o processo educativo: ensino ou aprendizagem?

Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é curiosidade - Aquino

1. A questão

Todo o grupo social, como condição da sua continuidade, precisa de transmitir à geração seguinte a experiência acumulada no tempo. O facto de os membros individuais do grupo se estarem sempre a renovar, seja pela morte, seja pelo nascimento, dinamiza a necessidade de que essa experiência acumulada, que se denomina saber e que existe fora do tempo individual, fique organizada numa memória que permaneça no tempo histórico. Nos grupos sociais onde existe uma predominância da memória oral, o saber ou conhecimento materializa-se na sistematização ou classificação dos seres humanos em genealogias e hierarquias; nos grupos sociais onde predomina a memória escrita, o conhecimento materializa-se em textos que consignam factos e que são sujeitos de interpretação. Normalmente, a morte leva parte do saber reproduzir uma genealogia e da capacidade de entender uma hierarquia, ao mesmo tempo que leva a capacidade de

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O ensino privado religioso e a liberdade de escolha

Ainda sobre o ensino privado, e a liberdade de cada um educar os seus filhos de acordo com as respectivas convicções religiosas, no que dizem ser um exercício de liberdade e por vezes me parece ser mais um exercício de propriedade, recordo o velho princípio de que a liberdade de cada um acaba onde começa a dos outros. Neste caso a dos filhos, que são pessoas e não uma espécie de cãezinhos para amestrar.

De uma crónica de Manuel António Pina:

A notícia revelada na passada segunda-feira pela BBC de que em dezenas de escolas inglesas se ensina hoje que a homossexualidade deve ser punida com a morte por apedrejamento (ou lançando fogo ao “criminoso”, ou atirando-o de um penhasco) e os ladrões punidos cortando-se-lhes mãos e pés (com figura junta a explicar como se faz) tem que ser antecedida do mesmo “Acredite se quiser”.
A coisa passa-se numa rede de 40 escolas privadas onde as liberais e multiculturais leis britânicas permitem que sejam ministrados os curricula escolares sauditas. Segundo a BBC, além de na homofobia, os 5 mil jovens, crianças e adolescentes entre os 6 e os 18 anos, na sua grande maioria provavelmente de nacionalidade inglesa, que frequentam tais escolas, são igualmente educados no anti-semitismo (lê-se-lhes “Os protocolos dos sábios do Sião” e ensina-se-lhes que os judeus pretendem dominar o Mundo) e na intolerância religiosa (num manual destinado a alunos de 6 anos condena-se ao “fogo do Inferno” quem não acredita no Islão).

marx, durkheim e a teoria da infância

As crianças no devem ser punidas, devem ser ensinadas

Para os meus discentes do Curso de Antropologia do ano académico 2001-2002, que me motivaram para a pesquisa destas ideias. Estou agradecido, mudaram os meus pensamentos…

Não é à infância de Marx e Durkheim que eu me refiro. Refiro-me ao que eles afirmaram sobre a infância: meu tema preferido.

Pouco se sabe do facto de Émile Durkheim ter usado, conjuntamente com a sua equipa, o método do materialismo histórico para a análise da vida social. E, no entanto, no seu livro escrito em 1888, publicado como obra póstuma em 1928, Le Socialisme, Durkheim, faz uma apreciação da obra de Marx, editada em Dezembro de 1897, na Revue Philosophique, sob o título Essais sur la conception materialiste de l’histoire.

Que Durkheim saiba de infância, é um dado adquirido. Que Durkheim se baseie na obra da Marx, é desconhecido.

No seu livro, também póstumo de 1925, L’Education Morale, Durkheim diz que o filho de um filólogo não herda um único vocábulo. O que a criança recebe dos seus pais, são faculdades muito gerais (…), há uma considerável distância entre as [Read more…]

não se deixe enganar, Senhor Professor Doutor

sonho de todo discente que pretende ser docente

Para os meus antigos estudantes, hoje colegas de ensino, que atingiram o máximo degrau na hierarquia docente, enquanto nós vamos desaparecendo…e damos sítio e espaço a eles. É bom que saibam como é a vida académica: um tormento de solidão…

Vivemos e trabalhamos como pássaros sem descanso, não como andorinhas, mas sim como gaivotas, que sabem de forma instintiva como fugir à tempestade, apesar de nunca o conseguirem. [Read more…]

"Actualmente, as coisas estão ligeiramente diferentes, mas nem tanto"

