Artur Carlos de Barros Basto e uma justa petição

Li em tempos a história deste homem, penso que numa investigação publicada no Expresso, e é arrepiante. Demonstra como o anti-semitismo germanófilo e ultra-católico também fez parte do Estado Novo, e mostra como a arma da homofobia sempre foi usada pelas ditaduras.

Mesmo que Barros Basto não tivesse sido um republicano, mesmo que não nos tivesse legado uma notável tentativa  de tirar os marranos da clandestinidade ainda inquisitorial, ou seja, da construção da identidade de Portugal enquanto História, Cultura e Sociedade como realmente foi e não como os eternos revisionistas a inventam, assinaria na mesma esta petição internacional para a reabilitação do seu bom nome.

E isto de eu assinar uma petição sabendo que o mesmo fazem muitos sionistas não é todos os dias. Como o que separa os humanos dos rebanhos também é a capacidade de não usar palas nos olhos, não me arrependo.

Como um grego ensina a um alemão a História das dívidas

Cartaz americano de apoio à Grécia durante a II Guerra Mundial

Um cidadão alemão escreveu uma carta aberta aos gregos, publicada na revista Stern. Um grego, Georgios P. Psomas respondeu-lhe pondo os pontos em todos os iis.

Ambas foram traduzidas pelo Sérgio Ribeiro e encontrei uma versão em inglês. Esta troca de correspondência  já data de 2010. Georgios conta-nos aquilo que toda a imprensa europeia cala. Merece ser lida, sobretudo por todos aqueles que têm tratado os gregos como culpados de tudo, incluindo o pecado original. e vou aqui transcrever os dois textos. [Read more…]

Ponte Maria Pia: Uma Ponte de Eiffel … e de Seyrig

“Aquando das comemorações do 75º aniversário da Ponte Maria Pia, em 1952, foi publicado um conjunto de artigos, sob o título “Os homens da Ponte Maria Pia”, associando três nomes à realização daquele notável empreendimento: Manuel Afonso Espregueira, que na sua qualidade de Director Geral da Companhia Real dos Caminhos de Ferro resolveu definitivamente o problema do atravessamento do rio Douro pela linha férrea do Norte;”

No 134º aniversário da Ponte Maria Pia, importa conhecer este documento da autoria de José Manuel Lopes Cordeiro (in 2009).

 

 

A Batalha dos Três Reis

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D. Sebastião e a Batalha de Alcácer Quibir

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Cavaleiros Árabes. Foto Mohamed Bachir Bennani

 

A Tragédia de um Jovem Pai – Khaled al-Hamedi -, só por ser Amigo de Saif Al Islam Kadhafi

ALBUM DE FAMÍLIA DE KHALED AL-HAMEDI 

O Secretário Geral da Nato congratulava-se, há dois dias, no twitter: “Historic. I’m first #NATO SecGen to visit #Libya. At midnight we end operation to protect #Libyans – one of most successful in NATO history”.

Trago-vos a história de Khaled al-Hamedi. É símbolo do tenebroso, assombroso y trágico que se abateu sobre as gentes da Líbia. No meu blog pessoal F-Se detive-me em alguns detalhes que não podemos ignorar. Especialmente o facto de Jornalistas de renome mundial, de agências noticiosas intocáveis na praça pública, de cadeias de televisão globalmente aferidas como imparciais Y credíveis, Y, como bem se lembram, todos insinuaram, sem contenção ou hesitação, que Saif Al-Islam forjara histórias de bombardeamentos a alvos civis, Y, que, afinal, tudo não passava de uma forma de alimentar as audiências internas da Líbia para justificar a determinação de Kadhafi em não se render à magnânima Força de Salvação Internacional, a NATO. 22 de Julho de 2011 assinala um desses muitos dias, [Read more…]

III – Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx

O Manifesto do Partido Comunista combina a seriedade filosófica mais profunda com o talento mais mordaz. Imagine a Rousseau, Voltaire, Holbach, Lessing, Heine e Hegel fundidos numa só pessoa – digo fundidos e não confundidos num monte – e o meu amigo terá o Dr. Marx.

