a vida eterna prometida a Portugal

raio de luz que nos diverte mas não nos salva da pobreza prometida

Foi o que os nossos governantes nos prometeram. Tenho a impressão que é necessário refrescar-lhes a memória. O Orçamento de Estado, nunca mais é aprovado, a divida, muito provavelmente a ser comprada pela China, o FMI que um destes dias ainda nos invade a casa, um fundo europeu, que deve auxiliar tantos, sem conseguir entrar nos nossos cofres. Que tristeza! Não é apenas Portugal que está em crise financeira, é a União Europeia toda, que nem pode socorrer-se dos EUA, por estes também estarem a bordo da falência. Os cidadãos norte-americanos, os reis do mundo! O País Rei de toda a humanidade.

Mas, afinal a que cofres vão parar os lucros da mais-valia universal? Aos bolsos das pessoas a quem depositamos a nossa soberania, ou a negócios lucrativos dos mais ricos dos países em questão?

Não são os livros, nem as pinturas, nem as palavras: é a concepção de um caminho com ideias novas, para todos e de todos por igual. Como já estava prometido. Foi um excelente paradoxo da História, se Marcel Mauss e Émile Durkheim fossem socialistas mencheviques, como tenho referido (de Marcel Mauss) noutros textos, essa minoria a respeitar a luta de classes, a aceitar sermos humanos tal como definido em 1788 com base nas ideias de Babeuf. Paradoxo, porque analisavam, pensavam, entendiam e, seguidamente, emitiam o seu julgamento sobre um país falido, como a Rússia desses tempos. Se observassem os nossos países de hoje, rebelar-se-iam, como o

[Read more…]

o elefante ou o quebra-nozes para as crianças?

bailado escrito por Piotr Illich Tchaikowsky, entre Fevereiro de 1891 e Março de 1892

Tchaikovsky – Dança Russa (Ballet “Quebra-Nozes”) – Maestro Paulo de Tarso.

Para nossa neta Maira Rose, filha de Cristan van Emden e Paula (née Iturra)

Foi comentado neste sítio de debate no mês de Dezembro de 2009, que Natal era quando o marketing quiser. Comentário que me leva a pensar a relação dos adultos e das crianças. Essa relação, hoje, de distância e, antigamente, de larga intimidade, ambas com muito imaginário e certa afectividade. Imaginário, como é natural, que varia no tempo e no espaço. Como Pyotr Ilyich Thcaikosky e Gus van Sant. Como a água do óleo. Qual, a verdadeira? Qual, a conveniente? Qual, a da História? Não é o acaso que me leva a pensar no Elefante e no Quebra-nozes. [Read more…]

Os mercados estão em todo o lado

Os mercados estão em todo o lado. De repente somos submergidos por eles, os mercados. Sim, parecem ser um novo deus. Aos Católicos ouço dizer que Deus está em todo o lado. Para os políticos, comentadores, analistas e jornalistas, os mercados estão em todo o lado. Tal e qual aquele fulano que não nos larga. Enfim, um perseguidor.

Os mercados duvidam, os mercados estão atentos, os mercados desconfiam, os mercados isto e os mercados aquilo. Querem ver que os mercados são o ‘sistema’ do futebol, o ‘vocês sabem de quem estou a falar’ do Óctávio, o Brutos que também esfaqueou Júlio César, o ‘Adamastor’ que fez tremer os navegadores lusos?

Olha, mercado, se te posso tratar assim, vai dar uma volta ao bilhar grande e leva contigo os políticos, os comentadores, os analistas e os jornalistas que te vêm em todo o lado e que, acima de tudo, te dão demasiada importância. Não fossem eles, e tu não existias.

a escola do meu insucesso

a criança experimenta saber, mas sem sucesso, como pode-se ver nos seus pés descalços

…para Darlinda Moreira, antigamente a minha discípula e amiga….

Schubert – Death and the Maiden (part 1)

First part of 1st movement. The Alban Berg Quartet. Once again, please forgive me for the way I’ve had to split this.

Luís Souta denominou-a A escola da minha saudade, em 1995; Stephen Stoer e Helena Costa: A capacidade de nos surpreender, 1993; Luiza Cortesão: Escola, Sociedade, que relação? 1998; Luiza Cortesão e Stephen Stoer: Levantando a pedra, 1999; Ricardo Vieira: Entre a Escola e o Lar 1996; Telmo Caria: A cultura profissional dos professores, 1999; Ana Benavente: Do outro lado da escola, 1987. As várias denominações, que eu desejo definir neste texto, fazem-me omitir, obrigam-me a omitir, mandam-me não lembrar o que Darlinda Moreira diz da escola. Darlinda Moreira e eu debatemos, durante anos, qual a utilidade da escola para as crianças. Especialmente para crianças descendentes de pais, avôs, ou famílias, designadas por Paulo Freire, escolas oprimida, sem alfabetização, ou, como se diz hoje, sem literacia. Referem sem literacia, entre outros, Filipe Reis, 1997: Da antropologia da escrita à literacia, na Revista Educação, Sociedade e Culturas, trimestral, Afrontamento, Porto; António Firmino da

[Read more…]

afinal, os terroristas quem são?

Assembleia da República, sítio de griteria e acusações: todos responsáveis pelo desgoverno. Ai se Afonso Henriques fosse vivo!