Gravidez na Adolescência
Hoje em dia, a gravidez na adolescência tem vindo a aumentar cada vez mais em Portugal. As adolescentes, por vezes, não utilizam correctamente os métodos contraceptivos.
E, numa situação destas, as adolescentes são obrigadas a abortar porque não têm condições para cuidar dos bebés – pais sem meio de sustento, vida indefinida, namorados que não assumem a paternidade, etc..
Antigamente, os pais, quando sabiam que as filhas estavam grávidas, expulsavam-nas de casa e nem sempre eram bem aceites na sociedade. Mas um bebé traz muitas alegrias para as adolescentes e para os pais delas! Por outro lado, nem sempre o pai aceitava a paternidade, acabando apenas por perfilhá-lo no registo civil, mas, depois, não se interessava maia pela vida do seu filho.
Actualmente, as coisas estão ligeiramente diferentes, mas nem tanto. Existem mais métodos para evitar a gravidez, mas nem todas as adolescentes os usam e, por essa razão, há cada vez mais adolescentes grávidas. Também se verifica que há mais pais a assumirem a paternidade, continuando com o filho e com a mãe, apesar de separados. Em muitos casos, as adolescentes não têm condições para criar um filho.
São sempre situações complicadas para o desenvolvimento integral da criança, a qual não concorreu para esse quadro de vida*. Um filho traz muitas alegrias a uma casa, mas não é tudo na vida. Por isso, segue o nosso conselho: usa métodos contraceptivos, não queiras engravidar na adolescência!
Daniela Sousa, Sónia Sousa, Sara Silva
2º ano de Serviços Jurídicos”

Não sei se é pelo rigor científico de senso comum, se pela ausência de fontes ou se é pelo elevado nível de língua portuguesa que, quando o encontrei, quis emoldurar este texto. Encontrei-o na primeira edição  da revista da Escola Profissional de Braga (pág. 26, por obséquio).  Provavelmente não tenho o direito de m’admirar ou espantar a julgar pelo naufrágio que decorre na Educação em Portugal. Provavelmente estou a exigir demasiado de alunas de um 2º ano do curso de Serviços Jurídicos, saber juntar frases em parágrafos e com eles fazer um texto em língua portuguesa. Estou a ficar velho.

* gosto muito desta frase.

a morte do avô

O que o avô faz em vida

Não é em vão que Alice Miller recomenda, no seu texto de 1999, que a verdade liberta os seres humanos, as pessoas. Mas liberdade para quê? Talvez para o caminho do engano e da falsa verdade que o adulto tenta transferir aos pequenos, por causa do seu próprio temor. Ou, por causa da sua própria dor. [Read more…]

catequese e sexualidade infantil.manifesto de etnopsicologia da infância

o livro que manda o que todos os progenitores já sabem

No seu texto inédito, escrito para proferir aulas Pragmatisme et Sociologie, (texto nunca publicado, manuscrito na minha posse, retirado da Biblioteca Nacional de Paris) proferido na Universidade da Sorbonne de Paris, durante o ano de 1913-1914, o maduro socialista e materialista histórico, Émile Durkheim, comentava que os velhos deuses estavam mortos e que a religião estava em vias de mudança. No seu texto, no entanto, acrescentava, a morte da divindade não era in extremis, porque todo o ser humano precisa de ritos, ideias, ética, interacção moral, para cumprir com o seu dever de dar orientação na obrigatória criação dos seus descendentes. Donde, a religião, de qualquer denominação e credo, pelo menos define as relações entre pais e filhos, por outras palavras de definir as relações sócio éticas entre mães, pais, filhos, filhas e toda afectividade emotiva dentro das relações consanguíneas. A nossa língua não tem ainda conceitos para designar estas relações, excepto entre ascendentes, descendentes e linha consanguínea colateral, palavras sem música e indefinidas, é dizer, sem conteúdo pragmático.

Max Weber, o primeiro sociólogo alemão, entre 1904 e 1915, ocupou o seu tempo em definir conteúdos das confissões Chiita, Budistas, Luteranos, Calvinistas, Cristãos Coptos – a palavra copto faz referência na actualidade aos egípcios que professam as religiões cristãs – Cristãos Arménios A religião predominante na Arménia é o cristianismo. As origens da comunidade cristã arménia remontam ao século I.

