivo anúncio na semana passada foi um dos destaques tragicómicos da crise. Com o país à beira da extinção financeira, ele regozijou-se na televisão nacional de ter conseguido um acordo melhor do que o da Irlanda e da Grécia. Além disso, ele afirmou que o acordo não causaria muita dor. Quando os detalhes surgiram alguns dias depois, pudemos ver que nada disso era verdade. O pacote inclui cortes de gastos selvagens, congela salários da função pública e pensões, aumentos de impostos e prevê uma profunda recessão de dois anos.

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Portugal 1 – Finlândia 2, em vídeos

Confesso envergonhado, e muito, que papei o vídeo que choramingava aos filandeses sem grande sentido crítico. “É sem dúvida excelente”, escreveu o idiota que há em mim, embora anotando alguma falta de rigor histórico quanto ao esclavagismo.

Primeiro não era um erro, são muitos, como já foi desmontado. Depois a pseudo-operação de solidariedade com a os filandeses durante a Guerra do Inverno não foi popular mas sim governamental, com a costumeira sacanice do Salazar.

A resposta finlandesa é mais curta, mas acerta em cheio (dispensava a parte das gajas boas):

Thank you for the sardines!  gozam eles. E com razão.

A caminho de Dublin (faltam 9 dias)


Dublin é uma cidade de pubs. Centenas de pubs espalhados pela cidade com uma característica em comum: o ambiente que neles se vive.
Os pubs de Dublin são exactamente como a imagem que temos deles: muita alegria, muita música ao vivo, muita cerveja. Os mais importantes ficam no quarteirão do Temple Bar, mas o mais antigo fica algumas centenas de metros adiante, junto ao rio Liffey.
É o Brazen Head. Existe desde 1196 – é obra. O ambiente é semelhante aos da maioria, mas ali respira-se história. Uma história de mais de mais de 800 anos.
Quanto ao Temple Bar propriamente dito, foi «beber» o nome ao quarteirão que aí existia desde o séc. XVI. É composta por diversas salas, fechadas e ao ar livre, e todos os dias apresenta música tradicional irlandesa ao vivo. Deve ser o mais animado pub de Dublin e um dos mais bonitos.

A Hora da Missa

O comboio em Aveleda, à hora da missa, 07 de Maio de 2011.

Cartas a Sócrates – [6]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Quando o tempo tiver passado, amor, excedendo-nos na sua

composição, talvez haja alguém que compreenda a negação

bastando-se, sem dúvida, sem hesitação.


E do meu pesar somente a vergonha me impede de não negar,

também, amor, este sentimento deslizando puro desejo de te 

afirmar (amor): minha doce enfermidade sem remédio, sem

pudor refreando o desassossego, o cuidado, a negação. 

PS.: #IloveSocrates Indeed 🙂

Educação: a diferença entre PS e PSD está sobretudo no D

As propostas contidas no programa do PSD já foram analisadas pelo Paulo Guinote em vários textos, hoje. Também o Paulo Prudêncio já deu a sua judiciosa opinião. O Rui Correia usa aqui a clarividência do costume.

Uma vez que o PSD é, ao que parece, um dos dois partidos que poderá vir a formar governo, impõe-se, também na Educação, procurar descobrir as diferenças entre a prática do PS e as propostas do PSD. Ora, a verdade é que, numa primeira leitura, há pontos comuns, pela negativa, como se pode notar neste texto do Público.

Assim, limito-me, para já, a confirmar:

– a tendência para o cercear da democraticidade nas escolas, mesmo que o discurso programático vá no sentido contrário, tal como acontece no discurso do PS (Maria de Lurdes Rodrigues chegou a defender que o fim da escolha dos directores pela maioria da escola era um aumento de democraticidade);

– a continuidade na criação de mega-agrupamentos, numa lógica puramente economicista, confundindo-se contabilidade com gestão e contrariando ideias sensatas;

– a insistência na participação excessiva das autarquias e da sociedade civil, o que, na realidade, concede demasiados poderes a leigos e abre as portas das escolas às pequenas politiquices locais;

– a perversão do que é fundamental em Educação, através da implantação de metas de aprendizagens;

Seja como for, é evidente que todos os que se interessam por Educação (tema que abrange, também, os problemas da condição docente) deverão analisar com pormenor as propostas daqueles que poderão vir a governar o país, mas as primeiras impressões levam-me a entrever que o caminho que começa a ser trilhado não vai em direcção a melhorias, vai em direcção ao PS.

