Números do êxodo ucraniano

Ontem estávamos assim. Hoje, seguramente, já terão saído muitos milhares mais. As perspectivas são pessimistas e deixam antever que a fuga em massa continue a aumentar e a colocar uma pressão adicional sobre os Estados limítrofes e sobre a Europa em geral. Este desafio junta-se a todos os outros e transforma-se, ele próprio, numa frente de batalha. Putin conta com ela. Nada foi deixado ao acaso.

Guerra, o modo de vida da Iniciativa Liberal

Não é novidade para ninguém que BE e PCP são contra a presença de Portugal na NATO. São-no desde sempre. E, convenhamos, trata-se de uma opção ideológica e programática perfeitamente legitima, que diz respeito a cada partido. Há quem já não se lembre, mas o CDS também era eurocéptico. O próprio Cavaco Silva chegou a afirmar que a UE não era para toda a vida.

Sou a favor da presença de Portugal na NATO, até pela nossa dimensão e vulnerabilidade, o que não invalida que tenha críticas ao funcionamento da organização, que, na prática, é um instrumento de política externa dos EUA, no interior do qual todos os outros são Estados-clientes do Pentágono.

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Assim chega ou é preciso mais molho?

O Clube VAIDAI

Não, não estou a falar de um clube de futebol. Estou a falar de outra coisa. Criado na Rússia em 2004. Um “think tank” que traduzido para “areosês”* significa juntar os senhores e umas senhoras muito inteligentes que pensam muito sobre tudo e um par de botas mas, porque não há almoços grátis, depois dizem umas coisas sempre boas sobre quem convida e paga. No caso deste, a Rússia ou seja, Putin. Putin, claro e a história dos almoços, entendem?

Já para acalmar as almas mais sensíveis: sim, existem aos molhos em todo lado, até em Portugal e de todos os credos, ideologias e feitios. Pronto. Já posso continuar? Obrigado. Vamos então:

Como já disse antes aqui no Aventar, em tempos de guerra não se limpam armas. Por isso, sempre que vejo algumas comentadeiras nas televisões com umas opiniões opostas em pouco tempo, fico de pé atrás. Antigamente era muito difícil seguir o rasto. Só que graças aos senhores zuckas a coisa ficou um pouco mais fácil. Só para mim? Não, para todos. No caso presente, fico a dever este achado a um tweet do Sebastião Bugalho, a quem até já dei umas “lostras” verbais no Aventar. A verdade é que foi graças a ele que despertei para o tema:

Ora, eu gosto pouco de ser comido por lorpa. Imaginem este vosso retinto portista ir para a televisão falar, com a aura de grande independente, sobre o Porto vs Benfica. Era uma boa ideia, não? Até nem era original, o Braz andou pelas televisões como se fosse neutro e vai-se a ver até trabalha no departamento de futebol do Benfica. Mas , deixemos a bola para outro dia. Ora, o Major General Carlos Branco andou (anda) pelas televisões a falar sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia. Só que eu, depois de ter visto o seu nome no club VALDAI , acredito tanto na sua independência como na do Braz… Mas isso até nem era importante pois a independência das diferentes comentadeiras não é nenhuma novidade. Pois não. Mas nos últimos tempos fartei-me de ouvir e ler muito boa gente dizer coisas como: “atenção, é a opinião de um General, de um militar” como se fossem um exemplo de independência. E que tal sabermos por onde andaram nas suas actividades não militares? E depois, temos os militares ainda no activo. Em tempo de guerra não é boa ideia andarem a passear a sua vaidade pelas televisões. É uma questão de profissionalismo. Ou de falta dele…

Mas é grave andar pelos “valdai” da vida? Não, até por lá devem andar outros portugueses. E anda por lá muito boa gente que trabalha (ou trabalhou) nas diversas instituições da UE. Só que é importante saber. Para desmistificar a aura de independência dos senhores generais, majores, tenentes e quejandos. E até para saber com o que podemos contar. Porque quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, certo?

