Aqui está, o artigo do Pacheco Pereira no Público de hoje. Nem faço a ressalva de não concordar com tudo, o que é óbvio, a História tem o condão de unir os que a estudaram, e basta.
Os 80 magriços do calendário.
Primeiro hesitei: existem, realmente, 80 historiadores em Portugal? Depois, reflecti e, embora contente com a descoberta, pensei melhor questionando-me novamente: Portugal tem apenas 80 historiadores ? Como não tinha a certeza do rácio entre historiadores e população no resto da Europa quedei-me reflexivo sobre o assunto. Não obstante este meu monólogo, discerni que a movimentação dos 80 historiadores portugueses quanto à abolição dos feriados 5 de Outubro e 1 de Dezembro só podia ser uma cartada de mau gosto neste jogo político em que o nacionalismo é o Ás de copas que estimula desde as bancadas parlamentares do Bloco ao CDS e o cidadão comum. Se existem 80 historiadores em Portugal capazes de defender algo tão puramente simbólico e bairrista como dois dias do calendário nacional, onde estavam eles quando foi necessário defender a qualidade da investigação histórica, falar alto contra a diminuição do ensino da História no plano educativo nacional ou, mais recentemente, tomar atitude enérgica contra a perda de autonomia dos Museus Portugueses que muito em breve serão entregues a comissões de gestão regionais dirigidas por bur(r)ocratas de chinelo? Enfim, onde se escondem estes 80 historiadores nos restantes 363 dias do ano? [Read more…]
Os bobos do povo.
Não sei se já repararam que, geralmente, os mais imbecis têm tendência a evidenciar-se entre os prudentes. Com frequência um imbecil faz tudo para sobressair, porque a mediocridade inibe a imaginação e, por conseguinte, a inteligência. O Bruno Nogueira e o Manuel Jorge Marmelo fizeram esta semana duas crónicas, uma lida (na TSF), outra escrita(no jornal Público), sobre a monarquia que é bem o reflexo dos seus apelidos: a noz é apetitosa, mas é preciso partir-lhe a casca e o Marmelo…bem para além do uso culinário, muito mais haveria a dizer sobre este fruto. Eu, se tivesse algum destes dois apelidos, habituar-me-ia a ser discreto e menos jocoso. [Read more…]
A direita, a traição e as putas
Em 1383 o grosso da nobreza, principalmente a detentora do morgadio, tomou o partido de João de Castela. Em 1580 repetiu-se o filme, desta vez apoiando o rei Filipe. Em 1640 saem a correr 40 aristocratas, em desespero, porque a populaça andava a fazer alterações nas ruas, não apenas contra o rei Filipe III mas já contra todo o poder que a empurrava para a absoluta miséria.
Ainda podia acrescentar uns episódios oitocentistas. É sempre assim, a nossa direita anda sempre com a pátria na boca mas trai por tradição Portugal quando chega a hora da verdade.
Recordo isto na semana em que dois pré-ocupantes alemães começaram a verbalizar o que se vai seguir: humilhação internacional de Portugal através da sua máquina de propaganda, até ao estádio grego actual e o que se vai seguir.
O silêncio da nossa direita (nem toda, é verdade, mas da maioria) tem o ensurdecedor rufar da História. Sempre as putas do costume.
À memória de Manuel Buíça e Alfredo Costa
Lisboa, lambida na suavidade do seu sol de Inverno, só tinha olhos para as vitrinas, onde se mostravam os bustos dos assassinos reais craionados ou em fotografia.
Uns comerciantes arvoravam-nos por simpatia, outros pelo reclame que constituíam esses quadro, pois centenas de pessoas paravam a contemplá-los. Havia quem os afixasse por imitação. Não apareciam as manifestações de saudade para com o Rei nessas exibições: o seu rosto e o do seu filho apenas se podiam ver através dos vidros das urnas fúnebres. (…)
Por fim deixara-se livre a entrada no necrotério e a multidão era tanta que se tornara necessário, a fim de evitar as brutalidades dos empurrões, encharcá-la com agulhetas do serviço. Era assim às primeiras horas e as autoridades estavam tranquilas, diante das manifestações, não vendo o advento da República em cada uma dessas curiosidades de convictos ou de aderentes. A exaltação pela memória dos matadores tinha um ar de alucinação colectiva em certas camadas; as mulheres repeliam esse culto e choravam pelos assassinados; rezavam. (…) [Read more…]
485 pequenos Gandhis
(imagem: Portal de Morro Agudo.com)
Foram quase 500, as crianças que se fantasiaram na Índia no passado domingo 29 de janeiro, imitando o líder pacifista indiano e marcando os 64 anos da morte de Gandhi (30 de janeiro de 1948).