Estes dias que vivemos, parecem-me estarem cheios de tristezas, injustiças e lágrimas, bem como de solidariedades, declarações, debate, uso da razão, uso das emoções. É um falar constante dos acontecimentos que sobre nós caem. Corpos mortos, corpos feridos, fuga do perigo, vida de terror. A resposta à pergunta do título podia ser simples: os que matam sem motivo ou sem motivo aparente provocam depressão a outros seres humanos. Se quisermos uma lista do terror sobre os seres humanos, basta-nos ler o jornal e ver que desde 2002 em Bali, até ao dia 7 de Julho deste ano, ocorreram oito actos denominados terroristas e, consequentemente, tivemos mortos, feridos, seres triste… um mundo dividido. [Read more…]

Uma proposta radical para o orçamento

Acabar com o subsídio ferias e subsídio natal para todos os pensionistas.
Redistribuir o valor que sobra por todos os pensionistas que recebem menos do dobro do valor da pensão média (para quem não sabe a pensão média em Portugal é actualmente apenas de 404,61€).

A visão que eu tenho do subsídio de natal e subsídio de férias é diferente da de muita gente, principalmente aqueles que sempre foram empregados por conta de outrem…

Esta visão deve-se em primeiro lugar porque no inicio da minha carreira trabalhei a recibos verdes e por isso ou trabalhava ou nem sequer tinha salário, quanto mais subsídio ferias e subsídio de natal.
Depois porque a seguir a isso tive uma empresa durante cinco anos o que me permitiu também ficar a conhecer os custos para a empresa de ter funcionários e a dupla penalização que é não poder contar com um colaborador e ter ainda que lhe pagar o valor habitual mais o subsidio de férias.

Esta proposta permitiria diminuir a amplitude entre quem ganha mais e as reformas miseráveis que ainda temos bem como eliminava esse conceito, para mim estranho, de pagar subsídios que provavelmente fazem sentido no mundo das pessoas que trabalham como incentivo ou prémio, a pessoas que têm como principal característica precisamente serem não activos.

Também podiamos falar de acabar com o pagamento de pensões acima de um determinado valor ou a não acumulação de pensões mas isso já outros disseram.

a globalização do genocídio das crianças

criança que tenta flutuar sobre o genocídio que sobre eles, generam os seus adultos

http://www.youtube.com/results?search_query=Beethoven+F%C3%BCr+Elisen&aq=f

Não sou adivinho. Apenas observo o que acontece no mundo. E tremo de indignação.

Gostava de ver risos, notícias de que a vida está menos cara, saber que foi editada uma nova versão de uma obra de Bach, que o leite já não é caro, que se ganha mais, que baixou a inflação, aumentou o Produto Interno Bruto, o PIB. Que não é apenas o Presidente Chávez da Venezuela a recuperar o cargo, ou que a Rainha-mãe da Grã-bretanha, esse exemplo de vida cuja história me agrada ler, pregou um grande susto ao Fascismo na Segunda Grande Guerra.

Mas sabe o leitor que ando sempre a tocar os sinos para chamar a atenção sobre o sentir das crianças. Escrevi, em Setembro de 1999, um conjunto de ideias sob o título Crianças, os senhores do mundo esmagam os fracos. Em Fevereiro de 2000, tentei chamar a atenção para um debate político (socialista/ capitalista), no qual é usada uma criança, através do texto Prostituição das crianças. Devuelvan-nos al niño, no dia em que Elias González foi o centro do debate entre Cuba e USA. Debate que levou a que o meu artigo fosse publicado, em castelhano, em Espanha e na América Latina. Em Janeiro de 2001 escrevi As ditaduras e o saber das crianças. Tinha visto os filmes de Spielberg A lista de Schindler, e La Amistad, ou O império do sol; bem como o de Roberto Benigni A vida é bela e o de John Irving: Regras da casa.

[Read more…]

Mineiros do Chile. A Ave Fénix do patriotismo

a morte desafiada pelos chilenos, uma Fénix Univesal...

Falar de Mineiros do Chile, todos sabemos o que siginifica: trinta e três pessoas soterradas numa mina de cobre no Norte do Chile, a 35 quilómetros da cidade mais  próxima, Copiapó, desconhecendo-se, durante 19 dias, do seu paradeiro e se estavam vivas ou mortas. A mina de São José, com mais de cem anos de exploração, pertencia ao Estado do Chile, após a nacionalização de todo o cobre existente no país, em 1972, pelo Presidente da República, Salvador Allende.

En 1810, año de su primera junta nacional, Chile producía unas 19.000 toneladas de cobre al año. A lo largo del siglo la cifra fue creciendo hasta convertir al país en el primer productor y exportador mundial. Sin embargo, a finales del siglo XIX comenzó un período de decadencia, debido por un lado al agotamiento de los yacimientos de alta ley y por otro al hecho de que la explotación del salitre acaparaba las inversiones mineras. En 1897 la producción había caído a 21.000 toneladas, casi lo mismo que en 1810. [Read more…]

história sintética da República do Chile

símbolo de uma República certa e serena, que sabe o que quer e debate como deve ser

 

…retirado do capítulo 4 do meu livro o crescimento das crianças…

As crianças crescem á medida que a memória social impinge a memória individual, isto é, a criança é o resultado do saber acumulado cronologicamente no tempo. No tempo em que a criança vive e no que os ancestrais andaram a viver, perto ou longe do tempo da criança. O saber é contínuo, embora conjuntural nas suas mudanças. O processo educativo que resulta da interacção de um mesmo povo, através da História, ou com outros povos através, também, da Historia, é o que faz o que eu sou.