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o conteúdo do processo educativo

Acabado o comercial Dia Internacional da Criança,toca trabalhar

Já lá vão uns anos quando, num artigo que publiquei na Revista Educação, Sociedade e Culturas, Nº 1, 1994, defini o conceito «processo educativo». Porém, nessa data e nessa definição, ficou por referir uma ideia importante que, por hábito, não nos lembramos que faz parte do processo educativo. Essa ideia é a análise da catequese nos países, como Portugal, que usam a teoria cristã para orientar a sua vida. Ideia que denomino, noutros textos publicados pela Editora Afrontamento, como a lógica da História. A Catequese, baseada no livro de Karol Wojtila de 1992 e de Bento XV de 1919, extraída da Summa Theologica de Tomás de Aquino (1267 e 1273), que por sua vez recorreu aos textos muçulmanos de Averröes e à obra de Aristóteles, defende que o corpo e a alma são uma continuidade que pensa, sente e raciocina com toda a liberdade, inseridos na Lei Natural, tendo por limite a Lei Civil e/ou Penal. Antes de uma criança entender o que é a relação íntima a dois, já lho é ensinado, por Catequistas, Missionários, Padres, Freiras, Professores e no universo da Casa. Ensino Doméstico que o teólogo liberal e moralista da Igreja Presbiteriana da Escócia, Adam Smith, orientado pelos textos de Jean Calvin de 1535, considera, no seu trabalho de 1759, A teoria dos sentimentos morais, como o melhor sítio para aprender hábitos e sentimentos. [Read more…]

Santana Castilho – O estado do país e do ensino

1. Ouvi recentemente Jorge Sampaio apelar e defender uma tese recorrente no discurso de políticos informados e sensatos. Segundo eles e a respectiva tese, em momentos críticos temos que nos concentrar no “essencial”. Este é o vocábulo assassino: “essencial”. No caso em apreço, tratar-se-ia de responder com vigor “à especulação financeira”, que assestou baterias contra a frágil economia portuguesa. No mesmo sentido, sucederam-se comentários e declarações, de plurais procedências, invocativas da “compreensão” e do “bom senso”dos partidos políticos, dos cidadãos e das organizações sindicais. O poder branqueador do que se sugere ser “essencial” (num ambiente carregado de dramatismo como é um cenário de bancarrota) propõe às vítimas de anos longos de erros e tropelias que se aliem incondicionalmente aos respectivos responsáveis porque, “agora”, é “essencial” salvar o povo da bancarrota. É pobre como desígnio nacional. É triste que em 36 anos ainda não tenhamos saído daqui.

2. Li no site oficial da FENPROF:

“… Só por ignorância ou má fé alguém pode afirmar que os sindicatos e, em particular, a FENPROF, não têm feito tudo o que está ao seu alcance para impedir que a avaliação de desempenho seja considerada para efeitos de concurso.

… Na história da democracia portuguesa … têm sido muitos os momentos em que as organizações que lutam pelo futuro e pelos direitos dos cidadãos sofrem os mais variados ataques movidos por pessoas e entidades instrumentalizadas pelo poder político e pelos interesses estabelecidos”. [Read more…]

Professores: a estabilidade factor de êxito

Já aí está novamente a discussão entre sindicatos e ministério. Não me vou meter por aí porque as coisas podem demorar muito tempo mas acabam por ir ao sítio.

Mas esta questão da estabilidade do exercício dos professores, extravasa em muito a escola, é comum a todas as organizações e, por isso, “não vou levar reguadas”. Começo por contar um facto da minha vida profissional. Jovenzinho saiu-me a sorte grande, fui contratado para uma multinacional com capitais americanos e espanhóis, que além de me pagar bem, ensinou-me muito, fez-me viajar muito e aprender nas várias fábricas e aviários que tinha por esse mundo. [Read more…]

Ter ou não ser (Memória descritiva)

Talvez Shakespeare pudesse ter formulado a famosa dicotomia deste modo – To have or not to be – that is the question. Contudo, para que assim tivesse sido, teria de conhecer a sociedade actual onde, para se ser, para se existir, é preciso ter. Nos nossos dias, perder tempo com introspecções sobre o ser ou o estar? Inútil, pois uma coisa e outra confundem-se – uma olhadela à conta bancária resolve a questão. Se tem, é e está. Não tem? Não existe, é como se não estivesse.