Organizações não governamentais realizaram o evento com a participação de 485 crianças carentes, numa marcha pacifista, como não poderia deixar de ser.
Estes meninos marcaram um novo recorde do Guiness de pessoas reunidas vestidas de Gandhi.
Não obstante as dificuldades que já conheceram (muitos sem pais) e que enfrentarão no futuro, que fique pelo menos a lembrança deste dia tão especial nas suas vidas em que foram estrelas, em que se viram fotografadas e conhecidas pelo mundo, ficando na história do Guiness…
Mas que fique na sua memória, acima de tudo, a mensagem de Gandhi: a luta pela verdade e pela não violência.
Um ótimo modelo a seguir, a imitar, pela vida fora.
Abolição de feriados ou corveia?
A corveia (do latim corrogare, exigir, através do francês corvée) é o trabalho gratuito que no tempo do feudalismo os servos e camponeses deviam prestar ao seu senhor feudal ou ao Estado durante três ou mais dias por semana
Para já levamos com quatro dias de corveia este ano. Portugal sempre em frente, a caminho da plenitude feudal.
Quem se mete com a República um dia leva
O Governo vai propor aos parceiros sociais a eliminação do 5 de Outubro e do 1.º de Dezembro, da lista de feriados obrigatórios, anunciou hoje o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. in Público
Não me vou repetir, não é por denunciar a mentira 100 vezes que a máquina de propaganda deixa de a transformar em verdade.
Hoje dá na net: África, Adeus
Vê isto e aposto que não dormes esta noite!
Nunca pudeste ver estas imagens, censuradas pela gente do politicamente “correcto”. Foi isto que deixámos para o “depois de nós”. Bom proveito!
Italiano, legendado em espanhol, ficha Imdb.
Quem não sabe é como quem não vê
Deixando de lado a questão de fundo com que já se entreteve o Paulo Guinote, há no artigo do Daniel Oliveira agora republicado no Arrastão um detalhe de somais importância, este:
O fim da Formação Cívica bate certo com tudo o resto. A escola não forma cidadãos, forma amanuenses. E nada como cidadãos ignorantes dos seus direitos e deveres para continuarem a aceitar tudo de braços cruzados.
que me toca profissionalmente. Tento não escrever sobre educação no Aventar, onde no activo estamos quatro professores (bem regressado sejas João Paulo, espero que não te eclipses outra vez quando o teu Sport Lisboa chegar à páscoa), mas há limites.
A dita Formação Cívica começou por ser uma Formação Pessoal e Social alternativa para os alunos que não tinham Religião e Moral, à mesma hora, como era de bom tom. Caiu o Carmo, a Trindade e deve ter ajudado a cair alguém no governo, íamos na década de 90.
Quando entrou em vigor, leccionada por quem estivesse mais à mão, acompanhou a genial ideia de cortar tempos e tempos lectivos à Geografia e à História. Como era previsível transformou-se num passatempo entre a prevenção rodoviária e o complexo mundo do civismo, que dá para tudo e não serve efectivamente para nada.
Os cidadãos, Daniel Oliveira, como deves ter percebido quando andaste na escola, formam-se enquanto tal aprendendo História e Geografia, que foram as vítimas de serviço ao anabenaventismo que tanto te comove. No caso da História ficámos com a mesma História da Humanidade para ensinar, mas com menos umas 70 aulas no 3º ciclo o que naturalmente se traduz em mais memorização e muito menos importância dada ao perceber porquê.
Que isto tenha tido uma maternidade supostamente de esquerda (e nem estou a pôr em causa que os seus responsáveis o sejam na sua vida quotidiana), tem de ser visto à luz do papel dos mestrados da bosta (calão docente da década de 80), vulgo Boston, e das ESE’s onde inventaram o eduquês, a cretinização do ensino que ainda sobrava de Magalhães Godinho.
A Formação Cívica serviu para formar amanuenses, à conta da ignorância no saber social e humano das disciplinas fundamentais. Esta é a realidade, sobre a qual podia recolher várias anedotas, mas nisso sou muito corporativo e fico muito caladinho.
