Não dizer mentiras

O Zé cantaa primeira regra é não dizer mentirasmashup dos Bandex no seu novo êxito, Mentiras, um vídeo romântico com o último primeiro-ministro de Portugal.

José Sócrates e orquestra.

Três factos bizarros do fim-de-semana

Primeiro acto: O Presidente da República Portuguesa pede “imaginação” à União Europeia para encontrar formas de emprestar dinheiro a Portugal. Quem é, afinal, que precisa de ajuda?

Segundo acto: Acrítico, acéfalo, vazio, o Congresso do PS foi um longo comício e um espaço de veneração ao líder. Terminou com o líder a dizer que, como chefe do Governo, aceita negociar o empréstimo. Era de esperar outra coisa?

Terceiro acto: Depois de clamar desprezo pela forma de fazer política dos partidos, Fernando Nobre aceita entrar nas listas de um partido político ‘do sistema’. Mais um caso de ‘o que ontem era verdade, hoje é mentira’?

O comício de todos os luxos

Bem vistas as coisas, toda aquela histeria, desperdício de dinheiro, demagogia desenfreada, onanismo colectivo e parvoíce de encarte, resume-se à figura que aqui deixamos.

It’s an injustice, it is!

Que PS é este?

Sócrates tem sido só o PM “socialista” de cariz neoliberal sem precedentes no seu partido.  Num pequeno país de economia frágil, ultrapassou largamente as derivas de Tony Blair, o grande autor do ‘New Labour’. As políticas de Sócrates, em 6 anos, deixam para a posteridade muitas  mazelas, de que destaco:

  • a duplicação do endividamento externo do País;
  • a submissão absoluta aos interesses dos grandes empreiteiros e banca através da expansão de negócios de Parcerias Público-Privadas;
  • a revogação e a criação de leis laborais muito penalizantes para os trabalhadores – com uma tal intensidade que nem Bagão Félix se atreveu a utilizar;
  • a eliminação de direitos dos cidadãos em matéria de acesso a cuidados de saúde e outros benefícios assistenciais;
  • a extinção de prestações sociais históricas, como o ‘abono de família’;
  • o record das mais altas taxas de desemprego da democracia pós-25 de Abril;
  • negociatas e trapalhadas a torto e a direito, umas vezes com a chamada do tio Monteiro à boca de cena, outras com a exposição de ‘boys’ do tipo Rui Pedro Soares.

Todavia, a despeito de  curriculum e desempenho sórdidos, Sócrates galvanizou, em euforia, a plateia do Congresso com golpes de baixa política e um apelo de voto útil à esquerda. À esquerda? Que descaramento!

Da demagogia e do talento de Sócrates para o topete, já conhecíamos o suficiente. Dos patéticos sorrisos do veteraníssimo Almeida Santos, também. Da capacidade ‘político-plasticina’ de Jorge Lacão, idem. O que, de facto, me impressionou foi o acéfalo entusiasmo dos militantes que, em delírio e sem ponta de consciência política ou mesmo de respeito por outros candidatos, caucionaram, sem reservas, a nefasta liderança do “engenheiro” que, pelo menos, para a respectiva ordem profissional é falso. Tanto como para a política, acrescento eu.    [Read more…]

Apelo à oposição

Tenho estado a ouvir Sócrates na abertura do congresso do PS. É notória a reacção entusiasmadíssima da audiência a determinadas partes do discurso, facto que leio como estando o PS a começar a acreditar que poderá ganhar as eleições. E esta é, parece-me coisa que o PSD não tem e, quiçá, não virá a ter.

Sócrates tem estado a pegar em todos os temas onde qualquer mexida assusta um extenso eleitorado, como as privatizações, o despedimento, o estado social, a escola pública e o SNS e acusa o PSD de querer fazer tudo aquilo que o PS tem vindo a fazer. O partido que deu origem a este governo é o que mais tem destruído o que existia nestas áreas. Terão os partidos da oposição arte suficiente para explicar de uma forma clara e simples, item a item, esta óbvia realidade?