Jamais a RTP desceu tanto…

-Há apenas alguns dias, escrevi um post, questionando se a transmissão do casamento do herdeiro da coroa britânica, seria serviço público. Quando eu pensava que era impossível à RTP descer mais baixo, eis que a deficitária estação pública de televisão, resolve entrar no mercado dos reality show. Esteve bem Miguel Guilherme logo a abrir o programa, afirmando que este seria o primeiro reality show pago pelo contribuinte. A parte do serviço público deve ser terem ido resgatar ao desemprego Luís Pereira de Sousa… Se a RTP fosse uma televisão privada, mudava de canal e assunto encerrado, mas pensar que um cêntimo sequer dos meus impostos serve para isto, deixa-me indignado, enquanto cidadão.  Privatização já!

Tudo o que os finlandeses não querem nem precisam saber sobre Portugal.

Estou em crer que os Finlandeses se estão a marimbar para Portugal. Como, aliás, a maioria dos portugueses. Há muito tempo que os autóctones deixaram de gostar do país, dos governantes, das instituições e de si próprios. Somos, com certeza, um dos países com a menor auto-estima da Europa. Ou mesmo do mundo. Em nações mais pequenas, mais miseráveis e mais periféricas luta-se pela manutenção da independência. Por cá, entregaríamos de bandeja o território à Espanha, abdicarímos em qualquer momento da nossa cultura e venderíamos (vendemos) o nosso património a quem der mais. De resto, já nos entregámos de corpo e alma a políticos ávidos. Há 37 anos que os barões de dois partidos repartem entre si os despojos de um navio que só não naufraga porque depois não haveria o que saquear.
Um país onde uma maioria  ainda cospe para o chão, onde certos indivíduos constroem a casa maior do que a do vizinho apenas por vaidade, que desrespeitam todas as regras elementares da sã convivência e ainda se gabam disso é um triste exemplo da falta de amor-próprio. Os psicólogos o explicarão melhor, mas quem não gosta de si, dificilmente terá força e vontade para singrar, para vencer desafios ou para produzir o que quer que seja.
Depois, um país onde as pessoas consideram a corrupção como um salutar e normal truque para ultrapassar a legalidade e contornar obrigações sociais elementares (como respeitar o mérito) diz muito sobre a forma como nos vemos ao espelho. Somos, aliás, os primeiros a dizer mal de nós, a rebaixarmo-nos e a reprovarmo-nos perante o Outro. Somos capazes de fazer graças com todos os assuntos, por mais tétricos ou vulgares que sejam, como se o humor fosse um lenitivo. E é, de facto. Enquanto rimos, esquecemos que a maioria da população se divide entre uma pequena elite pedante, um conjunto de aspirantes (os doutores) e uma vasta massa de iletrados, cuja ambição maior é a de que o seu clube de futebol some vitórias. Enquanto os nossos humoristas ridicularizam os governantes, desculpabilizam a gravidade dos seus actos, transformados em burlescos gracejos que se esquecem com uma risada.
Dirão: mas cada uma destas enunciações são chavões comuns a muitos paises. É certo, por exemplo, que um país como a Finlândia terá os seus maus políticos, os seus ladrões e os seus santos, os seus reality-show e público que os aplauda.
Mas esse país, tão novo, sem o peso dos 800 anos de história, sem praias nem sol, sem ter inventado a via verde ou sequer ter levado novos mundos ao mundo, não está na bancarrota, nem precisa de convencer o mundo que, apesar da desgraça, já foi grande. Efectivamente já fomos grandes. Mas tudo isso que interessa, quando hoje somos pequenos – pequenos territorialmente e pequenos geopolíticamente?
Olhando para o gráfico acima, que assinala já a vitória a um, ou ambos, dos/os responsáveis pelo estado em que estamos, nem vale a pena questionar a democracia, nem a sua validade num país mal habituado a liberalidades. Apenas perguntar: mediante aqueles valores, e o estado em que nos encontramos, valerá a pena voltarmos a ser grandes se sendo pequenos já nos infligimos tão grande mal?