O Manifesto acaba com uma revisão da actividade política dos partidos comunistas e do socialismo em todos os países da Europa e com uma expressão de temor: Uma parte da burguesia procura remediar os males sociais com o fim de consolidar a sociedade burguesa. Nessa categoria enfileiram-se os economistas, os filantropos, os humanitários, os que se ocupam em melhorar a sorte da classe operária, os organizadores de beneficências, os protectores dos animais, os fundadores das sociedades de temperança, enfim os reformadores de gabinete de toda categoria. [Read more…]

II- Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx

O que os trabalhadores mereciam, e poderiam obter se acordassem de sua sonolência, era o controlo de seu próprio trabalho, a posse do valor que geravam com esse trabalho e, consequentemente, auto estima, liberdade e poder. Pretendia que os trabalhadores passarem a possuir o produto do seu trabalho, acabar com a alienação. [Read more…]

Ser e ter

A  questão  do  Ser e  do  Ter,  que é  ao  mesmo  tempo  pessoal e  nacional,   se  entendermos  o  todo  nacional  como  uma  unidade histórica,  impõe-se nesta  o de encruzilhada  a  que  fomos  jogados por  egoísmos  europeus,  ou  mesmo  mundiais,   miopias  políticas  internas velhas de,  pelo  menos,  20  anos,  e  culpa nossa. Sabemos  nós  todos, 37  anos  depois  do derrube da  ditadura,  que  os  erros em  política  a  palavra  escrita  os  destapa por causarem  sofrimento  a milhões de  pessoas  e a indignação  ser um  direito  inalienável do  ser  humano  ao sentir-se  enganado,  traído,  espezinhado.

Deitámos abaixo  uma  ditadura com  48 anos  de  maldade  profissionalizada  para  termos  mais liberdade e mais  pão,  o  do  corpo e  o do  espírito. Erguemo-nos  em força,  nos  tempos  que se  seguiram a  1974,  para correr  com  aqueles  que,  mais  devotos da União  Soviética do que de Portugal,  nos queriam  impor outra ditadura,  a  estalinista,  que  nos garantiria  a mesma escravatura e  mau  passadio  que  subjugaram  todos os  países  que o  imperialismo vermelho abocanhou  com  métodos sanguinários que  nada  ficaram a  dever a  Hitler,  esse com  quem assinaram  um  pacto de amizade e entendimento. O  atraso desses países e  os  milhões de  mortes infligidas a quem  teve a  dignidade de pensar  diferente,  falam  por si. [Read more…]

I – Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx

young karl marx

Karl Marx foi o fundador de uma rama da teoria política para governar um Estado, República ou Nação, ou várias delas, coordenadas pela teoria política denominada socialismo, que apresento a seguir nas suas várias organizações. A sua forma de socialismo a denominou Socialismo Científico. Antes, tinha sido membro de uma outra, a do socialismo utópico. [Read more…]

Sarkozy (felizmente) irritado

Chegam notícias acerca de uma desagradável troca de palavras entre o Sr. Sarkozy e o primeiro-ministro britânico. Tal se deve à insistência deste último, em participar na reunião do Euro na próxima quarta-feira. Embora o R.U. não partilhe a nefasta moeda que acabou por arruinar a nossa economia, David Cameron tem todo o direito de estar presente, pois o que ali se discutirá será algo que transcede em muito, as actuais dificuldades financeiras dos países europeus. É que nem todos estão “pelos ajustes” quanto ao contornar de referendos e Tratados.

Para nossa tranquilidade, é bom que a Velha Aliada lá esteja e aja em conformidade, como contrapeso a certos apetites continentalistas de má reputação. Um breve olhar para o mapa acima, responde a qualquer questão.

Não se Esqueçam

O soldado é o povo, o soldado vem do povo, o soldado defende o povo.

Porque tem a História de desaparecer do ensino básico

O Paulo Guinote explica:

Eu não aprendi Economia, apenas História Económica. Felizmente.