E, no entanto, ainda há poucas décadas, Jean-Paul Sartre e o existencialismo afirmavam a prevalência do ser e o primado da existência sobre a essência, afirmando que a primeira antecede e governa a segunda. Mas o bom William viveu a época em que os dados acabavam de ser, décadas antes, lançados por Lutero e a semente não produzira ainda os seus perversos frutos. O protestantismo vinha impor o dever da riqueza, o pecado de ser pobre e de um homem não poder prover todas as necessidades da sua família, por oposição ao catolicismo que defendeu sempre (e persiste) na pobreza como virtude. E a igreja de Inglaterra aderiu à Reforma, mas não às teses de Lutero. O anglicanismo erradicou o papa, mas conservou toda a restante parafernália herdada de Roma. [Read more…]

"Socretinismo"

 A frase de A. Pinto Pais “o socretinismo comanda, qual doença contagiosa, uma enorme rede de interesses, que se estende até serventuários de meia tigela” merece o destaque de um título, tão incisiva e oportuna ela é.

Não tenho tido, por várias razões, qualquer vontade de escrever. Ou então são tantos os assuntos que me enojam que prefiro não lhes mexer, para não aguentar o mau cheiro. Mas esta frase de A. Pinto Pais espevitou-me. Socretinismo!

 Mas mesmo espevitado não consigo dizer duas. É uma inépcia total. Gostaria por exemplo de saber porque razão não mais se viu ou ouviu qualquer notícia acerca do último escândalo sucateiro onde havia suspeitas de estar enfiada uma vereadora da Câmara do Porto, professora de Ética. Nickles! Será difícil imaginar que poderes abafadores estarão por detrás deste silêncio? Socretinismo! [Read more…]

Faltam 430 dias para o Fim do Mundo

E as famílias já dão os primeiros sinais claros da enorme crise que se abate sobre os portugueses, em especial a classe média (ainda existe?). E temos mesmo que gritar, berrar, não calar esta tendência estranha de controlo governamental dos media. E este governo já segue o cherne.

Os números não enganam

Para quem ainda tenha dúvidas:

A Fenprof frisa, por outro lado, que o Orçamento para 2010 poupa com a escola pública, mas reforça a despesa com o ensino particular, o que acarreta uma desvalorização do primeiro. As dotações previstas para o ensino particular e cooperativo registam um aumento de 2,5 por cento.  Público

O objectivo deste governo é mesmo privatizar o ensino, como de resto tudo o que conseguir dos diversos serviços públicos. É a velha obediência aos interesses dos negociantes, que segue a velha e fantástica lógica: se os serviços podem dar lucro a alguém, e se esse alguém for nosso amigo, entrega-se-lhe o serviço.

Quem é que falou em diminuir a despesa pública?

A Evolução do Ensino

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A Interessante evolução do ensino

Que tristeza…..
A evolução do ensino de Matemática!
Na semana passada comprei um produto que custou 1,58€.

Dei à funcionária da caixa 2,00€ e 8 cêntimos, para evitar receber ainda mais moedas.

A rapariga pegou no dinheiro e ficou a olhar para a máquina registadora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar-lhe que tinha que me dar 50 cêntimos de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para a ajudar.

Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar-lhe aquilo que aparentemente continuava sem entender.

Por que estou a contar isto? Porque dei conta da evolução do ensino de matemática
desde 1958, altura em que entrei para a escola primária.

Parece-me que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1958:

Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00.
O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda .
Qual é o lucro?
2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00.
O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de
venda ou seja, 80$00.
Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00.
O custo de produção desse carro de lenha é 80$00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00.
O custo de produção desse carro de lenha é 80$00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )20$00 ( )40$00 ( )60$00 ( )80$00 ( )100$00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00
O custo de produção desse carro de lenha é 80$00.
O lucro é de 20$00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:

Um lenhador vende um carro de lenha por 100,00€.
O custo de produção é 80,00€.
Qual é o lucro?
Se você souber ler coloque um X no 20,00€.
( )20,00€ ( )40,00€ ( )60,00€ ( )80,00€ ( )100,00€

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100,00€.
O custo de produção é 80,00€.
Qual é o lucro?
Se você souber ler coloque um X no 20,00€.
Se você for filiado no Partido Socialista, não precisa responder, porque o seu diploma está garantido.
( )20,00€ ( )40,00€ ( )60,00€ ( )80,00€ ( )100,00€

