Alunos substituem funcionários das escolas

A quantidade de disparates que configuram esta iniciativa é tão abundante que se torna difícil saber por onde começar. A ideia consiste, basicamente, em colocar grupos de alunos a patrulhar o recreio para “tomar nota do nome dos colegas da escola que apresentam comportamentos inadequados”.

Antes de mais, como lembram os pais que se queixaram, esta actividade retira às crianças patrulhadoras o direito a brincar. Para além disso, são vários os efeitos deformantes que pode ter, nomeadamente ao aumentar a probabilidade de possíveis situações de abuso de poder e ao incentivar à delação.

O Ministério limitou-se a comentar, aconselhando que as escolas envolvam mais os encarregados de educação nos respectivos projectos. [Read more…]

Número de alunos por turma – contributo para baralhar

O Ministério da Educação e Ciência decidiu aumentar o número de alunos por turma:

“5.3 — As turmas dos 5.º ao 12.º anos de escolaridade são constituídas por um número mínimo de 26 alunos e um máximo de 30 alunos.”

A experiência mostra que tirando uma ou outra escola onde o Director recorre a meios menos formais de manter as turmas em números aceitáveis, está bom de ver que a referência vai mesmo ser as três dezenas.

Os lugares comuns dos mais velhos viajam na máquina do tempo e ” no meu tempo também eram 30 e eu aprendi”. Pois, e quantos reprovaram? E quantos ficavam para trás? Quantos passavam do 1º ciclo? Os lugares comuns do comentador Nuno Crato também vão muito neste sentido. [Read more…]

A Caminho da Escola (os alunos de Nuno Crato)

Alguns alunos de uma turma pós-Crato vão para a escola de comboio; o maquinista, claro, ganha mais de 50 mil euros por ano!

As turmas de Nuno Crato

Nuno Crato ainda não tinha feito nenhum disparate notável. Arrependeu-se. Uma turma com 26 alunos é uma aberração. Com 30 nem quero imaginar, sendo certo que poucas escolas dispõe de salas com espaço para tanta gente, a menos que se parta para soluções criativas: alunos de pé, alunos sem carteira ou alunos às cavalitas de alunos.

Tanta conversa com o rigor e a aprendizagem destruída  num instante. A qualidade do ensino vai-se degradar no próximo ano lectivo a níveis que farão inveja a Maria de Lurdes Rodrigues.

Já agora, espero que o mesmo número seja imposto nos colégios privados que são subsidiados à turma. O sol quando se põe é para todos.

Pais não vão poder escolher a escola dos filhos

Ou antes, só alguns é que vão poder escolher a escola dos filhos.

Se uma escola tiver 100 vagas e houver 200 candidatos, metade dos pais não escolhe, certo? Será que posso formular uma pergunta: quem vão ser os 100 que vão ficar de fora? Pois, acertou! É a Democracia da Cratinice em pleno!

Agora imagine que as notas dos alunos são consideradas para a avaliação dos Directores (imagine, porque é verdade!), que alunos o Director vai querer escolher? Os melhores, os que lhe garantem mais resultados. Assim, vamos ter na escola A os melhores e na escola B apenas as sobras… Viva o 24 de Abril da Escola Portuguesa – já sei que o Paulo vai achar esta referência histórica um exagero, mas será que não está clara a matriz do pensamento da Cratinice?

PQP

São as iniciais do que me apetece dizer. Mas ainda bem que a FENPROF está sem medo das palavras.

Crato dilatador

Olha… espreitei o diário da República e reparei que a minha sala de aula cresceu. A sério, é uma espécie de milagre da multiplicação… das cadeiras. Descobri que as minhas turmas vão ter 30 alunos (no 5.3 do pdf do DR).

Contas simples: de 24 a 28, as turmas passam a  30. Se em cada turma entrarem mais 2 alunos, por exemplo, em 13 turmas temos menos uma turma, menos 30 horas, ou seja menos um professor por cada… Vamos jogar ao mata?

Deixem-nos ser Professores

Há muito, muito tempo, havia algures em Portugal uma escola onde os Professores discutiam o que colocar num pano para levar a uma Manifestação. Depois de muita conversa, muita discussão, depois de um plenário para escolher a melhor frase, chegamos a uma conclusão muito simples: Deixem-nos ser Professores!