Programa Eleitoral do PSD:

Podem ler AQUI toda a documentação oficial já publicada pelo PSD no tocante ao seu Programa Eleitoral.

Agora façam lá um vídeo para os ingleses

O vídeo What The Fins Need To Know About Portugal que o FMS aqui publicou é sem dúvida excelente. Sucede que além da Finlândia estar com pouca vontade de financiar os nossos banqueiros, agora temos a velha “aliada”:

O ministro das Finanças britânico, George Osborne, disse hoje que o Reino Unido está relutante quanto a ajudar financeiramente Portugal in Público

O político conservador afirmou mesmo que se o Reino Unido participar no resgate a Portugal será “a resmungar” já que nunca se comprometeu com essa ajuda. I

Querem um desenho?

Façam lá um vídeo para os ingleses, mas tirem aquela tolice de termos abolido a escravatura no séc. XVIII, na prática só o fizemos no séc. XIX e por pressão da Inglaterra que se tinha deixado dessas coisas.

Temos é uns números muito jeitosos de financiamento da Revolução Industrial britânica, em particular a curiosidade de em todo o séc. XVIII só num ano não ter havido mais navios ingleses do que portugueses nos nossos portos, fora o contrabando.

Mas a pérfida Albion quer lá saber da História. Já agora, àqueles que agora choram pela falta de solidariedade europeia, pergunto o que disseram quando contribuímos para o pacote de financiamento (na prática de enterramento, é certo) à Grécia. Estas coisas googlam-se, e têm por vezes muita piada.

Os três tristes e os Homens da Luta


– Não é uma canção para representar Portugal na Eurovisão – afirma o Calvário.

– A RTP devia “enviar canções com um cariz mais étnico” – tossica o Cid.

– Onde é que estão os poetas e os músicos do meu país? – pergunta a Oliveira, Simone.

Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir. Três representantes do nacional-cançonetismo* (enfim, o José Cid nem tanto) aflitos só pode ser bom sinal. A Luta é Alegria. No ano de Portugal na UEFA, vamos ver se a inteligência repete o feito na Eurovisão.

Circo já temos, e pão não vai haver. Siga para bingo.

* Nacional-cançonetismo, expressão consagrada na década de 70 para designar o que hoje chamamos pimba.

IURSócrates em acção:

Marco António Costa (vice-Presidente do PSD): “O PS e o seu governo são um Titanic na política portuguesa

O PSD que acaba com o SNS, afirma e reafirma o evangelista José Sócrates. Uma mentira mil vezes repetida….tenta e tenta e tenta. A seguir vai dizer que o PSD quer acabar com o sistema de justiça prejudicando os pobres. E que a seguir o PSD vai acabar com a primeira liga e logo depois com o sistema político democrático e com a europa e proibir a final da liga europa com clubes portugueses e a venda da bimby e……

Programa do PSD / Legislativas 2011:

Redução do número de deputados dos actuais 230 para 181;

Reduzir o número de entradas na Função Pública: entra um funcionário por cada cinco que saiam;

Fim dos Governos Civis;

Redução de 50% no número de assessores;

Diminuir para máximo de três o número de administradores em empresas do Estado;

Redução de quatro pontos percentuais na Taxa Social Única (superior no caso das empresas exportadoras);

Obrigatoriedade de o Tribunal de Contas fazer uma avaliação de todos os organismos que recebem dinheiros públicos;

Criação um gabinete de apoio junto dos juízes e sentenças simplificadas para crimes menos graves;

Em actualização Aqui, Aqui e Aqui.

