Os nossos hipócritas e cobardes governos

Para quem ainda tinha dúvidas, este esclarecedor artigo no Público providencia uma amostra da subserviência dos governos europeus perante as multinacionais e do desprezo com que os mesmos governos presenteiam os cidadãos.

Em causa está “O estranho e secreto veto à lei contra a evasão fiscal pelas multinacionais”, lei essa que deverá “tornar mais transparente a evasão fiscal por parte das empresas transnacionais. Essas empresas (como a Google, o Facebook, a Amazon ou a Apple, entre outras) registam os seus lucros em países, como a Irlanda, onde as taxas de imposto são particularmente baixas, apesar de gerarem a maior parte do volume de negócios noutros países. (…) “A Comissão Europeia estima que isto custe aos cofres públicos dos países da UE até 70 mil milhões de euros por ano, ou seja, quase metade do orçamento anual da UE.[Read more…]

América, hoje (1): A interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016

O que é que se passou com os russos e a interferência nas eleições norte-americanas de 2016?

Ao longo da eleição [de 2016], um grupo alargado de russos testou as base de dados de eleitores do Estado [norte-americano] em busca de inseguranças; infiltrou-se [hacked] na Campanha de Hillary Clinton, na Comissão de Campanha Democrata ao Congresso e na Comissão Nacional Democrata; tentou infiltrar-se na campanha do senador [republicano] Marco Rubio e na Comissão Nacional Republicana; divulgou informações politicamente prejudiciais na Internet; espalhou propaganda no Twitter, Facebook, YouTube e Instagram; organizou comícios na Flórida e na Pensilvânia; teve reuniões com membros da campanha Trump e seus associados; e apresentou uma proposta de negócio de um arranha-céu em Moscovo para a Trump Organization. [Revista Time, 18 de Abril de 2019]

Poderão alguns dizer que a Time faz parte dos Fake Media a que Trump recorrentemente se refere quando as notícias não lhe são favoráveis (spoiler alert: para Trump, tudo o que não é notícia a ele favorável, é fake media).

Vejamos então o que disse a comissão de espionagem do senado norte-americano (US SSCI), parte integrante do Congresso norte-americano, o qual é controlado pela maioria republicana de Trump. Dito de outra forma, só ficou escrito o que os republicanos aprovaram. E disso, só ficou por censurar na versão tornada pública o que, novamente, os republicanos aprovaram.

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Neo-nazismo ilegalizado

A democracia alcancou hoje uma grande vitória, com o veredicto da justiça grega que ilegalizou o partido de extrema-direita Aurora Dourada. A partir deste dia histórico, para a Grécia e para todo o mundo democrático, o gangue neonazi grego passou a ser, oficialmente, uma organização criminosa.

Na foto podemos ver o arianíssimo Nikos Michaloliakos, líder do Aurora Dourada e negacionista do Holocausto, condenado por liderar uma organização criminosa responsável por homicídios, espancamentos, perseguições e outras actividades comuns entre a extrema-direita. O julgamento condenou ainda 68 outros arguidos, entre eles 18 ex-deputados do partido. Não admira que esteja com este ar de zangado.

Que a Europa ponha os olhos no berço da democracia e ganhe coragem para, de uma vez por todas, ilegalizar e julgar todos os criminosos que querem fazer do medo e da violência uma arma política. O lugar deles é na prisão.

A besta

Se bem que focando-se nas reacções, até para a Fox News é notícia a última estupidez do #idiotinchef.

Depois de ter estado internado de urgência, onde recebeu tratamentos inovadores inacessíveis ao cidadão comum, Trump anunciou no Twitter que deixaria o Walter Reed Medical Center, escrevendo “não tenham medo de Covid. Não deixem que ele domine a vossa vida”.

Não tomou, obviamente, as tretas que andou a recomendar aos outros. Como perceberá quem queira ver, esses pseudo-tratamentos fizeram parte da sua estratégia de minimizar a pandemia. Afinal de contas, se houvesse um tratamento para a covid, não haveria razões para preocupação.