A racionalidade da criança, indivíduo com uma epistemologia acumulada, é diferente da racionalidade cognitiva do adulto. O entendimento é diferente. As várias gerações que vivem dentro do mesmo tempo, têm experiências diversificadas, quer pelo ciclo, quer pelo tempo que a pessoa leva na História do seu ser social. Experiências que são emotivas, mas orientadas pela razão, porque a criança observa para calcular, e calcula.

Comparar três povos de diferentes línguas e experiências, não é simples, mas é um desafio interessante para quem trabalha os dados do quotidiano. Um quotidiano,

[Read more…]

história sintética de Portugal

´metáfora do nosso país que nunca mais decide ser República!

Portugal é um País em permanente transição. Até à entrada dos Bonapartistas, no início do séc. XIX, toda a terra era do Rei. Fosse quem fosse o detentor da Coroa. Coroa simbólica e legal. A material estava, desde D. João IV, pousada sobre a cabeça da imagem de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa. A terra, desde Afonso Henriques, era conquista da Coroa, excepto as terras aforadas a Condes, Duques, Viscondes, ou grupos de vizinhos, sempre que daí resultavam benefícios. A entrada dos Bonapartistas, terminada na guerra Peninsular, pondo fim às guerras Napoleónicas, deixou em Portugal a ideia do liberalismo burguês da Revolução francesa. Duas das consequências, da absorção das ideias liberais, marcam o fim dos contratos de enfiteuse e do Morgadio, que se caracterizava pela transferência das terras da família ao filho mais velho. Wagner na Baviera lutou pela sua abolição (1845), e por isso foi expulso, como Verdi, em Itália (1859), com um final mais feliz, ao tornar-se membro do Parlamento constitucional. O Bonapartismo semeou o conceito de que a terra era das pessoas que a tinham e não do direito de raiz, que permanecia (quarto direito) da lei visigótica, permitindo aos proprietários viverem dos rendimentos acumulados da colheita dos foreiros, rendeiros e caseiros, excepto dos jornaleiros, que entregavam mão-de-obra e viviam e vivem ainda, dos salários. A população ficou com as ideias da propriedade directa, e muitos dos intelectuais portugueses, galegos e chilenos, derivaram-

[Read more…]

história sintética da Galiza

bandeira da Galiza, ceibe e socialista

texto retirado do meu livro o crescimento das crianças, Profedições, 1998

O reino da Galiza tinha já sofrido diversas invasões. Como nas lembranças sociais de Victoria, nas de Pilar há também uma memória social que as repete. Mas, ao contrario que no caso de Victoria e os seus pares. Porque para Victoria, a Conquista é uma bênção que permite que um povo Nativo, seja primeiro um Reyno, depois um Estado e República independentes, autónomo. O que, como Pilar, a sua família e os seus pares, sabem que não é assim na Galiza. A Galiza é Celta, é Romana, é Sueva, é Visigótica, é Castelhana, é Lusa, é Espanhola, é autónoma, como Estado parte do Estado Espanhol, entre os séculos antes de Cristo e o dia de hoje. Quando a dita autonomia permite que a língua galega seja também língua oficial, em conjunto com a Castelhana. E a lei Galega, não o Estatuto de Castelão (1931) nunca aprovado na II República que o meu amigo Ramón Pinheiro defendeu até a sua morte. Uma lei directa, própria, sempre subordinada a lei geral do Estado Espanhol e às leis específicas que o Estado central, assina como Yo, el Rey. Embora saibam Victoria e Pilar, ou não saibam, que a Monarquia Espanhola é comum para os dois Reinos, o do Chile até 1818, e o da Galiza até hoje. Porque a invasão Napoleónica a Espanha, alastra ao Rei Fernando VII ao seu cativeiro de Paris, onde muito bem fica, faz-se revoltar ao Reyno de Chile que aderia á Coroa e á pessoa do Rei, e causa o seu afastamento de dita Madre Pátria, porque já não há proprietário, o Monarca. O que serve para basear a Independência na hoje América Latina, o que serve para começar os levantamentos contra os direitos

[Read more…]

a República de Portugal nasceu como um país classista

o nosso futuro se as meddidas de austeridade avançam....

Bairro da Grande Lisboa, com prédios novos no fundo e bairros de lata ao pé para se sustentar dos trabalhos que resultam das construções dos prédios.

Queiram desculpar, mas sinto-me perdido. Por acaso moro num sítio de Portugal com imensas e evidentes desigualdades. Por acaso. Não encontrei outra casa no dia em que apareci em Portugal, tantos anos já, que até fui feito português, o que agradeço.

O que não agradeço nada, são as diferenças sociais, esses desencontros entre as pessoas: diferente classe social, diferentes saberes, hábitos de bisbilhotice, outros de solidariedade.

Pobreza e riqueza vivem juntas. Trabalho e falta de postos de trabalhos. Elegância e pobreza impossível de disfarçar. A arquitectura tem uma linguagem que explica que Portugal é um país classista. Há os que podem ter folga monetária, e há os que nada têm; há os que têm a esperança de um dia ter e os que sabem que esse dia nunca pode aparecer.

Há também os que moram em bairros de lata e os que possuem tantas casas, que têm que inventar sítios para se entreter além das contabilidades a que estão obrigados para calcular entradas e gastos, para um melhor gerir da sua riqueza, saber onde ir cobrar rendas e melhorar as suas posses.