Sobre aquilo que começou com Vasco da Gama e acabou faz agora 50 anos
Contêm partes eventualmente chocantes e uma das razões porque ao passar na Ponte Vasco da Gama tenho vergonha de ser português.
Então [Vasco da Gama] mandou aos batéis que fossem roubar os pageres que eram dezasseis e as duas naus, em que todos acharam arroz e muitas jarras de manteiga e muitos fardos de roupa. Então tudo isto recolheram aos navios e a gente toda das naus grandes, e mandou que recolhessem o arros que quisessem, que tomaram quatro pageres, que vazaram, que não quiseram mais. Então o capitão-mor mandou a toda a gente cortar as mãos e orelhas e narizes e tudo isto meter em um pager, em o qual mandou meter o frade [o brâmane que, ao chegar a frota a Calecute, entrou a bordo] também sem orelhas, nem nariz, nem mãos, que lhas mandou atar ao pescoço com uma ola para ele-rei, em que lhe dizia que mandasse fazer caril do que lhe levava o seu frade.
E a todos os negros assim justiçados mandou atar os pés, porque não tinham mãos para se desatarem, e porque se não desatassem com os dentes com paus lhes mandou dar neles que nas bocas lhos meteram por dentro, e foram assim carregados uns sobre os outros, embrulhados no sangue que deles corria, e mandou sobre eles deitar esteiras e ola seca e lhes mandou dar as velas para terra com o fogo posto, que eram mais de 800 mouros, e o pager do frade com todas as mãos e orelhas também à vela para terra sem fogo, com que foram logo ter a terra, onde acudiu muita gente a apagar o fogo e tirar os que acharam vivos, com que fizeram seus grandes prantos.
Gaspar Correia, Lendas da Índia
A nossa decadência nestas partes é inteiramente devida ao facto de tratarmos os nativos como se fossem escravos e pior do que se fôssemos mouros
António de Melo e Castro, Vice-Rei da Índia, 1664
Retirado da compilação Ministros da Noite, Livro Negro da Expansão Portuguesa, de Ana Barradas, Antígona, 1991
Há 50 anos, a invasão
Quando Soares visitou Goa, uma cerimónia esperava-o no Palácio do Hidalcão e as necessárias formalidades protocolares foram cumpridas.
Ao ver a bandeira portuguesa subir no mastro, um velho goês, ostentando as suas condecorações dos seus tempos de servidor do Estado Português da Índia, disse a quem o quis ouvir, neste caso os milhões que na altura seguiam o telejornal da RTP:
-“Há trinta anos que esperava por este momento!”
Como já se tornou habitual, Soares regressou de Goa, Damão e Diu, declarando-se “espantado” pela ainda tão forte presença nacional naqueles territórios. Se isso lhe serviu de lição às balelas ocas que o Esquema vigente propala, ou contribuiu com algo que pudesse acarinhar aquelas gentes e manter os laços culturais com a antiga pátria, essa é uma outra questão. Aliás, nem sequer é questão, pois não existe.
São necessários mais professores, estúpidos!
Se é certo que defendo que é a solidariedade que deve presidir à actuação do Estado e que, portanto, me faz muita confusão que se fale em despedimentos como se as pessoas fossem objectos que se podem pôr no lixo, não me custa, igualmente, reconhecer que o Estado não tem a obrigação de garantir emprego a qualquer cidadão. Assim, é óbvio que o Ministério da Educação não tem de ser visto como uma agência de emprego que ofereça colocação a todos os que queiram ser professores.
É, então, fundamental que se analisem as necessidades das escolas, para que se possa saber quantos professores são, efectivamente, necessários. Não será admissível outro critério, sob pena de se estar a pôr em risco aquilo que verdadeiramente interessa: a educação dos jovens. Na pior das hipóteses, e aceitando que estamos em crise, poder-se-ão discutir medidas transitórias decorrentes de uma austeridade que, pelo menos, a Chanceler da Alemanha considera imperativa, mas isso é outra questão.