 

Queremos paz!

Queremos paz…
Queremos construir una vida mejor para nuestro pueblo…
Independiente…

Uma barricada de livros em Kiev

Na sua casa em Kiev, o arquitecto e investigador Lev Shevchenko ergueu uma barricada de livros, junto à janela, para evitar que os estilhaços resultantes de uma eventual explosão atinjam os moradores. Não será por acaso que os ditadores odeiam e censuram a cultura. Os livros salvam vidas.

Nem Putin, Nem Nato: Paz na Ucrânia!

Nenhuma descrição disponível.

Lutar contra a guerra na Ucrânia e exigir a retirada imediata da Rússia é urgente, como é urgente fazer esse combate ao lado de quem também cerra fileiras contra o colonialismo e o imperialismo, do Iraque ao Afeganistão, da Palestina ao Iémen, ao lado de todos os povos que se vejam a braços com uma guerra de ocupação. Participa!

Durão Barroso definido exemplarmente:

Pelo Rui Calafate no facebook:

Durão Barroso foi das mais mediocres e embusteiras criaturas que andaram (e andam) por aí. Ao Expresso diz hoje “que se reuniu 25 vezes com o presidente russo e reconhece que Putin não foi levado a sério”. Mas o mordomo da vergonhosa cimeira das Lajes viu logo, em 2003, um conflito no Iraque que provocou uma guerra sem sentido e o premiou com a presidência da Comissão Europeia e mais tarde o lugarzinho no banco vampiro Goldman Sachs. Sempre que Durão Barroso abre a boca confirma o nojo de homem que é.

É chegada a hora de seguir Emiliano Zapata – Crónica do Rochedo #54

“É melhor morrer de pé do que viver de joelhos”, Emiliano Zapata

Não existe nenhuma justificação, nenhuma, para a Rússia invadir a Ucrânia. Nenhuma. Nem ideológica nem histórica nem qualquer outra. Nenhuma. E não existe nenhuma, nenhuma razão para os povos que defendem a nossa civilização, o nosso modo de vida, não ajudarem aqueles que, lutando pelos mesmos ideais, estão a sofrer uma guerra que lhes é imposta por um tirano. E ajudar não é, ou não pode ser apenas, enviar armas ou palavras amigas de solidariedade. Não, não pode.

Uma parte, felizmente minoritária, da opinião pública está a comportar-se hoje, como em 1938, se comportaram uma parte minoritária dos seus avós em relação à Alemanha e a Hitler. Entendem que é a hora da paz esquecendo que a paz só se faz se essa for a vontade de ambas as partes. E que quando Putin afirma isto:

Significa que está fechada a porta da paz. Putin não quer saber se o seu povo vai morrer à fome por causa das sanções, como não quer saber de moral ou de ética se tiver de executar um verdadeiro genocídio do povo ucraniano. É para o lado que dorme melhor. Com Putin não há paz como não há moral ou ética. E quando não há moral nem ética só o caminho da guerra resolve a falta de paz.

Nós permitimos à Ucrânia sonhar? Não, porque não somos um Putin. Quem sonhou com a UE ou com pertencer à NATO foram os ucranianos, porque ELES desejam viver como nós, desejam para si prosperidade e democracia como a que temos (mesmo com muitos defeitos). Nós oferecemos a esperança disso acontecer? Claro que sim. Não o fazer seria condenar o povo da Ucrânia. E é por isso que não chegam moções de condenação ou sanções económicas. Não. É preciso ir para a Ucrânia, combater ao seu lado.