Agora, com esta declaração, volta a minimizar os perigos deste vírus, meramente por cálculo eleitoral. Vamos ver se o seu instinto é assim tão apurado. De acordo com o Politico, uma sondagem da ABC News/Ipsos divulgada na sexta-feira revelou que um recorde de 67% dos entrevistados desaprovam “a maneira como Donald Trump está a lidar com a resposta ao coronavírus”, enquanto que apenas 33% aprovam.

https://twitter.com/ChrisEvans/status/1313202077993250825?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1313202077993250825%7Ctwgr%5Eshare_3&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.foxnews.com%2Fentertainment%2Fchris-evans-stars-react-trumps-dont-be-afraid-of-covid-tweet

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Trump e a covid

Então o Trump não estava a tomar hidroxicloroquina como medida preventiva?

(…) Trump, que primeiro apontou a droga como uma cura de coronavírus em Março, disse acreditar que funcionou “nos estágios iniciais”. [Euronews]

E agora, vai curar-se com o remédio que andou a anunciar? Ou será que se vai injectar com lixívia? Ou talvez com feixes de ultravioleta?

O mentiroso das pernas curtas caiu na sua própria demagogia. Sorte a dele que, ao contrário dos que morreram sem acesso a cuidados de saúde, tem um batalhão de médicos e abundantes meios para zelar por ele.

Trump diz que ainda acha que hidroxicloroquina funciona no tratamento do coronavírus em estágio inicial (CNBC, JUL 28 2020)

Trump foi questionado por um repórter sobre um vídeo que ele partilhou no Twitter, que se tornou viral nas plataformas de social media, onde se afirmava que a hidroxicloroquina é “a cura para Covid” e que “não se precisa de uma máscara” para retardar a propagação do coronavírus.

“Acontece que eu acredito nisso. Eu aceitaria. Como sabe, eu tomei-a durante um período de 14 dias. E como sabe, estou aqui. Acho que funciona nos estágios iniciais”, disse.

Trump & Melania

Tonight, @FLOTUS and I tested positive for COVID-19.
Donald Trump

Nathan Muir: Correct. Dinner Out is a go.
Dr. William Byars: “Dinner out is a go”? Hell of a way to speak to your wife.
Vincent Vy Ngo: Why do you think they keep dumping him?
Spy Game

***

Hoje de manhã, ao ligar o computador, recebi esta notícia do The Guardian.

Fui tomar um café duplo e ouvir um bocadinho de Liszt.

No regresso ao computador, verifiquei que alguém do The Guardian repetira a notícia, mas com aspecto ligeiramente distinto.

Descubra as diferenças.

Mudando de assunto:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***


Como conduzir um país à guerra civil

  • Declarar que a eleição vai ser fraudulenta, sem que existam evidências disso e quando o próprio director do FBI, nomeado por Trump, afirma, sob juramento, que não encontra nenhuma evidência de fraude (Forbes, NYT, CNN). Mentir, por tanto.
  • Afirmar que já estão a existir fraudes na eleição, quando tal é falso. Mentir, por tanto.
  • Não se demarcar de grupos de extrema-direita, como os Proud Boys, dizendo-lhes para se manterem em alerta (DN). E depois dizer que não os sabiam o que são ou, até, mandar dizer que os condenou (Fox News, onde mais?)
  • Recusar-se a dizer que aceitaria uma derrota, baseando-se em mentiras para se justificar (BBC).

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Debate Trump-Biden: antevisão

Os dois candidatos à presidência norte-americana vão hoje defrontar-se num primeiro debate tele-visionado. Quem estiver com falta de ficção pode acompanhar em diversos locais, entre os quais a CNN.

O debate vai-se resumir a isto:

  • Biden: Obama, Obama e Obama.
  • Trump: Mentir sobre o vírus corona. Mentir sobre o voto por correspondência. Mentir sobre as suas declarações fiscais. Mentir sem pudor.

Adenda: o debate inicia-se às 2:00 da manhã de 30/09/2020, hora de Portugal Continental

Porque se despreza Cabo Delgado

A esquerda é hipócrita. A esquerda é trafulha. A esquerda é interesseira. Mas acima de tudo a esquerda é criminosa porque continua a ser responsável pelo desinteresse da sociedade pelas imensas e colossais barbáries que ainda ocorrem por esse mundo.