Acredito que com leituras mais à esquerda do que à direita, mas o que li sobre a forma de fazer arrancar uma economia estagnada ou como espoletar um arranque económico tinha a sua lógica.

Com Hobsbawm e outros, por exemplo, li que uma economia só consegue crescer de forma consolidada quando o seu mercado interno é forte, funcionando depois a procura externa como uma espécie de faísca que permite a expansão da produção. Por si só, por não ser algo que se possa contar como permanente, as exportações não podem ser a base de um crescimento económico sustentado. Isso só com base no tal mercado interno forte.

Ora, ontem, o que Passos Coelho anunciou foi o degolar de qualquer hipótese de um consumo interno relevante durante vários anos. Provavelmente na expectativa de que as exportações que se têm portado bem e assim se manterão. Só que a Alemanha começa a espirrar e os EUA ainda não curaram a gripe. [Read more…]

A História a ele não lhe assiste?

Pelo Paulo Guinote fico a saber de uma ameaça de poupança administrativa que

passará por corte nas aulas de História e Geografia e fim da segunda língua estrangeira obrigatória.

O que sai nesta altura do campeonato no pasquim de todos os governos, vulgo Diário das suas Notícias, pode ser muita coisa, de areia para os olhos a aviso prévio. Jornalismo ali há pouco, muito pouco, e sempre foi assim.

Ou se quiserem: não me apetece despertar hoje o corporativo que também há em mim. Até porque só um idiota chapado faria uma destas, levando em cima com todos os que têm formação em História (somos mesmo muitos, e somem os de Geografia, menos é certo, mas igualmente espalhados pelas mais diversas profissões) sejam ou não professores no activo, e com todos os que muito simplesmente teimam na mania de se pensarem portugueses. Embora tipos que evoluem da Economia para a matematicazinha (não estou a dizer mal da Matemática, que como todas a ciências sérias tem tronco grande mas também ramificações e ramos muito menores) sejam potenciais candidatos a mandar uma artilharia destas para o pé, com danos imediatos no corpo todo.

A acontecer também se pode interpretar como um discreto pedido de demissão, por vezes as pessoas acordam e descobrem que não nasceram para ministro. Se eu me chamasse Nuno Crato, ou não tinha dormido todo o mês de Setembro, ou já teria acordado assim.

Ainda Hortênsia Bussi Soto de Allende

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4 de Novembro de 1970, assume o seu cargo o Presidente Salvador Allende, com Tencha, a Primeira-dama

dedico o texto ao meu irmão mais novo, o Engenheiro Florestal e Agrónomo, que hoje está de aniversário, amante de História como ciência, licenciatura que também cursara com proveito, Presidente das Juventudes comunistas do Chile, antes, hoje em dia Conselheiro do PCCH…

A primeira Parte deste texto foi enviada ao sítio que corresponde. Reescrevo este outro, sobre os mesmos factos, para demonstrar, comparando textos diferentes, sobre factos semelhantes, como a História se engana nos factos.

A imagem que escolhi é do dia 4 de Novembro de 1970, data da tomada de posse do cargo de Presidente da República do Chile, do médico socialista Salvador Allende, como a mulher que sempre o acompanhou ao longe da sua vida, nomeadamente durante as campanhas políticas da sua vida, desde Deputado a Senador e nas quatro corridas  para a presidência da República. Foi a Tencha, alcunha dada pelo povo a hoje Primeira-dama, que o fez triunfar e ser eleito para o cargo. Fez, como era habitual desde os seus vinte anos ela, com vinte e quatro anos ele, quem o ajudara a governar, uma compincha amante do seu marido até o delírio, e vice-versa. As adversidades de governar, eram saradas pela sua mulher, a sua eterna embaixatriz em todos os sítios necessários, dentro e fora do Chile, arrecadando popularidade e apoio humano e económico, que permitiram esses quase três anos de Presidência.  O acompanhou até no dia do seu forçado suicídio, sem poder estar com ele na morte, por que essa única ditadura chilena, de uma República libertada a sangue e fogo em 1810-1818, não o permitira. [Read more…]

Hortênsia Bussi Soto de Allende: Uma sentida homenagem

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Tencha, porta de casa, aos 80 e vários anos, com a sua elegância habitual. Faleceu aos 95 anos.