Ou então, somos piores que o Putin. Somos uns covardes sem nome. Uns egoístas sem perdão. Somos aqueles que ficarão na história como os traidores de Zelensky e do povo ucraniano. O povo ucraniano e o seu presidente estão a fazer o que Putin os obrigou a fazer, a defender a sua pátria, a sua dignidade mesmo que tal os leve para a morte. E leva-os para uma morte certa se o ocidente se comportar como um imbecil covarde e traidor. Zelensky está a fazer o que tem de ser feito. O que fez o D. João I. Quantos terão dito que era a morte certa do seu povo e que isso não passava de orgulho e estupidez? Como o fez Winston Churchill contra Hitler e quantos não afirmaram que era levar o seu povo para uma morte certa. Raios, está na hora de abandonarmos este complexo de sermos os bisnetos dos que não foram para a Índia…

Agora é tarde, “Inês é morta”. Só existem dois caminhos: lutar ao lado daqueles que defendem o nosso modo de vida ou capitular. Hoje é a Ucrânia, amanhã serão os nossos filhos. Temos de lutar com os ucranianos contra o tirano. Sim, o caminho da guerra. E sim, vai ser feio, vai ser catastrófico mas, tal como Emiliano Zapata, prefiro morrer de pé do que viver de joelhos. Com a moral de quem, fruto da idade, será chamado a esse desiderato. Pelo futuro da minha filha, dos filhos dos meus concidadãos europeus, o farei. Não sou, não quero ser, bisneto dos que não foram para a Índia…

 

 

 

 

 

 

Incentivo suicida do Ocidente aos ucranianos

Importa e muito conhecer a História, particularmente a mais recente, para compreender a invasão russa da Ucrânia, mas a interpretação dos factos divide-nos, por fazermos, naturalmente, leituras diferentes.
O que nos deveria exclusivamente interessar neste momento, é como tratar o problema real actual de modo a pararmos a destruição, a morte e a fuga do horror provocados por Putin. Sobre a condenação desta invasão só pessoas muito mal-formadas não o fizeram, mas isso não demove o monstro. Numa guerra não há moral, não há ética, não há humanidade que resista à motivação bélica de quem a pratica. Não se deixem enganar nem iludir: Putin não quer saber de quantos são os que o condenam, de quão forte será a Rússia atingida por sanções económicas. Putin só persegue um objectivo – ganhar esta invasão e sequente ocupação. Nada o desviará desse propósito a não ser que o matem!

Neste contexto, temos uma Ucrânia a que permitimos que sonhasse vir a pertencer à União Europeia e à OTAN e aos ucranianos uma vida democrática e próspera como a que se vive no Ocidente. Acontece que esse sonho que alimentámos aos ucranianos esbarrou com a monstruosidade de Putin escudado no seu imenso arsenal bélico.
Qual é a situação neste momento? Estados Unidos e [Read more…]

Com um brilhozinho noj’olhos

“Casa Branca recusa fechar, em definitivo, a porta ao gás e petróleo russo”. Diz-me a RTP.

Traduzindo: “A tua teta não presta! Deixa-me mamar só mais um bocadinho. Mas a tua teta é caca! Vá, chega lá aqui esse seio bom. Mas eu desfaço-te todo! Deixa só apanhar mais uma pinga desse mamilinho”.

É isto? Vós estais a dar-me baile e eu a ver…

Nice try, bro

Senhoras e senhores, a piada do ano está feita. Até 2023.

Propaganda de guerra

Segundo o Washington Post, do senhor Amazon, o FSB informou o governo de Kiev que o Kremlin enviou uma milícia chechena para assassinar Zelenskyy.

Informado pelos serviços secretos russos, o governo ucraniano reagiu, neutralizou e abateu os mercenários, a soldo do governo russo, entidade patronal do FSB.

End of story, para quem acredita nela. Teoria da conspiração por teoria da conspiração, prefiro a dos microchips do Gates.

Vamos para intervalo, até já

Acompanhar a guerra pelos meios de comunicação social ‘mainstream’ é um ‘must’. O sensacionalismo, informações que não interessam, especulações e mentiras… e nem assim ultrapassam as audiências do Big Brother, o que em termos práticos deveria envergonhar qualquer OCS.