Desde 2005, têm sido tomadas várias medidas que tiveram como reflexo o aumento do desemprego entre os professores. Esse processo iniciou-se com Maria de Lurdes Rodrigues e prossegue com o actual ministro, afectando milhares de docentes que não têm conseguido entrar nos quadros, apesar de darem aulas, por vezes, há mais de dez anos. Também com a actual equipa, mantém-se um discurso de omissão relativo a esse problema, sendo sinal disso a não resposta do Secretário de Estado João Casanova de Almeida, ao dizer que os professores do quadro não seriam afectados pela revisão curricular, depois de lhe ter sido perguntado quais seriam os efeitos dessa mesma revisão sobre os professores contratados. [Read more…]
Rupturas
Com a Revolução do 25 de Abril, milhões de trabalhadores e de jovens, de todos os sectores da sociedade portuguesa, uniram-se para tomar em mãos os seus destinos.
Apostaram, então, na construção de uma nação livre e independente, que proclama a paz, que quer um País assente na justiça social, na saúde, na qualificação e na cultura, na cooperação entre os povos.
Um segmento importante destes homens e mulheres, destes jovens, voltou-se para o Partido Socialista (PS), construíram-no como o partido que defendia os sindicatos livres (unidade sindical) e independentes, a liberdade e a existência das comissões de trabalhadores, a banca nacionalizada (ao serviço da economia nacional), bem como da nacionalização dos sectores vitais da economia (transportes, energia, comunicações), para uma sociedade democrática e de progresso. [Read more…]
Petição sobre a dívida da Alemanha à Grécia em reparação pela invasão na II Guerra Mundial
Justification – In Detail
In the summer of 1940, Mussolini, perceiving the presence of German soldiers in the oilfields of Romania (an ally of Germany) as a sign of a dangerous expansion of German influence in the Balkans, decided to invade Greece. In October 1940, Greece was dragged into the Second World War by the invasion of its territory by Mussolini. To save Mussolini from a humiliating defeat, Hitler invaded Greece in April 1941. Greece was looted and devastated by the Germans as no other country under their occupation. The German minister of Economics, Walter Funk, said Greece suffered the tribulations of war like no other country in Europe. |
Justificação – em detalhe
No Verão de 1940 Mussolini, apercebendo-se da presença de soldados alemães nos campos petrolíferos da Roménia (um aliado da Alemanha), considerou isso um sinal perigoso da expansão da influência alemã nos Balcãs e decidiu invadir a Grécia. Em Outubro de 1940, a Grécia foi arrastada para a Segunda Guerra Mundial pela invasão do seu território. Para salvar Mussolini de uma humilhante derrota, Hitler invadiu a Grécia em Abril de 1941. A Grécia foi saqueada e devastada pelos alemães como nenhum outro país durante a ocupação alemã. O Ministro Alemão da Economia, Walter Funk, assumiu que a Grécia sofreu as atribulações da guerra como nenhum outro país da Europa. |
Amanhã, “Das Partes do Sião”
Neste resvalar identitário da nossa nação, poucos portugueses saberão que existe uma “outra Inglaterra”, na Ásia. De facto, Portugal foi o primeiro país europeu a estabelecer um Tratado de Aliança com uma potência asiática há precisamente 500 anos. Nisto também fomos pioneiros e a nossa influência fez-se sentir de forma decisiva nos quatrocentos anos que se seguiram à primeira embaixada enviada ao Sião.
Comemoram-se os 500 anos do estabelecimento de relações diplomáticas e a Biblioteca Nacional de Lisboa, inaugura uma grande exposição evocativa. O Aventar não deixará de estar participar no acontecimento, testemunhando o nosso interesse por tudo aquilo que diz respeito a uma história tão única quanto rica. O Sião está presente n’Os Lusíadas, na Peregrinação, nas Décadas de Barros e nas Lendas de Gaspar Correia. Cobra parte relevante na preciosa documentação dos séculos que seguiram à missão enviada pelo grande Albuquerque e este património da nossa diplomacia, culmina nas visitas de S.M. o Rei Chulalongkorn (Rama V, em 1897) e de S.M. o Rei Bhumibol Aduliadej (Rama IX, em 1961) ao nosso país. Para os tailandeses, não somos “uns quaisquer”.
Esta exposição honra Portugal, exalta aquilo que ainda é uma Pátria. Desde já estão todos convidados para as cerimónias da inauguração, onde a já proverbial falta de um Presidente, será compensada pela comparência do sucessor daqueles que ajudaram a construir aquilo que ainda somos: S.A.R. o Duque de Bragança. Amanhã, pelas 18.00H de 7 de Dezembro, também se cumprirá Portugal.