[Read more…]

a tristeza no centenário republicano

a república começou perturbada e hoje continua conturbada

…com a colaboração de Graça Pimentel e Eduarda Fernandes…

Não consigo esquecer duas frases, talhadas na minha memória desde o dia que troquei a minha Universidade Britânica pela Universidade de Lisboa, o ISCTE, hoje Instituto Universitário de Lisboa. Essas ideais talhadas eram, primeiro, que o 5 de Outubro era uma festa Nacional, mesmo em dias de tormenta como hoje, em que o povo se regozijava por sermos um país livre e soberano, garantida dada pela Constituição do Estado, cada vez mais avançada para proteger a soberania que o povo depositava nos seus governantes eleitos por sufrágio universal. Havia tanta coisa a fazer dentro da República para a eelevar à estatura de outras nações da Europa, republicanas ou monarquias. O 5 de Outubro era sempre o 5 de Outubro, com festas e alegrias.

Mas uma segunda ideia talhou o meu pensamento: Portugal não era apenas esse sol quente do verão e o frio do inverno, com neve, às vezes, até em Lisboa. Essa proeza de construir uma nação, passava por construir o que a monarquia de Bragança, em mais de trezentos anos de reinado, nunca fez: construir indústrias transformadoras da imensa riqueza que o Universo tinha oferecido à República. Bem sabemos que o marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa, 13 de Maio de 1699Pombal, 8 de Maio de 1782) casado com uma alemã, tentou enquanto era secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I (17501777), sendo considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa. As suas visitas ao estrangeiro, a sua observação da construção de indústrias manufactureiras e transformadoras de matérias-primas na Grã-Bretanha, na Alemanha e na Suécia, resultantes da Revolução Industrial, levaram-no a pensar que Portugal podia construir uma riqueza semelhante. Começou por construir Escolas Politécnicas, para os operários executarem com saber o seu ofício e acumular riqueza investidas em indústrias. Para nossa infelicidade, prevaleceu a preguiça de Reis, Marqueses, Barões, enfim, dos proprietários das terras, aliada ao pensamento que seria sujo e desalmado desfazerem as suas lindas terras, o acusaram-no de espoliador, sendo assim que de Ministro do Rei foi para a cadeia e, a seguir, confinado às suas terras de Pombal.

A falta de Indústrias transformadoras causaram um recuo de centos de anos no desenvolvimento da, hoje, nossa República Portugueza (não é gralha, é como se escrevia nesses tempos o nome da Nação, habitada por portuguezes).

[Read more…]

a república

de súbdito a cidadão, por causa da implantação da República

 …para a minha mulher, que edita os meus textos

É História bem conhecida que a República portuguesa não foi uma opção do povo bem como uma implantação por um grupo do Partido Republicano, pelos maçons e um largo número de apoiantes populares que estavam cansados de serem explorados no trabalho das terras dos Condes, Duques e Barões, que viviam uma rica vida, ou em Lisboa, ou em Paris. De facto, a sublevação contra a monarquia, como em todos os países da Europa que passaram de reis a presidentes, foi sempre iniciada nas áreas rurais. Trabalhavam e trabalhavam os obreiros agrícolas, em troca de dois ou três hectares de terra trabalhadas pela sua família, enquanto o senhor da casa dava a sua força de trabalho ao proprietário das fazendas ou das terras extensas com vinhas, as primeiras ao sul do país de Afonso Henriques, as segundas, no norte da mesma terra.

No entanto, essa rebelião foi mansa e serena. Tiveram que ser os intelectuais, maçons e liberais, que optaram por derrubar a família real, nesses anos da casa de Bragança, matar o rei Carlos I de Bragança e o príncipe da coroa, o herdeiro Dom Luís Filipe. Acontecimentos ocorridos no dia 1 de Fevereiro de 1908. Sem saber como, o filho mais novo, Dom Manuel, passou a ser rei, sem preparação nenhuma, como confessou ao Concelho de Estado solicitando orientações.

[Read more…]

Também eu, renuncio

  • Renuncio a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de me servir;
  • Renuncio à maior parte das fundações públicas, privadas e àquelas que não se sabe se são públicas se privadas, mas generosamente alimentadas para meu proveito, com dinheiros públicos;
  • Renuncio ao serviço público de televisão e aceito, contrariado, assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;

Mais no 4R. Renuncie também!

os amigos

mãos solidárias e recíprocas, símbolo de que dá e nada solicita

Amigo é um substantivo muito usado nas conversas do dia-a-dia. Apesar de estar definidos en todos os dicionários, acaba por ter uma séria de significados. O que me parece menos meigo, é quando a palavra é usada em detrimento de outras pessoas: oiça meu amigo, é melhor ir embora e deixar-nos em paz. Ou, se o substantivo é usado como apelativo: hei amigo, ande cá…. Ou, mais grave ainda, se referimos alguém de importância na vida social, na sua ausência: esse deputado é muito meu amigo, confie em mim… Ou o candidato a Presidente da República, o Primeiro-ministro, o nosso chefe, são incluídos na conversa como pessoas da nossa intimidade. Durante uma época da minha vida, fui enviado ao Chile pelo meu Catedrático da Universidade inglesa onde estudava e ensinava, houve um alçamento militar e o nosso Presidente foi assassinado, como tenho referido em outros ensaios de este sítio de debate; o meu Chefe, sabia o que era um campo de concentração, tinha passado quatro anos em Auschwitchz, (Auschwitz-Birkenau é o nome de um grupo de campos de concentração localizados no sul da Polónia, símbolos do Holocausto perpetrado pelo nazismo. A partir de 1940 o governo alemão comandado por Adolf Hitler construiu vários campos de concentração e um campo de extermínio nesta área, então na Polónia ocupada. Houve três campos principais e trinta e nove campos auxiliares). Bem sabia Sir Jack Goody o que eu [Read more…]