Organizem-se! O pior que nos pode acontecer é termos um compulsivo manipulador a governar-nos de novo. Que não hesitou colocar o país em risco com a sua demissão. Que não se coibiu de exponenciar o endividamento nacional, expondo-nos assim de forma imprudente aos nossos credores.

A bem de todos, deixem de reagir ao guião socrático e preparem um caminho próprio, com um objectivo claro e tangível. Os eleitores saberão distinguir um charlatão de um líder.

Pelo menos, desta vez, a culpa não morreu solteira

Com ar grave mas azedo. Com um aspecto cansado mas sempre preocupado com a imagem. Sempre pronto para dizer que ‘todos’ os portugueses têm de compreender o pedido de ajuda financeira de Portugal. Que ‘todos’ temos de colaborar.

Já a culpa pelo estado lastimável do país, seja financeiro, económico e social, não morre solteira. Desta vez temos a quem apontar o dedo. A quem pedir responsabilidades. Quem? À oposição, claro. Sim, que os Governos de José Sócrates não têm culpa nenhuma, não são responsáveis. São uns pobres coitados que agora ficaram com o menino nas mãos.

Já nem é um caso de falta de vergonha ou aldrabice. É patológico.

3 homens e uma crise

Uma pergunta simples para o primeiro-ministro que se demitiu

Se o governo estava ciente dos problemas que o chumbo do PEC IV traria ao país, como tantas vezes José Sócrates afirmou na semana que antecedeu a respectiva queda, porque razão o primeiro-ministro não colocou os interesses do país à frente do seu orgulho, não se demitiu e não procurou alternativas ao PEC IV?

Afinal de contas, apesar de se ter demitido, o governo está na mesma a aplicar parte das medidas do PEC IV, esse mesmo que tinha sido chumbado, e que terão «um impacto estimado nas contas públicas de 0,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)» de 2011. Sim, deste ano.

Está tudo a correr tão lindamente, como tanto se propagandeou em Fevereiro, e afinal são precisos mais 0,8% do PIB já este ano?

Não se percebe. Excepto, claro, se a demissão foi apenas um pretexto para fugir aos problemas que estavam mesmo a chegar (défice de 2010 1.3 pontos superior ao anunciado; dois empréstimos gigantescos para Abril e Junho; falta de dinheiro em diversas empresas públicas). O que se percebe, isso sim, é que com todo este teatro, a coisa piorará.

Dia 1 de Abril não é especial para José Sócrates

Fonte do gabinete do ainda Primeiro-Ministro confidenciou ao Aventar que o dia 1 de Abril é um dia igual aos outros para José Sócrates: “Os outros dias todos são exactamente iguais a este: o senhor Primeiro-Ministro faz sempre o mesmo. Ele até costuma dizer, com muita graça, que primeiro de Abril é quando um gajo quiser.” A mesma fonte lembra que não foi preciso esperar por este dia para ouvir José Sócrates dizer que não iria haver aumento de impostos ou que cada PEC seria sempre o último. “O senhor engenheiro até pode ter muitos defeitos, mas ninguém o pode acusar de incoerência.” declarou a mesma fonte.

Um país adiado ou apenas a brincar

Vamos a ver se não me engano. O chefe do Governo visita o Presidente da República e diz-lhe que não quer continuar a brincar, porque os outros meninos não quiseram jogar segundo as regras que ele tinha definido. Chamou-lhe ‘pedir a demissão’.

O Presidente demora dois dias até conversar com os outros meninos e com os amigos do chefe do Governo para perguntar o que se passou e como querem resolver a coisa. Todos quiseram uma eleição para saber se o chefe continua o mesmo ou se é outro.

portugal-bandeira

Uma semana depois desta conversa, o Presidente chama um grupo de meninos mais experientes e habituados às discussões para lhes pedir uma opinião. Parece que se chama um Conselho de Estado. Horas depois diz que sim, que aceita a demissão e que é tempo de eleger o próximo chefe de Governo. Marca as eleições para 60 dias depois. Parece que há um livro que não permite que seja em menos tempo.