Hoje dá na net: Caminho de Ferro de Benguela, a história de uma linha de comboio
É uma história de ingleses, portugueses e angolanos.
Uma história de impérios, de colonialismos, de independências, de guerras civis, de processos de paz. Um olhar sobre o passado, o presente e o futuro de uma linha de comboio em África, a linha do C.F.B. (Caminho de Ferro de Benguela), da baía do Lobito à República Democrática do Congo.
É uma história de cidades construídas e destruídas, de gerações a olhar o “Kamakove” ou a sua ausência, de restos de viagens, de fumo e de vapor, de faúlhas, de vida e morte à beira linha.
Este documentário é composto por 11 partes. A primeira parte, tal como a última, são sequências fotográficas.
A menina da fotografia
A menina da fotografia cresceu e chama-se Maria da Conceição Tina saiu no Público esta semana. Patrícia Carvalho pegou no depoimento da hoje mulher e professora que nos anos 60 foi a menina retratada por Gerard Bloncourt numa fotografia ícone da emigração portuguesa em França e teve aquele toque de génio que faz a jornalista desaparecer do texto e dar-lhe a magia de um depoimento.
É uma pequena obra-prima: está ali a História, do que fomos e somos, a beleza de uma mulher que se abre revelando a memória, a teia que força hoje a sua filha desempregada a emigrar (as repetições na História são ambas tragédias), conta-nos como a mulher só este ano se soube a menina retratada e fotografa-lhe a vida que foi a de tantas meninas e meninos, nem todos com um final quase feliz.
Parabéns a Patrícia Carvalho, a Gerard Bloncourt e a Maria da Conceição Tina, e deixo-vos aqui o pdf para que estas páginas circulem pela rede, partilhem, partilhem sff, num tempo de cinzas há sempre um raio de sol onde a vida da gente também sai no jornal.
Baixar A menina da fotografia
Para quem não acredita
Eles não sabem ou não querem saber. Pedras vividas por tantas gerações, por vezes estimadas, noutras tantas abandonadas. O saber fazer em grande e com beleza, o sentido prático das coisas que marcam presença e que hoje serviriam de inesquecível lição a quem jamais quis aprender. Um Portugal bem maior que aqueles 10 milhões de consumidores de produtos estrangeiros a que nos reduziram. Um Portugal de várias cores, de vários dizeres de português. Há que redescobri-lo e agora – ainda estamos a tempo – sem os complexos, peias ou aguilhões de tutelas, voltarmos a ser quem fomos. Tantos os “de lá” como os “de cá”, são hoje iguais e essa poderá ser a grande força que nos falta.
Hoje dá na net: A Vida dos Sons

A Vida dos Sons, disponível para ouvir no site da Antena 1 e na respectiva página do Facebook, é um «programa semanal que pretende dar a conhecer o Arquivo Sonoro da Rádio Pública Portuguesa». Ana Aranha e Iolanda Ferreira com Vanessa Augusto – sábados, às 9h (para além de poder ser ouvido on demand).
Nesta data, já há programas para os anos de 1936 até 1944.
Nota: o programa tem um genérico inicial de dois minutos e meio. Um pouco de paciência, portanto.
De Moçambique
Aqui apresentamos um novo blog que decerto nos contará “estórias” ainda desconhecidas de um Moçambique que para sempre desapareceu. Para que a memória não se perca.
“É que Lourenço Marques mais não era do que uma vilória com pretensões e algumas benesses de que a menor era uma praia enorme que se estendia aos seus pés e se prolongava por quilómetros até à Costa do Sol onde existia um restaurante cervejaria, famoso pelos camarões e a cerveja geladinha, a “Laurentina”. Ora está bem de ver que nesses anos 40 e 50 do séc. XX, laurentinos e laurentinas eram os naturais da cidade que só depois passaram a ser chamados de “coca colas” em consequência da introdução desse refrigerante no consumo citadino. É que Moçambique usufruía da regalia de poder beber o refrigerante, aliás, muito menos açucarado do que o mesmo produto que se vende no cantinho português da Europa. Dizia-se, à boca pequena, que Salazar não deixava produzir a bebida em Portugal Continental só para fazer ferro aos americanos que não o apoiavam como ele desejava!”