Não chacotem o Ricardo Rodrigues,…

…Deputado da Nação, ou podem ficar sem um gravadorzinho e levar um processo em tribunal.

Ando a pensar desviar (surripiar, aliviar, abafar, aligeirar) um leitãozinho à moda da Bairrada, daqueles com muito molho à base de pimenta e especiarias. Se ficar com hemorróidas ou, até, se sentir o cólon irritado -coisa que, como se sabe, enxovalha, envergonha, embaraça e constringe- processo o sítio desviado.

Comigo não chacotam.

Quando muito, dada a natureza das coisas, chacoalham.

A caminho de Dublin (faltam 10 dias)

Estátua de Molly Malone junto à Grafton Street


Um dos maiores símbolos de Dublin é Molly Malone, com diversas estátuas e painéis evocativos por toda a cidade.
Molly Malone foi uma peixeira do século XVII, com banca instalada no centro de Dublin. Era conhecida de toda a população pela sua jovialidade e pela alegria contagiante que demonstrava. Morreu muito jovem, com uma febre alta que não se conseguiu debelar, em 13 de Junho de 1699.
Apesar de a sua existência ser mais lendária do que verídica, a Câmara de Dublin não hesitou, durante as comemorações do primeiro Milénio da cidade, em 1988, em oficializar 13 de Junho como o «Molly Malone Day».
Quanto à canção,foi registada pela primeira vez em 1883 em Cambridge. Alguns autores associam a sua origem a uma antiga canção folclórica, outros autores fazem recuar as suas origens até 1790, ano em que aparece uma música com o verso «sweet Molly Malone». Das versões mais recentes, destaque para as que foram assinadas pelos míticos Dubliners e por Sinead O’Connor.

Letra completa:
In Dublin’s fair city,
Where the girls are so pretty,
I first set my eyes on sweet Molly Malone, [Read more…]

Dicionário do futebolês – “fair-play” e desportivismo

Mesmo os desconhecedores da língua inglesa usam correntemente este termo. Julgo que, se fosse pedido a algum que indicasse um significado, poucos se lembrariam de ‘desportivismo’, por exemplo. Já nos meus tempos de petiz, estava habituado a ouvir dizer ofessaide e não foi fácil habituar-me a perceber que era o mesmo que fora-de-jogo.

Trata-se de uma expressão ligada à ética. Ora, todos sabemos que a ética, na futebolândia, é como as sondagens: vale o que vale. Se for em nosso benefício, está certa; se servir o adversário, é um corpo estranho, entre o vírus e a bactéria.

O desportivismo é, de qualquer modo, algo que os nossos adversários nunca conseguem alcançar, porque são uma gente mal formada, sem educação, incapazes de um gesto de, lá está!, fair-play. É isso, aliás, que serve para explicar por que razão é que, por vezes (muito raramente, claro), também somos forçados a não praticar o fair-play: como os nossos oponentes são, sem excepção, uns facínoras da pior espécie, torna-se necessário ignorar a ética por razões estritas de sobrevivência no meio dessa selva onde é tão difícil ser-se bem-intencionado.

É por isso que um desarme de um jogador de outra equipa será sempre violentíssimo e um pontapé na cabeça de um adversário desferido por um dos nossos não passa de uma acção compreensível, porque, provavelmente, já tinha havido provocações num jogo qualquer da oitava jornada de há três anos.

Quantos jogadores seriam capazes de fazer o que faz Di Canio no vídeo que se segue?

 

 

las calles (ruas) narran

las calles narran

…para mi joven hermana, Dra. Blanquita Iturra de Toro…psicoanalista

 Fue apenas una casualidad. La calle de aldea que muestro, es más un adorno que una casualidad, a pesar de corresponder a esquinas de las calles de la quinta en que vivíamos en Santiago de Chile. Un barrio antiguo, con una quinta rodeada de calles que tenían historia. La propia calle de la quinta, tenía una historia. No era por acaso que se

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