É com um sorriso amarelo e com aquela sensação de que se tem razão antes do tempo que fomos ler o relatório da OCDE (pdf) que indica um caminho: os Professores precisam de centrar o seu trabalho nos alunos. Têm que deixar de andar a brincar aos relatórios e às reuniões para fazerem o que lhes é pedido pela sociedade: trabalhar com os alunos.

T.P.C. – sim ou não?

Já tinham saudades destas 3 letrinhas. Confessem… Todos para Casa, trabalhos para crianças, tortura para crianças…

A reflexão está de volta: trabalhos para casa: sim ou não?

De um lado, quem acha que o que faz falta é tempo para brincar, para ser criança.

Do outro, quem pensa ser importante o trabalho, a disciplina.

Diria que todos podem ter razão. [Read more…]

Análise de reorganização curricular ou… (I)

Do maior despedimento alguma vez feito em Portugal!

Nuno Crato continua a fazer o seu caminho – para os menos atentos é o percurso oposto ao do comentador televisivo no tempo de Sócrates. Para quem está a ver para lá da poeira dos dias, trata-se apenas de um assessor do Ministério das Finanças, que de Educação pouco sabe e que por isso se limita a mexer no que está quieto, fazendo de conta que muda tudo, para que tudo fique na mesma ou pior…

Desta vez temos a reorganização curricular. Não é a questão central do nosso sistema educativo, mas é uma questão importante que precisa de ser revista. No entanto, o MEC limita-se a elaborar uma proposta que apenas vai levar ao despedimento de mais de dez mil professores – não acrescenta nada e não resolve nada. Estraga, apenas!

Vejamos: [Read more…]

Reorganização Curricular está de volta

O Ministro da Educação apresentou hoje a última proposta de reorganização curricular.

Por agora fica a ligação para  o pdf do MEC e os quadros com a estrutura curricular.

A estrutura do 2º ciclo do ensino básico fica assim definida:

Estrutura Curricular do 2º ciclo

E para o 3ºciclo e Secundário:  [Read more…]

Ainda a gestão das escolas

O Miguel deve estar satisfeito porque encontra sempre alguém pronto a dar uso à caneta. Depois dos concursos, cá está outra vez um acordo entre o MEC e algumas organizações que insistem em se definirem como sindicatos.

De significativo, não acontece nada – a gestão das escolas continua uma barbaridade e os sindicatos do PSD cumprem o seu papel de muletas do sistema laranja que nos dirige.

De acordo com o portal do governo, podemos conhecer algumas das conclusões:

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Em defesa da Monarquia

O meu amigo Nuno Resende vai ficar todo contente com o título. Mas só com o título mesmo. Como sabem, o Nuno incluído, não sou Monárquico.
Confesso a publicidade enganosa. O post nada tem a ver com esta questão a não ser lateralmente.
Numa aula de 9.º ano, após falar não sei quantos minutos das Ditaduras e da sua implantação na Europa dos anos 30, lembrei-me de que talvez os alunos não soubessem o que era uma Ditadura.
Perguntei e confirmei. Não sabiam. Nem sequer suspeitavam.
Após deambulações várias sobre liberdade, partidos políticos, eleições e demais exemplos que lhes permitissem perceber o que é uma Democracia, fiz a pergunta do costume: «Então, qual é o contrário de Democracia?»
E levei com a resposta do costume: «Monarquia».
Ironicamente, é quase sempre a resposta dos alunos àquela pergunta.
Foi então que me vi na obrigação de defender a Monarquia. Não, a Monarquia não é uma Ditadura – e expliquei por quê, dando vários exemplos e fazendo notar que, à Monarquia, deve opor-se a República e não a Democracia ou a Ditadura.
– «Ó setor, mas se o povo não vota no Rei, então isso é uma Ditadura.» [Read more…]

Educação, a árvore e o beija-flor

O Ministério da Educação e Ciência pela mão do Ministro Nuno Crato tem estado a colocar no terreno um conjunto bem significativo de mudanças (está aí a segunda versão do documento da gestão), umas troikistas, outras nem por isso.