As minhas tiradas favoritas, até agora, foram:

SIC Notícias: “O avó do Putin era cozinheiro do Estaline”;

– Jornal Inevitável: “Putin é comunista”;

– Todos sem excepção: “Estou de pau feito pelo Zelensky”;

– Visão: “Putin teve esposa, amantes e tem filhos”;

– Más Noticias: “Pornhub bloqueia conteúdo na Rússia”;

– CNN: “A economia soviética…”;

– CNN, outra vez: “Ibrahimovic ajuda nas negociações”;

– Expresso: “Ucrânia vai vencer Eurovisão”.

A lista poderia continuar. Enquanto os russos invadem a Ucrânia, bombas caem em Kyiv e milhares de refugiados fogem para outros países, a comunicação social entretém-se em especulações, como se a guerra fosse passível de ser tratada como o mercado de transferências em Agosto. Notícias que não são notícias, comentadores a gastar latim quando não têm nada para dizer (Zé Milhazes? Sérgio Sousa Pinto? Clara Ferreira Alves? Alexandre Guerreiro? Sebastião quê?), homens de meia idade (liberais e conversadores, o que é giro, porque os une) de pau feito com o presidente ucraniano, fanáticos da pólvora que se babam em directo… para quê? Há gente a fugir. Há gente a sofrer. E a guerra não passa na televisão. A verdadeira guerra.

Fecho este meu resmungo com a frase que abriu, com pompa e circunstância, o noticiário da meia-noite, na SIC Notícias, há uns dias: “Última hora!: russos estão a 30km de Kyiv! Vamos para intervalo, até já”.

Pelo embargo total à Federação Russa – O Equilíbrio do Terror #11

Putin invadiu a Ucrânia, ameaçou todos os membros da NATO, ameaçou a Finlândia e a Suécia, a quem violou o espaço aéreo, ameaçou dar início a uma guerra nuclear e, ontem, atacou a maior central nuclear da Europa, na cidade ucraniana de Enerhodar. A par disto, a agressão continua, imparável, e a determinação do exército e da guerrilha urbana ucraniana pouco pode contra a poderosa máquina de guerra russa. Continuam a morrer civis, a ser destruídas infra-estruturas essenciais, a ser arrasadas zonas habitacionais, e existem até relatos da entrada, em território ucraniano, de bombas termobáricas, proibidas pela convenção de Genebra. E sim, eu sei que os EUA também usaram a MOAB no Afeganistão. Mas este texto não é sobre o Afeganistão, da mesma maneira que os muitos textos que escrevi sobre o Afeganistão não eram sobre a invasão da Ossétia, da Abecásia ou da Crimeia.

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O Putin é mau, mas o gás dele é muito jeitoso

Não tinham passado 24 desde o reconhecimento da independência das repúblicas-fantoche de Lugansk e Donetsk. E, daí a outras 24, o exército de Putin atravessaria a fronteira da Ucrânia, dando início a invasão para a qual os membros da NATO estavam a alertar há vários dias. Tal não os impediu de comprar centenas de milhões de euros em gás, petróleo e outras commodities russos. Presumo que terá presidido à decisão o mesmo espírito que procurou excluir marcas de luxo do primeiro pacote de sanções. Ou abrir as comportas dos espaços aéreos, convictamente fechados à malvada Rússia, para que os pobres oligarcas pudessem entrar no seu playground. Ou, em geral, a mesma convicção democrática que nos leva a ter os chineses como principal parceiro de negócio. Os campos de concentração, perdão, de reeducação para Uigures não se vão pagar sozinhos, não é?

RESISTÊNCIA

Vemos muita gente a fugir da Ucrânia. É natural e os números tenderão a aumentar com o agravamento do conflito.

Vê-se também gente dirigindo-se para a Ucrânia, voluntariando-se para acções de defesa. Boa parte são emigrantes ucranianos residindo noutros países que se sentem motivados a defender a sua terra e os seus familiares. Outros, porém, são estrangeiros que se propõem lutar contra uma injustiça que acham gritante.