Acham um exagero? Pois eu não tenho qualquer dúvida que a agenda noticiosa mundial é muito, mas mesmo muito marcada pelos interesses da esquerda. Então em Portugal, essa minha opinião torna-se uma constatação. A esquerda, ao contrário de outros sectores mais democráticos, não tem qualquer pejo em utilizar estratégias menos éticas para ganhar influência. São, ainda, reminiscências soviéticas. Por exemplo, em Portugal, a esquerda, nomeadamente o PCP e o BE, planeiam desde há muito, sem qualquer vergonha, a infiltração das profissões e das instituições que possam conceder influência na informação e na formação das massas. Desde logo, na comunicação social e na educação.

Porque razão não há jornal ou telejornal em que os anormais do Trump e do Bolsonaro não apareçam, mas passam-se dias (meses) sem se ouvir falar de Maduro, de Kim Jong-un, de Xi Jinping, de Aleksandr Lukashenko, de Putin, etc. Não pode ser pela qualidade e nível de vida nos respectivos Países. Não pode ser pela democraticidade. Não pode ser pelo respeito aos mais elementares direitos humanos. É que é evidente que os mais referidos, gozados e atacados (com razão, diga-se de passagem) ainda conseguem proporcionar isso às suas populações. Quanto aos outros, estamos conversados.

E nesta agenda noticiosa dominada pela esquerda, a miséria, a fome, os assassinios, o despotismo que aqueles Povos sofrem diária e constantemente é pura e simplesmente desprezado. Se isto não é ser criminoso, melhor, se este desinteresse deliberado não corresponde a um crime hediondo contra a humanidade, então o que corresponderá?

Muito mais evidente e chocante, por exemplo é a diferença de tratamento pela comunicação social do que está, há muito, a acontecer em Cabo Delgado e o que aconteceu nos EUA. Aqui um cidadão foi, repulsivamente, morto pelo exagero de um agente de autoridade. A partir daí, os jornalistas auxiliados pela ocorrência de mais 2 ou 3 situações similares, noticiaram non-stop o que aconteceu repetindo vezes e vezes sem conta o vídeo do homicídio, as manifestações que se lhe seguiram, etc. Porquê? Porque através do usual embuste de transformar as excepções em regras, conseguiam extrair a “prova” da preponderância do fascismo (através do abuso de autoridade) e do racismo (um agente branco que matou um negro, esquecendo que os restantes 3 agentes eram de diferentes etnias).

Para perceberem melhor o que pretendo dizer, deixem-me contar algo que pude ler ontem no Twitter onde, num post, uma mulher se insurgia contra o facto de um homem ter “apalpado” (o termo não é meu) uma estranha no meio da rua numa cidade deste País. Além de desejar a morte ao “apalpador”, dava como óbvio e comprovado o iminente e avassalador perigo do machismo. Ilustrava tudo isto com um recorte de um jornal local que dava essa notícia. Provavelmente sou só eu e por isso devo estar errado (o tanas), mas se uma ocorrência como essa consegue ganhar a dignidade de aparecer como notícia de jornal, acho que somos capazes de já estar num bom patamar geral de respeito pelas Mulheres.

Mas voltando ao que, realmente, interessa até porque estamos perante uma emergência humanitária, porque é que o terror de Cabo Delgado é olimpicamente ignorado? Porque é que o homicídio reiterado, cruel, revoltante e simplesmente inadmissível de parte da população de Cabo Delgado é mascarado pelo silêncio?

Porque noticiar isso nada de positivo (pelo contrário, provavelmente) traz para a esquerda que é quem, efectivamente, marca a agenda. Dali não se pode, nem à custa de silogismos trafulhas, inferir fascismos, racismos ou outros “ismos” quaisquer que possam prolongar a ilusão que a esquerda ainda pode ter alguma razão.

Efectivamente, um cê dá muito jeito e faz imensa falta

–Looka there… They don’t care…
Frank Zappa

Me and Tim Ford stole a car once in San Bernardino. One of those early Austin Healeys with red leather tuck and roll and wire wheels.
Sam Shepard

L’arc aboli de tristesse élancée
Dans une lutte imperceptible, ultime
Se raffermit conjointement, minime ;
Les dés sont à demi lancés.
Michel Houellebecq

***

Exactamente.

Embora, como sabemos, haja quem não saiba.