A legislação sobre a avaliação de desempenho está aí, mas basicamente atira tudo para amanhã: diz que este ano é só produzir papeladas, não há aulas assistidas e uma amostra de relatório serve.

Mas tenho uma dúvida existencial: não há progressão nas carreiras por força do congelamento na administração pública. Logo, fazer coincidir a avaliação com os escalões torna o processo uma coisa sem sentido – quando é que terminam os escalões de um tempo que não está a ser contado?

As alterações do MEC são inúmeras e começa a ficar claro o caminho que está a ser traçado. [Read more…]

Presidente Acagaçado

O Presidente Piegas

É verdadeiramente vergonhosa a atitude do senhor Presidente da República ao fingir que um impedimento de Estado, de última hora, o tenha impedido de cumprir a visita que estava programada.

Todos sabemos que as criancinhas metem medo ao mais avisado, e que o senhor Presidente, homem avisado e já por diversas vezes protagonista de “não atitudes”, tem medo delas, talvez, digo eu, por não saber lidar com jovens. No fundo, o homem é um piegas.
Ora, se não sabe lidar com jovens, por favor senhor Presidente, não queira ser Presidente deles, e se não sabe ser Presidente deles, não nos serve para nada, ainda para mais sendo piegas, que é coisas que nós não gostamos mesmo nada.
Com a suas idade, aproveite as reformas de dez mil euros, calce os chinelinhos, ligue a lareira e escreva memórias. Pode ser que assim o dinheirito lhe chegue até ao fim do mês.
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Educação de serviço público

Os exames para este ano têm calendário disponível.

O grande destaque vai para a novidade Crato – exames no 2º ciclo (antigo ciclo preparatório) a matemática e língua portuguesa.

Eis a síntese das datas mais significativas:

Provas de aferição do 1ºciclo (4º ano) : língua portuguesa – 9 de maio; matemática – 11 de maio;

Prova final de 2º ciclo (6ºano): 18, 19 e 22 de junho;

Prova final de 3º ciclo (9ºano): 21 de junho;

Ensino Secundário, 1ª fase: 18 a 26 de junho; 2ª fase: 13 a 18 de julho.

Turmas CEF: O testemunho de um professor enxovalhado

Hoje sofri bullying dos alunos. Já participei tudo e vou queixar-me ao meu advogado e ao Estado português. Nem imaginam como me impressionou, logo a seguir à minha aula, ver um colega completamente desesperado com as lágrimas nos olhos, pois ele nem a chamada consegue fazer. O director tem de actuar forte e feio.
A mim, ao fim de mais de 20 anos de carreira, deram-me este mimo: «O professor é uma merda e vir às suas aulas é uma merda»… Arrotaram e deram pus… Colocaram phones, levaram bola, bateram nas carteiras e cantaram… não sei como me segurei. Algumas vezes, penso que vou fazer uma asneira e arrepender-me para o resto da vida… nem me conheço… fiquei calmo, calmo, mas duma calma doentia…
O meu advogado disse-me isto: se alguma vez eles lhe levantarem a mão para si, não responda. Saia e faça queixa, mas não se atire a eles… eu acho que me ia dando uma coisa hoje! Um vagabundo a dizer-me aquilo é surrealista…
Estou doido da cabeça – pior … Pela manhã, pela minha janela, outra turma… um tipo penso que tentou passar ou vender tabaco ou droga… Eu disse ao vagabundo «Senta-te já». Respondeu-me «Cale-se» e pediu dinheiro … para comprar lá fora.
O director esteve na sala, chamei-o, mas isto já não vai com directores… A certa altura, quando ele ia a sair, há um malcriadão que lhe diz, nem sei se ele se apercebeu ou fez de conta, «feche a porta por causa das correntes de ar»…
Perante isto não tenho mais nada a comentar, a dizer, simplesmente que não tenho saúde para isto. É uma relação de provocação contínua nos CEF’s [Cursos de Educação e Formação]. Impossível, a nossa profissão… esta não foi ensinada nem no estágio, nem na experiência, nem na faculdade… isto passa já para a secção de delinquência e psicologia.