Os dias do FIM

fmi

nota: título do post por DS

porque Allende teve que correr tanto

a honestidade de Salvador Allende reflecte-se no seu rosto

…resposta ao comentário de Luís Moreira….

Estes dias foram de debate em muitos sítios e páginas pessoais da internet. Foi um fim-de-semana de muitas lembranças e comemorações públicas e pessoais. Como é natural, as pessoais são de quem tem essas memórias íntimas. As públicas, para contestar, debater ou responder. Sinto-me no meio das duas. Não há memórias pessoais não vinculadas às memórias públicas. Se assim não fosse, não seríamos seres sociais, que, queiramos ou não, orientamos a vida pelas pautas da cultura, sendo cultura hábitos, costumes, idioma, comportamento adequado às circunstâncias, boa educação, simpatia, solidariedade, entre ajuda e outros hábitos que fazem de nós, pessoas. Habituamo-nos a uma forma de ser, comportamento que orienta as nossas vidas de uma forma quase inalterável, quer individualmente quer em grupo.

Quando muda o hábito, o grupo social fica desnorteado, não sabe qual forma de agir deva adoptar. No caso de Allende, houve uma mudança sem transição, passagem de um lugar, assunto, tom ou estado para outro. Isto foi o que aconteceu com o Governo de Salvador Allende.

Como se sabe, o Chile é um país com uma larga percentagem de classe média, essa classe que tem aprendizagem, habilitada para assuntos profissionais ou de ofícios que rendem dinheiro, ofícios e profissões que permitem um certo lucro, que, poupado, pode ser investido em bens que incrementam o capital de uma pessoa. Classe média que

[Read more…]

la nación mapuche y su história

bandera mapuche

Me parece muy difícil escribir en pocas líneas, lo que está anunciado en el título. Mis primeras impresiones de los Mapuche, aparecieron en mi entendimiento y sentimiento por causa de una nana que tenía y se encargaba de mí, de mi limpieza, de mi saber comer, de que no me ensuciara porque era mal visto, que aprendiera a usar toda la vajilla y cuchillería, difícil de hacer: eran tantos y todos diferentes para las diversas comidas. En síntesis, saber usar la vajilla para poder comer en la mesa de los adultos. Éramos cinco hermanos y hermanas, y con el aprendizaje de tan difícil trabajo, quien aprendiera primero, podía sentarse en la mesa de los adultos. Nosotros los niños, comíamos en el repostero, que en portugués llaman copa. Los papás, en el comedor, bien servidos y mejor tratados.

No cuento esta parte de la historia por orgullo, es con vergüenza que hablo. Existía la idea entre el pueblo chileno, de que los nacionales Mapuche eran para servir, ser inquilinos, que no debían saber leer ni escribir para que no se sublevaran y atacaran a los Huinca, palabra Mapungun, su lengua, que significa en castellano el habla de la tierra, e Huinca, los extranjeros, que éramos nosotros, los chilenos. Bueno, eso de extranjero, en nuestro caso se aplicaba como realidad: hijos de españoles, Chile no era nuestra tierra, a pesar de que con los años allí vividos, desde la conquista del país, robado a los Mapuche, eso de ser chileno era una alegría. Especialmente cuando íbamos a nuestras tierras, trabajadas por Picunche, un clan de los Mapuche, que trabajaban por nada: se les daba un trozo de tierra que debía ser  trabajada por su familia, en cuanto el hombre de la casa debía servir en la casa y tierras del patrón.

[Read more…]

o crescimento das crianças-6ªparte-II-indigenismo

ritual Mapuche, praticado pelos Picunche,para a sua defessa dos Huinca Chilenos

Nguillatun – Ceremonia religiosa

Capitalismo agrário, subdesenvolvimento agrário: imdigenismo

Talvez, podia pensar como Jack Goody fez para a Ghana em 1963, quando pertencia ao Partido do Povo que libertou a Ghana do colonialismo inglês. Quando tentou entender a situação do País com os conceitos ocidentais de Feudalismo e escreve o seu texto Feudalism In Africa? que depois passa a ser o livro de l971, Technology, tradition and the State In Africa, onde tenta perceber a continuidade política que for capaz de guardar a continuidade entre gerações que vivem uma diferente experiência. Mas a sua reflexão, que continua em Production and Reproduction, 1976, não ajuda ao País que é iletrado e que tem as suas próprias continuidades e descontinuidades, que faz estalar a guerra., que tem as suas próprias literacias em signos não escritos, entendidos por eles e não multilingues. Essas guerras já vividas pelos Picunche e Espanhóis, pelos Galegos nos séculos dezanove e vinte. Pelos portugueses, nos mesmos séculos, até acabarem Espanha e Portugal em vias pacíficas para a igualdade subsumida ao capital. E o Chile, numa desigualdade esfomeada também pelo capital subdesenvolvido. O crescimento das crianças de hoje, é fundamentalmente diferente ao crescimento de ontem. O de ontem, tinha um objectivo centralizador da actividade familiar, o obter a terra por meios para todos iguais. Os de ontem, são criados no derrube de um sistema da aristocracia, que eles têm que reconstruir outra vez na base da sua própria força. Os de hoje, têm um objectivo igual, mas que dispersa e tira do elo estruturador antigo, a propriedade rural. O capital é o objectivo individual e autónomo. Como diz o Presidente do Sindicato de Agricultores da Extensão Agrária Galega, há muita gente no campo e é preciso limpar e redistribui-los pelas outras tarefas, encher as cidades e as habilitações, as industrias e a poupança. Fazer de cada um, uma força empresarial. Que já existe na sua mentalidade. Embora Victoria, Pilar e Anabela continuem na ideologia ocidental cristã, esta ideologia não é outra que a que se adapta à