Apresentada mais uma excelente recaída do Expresso, resta-me desejar-vos a continuação de uma óptima semana.

***

Distantes incêndios aqui tão perto

As razões para congelar o acordo de livre comércio entre a EU e o Mercosul são múltiplas.

Em pouco mais de um minuto, veja aqui algumas delas.

“(…) mas eu não consigo matar este cancro que, em grande medida, são as ONGs”, disse Bolsonaro na transmissão que realiza semanalmente na rede social Facebook.

“14% do território do país são reservas indígenas. Há quem queira aumentar isso para 20%, mas o Brasil não o suporta”, porque entre outros fatores “poria fim ao agronegócio”, que é um dos pilares da economia nacional, afirmou“ .

E você, de que lado está?

O Index e a nova Inquisição

Quem nunca ouviu aquela boa velha linha, que vai mais ou menos assim: “só dás valor às coisas quando já não as tens”? Eu já ouvi, várias vezes, em vários contextos e por vários motivos. A propósito dela, da boa velha linha, há algo que, em certos países, se está a perder. Um algo ao qual talvez não estejamos a dar o devido valor, e que, suspeito, estamos em risco de perder. E não é um algo qualquer. É o jornalismo, um dos pilares que sustenta o edifício das sociedades democráticas. Mais ou menos independente, a morte do jornalismo profissional é uma tragédia para a democracia. E está a acontecer. Aqui e agora, na União Europeia dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

O jornalismo pode morrer de muitas maneiras. A mais comum e eficaz é a morte por autoritarismo. Chame-se o que se lhe quiser chamar: autoritarismo, nacionalismo, democracia iliberal ou totalitarismo. Ou o bolsoliberalismo evangélico, subespécie alternativa e ainda pouco estudada, que destrói o jornalismo ao mesmo tempo que cria páginas no Facebook e no Twitter, com pastores evangélicos que pregam o criacionismo e a teologia da prosperidade, através da qual burlam a ignorância e compram bons helicópteros. Com mais ou menos porrada, mais ou menos exploração, vai tudo dar – literalmente – ao mesmo. [Read more…]

Entretanto, na América

O presidente do Trump First, perdão, America First é o incendiário que depois vem dizer “vejam, não controlam o fogo”. Os quatro anos de Trump resumem-se a isto. É útil para Trump ou não?

Ao longo da sua presidência, Trump sempre procurou dividir. Os aliados, os inimigos e o país. Como se diz, em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Dividir para enfraquecer, para depois reinar.

Há quem o defenda. Será esta a visão destas pessoas para Portugal?

Cocaína na Convenção Republicana

Entretanto, na Convenção Republicana, dominada por Trump, pelos filhos de Trump e pelas namoradas e namorados dos filhos de Trump, o stock de cocaína parece ter chegado ao fim. Vivem-se tempos perigosos e alarmantes, na Land of the free.

 

Tucker Carlson, o fantoche de Trump que saiu em defesa do assassino de Kenosha

 

A insustentável leveza da falsa equivalência

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Jacob Blake, cidadão americano, negro, desarmado, foi baleado por agentes da polícia de Kenosha, Wisconsin, com sete tiros, em frente aos seus três filhos. Está no hospital, paraplégico, a lutar pela vida.

Kyle Rittenhouse, cidadão americano, branco, armado com uma semiautomática AR-15, assassinou dois manifestantes que protestavam contra a brutalidade policial que vitimou Jacob Blake, dirigindo-se posteriormente na direcção da equipa SWAT no local, que não disparou qualquer tiro ou prendeu o criminoso, permitindo que o mesmo regressasse ao Estado vizinho do Illinois. [Read more…]

Demitiu-se o Comissário Europeu que violou regras contra a covid-19

Phil Hogan, o comissário europeu que detinha a pasta do Comércio viu-se compelido a demitir-se por ter violado as regras da covid-19 na Irlanda. Hogen participou num jantar com 89 outras pessoas e mostrou não conhecer as regras de quarentena do seu país. A paixão pelo golf foi a sua perdição.

Que venha um melhor e que o acordo EU-Mercosul fique em águas de bacalhau.

Merkel terá mesmo potencial?