(Enviado por um professor devidamente identificado que solicita o anonimato)

Programa de merchandising eleitoral Magalhães suspenso

No TEK:

Os alunos do primeiro ciclo do ensino básico não vão este ano poder inscrever-se para ter acesso ao programa e-escolinha e ao computador Magalhães.

Limito-me a reproduzir o que havia escrito há dois anos e meio:

1. O Magalhães não se destina a permitir que os alunos tenho acesso à informática. Para isso criavam-se centros de cálculo nas escolas, garantindo em simultâneo que as gerações seguintes também pudessem usar estes recursos (alguém acredita que a fonte dos Magalhães ainda jorrará depois das eleições?). O Magalhães destina-se a comprar votos, os dos pais dos miúdos que recebem em casa uma pechincha. Nada que Valentim Loureiro não tenha já feito com frigoríficos. [Read more…]

A avaliação dos professores pelos seus alunos

Acho que nunca escrevi sobre isto, ou seja sobre o que tecnicamente se chama Avaliação do Desempenho Docente. A publicação pelo Paulo Guinote de um formulário de avaliação dos professores, a ser preenchido pelos alunos, e a discussão que se lhe seguiu, levam-me a fazê-lo agora. [Read more…]

Limite

Estamos de volta. O ME passou os limites – hoje, em muitas escolas do nosso país, há alunos que ficam sem apoios, sem clubes, sem aulas para se tratar da trapalhada da avaliação. Agora que o ME passou o LIMITE sagrado do trabalho com os alunos, estamos de volta…

O Colégio Paulo VI em Gondomar, um colégio com contrato de associação, admite a selecção dos alunos no seu Regulamento Interno

Pelo meu post anterior, já ficou provado à saciedade que o Colégio Paulo VI em Gondomar nunca poderia ter contrato de associação com o Ministério, visto que a condição principal para ter contrato de associação é não existir oferta pública na região. E em volta do Colégio Paulo VI, para além das 4 Escolas Secundárias do concelho de Gondomar e das inúmeras Escolas Secundárias do Porto e arredores, o que não falta é oferta pública (pode ter havido uma razão histórica para a assinatura deste contrato. Agora já não há).
Depois, há a questão da selecção de alunos. Uma escola com contrato de associação tem de aceitar todos os alunos da sua área de residência – é o que diz a lei. O Colégio Paulo VI não o faz. Selecciona os alunos pelo seu aproveitamento escolar e assume-o no seu Regulamento Interno:

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Na Escola, os Pais fazem a diferença

O estudo divulgado pelo Diário de Notícias de ontem (descoberto aqui) surge em contraponto a outro anunciado com muito mais pompa e circunstância e que mereceu algum debate no Aventar. Mais uma vez, nesta análise, terei como base apenas a notícia.

A autora do estudo, Teresa Guimarães, é investigadora da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, dado que nos é facultado pela notícia. Em síntese, procedeu à comparação entre dois grupos de 12 famílias carenciadas no Vale do Ave: num grupo, os alunos têm bons resultados, enquanto no outro há insucesso escolar. A investigadora conclui que a diferença, não estando nos rendimentos das famílias, está na atitude dos encarregados de educação relativamente ao percurso escolar dos filhos. Mesmo correndo o risco de abusar da auto-citação e de parecer que estou a brincar ao “eu já tinha dito isso”, a verdade é que já opinei sobre este assunto aqui, com uma base absolutamente empírica e sem pretensão de originalidade, mas com conclusões semelhantes. [Read more…]

A Câmara Municipal do Porto vai abrir as cantinas escolares durante as férias. A Câmara Municipal de Matosinhos não.

A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, devido à crise que actualmente o país atravessa, vai passar a oferecer quatro refeições por dia aos alunos mais necessitados – pequeno-almoço, almoço, lanche e uma espécie de antecipação do jantar.
A Câmara Municipal do Porto vai abrir as cantinas escolares durante as férias de Natal para que os alunos mais necessitados tenham pelo menos uma refeição quente – o almoço – durante o dia.
A Câmara Municipal de Matosinhos vai comprar o Estádio do Leixões e do Leça para oferecê-los às respectivas colectividades.