O mesmo livro indica que depois de escolhido o novo chefe, seja quem for, este só toma posse cerca de 30 dias depois. Até lá é o limbo. Reduzir estes prazos é que não. Não deve ser próprio de nações modernas. É coisa praticada, por exemplo, pelos anacrónicos britânicos.

O país continua adiado. Nada de estranho, é assim há uns séculos.

NADA DISSO ME INTERESSA

NÃO ME INTERESSAM PARA NADA AS ELEIÇÕES ANTECIPADAS

Esta coisa da demissão do senhor nosso Primeiro-ministro, provocada pelo próprio com as atitudes desonestas que são do domínio público, acrescidas das razões indecorosas e de cobiça que assistiram à oposição para tomarem as atitudes que o senhor nosso Primeiro esperava, e ainda, os ditos dos responsáveis máximos da dita oposição após o desfecho anunciado, fizeram-me pensar ainda mais que de costume.

Pelo que se entende da situação, iremos ter eleições antecipadas, o que, pensando bem, é coisa na qual não estou minimamente interessado. Nesta já pré-campanha eleitoral vejo o que a mesma virá a ser, e desde já me desinteresso dela. A campanha eleitoral que se aproxima não vai esclarecer ninguém, sendo que unicamente irá servir de pasto para alimentar troca de acusações e insultos pessoalizados. É certo que irei votar quando chegar a altura devida, mas, pelo andar da carruagem, dificilmente terei oportunidade de escolher em quem. [Read more…]

Sócrates e a fuga: guião de uma legislatura (III)

Preliminares
Perante a iminente derrocada, o nosso herói começa por lançar uma campanha onanística a louvar a governação, apenas com dados parciais e a prolongar-se durante semanas. Não sendo os dados conhecidos na totalidade, não há contraditório possível. As notícias triunfantes repetem-se e o espaço de manobra da oposição desapareceu.

Acto [Read more…]

Sócrates e a fuga: guião de uma legislatura (II)

Fonte: PÚBLICO online; Processamento adicional: Fliscorno; Gráfico original: image

O primeiro-ministro demitiu-se e a situação que era má ficou pior. Mas olhando para este gráfico percebe-se que não é a instabilidade política que nos está a tornar mais caro o dinheiro que pedimos emprestado. Com efeito, apesar do entendimento PS/PSD ao longo de 2010, o custo do dinheiro não parou de aumentar.

Por causa dos compromissos assumidos no passado como as SCUT e as PPP, por causa de irresponsabilidades como o buraco BPN, por causa do despejar de dinheiro a rodos para obras públicas sem a menor preocupação de onde virá ele, chegámos a um ponto em o país está completamente nas mãos do capital estrangeiro, o qual tem um custo crescente. Naturalmente, não estaríamos neste situação se, desde Guterres, não houvesse esta irresponsabilidade de fazer obra sem dinheiro.

A fuga de Sócrates apenas se deveu a ele saber que não conseguiria mais tapar os buracos das contas. Entre pagar o preço político da última década governativa e tentar passar as culpas, mesmo que isso precipitasse o caos, a escolha está à vista.

Sócrates e a fuga: guião de uma legislatura (I)

a grande fuga

Onde o nosso herói decide fugir quando colocado sob os holofotes da iminente necessidade de recorrer ao FMI. O filme de uma legislatura incapaz de controlar a despesa pública.

Ficha técnica:

Estórias de um Reichsprotektorat

…o dito-cujo ainda não confirmou a aceitação do pedido de demissão. Dado que o demissionário está exultante pelos elogios, palmadinhas nas costas, beijos e abraços solidários em Bruxelas. Dado que a sopeira da Pomerânia já disse o que tinha para dizer, não nos admiremos muito, se:

a) o dito-cujo não lhe conceder a demissão, “patrioticamente instando” para formação de um novo governo mais “abrangente e de salvação” (de todos eles).

b) o suspiroso “Calimero do povo” cabisbaixamente aceite, ainda atordoado pela trovoada de aplausos comunitários (e profundo alívio por evitar que cheguem penetras de fora).

c) a sopeira da Pomerânia – a tal que chefia o país que paga o orçamento comunitário – confirme a sua posição de Führerin, servindo os seus subalternos em Portugal como meros Reichsprotektors de serviço (garantindo a venda de mais salsichas do Lidl e ainda mais sucata para as nossas autobahn).

d) os outros, precisamente aqueles que já contavam com um render da guarda, obedeçam às befehl que de longe chegam, desde já manifestando “o mais sincero e arreigado patriotismo”.