Trata-se do gigantesco acordo comercial conhecido sob o lema “carros por comida”, prenhe da lógica comercial insustentável que tem sido seguida a passo estugado pela UE nos últimos anos, em estridente contradição com os anúncios “verdes” da mesma UE.

É o acordo que vai contribuir para

  • o agravamento da crise climática,
  • a devastação das florestas tropicais e da biodiversidade sul-americana,
  • o aumento de atentados aos Direitos Humanos,
  • novos ataques à produção agrícola na Europa (sobretudo de pequenos produtores),
  • a acentuação de assimetrias e vulnerabilidades
  • a redução de padrões de saúde
  • o ataque aos direitos dos trabalhadores,
  • o aumento do sofrimento animal e, como é hábito,
  • é um acordo que resulta de um processo pouco transparente e contribui para esvaziar a democracia por via da harmonização regulatória em comissões técnicas sem escrutínio e com forte influência de lobistas.

A despeito de tudo isto, bem como dos muitos protestos da sociedade civil e de moções contra o acordo UE-Mercosul aprovadas nos parlamentos da Holanda, Áustria e da Valónia, os governos dos países-membros – com a Alemanha e Portugal na linha da frente – estão determinados a levar por diante a conclusão do acordo, de preferência já durante a actual presidência do conselho da UE, que a Alemanha assume até ao final do ano. [Read more…]

O meu corrupto é melhor que o teu…

Steve Bannon é uma referência para André Ventura. E corrupto sabe-se agora, facto que o líder do Chega já se apressou a desvalorizar. Pablo Iglesias, também é visado num alegado esquema de corrupção. Não ouvimos uma palavra sobre o assunto às manas Mortagua nem à Dª Catarina, líder da agremiação política irmã do Podemos…

O problema é a CIA

Protestar pela Bielorrússia ou pela Venezuela (eleições aldrabadas), pela Coreia do Norte (eleições? o que é isso?) ou por Hong-Kong (violação de acordos) é ingerência. Protestar contra o Trump e o Bolsonaro é, obviamente, solidariedade com os explorados povos dos EUA e do Brasil.

Bielorrúsia: o mundo real é fodido, não é?

Minsk

Entretanto, em Minsk, a onda de terrorismo de Estado avança, imparável. Um tirano, violento e decadente, que governa a Bielorrússia como se fosse sua, ordenou às forças de segurança que reprimissem os manifestantes, tendo já encarcerado, sem os procedimentos legais normais no resto (ou na maioria) da Europa, mais de 6 mil jornalistas, líderes associativos e sindicais, activistas, opositores políticos e outros “agitadores”. Isto não é comunismo, nem fascismo, nem outro ismo qualquer. Isto é uma monarquia absoluta travestida de República. E a Europa deve deixar-se de politicamente correctos e retaliar. Sanções, boicote económico, corte de relações diplomáticas, não sei. O que os decisores políticos acharem mais adequado. Mas isso obrigaria a fazer o mesmo à China ou à Rússia, só para citar dois exemplos, e seria too much. Porque produtividade, crescimento económico e competitividade e tal. E as democracias ocidentais também têm as suas prioridades. Tal como o capitalismo selvagem, que não funciona sem as ditaduras que providenciam a mão-de-obra barata semi-escrava.

O mundo real é fodido, não é?

A falsa equivalência

CR (2)

Na narrativa do fascismo do terceiro milénio, a luta por mais e melhores direitos civis, em particular de quem não os tem, representa uma ameaça à sobrevivência da nação e dos patriotas, seja lá o que isso significa para essas pessoas. Depois existem os idiotas úteis, que, não sendo necessariamente mal-intencionados, caem na esparrela da falsa equivalência, abrindo caminho para a normalização da extrema-direita. [Read more…]

O vírus (6)

Imagem: NPR

Pela China, vivem-se momentos de autocracia em expansão acelerada. Hong-Kong está a ser colocada sobre a lei do autoritarismo chinês. E os sinais de controlo sobre os chineses somam-se continuamente. Peça-se um comentário ao governo de Passos Coelho sobre a venda da REN e EDP à China.

Na Europa, os líderes da Polónia, Turquia e Hungria nem disfarçam o ímpeto de ditador que os caracteriza. Esse mesmo que os líderes europeus, Costa incluído, fazem de conta não verem.