Haverá, entre todos eles, militaristas nostálgicos e românticos da guerra que gostam do cheiro da pólvora, de camuflados e de cenários de destruição. Serão, suponho, uma minoria.

Muitas destas pessoas são apenas gente corajosa, com o coração no lugar certo e grande generosidade. Não se lhes pode, em bom rigor, chamar belicistas nem pacifistas, mas vão para a guerra almejando a paz. Uma paz que não seja podre.

Ver a nossa Esquerda a citar o tio Kissinger…

…era a última coisa que eu esperava ver em vida. Um dia não são dias e se é para o citar, nada como este belo exemplo:

Henry Kissinger, o todo-poderoso chefe da diplomacia norte-americana em 74 e 75, com Nixon e Gerald Ford, ficou famoso pela sua teoria da «vacina». Se Portugal caísse nas mãos dos comunistas – uma «Cuba» no Velho Continente – isso serviria de exemplo, evitando que outros países do Sul da Europa (Espanha e Grécia) seguissem o mesmo caminho…

Não deve ser o mesmo. É um primo. Pela certa. Não falta muito e citam o Ventura…

Pausa

Está na altura de parar um pouco, só uns minutos bastam, e rever o que se tem passado, o que temos sentido e o que temos feito. Conheço minimamente a humanidade e mesmo confessando a minha surpresa por esta reacção tão global e muito mais enérgica que o expectável, sei que esta vontade tenderá a abrandar com o decorrer do tempo.

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Mas então não era por causa da NATO???

Putin diz que ucranianos e russos são “um povo só” e acusa Ucrânia de fazer “lavagem cerebral” à população 

 

PCP 2008 (ou como isto não começou na semana passada)

Sobre os milhões que o comunismo português assassinou, ocultados com a cumplicidade do sistema

A purga cirurgicamente orquestrada pelos luso-McCarthys do Twitter, com a qual se pretende usar a guerra na Ucrânia para manipular emocionalmente tantos quantos for possível, para, de seguida, culpar o PCP pela morte de todos os ucranianos, atingiu ontem um novo patamar. Terminada a fase da disseminação de ódio primário, entramos agora na fase do delírio em Las Vegas.

Segundo este utilizador do Twitter, o PCP terá assassinado 30 milhões de pessoas, o que levanta uma questão fundamental, que exige resposta imediata: se a totalidade da população portuguesa foi assassinada três vezes, quem somos nós? Espanhóis? Soviéticos? Oompa Loompas? Cyborgs? Um grande enigma…

Parabéns, luso-McCarthys, nem o Putin se lembraria de tal coisa. Cambridge Analytica 4life.

Oligarca bom, oligarca mau

Ainda sou do tempo em que Salgado, e outros como ele, patrocinavam tudo e todos. Ds selecção nacional de futebol às férias na neve de José Gomes Ferreira e Paulo Ferreira, entre outros jornalistas acima de qualquer suspeita, o dinheiro do oligarca de Cascais chegava a todo o lado. E se alguém ousava falar sobre as muitas suspeitas dos muitos crimes que há anos sobre ele pendiam, sempre surgia alguém a mandá-los calar, porque davam emprego a muita a gente e o que nós precisávamos era de mais uns quantos iguais.

Depois, começaram a cair em desgraça, uns atrás dos outros, e já ninguém se lembrava dos empregos, das mesadas, das capas da Exame com os CEOs do ano, do mecenato e da filantropia que paga com benefícios fiscais. Já ninguém era amigo deles. Acontece agora o mesmo com os oligarcas russos. E, suspeito, virá o tempo em que os seus congéneres chineses, que hoje controlam meio país, também cairão em desgraça. E a jihad do mercado livre, que lhes fez juras de amor num anexo da sede do Partido Comunista Chinês, garantirá que nunca se envolveu com tão má rês. E os senhores da narrativa, aqueles que controlam, de facto, os órgãos de comunicação social, cá estarão para garantir que tudo se desenrolará de acordo com o plano.