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.
Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.
De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. [Read more…]

O Ministério da Educação e a limpeza…

O Ministério da Educação está a transformar-se no Ministério do Ambiente escolar, limpa tudo o que for preciso para melhorar as estatísticas. O chumbo, esse material perigoso se não utilisado com parcimónia, está a ser varrido das escolas.

Aluno com chumbo a mais deixa de ser considerado nas contas do ensino regular e é desviado para as vias profissionalizantes, reforma assaz profunda e séria introduzida por David Justino do PSD e aprofundada por Maria de Lurdes Rodrigues do PS. Claro que nada disto tem a ver com uma real melhoria na qualidade do ensino ou dos alunos. Os alunos com dificuldades podem continuar os seus estudos sem avaliação e sem exames, não contando para as taxas de retenção e de transição.

Há um aumento dos alunos nos cursos profissionais e uma retracção nos cursos regulares, a que há a juntar os alunos dos cursos das Novas Oportunidades o que representa cerca de 60% da população que o ME apresenta agora como estando no ensino secundário e que não precisam de realizar exames nacionais para concluir o 12º ano ou equivalente!

O Ministério do Ambiente e da Educação talvez seja mais apropriado embora um bocado comprido…

Encerrar escolas?

Esta frase dá arrepios, num país onde a juventude está tão mal preparada e as regiões desertas. A desertificação irá acentuar-se, tudo porque é necessário poupar uns tostões,enquanto se esbanjam milhões em gabinetes com doze motoristas, assessores, consultores externos, frotas automóveis, megainvestimentos que ninguem sabe muito bem para que servem.

Dizem-nos que os resultados escolares são muito baixos nestas escolas quando comparados com escolas com mais de 20 alunos e com professores especialistas nas diversas matérias.Não sei se é assim, estamos mais que avisados que as razões, os estudos, os gráficos e os relatórios aparecem sempre a dizer o que quem paga quer que digam. Uma escola perto de casa, sem deslocações, num ambiente conhecido, com professores conhecidos das autarquias e das famílias parece ser o quadro ideal para que jovens de menos de 12 anos possam tirar o melhor aproveitamento.

A ministra, diz que cada caso é um caso, serão estudados um a um com as autarquias e os pais. As autarquias se não tiverem um olhar medíocre e vesgo sobre o assunto, podem ter uma palavra de grande valor , mas se a sua visão for a de poupar uns patacos, serão os alunos a sofrer com o encerramento das escolas.

É dificil perceber que nas autarquias, onde apareceram empresas como cogumelos a fazerem o que as Câmaras sempre fizeram,com administrações de boys e girls a ganharem balúrdios, não possam manter as suas escolas e os seus mais jovens filhos junto de si. A seguir aos filhos irão os pais logo que puderem, e os primos e as tias e os vizinhos…

O mesmo partido que enche a boca com a regionalização ( mas devagarinho…) é o mesmo que mais contribui para a desertificação do interior do país, fechando Centros de Saúde e escolas !

A alegria voltou a Mirandela

As mulheres de Mirandela encontram uma fogosidade nos seus maridos que as faz muito felizes, não acostumadas a tamanhas provas de dedicação e carinho, as mulheres de Mirandela preparam-se para lançar um “abaixo assinado” no sentido da professora que se despiu nas páginas da PlayBoy não seja desterrada para muito longe.

Afinal, quando uma e outra vez são chamadas à escola para autorizarem os seus filhos a terem aulas de educação sexual, que melhor “material didáctico” para os jovens começarem a conhecer o corpo humano? Não é por aí que se começa?

Restaurantes e tabernas têm tido um movimento inusitado, com uma boa procura interna( sim, que nós tambem ouvimos o Santos…) com amigos de meia idade que guardam para a sobremesa a leitura atenta da revista (há ainda por aqui muito quem não saiba ler) e famílias em franca harmonia.

Os ginásios têm tido um incremento na procura impressionante, com as garotas a trabalharem o “body” para ficarem como a professora, em vez de irem para as noitadas, o fumo e os “shots”. Os adolescentes rapazes andam um bocado com a mão direita caída mas nada de preocupante, faz parte da fisioterapia para quem trabalha muito no computador.