[Read more…]

o crescimento das crianças-6ªparte-I-ontem e hoje

Mapuche e o clã Picunche marcham em protesto da perseguição Huinca

O que é uma criança? É todo ser que cresce entre o nascimento e a puberdade Já estava definida e, outros textos meus, com as citações que academia manda um intelectual fazer. Quer no meu O saber das crianças (1996), quer no meu Imaginário das crianças (1997), tive especial cuidado de dedicar ideias para delimitar o campo da pesquisa. Que tinha já sido definido no meu A construção social do insucesso escolar (1990b), esse esgotado livro que é muito procurado. Como em outros textos. Gostava acrescentar á minha tradicional definição, de que todo ser humano é criança em certos aspectos das suas relações, em quanto é adulto em outras. E ao contrario. Porque há campos do comportamento que sabemos, e campos da interacção no qual estamos menos desenvolvidos. Percebe-se de que um adulto é um ser crescido em corpo e em idade, capaz de reproduzir. E com as suas emoções bem definidas e detalhadas e

[Read more…]

o crescimento das crianças (5ª parte – o que sou)

entre os Picunche, linhagem patriarcal, a autoridade é da mulher.

 

 Queira o leitor lembrar de que gostava de debater, enquanto transfiro parcialmente para si meus dados de trabalho de campo, pelo menos dois assuntos centrais. Um, é que as crianças que crescem, o fazem na medida de que a memória social impinge a sua memória individual. É dizer, que a criança que temos em frente a crescer, é resultado do saber acumulado cronologicamente no tempo. No tempo que a criança vive e que os ancestrais andaram a viver, perto ou longe do tempo da criança. O saber é contínuo, embora conjuntural nas suas mudanças. O processo educativo que resulta da interacção de um mesmo povo, a traves da Historia, ou com outros povos a traves também da Historia, é o que faz o que sou. Um segundo assunto, é que esta racionalidade da criança, indivíduo com uma epistemologia acumulada também, é diferente da racionalidade cognitiva do adulto. O entendimento é diferente. As várias gerações que vivem dentro do mesmo tempo, têm tido experiências diversificados, quer pelo ciclo, quer pelo tempo que a pessoa leva na Historia do seu ser social. Experiências que são emotivas, mas orientadas pela razão, porque a criança observa para calcular, e calcula. Eis que tenho levado ao leitor ao longo de tempo, para trás e para frente, como a linguagem Internet permite, reiterando casos e a abrir lentamente as historias, em torno ao elo processual que Victoria, Pilar e Anabela, estruturam do processo racional da reprodução social. Comparar três povos de diferentes línguas e experiências, não é simples, mas é interessante para quem trabalha os dados do quotidiano. Um quotidiano prolongado para mim, porque os Picunche os conheci sempre, os de Vilatuxe faz trinta e cinco anos hoje, e os de Vila Ruiva, vinte e dois. E queira o leitor entender que somos poucos a estudar à criança como entidade humana que entende e aprende e não é um problema a resolver. Os adultos procuram que a criança seja um adulto em pequeno,

[Read more…]

O crescimento das crianças- 3ª parte (II) – Foste feito

cacique picunche, o rei de uma aldeia, hoje jornaleiro para sobreviver

Foste feito, eu existo. Como era.

Questão que se coloca qualquer antropólogo que deseja entender o que toda criança observa. Como era. È a primeira questão que colocamos nas suas mentes, quando estamos a observar o presente. Exemplo paradigmático do assunto, é o caso dos estudos de Jack Goody, especialmente na sua Lógica da escrita e a organização da sociedade, escrito em inglês em 1986. Mas, como o próprio Goody reconhece ao longo da sua obra, bem como Maurice Godelier ao longo da sua são as ideias, oralmente exprimidas e transmitidas, as que constituem a organização e a interacção social. A pequenada que temos observado, orientada por nos, têm-nos demonstrado nos seus diários de campo, como é que entende aos seus adultos. E o que cada criança vê, é um mundo heterogéneo, cujos antecedentes só começa a perguntar já em adulto, ainda que em pequeno, viva os resultados. Como era? Como é que era? Se eu existo, como será que tu foste feito? E o que é o que foste feito? Um produto de produtores, como eu tenho denominado já em outros textos? (1995 e 1992). Será a genealogia pela qual a criança pergunta? Ou o contexto social total, que, como no seu caso, envolve também aos seus progenitores?