Os luso-McCarthys, o PCP (e o BE) e dinheiro sujo dos oligarcas

Lembram-se da luta dos luso-McCarthys, que, durante anos, combateram a crescente influência de oligarcas russos, chineses, angolanos e de outras nacionalidades na economia portuguesa?

Pois não, não lembram. Não lembram porque nunca aconteceu. Estavam ocupados a garantir o seu quinhão de dinheiro sujo, extorquido a milhões de pessoas oprimidas por governos totalitários, a quem vendemos grupos de comunicação social, empresas, mansões e nacionalidade através do branqueador preferido das elites capitalistas: o Visto Gold.

Então, o que mudou?

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Coxos

Fotografia: Dinheiro Vivo

Em 2013, se bem me lembro, já era reconhecido e unânime que Vladimir Putin era um déspota, um nacionalista, um autocrata que ameaçava o Estado de Direito e que não se revia em Democracias.

Pois era.

Em 2013: “Portugal vai receber 30 mil turistas russos”. Ai vai? E quem são estes “turistas russos”? Adolfo Mesquita Nunes, hoje em dia um heróico defensor do liberalismo clássico (está bem, está bem), na altura Secretário de Estado do Turismo, explica: «(…) o responsável disse que foram precisas reuniões com a homóloga russa, com o objectivo de obter “um acordo aéreo entre Portugal e Rússia que facilite os voos entre os dois países”». Mas esperem. O “responsável” não ficou por aqui e disse ainda que: «“Do ponto de vista institucional, tivemos a presença de vários investidores interessados nos vistos ‘gold’ para efeitos de turismo residencial (…)».

Em 2013, o presidente do conselho directivo da Turismo de Portugal era… João Cotrim Figueiredo, hoje presidente da Iniciativa Liberal.

Portanto, em suma, Adolfo Mesquita Nunes, hoje um “feroz” “opositor” de Putin e do seu regime, como se pode ver nas peças teatrais que encena na CNN, em 2013, em representação do governo português, foi até à Rússia onde, com o apoio da Turismo de Portugal, negociou vistos gold com oligarcas russos.

Cada vez me confundem mais, estes heróis, novos adeptos do politicamente correcto sem correcção que os salve. Se não fosse um dissidente do partido do mocassim, aconselhava-o a enfiar-se num submarino.

Hoje é vê-los indignados com estes déspotas, quando há menos de uma década lhes apertavam as mãos, de Putin a Maduro, de Xi a Castro, do PS para a Direita. Cambada de coxos.

Ide…

Nuno Melo mentiu ou é só mais um incompetente a gastar o nosso dinheiro em Bruxelas?

Das duas uma: ou Nuno Melo é um aldrabão, ou então é um incompetente que não está a fazer nada em Bruxelas, que não seja gastar o nosso dinheiro. A votação em causa é anterior à invasão e nada tem a ver com a guerra desencadeada por Putin. Estará Melo a aproveitar-se do sofrimento dos ucranianos para obter ganhas para o CDS? Se não é, parece.

A direita, em particular a liberal e a radical, onde se insere Nuno Melo, tem estado mais focada em atacar o PCP do que em discutir o que se passa na Ucrânia. Mas desengane-se quem pensa que isto tem a ver com a posição do PCP ou que vai parar por aí. A seguir, como se vê neste caso, será o BE. Seguir-se-á o Livre e, finalmente, o PS. Todos serão culpados pela invasão da Ucrânia, a guerra chegará ao fim e os financiadores da direita reunir-se-ão novamente com os oligarcas, num abraço emotivo com mãos invisíveis e bolsos cheios.