Os únicos que não comungam da alegria parecem ser o Presidente da Câmara e o Director da Escola, um e outro preocupados por as pessoas poderem concluir que serão felizes se pura e simplemente os ignorarem!

Hipócritas ! Deixem a rapariga fazer da vida dela o que bem entende! Faz mal a alguem?

Que Notas São Estas?

Violência e indisciplina na escola

Neste fim-de-semana TODOS falaram porque Mário Nogueira e o Conselho Nacional da FENPROF aparecem, obviamente, como a VOZ dos Professores. É apenas a demonstração da importância que TEMOS na sociedade Portuguesa.
A FENPROF sugere que a prevenção deve ser prioritária em relação à punição: acredito, desculpem-me camaradas, que Jacques de la Palice não diria melhor.
Mas, a FENPROF disse mais:
– as condições, nomeadamente ao nível dos recursos humanos tem que ser objecto de um projecto tipo, “Parque Escolar”, porque não são as paredes, nem os computadores que criam boas escolas. A presença de equipas multidisciplinares (psicólogos, educadores sociais, animadores, assistentes sociais, terapeutas) é urgente e o aumento do número de funcionários auxiliares é igualmente prioritária.
– a carga burocrática, absolutamente desnecessária e que nada acrescenta ao acto educativo tem que terminar: o horário dos PROFESSORES TEM que ser usado para aquilo que é a sua função, dar e preparar aulas, trabalhar com os alunos; não somos burocratas, nem técnicos oficiais de contas.
– “conferir ao professor, a exemplo do que acontece já em algumas comunidades espanholas, o estatuto de autoridade pública e a figura jurídica da presunção da verdade;”
E esta última referência tem merecido comentários ao longo do dia, quer por parte da Srª Ministra, quer por parte do Presidente de alguns pais.
A Srª Ministra, no seu habitual registo, “não sei de nada, só vim aqui ver a bola” diz que a proposta da FENPROF é uma possibilidade.
O sr. que não refiro o nome para não sujar o Aventar deseja que as faltas continuem a ser todas iguais, sejam elas justificadas ou injustificadas.
Sem margem para dúvidas: 99% dos problemas de indisciplina nas escolas são CULPA (com as letras todas) dos PAIS dos meninos. Eu, como Pai de dois alunos da Escola Pública, exijo que 99% dos alunos da “minha” escola não se percam por causa de alguns pais que não cumprem o seu papel.
Por mim, Pais de alunos violentos devem ter sanções financeiras.

A (in)diferença entre indisciplina e violência

O espaço mediático continua a ter referências mais ou menos explícitas a questões de indisciplina e / ou violência.
E permitam-me que possa reflectir sobre esta temática procurando ilustrar esta questão sob duas perspectivas: a de Pai e a de Professor.

Num post anterior procurei mostrar o que pode ser o dia-a-dia numa escola. A indisciplina é algo que faz parte das relações entre poderes divergentes – entre pais e filhos, netos e avós, alunos mais velhos e alunos mais novos, jogadores e treinadores…
A formação inicial dos professores não permite uma grande aprendizagem nas metodologias que permitem gerir esta realidade – é a experiência e o contacto real, em contexto de escola, com os alunos que permite ir realizando uma profissionalização que vai ajudando a construir as competências necessárias.
E, boa parte desta realidade surge porque na sociedade a instituição responsável pela Educação, não EDUCA – a família, seja lá o que isso for.
As pressões que hoje TODOS exercem sobre as famílias levam as pessoas a:
a) trabalhar de sol a sol, com tempo para os filhos ao fim-de-semana e apenas no Centro-comercial;
b)viver dos rendimentos sociais e, sendo tudo dado, nada é preciso fazer, só exigem.
Os “putos” chegam-nos às mãos convencidos que podem tudo e não têm regras: ir à casa de banho é quando querem, material, que tragam os profs… Calados, só se estiverem “motivados”… Enfim, como antes escrevi, para onde vais Escola Pública, onde todos nos enganamos? Uns a fazer de conta que ensinam e outros a fazer de conta que aprendem…