 Hortênsia Bussi Soto de Allende nasceu a 22 de Julho de 1914, e faleceu em Junho 18, 2009. Formou-se na Universidade do Chile, em Santiago do Chile em História e Geografia. Para pagar os seus estudos, trabalhou como Bibliotecária do Gabinete Nacional de Estadísticas.

Conheceu um jovem estudante de medicina, Salvador Allende Gossens, filho de outro Médico, amigo da nossa família em Viña del Mar, cidade balnear da Província de Valparaiso. Mal conheceu ao jovem aspirante a médico da sua mesma Universidade, foi fulminada pelo encontro: amor à primeira vista.

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Ecce Homo

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Qual de todos eles e porque? Alberto João Jardim, José Sócrates, Passos Coelho, o povo português, o Jesus de Nazaré? É a frase mais conhecida da vulgata latina, usadas pelas confissões cristãs, para expor ao público um homem em sofrimento ou um homem que está a sofrer. [Read more…]

Aniversário do nascimento de Salvador Allende. A Tencha o chora

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A conheci como Primeira-dama da República do Chile. Sempre bem penteada, bem vestida, magra, sorridente, amável e serena. Falava de forma cadenciada, com o seu sorriso sempre alegre, sem gargalhadas: uma Senhora. O seu marido, que era um pituco (betinho em Português Europeu), gostava de vê-la bem vestida [Read more…]

Falha Felipe? (ou o Rei que sabia que não o queria ser)

No âmbito de uma apresentação oral (que está marcada para o final do semestre) para história moderna fui obrigada a acelerar os meus estudos em relação a Felipe II de Espanha e deixei para trás o Thomas More, com grande pena minha porque o tempo não dá para tudo.

Descobri então que a pergunta “política” mais óbvia que se faz em relação a Felipe, e que a mim sinceramente não me tinha passado pela cabeça, é: “Felipe é um falhanço? Falha nos seus objectivos? Falha para com o Império Espanhol?” Para responder a isto é necessário ter em conta certos factores.

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Portugal, República em permanente transição. A Troika

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Em textos diferentes, tenho arguido que Portugal, como país, tem sido uma estrutura em permanente mudança. Mudanças que pretendo narrar en breves linhas desde o dia de hoje até à implantação da República. Para fazer do texto um ensaio leve, como as empresas de seguro, muito damos, pouco recebemos, digamos que é andar como o caranguejo, sempre para trás. [Read more…]

Era uma vez um rei com uma grande barriguinha

«Os reis são feitos para comer
Para beber e dormir também.»


Viva a República!

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A República

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 É História bem conhecida que a República portuguesa não foi uma opção do povo bem como uma implantação por um grupo do Partido Republicano, pelos maçons e um largo número de apoiantes populares que estavam cansados de serem explorados no trabalho das terras dos Condes, Duques e Barões, que viviam uma rica vida, [Read more…]

Quatro canções da República

Fado do Zé Povo – por Carlos Santos, cerca de 1912. Uma cantiga muito actual, ao serviço de qualquer república.

Canção Popular Republicana – por Isabel Costa e Duarte Silva, cerca de 1919, apelando à mobilização contra a Monarquia do Norte.

Fado do 31 – de Pereira Coelho e Alves Coelho, cantado por Maria Litaly, cerca de 1913. Uma referência clássica ao 31 de janeiro de 1891

A Portuguesa – interpretada por Jorge Bastos, cerca de 1912, uma das primeiras gravações do Hino Nacional.

O Dom, um problema da historiografia portuguesa que tem o dom de me enervar

Consulte-se a Wikipédia em português, escolhendo o nosso primeiro rei: a entrada Afonso I de Portugal começa assim: “D. Afonso I de Portugal, mais conhecido por Dom Afonso Henriques”.