Esta gente é capaz de tudo (e mais alguma coisa).

 

Sempre a crise

Que me lembre, neste país sempre se viveu com crise.
Fosse crise económica, crise financeira, crise na Justiça, crise na Saúde, crise na Educação, crise na Agricultura, crise nas Pescas, crise de valores, etc.
Não deve ter havido Governo em que não se falasse de algum tipo de crise.
A mais badalada, no entanto, foi sempre a clássica crise política, sempre de olhos postos na preciosa estabilidade política com que tudo se faz e que sem a qual nada se consegue.
Hoje vivemos mais uma dessas crises políticas, bradando-se pela mudança de Governo.
Acontece que mudar por mudar é o que se tem feito há anos e o resultado está à vista: o nosso país chegou ao ponto que chegou por causa de erros que se acumulam e se repetem, de Governo para Governo.
O problema deste país não é tão só este Governo de agora ou José Sócrates. O problema é a sucessiva repetição de erros por Governos diversos, seja por acção seja por omissão. [Read more…]

PS e PSD: as cabeças da hidra

PS e PSD: as cabeças da hidra

Hoje, há razões para comemorar, porque estamos perto de confirmar o óbito político do pior Primeiro-Ministro da Democracia portuguesa, o que não era um título fácil de atingir, tendo em conta que a concorrência era grande (e ser pior do que Santana Lopes era um desafio a que Sócrates não soube resistir).

Hoje, continua a não haver razões para comemorar, pois, ao que tudo indica, o PSD voltará a governar, o que constituirá uma mera alteração de siglas e uma continuidade de políticas. Depois de ter PECado em conjunto com o PS, o PSD irá a correr assinar os papéis que confirmam a união de facto, tumultuosa, é certo, mas não é o tango a dança que retrata essas relações em que o amor tem aparências de ódio? [Read more…]

Gente rasca

As atitudes são quase símbolos e espelham bem o carácter de quem as toma.

Há umas semanas, o deplorável evento da omissão do PEC 4 ao Presidente e Parlamento. Dias depois, o absurdo discurso presidencial, quase de chefia de partido. Ontem e após o início da sessão para a discussão do mesmo, outra cena caricata, quando o 1º Ministro sai do hemiciclo, numa inegável demonstração de desprezo pelo mesmo. Pouco depois, dois Ministros – os mais importantes – ausentam-se ostensivamente, deixando Manuela Ferreira Leite discursar para deputados que não podiam desconhecer aquilo que tinha para dizer. Este tipo de ordinarice tornou-se de tal forma corriqueira que passou a fazer parte integrante do sistema vigente.

É este, o gabarito democrático da gente que diz governar Portugal. É esta, a gente que tem pretensões a concitar o respeito dos comuns mortais que lhes pagam as mordomias e a proeminência muitas vezes imerecida. É este, o resultado de um longo período de ausência do autêntico parlamentarismo em Portugal, esmagado pelos cacetes e lápis azuis de Afonso Costa e Salazar. Aqui está o resultado, esta é a República Portuguesa.

Mas o caso não ficou por aqui. No mesmo dia, o Presidente que diplomatas estrangeiros dizem ser um sujeito vingativo, tira a mesquinha desforra daquilo que se passou há duas semanas. Mal o seu ainda 1º Ministro saiu de Belém, apressou-se a divulgar o pedido de demissão que aquele lhe fora apresentar e sem sequer aguardar o comunicado oficial do dito cujo. Como diz António Barreto, o espectáculo não é dos melhores.