Também por cá, a relativização, e até cancelamento, de leis fundamentais da sociedade parece caminhar para a vulgarização. Os Açores deram o mote. Mas recentemente, o Governo da Madeira lembrou-se de impor uma lei (uso de máscaras na rua) que é, ao que dizem, inconstitucional. Continua a a aguardar-se uma palavra do Presidente da República sobre o assunto.

A recolha de dados usando os telemóveis em registo faroeste, passou também a ser uma prática, até na Europa do burocrático (what else) RGPD. O que não surpreende, pois a resposta europeia aos problemas não difere muito daquilo que se faz em Portugal: mete-se uma lei em vigor e o problema fica resolvido.

(continua)

O vírus (5)

Foto: Dave Killen/Staff

A América de Trump continua o seu caminho para a perda de relevância internacional e de declínio nacional.

Soube-se há dias que Trump nem se deu ao trabalho de procurar saber se Putin tinha ou não oferecido recompensas para que soldados americanos fossem mortos no Afeganistão por guerrilheiros pró-Taliban. Chegaram-lhe as suas teses infantis sobre a boa-vontade de Putin.

Neste momento, a ausência de resposta à pandemia está a ter forte impacto na possibilidade de ser reeleito, pelo menos confiando nas sucessivas sondagens que colocam Biden à sua frente por valores de 2 casas percentuais. A reacção de Trump foi de lastimar-se que ninguém gosta dele, de atiçar os cães contra Fauci (a Graça Freitas de lá) e de procurar um fait-divers que tirasse o tema covid das notícias (largou-se num tweet sobre o adiamento das eleições marcadas para Novembro, algo que não está sob o seu controlo).

Gozado depois do fiasco que foi o comício que não teve os milhares de participantes esperados, graças à partida da miudagem do TikTok que se inscreveu aos magotes como falsos participantes nesse comício, Trump lança agora as garras ameaçando fechar essa rede social. Um favor que o Facebook, que não viu esta competição chegar, muito agradecerá. E que se junta ao leque das incongruências do presidente, que em alguns momentos grita que a liberdade de expressão está em causa, como quando o Twitter removeu algumas das suas mentiras, para depois ser ele mesmo um agente da limitação da liberdade de imprensa e da redução da competição.

Em paralelo, o Congresso ouviu o gangue do GAFA (Goolge, Amazon, Facebook e Apple) sobre o seu poder e sobre as suas práticas anti-concorrenciais e de devassa da privacidade. A sessão com o responsável da Google transformou-se numa espécie de suporte técnico, quando um senador republicano usou o seu tempo para procurar dessiminar a ideia de que as big tech bloqueiam o discurso do partido de Trump. Alegava ele que o email que a sua campanha tinha enviado aos eleitores não chegou à caixa de correio do seu pai, ao que Sundar Pichai explicou como funciona o sistema de separadores do Gmail, que coloca as mensagens dos contactos de amigos e família num separador principal, deixando os restantes emails para separadores de marketing, correio não solicitado, etc. Não satisfeito com a explicação e desejoso de fazer crescer o tema junto da comunicação social, Greg Steube apontou que isso da prioritização dos emails familiares não funcionou com os emails da sua campanha, ao que Pichai referiu que os sistemas da Google não foram capazes de perceber que se tratava do seu pai. Assim se transforma uma discussão sobre práticas não-concorrenciais num episódio de campanha eleitoral.

Em Portland, uma mulher vestindo apenas um chapéu e uma máscara cirúrgica ficou à frente da polícia, que lhe atirou balas de gás pimenta aos pés para a desmobilizar. Não se tendo mexido, a polícia ficou parada e acabou por se ir embora 10 minutos depois. Um episódio sem incidentes de maior, desta vez, nos confrontos entre polícia e manifestantes em Portland, cidade para a qual Trump enviou agentes federais em veículos não identificados, os quais detiveram manifestantes sem se identificarem.

(continua)

O vírus (4)

Pela Europa, confirma-se a nulidade em que a União Europeia se transformou, incapaz de estar à altura de apresentar um plano conjunto de resposta à presente crise.

Assistimos ao habitual espectáculo da arrogância nórdica, como se não tivessem grande benefício com o mercado único, e à mão estendida dos países do sul, pródigos nos casos de corrupção na aplicação dos “subsídios”.