[Read more…]

as culturas da cultura:infantil, adulto, erudito (III Parte)

em procura de habilitações

3ª Parte excerto um livro meu: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, 1ª e 2ª edição, Fim de Século. Uso o texto de 2ª edição, 2007

A cultura dos doutores

Queira o leitor ter a paciência de entender que me refiro àqueles seres, distantes das aldeias, que pensam por e para a infância.

Não me refiro a eruditos locais, dos quais já falei antes. Vou referir – me ao conjunto de pessoas que se exprimem por meio de textos e domesticam o imaginário local da criança, quer dizer, do futuro adulto.

O adulto é, como temos visto, uma criatura de compromisso: aceita sem sentimento e emoção os deveres e responsabilidades que assume, vive no meio da reciprocidade e da solidariedade e não foge dos deveres sociais que estão, normalmente,

[Read more…]

as culturas da cultura: infantil, adulto, erudito (II parte)

continuação daqui

a cultura do adulta

adulto a se habilitar para a corrida pela vida

2ª Parte excerto um livro meu: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral

1ª e 2ª edição, Fim de Século. Uso o texto de 2ª edição, 2007

A cultura do adulto

Tal como a infância, parece-me que a vida adulta não tem idade. É verdade que há textos legais que definem capacidades, com base na cronologia; contudo, o convívio que tenho mantido com tanto ser humano ao longo da vida, nas minhas diferentes idades e em continentes diversos, assim como em trabalhos de campo diversificados e prolongados, tem-me feito pensar que a cronologia está correlacionada com uma multiplicidade de factores.

Um deles parece ser o lugar social que se ocupa: quem define o que deve ser feito e quem obedece com o seu desejo de aceitar.

Um outro factor diz respeito ao maior ou menor envolvimento e entendimento que uma pessoa tem dos valores aceites pelos indivíduos de um grupo, classe, país ou Estado. Outro ainda diz respeito à passagem do tempo histórico que, em correlação com a tecnologia, vai acumulando experiência social que constrói uma memória. A lembrança de pessoas que convivem é heterogénea, porque foram criadas em épocas diversas, ainda que necessariamente próximas. Dessa lembrança nascem a capacidade de entender contextos e a aceitação de aspectos da vida de que gostamos e que nos desagradam, assim como se desenvolvem alianças estratégicas e associações.

O ser humano, como tenho observado, é mutável, porque é resultado da história. E a ideia que temos do adulto é apenas um paradigma, uma definição, uma expectativa: o seu comportamento varia conforme os objectivos individuais e sociais. Quer nos bairros quer nas aldeias e etnias que estudei, os mitos definem expectativas e comportamentos, aparentemente hegemónicos, definindo objectivos comuns, coincidam ou não com o objectivo da construção de cada um através da sua vida. Um outro factor é, ainda, aquilo em que se acredita e o futuro que se espera alcançar.

[Read more…]

as culturas da cultura. infantil, adulta, erudita (I Parte)

ser ou não ser

o menino que não queria ser pastor, em época de crise, não teve opção

1ª Parte excerto um livro meu: O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral

A questão, 1ª e 2ª edição, Fim de Século. Uso o texto de 2ª edição, 2007

Miguel (v. Genealogia 1), o neto do Marques, queria uma bicicleta. Conseguia equilibrar-se na minha, que era preta, de ferro e pesada. Seu pai, a trabalhar nas obras de uma cidade longínqua, não tinha dinheiro suficiente para comprar uma; a mãe,

jornaleira, guardava o dinheiro para os gastos da casa. Os avós, quinteiros da casa da aldeia onde eu e eles vivíamos, observavam os vizinhos e sonhavam com outra vida enquanto entregavam produtos e dinheiro das vendas aos proprietários. A bicicleta não podia materializar-se, e Miguel Marques sabia; com sete anos, sabia. Mal podia, entrava na garagem da casa, enquanto eu andava pelas ruas e “belgas”1 ou estava ausente, tirava a bicicleta e juntava – se aos amigos que tinham cada um a sua. Filipe Manuel, o pai, ausente nas obras, não sabia. Nem sabiam Elvira, a mãe, longe nas jornas de outras casas, nem o avô Marques, ocupado com a rega e a cava da terra da quinta. A avó Elvira, lavava no tanque, falava à pequena Marta, sua neta, que olhava o irmão, sem nada dizer. A bicicleta não era dele, era de outro que não precisava dela nesse momento, esse outro sorridente e nunca zangado. [Read more…]

o crime social do aborto

é preciso distinguir entre aborto ritua e aborto economicista

1. Conceito.

É conhecido como impedir a vida de uma criança antes de esta ter nascido. Isso é designado como a interrupção voluntária da gravidez É ainda um delito punido com pena de prisão. É normalmente, uma decisão tomada por uma mulher por não ter um pai para essa criança em gestação, ou porque já tem muitas e tem dificuldade em cuidar delas e educá-las. Seja como for, a população infantil tem vindo a diminuir entre pessoas que não usam precauções para não engravidarem e darem vida a outra vida. Um facto que acontece em Portugal, na Espanha, na Itália, em etnias que vivem para além Europa. A diferença é que, na Europa e nas suas antigas colónias, o aborto é considerado uma perda de um ser humano punida por lei. Muito diferente é o caso dos Ba-Thonga de Moçambique estudados por Henry Junod em 1898 e por José Fialho Feliciano em 1998. O nascimento de gémeos coloca um problema: um deles deve casar, por obrigação cultural ou legal, com um descendente do clã de parentes. Apenas um. Se há dois pretendentes, um deles é morto, ou à nascença ou abortado mal se perceba que há dois no ventre da mãe.