Está feliz, a Petiz, a manipular

Joana Petiz, editora do DN ou do Dinheiro Vivo, ou lá o que é

Joana Petiz é editora do Diário de Notícias. Ou do Dinheiro Vivo. De um dos dois, é irrelevante para o caso. Não é, portanto, uma patega qualquer que debite postas na internet, como eu. Mas parece. Ou age como tal. Num editorial mentiroso, desonesto e que vai contra a deontologia da sua profissão, chamado “Ponham os olhos no PCP e no BE”, a petiz mente não uma, não duas, mas três vezes. A conta que deus fez. Não sei quem é o deus da petiz, mas ela faz o que lhe mandam, aparentemente. Ou então não tem consciência, o que a impede de discernir entre o que é verdade e o que é mentira. Então, tudo bem. Mas quais as mentiras da, para mim, até hoje desconhecida editora do DN (ou do Dinheiro Vivo; é irrelevante). São três. A saber:
1 – “O Bloco absteve-se na condenação da invasão da Ucrânia, por parte da Rússia, ontem no Parlamento Europeu”; a Joana sabe que é mentira, pois o Bloco votou a favor da condenação da invasão russa à Ucrânia;

Acta da votação de ontem, no Parlamento Europeu, parte I.

Acta da votação de ontem, no Parlamento Europeu, parte II.

2 – “O Bloco rejeitou participar na manifestação de protesto em frente à embaixada da federação russa”; a Joana sabe que é mentira, pois o Bloco não só aceitou participar, como esteve presente;

Representantes do Bloco de Esquerda na manifestação de solidariedade com o povo ucraniano, frente à embaixada da federação russa.

3 – O Bloco “recusa em condenar sem adversativas a ação [sic] de Moscovo”; a Joana sabe… que é mentira. Pois tanto Pedro Filipe Soares, líder da bancada parlamentar, na Assembleia, como Catarina Martins, coordenadora, ou Mariana Mortágua, deputada, já vieram condenar, “sem adversativas”, a acção de Putin.

 

Eu não sei se a Joana é Petiz por escolha ou se nunca chegou a crescer. Também não percebo: a Joana não fez o trabalho de casa? Ou fez mas decidiu que o que lia e via não lhe agradava? Joana, olhe, conselho de um petiz para outra: pense antes de manipular. Atente no código deontológico e peça desculpa, ainda vai a tempo. Sabe, melhor do que eu, que não vale tudo para se pôr em bicos de pés… não é assim que deixa de ser petiz. Dito isto, diz-me uma pulga qualquer, espere resposta, pois a mentira não fica impune.

 

NOTA: Como a estratégia não resultou, pois a verdade é sempre mais difícil de desmentir, a editora do DN, Joana Petiz, lá alterou o seu editorial. Agora, já não se intitula “Ponham os olhos no PCP e no BE”, mas apenas “Ponham os olhos no PCP” (conforme perceberão se clicarem em “Num editorial mentiroso”), com a adenda: “Este editorial foi alterado de forma a corrigir erros que escrevi por falta da devida informação na sua primeira versão. Com efeito, o Bloco de Esquerda votou favoravelmente no Parlamento Europeu (não se absteve, conforme aqui se afirmava) e participou ativamente [sic] na manifestação pró-Ucrânia, tendo condenado claramente a invasão de Putin. Pelo meu erro, peço desculpa ao BE e aos leitores, esperando com esta versão repor a verdade.” Muito bem, a Joana Petiz, a retractar-se do “erro” que cometeu. Agora, fica à consideração de cada um: a Joana não lê jornais ou a Joana lê jornais, mas na diagonal?

O dia em que Putin mandou fechar a Praça Vermelha para Sócrates fazer jogging

Vejo muita gente do PS destroçada com a invasão da Ucrânia, e não duvido que estejam, mas não me lembro de ver qualquer indignação quando o corrupto czar mandou fechar a Praça Vermelha para o jogging matinal de Sócrates e sus muchachos. Não que sejam situações comparáveis, é óbvio que não são, mas não deixa de ser um bom exemplo do bom relacionamento entre as nossas elites e o regime autoritário de Vladimir Putin, ou, por outras palavras, da normalização para a qual contribuíram.