Agradecem esta desunião os restantes grandes blocos, como China e Rússia, que vêm a sua posição ficar mais consolidada de cada vez que os concorrentes não se conseguem organizar.

A “solução” europeia passa por uma forte dose de empréstimos, sejam eles a fundo perdido ou não. O ponto está no recurso ao empréstimo, em vez da opção pela emissão de moeda. Se a segunda opção se traduziria numa desvalorização transversal da riqueza, já a primeira assegura a manutenção do património dos poucos que controlam o sistema financeiro. Manutenção e, inclusivamente, aumento, já que alguém (os estados) acabará a pagar juros.

Sem surpresa, foi notícia que a riqueza dos multi-milionários aumentou ainda mais durante a pandemia.

(continua)

 

Skid row: danos colaterais do capitalismo desregulado, selvagem e desumano

SR1

Na west coast da maior potencia económica e militar da história da humanidade, no coração da quarta cidade mais rica do planeta, residência de estrelas de cinema, rockstars e tech moguls, famosa pelos seus excessos e extravagancias, com muito sexo, drogas, rock´n´roll e dinheiro à mistura, situa-se o bairro de Skid Row, a dois passos do Staples Center ou do Walt Disney Concert Hall.

Em Skid Row, cuja população ascende aos 17 mil habitantes, cerca de 2 mil angelenos vivem nas ruas, alguns debaixo de um banco de jardim, nos casos em que a pobreza é absoluta, a maior parte em tendas, instaladas nos passeios da cidade, que podem facilmente ser vistas no Google Maps, na 6th Street e em algumas das suas perpendiculares, como a San Julian ou a Crocker St. Sem surpresas, é tida como a área do país com maior concentração de consumidores de crack e de crystal meth. Uma desgraça nunca vem só. [Read more…]

Miséria ética

Vejo as noticias e volto a descobrir que o Português que sou e quero ser, nada tem a ver com este Povo que, agora, habita este País. Um Povo sem carisma, sem garra, mas, acima de tudo, sem vontade ou consciência. E se essa percepção já era quotidianamente indesmentível por ser tão evidente, o resultado das preferências maioritárias deste Povo é de estraçalhar a esperança ao mais optimista dos seres.

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Segurança enganadora ou os direitos que não são

Max Schrems

Passou quase despercebida por cá a decisão tomada esta semana pelo Tribunal de Justiça da UE sobre o pacto Privacy Shield, relativo à transferência de dados UE-US. E, no entanto, foi importante, positiva e deixa-nos na expectativa das consequências, ao considerar que o pacto não protege os direitos de privacidade dos cidadãos europeus.

O Privacy Shield é um acordo de partilha de dados pessoais para fins comerciais em uso por mais de 5.300 empresas, que, conforme considerou o Tribunal de Justiça da União Europeia, possibilita “interferências nos direitos fundamentais das pessoas cujos dados são transferidos” para os Estados Unidos, porque as autoridades públicas americanas podem ter acesso a eles, sem que isso se limite “ao estritamente necessário”.

É a segunda grande vitória do activista da privacidade austríaco Max Schrems, que já em 2015 tinha ganho um caso histórico sobre a transferência de dados da filial europeia do Facebook, na Irlanda, para a sede, na Califórnia, porque a privacidade dos utilizadores europeus não podia ser garantida devido à espionagem feita pelo serviço secreto NSA (conforme revelado por Edward Snowden) e porque o sistema jurídico americano apenas protege os direitos dos cidadãos americanos. Isso levou à anulação do programa Safe Harbour, o antecessor do ‘Privacy Shield’ – mas o segundo acordo pouco mais mudou do que o título. [Read more…]

Auto-mutilação

Actualmente, ser de esquerda implica mutilar a sua própria liberdade. Principalmente, a liberdade de pensar.

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A bandalheira na Casa Branca

O grande presidente da Law and Order comutou ontem a sentença de prisão de seu amigo e ex-conselheiro político, Roger Stone, dias antes de Stone ter que se apresentar numa prisão federal na Geórgia.

Eis a palhaçada a que chegou a América de hoje.

Adenda: Desmascarando 12 mentiras e falsidades na declaração da Casa Branca sobre a comutação da sentença de Roger Stone