[Read more…]

Locomotiva Alemã acelera

O índice do clima de negócios do Instituto de Economia de Munique (ifo), publicado hoje, registou este mês uma subida de quase quatro pontos,a maior dos últimos 20 anos, passando de 101,8 para 106,2 pontos, foi hoje

anunciado. “A economia alemã está de novo em ambiente festivo”, afirmou na capital da Baviera o presidente do ifo, Hans-Werner Sinn, durante a apresentação dos novos números.

http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1625081

Comentário

A locomotiva económica alemã voltou a funcionar, os passageiros nas carruagens podem recostar-se e em breve tudo fica como dantes no quartel de Abrantes? Nem por isso.

Uma vez que os gigantescos problemas estruturais mundiais e comunitários não se encontram solucionados, podendo a qualquer momento irromper de novo com violência redobrada, também desta vez e tal como em Fevereiro 2007* trata-se de uma “flor de pânico” – enfim: sol de pouca dura.

Rolf Damher

* Em 2007, num prenúncio da actual crise, na Alemanha já tivemos o caso de uma “flor de pânico”. Na altura, o presidente do Instituto de Economia de Munique (ifo), Prof. Dr. Hans-Werner Sinn, e eu vaticinámos, independentemente um do outro, o carácter passageiro da alegáda retoma. Só o descobrimos quando o Prof. Sinn leu o meu comentário – ele tinha utilizado o conceito “Supernova”. E tivemos razão, infelizmente.

A carga ideológica da constituição

Tal qual todas as outras esta constituição deve ser revista adequando-a aos tempos presentes. Retirando-lhe carga ideológica que não serve para nada, como se vê ao fim destes vinte anos, em que governados por um partido que se diz socialista e por outro que se diz social-democrata, temos um país mais pobre e mais desigual.

Se um partido ganha as eleições com um programa claro junto dos portugueses e não quer “caminhar para o socialismo”, nem considera adequado que o estado promova a saúde junto de todos os portugueses, só como exemplo, como se resolve a contradição?  Manda a constituição ou o programa sufragado em eleições livres?

Nos países sociais democratas do centro e norte da Europa (os tais onde se vive melhor) quando chegaram à situação a que nós chegamos, com um Estado enorme e vazio, gastador e abafador da iniciativa privada que cria riqueza, não discutiram o fim do Estado Social, discutiram a forma de o manter. E a forma de manter o Estado Social ( a maior conquista de sempre na esfera social) foi libertar a sociedade civil, fortalecer o empreendorismo, apoiar quem tem ideias e determinação.

Não usam o banco nacional (Caixa Geral de Depósitos) para a economia de casino (conforme notícia de hoje e que vem confirmar o que já se sabia) para controlar empresas e bancos privados, nem  usam “golden shares” para meter lá boys e girls, bem pelo contrário, apoiam as empresas inovadoras, de tecnologia, investigadores, pequenas e médias empresas que asseguram o essencial das exportações, do emprego e do PIB.

São os países sociais- democratas europeus onde se vive com níveis muito mais elevados do que nos pobres países onde a discussão se resume a ter um Estado que come 50% da riqueza ou, em alternativa, ter uma economia neoliberal, como se a social-democracia não esteja aí a dar lições de bem governar.

Não vale a pena agitar o papão dos “golpes de estado”. A democracia e o Estado de Direito são suficientemente fortes para garantir a defesa do Estado Social! Assim, na devida altura, não continuem a estar, militantemente, do lado errado da história!

Obama – a visão de um líder!

Hoje no Público, Tereza de Sousa fala sobre Obama: ” o mais acertado é não perder a confiança nas extraordinárias qualidades do Presidente americano”!

A visão de um líder que é capaz de perceber o que é essencial e capaz de juntar as condições necessárias para mudar. O Sistema Nacional de Saúde, o gigantesco pacote de estímulos à Economia, a reforma do Sistema Financeiro que acaba de ser aprovado no Congresso e, a lei que obriga que, todas as empresas cuja actividade envolva petróleo, gás natural e extracção de minérios em qualquer parte do mundo, declarem quanto é que pagam aos respectivos países onde operam. Sem isso, estas empresas não terão acesso ao mercado de capitais americano.O Financial Times diz em editorial: ” Os EUA acendem uma luz”! É a corrupção de estado que está na mira de Obama!

“Uma das maiores e mais profundas redistribuições de riqueza da história dos Estados Unidos”, O neocom Charles Krauthammer, famosos colunista do washington Post, aconselhava os seus amigos e apaniguados a não subestimarem um Político que olha para o médio e longo prazo – as duas reformas mais emblemáticas de Obama, vão alterar a sociedade americana porventura numa dimensão só alcançada por Roosevelt ou Johnson.

Bem à sua maneira, Obama, tendo a seu lado, Jim, Leslie e Denise (três jovens em dificuldades) e dirigindo-se á Nação, perguntou se aqueles que autorizaram que milhões de dólares de impostos tivessem sido devolvidos aos mais ricos, não apoiavam agora  pessoas como aqueles três jovens, que realmente precisam de ser ajudados.

Obama vê longe, muito mais longe, que os seus congéneres europeus que nada mudam para que tudo fique na mesma!