Façamos o mesmo exercício na  Wikipédia em francês, por exemplo procurando o Rei-Sol: o resultado será Louis XIV de France, referido no texto por “Louis XIV dit le Roi-Soleil ou Louis le Grand”. Continuemos pela Wikipédia de língua castelhana: Alfonso VII de León el Emperador, ou mesmo pela de língua inglesa: Elizabeth II é designada por Elizabeth II (Elizabeth Alexandra Mary, born 21 April 1926).

Utilizei a Wikipédia mas podia abrir qualquer livro de História numa destas línguas e o resultado seria o mesmo: só em Portugal uma ciência mantêm o tratamento reverencial de Dom aos seus monarcas. Pior do que isso, e embora haja alguma polémica entre os supostos herdeiros da aristocracia, tal tratamento estende-se muitas vezes à nobreza e ao defunto clero.

Segundo o dicionário mais à mão, DomTítulo honorífico que em Portugal se dava aos membros da família real e da antiga nobreza e a certas categorias religiosas. A Wikipédia insiste no “é um pronome de tratamento concedido a (…)” incorrendo num erro de conjugação verbal – isto é passado, onde está é deveria estar foi -, a República extinguiu, como lhe competia, os títulos nobiliárquicos, sendo de resto um perfeito abuso que alguém ainda seja tratado por conde do raio que o parta ou visconde da mãezinha que o deu à luz, assumindo uma distinção claramente inconstitucional. As formas de tratamento em Portugal são muito genuflectoras, e sendo verdade que aos velhos títulos sucedeu o prefixo Dr. colocado antes de qualquer licenciado, dizem muito sobre a natureza das relações sociais. Quanto a isso, paciência. Agora em escrita que se pretende científica é um erro crasso que urge corrigir (e não me venham com a tradição, que ela já não é o que era).

O fim da monarchia e a Republica Portuguêsa

Esta manhã, quando revejo provas das palavras que ahi deixo, chega a minha casa a notícia de ter sido proclamada a Republica Portuguêsa.

Há mais de um anno que este livro vive nos meus papeis, esperando a sua vez de ser publicado. Durante um anno esse desabar e esboroar contínuo da monarchia e da vida politica amorteceu e segui, como se os donos da casa, numa indolência de preguiça á beira do regato, se ficassem na somnolenta modorra de quem não dá um passo para salvar uma vida, no automático aborrecimento da propria vida. Durante um anno a politica portuguesa foi uma fuga constante do «salve-se quem poder». O partido republicano construiu serenamente o seu edifício ; e ninguem apareceu a reagir, opondo uma vontade a essa vontade, alimentando uma energia, erguendo um clarão de esperança. « Salve-se quem puder » ; « salve-se quem puder ». E nem quem podia se salvava.

Como um condemnado que se vê já a braços com a pena suprema e conhece que nada vale defender-se, os homens da monarchia abriam os alçapões e safavam-se por elles como diabos de mágica. [Read more…]

Mais rápido do que a velocidade da luz II

Já aqui escrevi dizendo que nada sabia escrever sobre este assunto. E, na verdade, não sei.

Mas sinto que não estou sozinho na ignorância e, apesar de não ser especialista, parece-me que até os mais sábios sobre o assunto estão em situação semelhante à minha (salvo seja, os seus conhecimentos são, pese a sua atual estupefação, maiores). Como tantos, apercebi-me num primeiro momento de que, se comprovada esta notícia, edifícios inteiros da Física Contemporânea, erigidos sobre o pressuposto de que nada no universo ultrapassa a velocidade da luz, ruiriam, seriam postos em causa ou, no mínimo, mostrar-se-iam clamorosamente incompletos.