Sim, eu sei. Paulo Portas também andou aos abraços com o Maduro e Passos Coelho vendeu meio Estado ao regime totalitário instalado em Pequim. Cavaco juntou-se a minoria que votou contra a libertação de Mandela e Soares fez a folha ao Rui Mateus, de cujo livro, Contos Proibidos, o Aventar é fiel depositário. E o Durão isto, o Guterres aquilo e o Balsemão não-sei-quê Bilderberg. E isto só me leva a concluir o seguinte: andamos de calças em baixo, a normalizar ditadores e práticas ditatoriais há mais de 40 anos. E não, não é o divino Espírito Santo que os põe lá. Somos nós.

Não é whataboutismo, é a hipocrisia dos critérios duplos

Pode ser um desenho animado de uma ou mais pessoas e pessoas em pé

Para os novos pacifistas – e alguns velhos – qualquer paralelo que se faça com a Ucrânia é whataboutismo, ou seja, um truque de propaganda que pretende desvalorizar, antes de tudo, a invasão da Rússia. Segundo eles ninguém pode comparar a Ucrânia a nenhum outro país, nem que seja para lembrar a dualidade de critérios face a outras situações que se encaixam perfeitamente no quadro da análise do colonialismo e do imperialismo. O truque não é de quem compara, até porque quem compara é contra qualquer um dos imperialismos e contra o colonialismo independentemente de quem o pratica. O truque é de quem lamenta, posto que cada um dos paralelos toca na ferida aberta pela hipocrisia com que calaram, desvalorizaram, ou apoiaram, todas as aventuras beligerantes que têm marcado o mundo. Que se mobilizem todos os esforços para acabar com a guerra, mas que essa mobilização seja portadora do mínimo de pedagogia, ou acabamos rendidos a votar resoluções criminosas que querem convencer que se conquista a paz através das baionetas da NATO.

Ucrânia e Palestina, heróis e terroristas: o terror que nos vendem e o mundo real

Não é à toa que a narrativa dominante impõe um silêncio sobre o passado, rotulando de apoiante de Putin quem ousa falar nos antecedentes desta guerra. Não que eles justifiquem a agressão, que deve ser condenada e combatida por todos os meios e sem hesitações – e eu defendo, há vários anos, um embargo à Rússia, quando ainda muitos destes freedoms fighters da treta estendiam tapetes vermelhos aos oligarcas que continuam a voar para a Europa, apesar dos espaços aéreos fechados – mas a tentativa de reescrever a história que está em curso é ilustrativa do quão usado o povo ucraniano e o seu sofrimento estão a ser. Usados por gente que se está literalmente nas tintas para eles. Usado, aqui em Portugal, por muitos daqueles que os trataram como merda, quando aqui começaram a chegar há 20 anos, e os remeteram para as obras e para as limpezas, ignorando diplomas e elevados níveis de formação superior, com a arrogância xenófoba que se lhes conhece.

Sou pela autodeterminação dos ucranianos, pelo respeito pelo direito internacional e pelo isolamento total de Putin, que defendo desde 2014, sem “mas” nem meio “mas”. Também sou pela autodeterminação dos palestinianos, que estão a ser agredidos hoje, foram-no ontem e sê-lo-ão amanhã. Pela sua autodeterminação, pelo respeito pelo direito internacional, no que toca também (mas não só) ao cumprimento do plano de partilha da Palestina de 1947, que nunca foi respeitado por Israel, que continua a construir colonatos ilegais na Cisjordânia (hoje, não há não-sei-quantos anos), e pelo julgamento dos criminosos de guerra que, protegidos pelas potências ocidentais e pela nossa cobardia, continuam a espancar e a matar crianças, idosos, mulheres e homens que só querem ser livres. Como os ucranianos. Porque continuamos a negar aos palestinianos os mesmos direitos que hoje nos mobilizam pelos ucranianos? Simples: porque isso não serve a agenda de quem realmente manda nisto tudo. E, por isso, um palestiniano que luta contra um colonato ilegal na Cisjordânia é terrorista, e um ucraniano que luta contra a ocupação da sua cidade é um herói.