Eles já nem disfarçam, acham alguns, enquanto outros pensam ser essa, a grosseira essência do regime. Esta gente é tralha de um enorme baú de vulgaridades e bem podia ser reciclada na Inglaterra.

 

 

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Apologia de Sócrates: o discurso

Feita pelo próprio, como é costume. Pode ouvir-se aqui.

Retenho uma afirmação: “O país não ficou sem governo.” Finalmente, Sócrates revela clarividência: não se pode ficar sem aquilo que não se tem.

Demitiu-se

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Título: Portugal sob pressão
Título 1º gráfico: juros da dívida pública a 10 anos
Título 2º gráfico: aumento do risco associado à dívida pública (spreads em relação às dívidas públicas a 10 anos)
Fonte: Frankfurter Allgemeine Zeitung (tradução do Google)

O discurso de Sócrates em resumo:

«Bla bla bla bla bla está tudo a correr bem bla bla bla bla o défice de 2010 não vai ser nada 10% do PIB bla bla bla bla este PEC não veio ditado pela Merkel bla bla bla bla.

Bla bla bla este PEC não precisava de ir a votação bla bla bla e não foi a votação para forçar a queda bla bla bla contem comigo para trazer mais do mesmo bla bla bla bla.

Eu quero o melhor para o País. E o País sou eu.»

Umas notas a ter em conta:

  • desde Maio 2010, o BCE já comprou cerca de 77.5 mil milhões de euros da dívida portuguesa
  • para todos os efeitos, a ajuda externa já cá está há quase um ano
  • apesar do fogo de artifício sobre o “bom” desempenho dos primeiros dois meses, afinal no fim de Março nem um tostão sobrará

Metamorfose mediática em 6 anos

Portugal está melhor que os portugueses

José Sócrates, o eminente químico português, descobriu que Portugal e os portugueses são, afinal, elementos independentes na tabela periódica, sendo, portanto, possível que o empobrecimento dos segundos não afecte a riqueza do primeiro. Deste modo, Sócrates deu origem a um profundo corte epistemológico, contrariando os dados, hoje considerados obsoletos, que levavam a conclusões erradas como a que afirmava que, por exemplo, a operação química denominada “corte salarial” daria origem a uma reacção que, antigamente, era designada “recessão”.

Entretanto, ao contrário do que sucedeu com o urânio enriquecido, as instâncias internacionais não vivem preocupadas com o português empobrecido, considerado um resíduo facilmente reciclável, graças à facilidade com que pode ser transformado em adubo de relva para campos de golfe.

Como todos os visionários que têm razão antes de tempo, o ilustre cientista corre o risco de ser expulso do laboratório onde tem trabalhado nos últimos seis anos. Sócrates já confessou que, neste momento, se sente muito identificado com a figura também injustiçada de Galileu e declarou ao Aventar: “Ó pá, e, no entanto, isto move-se, pá!”

Um país falido e miserável

Vejamos: Recessão já este ano, com a economia a perder quase 1 por cento; aumento de impostos sobre o consumo; privatizações antecipadas e alargadas, que é como quem diz, a preço de saldo; prestações de compra de casa vão ter menor dedução fiscal no IRS; autarquias com mais cortes.

Assim de repente, este é um pedaço do PEC IV.

Já sabíamos que o país estava de rastos. Agora sabemos que está ainda pior. Por este andar, vamos mendigar a Espanha que tome conta de nós.

A Lua está mais cheia

 

 

 

 

 

 

 

A Lua, hoje, aproximou-se um bocado mais da Terra, ficando a uns meros 356 mil quilómetros. Se olharem lá para fora, poderão ter a impressão de que caíram num filme de terror. Fontes próximas do Primeiro-Ministro já declararam que este facto é consequência das medidas propostas no último PEC, até porque a Lua é a mesma (há estabilidade) e parece maior (houve crescimento).