O que se diz por aí

A detenção de dois presumíveis membros da ETA em Portugal, levanta sérias preocupações de segurança, tanto mais em plena presidência espanhola da UE. Há que garantir a máxima colaboração e partilha de informação entre forças de segurança portuguesas e espanholas. A ver vamos ver o que diz o Ministro Rui Pereira.
Mas para os espíritos não aquecerem muito, eis que temos neve no Porto e um pouco por todo o país, com o clássico encerramento dos acessos à Serra da Estrela. A neve já terá chegado a Portalegre e Évora. Vai ser já grande motivo de reportagens com carros a patinar e autoridades a apelar à calma, para mostramos aos norte-americanos, canadianos e afins que também temos cá disto. Julgam que isto é só sol e praia, não?
E isto do frio não é só por cá, o que pode ser bom negócio: que o diga o capote alentejano, cada vez mais apreciado na Europa.
E por falar em frio, Mourinho esteve ao rubro ao ver o seu Inter a conseguir ganhar ao último classificado, o Siena, apenas nos últimos minutos do jogo. A continuar assim, um dia prescinde do seu sobretudo.
Já no Reino Unido, um estudo revela que a faixa etária dos 16 aos 25 representa uma “Geração perdida” por falta de opções de trabalho e de carreira. Por cá a realidade não será muito diferente: reformas cada vez mais tarde, ensino desarticulado das necessidades do mercado de trabalho, ensino de mérito e qualidade duvidosos, e endividamentos familiares tantas vezes sem sentido, não são bons auspícios para o caso português. Ainda para mais quando se sabe agora que até as contas bancárias da Justiça em Portugal são duvidosas. Com exemplos destes estamos à espera de quê?
Por fim, uma boa notícia, vinda da Ministra Dulce Pássaro, que prometeu resolver a questão das suiniculturas durante esta legislatura. É uma boa notícia, se se concretizar a intenção, obviamente, pois que as suiniculturas continuam a ser uns dos mais graves focus de poluição do país. É caso para dizer que é mais que tempo de se resolver esta porcaria.

Pois tá claro!

O Bastonário da Ordem dos Médicos tem toda a razão: corre-se o risco de haver excesso de médicos em Portugal. E é fácil de ver isso em qualquer centro de saúde. Mesmo naqueles que não têm médico de família. Ou nos hospitais em que o médico fala em galego.

O problema em Portugal não é a falta de médicos, mas sim o excesso de doentes.

Há doentes a mais, meus amigos.

Não foi à toa que se introduziu “taxas moderadoras” já no tempo dos governos de Cavaco Silva, porque já então se percebeu que era preciso moderar o povo que tinha a mania de ir para os hospitais fazer exames, cirurgias e afins.

Isto não pode ser!

É como a Justiça: ela funcionaria bem melhor se não fossem tantas pessoas e empresas a recorrer a ela. Por isso se está a desviar os assuntos paras as conservatórias, para os notários, julgados de paz e afins. Para libertar os tribunais dessa gente que vai para lá atafulhar tudo com processos só porque alguém lhes deve dinheiro, ou porque querem partilhar bens comuns, ou porque lhe deram nos olhos, ou seja lá pelo que for.

Há doentes a mais.

Há gente a pedir Justiça a mais.

A continuar assim, vai ser necessário começar a exportar mais gente para o estrangeiro, pois a emigração forçada pelo alto desemprego que vivemos não parece chegar…

Manifesto pelo fim da divisão na carreira VI

No seguimento de alguns dos posts anteriores, permitam-me que aborde uma questão central nesta discussão: de um lado os professores. Do outro o país.

Esta foi a formulação básica (em todos os sentidos) que o ME usou – dizem agora, os que estão de saída, que a culpa foi do assessor, mas eu, que vejo muitos filmes, acho sempre que o Mordomo nunca é o culpado.

Vamos imaginar que o modelo de avaliação (que não está em prática porque o que existe é uma anedota) e o estatuto (outra aberração) são os melhores do mundo.

Sim, eu sei que é um esforço grande, mas tentem.

O.k. Está a ser complicado… deixa ver… conseguiram? Não…

Mas, vamos fazer de conta, a sério… Mesmo a brincar, do tipo, é a sério.

 

O que é que melhorou na vida e nas aprendizagens dos nossos alunos com esta trapalhada toda?

Depois de 4 anos de um (des)Governo maioritário e ditatorial na Educação, o que é que melhorou na Escola Pública?

Quantos Pais, hoje, depois de 4 anos, preferem meter os filhos na Escola Pública do que numa instituição Privada?

Porquê?