7 de Dezembro, na Biblioteca Nacional
Por intermédio do Combustões, recebemos o convite para a inauguração da grandiosa exposição que comemora os 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia (Sião). A preciosa documentação exposta, entre cartas, Tratados e Convenções, literatura e fotografia, atesta a forte presença cultural – que também já foi política, religiosa e militar – portuguesa naquele reino asiático. Um catálogo ilustrado, marca o início das comemorações que decorrerão durante os próximos meses.
Uma boa notícia: aquela gente afim de BPN, BPP, Freeport, Covas daqui e dali, Liscont, aeroportos “já-mé”, auto-estradas de e para nenhures, acções fora da Bolsa, sucatas e pescarias de robalos, etc, etc, estará na Biblioteca Nacional noutro horário. Isto evitará encontros desagradáveis aos leitores do Aventar.
O Sonho e a Europa
A Alemanha liderada por A. Merkel anda a brincar com o fogo. O fogo, neste caso, é a União Europeia. É por isso que sou levado a concordar, em boa parte, com o que afirmou Mário Soares:
Nos primórdios da nossa adesão à CEE torci o nariz. Talvez fruto da adolescência e, certamente, de muito desconhecimento da história e enorme falta de experiência de vida, aliada à natural irreverência da idade, navegava em águas de exagerado nacionalismo. O passar dos anos bastou para perceber o equívoco. A Europa “quase” sem fronteiras, a evolução das pátrias para as regiões e um maior conhecimento do passado e da realidade foram essenciais. Sem esquecer algo que considero fundamental: quanto mais “mundo” se conhece menos se gosta de fronteiras. Quem sabe se não será uma utopia mas, para mim, a Europa “continental” vai de Sagres até para lá dos Urais sem esquecer a Turquia. É essa a Europa que defendo. Uma utopia? Talvez. É a minha. E olho para ela como um primeiro passo para o fim global das fronteiras. Se os mercados são globais, podem as velhas pátrias sê-lo plenamente.
Somos a geração das redes sociais sem fronteiras. Somos a civilização que acompanha, a par e passo, a eleição de Obama como se fossem as nossas eleições presidenciais. Somos o planeta que pára para ver a final do campeonato do Mundo de Futebol ou o atentado terrorista nas Torres Gémeas. Somos os filhos do Live Aid, os netos dos jeans e, sobretudo, os herdeiros da Democracia, da Liberdade de Expressão e da Igualdade entre os Povos. Nós somos, todos e em toda a parte, o resultado das aventuras e desventuras do filho de Laertes.
A procura do luto

Los fuzilamientos del 3 de Mayo no Madrid Bonapartista. Como os do Chile entre 1974 e 1989, que Sónia Ferreira estudou no sítio, orientada por mim.
Há lutos e lutos. Pela perda de um ser querido, por salvar à Pátria, por se rebelar contra militares assassínios, como no caso do Chile, que Sónia Ferreira estudou, com profunda tristeza, acompanhando as viúvas e mães que não conseguiam encontrar maridos e filhos. Tinham sido assassinados mas não perdiam a esperança… [Read more…]
Feriados: o 5 de Outubro e o tratado em Zamora que não é nenhum tratado
A importância de ter um feriado na data em que Portugal se refundou, deixando o medieval tempo dos soberanos por direito hereditário derivado da imprevidência divina, nem precisa de mais explicações. A I República teve os seus defeitos mas temos com ela a virtude de bem ou mal eleger quem nos governa, após 48 anos de interregno.
Há contudo outro 5 de Outubro, para quem tem da História a visão do Estado Novo: revisionismo, mentira e efabulação. É o caso dos que julgam comemorar nessa data o aforismo fascista do “quem não sabe a data de 1143 não é bom português” e dizem comemorar o “Tratado de Zamora“. Ora vamos lá ver, o Tratado de Zamora muito simplesmente não existe e nem é provável que tenha existido.
A 4 e 5 de Outubro de 1143 teve lugar em Zamora um encontro entre Afonso Henriques, Afonso VII e o Cardeal Guido de Vico, legado do papa Inocêncio II. Após o episódio de Arcos de Valdevez (1140) e mediado por João Peculiar “os dois primos assentaram na cessação das hostilidades“.
É este um episódio determinante na fundação de Portugal? nem por isso. [Read more…]




















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