Apresentação do PEC 100, na próxima semana

O Aventar apurou que José Sócrates irá apresentar, na próxima semana, o centésimo Pacote de Estabilidade e Crescimento. Perante a perplexidade da oposição por não terem sido apresentados os 96 pacotes em falta, após o PEV IV, Sócrates afirmou: “O Governo está a tentar surpreender os mercados, que, muito provavelmente, ficarão sem reacção face a esta decisão fulminante de um governo sério, responsável e ágil. Para além disso, não voltaremos a ser acusados de estar sempre a apresentar o penúltimo PEC, porque passaremos a numerar em ordem decrescente, o quer dizer que o próximo será sempre o anterior, o que é, evidentemente, porreiro, pá!”

A execução orçamental está a correr bem

José Sócrates, contratado pelo governo alemão para desempenhar as funções de carrasco do orçamento das famílias portuguesas, declarou que a execução “está a correr bem, para não dizer muito bem, em Janeiro e Fevereiro.” Quando interrogado sobre se os métodos utilizados não serão demasiado dolorosos, Sócrates declarou que é adepto da morte lenta: “Apesar de tudo, é mais humano, acho eu: um corte agora, outro mais tarde, e os orçamentos vão perdendo as forças e a capacidade de reacção. A srª Merkel preferia uma coisa mais tipo guilhotina, mas eu lá a vou convencendo.” José Sócrates aproveitou, ainda, para elogiar os seus assistentes, com realce para Pedro Passos Coelho: “Embora ainda não tenha muita prática com o machado, vê-se que há ali potencialidades. Quando eu sair, o lugar de carrasco ficará, com certeza, porreiramente entregue, pá!”

Cartoon roubado aqui

Carnaval: Sócrates disfarçou-se de democrata

Cerca de doze elementos da Geração à Rasca interromperam um discurso de José Sócrates, em Viseu, e foram expulsos pela segurança. Compreende-se o risco: podiam exprimir opiniões contrárias à do orador, algo que seria legítimo num regime democrático.

O secretário-geral do PS, imbuído de espírito carnavalesco, conseguiu, no entanto, parecer um democrata, ao fingir aceitar com aparente abertura a intrusão dos jovens. A mordacidade demonstrada por Sócrates é perfeitamente aceitável, face a uma geração de milionários que parece que nunca estão satisfeitos com a verdadeira cornucópia que lhes tem sido proporcionado pela governação socialista.

O chefe do governo considerou a intervenção uma “belíssima partida de Carnaval”, confessando que é “assim que fazemos uns aos outros no Carnaval.” Na verdade, não fico admirado com o jeito que José Sócrates tem para brincar ao Carnaval: afinal, há seis anos que anda disfarçado de Primeiro-Ministro.

Quantas pontes precisam de cair?

Entre-os-Rios foi há 10 anos. Mas à excepção dos mortos e das suas famílias, ninguém pagou.
O presidente da república de então, Jorge Sampaio, limitou-se a pedir um inquérito. A queda de uma ponte, com morte de 70 pessoas, não foi para ele motivo para demitir um Governo minoritário que, na prática, já tinha deixado de existir. Importava manter no Governo os amigos socialistas, os mesmos que, logo que pôde, voltou a conduzir ao poder.
O primeiro-ministro de então, António Guterres, tem hoje um salário principesco no ACNUR. Enriquece a cada dia à custa dos refugiados, da miséria alheia. Cada genocídio, cada fuga de milhares representa para ele um orgasmo milionário. Os milhões estão no papo. Há 10 anos atrás, a queda de uma ponte, com morte de 70 pessoas, não foi motivo suficiente para se demitir. Perder umas eleições foi motivo para se demitir. A morte de 70 pessoas não.
O ministro do ambiente de então, José Sócrates, é hoje primeiro-ministro. Um dos maiores criminosos do Portugal democrático deixou o país no estado que todos conhecemos. Há 10 anos atrás, a inacção do seu Ministério em relação à extracção ilegal de areias do rio (os Godinhos sempre existiram e Sócrates sempre gostou de ser besuntado) não lhe pareceu motivo suficiente para se demitir após a morte de 70 pessoas. Porque não há coincidências, um dos Secretários de Estado desse Governo, Ricardo Magalhães, é hoje em dia o Presidente da Estrutura de Missão do Douro e principal promotor da Agência Regional de Desenvolvimento do Tua – por outras palavras, um dos lacaios do poder incumbido de destruir definitivamente o Vale do Tua e a sua via férrea ÚNICA. [Read more…]

Sócrates sempre a malhar nos ricaços!