Os cientistas, pelo que leio, mostram-se ainda relutantes ou aturdidos. Imagino que, como em ciência se exige, medições atrás de medições serão feitas até se confirmarem ou negarem os resultados, ainda que o porta voz da experiência Ópera, Antonio Ereditato, afirme

que os resultados agora do projecto OPERA para os neutrinos têm “baixa incerteza sistemática e elevada precisão estatística”

Imaginemos portanto, por um instante apenas, que a experiência se confirma.

Nesse caso não se terá necessariamente de afirmar que não restará pedra sobre pedra de um dos pilares da física moderna, como chega a afirmar um dos maiores físicos portugueses e pensamos, provavelmente, muitos de nós

Isto representaria, como diz Carlos Fiolhais, “derrubar uma coluna” essencial da física

Poderá, como diz Pierre Binetruy, director do Laboratório de Astropartículas e Cosmologia em Paris,

 significar que a teoria de Einstein “é válida em alguns domínios mas que existe uma teoria ainda mais global”

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O 18 de Agosto ou o 18 de Setembro

santigobebé

Para mi Weñe Javier Max Raúl Isley

Bem sabemos que no 18 de Setembro de 1810 o Reino do Chile ganhou a sua Independência da coroa da Espanha, como tenho explicado nos meus ensaios de Julho e Agosto deste ano. São 201 anos de autonomia, com um breve período de ditadura de 18 anos, que é melhor não lembrar.

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Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Máxima Culpa

Foi a sua persistência, a da sua mulher Jenny e a de Friedrich Engels, o amigo eterno, que Karl Heinrich Pembroke Marx foi capaz de descobrir a formação do capital e convertê-lo numa fórmula que todos deviam saber. Sem saber economia, como tenho referido entre outros dos meus livros:

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Provado suicídio do Presidente Salvador Allende

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Morávamos na 6ª Carlton Terrace, em frente a Holyrood Palace, a casa da Rainha Mary Stuart, mais tarde da Monarquia Britânica. Tinha, entre 200, ganho o terceiro lugar para acabar os meus estudos de pós graduação em Antropologia e Ciências da Educação. Éramos a minha mulher, a nossa única filha Paula, hoje psicanalista, e, por parto, os nossos amigos argentinos, a família Gaudio, Ricardo e Sida e o seu filho Santiago. [Read more…]

O 11 de setembro que mudou o mundo

Friedman e Pinochet

No dia 11 de setembro de 1973 um golpe militar chefiado por A. Pinochet derrubou o governo do Chile presidido por Salvador Allende, eleito socialista que governava recuperando a unidade dos primeiros governos de Frente Popular. Foi para a esquerda um acontecimento que fecundou na altura discussões eternas sobre via eleitoral e via revolucionária, já para não falar da denúncia da mãozinha do Kissinger, sua CIA e governo dos States. A nostalgia ainda hoje é essa.

Para o Portugal que poucos meses depois iniciou um Processo em Curso que a bem dizer nunca foi Revolucionário, o massacre da esquerda chilena (30 000 mortos, segundo a Amnistia Internacional, fora campos de concentração e tortura) pairava nas constantes ameaças de pinochetazo, abortadas num 11 de março precoce e desaparecidas com um 25 de novembro versão português suave.

Isto mudou o mundo?

aparentemente não, o mundo não é o Chile. O aparentemente serve para a versão politiqueira que os media e algumas ciências de ocasião vão fazendo.  Mas mudou, e muito.

Em 1958 a Pontificia Universidad Católica de Chile tinha estabelecido um acordo com a Universidade de Chicago através do qual vários dos seus alunos foram aprender com Milton Friedman aquilo que hoje chamamos de neo-liberalismo. Augusto Pinochet abriu-lhes a porta para governarem, assumindo o que ficou conhecido pela experiência dos Garotos de Chicago, feliz tradução na Wikipédia para Chicago Boys.

Sob uma repressão brutal e 20% de desempregados a mais torcionária das ditaduras sul-americana do fim do século passado, construiu isto: [Read more…]

Do brioche ao broche

É contra todos os meus princípios roubar nos redis sociais desta forma mas não resisto, por amor e devoção à história.