Em consequência de medidas tomadas pelo governo, os estagiários, essa nova espécie de milionários, passarão a receber menos 257 € por mês. Trata-se de estágios aprovados pelo IEFP, para licenciados, mestres ou doutores.

Esta medida enquadra-se, obviamente, na defesa do Estado Social e outra coisa não seria de esperar de um governo apoiado por um partido de centro-esquerda, submergido em preocupações sociais e obcecado pela ajuda aos mais necessitados, um partido sempre firme na exigência de obrigar os mais favorecidos a contribuir para o bem comum.

Na realidade, só uma pessoa muito bem paga pode acrescentar aos descontos que já fazia um valor como aquele, dir-se-ia. Decerto será gente que ganha acima dos três mil euros, pensará um leitor desprevenido. Todavia, esses estagiários recebiam, até aqui, caso fossem solteiros e não tivessem filhos, 838,44 €; passam a receber 581,13 €.

É claro que o conceito de milionário, de acordo com o governo, passou a integrar qualquer pessoa que ganhe mais que o ordenado mínimo e menos que um gestor público, como já tive ocasião de notar aqui. Para que todos possam invejar a vida destes novos milionários, fica aqui um comentário à notícia publicada hoje no i:

Sou licenciada e estou num estágio do IEFP desde Julho de 2010. Ganho os ditos 834€ subsidio de alimentação, no final não chego a receber 900€ e depois ainda desconto 80€ para o IRS. Estive desempregada durante 7 meses e quando arranjei este emprego fiquei bastante feliz. Só tenho um pequenino problema, fica a 40km de casa. Ou seja, para além do dinheiro que tenho de tirar para a renda da casa e contas, tenho de tirar em média (por mês) 160€ para o gasóleo. No final se conseguir ficar com 200€ para alimentação e despesas básicas é uma sorte! Ou seja se passarem a pagar os 580€, num caso como o meu, não chega para as despesas. Mais vale ir para uma operadora telefónica perto de casa onde se ganha o mesmo e não se gasta gasóleo porque se vai a pé! E lá se vão os 4 anos de Licenciatura pelo cano abaixo! Que bom senhor Sócrates!

José Sócrates, esse brincalhão

O Sócrates que é José tem em comum com o mestre de Platão a maiêutica, ou seja, de certo modo, a arte de fazer nascer ideias naqueles que o ouvem. Estas declarações do Secretário-Geral do PS fazem nascer em mim os seguintes comentários:

 

1. Se é verdade que uma crise política prejudicaria a economia e tendo em conta que a economia está tão prejudicada, ficamos a saber, afinal, que vivemos em crise política.

2. Se são portugueses aqueles que estão “a fazer [um esforço] para a consolidação das contas públicas”, será fácil concluir que não o são todos os que não estão a fazer esse esforço. Seria conveniente que algumas empresas públicas fossem fiscalizadas, porque deve haver por lá muito estrangeiro sem autorização de trabalho.

3. Sócrates tem, ainda, a preocupação de afirmar que o PS é um partido de centro-esquerda, num exercício da mais fina ironia, que poderá passar despercebida aos menos atentos. Segundo parece, Sócrates terá proferido estas palavras, enquanto piscava um olho maroto ao auditório, ao mesmo tempo que tentava abafar o riso.

4. As palavras sobre educação (“O objectivo não é dar educação a todos, é dar a todos uma boa educação para o futuro”) foram já ouvidas com muita dificuldade, tal era a quantidade de gente que se rebolava de riso. O próprio Sócrates estava agarrado ao palanque, com dores abdominais resultantes das gargalhadas. “Não aguento mais, pá!” terá o Primeiro-Ministro declarado a Pedro Silva Pereira.